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A tardia reestruturação do futebol português

Nas últimas semanas foram anunciadas novas medidas para o futebol português. Algumas delas estão já aprovadas e outras ainda em análise. Essas mudanças passam pela criação da Liga 3, a redução de equipas a competir na Primeira Liga, a mudança da Taça da Liga e a possível alteração das meias-finais da Taça de Portugal.

Começando pela Taça da Liga, as modificações estão confirmadas e irão ter efeito na próxima época. Existirá uma redução do número de equipas na fase de grupos, passando cada grupo a ter três equipas, diminuindo assim o número de jogos. Esta é uma boa notícia para a modalidade no nosso país, pois desde a criação da competição e o aumento do número de jogos na Primeira Liga que o calendário das equipas que disputam as competições europeias, sobretudo, está completo, obrigando a que essas equipas fossem forçadas a rodar mais o plantel e, por vezes, a menosprezar esta Taça. Esta mudança pode vir a permitir que a Taça da Liga deixe de ser vista como uma altura para rodar o plantel e que tenha mais interesse e competitividade, embora a competição em si seja sempre vista como a terceira ou quarta competição em Portugal e, ao ter a sua fase final no meio da temporada, não permite que exista um interesse tão grande. O seu término seria muito mais agradável, pois os valores e a visibilidade envolvidos nesta prova não são elevados, e fora a Final Four, nunca apresenta grandes sucessos de bilheteira que auxilie assim tanto os clubes. Pelo menos temos uma solução para diminuir o número de jogos.

Outras mudanças propostas pela Liga Portugal e pelos clubes do nosso futebol são a disputa da meia-final da Taça de Portugal num só jogo e em campo neutro. É algo que já devia ter sido feito há muito mais tempo e que não se percebe como a competição mais democrática do nosso país dá oportunidade a que o derrotado acabe por ter uma segunda oportunidade. É verdade que cada equipa joga na sua “casa”, mas esta opção vem permitir que tenhamos outros finalistas, pois ao haver apenas um jogo é sempre mais provável existir uma surpresa.

Já em relação à redução de equipas da Primeira Liga, a questão é o porquê da demora. Seis épocas depois do aumento do número de jogos, eis que surge a notícia de que a Liga propõe a redução de equipas em disputa a partir da época 2022/23. É algo que ainda está a ser discutido, mas que espero ansiosamente que seja aceite. A nossa liga não tem capacidade competitiva que justifique tantos jogos por temporada, e esta redução só vem mostrar que o aumento de equipas foi um “tiro no pé” e que não resultou. Tentaram competir contra as grandes ligas europeias ao nível de tornarem a nossa mais competitiva, mas o que obtiveram foram equipas desgastadas e com calendários cheios. Temos de ser sinceros, a maioria das nossas equipas não tem plantéis tão extensos e que permitam a rotação necessária. Podemos contra-argumentar que não será fácil esta decisão ir para a frente devido à redução de jogos e aos contratos televisivos que os clubes têm, mas será que a maior competitividade e atração que esta decisão pode vir a trazer não impulsionará a nossa liga para outro patamar de interesse?

A outra alteração, e esta já aprovada, é a Liga 3, uma nova competição da Liga Portugal que se coloca entre a Segunda Liga e o Campeonato de Portugal. Nesta liga jogarão 24 equipas divididas em duas séries, na primeira fase. Na segunda fase, existirá uma Fase de Apuramento de Campeão, em que os quatro primeiros classificados de cada série são separados em dois grupos e, no final, as duas primeiras equipas de cada grupo sobem ao segundo escalão. Também nesta fase existe uma mudança na Segunda Liga, pois os segundos classificados desta fase jogarão entre si e o vencedor enfrentará o 16.º classificado da Segunda Liga, para poder subir de Divisão. A outra fase, a Fase de Manutenção e Descida, será dividida em quatro séries com as restantes equipas, sendo que os últimos classificados de cada grupo descerão ao Campeonato de Portugal, com quatro equipas dessa mesma divisão a fazerem o caminho contrário.

Esta é a competição que mais altera o sistema de escalões no futebol em Portugal, uma vez que é uma competição até aqui desconhecida e que, apesar de ser comparada por muitos a antigas competições, é demasiado diferente dessas. Com esta nova competição teremos uma maior competitividade, uma vez que é na sua maioria composta por clubes já profissionais e com projetos mais apelativos, afastando-os assim dos “passeios” que tinham no Campeonato de Portugal, onde muitos não tinham adversários à sua altura. Também esta liga traz mais visibilidade aos clubes, já que ao existirem menos equipas é mais acessível um acompanhamento televisivo e também o sistema da liga ser mais fácil de compreender do que o Campeonato de Portugal. Mas também é neste ponto que existe um contra: a criação desta liga irá fazer com que o interesse no Campeonato de Portugal seja ainda mais diminuto, pois as equipas mais acompanhadas irão subir para um novo escalão. Este escalão é uma inovação que tem tudo para ser positiva, pois traz competitividade, visibilidade e também novos objetivos aos clubes, que muitas vezes ficavam estagnados no escalão inferior devido às poucas subidas.

O futebol português parece estar a dar passos importantíssimos para a inovação da modalidade e para a tornar mais competitiva, sendo capaz de ouvir os seus intervenientes e não ter medo de dar um passo atrás, para dar dois à frente no futuro. Resta agora saber se estas decisões irão ter os resultados esperados e se o futebol português se torna realmente mais atrativo.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Antevisão Mundial Snooker 2021 | Sonhos e público de volta ao Crucible

Na sequência do ano mais atípico da história da modalidade, o Snooker procura restabelecer a normalidade possível, com o foco da World Snooker a incidir sobre dois importantes pontos: calendário e assistência. E o Campeonato do Mundo de 2021 traz ótimas notícias em respeito a ambos!

