Frederico Silva concluiu mais uma temporada tenística subindo 300 lugares no ranking mundial masculino. Aquela que é a maior esperança do ténis nacional subiu mais uns degraus de forma consistente, sem “embandeirar em arco” e dando mostras de que as Caldas da Raínha continuam a ter estofo para o seu crescimento.
O jovem tenista das Caldas da Raínha disputou 148 encontros, jogando 99 em singulares e 49 em pares e conseguindo jogar seis finais onde saiu como segundo classificado e duas vitórias. De referir ainda que em eventos Future Frederico Silva perdeu apenas duas vezes na ronda inaugural.
Com 19 anos, Frederico Silva é já o quarto melhor português no ranking mundial, a cinco anos de Gastão Elias (segundo melhor português), a seis de João Sousa (melhor português) e a onze anos de Rui Machado (terceiro melhor português). Face a estes dados pede-se um futuro brilhante ao pupilo de Pedro Felner, mas “nem tudo são rosas”.
Frederico Silva atravessa a fase da transição a 100% para tenista sénior e profissional e este ano demonstrou já ter estofo para tal, disputando torneios séniores em todo o mundo, alguns da categoria Challenger (o equivalente à segunda divisão) com resultados surpreendentes neste nível. É importante manter os pés assentes na terra e seguir a mesma linha desta temporada.
As Caldas da Rainha, campeãs nacionais por equipas em masculinos e femininos, continuam assim a provar ser a casa ideal para Frederico Silva, que, sob a direcção técnica de Pedro Felner, volta a provar que muitas das vezes o pecado capital é deixar o treinador com quem se nasceu para a modalidade. Frederico Silva é um produto de Pedro Felner e não há melhor do que o técnico caldense para o acompanhar até uma fase de grande maturidade profissional.
Certa vez, um amigo ligado a outra área de negócio disse-me que muitas das vezes o erro é deixarem cedo de mais quem “os criou”, e no ténis – no desporto em geral – a história é a mesma.
Muitos atletas deixam os técnicos que os “criaram” e que os levaram ao profissionalismo, obtendo depois dessa quebra de ligação maus resultados e voltando muitas das vezes com a palavra atrás. Frederico Silva parece estar a gerir bem a sua carreira, mantendo-se fiel às suas origens, treinando-se com os mesmos técnicos – embora fazendo algumas experiências no estrangeiro de forma a obter outras vivências, mas sabendo que as Caldas da Raínha continuam a ser a sua casa.
Sem tirar mérito a todos os que triunfaram recorrendo ao estrangeiro, e seja um tenista, um músico ou outra qualquer pessoa, os que triunfam “made in” Portugal têm mais mérito do que os que triunfam recorrendo ao estrangeiro, isto porque, por norma, triunfar cá dentro exige sempre o dobro do esforço.
Domingo é dia de Clássico no Dragão! Um Clássico é sempre um Clássico e, mesmo que não decida o título, existe uma “carga emocional” muito grande. Será difícil a elaboração de uma equação que defina o resultado do encontro, dado que ambas as equipas estão em níveis muito diferentes num conjunto de parâmetros.
Em termos anímicos, o Benfica vem fragilizado devido à eliminação das competições europeias. Apesar disso, certamente que a águia, de orgulho ferido, tentará tudo para derrotar o dragão. Já o Porto está bastante motivado depois de garantir o primeiro lugar no grupo da Liga dos Campeões, alcançado de forma tão imponente e logrando ser uma das equipas menos batidas da Europa. Todavia, em território nacional, tem alternando entre exibições de grande nível e outras menos conseguidas, e os três pontos de atraso para o actual campeão nacional podem resultar em nervosismo nos jogadores azuis e brancos. Pela primeira vez em muito tempo, estamos perante um Clássico em que não há “picardias” entre dirigentes.
Em relação aos intervenientes mais directos neste Clássico, iremos assistir a inúmeras estreias, neste que é um dos jogos de maior rivalidade no mundo. Do lado encarnado, apenas Júlio César, Samaris, Talisca e Jonas devem disputar o seu primeiro grande clássico no campeonato português. Por outro lado, nos azuis e brancos, Bruno Martins Indi, Casemiro, Oliver, Brahimi, Tello – e claro, o treinador Lopetegui – terão o seu primeiro confronto com o grande rival. Acresce que, na equipa encarnada, há um jogador com um “carinho” especial pelo Porto – Lima –, comprovado pelo facto de, ao serviço de Belenenses, de Braga e mais recentemente de Benfica, estar acostumado a marcar aos azuis e brancos.
Este será o primeiro Porto-Benfica para muitos dos jogadores dos dragões Fonte: Página de Facebook do FC Porto
É o primeiro confronto Lopetegui-Jesus e a maior dúvida será sobre o sistema que o treinador encarnado irá utilizar… Manter-se-á fiel ao seu 4-2-4/4-1-3-2? Ou optará por um 4-2-3-1? As dúvidas podem alongar-se, sobretudo porque o treinador encarnado é famoso por despersonalizar a sua equipa contra o FC Porto. Certo é que se o Benfica actuar no seu habitual sistema super ofensivo, despovoando o meio campo em benefício de um maior poderio ofensivo, poderá sentir diversas dificuldades perante um adversário que em todos os processos privilegia a posse de bola. O Porto deverá manter-se fiel ao seu 4-3-3, com um extremo bem aberto e um outro extremo que procura mais espaços interiores. No processo defensivo funcionará como um bloco, com pressão muito alta num sistema similar a um 4-1-4-1. O Benfica, caso opte pelo seu tradicional sistema com dois jogadores no centro do ataque (ou um jogador próximo do ponta de lança, como Talisca), poderá criar dificuldades ao processo de transição ofensiva dos azuis e brancos pressionando os dois centrais do Porto no início da construção (quando o Porto não consegue sair a jogar através dos seus centrais normalmente sente muitas dificuldades).
