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FC Porto 5-0 Paços de Ferreira: Asfixiante e com Harry Potter

dosaliadosaodragao

“Não conseguimos sair a jogar por causa da pressão do FC Porto”. Estas palavras de Hélder Lopes, defesa esquerdo do Paços de Ferreira, na flash interview da SportTV, resumem na perfeição o que foi a partida do Dragão. Julen Lopetegui voltou à fórmula original, ignorando os bons desempenhos de alguns elementos nas últimas partidas da Taça da Liga (frente a Braga e Académica), e, por isso, a única verdadeira novidade foi a titularidade de Marcano em função da ausência, por castigo, de Bruno Martins Indi.

Ao contrário do jogo diante da Briosa, o FC Porto não entrou particularmente proactivo ou dinâmico, ainda que tenha tido quase sempre a posse de bola, e, por isso, os primeiros 20’ foram pouco entusiasmantes – dominando e controlando o jogo, os dragões não foram capazes de descobrir os melhores espaços para penetrar na defensiva pacense (sempre com um bloco baixíssimo). Ainda que Óliver tenha tido possibilidade para aparecer duas/três vezes em posição de finalizar – e com outra clarividência, o golo podia ter, desde logo, surgido.

De todo em todo, não produzindo uma exibição brilhante, o mérito do FC Porto foi a forma como aniquilou as (tímidas) tentativas de saída para o ataque por parte do Paços. Sempre muito subida no terreno, a equipa de Lopetegui asfixiou e roubou facilmente a bola aos castores. Neste ponto, Casemiro esteve anormalmente em destaque, ainda que todo o posicionamento defensivo dos dragões levasse a isso – a linha defensiva esteve sempre muito próxima da zona intermediária, não abrindo espaços e “obrigando” a uma pressão constante e (quase) sempre harmoniosa.

De resto, porém, aconteceu mais do mesmo: tendência quase automática para procurar os flancos laterais mas com velocidade insuficiente para criar desequilíbrios, destacando-se a ausência de um médio que se ‘escondesse’ entre os centrais e os médios pacenses, recebendo a bola entre linhas e oferecendo outras alternativas ao jogo portista. Diga-se, no entanto, que ao minuto 30 – quando surgiu o primeiro golo portista –, o nulo era já injusto perante a inoperância pacense e o domínio total do jogo por parte do FC Porto. Foi Jackson (quem mais?!) que abriu as hostilidades, depois de um cruzamento de Alex Sandro, sendo que o keeper pacense Defendi não foi hábil ao ponto de segurar a bola, tendo o colombiano apenas de empurrar para o golo. Estava feito o mais difícil!

O FC Porto ficou, assim, mais confortável no jogo e, até ao intervalo, haveria de ampliar a vantagem. Primeiro na transformação de uma grande penalidade, a castigar falta de Hélder Lopes sobre Jackson (após passe longo de Marcano, outra das armas muito utilizadas nesta partida) – o português agarrou o colombiano até à área(?), sobrando a dúvida sobre o momento do término da infracção. Quaresma não desperdiçou e, embalado pela injecção de moral, haveria de voltar a marcar quatro minutos depois – num daqueles lances dignos de clip de final de ano, o ‘Cigano’ voltou ao passado, resgatou as insígnias de ‘Harry Potter’ e, com a famosa e já esquecida trivela, assinou o momento mágico da partida, liturgia de “quem sabe não esquece”. 3-0 ao intervalo.

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Quaresma bisou e foi uma das figuras da partida
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

A 2ª parte haveria de abrir da mesma forma como terminou a 1ª – com um golo do FC Porto. A tal pressão alta característica do Dragão não ficou no balneário, e com uma recuperação de bola à saída da área do Paços – a que se juntou demasiada passividade da equipa pacense –, Jackson teve oportunidade para servir Herrera para o mexicano deixar também a sua assinatura no livro de honra do jogo. A partir desse momento, o Paços decidiu começar a pensar em visitar Fabiano. Seri deu o primeiro sinal ao rematar à barra portista, naquele que foi também o primeiro remate da sua equipa. Estávamos no minuto 48. Esse lance teve o condão, porém, de trazer ao jogo uma nova vida – o Paços começou a soltar-se, a revelar-se mais atrevido, conseguindo sair em várias transições (sobretudo pelos corredores), uma vez que o martírio que havia sido a primeira fase de pressão portista começou a esmorecer, possibilitando, assim, que surgissem em jogo os elementos mais avançados dos castores no terreno e que nunca se viram nos primeiros 45’. Por outro lado, o FC Porto também relaxou e baixou os índices de ligação ao jogo (ainda que Óliver, por exemplo, tenha tido uma soberana oportunidade aos 55’).

A dança das substituições começou logo de seguida: saíram Casemiro, Quaresma e Herrera e entraram para os seus lugares Rúben Neves, Quintero e Evandro, aos 64’, 68’ e 81’, respectivamente. De notar tão-só o momento em que o #10 portista surgiu em campo, levando a que Óliver fosse ocupar terrenos semelhantes ao que haviam sido pisados por Quaresma, deixando Quintero, dessa forma, na zona central e nevrálgica do campo. Onde ele pode, verdadeiramente, fazer a diferença. Tal como fez ao minuto 76’, quando, com um grande passe, deixou Jackson isolado, com ‘Cha Cha Cha’ a tentar o chapéu, que acabou por sair longe da baliza.

Até ao fim o FC Porto haveria de chegar ao quinto golo, na transformação irrepreensível de um livre, por parte de Tello, a castigar um lance em que Jackson surgia, de novo, isolado perante a baliza, impedido apenas pelo defesa Romeu Rocha, que ao fazer falta, viu ainda o segundo cartão amarelo.

Tudo somado, a exibição do FC Porto, longe de ser brilhante, foi suficientemente competente e responsável para justificar uma vitória ampla, perante um Paços de Ferreira demasiado amorfo, recolhido e que não soube – principalmente durante os primeiros 45’ – justificar a fama de equipa que pratica um futebol ofensivo e descomplexado.

 

A Figura
Quaresma
– Não fez uma exibição de encher o olho, até porque teve sempre muitos adversários pela frente. Porém, merece esta distinção pelo momento absolutamente genial que assinou ao minuto 44 – é certo que tenta imensas vezes (e por isso também é criticado…), mas a forma como a trivela voltou a ser tão perfeita quanto eficaz é um daqueles lances que faz sorrir qualquer verdadeiro amante de futebol.