Em 2020, os amantes da modalidade tiveram que aguardar até 31 de julho para verem as bolas a rolar nos mantos verdes das mesas de oito pés do Crucible Theatre. Em 2021, contudo, o Mundial volta a ser jogado na Primavera – decorre de 17 de abril a 3 de maio -, marcando o regresso da prova máxima do Snooker mundial à época a que os amantes deste desporto se habituaram anos a fio.

Por falar nos adeptos da modalidade e em regresso… Era a notícia mais desejada e foi confirmada a sete de abril pelo Governo Britânico e pela World Snooker: habemus público! O Crucible vai acolher assistência em todas as etapas da fase final do Mundial, começando com uma taxa máxima de 33% nos 16-avos de final, 50% nos oitavos e 75% nas fases seguintes até à grande final de dois e três de maio, que poderá receber – em ambos os dias e nas quatro sessões previstas – as 980 pessoas que constituem a lotação máxima do mítico edifício no centro de Sheffield.

Não obstante a importância do público, os intervenientes principais são os jogadores. Assim, quem são os 32 afortunados que vão gladiar pela maior honra do Snooker mundial e pelas 500 mil libras guardadas para o grande vencedor? Vamos descobrir nesta antevisão.

O vencedor, esse, será desvendado já no mês de maio. O Campeonato do Mundo de Snooker 2021 arranca sábado, 17 de abril, às 10 horas, com as honras de abertura a pertencerem ao campeão em título (manda a tradição) – Ronnie O´Sullivan defronta o estreante Mark Joyce.

Previsão de vencedor: Neil Robertson

Podcast Frente a Frente Bola na Rede #2 – Ronaldo vs. Pelé

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No novo podcast do Bola na Rede comparamos Ronaldo com Pelé neste Frente a Frente! Para isso, contamos com a presença dos nossos dois comentadores-especialistas em futebol brasileiro: Fellipe Andrade e César Mayrinck. Um programa a não perder com a moderação do João Castro! 🎙️

Se queres ver no que deu, então ouve o novo Podcast BnR.

Podes ouvi-lo no Spotify, Anchor, Breaker, Google Podcasts, Apple Podcasts, Overcast, Pocket Casts e Radio Public.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Força da Tática | Imortal 59-83 Sporting CP: 20 minutos de pedalada

A festa da Taça finalmente! Todos os fãs do basquetebol nacional aguardavam uma façanha por parte do Imortal, ou (mais) um ponto de exclamação por parte do Sporting CP na Taça de Portugal. Leões e algarvios viajaram para Matosinhos com expectativas diferentes, mas com o mesmo objetivo: vencer a Taça.

No jogo do passado domingo, o desfecho foi justo para o Sporting, porém inglório para o Imortal, que se viu desfalcado de duas das suas principais referências. Ainda assim, o espetáculo perdurou… durante 20 minutos.

Neste ‘Força da Tática’, o Bola Na Rede irá analisar os aspetos que diferenciaram ambos os conjuntos, num jogo – que só teve história para narrar – durante uns meros dois quartos de jogo (infelizmente para o espetáculo foi o tempo que a equipa do Algarve susteve o poderio do leão).

FALTOU CABEÇA (E PERNAS) PARA MAIS

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Costuma-se dizer que as finais são decididas em detalhes, mas esta foi mesmo em “pormaiores”. Podemos abordar os aspetos táticos do Imortal, mas a principal falha foi o (escasso) discernimento e o (evidente) desgaste que o jogo transato – perante o SL Benfica – provocou. É certo que o Sporting CP também jogou uma meia-final – no mesmo dia – mas não se pode comparar o plantel de ambos os lados, ainda para mais tendo o Imortal sofrido dois duros revés nessa meia-final. Já se sabe que uma lesão ou uma «falha» crucial no Sporting CP não tem o mesmo impacto que uma «falha» ou lesão importante no Imortal… Não é um facto, mas não foge da verdade, ao passo que quando olhamos para o plantel de cada um, as diferenças são gritantes. O Sporting CP, por exemplo, no tempo «morto» da partida, coloca um jogador da qualidade do Francisco Amiel, ou um ‘não muito utilizado’ campeão europeu sub-20 Embaló, e só por aqui já vemos a capacidade e profundidade com que Luís Magalhães opera. Do outro lado, Luís Modesto utilizou, por exemplo, um míudo de 16 anos – Salvador Victo – que ainda está a dar os primeiros passos no mundo «dos grandes».

Dito isto, aponto desde já dois fatores chave para o desfecho vitorioso do Sporting CP nesta final: lesões e o desgaste físico algarvio. Mas, sublinho, não explica tudo e é a partir desta premissa que vamos analisar a final da Taça de Portugal.

FORÇA, «MISSMATCH» E SHAKIR SMITH – AS CHAVES DO SPORTING

Shakir Smith foi eleito o homem do jogo
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Os leões, desde cedo, identificaram o alvo predileto para atacar o cesto. A equipa de Luís Modesto, como referido no parágrafo anterior, não contava com dois homens à conta de lesões – Jalen Jenkins e Tyere Marshall – sendo que, as características de ambos, tais como a sua estatura, dimensão física, luta nos duelos ou ocupação dos espaços faria um jeito tremendo ao técnico português. Isto, ainda para mais tendo do outro lado, nada mais nada menos, que Fields. O poste norte americano é um autêntico monstro (e nem está no seu melhor momento de forma), sendo que o único obstáculo muitas vezes impelido ao poste do Sporting era Hugo Sotta. Nada a apontar ao poste português – que lutou muito – mas Fields é de outra dimensão, ou seja, o missmatch foi facilmente identificado e o Sporting aproveitou, quer em transição, quer em jogo posicional, ataques de forma a isolar Fields.

