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O passeio do campeão

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cab bundesliga liga alema

“When we tried to keep up with Bayern over 10 years ago, we reached our natural limits and needed to scale down”. Foi desta maneira que Rudi Völler, director desportivo do Bayer Leverkusen, falou sobre a diferença abismal entre o campeão e as restantes equipas do campeonato alemão, que vai regressar nesta semana depois da habitual paragem invernal.

Em Munique respira-se tranquilidade. A equipa vai melhorando o seu futebol – bate recordes atrás de recordes – e vai enfraquecendo os seus adversários, contratando as suas principais estrelas. Onze pontos de diferença. É essa a ponte que é praticamente impossível de ultrapassar. Melhor defesa, melhor ataque e única equipa dos campeonatos de topo a não ter qualquer derrota.

Os restantes clubes têm sido meros observadores do poder do gigante. O Dortmund tem-se comportado de maneira medíocre – ter Reus, Hummels, Kagawa e Mkitharyan deveria chegar para, pelo menos, não estar a lutar pela manutenção – e espera-se uma segunda volta com outra atitude. Klopp quis dar maior criatividade à equipa – as principais estrelas têm estado muito aquém – e foi buscar ao campeonato austríaco uma das maiores figuras, Kevin Kampl.

Kevin Kampl pode ajudar o Dortmund a fugir aos últimos lugares
Fonte: Facebook do BVB

Houve outras mudanças bem interessantes nesta paragem. O Schalke reforçou-se com um dos centrais mais promissores da actualidade, Matija Nastasic, defesa que saiu do Manchester City à procura de minutos e que se junta a Höwedes, Ayhan, Kirchhoff e Felipe Santana; o Mainz, tentando precaver a eventual saída do nipónico Okazaki, contratou por empréstimo com opção de compra o “Zlatan” chileno, Nicólas Castillo, que vinha brilhando no Brugge; e o Augsburgo, que está a fazer mais uma excelente campanha, recebeu emprestado o jovem Pierre-Emile Højbjerg, do Bayern Munique.

Como parar os pupilos de Pep Guardiola? A pergunta, neste momento, ainda não tem resposta certa, mas tem um clube que ainda sonha. O Wolfsburgo é o segundo classificado, o primeiro a defrontar o campeão alemão e o único com uma ténue hipótese de se aproximar. Será este ano que o rei é deposto? Parece impossível.

Foto de Capa: Facebook do Bayern

Australian Open 2015: a hora de todas as decisões

cab ténis

Terminei o meu último artigo, precisamente sobre o Australian Open, dizendo que poderíamos esperar “duas semanas carregadas de emoção e espetáculo”. Pois bem, foi precisamente isso que se passou. Confesso que tenho alguma dificuldade para escolher os melhores momentos desta 1º semana, contudo talvez a quase eliminação de Rafael Nadal, a derrota de Roger Federer perante Andreas Seppi e a presença de Nick Kyrgios nos quartos-de-final sejam merecedores de tal distinção.

Tentando seguir uma ordem cronológica, o primeiro dia ficou marcado, sem margem para duvida, pela eliminação de Ernest Gulbis frente a Thanasi Kokkinakis. O prodígio australiano, nascido apenas a 10 de Abril de 1996, derrotou o letão numa longa batalha que terminou com 10-8 no quinto e decisivo set. Outra das grandes surpresas da ronda inaugural foi a eliminação de Fabio Fognini. O italiano é sempre imprevisível, mas perder em apenas 4 partidas para Alejandro Gonzalez é um resultado bastante negativo. Relativamente aos restantes encontros da primeira ronda, é de destacar a partida 100% francesa que opôs Gael Monfils a Lucas Pouille. Na minha opinião, o melhor encontro desta fase do torneio. Os principais candidatos aos títulos não tiveram qualquer problema de maior e avançaram naturalmente para a segunda ronda.

Nick Kyrgios, uma das figuras em maior destaque neste Australia Open Fonte: Facebook oficial de Nick Kyrgios
Nick Kyrgios, uma das figuras em maior destaque neste Australian Open
Fonte: Facebook oficial de Nick Kyrgios

O encontro de maior destaque da segunda eliminatória foi, surpreendentemente, o de Rafael Nadal frente a Tim Smyczek. O norte-americano, praticamente desconhecido da maioria do público, obrigou o espanhol a jogar um quinto set e não esteve muito longe de o eliminar do grand slam australiano. Durante todo o encontro foi notório que Rafael Nadal se encontrava diminuído fisicamente, talvez afetado por um vírus estomacal de que os jogadores se têm queixado. Contudo, e apesar das dificuldades sentidas, o numero 3 mundial conseguiu seguir em frente na competição. As eliminações de Gael Monfils, provavelmente desgastado dos 5 sets que teve de jogar frente a Pouille, frente a Janowicz e de Leyton Hewit, após ter desperdiçado uma vantagem de dois sets a zero, perante Benjamin Becker foram algumas das surpresas desta eliminatória. Caminho contrário ao de Monfils e Hewit seguiram os australianos Bernard Tomic, Nick Kyrgios e Sam Groth. Uma nota bastante positiva para o desempenho dos jogadores australianos no “seu” torneio.