O Fora-de-Jogo
Paços de Ferreira
– Os primeiros 45 minutos foram totalmente desajustados da imagem positiva que esta mesma equipa tem granjeado ao longo deste campeonato. Nesse período não encontrou qualquer tipo de antídoto para a forma muito forte como foi pressionada e nunca conseguiu explorar a profundidade perante um adversário que até expôs a sua linha defensiva.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Arouca 1-3 Sporting: Vencer jogos chatos também dá três pontos

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Estes jogos são chatos. À partida, se o Sporting ganha, não faz mais do que o seu dever; se perde, chegam todas as dúvidas, todas as críticas, todos os defeitos. São chatos também pela qualidade dos praticantes. Imaginem-se num fim de semana em que um vosso amigo inglês – adepto de futebol, claro está -, vem a Portugal. Dir-lhe-iam, com um grande sorriso e todo o orgulho, “este é o meu campeonato!”, no fim de um jogo do Arouca? Claro que não. Nenhum adepto de futebol chorava se este ano descessem mais equipas do que o previsto. Mas adiante.

Como não há situação chata que não se torne mais chata, acho que é mais ou menos isto que diz a Lei de Murphy, o já de si jogo chato com o Arouca, tornou-se mais chato devido às condições meteorológicas e ao empapamento do também usualmente chato relvado da equipa do norte. Se ainda pensarmos que Nani (e Jefferson) estavam castigados, constatamos a fiabilidade da tal lei que nos diz que tudo pode ficar sempre mais chato. Aí, e porque nestas situações o resultado é sempre o melhor juiz, Marco Silva merece que lhe louvem a perspicácia: é sempre melhor prevenir do que remediar. Foi o que fez. Mas adiante.

O jogo começou dividido, como se esperava depois do enunciado, a proporcionar muito choque, muito salto, muitas coisas mas pouco futebol. Ainda assim, Montero colocou o guarda-redes adversário em acção num lance, Adrien ficou a milímetros de colocar as redes a balançar noutro. Pelo meio, o árbitro resolveu decidir que o Tobias não podia levar os braços para o relvado e por isso – não me ocorre outra justificação -,  marcou penalty que a equipa de Pedro Emanuel viria a converter com sucesso. Não há mesmo situação chata que não se possa tornar mais chata, pois não?

No meio desta chatice desmedida, Marco Silva há-de ter pensado em Nani mas por pouco tempo. É que Mané, que pareceu meio perdido por uns minutos, resolveu arrancar pela esquerda, fixar o adversário, soltar na altura certa para o jogador certo que finalizou para o empate. O jogador foi Montero e apetece perguntar: quem é que “jogava bem mas não marcava”? Já é o melhor marcador da equipa, este que joga bem mas não marca. Até ao intervalo, nada mais a realçar para além da classe de William a controlar a bola, o adversário e a definir os tempos. O Adrien também não esteve nos seus piores dias, mas achei por bem colocar o ponto final a dividir as coisas que não me pareceu sensato misturá-lo com o Sir na mesma frase. Já bem chega no campo.

O intervalo trouxe-nos uma novidade: pela primeira vez desde as 18h, passou um minuto e meio sem um jogador do Arouca cair. Para além dessa, não muitas mais. Nenhuma mexida nos onzes iniciais e poucas no jogo. Talvez Adrien se tenha soltado um pouco mais, talvez a zona de pressão do Arouca tenha subido também e, com estes dois factores interligados, talvez tenha passado a existir um pouco mais de espaço no meio. O Sporting dispôs de uma belíssima oportunidade através de um passe de cabeça de Mané para Adrien, que desperdiçou com um remate ao lado. Noutros jogos, este lance poderia custar pontos. Foi preciso novo passe de Mané, desta vez para Carrillo, que, à ponta de lança, não perdoou. Minuto 62′ e finalmente uma notícia um pouco menos chata.

Perante este novo contexto, o Arouca reagiu como soube e encostou, por minutos, o Sporting mais atrás, mas Tobias Figueiredo, que nunca foi pior do que Maurício ou Sarr, sentenciou a partida com um excelente golo de cabeça, depois de um canto muito bem batido por Carrillo. 1-3 e a partir daqui notícias chatas só um segundo amarelo ou uma lesão. Que pena foi não poder dizê-lo ao Jonathan que, menos mau, dificilmente seria opção para o derby de dia oito. Daí até ao final, houve algum futebol que poderíamos convidar o nosso amigo inglês a ver sem que disso nos envergonhássemos. André Martins concluiu mal uma boa jogada colectiva; Tanaka falhou por muito pouco mais um golo; o Sporting venceu e conquistou, pela sexta vez consecutiva no campeonato, os três pontos. Para a semana, chatos ou não, que continuemos a somá-los!

A Figura

William Carvalho – Parece-me que, como no ano passado, daqui em diante vou passar a dedicar sempre este pequeno lugar de homenagem ao trinco leonino. Cabeça no ar com bola no pé, cabeça no lugar sem ela. Qualidade, visão. Já tinha saudades tuas, pá!

O Fora de Jogo

Arouca – Acho que a equipa de Pedro Emanuel pediu mais vezes assistência nos primeiros 45′ (aqueles onde o resultado lhes era favorável, portanto) do que uma qualquer equipa da Premier League na temporada inteira. E isto basta para a eleição.

Foto de capa: FPF

Djokovic “ganha o Óscar” frente a Andy Murray

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cab ténis

Novak Djokovic conquistou pela quinta vez o Open da Austrália, derrotando na final o britânico Andy Murray por 7/6, 6/7, 6/3 e 6/0. Mais uma vez o tenista sérvio protagonizou momentos que geraram opiniões divergentes por parte da crítica e dos adeptos.

O número 1 mundial colocou tudo o que tinha na final deste Open da Austrália, e tudo o que tinha refere-se ao jogo jogado mas também à vertente mental da partida. Djokovic, conhecido pela sua saudável “loucura” dentro de court, conseguiu desconcentrar Andy Murray, que nunca mais foi o mesmo a partir do terceiro set do encontro.