Como os prognósticos só se fazem no final do jogo, todos esperam um grande jogo de futebol com muitos golos (algo que certamente não acontecerá, pois a vitória deverá ser conquistada em pequenos aspetos táticos) e um belíssimo espetáculo sem incidentes tanto dentro como fora do campo. Haverá outro (ou até o mesmo) Kelvin no encontro? Ou será que a maldição de Lima se vai manter? Domingo saberemos!
Caro Pai Natal, venho por este meio pedir-te que me ofereças, nesta data festiva, uma vitória do Benfica no Estádio do Dragão, no clássico do próximo domingo. Não quero roupa, não quero dinheiro, não quero perfumes, não quero um carro novo, não quero nada de material, apenas quero que o meu adorado Benfica derrote o FC Porto! Será pedir muito?
Sou um homem bem comportado, não faço mal a ninguém, sou respeitador, não sou pedinchão. Anseio durante todo o ano por jogos deste calibre, não durmo a pensar na forma como o Benfica entra em campo nestes clássicos, dia de FC Porto vs Benfica é um dia perdido para mim, durante o qual não consigo fazer mais nada. Estamos em primeiro lugar no campeonato, se vencermos certamente que ganharemos um embalo importante para o muito que restará da competição, arrastaremos ainda mais os nossos adeptos para todo o lado.
Momentos como este terão que se repetir no Estádio do Dragão Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Quero que o Benfica prove que continua a ter um grande plantel; quero que o Benfica prove que jogar no Dragão não tem que ser necessariamente um filme de terror; quero ver um Jorge Jesus a não temer em demasia o adversário. Quero que os adeptos que partilham esta minha paixão pelo Benfica dêem um festival de apoio à equipa no estádio; quero que os artistas do campeão nacional estejam em dia inspirado; quero estar durante horas e horas a rever os lances de golo da equipa encarnada, fazendo uma directa. Quero entrar na faculdade, na próxima segunda-feira, com um sorriso triunfante; quero andar todo vaidoso por Lisboa; quero entoar cânticos no metro; quero ligar aos meus amigos benfiquistas de 5 em 5 minutos; quero estar na noite da Consoada a pensar no jogo, naquilo que ele foi, naquilo que ele representou para mim, até ser repreendido pelos meus pais.
Quero quebrar esta malapata que faz com que apenas vençamos no Dragão quando o rei faz anos; quero que todo o trabalho de Lopetegui seja posto em causa; quero que o Benfica seja temido por tudo e por todos no plano interno; quero que este clássico marque o arranque definitivo para o 34º título nacional. Se eu acredito em ti, Pai Natal? Não, não acredito. Mas para ver o meu Benfica a vencer o jogo do próximo domingo eu faço tudo! E por isso, não me custa nada enviar esta carta para uma morada qualquer da Lapónia. Se vires isto, pensa em mim e em muitos mais milhões de adeptos. O nosso Natal despende disto, podes ficar ciente disso.
Depois do ano de estreia, que correu de forma positiva, a UEFA Youth League desta temporada arrancou com a certeza de que a prova é, de facto, uma mais-valia em termos competitivos. A fase de grupos da competição para jovens sub-19 não trouxe grandes surpresas, mas serviu para perceber o potencial de algumas equipas e tirar conclusões relativamente ao estado da formação em determinados países.
No que diz respeito às equipas portuguesas, há que destacar pela negativa a prestação do Sporting. É certo que o grupo era difícil e esta geração é, provavelmente, a pior desde que existe Academia de Alcochete (Postiga, Elói e José Correia serão os elementos mais interessantes), mas não é admissível que um clube com tanto estatuto ao nível da formação tenha uma participação tão medíocre. Os jovens leões foram uma das piores defesas da prova (score de 11-0 nos jogos com o Chelsea) e só conseguiram pontuar com o Maribor, deixando a montra europeia sem grande brilho. Já o Benfica, finalista da última edição, voltou a provar que está a fazer um bom trabalho na formação e venceu o seu grupo. A equipa deste ano é inferior à da última temporada e dificilmente os encarnados terão capacidade de repetir a façanha, mas ainda assim é possível que cheguem longe na competição.
A dupla composta por Gilson Costa e Gonçalo Rodrigues dá bastante consistência à zona central, e do meio campo para a frente há nomes que fazem a diferença, como Renato Sanches, Hildeberto Pereira, Romário Baldé ou João Carvalho, que tem uma qualidade técnica e visão de jogo muito acima da média. A outra equipa portuguesa que vai disputar a fase a eliminar é o Porto, que conseguiu o apuramento apenas no último minuto da última jornada. Os dragões têm uma equipa interessante, com vários jovens que podem ser uma mais-valia a médio prazo. O extremo Rúben Macedo é talvez a principal figura, a par do colombiano Leonardo Ruiz, ponta-de-lança que mostrou muita qualidade e que já merece comparações com Jackson. O guarda-redes Raúl Gudiño, mexicano que foi vice-campeão do mundo de sub-17, também impressionou e já foi promovido à equipa B (grande diamante que o Porto tem em mãos). Fidelis, médio defensivo nigeriano, Sérgio Ribeiro e Rui Pedro foram outros jogadores que se exibiram em bom plano. Destaque ainda para Moreto Cassamá, que, apesar de ter apenas 16 anos, foi titular na última jornada. Tem um potencial incrível.