Se na segunda ronda Rafael Nadal esteve prestes a ir para casa mais cedo, na eliminatória seguinte o seu rival histórico, Roger Federer, foi mesmo eliminado pelo italiano Andreas Seppi. Poucos preveriam tal surpresa, mas a verdade é que Seppi apresentou-se bastante consistente e precisou apenas de 4º sets para resolver a questão. Grigor Dimitrov e Marcos Baghdatis proporcionaram aquele que, na minha opinião, foi o melhor encontro até agora. O búlgaro precisou de quase quatro horas e cinco partidas para se desembaraçar do cipriota que deu muito boa conta de si.

Andreas Seppi, o responsavel pela eliminação, na 3º ronda, de Roger Federer Fonte: Facebook oficial do Australia Open
Andreas Seppi, o responsavel pela eliminação, na 3º ronda, de Roger Federer
Fonte: Facebook oficial do Australia Open

Estavam desta forma encontrados os 16 melhores jogadores do Australian Open 2015. Nos oitavos de final o encontro que mais despertou a atenção do público, e também a minha, foi o de Andy Murray frente a Grigor Dimitrov. Num dos melhores encontros de todo o torneio, o escocês derrotou o namorado de Maria Sharapova em quatro partidas, contudo Dimitrov esteve muito perto de levar a contenda a uma quinta partida, sendo líder por 5-2 no quarto set. Nas restantes partidas as hierarquias pré estabelecidas mantiveram-se e não houve lugar a qualquer surpresa.

Para terminar gostaria de destacar alguns dos jogadores que mais me tem impressionado:

  • Kei Nishikori – o japonês está a apresentar um ténis bastante consistente e apresenta-se como uma seria ameaça a Stan Wawrinka;
  • Tomas Berdych – o vice-campeão do Portugal Open está a jogar melhor do que nunca, mas será capaz de quebrar a enguiço de 9 anos e derrotar Rafael Nadal? ;
  • Novak Djokovic – é certo que os adversários não são os mais exigentes, mas o sérvio parece estar em ritmo cruzeiro. Resta saber como vai lidar com adversidades que, certamente, o esperam;
  • Nick Kyrgios – está nos quartos de final e é o único australiano em prova, por conseguinte, só pode ser considerado como uma das figuras desta edição do torneio australiano.

Pela negativa, o meu destaque vai inteiramente para Roger Federer e Stan Wawrinka. Federer, obviamente, ficou muito aquém das expectativas ao ser eliminado na 3º ronda e Wawrinka, apesar de estar nos quartos-de-final, não tem apresentado um ténis digno de um campeão de torneios de grand slam.

As fases das grandes decisões aproximam-se e, neste momento, mantenho exatamente aquilo que disse no início da semana; Penso que Rafael Nadal vai subir o nível, de resto como já está a acontecer, e que Novak Djokovic terá de estar ao seu melhor nível para vencer o torneio.

Foto de Capa: Richard Fisher

Estará a Federação com disfunção?

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a minha eternidade

Nascido no Porto a 22 de Novembro de 1956, Fernando Mendes Soares Gomes foi recrutado pelos olheiros portistas numa prova de futebol de salão, quando tinha 14 anos. A sua frieza finalizadora saltou imediatamente aos olhos dos observadores; como tal, foi convidado a prestar provas nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto, no campo da Constituição, onde foi treinado por António Feliciano, estrela do Belenenses na década de 40.

Fez a sua primeira partida na 1ª Divisão com 17 anos, com a bênção do técnico Aimoré Moreira, numa partida frente à CUF do Barreiro, onde deixou, desde logo, a sua marca com um bis. Também neste patamar competitivo mais elevado começou a furar as redes adversárias, deixando logo a sua marca nos primeiros jogos. Veloz e inteligente na desmarcação, perfeccionista na ocupação de espaços e no jogo sem bola (arrastando marcações, abrindo espaço de penetração para os companheiros), possuidor de “fácil”, forte, colocado e oportuno pontapé, bem como de um jogo de cabeça voraz, Fernando Gomes foi o “homem-golo”, o “carrasco sem clemência” dos guardiões que se lhe opunham.

A instabilidade no seio do clube azul e branco, em 1980, originou a sua transferência para o clube espanhol Sporting de Gijón. Apesar da sua estreia auspiciosa – contra o Oviedo, num torneio de Verão, onde festejou cinco golos de sua autoria -, a época ficou marcada por uma lesão contraída aquando do festejo do seu golo, diante do Atlético de Bilbau, ainda no arranque dessa época. A segunda temporada foi bem mais positiva: assinou 12 golos no Campeonato (melhor marcador da equipa) a que acrescentou mais 8 na Taça do Rei, competição onde brilhou, ajudando a sua equipa a chegar a uma histórica final (derrota por 2-1 frente ao todo-poderoso Real Madrid).

De qualquer forma, o apelo da “casa-mãe” impeliu-o a regressar – aí apresentou, de novo, um rendimento altíssimo. Conquistou a sua primeira “Bota de Ouro” (melhor marcador europeu) em 1983, marcando por 36 vezes. Repetiu o feito dois anos mais tarde “acariciando” a baliza por 39 vezes. Sendo um dos elementos mais carismáticos e respeitados do plantel portuense, foi também figura notável na selecção portuguesa (48 jogos e 13 golos apontados). Tem um extraordinário currículo em provas internacionais: actuou na final da Taça das Taças em 1984 (derrota com a Juventus por 2-1) mas uma lesão impediu-o de participar na final de Viena em 1987 (onde o Porto venceu a sua primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus) e teve um papel muito relevante nas vitórias da Supertaça Europeia e Taça Intercontinental (onde fez golos e excelentes exibições). Em Agosto de 1989 transferiu-se para o Sporting, mantendo a sua veia goleadora intacta. Como epílogo importa relevar os 800 golos que marcou em competições oficiais, as duas “Botas de Ouro” e as seis “Bolas de Prata (1977, 1978, 1979, 1983, 1984 e 1985). O seu registo colectivo contempla cinco campeonatos (1978, 1979, 1985, 1986, 1988), três Taças de Portugal (1977, 1984, 1988), quatro Supertaças Cândido de Oliveira (1981, 1983, 1984 e 1986), uma Taça dos Campeões, uma Taça Intercontinental e uma Supertaça Europeia (todas em 1987).