Depois, o acerto madrugador dos algarvios – parcial 7×0 a abrir – acabou por se revelar exclusivo e momentâneo, uma vez que não mais conseguiram dar uma réplica semelhante aos leões. De resto, os tiros exteriores (que no início pareciam dar um bom repto para a partida) pararam de cair e o desgaste físico, a falta de discernimento e a incapacidade de pensar o jogo – contra um Sporting que gosta de provocar isso no adversário – acabaram por sentenciar as contas e no final da primeira parte o Sporting levou uma vantagem de 12 pontos (32×44), que ainda conseguiu incrementar no final do terceiro quarto para uma diferença de 21. Por fim, sublinhar Shakir Smith, na medida em que atuou a um nível muito elevado (24 pontos, quatro assistências) e aproveitou o estremecer do Imortal no segundo quarto, para dar um golpe crucial no jogo, sendo que nos primeiros 11 minutos em campo, o base somou 17 pontos. Incrível.

No vídeo em baixo irão comprovar alguns dos factores chaves para o Sporting CP ter levado a Taça. Entre os quais a transição ofensiva e defesa a meio-campo dos leões, as falhas do Imortal e, por fim, um ou outro momento de organização ofensiva da equipa algarvia, que esporadicamente conseguiu explorar o pick and roll para libertar os exteriores (ou postes, como foi o caso do Monteiro no início do jogo).

Foto de Capa: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Liverpool FC 0-0 Real Madrid CF: Reds perdulários, merengues pacientes

A CRÓNICA: SEGUNDA MÃO SEM BRILHO GARANTE “MEIAS” TRÊS ANOS DEPOIS

A segunda mão dos quartos de final levou o Real Madrid CF em vantagem (3-1) até Anfield. A “remontada” exigia a perfeição a Klopp e à sua equipa: marcar dois golos e não sofrer nenhum. A Zidane e aos seus jogadores “bastava” uma infinidade de resultados, todos os que não significassem a derrota por dois ou mais golos. A tarefa afigurava-se bem mais simples para os visitantes, mas qualquer que fosse o desfecho já significaria um melhor desempenho em relação à época transata; ambas as formações foram eliminadas nos oitavos de final em 2019/20.

O minuto de silêncio em memória do Príncipe Philip, onde não se ouviu ruído algum, escondeu uma equipa sedenta de revolta e de golo. Ainda corria o segundo minuto de golo e já Mané servia Salah no coração da área. Valeu o desacerto do egípcio e a perna esticada do guardião belga a evitar a entrada perfeita dos reds na partida.

O impedimento de Mané e a sapatada de Courtois a negar a tentativa de Milner foram as consequências seguintes ao domínio do Liverpool FC, nos primeiros 20 minutos da partida. Remetidos ao seu meio-campo e com poucas tentativas de construção apoiada, os blancos saíam na velocidade e baseados em processos rápidos e simples.

Por volta do minuto 20, Benzema trabalhou curto em frente aos jovens centrais adversários e rematou ao poste direito de Alisson. Pouco depois, Vinícius tentou a sorte de longe, mas Alisson voou para agarrar a intenção do brasileiro, a estrela da primeira mão.

Rapidamente, os reds assumiram de novo os destinos da primeira parte e remeteu os de Madrid para os últimos 30 metros de terreno. Aos 38 minutos, Arnold tentou assistir Mané ao segundo poste, mas o senegalês chegou atrasado para a emenda. Minutos depois houve jogada de entendimento entre os dois africanos do ataque inglês. Mané deixou para Salah, que rematou muito por cima.

O mesmo destino teve o remate de Wijnaldum no minuto seguinte, após passe atrasado de Arnold para o coração da área. Foram quatro as jogadas de maior assédio à baliza dos merengues antes do apito para o intervalo e que já faziam por merecer a vantagem caseira. O Real Madrid CF tinha tudo a correr a seu favor: o cronómetro, o desacerto dos reds e a atenção de Courtois.

O problema de escassez de defesas centrais não era hoje o problema do Liverpool FC, que deram bem conta do recado. Era, isso sim, o desacerto na hora de visar a baliza adversária. O jogo, o resultado e a eliminatória pediam Diogo Jota na segunda parte.

A segunda parte reatou como terminou a primeira: os mesmos 22 em campo e os reds mais perto do golo. A trivela de Alexander-Arnold encontrou Firmino já dentro de área e o brasileiro superiorizou-se ao compatriota Militão e rematou para defesa apertada de Courtois.

Aos 66 minutos, um alívio de Valverde isolou Vinícius e só a oposição rápida de Alisson evitou maior fosso no resultado da eliminatória. Na recarga, novamente o guardião brasileiro atirou-se aos pés de Benzema e impediu o remate do francês.

No lance seguinte, ao minuto 70, apareceu Jota, dez minutos depois de entrar em campo. Tirou Valverde do caminhou, aguentou a pressão dos centrais e rematou ligeiramente ao lado. Mas foi “sol de pouca dura”, já que a partir de então o Liverpool FC revelou enorme frustração e a capacidade de chegar a zonas de finalização foi descendo gradualmente e esbarrando numa exibição muito capaz da muralha merengue.

As substituições de Zidane visaram apenas refrescar o ataque, para tentar nova ferida nos reds já cambaleantes e garantir mais força no centro do terreno. Do lado dos de Liverpool, o sangue fresco trouxe pouca objetividade e sede de golo aos que já se arrastavam em campo, em desespero pelo golo que relançasse a eliminatória.

Surgiu novamente Courtois nos descontos a negar o golo a Salah, depois da tentativa de assistência de Thiago Alcântara. O nulo que se verificou quando Bjorn Kuipers apitou pela última vez garantiu a eliminação do Liverpool FC da Liga dos Campeões, depois de uma partida de domínio consentido e muita desinspiração na frente de ataque.

Aos máximos vencedores da prova, o Real Madrid CF, a partida correu de feição, com uma exibição segura e paciente que carimbou a passagem à final four, onde já os esperava o Chelsea FC. Ponto final nas aspirações britânicas e nova surpresa na época dos espanhóis, visto que a meio de abril ainda podem ser campeões nacionais e europeus.