Os jovens leões só venceram o Maribor Fonte: Facebook do Sporting
O Chelsea e o Manchester City podem ser colocados numa primeira linha de candidatos à vitória final. Os londrinos têm um conjunto de jogadores absolutamente fantástico, com vários nomes que podem vir a estar entre os melhores do mundo. Não foi por acaso que Mourinho deu oportunidades a Loftus-Cheek, médio box-to-box que se estreou pela equipa principal no jogo com o Sporting, e a Dominic Solanke, avançado que jogou com o Maribor (muito oportuno, com poder de desmarcação e frieza na finalização). Andreas Christensen é um central dinamarquês com uma qualidade incrível para um jovem de 18 anos, e os atacantes Isaiah Brown, Charly Musonda e Tammy Abraham têm um potencial físico e técnico simplesmente assombroso. Jeremie Boga, médio ofensivo francês que foi o melhor jogador da última Next Gen com apenas 16 anos, é outra das figuras.
Em Manchester, Patrick Vieira está a fazer um excelente trabalho no City (será que temos treinador?). A equipa joga um futebol de grande qualidade e individualmente é fortíssima. Pozo, avançado espanhol, já foi lançado por Pellegrini, mas há outros jogadores que podem vir a chegar à equipa principal. Maffeo, central espanhol, tem sido um dos melhores da prova; Kean Bryan é o patrão do meio campo e Byrne é um interior especialista em bolas paradas (remata muito bem) e com boa chegada à área; Ambrose, que joga do lado direito do ataque, é um autêntico craque (muito dotado tecnicamente e com uma facilidade tremenda na criação de desequilíbrios), e Barker é um perigo nas diagonais da esquerda para o meio.
Patrick Vieira tem feito um grande trabalho com os jovens do City Fonte: Facebook do City
Aos dois clubes ingleses pode juntar-se o Ajax, que tem feito jus ao rótulo de grande academia. Os holandeses têm uma equipa recheada de talento e venceram o grupo que tinha Barcelona e PSG (ficou pelo caminho). O meio campo tem nomes como Donny van de Beek, que não deve demorar a chegar à equipa principal, ou Abdelhak Nouri, que tem um toque de bola simplesmente fantástico, e o ataque pouco fica a dever aos do Chelsea e do City. Vaclav Cerny, checo com um talento brutal que joga pela esquerda, Robert Muric, croata que ocupa o lado direito, e Zakaria El Azzouzi, avançado móvel de origem marroquina que é o segundo melhor marcador da prova (6 golos, só atrás dos 7 de Solanke), são nomes a fixar.
Para além do emblema de Amesterdão, também o Barcelona e o Real Madrid podem ter uma palavra a dizer na luta pelo título. Os catalães são os campeões, mas têm uma equipa bastante inferior à que venceu a primeira edição da prova (até porque Adama Traoré ou Halilovic já não jogam neste escalão). A principal figura é o médio camaronês Lionel Enguene, que está claramente um passo à frente dos restantes companheiros. O central Rodrigo Tarin, um dos melhores da última edição, e o avançado Isaac Padilla são outros jogadores com bastante margem de progressão. O rival da capital tem uma geração interessante, com três nomes que saltam à vista: José Carlos Lazo, que actua no lado direito do ataque, e a dupla Jack Harper, escocês que joga no apoio ao avançado, e Borja Mayoral, um dos melhores marcadores da prova.
Pelo segundo ano consecutivo, o Schalke foi a única equipa alemã que conseguiu ultrapassar a primeira fase. Tendo em conta que estamos a falar de um país que tem feito um trabalho exemplar na formação, este dado não deixa de ser um pouco estranho. Contudo, olhando para a falta de qualidade das equipas não é, de todo, surpreendente. O Bayern, que tem em Sinan Kurt a sua principal promessa (Gaudino já não conta), tem um conjunto de jogadores muito limitado e foi humilhado pelo City; o Dortmund não fez melhor, vencendo apenas um jogo e terminando no último lugar do grupo, e o Leverkusen, sem Julian Brandt e Levin Öztunali na maior parte dos jogos, acabou por não ter armas para se bater com Benfica e Zenit. Salvou-se o Schalke, que confirmou que, neste momento, é a melhor escola de formação da Alemanha.
Esta lista junta dez golos que de alguma forma perduraram na minha memória. Esta selecção visa apenas golos marcados por jogadores dos três grandes.
10.º – Sabry (Benfica) vs Sporting
O futebol para mim começou neste momento. A memória de Peter Schmeichel “pregado” ao chão é arrebatadora.
9.º David Suazo (Benfica) vs V. Guimarães
Dois nomes sonantes e que geravam grandes expectativas na massa associativa do Benfica. Pablo Aimar, um dos melhores jogadores a pisar os relvados portugueses, a isolar de letra David Suazo que abranda, tira dois adversários do caminho e bate para o fundo das redes. Momento de antologia.