Considero, sem dúvida, Fernando Gomes como o melhor ponta-de-lança do futebol português. É, no entanto, relevante explicar que julgo Eusébio como o melhor avançado centro de sempre, embora não o inclua na categoria de ponta-de-lanca. O moçambicano era mais móvel, ao passo que Fernando Gomes habitava mais fixo na área. É interessante verificar que estes dois craques apenas estão separados por dois golos no histórico dos diversos campeonatos nacionais – Eusébio com 320, Gomes com 318.

Nas últimas semanas, o universo portista condenou a Federação Portuguesa de Futebol pelo tratamento subalterno dado a “altas patentes” da sua história na gala do centenário do futebol em Portugal. Foi alvo de escárnio pelo clube portuense o esquecimento de Pinto da Costa e a pouca relevância dada a José Maria Pedroto. Incluo o “Bi Bota” neste rol de ostracizados (não premiados ou agraciados): uma trindade ilustríssima, mas, infelizmente, bacocamente desprezada. Fernando Gomes dizia que “marcar um golo é como ter um orgasmo”. Estará a FPF com alguma disfunção… “eréctil”? Perdoem-me a indagação fálica (devia tê-la esquecido também).

Foto de capa: paixaopeloporto.blogspot.com

Paços de Ferreira 1-0 Benfica: O peso da pressão

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Na antevisão deste jogo, dizia Jorge Jesus, em relação ao arranque da segunda volta, que o Benfica fazia sempre uma melhor segunda metade de campeonato do que a primeira. Para além de o histórico das suas 5 épocas como treinador desmentir essa ideia, o resultado de hoje é um mau prenúncio para o que resta (e ainda é muito) jogar.

Se ainda havia dúvidas de que os encarnados não sabem lidar com a pressão, este jogo dissipou-as por completo. O que estava em causa era aumentar uma vantagem sobre o FC Porto de 6 para 9 pontos, o que não sendo decisivo, seria um avanço importante. Os jogadores carregaram durante um jogo o peso dessa mesma pressão, que ia pesando cada vez mais à medida que o jogo caminhava para o fim.

O Benfica entrou bem no jogo, a fazer circular a bola pelos flancos, a querer chegar ao golo. Os desequilíbrios na defesa pacense surgiam sobretudo do lado direito do ataque encarnado, quando Maxi combinava com Salvio. Aos sete minutos, Jonas tem uma flagrante oportunidade para marcar mas atira ao lado. O Paços de Ferreira baixava as linhas e o Benfica ia intensificando o domínio do jogo, circulando a bola cada vez mais perto da grande área adversária. Aos 17 minutos, Bruno Paixão viu e castigou um corte com o braço dentro da área de Ricardo, que parou o cruzamento de Salvio. No frente a frente com Defendi, Lima atirou à trave, desperdiçando assim a grande penalidade. Logo a seguir, nova bola no ferro da baliza do Paços, desta vez após um cruzamento de Salvio (muito ativo na primeira parte), que ainda sofreu um desvio na defesa.

O Benfica criava oportunidades, mas não marcava. A partir de metade da primeira parte, os encarnados baixaram o ritmo e o Paços equilibrou o jogo. À passagem da meia hora, foi Júlio César a impedir o golo de Cícero. Daí para a frente, não mais se viu a dinâmica dos primeiros 20 minutos e o intervalo acabou por chegar sem que nenhum outro lance mereça destaque. Faltava rapidez no passe e a equipa tornou-se demasiado estática (viram-se pouco as habituais desmarcações), o que facilitou a tarefa defensiva dos pacenses, que, com as linhas juntas, formaram um bloco compacto que impediu incursões na sua área.

Derley entrou na reta final do jogo, reforçando o ataque encarnado Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Derley entrou na reta final do jogo, reforçando o ataque encarnado
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica 

Nada melhorou depois do intervalo. Pelo contrário. Os laterais do Paços fechavam bem as alas, mesmo quando Maxi e Eliseu subiam ao ataque, pelo que os cruzamentos escassearam. Atacar pelo corredor central também se revelou tarefa complicada. Talisca não é Enzo, nem nunca será, por mais que Jesus queira. E o problema é que nem sequer “desenrasca”. Hoje passou completamente ao lado do jogo, à semelhança de quase toda a equipa. Por isso, Jesus, pondo o problema de forma simples, fica com três opções: ou assume que nem Talisca nem Pizzi têm capacidade (não quer dizer que não virão a ter) para colmatar a saída de Enzo e pede ao presidente a contratação de um box-to-box até ao final deste mês (opção lógica); ou muda o sistema tático, de modo a não colocar as responsabilidades do transporte do jogo ofensivo nesse jogador; ou ignora o problema, mantém a aposta e poderá arriscar mais dissabores.