 

A FIGURA

Éder Militão (Real Madrid CF) – Não caiu nas graças de Zidane desde a sua chegada a Madrid, mas, beneficiando dos afastamentos de Sergio Ramos e Raphael Varane, vai assumindo a candidatura à titularidade da defesa blanca. As suas recentes exibições também têm ajudado, é certo, e a de hoje será mais uma a juntar à coleção de “partidazos”: sete cortes, três remates intercetados e dois desarmes. Venceu quatro dos cinco duelos que disputou e teve um acerto de passe a rondar os 80%. Numa partida onde o Real esteve encostado à sua área, o brasileiro ex-FC Porto evidenciou-se na proteção à baliza de Courtois.

O FORA DE JOGO

Mohamed Salah (Liverpool FC) – Se de um lado se evidenciou um defesa, do outro destacou-se, negativamente, um avançado. A noite foi cinzenta para toda a equipa do Liverpool FC, mas em particular para o trio ofensivo. Firmino ainda procurou rematar e associar-se com os seus companheiros e Mané teve lances individuais interessantes, mas o egípcio esteve mesmo no centro da negatividade da equipa de Klopp. Revelou uma rara demora na altura de rematar, alguma atrapalhação e indecisão, algo que raramente lhe era visto. Desperdiçou logo no segundo minuto de jogo um lance isolado, só com Courtois pela frente. O lance que podia ter virado a eliminatória ou pelo menos colocar os adversários sob brasas e garantir maior ânimo e motivação aos reds. Uma noite onde tudo lhe correu pelo pior.

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

Os reds apostaram novamente na dupla de centrais Phillips-Kabak na linha de quatro mais recuada, com a habitual companhia de Roberts e Arnold. O centro do terreno ficou entregue a Fabinho, Wijnaldum e Milner, com o brasileiro a atuar mais recuado e a entregar ao holandês e ao inglês as tarefas de apoio ofensivo e equilíbrios defensivos, respetivamente.

A frente de ataque foi entregue ao trio do costume; Mané e Salah nas linhas serviam o ”falso nove” Roberto Firmino. Com a saída de Kabak e Milner à hora de jogo, Fabinho recuou para o centro da defesa e Thiago Alcântara entrou para ajudar nos processos ofensivos, garantindo, na teoria, maior qualidade de passe e na hora de servir os avançados.

As entradas posteriores de Jota, Chamberlain e Xhaqiri mexeram pouco ou nada com a partida e personificaram o desânimo e apatia que vêm caracterizando a temporada da turma de Klopp.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alisson Becker (7)

Alexander-Arnold (7)

Nathaniel Phillips (6)

Ozan Kabak (6)

Andrew Robertson (6)

Fabinho (7)

James Milner (6)

Georginio Wijnaldum (6)

Mohamed Salah (6)

Roberto Firmino (7)

Sadio Mané (6)

SUBS UTILIZADOS

Thiago Alcântara (7)

Diogo Jota (6)

Xherdan Shaqiri (5)

Oxlade-Chamberlain (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF

Os blancos apostaram novamente no 4-3-3 e reeditaram a dupla de centrais da primeira mão: Nacho e Militão. A surpresa veio das linhas. Não por Mendy, lateral esquerdo, mas por Valverde na lateral direita.

O trio experiente e de qualidade mundial do meio campo foi, sem surpresa, composto por Casemiro, mais recuado, e Toni Kroos e Modric na sua frente. O trio de ataque foi, uma vez mais, cópia da primeira mão: Karim Benzema atuou como ponta de lança com o apoio de Asensio e Vinícius Júnior nas linhas.

A entrada de Odriozola libertou Valverde para o seu terreno habitual, o meio campo, e o uruguaio trouxe maior capacidade de controlo sobre as investidas adversárias.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thibaut Courtois (7)

Ferland Mendy (7)

Nacho Fernández (6)

Éder Militão (8)

Federico Valverde (7)

Toni Kroos (6)

Casemiro (6)

Luka Modric (6)

Vinícius Junior (7)

Karim Benzema (6)

Marco Asensio (6)

SUBS UTILIZADOS

Álvaro Odriozola (6)

Rodrygo Goes (6)

Isco Alarcón (-)

BVB Dortmund 1-2 Manchester City FC: “Citizens” carimbam passagem às meias-finais

A CRÓNICA: GRANDE SEGUNDA PARTE DO MANCHESTER CITY FC GARANTE REVIRAVOLTA

No Signal Iduna Park, BVB Dortmund e Manchester City FC encontraram-se para disputar a segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões. Os “Citizens” voltaram a vencer os germânicos por duas bolas a uma, consumando o mesmo resultado da primeira partida, e carimbando a presença nas meias-finais da Liga dos Campeões. O resultado combinado das duas partidas ficou estabelecido em quatro bolas a duas, a favor da formação inglesa.

No início da partida, o Manchester City FC procurou manter a posse de bola controlada, gerindo o resultado, enquanto o BVB Dortmund pressionava a saída de bola da formação inglesa. Ao minuto 15, um contra-ataque rápido do BVB Dortmund colocou a equipa da casa em vantagem. Numa bola que parecia perdida na entrada da área dos “Citizens”, Bellingham rematou a bola para o fundo das redes adversárias. Ederson ainda tocou no esférico, mas o desvio foi insuficiente para impedir a formação germânica de inaugurar o marcador na partida.

Depois do golo sofrido, e à procura de ficar novamente em vantagem no marcador, os azuis de Manchester começaram a subir cada vez mais as suas linhas, sendo superiores ao adversário até ao apito de intervalo. Foi o emblema de “Terras de Sua Majestade” que criou as melhores ocasiões de golo, embora em pouca quantidade, sendo o lance de maior perigo um remate de De Bruyne, que foi negado pela trave da baliza de Hitz, à passagem do minuto 25. O BVB Dortmund foi baixando as linhas, mas conseguiu levar o resultado de uma bola a zero para os balneários.

Na segunda parte, os “Citizens” entraram melhor e, ao minuto 54, Mahrez empatou a partida de grande penalidade. A bola embateu no braço de Emre Can, e após recurso ao vídeo árbitro, foi apontado o castigo máximo, que colocou a equipa inglesa na frente da eliminatória. Ao minuto 75, Foden ampliou a vantagem no marcador, após um grande remate fora de área, na sequência de um pontapé de canto estudado.