8.º Hulk (FC Porto) vs Benfica
Se algum dia quiserem explicar aos vossos filhos quem foi o Hulk, esqueçam os super-heróis, mostrem este vídeo. Movimento típico e que demonstra a força e poder do internacional brasileiro.
7.º Lima (Benfica) vs Sporting
Uma jogada colectiva de excepção. Gaitán inventou espaço onde ele não existia e a elevada capacidade técnica dos jogadores do Benfica fez o resto. E o sabor especial de ter acontecido contra o maior rival…
6.º Paíto (Sporting) vs Benfica
Momento fantástico de Paíto – num jogo emotivo – que ultrapassa João Pereira, internacional português, e Luisão, internacional brasileiro e ainda patrão da defesa do Benfica – com a maior das facilidades. Um momento único na carreira do moçambicano.
5.º Deco (FC Porto) vs Marítimo
Um dos meus jogadores favoritos de sempre. Este golo é um óptimo exemplo da capacidade que Deco tinha de simplificar tudo.
4.º Mário Jardel (Sporting) vs Paços de Ferreira
Este é um dos golos que podia escolher de Super Mário. O mais implacável avançado que algum defesa poderia encontrar dentro da grande área. Fantástico a tirar o adversário da frente e notável a maneira como introduz a bola dentro da baliza.
3.º Nemanja Matic (Benfica) vs FC Porto
Mais um momento colectivo fantástico. Este golo não escapou ao radar da Fifa e recebeu uma nomeação para golo do ano.
2.º Falcao (FC Porto) vs Benfica
Um dos pontas-de-lança com maior variedade de recursos na finalização. Este golo é marcante pela jogada, finalização e por ser um dos cinco golos com que o Porto arrasou o Benfica
1.º Luisão (Benfica) vs Sporting
As discussões infindáveis que este momento proporcionou. O golo mais polémico do futebol português?
A alguns dias do grande jogo do campeonato (e futebol) português, o Futebol Clube do Porto entrou em campo e a jogar em casa com uma missão facilitada: o 1º lugar do grupo H assegurado. Lopetegui, timoneiro dos azuis-e-brancos, optou por um “11” alternativo diante dos ucranianos, e onde é de supor que apenas Alex Sandro e Maicon figurem nos prováveis eleitos para o Clássico. Assim sendo, jogadores menos utilizados como Andrés Fernández, Marcano, Quintero, Adrián e Aboubakar tiveram uma oportunidade de jogar na prova rainha do futebol europeu. Já as grandes “surpresas” neste xadrez, só por si muito diferente do habitual, foram as inclusões de Ricardo Pereira na ala direita e de, imagine-se, Evandro no corredor central (jogador que se fala poder estar de “malas à porta” já no mercado de Janeiro).
Assistimos a uma primeira parte sem qualquer tipo de brilho ou de futebol atrativo: duas equipas que não queriam assumir o jogo e os guarda-redes como meros espectadores, à excepção de dois remates aos 30’ e 31’ de Quaresma e Adrián, respectivamente, ainda que com o guardião do clube ucraniano a defender sem grandes dificuldades. Nota ainda para a lesão de Rúben Neves, que motivou a entrada de Martins Indi aos 40’ e a passagem de Marcano para a posição “6”. Quintero continua a ter magia naquelas botas e cada toque é um hino no que ao tratamento da “redondinha” diz respeito. Que classe! Em termos estratégicos, nota ainda para Quaresma que veio sistematicamente ao corredor central buscar a bola e depois descaia para o lado esquerdo – onde se encontrava Adriá -, entregando o corredor direito por completo ao lateral Ricardo e resguardando assim Alex Sandro de grandes envolvimentos ofensivos. Chegava ao final uma primeira parte que certamente não valeu o preço pago por cada ingresso.
A segunda parte começou com um Porto com linhas bastante mais subidas, mas foi o Shakthar quem abriu o marcador: depois de uma grande “mancha” de Andrés Fernández a Bernard (que pena não ter assinado pelo Porto quando devia…), na cobrança do canto, grande golo de Stepanenko, que ganhou nas alturas ao desinspirado Adrián. O jogo ganhou mais interesse após o golo e, passados dois minutos, Aboubakar, depois de mais um brilhante passe de Quintero, rematou ao lado, numa difícil finalização, e, aos 56’, foi Quaresma a tentar a sua sorte de longe. Pelo meio e sem grande estranheza, Lopetegui retirou Adrián de campo e fez entrar o menino que ajoelhou Jesus: Kelvin.
Quaresma foi um dos destaques pela positiva na equipa portista Fonte: Página de Facebook do FC Porto
Depois disto, o jogo voltou a ficar “morno” e o Shakthar, por duas vezes, teve oportunidade de chegar ao segundo tento, sempre pelo lado direito da defesa azul e branca, onde Ricardo Pereira foi facilmente ultrapassado pelos adversários. Para surpresa do público em geral, aos 68’, Lopetegui retira o até então mais esclarecido jogador do Porto (Quintero) e faz entrar para o seu lugar o sempre endiabrado Óliver. Pedia-se a saída de Evandro e um pouco mais de risco; afinal, estávamos a perder e era a última substituição disponível.
Decorridos 70’ de jogo, a mais perigosa e real situação de perigo de Porto era apenas um cabeceamento de Martins Indi à trave da equipa ucraniana, após grande cruzamento de Ricardo Pereira. Com o aproximar do fim do jogo, o Shakthar baixou linhas e o apagado Evandro quase fez golo ao aparecer no coração da área e a cabecear ao lado, após cruzamento “teleguiado” de Kelvin.