Depois de dois set’s iniciais, resolvidos apenas no tie-break, com a duração de 2h30, os dois set’s finais resolveram-se em 60 minutos. Não foi Andy Murray que “desaprendeu” o que sabia e a táctica que aplicou nos set’s iniciais, mas sim o sérvio que conseguiu mexer com a cabeça do britânico, que nunca mais conseguiu encontrar os níveis de concentração necessários para discutir taco-a-taco a final deste Open da Austrália.

O número 1 mundial alegou algumas dores durante a terceira partida, e com as queixas e as paragens conseguiu quebrar o ritmo de Murray, que estava em fase ascendente da partida, e partir assim para dois set’s finais completamente diferentes das duas partidas iniciais.

No entanto, o feito de Djokovic não merece ser recordado apenas pelos factores extra-jogo. O tenista sérvio esteve melhor e soube à sua maneira levar o jogo a seu favor, numa partida que começou por ser complicada. Andy Murray foi com a lição bem estudada e os dois set’s iniciais tanto poderiam ter “caído” para um como para outro.

Murray atacou a esquerda de “Nole” e conseguiu criar dificuldades ao sérvio, que no entanto aproveitou uma das maiores deficiências do jogo de Murray, o segundo serviço. Murray conquistou apenas 34% dos pontos com o segundo serviço, enquanto Djokovic conquistou 64%. O sérvio soube aproveitar as fraquezas de Djokovic para, a par da desconcentração do britânico, conseguir conquistar mais um troféu do Open da Austrália.

Andy Murray regressou assim a uma final de um torneio do grand slam, enquanto Novak Djokovic conquistou pela quinta vez o Open da Austrália, reforçando a sua liderança do ranking mundial. Com esta final, o top 4 voltou a ser constituído pelos denominados “big four”: Djokovic, Federer, Nadal e Murray, devido à queda de Stanislas Wawrinka no ranking.

Nos pares, os italianos Simone Bolelli e Fabio Fognini venceram os franceses Pierre Herbert e Nicolas Mahut (o protagonista do jogo de 11h em Wimbledon), por 6/4 e 6/4.

O Open da Austrália regressa para o ano, num evento que está a ficar cada vez melhor, quando foi já considerado o mais “pobre” dos quatro grand slams. Hoje em dia, Melbourne Park é uma casa de topo que abre a temporada do ténis de topo mundial.

França 25-22 Qatar: Gauleses sagram-se Campeões do Mundo!

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cab andebol

Fez-se justiça. Nenhum apreciador de andebol ou do desporto em geral poderia estar hoje a torcer pela vitória do Qatar, pelo que o triunfo francês tem de ser visto como um triunfo da verdade desportiva. Quem acompanhou minimamente esta competição sabe por que o digo: não só os qataris dispunham de 10 jogadores naturalizados à pressa num plantel de 17, como as arbitragens deste Mundial, que os asiáticos disputaram em casa, foram-lhes invariavelmente favoráveis. É caso para dizer, citando um adepto francês, “Talent – 1, Argent – 0” (“Talento – 1, Dinheiro – 0″).

Privados de Luc Abalo durante todo o Mundial, os franceses apresentaram hoje Valentin Porte (4 golos em 8 remates, 50% de eficácia) na ponta-direita, bem como a surpresa Alix Nyokas (3/5, 60%, pouco utilizado até aqui) como lateral desse flanco. O atleta do Göppingen marcou, de resto, o primeiro golo gaulês e foi um dos jogadores em maior destaque durante os primeiros minutos. A França aproveitou algumas perdas de bola e passes errados por parte do Qatar – fruto talvez de algum nervosismo inicial – para, com Nikola Karabatic (5/7, 71%) também em grande evidência, colocar o resultado em 5-9 aos 17 minutos. Como resultado, Valero Rivera pediu o primeiro desconto de tempo.

Ao contrário do que tinha acontecido em jogos anteriores, os qataris não demonstravam a eficácia da sua pressão defensiva, situação que a França aproveitou nos primeiros 20 minutos – exemplo disso foram os 6 golos encaixados pela equipa de Claude Onesta, situação notável mas que não mais se repetiu até final. Com o central Kamalladin Mallash (3/4, 75%) a orquestrar as jogadas, foi sobretudo o lateral-esquerdo cubano naturalizado qatari Rafael Capote (6/7, 86%) quem mais se evidenciou na primeira parte da equipa da casa, concretizando quatro golos em remates fortíssimos de primeira linha. Ao intervalo o marcador registava 11-14 a favor dos franceses, resultado que só não era mais desnivelado devido a algumas falhas na concretização por parte do gauleses e também a algumas decisões discutíveis da equipa de arbitragem, quase sempre a beneficiar os asiáticos. Uma palavra ainda para o guardião Danijel Saric (14 defesas/37 remates na sua direcção, 38% de eficácia), que manteve os qataris na discussão com várias boas defesas.

karabatic
o francês Nikola Karabatic foi o melhor em campo

No início do segundo tempo, dois golos de Mallash colocaram o Qatar a perder apenas pela diferença mínima. À semelhança do que já tinha acontecido na meia-final com a Espanha, a França caiu um pouco de rendimento após o intervalo – embora, em boa verdade, nunca tenha perdido o controlo da partida. O facto de o Qatar nunca mais ter conseguido passar para a frente do marcador depois do 1-0 é relevador disso mesmo. Com a entrada de Xavier Barachet (3/6, 50%) para o lugar de um Nyokas em quebra de produção, foi sobretudo Porte quem mais melhorou a sua prestação na selecção dos bleus. Porém, ainda que o jogo exterior francês saísse valorizado, a equipa estava num período de menor eficácia defensiva (contra a Espanha o nível foi bem melhor) e permitiu que o adversário reduzisse para 17-18 aos 40 minutos.

Com o encurtar das distâncias, a defesa qatari tornou-se mais agressiva e indicava que a equipa sabia que podia virar o jogo. Com efeito, o lateral Hassan Mabrouk (0 remates) foi-se tornando cada vez mais faltoso e quezilento, pouco acrescentando à sua equipa no ataque e inviabilizando algumas acções ofensivas do opositor. Num dos lances em que os franceses não foram capazes de aumentar a vantagem, o apagado ponta-esquerda Michaël Guigou (3/5, 60%) lesionou-se após rematar ao poste. Na resposta, golo do pivot “qatari” Borja Vidal (3/3, 100%), que estabeleceu o 19-20 aos 45 minutos.