Mas voltando ao jogo, o Benfica apenas voltou a rematar aos 60 minutos, através de Jonas. Depois de Lima ter voltado a acertar na barra da baliza do Paços, Jorge Jesus resolveu inovar. Retirou de campo Ola John, que até estava a fazer uma partida razoável, para colocar Pizzi no meio e passar Talisca para a esquerda, posição à qual o brasileiro não está habituado. Jesus sacrificou a capacidade de desequilíbrio no um para um do holandês, que poderia ser importante na fase final do jogo, por uma troca que nada trouxe de positivo. O futebol do Benfica tornou-se tão lento e previsível, que os jogadores da casa não só tinham facilidade em neutralizar as jogadas de ataque encarnado, como começaram a explorar o contra ataque. Já sem Samaris em campo, que tinha saído para entrar Derley, Eliseu rasteirou Hurtado e o árbitro apontou para a marca do penálti, que em cima dos 90 minutos, Sérgio Oliveira não desperdiçou. Estava confirmada a primeira derrota do Benfica frente aos pacenses na era Jesus, num jogo onde o Benfica se mostrou muito abaixo do nível exibido nos últimos jogos.

A Figura:
Júlio César – Torna-se difícil destacar um jogador que tenha feito uma boa exibição, num jogo de tão fraca qualidade, principalmente na segunda parte. Assim, assinala-se a segurança do guardião brasileiro que se encontrava há mais de 700 minutos sem sofrer golos e só viu esse registo interrompido devido a uma grande penalidade.

O Fora-de-jogo:
Benfica – Depois de uma série de vitórias convincentes e da subida da “nota artística” da equipa, pouca gente imaginaria uma derrota em Paços de Ferreira, sobretudo quando havia a expetativa de um alargamento da vantagem na liderança.

This is the end?

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cab nbaInterrogámo-nos se seria quando Kobe se lesionou no joelho e perdeu a temporada passada. Agora, depois de mais uma lesão que o vai fazer perder o resto da temporada, a interrogação volta a ser inevitável.

Nesse Dezembro de 2013, não nos quisemos precipitar porque acreditávamos que se havia alguém capaz de desafiar o fisicamente normal era Kobe. Aquela lesão no joelho podia ser apenas um azar, uma lesão daquelas que pode acontecer a qualquer jogador em qualquer altura da carreira. Mas, perguntámo-nos, também podia ser um sinal de que o corpo de Kobe estava a começar a dar de si.

E este ano mostrou-nos que está. Ao início, parecia que não, que Kobe tinha regressado aos 36 anos ainda capaz de jogar a um nível alto. A equipa era medíocre e ele regressou aos seus tempos de “lone gunman”, a tentar fazer tudo sozinho como nos tempos de Smush Parker e Kwame Brown, mas isso é outra história. Kobe estava a jogar mais de 35 minutos por jogo, a lançar como se estivéssemos em 2006 e parecia desafiar a sua idade.

Só que ao fim de 27 jogos, Kobe mostrou que é humano e que o seu corpo já não aguenta esse ritmo durante 82 jogos. E aquilo que escrevemos naquele Dezembro parece, infelizmente, estar a confirmar-se:

“Há um limite para o que o corpo de um atleta aguenta e mesmo com os avanços na medicina desportiva, ainda ninguém consegue vencer o Tempo. Mesmo jogadores que conseguem estender a carreira até idades avançadas e que se mantiveram sem lesões graves até essas idades, chegam a uma altura em que as lesões começam a aparecer recorrentemente. Foi o que aconteceu por exemplo com Steve Nash, que parecia imortal até aos 38 anos (sempre a alto nível e sem nenhuma paragem prolongada) e que agora não se consegue manter saudável. Foi o que aconteceu a Jason Kidd que jogou a bom nível até aos 40 e depois caiu muito rapidamente. É o que parece estar a acontecer também a Kevin Garnett e Paul Pierce, que parece que envelheceram 6 anos em apenas um.

A verdade é quanto mais velho um jogador, mais peso tem mais um ano. A partir dos 30 e muitos (para uns pode ser aos 35, para outros aos 40), a degradação física é cada vez mais rápida.”

Byron Scott já fez “mea culpa” e reconheceu que devia ter gerido melhor os minutos de Kobe. E é verdade que isso pode ter pesado e contribuído para esta lesão. Mas o facto incontornável é que o corpo de Bryant está a chegar ao seu limite. Nunca ninguém venceu o Tempo e Kobe Bryant não será o primeiro.

Será então este o fim? Será que vai terminar assim a carreira de um dos melhores jogadores de sempre? Acreditamos que não, simplesmente porque Kobe deve ser o jogador mais teimoso que já pisou um campo da NBA e é aí, dentro de campo, que vai querer terminar a carreira. Só por isso, deve fazer tudo para regressar e jogar no próximo ano.

Para já, pelo menos mantém o sentido de humor:

Screen Shot 2015-01-25 at 15.10.11Acreditamos, portanto, que não foi a última vez que vimos Kobe Bryant num campo da NBA. Mas também acreditamos que nunca voltará a ser o mesmo. Se já não era antes, agora a próxima temporada será, quase de certeza, a temporada de despedida. Kobe regressará para pisar pela última vez os campos onde nos encantou (e exasperou, e deliciou, e irritou, e maravilhou) tantas vezes. E para nos despedirmos.