A 3 minutos do final do tempo regulamentar, o até então desaparecido Aboubakar fez o empate, num golo genial e que demonstrou “faro” de ponta-de-lança – aproveitou uma bola perdida e, numa fracção de segundo, virou-se para a baliza e rematou. Um golão do suplente de Jackson Martinez!
O final do jogo chegou de seguida e de forma natural. Para a história fica uma imaculada carreira dos Dragões na Europa, mostrando durante o seu percurso na fase de grupos que é, neste momento, a única equipa portuguesa com “estofo” de Champions. Agora é pensar no Benfica e… ganhar!
A Figura
Quintero/Quaresma – não fosse a substituição, teríamos a jovem promessa colombiana como o melhor jogador dos dragões em campo. Quaresma demonstrou uma disponibilidade física impressionante e uma disciplina táctica fora do comum. Assim se assume um “capitão sem braçadeira”, a alma dos azuis e brancos.
O Fora-de-jogo
Adrián Lopez – Como apreciador das qualidades do espanhol e tendo grande confiança depositada no mesmo para o futuro, custa-me ver um jogador ‘”arrastar-se” em campo daquela forma. O ‘sr. 11 milhões’ ainda não deu mostras de valer um cêntimo daquele dinheiro. Assim não, Adrián.
Demorou muito pouco o tempo em que conseguimos manter-nos donos do nosso próprio destino, pelo que, quando logo aos dezoito minutos, ficamos a perder por dois golos de diferença, passámos a jogar mais em Maribor do que Londres. O jogo acaba por ser um epitáfio justo da nossa participação nesta fase de grupos, e que também marca as restantes participações da época: qualidade e desequilíbrio. Explico: o Sporting demonstrou em Londres que o seu jogo tem qualidade para criar oportunidades e marcar golos, mas é demasiado inconsistente e inseguro para poder depender da sua capacidade defensiva para conseguir resultados. A este nível, e ainda por cima contra uma equipa com o poderio que tem o Chelsea, a realizar uma grande época, isso é ainda mais claro e acabou por ser fatal. Desequilíbrio também nas opções também à disposição de Marco Silva. Se é natural que Nani não tenha substituto à altura, Cédric, por exemplo, deveria ter.
Tudo acaba por ficar condicionado com uma infantilidade (leia-se ingenuidade) de Esgaio. O lance foi fatal para as nossas aspirações e também para o jogador, que acabou por jogar nitidamente diminuído psicologicamente, quer a defender quer mesmo quando se abriam hipóteses, mesmo que ténues, de atacar. O Chelsea estava a jogar confortavelmente com as suas linhas recuadas mas o desinteresse era só aparente. Sempre que conquistava a posse de bola, jogava simples, procurando quase sempre a grande capacidade de Fabregas de criar jogo e definir com qualidade. As movimentações de Schürle, partindo da linha para as costas do fantasma de William – onde andas tu? – eram golpes constantes a impor sofrimento e a anunciar que um golo na nossa baliza podia sempre acontecer.
Ora, mesmo sendo consentido, o Sporting ia dando indicações que sabia o que fazer à bola. Faltou Nani, o que assumiu também um carácter decisivo para o nosso jogo. Mas se o nosso dezassete esteve ausente Stanford Bridge pôde ficar a conhecer Nanillo. Perdão, Carrillo, que fez de Nani e de Carrillo. Talvez fosse suficiente se o adversário fosse o Boavista, como no passado fim-de-semana, ou até talvez um pouco mais forte, mas não com equipas da igualha do Chelsea. Capel era completamente inofensivo do outro lado e João Mário não conseguia passar os dois muros, perdão, médios de contenção, Mikel e Matic, tornando Slimani numa ilha.
O segundo tempo não deferiu muito do primeiro, apesar do golo de Jonathan ter dado algum fôlego à esperança, mas a resposta não demoraria. Um pouco à semelhança do golo de Matic em Alvalade, o Chelsea atrairia a defesa de uma bola parada ao primeiro poste para a fazer cair no outro extremo, sem que a defesa reagisse como devia. Pareceu fácil, o que se justifica pela qualidade da execução e pelo facto de não termos aprendido nada no primeiro jogo.
E assim saímos para a Liga Europa. Um apuramento natural e esperado quando se conheceu a composição do grupo mas que agora, face ao ocorrido no apuramento, acaba por saber a pouco. Dois lances patéticos – o golo já nos descontos em Maribor retirou-nos dois pontos, o inominável penalty na Alemanha – acabariam por nos afastar de um apuramento que seria inteiramente merecido. Mais importante que chorar sobre o leite derramado é reconhecer uma participação valorosa do Sporting a marcar o regresso à mais importante competição de clubes do mundo. Assim saibamos aproveitar a experiência para crescer e voltar mais fortes. E termino desejando que esta presença se torne um hábito e não uma aventura esporádica.
A Figura:
A Carrillo nunca faltou talento, apenas demonstrá-lo de forma consistente. Dois jogos é ainda muito pouco para o que se espera e exige a um grande jogador que ele tem tudo para vir a ser. Mas era preciso começar e Carrillo parece tê-lo feito agora. Encheu o campo, assumiu as despesas do ataque praticamente sozinho. A forma como encara os adversários e depois os deixa para trás parece querer dizer que a confiança de que necessitava também está ai. Se tudo isto se confirmar é uma boa noticia para o Sporting e para o futebol em geral, porque quer num quer noutro, à sua escala, não faltam histórias de grandes promessas que nunca foram mais do que isso: promessas.