A França parecia mais fatigada, e Claude Onesta promoveu a rotação na sua equipa dando minutos a jogadores como Jérôme Fernandez (1/2, 50%) e o jovem Kentin Mahe (1/2, 50%). Depois de um período a descansar, Nikola Karabatic – enorme tanto a atacar como a defender e, quanto a mim, o melhor jogador da final – regressou para os últimos dez minutos. Aos 54′, após (mais uma) assistência de N. Karabatic, Mahe fez o 21-24 num raro contra-ataque. A partir daí, o inteligente central Daniel Narcisse (4/7, 57%), que se exibiu sempre a muito bom nível, assumiu a liderança da sua equipa no ataque, tomando iniciativas sempre com critério e aparecendo de forma decisiva quando os colegas mais precisaram dele. Dois erros de Abdulla Al-Karbi (0/2, 0%) precipitaram a vitória francesa quando ainda havia um par de minutos para jogar. Estava assim consumado o quinto título mundial de França, que ultrapassa a Suécia e a Roménia e se torna no país mais bem-sucedido do andebol mundial.

Ainda que sem grande brilhantismo, a vitória gaulesa no jogo de hoje nunca esteve em discussão. O Qatar mostrou alma, deu boa réplica (Zarko Markovic (7/16, 44%) mais uma vez terminou uma partida como melhor marcador, embora tenha falhado vários golos no primeiro tempo) e teve o mérito de ter conseguido adiar ao máximo a confirmação do triunfo francês, depois de um período inicial em que o desequilíbrio parecia vir a ser muito maior. Como já se disse, algumas decisões da equipa de arbitragem também contribuíram para um certo equilíbrio no marcador, mas hoje seria necessário um autêntico escândalo ao nível da apreciação das jogadas para retirar o título aos franceses. Vitória justa dos bleus, vitória também da seriedade e da verdade desportiva contra o poder do dinheiro. No entanto, a continuar assim, o futuro do desporto está seriamente ameaçado…

 

Fotos: Facebook IHF

Polónia 29-28 Espanha: Polacos conquistam bronze no prolongamento

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cab andebol

A Polónia venceu a Espanha por 29-28, após prolongamento, assegurando assim o 3º lugar no Mundial de Andebol. A seleção espanhola, que ainda detém o título de campeã do Mundo, pelo menos até à final, que irá ser disputada entre Qatar e França, fica fora do pódio, o que não acontecia desde 2011.

A Polónia, que foi eliminada nas meias-finais pelo anfitrião Qatar, começou melhor o jogo com um parcial de três golos sem resposta, marcados pelo ponta direito Michal Daszek (três golos, 100% de eficácia), pelo ponta esquerdo Adam Wisniewski (quatro golos em seis remates, 86%) e pelo pivô Kamil Syprzak. Este último jogador, que atualmente representa uma equipa do seu país, o Wisla Plock, marcou três golos na primeira parte, aproveitando a reduzida agressividade defensiva dos espanhóis, que entraram no jogo desconcentrados também a atacar (só conseguiram faturar pela primeira vez aos oito minutos, através de Albert Rocas).

Szyba foi o melhor em campo Foto: HandBall 2015(Facebook Oficial da Competição)
Szyba foi o melhor em campo
Foto: HandBall 2015

A meio do primeiro tempo, mantinha-se a vantagem de três golos para a Polónia (8-5), que progressivamente Espanha foi anulando. Muito por causa da qualidade no lado esquerdo do ataque, onde Joan Canellas e Valero Rivera (marcou três dos últimos cinco golos da sua seleção na primeira parte, tendo acabado com cinco durante todo o jogo) colocaram bem visíveis as dificuldades defensivas de Daszek e Szyba. O resultado ao intervalo (empate a 13 golos) espelhava o que se tinha passado na partida, que teve duas fases distintas: uma entrada fortíssima por parte da Polónia e um crescimento dos espanhóis a partir dos 20 minutos.

Logo no início da segunda metade, Espanha passou para a frente com um golo do seu pivô Julen Aguinagalde (quatro golos em cinco tentativas, 80%), cujo poderio físico lhe permitiu ganhar muitos duelos na zona central, e não mais a Polónia voltou ao comando do marcador. Manuel Cadenas, o treinador da seleção espanhola, relegou Victor Tomas para o banco e deu a titularidade a Rocas na ponta direita, algo que ainda não tinha acontecido nos anteriores oito jogos do mundial. Contudo, principalmente na segunda parte, quem ocupou a posição foi Tomas, que acabou por ser o melhor marcador da sua seleção neste desafio, com sete golos em oito remates (excelente eficácia de 88%).

À entrada para o último minuto, verificava-se um 24-22 a favor de Espanha, diferença que a Polónia conseguiu esbater com dois golos de Michal Szyba, talvez o melhor atleta em campo. Este jogador de 26 anos, que joga na liga de andebol da Eslovénia, também viria a ser decisivo para a vitória que a Polónia conseguiu no prolongamento (marcou no total oito golos em 12 remates), ao faturar em cima do minuto 70. A seleção espanhola acabou por sair derrotada devido à maior capacidade física dos polacos no tempo extra, que conseguiram, desta forma, arrecadar a terceira medalha de bronze em campeonatos do mundo.

Foto de capa: HandBall 2015

Quintero: “no meio é que está a virtude”

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a minha eternidade

Nas últimas duas partidas do Futebol Clube do Porto, o colombiano Juan Quintero actuou em duas posições distintas no 4x3x3 da equipa. No jogo da Madeira, para o campeonato, frente ao Marítimo, descaiu para a faixa esquerda; no embate da Taça da Liga, frente à Académica, entrando depois do intervalo, laborou no meio e dinamizou requintadamente os azuis e brancos.

Frente aos maritimistas jogou muito afastado da baliza, incapaz de penetrar nos últimos 30 metros em profundidade, foi inábil nas diagonais e a invadir espaços mais interiores, sendo que a equipa da casa fechou muito bem essa zona nevrálgica. Esteve muito apagado e desinspirado, o que levou o treinador a substituí-lo ao intervalo, entrando para o seu lugar Cristian Tello.

No desafio contra os estudantes, o artista colombiano, apesar de ter muitas vezes recuado para iniciar a construção de jogo da equipa, dando critério e segurança na circulação de bola, pisou terrenos mais avançados – a tal zona de definição. Jogou próximo do avançado e esteve excepcional no último passe: duas entregas suas deram golo, tendo feito ainda outras aberturas perigosas para os colegas finalizarem.