Jogadores Que Admiro #30 – Tomás Rosicky

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Há jogadores que fazem sonhar o miúdo de sete anos que ainda vive dentro de nós, amantes de futebol. São jogadores com pés de veludo e precisão geométrica que nos remetem para a infância, aqueles que tentávamos imitar quando assumíamos com autoridade o futebol de uma equipa feita há meia dúzia de minutos, contra outra das mesmas circunstâncias, num campo de cinco contra cinco ao ar livre ou algo que se improvisou como tal.

Jogadores com magia, que colocam a bola onde querem, seja a lançar um ataque, seja na colocação de um remate, normalmente mais em jeito do que em força. Os virtuosos, normalmente números 10 (ainda que em extinção), mostram, ainda hoje, o lado mais romântico do futebol…

… mas eles não jogam contra bonecos estáticos (embora consigam deixar alguns adversários assim), e costumam estar, do outro lado, jogadores encarregues de destruir a organização ofensiva e que vão acumulando sentimentos de impotência à medida que o jogo se vai desenrolando perante a técnica dos virtuosos. Isso transforma-se em frustração, e leva a entradas ríspidas que os condicionam, no caso de haver uma (im)preparação física com pouca capacidade para suportar tais danos. Em casos graves, ficamos a pensar o que poderia ter dado este ou aquele jogador, que tanta técnica tinha e que tão condicionado ficara por lesões que lhe mancharam a carreira.

Apesar de castigado pelas lesões, Tomáš Rosický continua com a mesma classe Foto: Facebook do Arsenal
Apesar de castigado pelas lesões, Tomáš Rosický continua com a mesma classe
Foto: Facebook do Arsenal

Esses, normalmente, desistem ou simplesmente deixam de ir aos lances com a garra que tinham, trazendo as habituais consequências nefastas inerentes à falta de agressividade – perdas de duelos físicos, pelo medo do choque. E perde-se uma carreira que poderia ter sido brilhante.

Rosicky não se insere no lado dos desistentes, dos medrosos. Pelo contrário, o checo, aos 34 anos, ainda se exibe ao mais alto nível, conseguindo orquestrar o futebol da equipa que por ele quiser ser dirigida, sem medo de confrontos físicos, de se antecipar a um jogador com o dobro da sua constituição física nem de acelerar (ainda que com menos fulgor do que nos seus tempos dourados, mas neste caso por imposição física e não psicológica) quando consegue gerar superioridade numérica no ataque, mesmo que isso signifique ficar lesionado… outra vez.

E devem existir poucos no mundo do futebol que podem ter a “legitimidade” de que disporia Rosicky para ter medo do choque durante o jogo. Graças a lesões, o “Little Mozart” disputou apenas um terço dos jogos do Arsenal … nas últimas cinco temporadas.

Sempre que entrava, porém, era decisivo e dava mostras do seu forte carácter, do seu compromisso com a missão da equipa e remetia cada adepto de futebol para a sua infância, com uma visão de jogo ímpar que lhe permitia colocar a bola onde queria, com uma inteligência táctica que lhe permite uma certa omnipresença no meio campo e com uma qualidade técnica sublime.

Ainda mantém todas essas qualidades intactas e é um membro importantíssimo no plantel de Arséne Wenger, saiba ele cuidar da sua condição física. Esta época, apenas disputou quatro encontros oficiais, ficando de fora de uns por lesão, de outros por opção. Mas ainda é aquele jogador que cresceu no Sparta de Praga e brilhou no Borussia de Dortmund. Tudo pela sua força de vontade, pela sua paixão ao jogo.

É por isso, mas também pelo perfume encatador do seu futebol, que o insiro na restrita lista de jogadores que admiro.

Foto de capa: Facebook do Arsenal

1000 vitórias, um feito (quase) inalcançável

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O mítico pavilhão do Madison Square Garden foi palco de mais um feito do coach Krzyzewski( Duke) . Com o triunfo frente a St. John’s (77-68 ) passa a ser o primeiro treinador da NCAA a atingir a marca das 1000 vitórias. Nas fileiras de Duke alinha o potencial número 1 do próximo DRAFT , o poste Jahlil Okafor. Tinha muitas opções, mas acabou por decidir por Duke por causa do treinador: “Ele é o treinador mais premiado de todos os tempos . Eu adoraria ajudá-lo a obter a sua vitória número 1000″. E ajudou mesmo ao marcar 17 pontos e a conquistar 10 ressaltos.

Com 40 anos de carreira( Indiana, Army e Duke ) Krzyzewski, mais conhecido por coach “K“, é filho de pais polacos. Jogou em West Point a base, era um bom defensor e também tomava boas decisões no ataque, sem ser um grande marcador de pontos. Iniciou aí, aos 28 anos, a carreira de “Head Coach “( vitória sobre Leight por 56-29). Os seus mentores foram Bob Knight (foi seu jogador em West Point e posteriormente seu adjunto em Indiana), Pete Newell e Henry Iba. “Aprendi muito com eles, mas não adianta copiar ninguém. Se temos algo para dizer à equipa usamos a nossa personalidade e os nossos valores. Digo sempre aos jovens treinadores que trabalham comigo : não tentem ser como eu. Aprendam com as minhas experiências , usem algumas das lições e incorporem-nas nas vossas ideias”. Krzyzewski, entrou na universidade de DUKE em 1980 e não tem vontade de sair, pese o facto de todos os anos ser convidado para treinar na NBA.