O Fora-de-Jogo:
No polo oposto a Carrillo encontramos agora William. E nas razões que explicam o mau momento – diria apenas menos bom, para ser justo – estão duas que partilha com as que justificam o bom momento de Carrillo, só que pelo seu inverso. A confiança tarda em chegar, há coisas que já lhe vimos fazer com naturalidade que agora não consegue realizar nem em esforço. Por outro lado, e ao contrário do seu companheiro de cima, parece ter ficado a perder com a chegada de Marco Silva. Hoje não foi o William que era preciso e se houve vários jogadores nas mesmas circunstâncias ou pior é natural a maior severidade com aqueles de quem mais esperamos.
«Na próxima época teremos quatro ou cinco jogadores da formação no plantel profissional, é irreversível». Foram estas as palavras do presidente do Sport Lisboa e Benfica quanto ao futuro do clube. É com este exemplo que decidi abrir a reflexão desta semana. Pelo meio, Luís Filipe Vieira ainda deu a ideia de que este é que é o caminho mais correcto e que é por aqui que passa o futuro – irreversivelmente pela formação. Pois muito bem, não me diga?! O problema de todo o futebol português foi quando a formação deixou de ser o caminho. Este discurso e esta “súbita” vontade (veremos se se transforma em prática) surgiram quando a crise financeira nos bateu duramente à porta. Até aqui a formação era para vencer uns campeonatos de Iniciados, Juvenis e Juniores e logo se via se era possível potenciar alguns talentos (aqueles mais determinados que teimavam em não desistir). Vejamos alguns exemplos:
O Sporting Clube de Portugal foi o primeiro a olhar para dentro: a crise quase o levou à rotura total, e assim foi forçado a olhar para a excelência da sua formação. Muito bem feito. Mas e se não tivesse havido crise nem presidências à moda das segundas divisões distritais? Fica esta abertura para a reflexão. O Vitória de Guimarães, sem dinheiro para aventuras, apostou na juventude e está agora a colher os frutos: um lote de belos atletas que são resultado de um bom trabalho que este clube tem feito no futebol de formação. Por falar em clube minhoto, onde andam os campeões nacionais de juniores do Sporting Clube de Braga? Por fim, Benfica e o Porto são os dois grandes que possuem academias de excelência mas que se encontram ainda numa fase em que necessitam de avaliar a realidade e de entender o papel determinante do futebol de formação. Apesar de haver sinais de mudança, julgo que nestes dois últimos ainda há muito por fazer no que se refere às oportunidades concedidas aos jovens atletas na equipa principal e também no que diz respeito à transição de atletas do futebol de formação para a alta competição. Não deveriam estes clubes ser capazes de ter um método para assegurar este processo? Fica a questão.
Bernardo Silva ao serviço da seleção Sub-21 Fonte: FPF
Contudo, isto não se reduz apenas a estes nomes (grandes, por sinal). Este é um problema que toca a tudo e a todos. A questão estende-se desde a Federação Portuguesa de Futebol, passando por todos os clubes que militam nos campeonatos profissionais e acabando nos clubes com estruturas mais light que militam nos distritais mas que também formam atletas – inclusive alguns desses atletas com origens mais “humildes” conseguem profissionalizar-se.
É evidente que o caminho e o futuro do nosso futebol é a formação e os jovens que serão os atletas de amanhã. E isto é assim por diversas razões. A primeira é a sustentabilidade. Que sistema de continuidade consegue sobreviver sem renovação e sem se auto-reproduzir? É óbvio que, para que possa haver campeonatos e para que as nossas equipas sejam competitivas, a aposta tem de ser na formação de novos valores. E é igualmente óbvio que sem capital financeiro essa competitividade e qualidade têm de ser geradas internamente. Assim deverão ser geradas debaixo de modelos e planos claros que visem a formação de atletas de qualidade e que potenciem o que de melhor o nosso futebol tem para oferecer. A realidade é esta: os nossos atletas têm qualidade, têm um potencial enorme e os nossos clubes não têm capital financeiro para viver dos mercados internacionais. Aqui o desafio é ser sustentável com qualidade, e creio que em Portugal já tivemos e temos bons exemplos de que isso é possível.
De seguida, creio que este é o caminho porque, de facto, tal como referi anteriormente, o nosso país apresenta um potencial muito elevado no que se refere a atletas e formadores. Até quando faz sentido deixar que este potencial seja desperdiçado enquanto se contraem dívidas à banca e etc? Nunca fez sentido e não será agora que irá fazer. É portanto urgente alterar este paradigma de forma estrutural e começar a rentabilizar as nossas qualidades segundo a batuta da excelência. Ao contrário do que se possa pensar, em Portugal é possível ter plantéis equilibrados e atletas de grande qualidade sem gastar largos milhões em transferências. Basta aproveitar o potencial e criar estruturas e infraestruturas que permitam realizar esse trabalho de forma contínua nas bases. A título de exemplo, e que tal haver umas “academias” nos clubes profissionais em vez de meio campo para os iniciados e outro meio campo para os juvenis? E, caro leitor, isto é o mais básico.