Parece-me inegável que Quintero joga melhor se estiver incumbido de definir jogadas. Não é um número 10 em termos de organização de jogo, não pauta a circulação de bola em organização ofensiva. É, sim, um jogador de último passe ou remate. Esta intermitência exibicional (dois jogos de inspiração distinta) não deve apenas ser explicada pelas prestações do extremo no micro cosmos portista ou pela concepção táctica do seu treinador.

Sobre este jogador influi também um pensamento conjuntural, uma moda estilística actual, que deporta para as alas os criativos, os tecnicistas, os craques da bola contemporâneos. Vivemos num tempo que convive bem com o dogma que afirma que a zona central é para pressionar e roubar bolas, sendo as alas os únicos espaços onde a magia pode germinar. Estes tecnicistas com aptidões inatas como qualidade na condução de bola, confiança para controlarem a circulação do esférico, capazes de inventarem fintas desconcertantes, têm, nos dias de hoje, apenas lugar no “desterro” que são as faixas junto à linha lateral (lembremo-nos do caso de James Rodriguez no Porto, entre vários outros exemplos).

Quintero tarda em afirmar-se em definitivo Fonte: Página de Facebook de Juan Quintero
Quintero tarda em afirmar-se em definitivo
Fonte: Página de Facebook de Juan Quintero

Voltando concretamente ao jogador portista (visto que nunca esteve em causa o seu talento), o argumento mais vezes utilizado como justificação para a sua não inclusão no onze inicial era o da sua anarquia táctica e posicional, lacunas que, para alguns, perturbavam o momento de transição defensiva e posterior organização para a recuperação de bola. Outra das lacunas apontadas que explicaria a pouca preponderância do portista era uma suposta irregularidade exibicional – a cada partida de especial inspiração, seguir-se-ia outra de fraca qualidade. Por último, a catalogação de inexperiente, tornava-o desajustado para os desafios competitivamente mais exigentes; subsistia uma crença global na falta de arcaboiço para a resolução de problemas num patamar competitivo superior. Este craque sul-americano tem capacidade (se devidamente apoiado pelo trabalho diário do seu treinador) para desmistificar estas ideias feitas e de fundamento duvidoso. O seu posicionamento defensivo poderá ser (se devidamente enquadrado num comportamento colectivo) perfeitamente complementar com o dos seus companheiros (não acho que o Porto tenha demonstrado inconsistência com o fantasista em campo). A alegada inconstância exibicional e inexperiência do criativo podem ser combatidas e minoradas com tremenda facilidade. Basta Julen Lopetegui atribuir mais minutos de jogo e definir a posição de actuação deste elemento (na minha opinião teria de ser indubitavelmente a de médio ofensivo).

A estrutura de futebol dos dragões, em vez de arranjar subterfúgios para não o colocar no terreno de jogo (não estou a afirmar que o faça efectivamente), deveria arranjar forma de integrar na plenitude este artista, tão importante para debelar as lacunas no último terço do campo (como a finalização que vem denotando pouca eficácia) que têm impedido que o FC Porto esteja melhor classificado no campeonato nacional.

Foto de capa: Página de Facebook de Juan Quintero

Benfica 3-0 Boavista: Treino leve para o derby

coraçãoencarnado

Treino leve antes do derby. Assim poderia ser resumida a partida de hoje do campeão nacional contra o Boavista Futebol Clube. A verdade é que este Sport Lisboa e Benfica não deu hipótese, nem por um segundo que fosse. Ainda agora o jogo acabou e já ouvi que o Benfica entrou e nervoso e tal… “Falharam muitos golos”, dizem eles. Nove pontos de avanço, digo eu. Passou mais uma semana como líder, mais uma virá.

Passados apenas cinco minutos, já Ola John aquecia a bancada do Estádio da Luz, com uma oportunidade flagrante para inaugurar o marcador. Depois disso, o tempo trouxe apenas minutos de cortesia até Maxi decidir salpicar o pé direito com pequenos grãos de magia e fez uma assistência genial para Lima, que se sentiu obrigado a seguir a linha qualitativa que Maxi tinha iniciado e concluiu com um cabeceamento genial, a passar por cima do guarda-redes axadrezado (foi bom ver-te a jogar, Mika!). O tempo manteve-se fiel ao plano para a fria tarde de hoje, ou seja limitou-se a passar sem fazer das suas. O gigante jogou como quer e sabe. Depois disso, veio o esperado: Maxi não se quis ficar pela assistência, e ao reparar que a primeira meia-hora já tinha passado, decidiu celebrar esse facto com um remate colocado (e desviado) de pé esquerdo. Um presente ao tempo, que agradeceu com o intervalo. Os quinze minutos que separam as duas partes chegaram naturalmente, com o líder da classificação a ser líder nos relvados. O guardião das redes benfiquistas mal tinha tocado na bola, as chuteiras reclamavam, tal era o frio sentido. O Boavista não tinha feito um remate à baliza durante os primeiros quarenta e cinco minutos, já o Benfica podia estar a ganhar por mais.

Após o descanso, o Sport Lisboa e Benfica decidiu continuar a ser superior. O terceiro golo apareceu de uma grande penalidade (mal assinalada), com Jonas a aumentar a vantagem. Pareceu-me que a ordem para ser o imperador brasileiro a marcar a penalidade em vez de Lima veio directamente de Jorge Jesus. O jogo ficava assim selado com carimbo de líder e campeão nacional. Já que estamos a falar de penáltis, parece-me que ficou um por assinalar para os encarnados.

Os jogadores encarnados após mais um remate em direcção à contínua liderança Fonte: Facebook do SL Benfica
Os jogadores encarnados após mais um remate em direcção à contínua liderança
Fonte: Facebook do SL Benfica

Os restantes minutos foram apenas a obrigação do tempo. Nada mais que isso. Se o tempo não mandasse, este jogo tinha acabado logo ali. Para quê correr mais?! Bem, por falar em minutos, no próximo jogo caseiro do Sport Lisboa e Benfica, os sócios dos 15 aos 25 anos poderão comprar o bilhete para a partida por apenas seis euros (equivalente aos minutos de descontos dados por Hugo Miguel, na partida de hoje – o tempo voltou a pregar das suas). A verdade é que as palavras acabam por fugir do meu computador quando quero falar deste jogo, não há muito para dizer a não ser que o Benfica foi dominador do início ao fim e que o Boavista criou apenas uma ocasião de golo.