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O obrigado de Jordan

A sua carreira internacional no basquetebol da FIBA é impressionante. Krzyzewski é também treinador das Seleções dos Estados Unidos. Conquistou 2 medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos (2008 e 2012 ) e foi campeão do Mundo em 2010 e em 2014. Em 1992 foi treinador adjunto com o “Dream Team “ e teve oportunidade de conviver com Michael Jordan que um dia lhe disse: “Coach, pode-me ajudar a treinar os fundamentos durante meia hora ? Por favor trabalhe comigo “. “ K” aceitou com gosto e no final Jordan disse-lhe apenas: “Obrigado”. Jordan podia ter sido uma “prima dona”, mas foi correto para “K”. O que o marcou mais é que o grande jogador lhe disse inicialmente “coach”, depois “por favor” e, no final, “obrigado”.

“ Coach K” também diz palavrões

Krzyzewski é um modelo de boa educação nas conferências de imprensa , mas ninguém imagina a linguagem que utiliza quando os microfones estão longe . “Nos jogos confronta e desafia todos. Talvez a melhor palavra para o descrever seja mesmo DESAFIADOR. O uso de palavrões é impressionante. são como uma arma que arremessa contra os árbitros , para repreender os seus jogadores e até para si mesmo”, refere Ed Hardin, um jornalista que o segue desde 1984.

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Capacidade para mudar

Algumas equipas vencem porque recrutam os melhores jogadores para um sistema específico. Pelo contrário, Krzyzewski sempre venceu ajustando o sistema para os jogadores do plantel. “Ele não joga da mesma maneira que jogava há 10 anos, ou 20 anos atrás”, disse Jay Bilas , ex- Duke e agora famoso comentador ESPN . “O modelo de jogo tem a ver com os jogadores. Ele recebe os melhores jogadores e depois escolhe o estilo de jogo que melhor se adapte a eles, maximizando todas as oportunidades para ganhar.” Krzyzewski já não é novo (67 anos) , mas mantém a capacidade de aprender e de se adaptar às novas realidades , o que lhe permite mudar, no dia -a-dia e de jogo para jogo, e continuar ganhar tantas vezes .“Eu acho que um de seus traços mais valiosos tem sido a sua capacidade de adaptação”, afirmou John Roth, um analista de rádio em Duke. Os treinadores mais atentos sabem que mudou o modelo de jogo como, por exemplo, o contra-ataque e a forma de defender os bloqueios directos. Isto aconteceu depois de trabalhar com alguns treinadores da NBA que fazem parte do seu seu “ staff “ nas Selecções dos Estados Unidos. Com a entrada de novas escolas, a competição na ACC (Atlantic Coast Conference ) está também a mudar. Isto significa que Duke e o seu treinador , face a novos conceitos e estilos de jogo, também terão de ajustar, mais uma vez, o modelo de jogo. Sendo mais específico, os Blue Devils vão ter de passar a defender à zona. Não sendo totalmente estranha, raramente a usaram no passado, mas hoje faz parte integrante da sua forma de jogar. Adicionar a zona ao seu repertório não é algo que possa ter sido feito no meio da temporada . Para defender tão bem como têm feito no últimos jogos, certamente treinaram muitas horas. Acredito contudo que a defesa agressiva de “homem -a- homem”,marca da escola, será sempre a defesa preferida do treinador de Duke. Com uma mentalidade aberta e disposto a continuar a aprender, “K” explicou porque ajusta : “Na competição defronto sempre os melhores treinadores , o que me obriga a pensar e a ser diferente”.

Vai continuar a ganhar

Odiar Duke é fácil e entende-se : eles são muito bons. Só sabem ganhar. Recebem muita atenção. Recrutam grandes jogadores. Mas pode alguém realmente não gostar de Mike Krzyzewski? Isso é possível ? Claro que não. Acabado o último jogo com mais uma vitória, o mais provável é que, seguindo o exemplo de Alex Ferguson ou Mourinho, também ele se tenha sentado a descansar e a beber um bom vinho . Não perdeu certamente muito tempo com este jogo. Só o viu mais uma vez , como faz sempre e, em seguida, passou logo para o próximo. Krzyzewski , não vive do passado. O mais importante é mesmo o presente.

Foto: West Point – The U.S. Military Academy (Flickr)

Marítimo 1-0 FC Porto: Um tiro, um melro e o título entregue

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80 minutos de jogo, Marítimo com menos um homem em campo. FC Porto parte para mais um ataque. Com mais um homem no terreno, não há ninguém que pegue no jogo portista. No meio-campo, é Jackson Martinez quem tem que vir atrás para “pedir jogo”.

85 minutos de jogo, Danilo faz um passe errado. Bola fora, lançamento para o Marítimo. Câmara focada no jogador brasileiro. Reação? Um sorriso de Danilo.

90 minutos de jogo, Alex Sandro faz uma falta ridícula junto à bandeirola de canto. Livre para o Marítimo. Câmara focada no jogador brasileiro. Reação? Um sorriso de Alex Sandro.

Escolhi estes três momentos para ilustrar, a todos os que não viram o jogo desta noite, no Estádio dos Barreiros, aquilo que foi a exibição portista. Não vou pelos inúmeros golos falhados pelos avançados portistas; não vou pela eficácia de 100% do Marítimo (1 remate no alvo, 1 golo), nem sequer vou pela excelente exibição de Salin.