Após o grande golo do jovem inglês, o resultado final ficou estabelecido em 1-2 até ao final do encontro, com o resultado das duas partidas da eliminatória a serem favoráveis ao Manchester City FC.

 

A FIGURA

Phil Foden – O jovem jogador inglês realizou uma partida fantástica, sendo uma das figuras que mais contribuiu para a passagem dos “Citizens” às meias-finais da competição. Foden realizou uma exibição muito esforçada, apesar de ter passado algo despercebido na primeira parte no processo com bola. O seu ponto alto na partida foi o grande golo que apontou ao minuto 75, colocando um ponto final na eliminatória.

 

O FORA DE JOGO

Segunda parte do BVB Dortmund – Depois de conseguir colocar-se em vantagem no marcador e na eliminatória, após um grande golo de Bellingham ao minuto 15, a formação germânica foi sucessivamente baixando as linhas, aguentando o resultado até ao intervalo.

No segundo tempo, uma grande entrada do Manchester City FC inverteu os papéis, e após a grande penalidade concretizada por Mahrez, foi a equipa inglesa a ficar em vantagem no agregado. O BVB Dortmund, no regresso dos balneários, foi incapaz de conter o seu adversário, realizando uma segunda parte do encontro defensivamente frágil e com pouco vigor ofensivo, que ditou a sua eliminação da Liga dos Campeões.

 

ANÁLISE TÁTICA- BVB DORTMUND

A formação da casa, comandada por Edin Terzić, apresentou-se num 4-3-3 clássico. Desde o começo da partida que a formação germânica procurou pressionar a saída de bola dos seus adversários, até ao golo.

Após se colocar em vantagem no marcador, recuou as suas linhas, esperando pela subida da equipa adversária até ao seu meio-campo. Procurou criar lances de perigo principalmente através de contra-ataque, explorando a velocidade e poderio físico de Haaland. O avançado norueguês era apoiado na frente de ataque por Reus e Knauff, que realizam sobretudo movimentos interiores.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marwin Hitz (5)

Mateu Morey (5)

Manuel Akanji (5)

Mats Hummels (6)

Raphaël Guerreiro (6)

Emre Can (6)

Jude Bellingham (7)

Mahmoud Dahoud (5)

Ansgar Knauff (5)

Marco Reus (6)

Erling Håland (5)

SUBS UTILIZADOS

Giovanni Reyna (5)

Thorgan Hazard (5)

Steffen Tigges (-)

Julian Brandt (-)

 

ANÁLISE TÁTICA- MANCHESTER CITY FC

Pep Guardiola optou por uma abordagem tática muito específica, alinhando em 4-3-3, mas prescindindo de um ponta de lança de raiz. Ao invés, colocou o médio Kevin De Bruyne como homem mais avançado no corredor central dos “Citizens”, na posição de “falso nove”. No apoio ao belga, estavam Mahrez, na direita, e Foden, na esquerda. Os azuis de Manchester contaram também com Gundogan e Bernardo Silva no miolo do terreno, jogadores com fácil chegada à área adversária, para pautar o ritmo de jogo e apoiar o ataque.

No processo de construção de jogo, a preferência foi pelo passe curto e a saída em ataque organizado. No processo defensivo, exercia uma pressão alta sobre o adversário, condicionando a sua construção de jogo. Na segunda parte entrou com uma mudança tática, apresentando-se em 4-4-2, com Bernardo Silva a juntar-se a De Bruyne para exercer pressão na saída de bola do adversário.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson Moraes (6)

Kyle Walker (5)

John Stones (7)

Rúben Dias (6)

Oleksandr Zinchenko (6)

Rodri (6)

İlkay Gündoğan (7)

Bernardo Silva (6)

Riyad Mahrez (7)

Kevin De Bruyne (7)

Phil Foden (8)

SUBS UTILIZADOS

Raheem Sterling (-)

Que venham mais jogos da seleção sub-21! | FC Porto

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Neste artigo vou-vos falar de três jogadores em que o impacto da recente paragem para as seleções foi francamente positivo. Não se trata de atletas internacionais pela seleção A de um país, mas sim pelos sub-21. E, se eu vos disser que são portugueses e jogam na equipa A do FC Porto, acho que já devem saber de quem eu estou a falar. Nada mais nada menos do que Diogo Leite, Fábio Vieira e Francisco Conceição. Na minha opinião, estes são os três internacionais sub-21 portistas que melhor beneficiaram da ida à seleção. Se foi um fator de confiança? Acho que é a melhor palavra chave para descrever o impacto desta pequena pausa no Olival.

Começando por falar em Diogo Leite, é um dos casos mais flagrantes de como uma ida aos sub-21 ajudou muito na confiança de um jogador que pouco jogava no FC Porto. O jovem central portista sempre foi um jogador no qual a massa associativa e a estrutura portista depositaram muitas confianças. Fazia parte da geração da defesa dos “Diogos”, venceu a UEFA Youth League e teve um percurso notável quer ao serviço da formação portista como ao nível da seleção. A chegada à equipa principal deu-se na época de 2018/2019, mas nunca houve uma afirmação absoluta do jogador como titular. No entanto, vermos a braçadeira de capitão e um número como o 4 nas costas de Diogo Leite já foram dados, apesar de tudo, positivos.