Gostaria de deixar algumas breves notas: críticas a Jorge Jesus agora não, por favor. Começo a ficar cansado de ouvir comentários por parte de benfiquistas que ao mínimo deslize apontam todas as falhas de cinco épocas. Não. Óbvio que não vamos ganhar todos os jogos (quem me dera!). Óbvio que por vezes a noite corre mal e as coisas não acabam como queremos, mas a vida é mesmo assim. O nosso papel é estar lá. Sempre. Volto a repetir, sempre. Ainda para mais quando temos seis pontos (agora nove) de vantagem para os que depois de nós vêm. Depois, sublinhar a óptima exibição de Lima, depois de uma semana difícil. Trabalhador e goleador. A defesa do Benfica continua impecável, falham cada vez menos! Maxi com uma exibição do tamanho do mundo. Samaris cada vez melhor, qualquer dia já entende aquilo que o Jesus lhe diz. Para Jonas não vou dizer nada, o meu curto dicionário não encontrou palavras para descrever o que este homem faz em campo: é mais que magia, muito mais que genial, vou-me ficar pelo silêncio. Não podia terminar este texto sem um forte abraço para o Júlio César: guardião dos guardiões, peço que essa lesão não seja mais do que um susto e que na próxima semana já estejas connosco outra vez. Prometo que me arrepiei quando o vi agarrado à coxa, este homem não se devia lesionar nunca, aquela segurança não tem preço!

A Figura:

Maxi Pereira – o uruguaio foi incansável no jogo de hoje. Esteve presente em quase todos os momentos ofensivos dos encarnados e estampou uma exibição excelente com um golo e uma assistência. Quando vejo este homem a jogar de águia ao peito juro que fico tranquilo e sereno. Ele é dos nossos, e esses ninguém nos pode tirar!

O Fora-de-jogo:

Lesão de Júlio César – o brasileiro ficou agarrado à coxa e teve de ser substituído após se ter lesionado num pique. Aguardarei com ansiedade novidades referentes à possível lesão, só espero que seja apenas um susto. Nós não merecemos, ele muito menos!

PS: decidi não colocar o Boavista como “Fora-de-jogo” apenas porque, apesar da exibição pobre dos axadrezados, considero que este Benfica a jogar na Luz é simplesmente impossível de contrariar. Assim, considero que a falta de argumentos do Boavista está directamente relacionada com a força do líder do campeonato.

Foto de Capa: Facebook do SL Benfica

Taça Asiática: O perfume de Omar e a surpresa Luongo na primeira da Austrália

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A Austrália organizou e venceu pela primeira vez a Taça Asiática (competição que disputa apenas desde 2007, depois da mudança de Confederação), derrotando na final – que teve as duas melhores equipas – a Coreia do Sul. O triunfo por 2-1 surgiu apenas no prolongamento e acabou por premiar a maior eficácia dos socceroos, única equipa que conseguiu marcar à Coreia do Sul. Os sul-coreanos, que apresentaram um conjunto à imagem do seu treinador, o alemão Uli Stielike, fizeram uma prova em crescendo (na fase de grupos limitaram-se aos serviços mínimos, com um futebol muito pobre) e também mereciam o título mas, ao contrário do que acontece na maior parte das vezes, não foi a defesa que levou a melhor sobre o ataque.

Os australianos, que têm vindo a alterar a essência do seu futebol com Ange Postecoglou, são agora uma equipa que defende mal e que se desequilibra com facilidade mas com qualidade do meio campo para a frente. O oposto da Coreia, que se destacou essencialmente pela organização defensiva (bloco muito compacto e agressividade na pressão). Cahill ainda é Cahill, o regressado Robbie Kruse é um excelente jogador, Leckie, uma das revelações do Mundial, é um extremo bastante irreverente e Massimo Luongo, médio que terá sido o melhor jogador da prova (juntamente com Omar Abdulrahman e Ki Sung-Yueng), tem uma capacidade assinalável de aparecer em zonas de finalização. A saltar do banco houve Tomi Juric, jovem avançado decisivo na final e que pode ser o sucessor de Cahill.

O Japão foi uma desilusão, mas é certo que a eliminação nos quartos-de-final, aos pés dos Emirados Árabes Unidos, foi uma tremenda infelicidade, já que os nipónicos massacraram autenticamente o adversário. Ainda assim, o fracasso pode ter feito com que Javier Aguirre tenha os dias contados. Individualmente, Honda, apesar de ter estado bastante bem, transportou a pouca sorte do Milan para a selecção (acertou mais nos postes do que nas redes), e Kagawa continua a estar aquém do que seria de esperar de um jogador com a sua qualidade. Quem não defraudou as expectativas foi Nagatomo, incansável a fazer todo o corredor esquerdo.

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O Japão, equipa mais forte individualmente, foi para casa nos quartos
Fonte: Facebook da AFC Asian Cup

O Irão, melhor selecção asiática do último Mundial, surgia na Austrália como um forte candidato ao título, mas acabou por cair frente ao Iraque, num jogo entre duas equipas com um coração enorme. A turma de Queiroz, apesar de ter feito uma fase de grupos imaculada, falhou na mudança de “chip”; quando foi preciso assumir o jogo, os iranianos tiveram muitas dificuldades. Mas nem tudo foi negativo, já que Sardar Azmoun, avançado do Rubin Kazan que falhou o Mundial, confirmou que tem mesmo potencial para ser a referência da selecção nos próximos anos.

A maior surpresa da prova foi claramente a China, que chegou à fase a eliminar depois de vários anos a cair na fase de grupos. O investimento que tem sido feito no campeonato nacional (e não só, já que o governo chinês tornou a prática do futebol obrigatória na disciplina de Educação Física) parece estar a dar frutos, notando-se clara evolução em relação à última edição da prova. Há bons princípios de jogo, vontade de ter a bola e de praticar um futebol apoiado, mesmo que ainda não exista capacidade individual para o fazer (e a partida com a Austrália, que ditou a eliminação, é um exemplo claro disso). Sun Ke, extremo com facilidade em criar desequilíbrios, mostrou talento, e Zhang Chengdong, que passou pelo Mafra e fez um hat-trick ao Sporting, foi muito regular a actuar como lateral direito.