Poderia, claro, pegar por cada uma destas premissas e vir para aqui falar de falta de sorte, de falta de eficácia ou do contrário em relação ao Marítimo. Optei pelos três momentos acima enunciados por, na minha opinião, demonstrarem aquilo que foi o FC Porto esta noite: uma equipa sem garra, sem atitude, sem intensidade, sem velocidade e, sobretudo, sem inteligência. Já em diversas ocasiões esta temporada referi duas ideias-chave relativamente ao campeonato português: em primeiro lugar, que o título se ganha contra os pequenos, e depois que nos jogos contra estas equipas de menor dimensão, por vezes não basta ter os melhores jogadores ou ter uma camisola com mais peso histórico.

É preciso correr mais do que os outros, ser mais agressivo e intenso do que os outros, ser eficaz e aproveitar as oportunidades, ser inteligente a gerir o jogo e sobretudo não deixar que o jogo caia naquilo que o adversário quer. Mais uma vez, e tal como tinha acontecido contra o Boavista, V. Guimarães e Estoril, os jogadores do FC Porto não perceberam nenhuma destas ideias. Entraram no jogo com o pensamento de que ele se resolveria mais tarde ou mais cedo. Deixaram o jogo entrar naquela sonolência que só interessa aos mais fracos. E sobretudo voltaram a falhar oportunidades inacreditáveis quando nos referimos a jogadores de classe inquestionável.

Mais uma vez, o FC Porto não entrou como devia. O esquema tático era o mesmo mas a atitude e o “orgulho” que mereceram tanto destaque, na última quarta feira, ficaram à porta do Estádio dos Barreiros. Nada disso se viu no jogo de hoje frente ao Marítimo. Relativamente a essa batalha de Braga, Lopetegui mudou dez peças e deixou ficar apenas Quintero de início, colocando Tello –  que tanto tinha corrido na segunda parte em Braga – no banco de suplentes. Do lado dos madeirenses, Leonel Pontes estreou o central Raúl Silva e optou por colocar três homens na frente (Xavier, Diego Costa e Maazou), deixando no banco o médio habitualmente titular Alex Soares. Com apenas um extremo de início, cedo se percebeu que o FC Porto iria ter, mais uma vez, imensas dificuldades no reduto maritimista.

Alex Sandro (esq.) foi um dos piores em campo Fonte: Facebook Oficial do CS Marítimo
Alex Sandro (dir.) foi um dos piores em campo
Fonte: Facebook Oficial do CS Marítimo

Com Quintero no onze, o jogo portista tornou-se lento, pouco intenso, previsível e sobretudo muito canalizado no centro do terreno. E foi no meio campo que o Marítimo começou a ganhar o jogo: com Fernando Ferreira e Danilo Pereira colocados de perfil em frente ao quarteto defensivo, o Marítimo conseguiu “secar” Oliver, Herrera e Quintero, que raramente conseguiram libertar-se da teia defensiva madeirense. Por isso, o futebol do FC Porto tornou-se profundamente insuficiente e o jogo demasiado canalizado para Ricardo Quaresma levou a que, na primeira parte, os portistas tenham tido apenas uma oportunidade de golo, aos 41 minutos, num remate do extremo português que Salin defendeu com qualidade. O principal problema é que, até esse momento, o ataque portista era uma miragem e o Marítimo, no único lance de perigo em todo o encontro, acabou por chegar à vantagem. Cruzamento da direita de Diego Costa e depois de um corte da defensiva portista, a bola chegou aos pés de Bruno Gallo que, com um excelente remate de pé esquerdo, desfeiteou o guarda redes Fabiano.

Em 45 minutos de jogo no Estádio dos Barreiros, tudo se resumia àqueles dois lances de perigo: um para cada lado, com o Marítimo a ser eficaz e o FC Porto não. Tudo o resto havia sido um jogo inconsequente, sem ideias, com a bola a circular de forma lenta pelos jogadores portistas sem que houvesse uma jogada com princípio, meio e fim.

Na segunda parte, e já com Tello no lugar de Quintero, a toada de domínio portista manteve-se. O Marítimo continuava a jogar recuado e fechado nas suas linhas e o FC Porto, com posse de bola, procurava finalmente encontrar o caminho para a baliza de Salin. O que é facto, e como seria previsível, é que a equipa de Lopetegui acabou por começar a criar oportunidades de verdadeiro perigo, com Casemiro e Martins Indi a desperdiçarem, logo no início do segundo tempo, as primeiras duas enormes oportunidades para a equipa azul e branca.

Com meia hora para jogar, Lopetegui decidiu arriscar, colocando Gonçalo Paciência junto a Jackson Martinez. O treinador espanhol abdicou de Herrera (exibição paupérrima) e Bruno Martins Indi e colocou em campo o avançado português e Rúben Neves. Num 4x4x2 bem definido, o que é facto é que Oliver Torres acabou por recuar no terreno, sendo Jackson Martinez em mais do que uma ocasião o responsável pelo início dos ataques portistas.