Outra razão para que o caminho seja o futebol de formação é o papel que os clubes e sobretudo o desporto possuem na sociedade portuguesa. Mais do que a competição, é importante que os nossos jovens estejam activos e enquadrados em actividades que estimulem o seu bem-estar, a formação cívica e a sua criatividade. O futebol de formação é também, e sobretudo, um espaço de interacção e integração social onde os jovens encontram estímulos e conhecimento que infelizmente o nosso sistema de ensino não tem conseguido oferecer. O desporto é uma arte e um “bom hábito”, e como tal deve ser um caminho a dar continuidade – e sempre que possível dentro da maior qualidade.
Enfim, caro leitor: existem diversas e boas razões para acreditar que o reforço e a aposta no futebol de formação é o tal caminho que o nosso futebol deverá seguir. Estas foram apenas algumas razões que creio que sejam as mais visíveis. Actuar sobre isto não é uma tarefa fácil e exige imensa paciência (coisa que os nossos dirigentes não possuem), mas é sem dúvida o caminho mais sustentável e lógico para chegar a um futuro mais equilibrado e quiçá mais “risonho”.
A questão preocupante aqui é o ponto a que se chegou: o conceito de formar jovens atletas e apostar neles parece uma absoluta novidade e constitui uma capa de jornal. Enfim, o nosso mal é tudo isto parecer novidade e inovação quando na realidade este é o caminho que começámos há uns anos mas que abandonámos a meio em nome do capitalismo desportivo ou da mera desorientação. Contudo, creio que hoje se podem começar a dar uns passos em frente, pois parece haver uma maior reflexão acerca desta problemática. Por agora há que aguardar por um debate mais sério sobre este tema, há que criar as bases para uma planificação efectiva e esperar que declarações como as do presidente do Benfica não continuem a ser apenas promessas vãs e marketing barato.
Tozé (emprestado ao Estoril) e Ricardo Pereira (plantel do FC Porto), com Bernardo Silva ao fundo (emprestado ao Mónaco), Fonte: FPF
A expressão é alemã – em honra ao fraco adversário de hoje, mas justo segundo lugar – e, para além de se traduzir num simples “adeus”, significa literalmente “até uma próxima”. Ironicamente, é só e só isso que resta ao Benfica nesta precoce despedida da Europa: sonhar, mais uma vez, com o que próximo ano poderá trazer.
Nas últimas seis épocas, sob a batuta do maestro Jesus, foi assim sempre…excepto em 2011/2012, quando, a par com um Basileia levado às costas por Shaqiri, fizemos figura e impressionámos tudo e todos deixando para trás um batalhador mas justamente vencido Manchester United. Isto no ano após a vergonha em Braga para as meias da primeira-quase-bem-sucedida Liga Europa.
Desde então que tem sido sempre a descer. Grupos relativamente acessíveis, sorteios com presença no Pote 1, mas sempre as exibições desastrosas ou mitologicamente adulteradas: desde dilúvios em Lisboa, ao Deus Roberto na Grécia ou mesmo um estupidamente sortudo (mas sempre incompetente) Spartak de Moscovo que, em seis jornadas europeias, só conseguiu pontuar contra o Benfica…depois de um auto-golo de Jardel. Esse jogo decisivo havia de roubar, lá está, três pontos ao Benfica, quando bastavam somente dois para ultrapassar o segundo “sim, é verdade” lugar, Celtic.
Hoje, bem ao contrário dessa partida, disputou-se no Estádio da Luz um frio, cinzento, triste e pesaroso jogo de bola. Porque de futebol teve pouco. À excepção dos bons apontamentos de Lisandro, André Almeida (com direito a braçadeira de capitão), Cristante e – a espaços – Tiago “Bebé”, o Benfica mostrou que não queria mostrar nada. À semelhança dos alemães que, sempre focados, vieram a Lisboa sem Wendell, Reinartz, Son Heung-Min ou o lendário Kiessling. Traduzindo: meteram-se no avião para fazer turismo e cumprir calendário. Talvez por preverem que a equipa da casa faria o mesmo, ainda para mais com jogo no Dragão menos de cinco dias depois. E é aqui que me caio incrédulo. Mesmo a jogar com as suas segundas linhas, o Benfica conseguiu uma quase-vitória frente à equipa que merecia a cabeça deste Grupo C! Ficámo-nos, ainda assim, pelo dito “quase”.
Aos 11’ Lima quase marcou, mas preferiu acertar na barra. Aos 42’ Lima repete a graça e atira ao lado depois de desprezar um Derley sozinho ao centro e em frente à baliza. Aos 84’ o recém-entrado Talisca não teve força nas canetas e atirou fraquinho (e de pé direito) depois de boa combinação com Nélson Oliveira. Pouco depois, aos 87’, são os dois fresquinhos centrais encarnados que não se conseguem entender com a baliza e César atira por cima, junto à barra de Leno. Ao cair do pano, Nélson Oliveira ainda galga todo o campo depois de quase ser agredido por meia equipa alemã, mas não consegue concluir a jogada da melhor forma.
Pizzi foi um dos destaques da partida Fonte: Facebook SL Benfica
O Benfica, na Europa, foi e é isto: uma amálgama de desilusões a roçar a tragicomédia. Até o treinador, na véspera, se engana nas contas e diz que ainda não sabe quem vai acabar em último. Meu caro, ainda isto não tinha começado e já eu, que percebo mais de crochet venezuelano, sabia que uma equipa que só tem onze inicial e mais duas ou três opções viáveis no banco só podia acabar numa Liga de não-Campeões. E é exactamente isso que o Benfica é depois de tão desastrosa gestão de pré-época. Resta agora saber se ao Campeonato Português bastam estas simplórias soluções…e se Enzo não fará falta.