Na presente temporada, o defesa central de 22 anos participou em 22 jogos pelo FC Porto. Até à paragem para as seleções, Diogo Leite não era o defesa central que mais vezes aparecia no onze inicial portista. Muitas vezes víamos Sarr no banco e o jovem português nem convocado era. A verdade é que, mesmo depois de uma má exibição em Portimão frente ao Portimonense, a paragem das seleções permitiu a Diogo Leite ganhar confiança (por ser um dos pilares de Rui Jorge) e jogar com maior regularidade na equipa. Nos últimos dois jogos para o campeonato (CD Santa Clara e CD Tondela), Diogo Leite cumpriu os 90 minutos como titular. Podemos argumentar que Sarr é uma carta praticamente fora do baralho e que Mbemba e Pepe têm sofrido um pouco com as lesões, mas a verdade é que o número 4 está lá.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

De seguida, falo-vos de Fábio Vieira. Para mim, este é o caso em que a seleção sub-21 caiu mesmo que nem uma luva. Já não me lembrava de ver Fábio Vieira a ser uma opção fiável na equipa de Sérgio Conceição e a mostrar a qualidade que tínhamos visto nos últimos jogos da época transata. Antes da paragem, víamos quase sempre “Fora da equipa” ou “suplente não utilizado”.

Foi, sem dúvida, uma consequência daquele jogo infernal frente ao Boavista FC no Estádio do Dragão em que Sérgio Conceição deixou grandes críticas de forma indireta a Fábio Vieira e João Mário. O número 50 voltou a ganhar confiança, até pelo golo marcado pela equipa das quinas, e foi suplente utilizado nos últimos quatro jogos do FC Porto em todas as competições. Já João Mário nunca mais mereceu a confiança do técnico portista.

Por fim, falo-vos do jogador que ganhou menos com a pausa para as seleções. Por eu dizer que ganhou menos não quer dizer que tenha vindo desmotivado. Os seus índices de confiança é que já estavam tão altos que era impossível subir mais, e mesmo assim chegou a marcar pela seleção. Francisco Conceição foi um dos maiores motivos para a exclusão de João Mário e Felipe Anderson das escolhas de Sérgio Conceição. Desde aquele célebre encontro frente ao Boavista FC, Chico tornou-se numa arma secreta para entrar sempre que o jogo não estivesse favorável para os azuis e brancos.

Com paragem ou não para as seleções, tenho quase a certeza de que a aposta no jovem extremo se iria manter. Com aquele estilo matreiro sempre colado ao pé esquerdo, entrou nos últimos três jogos do FC Porto, antes da segunda mão contra o Chelsea FC, desde a chegada das seleções. Não é uma novidade, mas podemos perceber que a ida à seleção não estragou de forma alguma o índice de confiança do jovem portista. É sempre bom para um jovem com idade júnior já estar neste patamar quer ao nível do clube como da seleção.

São assim três casos que mostram como muitas vezes a paragem das seleções pode trazer mais que o cansaço e o vírus FIFA. O índice de confiança é um dado cada vez mais preponderante num atleta profissional de futebol. Que venham mais jogos da seleção sub-21!

Apresentação MOFC Racing Team: Rodas postas no futuro

QUATRO PORTUGUESES E UM ESPANHOL INTEGRAM PROJETO LUSO

No passado dia 6 de Abril, Miguel e Paulo Oliveira, juntamente com elementos da estrutura do Miguel Oliveira Fan Club, fizeram via conferência zoom a apresentação oficial da equipa que irá competir no campeonato português e espanhol de Moto4 (ESBK) e Supersport 300 em 2021. A MOFC Racing Team será composta, este ano, por quatro jovens pilotos portugueses e um espanhol, com idades compreendidas entre os 11 e 15 anos, e cujos perfis apresentamos abaixo.

Francisco “Kiko” Pires (#73), 19/12/2006 – crescendo no seio de uma família apaixonada por desportos motorizados, o paciente e metódico piloto de Oeiras conta com três épocas de experiência, e ao longo dos anos já acumulou vitórias e pódios (inclusivamente na Oliveira Cup). Este ano vai disputar o campeonato nacional de velocidade, novamente na categoria Moto4.

Fonte: Kiko Pires

Guilherme Gomes (#38, #6), 26/05/2006 – sentou-se numa RAV pela primeira vez aos 10 anos, e desde aí não mais parou de acelerar. Competiu com sucesso na Oliveira Cup (Ohvale e MiniGP) antes de subir às Supersport 300 e ao campeonato nacional de velocidade, onde compete desde o ano passado. Este ano está aos comandos de uma SS300 da MOFC Racing Team e já correu em Jerez, a sua estreia em palcos “além-fronteiras”.

Fonte: Miguel Oliveira Fan Club

Afonso Simões de Almeida (#95, #22), 27/11/2006 – tirou inspiração para o número de um famoso carro animado (Faísca McQueen), mas foram as duas rodas que o cativaram. Começou cedo na categoria MiniGP da Oliveira Cup, onde evoluiu durante três anos (2017-2019), e somou inclusivamente uma vitória antes de subir às Supersport 300 em 2020. Multifacetado, “Almeida” tem talento para o piano e para o futebol, e ainda aptidão para segurar motas a alta velocidade em condições adversas, um talento que pode vir a ser particularmente útil no futuro.

Fonte: Miguel Oliveira Fan Club

Afonso Duarte de Almeida (#10), 10/08/2009 – o português mais benjamim da equipa não tarda em causar impacto por onde passa. Recheou uma época de pódios na Oliveira Cup em 2019, venceu o campeonato nacional de Moto4 no ano seguinte (com apenas 10 anos), e já somou pontos no campeonato ESBK espanhol, tanto em 2020 como na primeira prova de 2021 disputada em Jerez. Mostra motivação e profissionalismo acima dos seus anos e pode vir a ser um nome de relevo no motociclismo nacional.

Fonte foto: Miguel Oliveira Fan Club

Fernando Bujosa (#69) – Também com 11 anos de idade e nascido em Palma de Maiorca, Espanha, “Fer” vem de terra de campeões e é visto em Espanha como um dos grandes talentos emergentes do país. “Captado” pela MOFC Racing Team para 2021, já retribuiu a aposta com um 6º lugar e um pódio que por pouco não acabou mesmo em vitória, nas duas corridas disputadas em Jerez. Um sinal claro de que o maiorquino tenciona juntar sucessos em Moto4 (ESBK) ao seu currículo ganhador nas categorias de iniciação.