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Os chineses foram a surpresa da prova
Fonte: Facebook da AFC Asian Cup

Se a China foi a maior surpresa, os Emirados terão sido a confirmação. O terceiro lugar é um excelente resultado e a equipa ainda é jovem, pelo que poderá continuar a afirmar-se como uma nação forte no continente nos próximos anos. O problema é a falta de apoio para os três craques da equipa: Ahmed Khalil, potente avançado, Ali Mabkhout, melhor marcador da prova, com 5 golos, e sobretudo Omar Abdulrahman, que, para não variar, espalhou classe em todos os jogos. É muito estranho (ou talvez não, já que recebe um ordenado principesco no Al-Ain) que o médio ofensivo ainda não tenha experimentado o futebol europeu, mesmo que se coloquem dúvidas em relação à sua capacidade de fazer a diferença num contexto onde há menos tempo e espaço para ter a bola no pé e decidir. Já fez testes no City mas não ficou porque não conseguiu obter licença de trabalho (pelo menos é isso que se diz) e até já afirmou ter recusado uma proposta do Benfica, mas ainda não se mudou para a Europa. Será desta?

O balanço final desta Taça Asiática não pode fugir ao maior problema do futebol do continente: o desequilíbrio gigante entre as selecções mais fortes e as mais fracas, que faz com que a fase de grupos – onde não houve um único empate – seja um autêntico passeio para as equipa com maior qualidade. O que não se percebe é a decisão da AFC de alargar o número de equipas para 24 já na próxima edição, algo que poderá permitir a entrada de nações do Sudeste Asiático, como a Indonésia ou as Filipinas, mas que não ajudará a aumentar o nível da prova. Há selecções do Médio Oriente bastante atrasadas (Omã, Kuwait, Bahrein e agora o Paquistão, que fez a sua estreia) e países como a Coreia do Norte ou a Arábia Saudita que estão completamente estagnados no que diz respeito ao futebol. E isto prejudica imenso a qualidade da Confederação Asiática, que continua a ter pouca expressão nos Mundiais. A contrariar a tendência surge o Uzbequistão, que já é presença assídua na fase a eliminar (falta o passo seguinte, que coloque a equipa na discussão pelo título), o Iraque, que tem um potencial futebolístico incrível (o médio Kazim foi um dos melhores da prova), apesar de as condições não serem favoráveis, e os Emirados, que também estão a colher os frutos da subida de nível do campeonato interno.

11 do torneio

GR: Mat Ryan (Austrália)

DD: Cha Du-Ri (Coreia do Sul)

DC – Kim Young-Gwon (Coreia do Sul)

DC – Trent Sainsbury (Austrália)

DE – Kim Jin-Su (Coreia do Sul)

MC – Ki Sung-Yueng (Coreia do Sul)

MC – Massimo Luongo (Austrália)

MO – Omar Abdulrahman (EAU)

ME – Ali Mabkhout (EAU)

MD – Heung Min-Son (Coreia do Sul)

PL – Tim Cahill (Austrália)

Melhor jogador/Revelação: Massimo Luongo (Austrália) – Depois desta demonstração de qualidade, o médio australiano não deve ficar muito mais tempo no Swindon, da League One. O jovem de 22 anos foi o motor da equipa e terminou o torneio com 2 golos e 4 assistências, números que demonstram a tremenda influência que teve na conquista do título. A actuar no duplo pivot, impressionou sobretudo pela facilidade com que chega à frente, seja a aparecer em zonas de finalização ou a criar desequilíbrios nos flancos. Para além disso, é um jogador intenso, forte na recuperação e inteligente na ocupação de espaços. Tem todas as condições para chegar a um dos principais campeonatos.

Melhor jogo: Irão-Iraque

Foto de Capa: Facebook da AFC Asian Cup

CAN’2015 – Já começou?

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Para quem segue habitualmente a Taça das Nações Africanas, a edição de 2015 está a deixá-los, certamente, desiludidos. Infelizmente, até agora os pontos positivos são muito poucos. O rescaldo da fase de grupos é decepcionante. Pouca qualidade individual e colectiva, pouca ambição pela vitória e, pior do que tudo, pouca fantasia africana.

Começando pelos jogadores, os melhores estiveram muito abaixo das expectativas criadas. As “estrelas” não brilharam, não desequilibraram nem fizeram a diferença como se esperava. Em especial Pitroipa, Mayuka, Papiss Cissé, Pierre Aubameyang e Aboubakar manifestaram um futebol bastante aquém do que já mostraram nos seus clubes e ao serviço das suas selecções, estando já a caminho dos seus clubes, devido à sua eliminação precoce. São jogadores de categoria superior, mas que neste torneio se resumiram quase à mediocridade. Uma pena para a qualidade geral da competição.

Em relação à falta de qualidade colectiva de jogo, julga-se que os treinadores tiveram um papel importante para tais exibições. A valorização do resultado impôs-se sobre o prazer da participação. Os modelos de jogo apresentados basearam a sua estratégia na não-derrota, isto é, a sua preocupação incidiu numa sólida e concentrada organização defensiva, em detrimento de comportamentos ofensivos ambiciosos, dinâmicos e criativos.

O facto de os treinadores europeus desejarem adaptar, com cada vez mais força, a dimensão táctico-estratégica presente nos clubes/selecções europeus, puramente descontextualizada da realidade africana, contribuiu para a existência de uma monótona e desinteressante primeira fase da competição.

Com isso, o que mais custou ver até agora foi a ausência de momentos “mágicos” a que o futebol africano nos tem habituado: cortes de pontapé de bicicleta na grande área; fintas de videojogos; golos acrobáticos; festejos originais; rituais de bruxaria. Já nada parece ser como dantes…

A qualidade de jogo da CAN tem sido muito pobre Fonte: Facebook da CAN'2015
A qualidade de jogo da CAN tem sido muito pobre
Fonte: Facebook da CAN’2015

Mas nem tudo foi negativo. O facto de os mais fracos terem conseguido surpreender os mais fortes é algo que se deve valorizar. Os Congos e as Guinés estariam no pote dos “últimos” nas opiniões dos analistas. Contudo, e pondo de parte a situação da Guiné-Conacri – das mais insólitas da história do futebol, já que passou aos quartos-de-final no desempate por sorteio, eliminando o Mali – foram autênticas surpresas as suas superações perante os seus adversários. Pena que o meio para alcançar a passagem para os quartos-de-final nem sempre tenha sido o mais interessante por parte dessas equipas, com qualidade de jogo muito limitada.