Que rico Natal se avizinha.
A Figura:
Cristante – A jovem promessa “roubada” ao Milan mostrou que já pode ficar em casa sozinho que nem pensa em ligar ao pai Enzo para vir apagar o incêndio que o irmão mais novo – o malandro do Pizzi – despoletou na cozinha. Ainda falta papar muita sopinha, mas o talento está lá. E, ao contrário de Samaris, a ideia de jogo já parece ter entrado
O Fora-de-Jogo:
Lima – Como acérrimo apoiante que sou da bazuca brasileira, nem tenho palavras. Hoje quase que me vieram as lágrimas aos olhos de tanta raiva depois de ver aquela bola na barra. Não se compreende. Assim dá vontade de pegar na trouxa e sair mais cedo.
O histórico clássico Porto-Benfica da próxima jornada terá 90 minutos dentro de campo mas o mesmo, para os adeptos, já começou e irá acabar certamente dias depois do apito final. É sempre assim: jogos grandes começam antes e acabam depois. Com a massificação da Internet (um fenómeno relativamente recente se o compararmos com as décadas de futebol) avolumou-se esta realidade; as picardias tornaram-se até mais agressivas com a protecção que um computador oferece.
No entanto, em Portugal, temos um fenómeno de puritanismo, uma espécie de show off demagógico, que tende a avaliar o comportamento do adversário – não o nosso. A revolta nas redes sociais, jornais online, entre outros, com as picardias que, neste caso, o Porto faz são absolutamente risíveis. Mesmo sendo provenientes do Facebook ou do site oficial do clube, a brigada dos bons costumes e ofendidos ataca.
O Porto, como qualquer clube grande e com muitos adeptos, tem os seus rivais predilectos e “pica-os” à boa maneira nortenha. Não são só as fontes oficiais dos azuis e brancos a fazê-lo, as claques também o fazem, como demonstrou uma destas organizações do Porto com um novo cântico a brindar o insucesso benfiquista na Liga dos Campeões. Os Super Dragões assumem o papel de Ultras e portanto têm cânticos anti. Este fenómeno não é novo em Portugal, não é novo na Europa, não é novo no mundo. Aliás, não é nada que não aconteça noutros jogos contra adversários que não lutam pelo campeonato com o Porto. Vi acontecer com o Vitória de Guimarães, Braga, Boavista (principalmente nos anos dourados dos axadrezados), Atlético de Madrid, etc. Claro que também eu questiono o timing e o bom gosto de alguns cânticos provocatórios e insultuosos, e certamente o fazem os adeptos da Lázio, do Marselha, do Atlético de Madrid, Schalke 04 e muitos outros. Mas até que ponto é que não é ético ou assim tão escandaloso?
De resto os Dragões não provocam só os adversários portugueses; quem está atento às redes sociais portistas sabe que, por vezes, lançamos umas farpas a adversários que não são rivais directos, e, para grande surpresa geral, não somos os únicos!
No próximo Domingo, o ambiente no Dragão será, por certo, galvanizador Fonte: Página de Facebook do FC Porto
É preciso então lembrar que também o Porto já foi e é atacado por todos. Aliás, não há clube que seja mais atacado do que o nosso. As polémicas que houve no futebol português juntamente com o volume de vitórias que fomos acumulando deram azo a isso. É, então, com alguma incredulidade que vejo comentários como “complexo de inferioridade”, “são pequenos porque falam de nós” numa tentativa de resposta ferida a alguns comentários portistas. Podemos “picar” o adversário mas vejo mais raiva e espuma nalguns adversários do que na maioria dos portistas. Para esses, o facto das claques dos seus clubes não cantarem cânticos contra o Porto (mas já todas tiveram tarjas contra nós, inclusive a apoiar adversários estrangeiros) é sinónimo de que não nos ligam. Se vissem o quão enganados estão e quão ridícula e imatura essa afirmação é, talvez começassem a não ter um olhar tão hipócrita sobre este assunto.
Não digo que as pessoas não se devam sentir indignadas com estas picardias: o futebol é feito de mais paixão do que razão, por isso todos nós nos sentimos “picados” pelos rivais e todos vamos responder com mais ou menos moderação a esses comentários. Também o faço e provavelmente sempre o farei. O que é importante é que não se ultrapasse o limite e se parta para a violência. Que se fiquem por umas “bocas” aqui e ali mas que não se parta para a agressão (embora continue a haver maus exemplos dados por adeptos de todas as cores). Talvez o nosso sangue latino ferva demais mas não é por recordar o 5-0 no Dragão frente ao Benfica que temos desculpa para nos comportarmos como selvagens.
Não adianta fingirem que não ligam, está demasiado expresso que toda a gente fica irritada quando é provocada; ninguém é moralmente superior nestes casos, apenas alguns disfarçam mais do que os outros. Quanto a mim, se o resultado for desfavorável ao Porto no clássico, garanto que vou responder de forma raivosa a alguns comentários; se for favorável (como acredito que vai ser!) também farei algumas piadas de qualidade duvidosa por essa Internet fora. Desculpem lá, não se ofendam.