Fonte: Miguel Oliveira Fan Club

Feitas as apresentações dos pilotos, Paulo Oliveira, pai e agente de Miguel Oliveira, e líder da MOFC Racing Team, definiu então as “traves mestras” do projecto, que envolve um staff de cerca de 20 elementos e se expande além-fronteiras. Na base do projecto está a contribuição de patrocinadores, receitas de “merchandising” e investimento pessoal das famílias e “sponsors” dos atletas, com os fundos a serem então canalizados para a preparação das motas, custos de competição e tudo o que seja necessário para a logística e que se traduza numa boa base para a performance dos pilotos nos vários campeonatos.

Os pilotos “são captados com base nas suas prestações individuais e na dedicação que mostram ao desporto motorizado”, diz Paulo Oliveira, e é a partir daí feito pela MOFC Racing Team o acompanhamento até ao nível mais alto possível, que é, neste momento, os campeonatos de Moto4 e de Supersport 300 nacionais e espanhóis.

Já para Miguel Oliveira, grande mentor do projecto e já uma figura maior do motociclismo nacional, “a equipa nasce de uma lacuna no sistema de iniciação no motociclismo em Portugal” e tem como objectivo principal “formar jovens talentos a nível profissional e pessoal”.

Para isso, a MOFC Racing Team disponibiliza ferramentas e o máximo acompanhamento humano possível, dentro das possibilidades de calendário e recursos da equipa. O piloto português comentou que já “rodou” em pista com os jovens e revelou ainda que Bruno Jorge, seu preparador físico e treinador, irá também acompanhar e aconselhar os novos talentos na vertente física do desporto, confirmando a aposta da equipa no crescimento multidisciplinar dos cinco talentos.

Com uma corrida já disputada no calendário do campeonato espanhol de ESBK, que teve lugar em Jerez de la Frontera no passado fim de semana, os sinais são animadores: pódio conquistado por “Fer” Bujosa depois de uma corrida sempre no grupo da frente, e bons desempenhos por parte de Afonso Duarte de Almeida, que terminou uma das corridas no Top 10, e Guilherme Gomes, que em SS300 acabou a corrida de domingo no 34º lugar de um longo pelotão, numa mota por enquanto menos competitiva.

O calendário completo das competições, bem como os perfis dos pilotos e outras notícias podem ser consultados no site oficial da equipa. Da nossa parte, iremos acompanhar com grande interesse a evolução daquelas que podem vir a ser as estrelas do futuro do motociclismo nacional e ibérico.

Foto de Capa: Miguel Oliveira Fan Club

«Com 39 anos pareço o pai deles todos e penso se o “velhinho” ainda devia continuar aqui» – Entrevista BnR com Mário Sérgio

Mário Sérgio é, com muito orgulho, natural da cidade de Lordelo, Paredes. Foi em Paços de Ferreira, a poucos quilómetros de casa, que deu os primeiros passos no mundo do futebol, chegando mesmo à Primeira Liga pela equipa principal. Passou pelo Sporting, jogou ao lado de Cristiano Ronaldo em Atenas e até teve de parar Messi, Neymar e Suarez na Champions League. Hoje, com 39 anos, continua aqui para as curvas, defende as cores do FC Felgueiras 1932 e enquanto o corpo deixar pretende continuar a desfrutar desta profissão que tanto lhe deu.

«Não ia ter as oportunidades que queria no Sporting CP e acabamos a rescindir por mútuo acordo»

Bola na Rede: Boa tarde, Mário! Antes de mais obrigado por teres aceite o nosso convite. Vamos tornar isto uma conversa normal entre dois apaixonados pelo futebol, utilizando a tua carreira como fio condutor. Como é tradicional começamos pelo início. Como foi a tua entrada no mundo do futebol?

Mário Sérgio: Boa tarde! Por mim tudo bem, vamos a isso. Então, eu entro cedo no mundo do futebol, tinha oito anos quando comecei a jogar no Paços de Ferreira, sou de Lordelo e fiz a minha formação toda no Paços.

Bola na Rede: Com que idade te estreias pela equipa principal?

Mário Sérgio: Estreei-me com 18 anos, estava no meu segundo ano de júnior quando fui chamado para equipa principal. Isto acontece no ano em que subimos à Primeira Liga. Começo a carreira em grande, subi pelos juniores e pelos séniores.

Bola na Rede: Preferencialmente a defesa direito, mas também jogavas a defesa esquerdo?

Mário Sérgio: Sim é verdade, mas para ser sincero não gosto muito de jogar a lateral esquerdo. Óbvio que se for preciso jogar nessa posição cumpro o meu papel sem problema nenhum, mas a minha preferência recai sob a ala direita. Nas camadas jovens joguei muitas vezes a médio, comecei a lateral direito no segundo ano de juvenil porque tínhamos muitas baixas no plantel. A partir daí viram que tinha potencial e ficou.

Bola na Rede: Três épocas na capital do móvel e chamas a atenção de um grande, o Sporting, como surge esta oportunidade?

Mário Sérgio: Acho que todos os jovens quando iniciam a sua carreira profissional ambicionam um dia poder jogar por um “grande”. Eu trabalhei muito para poder ter essa “sorte”, porque acho que é uma coisa que temos de procurar e trabalhar, não cai nada do céu. Fiquei muito contente quando aconteceu porque temos a oportunidade de jogar noutros palcos, como a Liga Europa e a Liga dos Campeões.

Bola na Rede: Apanhas um balneário recheado de craques, como João Vieira Pinto, Ricardo, Rui Jorge…

Mário Sérgio: Sim é verdade, na altura apanhei um bom plantel. Tinha o Paulo Bento, o Sá Pinto, o Liedson, o Beto… Todos grandes nomes e com grandes carreiras que representaram a nossa Seleção Nacional.

Fonte: FPF

Bola na Rede: O ano de 2004 foi um dos melhores anos da tua carreira. Assinas pelo Sporting, vais ao Europeu de Sub-21 e és chamado à seleção olímpica portuguesa que vai a Atenas.