Outro destaque positivo foi a abordagem ao jogo por parte da África do Sul. O seu modelo de jogo dinâmico, criativo e solidário merecia outro desfecho. Pareceu que houve alguma falta de capacidade em lidar com as adversidades que o jogo impunha, causando-lhes duas derrotas e um empate, mas até elas aparecerem foi sem dúvida a equipa que mais espectáculo proporcionou aos espectadores.

Em termos individuais, três jogadores merecem destaque. A opinião é subjectiva, como é óbvio, mas, se a CAN’2015 acabasse agora, Dean Furman, Jamel Saihi e Serge Aurier eram os principais candidatos ao prémio de Melhor Jogador: Dean Furman, do Doncaster, é o capitão da África do Sul e é um médio-centro de 26 anos, com escola britânica, que não pára quieto durante todo o jogo e que ataca tão bem como defende; Jamel Saihi é também um médio-centro, nascido e criado biológica e futebolisticamente em Montpellier, tem 28 anos e parece ser o jogador tunisino com maior eficácia de comportamentos, tendo revelado um excelente toque de bola e sentido posicional; Serge Aurier tem 22 anos, joga no PSG e consagra-se cada vez mais como um dos melhores laterais de África – não conseguindo ainda o mesmo papel na Europa, apesar de se adivinhar um futuro fantástico a fazer todo o corredor direito da sua equipa.

Com tantas notas negativas e tão poucas positivas, o rescaldo da primeira parte da competição não poderia ser bom. A CAN’2015 oficialmente ainda vai a meio, mas a verdade é que para muitos dos fanáticos pelo futebol africano o desejo é que venha a edição de 2017!

Foto de Capa: Matthew Kenyon

França 26-22 Espanha: Gauleses avançam para a final

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Texto sobre a outra meia-final aqui.

Já são conhecidos os dois finalistas da 24ª edição do Campeonato do Mundo de Andebol. A França eliminou a detentora do troféu, a Espanha, vencendo por 26-22 e vai assim defrontar o Qatar na final de domingo. Numa partida marcada pelo equilíbrio, a diferença de quatro golos no resultado final não reflete o esforço feito pela seleção espanhola que, mesmo perante uma equipa com maior qualidade coletiva, se bateu praticamente até ao fim por uma presença na final.

O começo do jogo ficou marcado por sucessivas igualdades no marcador. O primeiro golo da Espanha foi marcado por Joan Cañellas. O jogador do Kiel viria a apontar também o terceiro golo, mas o seu rendimento foi baixando ao longo da partida, acabando com uma fraca eficácia de 42% (5 golos em 12 remates). O débil sistema defensivo da equipa espanhola (um 6-0 pouco agressivo), começou a falhar quando entrou em campo o central Nikola Karabatic (3 golos), que fez provavelmente uma das melhores exibições da carreira. Se com Daniel Narcisse a defesa espanhola abanava mas não caía, a entrada do jogador do Barcelona deu nova dinâmica às trocas posicionais no ataque gaulês mas sobretudo ajudou a dar consistência à defesa em 5-1- consistência essa que foi a peça-chave para a vitória. A rapidez com os jogadores de França saíam na pressão ao portador da bola, por vezes com mais do que um elemento (fantástica entreajuda), foi determinante para a forma precipitada e desastrada como terminaram muitos dos ataques dos adversários, o que levou a que no final Espanha acabasse com uma paupérrima eficácia de apenas 41%.

Destaque, numa primeira parte que terminou com uma vantagem de 18-14 a favor de França, para a exibição do ponta esquerdo Valero Rivera (3 golos em 5 remates, 60% de eficácia) e do seu colega de setor da ponta direita Albert Rocas (2 golos em 3 remates, 67%). Do lado dos franceses, é impossível não sublinhar a prestação do veterano Michael Guigou (4 golos no primeiro tempo, eficácia global de 100%), que, aos 33 anos, dá indicações que este não será o último mundial em que participa com a camisola da França.

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Thierry Omeyer, o guarda redes francês, foi decisivo na qualificação para a final

Os segundos 30 minutos foram bem menos produtivos do que os primeiros (foram marcados apenas 16 golos, metade em relação à primeira parte). A seleção francesa aumentou o pragmatismo, estendendo os períodos em ataque organizado. Mas a estratégia, claramente encomendada por Claude Onesta ao intervalo, e que desvirtuava o habitual ímpeto ofensivo dos gauleses, correu mal. Apesar de a defesa continuar sólida e a retirar espaço às incursões espanholas aos 9 metros, o ataque tornou-se demasiado suave e, a 10 minutos do fim, a equipa espanhola relançava a luta pela vitória, fazendo o 21-20. Para esta aproximação muito contribuiu o lado esquerdo do ataque que, quer com Valero Rivera quer com Cristian Ugalde (5 golos em 6 remates, 83%), foi sempre o setor onde a “muralha” defensiva francesa esteve menos estável.

Quando o cenário anímico parecia estar a mudar, com os espanhóis a ganharem ânimo com a recuperação, eis que se evidencia o guarda redes frânces Thierry Omeyer. O experiente guardião de 38 anos defendeu 20 dos 42 remates que se dirigiram para a sua baliza, o que perfaz um índice de eficácia de 48%! Olhando mais em pormenor, Omeyer, dono de uma flexibilidade e rapidez de movimentos fora do comum, defendeu 67% dos remates a 6 metros (4 em 7), 64% dos remates a 9 metros e parou ainda 4 dos 6 livres de 7 metros de que dispôs a seleção espanhola. Foi, por isso, decisivo para o avolumar do resultado na reta final.

De destacar também o sempre esforçado pivô francês Cédric Sorhaindo, que terminou o jogo com 4 golos em 6 tentativas e que continua a manter segura a titularidade numa posição onde a sua seleção apresenta mais carência de alternativas viáveis.

Está, assim, aberto o caminho para França juntar o troféu de campeã do Mundo aos títulos de campeã da Europa e vencedora dos últimos Jogos Olímpicos.

Fotos: Facebook 2015 Handball