Mário Sérgio: Foi um ano muito bom, estava a começar a minha carreira profissional da melhor maneira. Tanto nos sub-21 como nos jogos olímpicos tínhamos uma grande seleção, com Cristiano Ronaldo, Raul Meireles, Bruno Alves, Bosingwa, e a prova é que todos eles acabaram por fazer grandes carreiras.

Bola na Rede: Como foi representar o nosso país no europeu sub-21?

Mário Sérgio: Comecei a representar a seleção desde os Sub-20 treinado pelo Agostinho Oliveira e depois subi aos Sub-21 com o mister José Romão e fomos, salvo erro, à Alemanha disputar o Europeu. Ganhamos à anfitriã, que tinha estrelas como Schweinesteiger e Podolski e acabamos por ficar em terceiro lugar, o que nos permitiu estar presentes nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Bola na Rede: Fala-nos dessa experiência em Atenas, outra vez pela mão do mister José Romão.

Mário Sérgio: É daquelas experiências que qualquer jogador gosta de ter no currículo, foi pena não conseguirmos ter um melhor desempenho na prova. Éramos um grupo jovem mas com talento e alguma experiência, porque podia-se chamar três jogadores mais velhos e se a memória não me falha, veio o Frechaut, o Fernando Meira e o Luís Boa Morte…

Bola na Rede: Jogas com o Cristiano Ronaldo…

Mário Sérgio: Sim, mas não foi a primeira vez. Quando assinei pelo Sporting ele ainda lá estava e fez a pré-época connosco. Depois fizemos o jogo de inauguração do estádio contra o Manchester United e foi quando eles o contrataram. Não é preciso dizer que era e é um jogador de grande qualidade, pela sua carreira acho que está à vista de todos. Assim como ele também apanhei o Quaresma, outro jogador que a carreira fala por si.

Bola na Rede: Faltou a seleção principal?

Mário Sérgio: Faltou jogar, porque cheguei a ser chamado (risos). Foi num jogo amigável no antigo estádio do Braga contra a Escócia. Trabalhei com eles, conheci o ambiente e só foi pena não ter entrado se não tinha somado uma internacionalização A. Mas pronto, o futebol é assim.

Bola na Rede: Depois de dois anos de leão ao peito surge empréstimo para o Vitória de Guimarães?

Mário Sérgio: Estive dois anos no Sporting, no primeiro ainda joguei, mas no segundo fui perdendo espaço. Como o meu foco sempre foi jogar com regularidade aceitei a oportunidade de representar o Vitória. Infelizmente esse ano acabou por não correr bem a nível coletivo, mesmo com uma boa equipa, descemos de divisão.

Bola na Rede: No fim da época a Naval resgata-te a título definitivo ao Sporting, sentiste que não ias jogar em Alvalade tanto quanto querias?

Mário Sérgio: Em conversa com os dirigentes percebi que não ia ter as oportunidades que queria e como ainda tinha mais um ano de contrato com o Sporting acabamos a rescindir por mútuo acordo. A Naval demonstrou interesse, tinha um bom projeto e contratou-me a custo zero.

Bola na Rede: Alguma vez pensaste que essa decisão era um retrocesso na tua carreira?

Mário Sérgio: Não vou mentir, claro que me passou pela cabeça, são equipas completamente diferentes e que lutam por objetivos distintos. Contudo, acabaram por ser dois anos muito importantes na minha carreira, precisava de jogar com regularidade, de me sentir útil e lá encontrei tudo isso.

Diversas lutas que prometem animar a Segunda Liga até final

Um líder a levar a cabo um passeio higiénico, mantendo o distanciamento social para os adversários; três novos intrusos numa frenética luta pela subida; uma salganhada total na batalha pela manutenção. Eis a Segunda Liga portuguesa a seis jornadas do fim do campeonato.

Começando pelo topo. O GD Estoril Praia está a passear na Segunda Liga. Joga um futebol que encanta, sofre menos e marca mais golos do que todos os adversários. Com uma diferença pontual significativa, dificilmente a turma estorilista não marcará presença na próxima edição da Primeira Liga. Destacar ainda que, apesar de toda a equipa ter enorme qualidade, Miguel Crespo tem sido um dos craques que mais tem impressionado.

Vamos descer já para a parte inferior da tabela, onde encontramos uma confusão total. Entre o ultimo classificado, o FC Porto B, e o 12º, o SC Covilhã, distam apenas seis pontos. Até ao fim, vai ser uma incerteza total quanto a quem poderá descer de divisão. A necessidade de pontos tem incitado muitas das equipas que lutam pela manutenção a provocarem surpresas no campeonato, e é isso que se espera até ao fim da época. Para seguir atentamente.

Antes de analisarmos a luta pela subida, vamos a umas menções honrosas. Leixões SC e SL Benfica B iniciaram o campeonato menos bem, mas com mudanças de treinador conseguiram alcançar uma grande tranquilidade. Talvez não passem por aí os objetivos das duas equipas, principalmente do Leixões, contudo assinala-se a melhoria. Já o CD Mafra começou a época em grande forma e acaba numa posição, apesar de tranquila também, algo aquém daquilo que se previu inicialmente. Importa destacar ainda o Casa Pia AC, que alcançou uma posição muito confortável na tabela, algo surpreendente tendo em conta a época passada.

Chegamos à luta pela subida. Ao longo de todo o campeonato, CD Feirense e Académica OAF lutaram titanicamente pela subida de divisão. Contudo, sucessivos deslizes dos dois emblemas levaram à chegada de três novas equipas a esta incrível luta pelo acesso à Primeira Liga: o GD Chaves, que tem vindo a alcançar bons resultados com o novo treinador Vítor Campelos, e os recém-promovidos FC Vizela e FC Arouca, que têm levado a cabo duas campanhas brilhantes na prova. Entre o sexto e o segundo classificados distam apenas 2 pontos, o que faz com que esta luta pelo acesso à Primeira Liga vá ser uma luta de gladiadores bastante interessante de acompanhar até final.