Depois das alterações táticas, chegou mais uma dupla oportunidade, neste caso por Tello, que rematou ao poste, e por Quaresma que, na recarga, defendeu para defesa de Salin. O guarda redes francês acabou mesmo por se revelar intransponível, tornando-se o principal responsável pelo facto de os visitantes não terem conseguido chegar ao empate. No último quarto de hora, Raúl Silva, na estreia como titular, ainda viu o segundo cartão amarelo mas isso não foi suficiente para que o FC Porto chegasse ao golo que impedisse o segundo desaire no campeonato. Até ao final da partida, por entre passes errados, um jogo sem qualidade e intensidade e uma eficácia miserável, destacaram-se os “sorrisos” de Danilo  e Alex Sandro, a exibição deplorável de Casemiro e Herrera, o jogo apagadíssimo de Oliver, o individualismo de Quaresma, a intermitência de Tello e o desaparecimento de Jackson do jogo na Madeira.

Por tudo isto e pelos três momentos que acima mencionei, julgo que é razoável dizer que esta noite o título ficou entregue. E mais uma vez, como aconteceu contra Boavista, V. Guimarães e Estoril, porque o FC Porto não soube ser inteligente, agressivo e eficaz. Não falo de sorte porque acredito que ela também se constrói. Nesta noite, na Madeira, mais uma vez se provou que Lopetegui e os seus jogadores ainda estão muito longe de saber como se joga em Portugal. E assim se perdem jogos. E assim se perdem títulos. Acabou… em agosto há mais.

 

A Figura

Salin – O guarda redes francês voltou a fazer uma exibição memorável contra o FC Porto. Parou tudo quanto podia (tirando o remate ao poste de Tello) e foi o principal responsável pela vitória maritimista.

O Fora-de-Jogo

Danilo, Alex Sandro e Herrera – Esta noite decidi dar uma nomeação tripla para o prémio de pior em campo. Poderia também colocar Quintero ou Casemiro, mas acabei por me decidir por estes três. Relativamente aos laterais, pela displicência com que jogaram durante os 90 minutos. Gozaram com o símbolo que tinham ao peito fazendo uma exibição deplorável e que envergonhou todos os adeptos. Relativamente ao médio mexicano, o jogo de hoje foi uma recordação de algumas exibições da época passada de Herrera. Se calhar a melhor opção seria enviá-lo mais um mês para o Brasil a ver se voltava um jogador diferente.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Club Sport Marítimo

Sporting 1-0 Académica: Leão mole em Briosa dura, tanto bate até que fura

escolhi

Com este provérbio português se explica a tarde de hoje em Alvalade. Jogo de um só sentido – a equipa de Paulo Sérgio não teve uma única oportunidade de golo! -, marcado pela paciência leonina que acabou por gerar frutos. Nunca com muito encanto, o Sporting teve o mérito de não conceder à equipa visitante qualquer chance de contra-atacar. Assim, o jogo tornou-se menos espectacular mas também menos arriscado para a baliza de Rui Patrício. E o resto foi repetição e insistência e repetição e insistência.

Com o onze esperado, a equipa de Marco Silva começou de forma dominadora, com ritmo e com intensidade que quase valeram um golo cedo. Carrillo cruzou muito bem mas Montero pecou na finalização, de cabeça, atirando a bola para cima. A partir dos 15′ o ritmo começou a descer e, perante uma Académica muito fechada e agressiva, o Sporting não soube encontrar o caminho para o golo. Muita insistência nos corredores laterais – sempre à espera que Nani e Carrillo desequilibrassem -, muitos remates de longe (alguns perigosos) e pouca diversidade foi o que se viu na primeira parte. A equipa de Coimbra mostrou a sua estratégia desde cedo, perdendo tempo em cada reposição praticamente desde o primeiro minuto.

No segundo tempo o encontro não mudou muito. Com um Nani abaixo do que já mostrou e um Montero menos em jogo do que o habitual, o Sporting sentia dificuldades em romper com as linhas adversárias. Adrien esteve perto de um golaço, Jefferson e Nani quase marcaram de livre, mas só quando Marco Silva colocou Tanaka e Mané nos lugares de Adrien e Carrillo é que a equipa conseguiu chegar ao golo. William Carvalho, possivelmente o melhor em campo, desbloqueou o adversário com um excelente cruzamento para Tanaka que rematou e proporcionou a recarga a João Mário, autor do único golo da partida. Depois, Nani desperdiçou ainda uma excelente oportunidade que poderia ter oferecido o golo a William e a Académica nunca foi capaz de sequer criar alguma incerteza no resultado. Tobias Figueiredo, apesar de um ou outro lance menos esclarecido, cumpriu com as expectativas e parece difícil que Ewerton entre na equipa a curto prazo.

A Figura 

William Carvalho – O trinco leonino já dá sinais de regresso à sua melhor forma há já algum tempo e hoje foi um dos principais responsáveis pela seca ofensiva da Académica. Excelente na ocupação dos espaços na transição defensiva, foi quase sempre assertivo no passe e acabou por ser dele o lance que origina o golo da vitória. A equipa e a selecção precisam deste William!

O Fora de Jogo

Paulo Sérgio – A Académica, mais do que os (muito) maus resultados que tem apresentado, parece não ter qualquer ideia de jogo assente e que permita à equipa solucionar colectivamente os problemas do jogo. Para além disso, a atitude negativa demonstrada não abona em nada a favor do treinador português… que outrora esteve no Sporting.

Foto de Capa: FPF

 

O renascer do ABC

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cab andebol

Desde que foi inaugurado, em 2009, o Dragão Caixa tem sido uma verdadeira fortaleza para o Porto, seja em que modalidade for.

Esta semana, o Porto perdeu apenas pela quarta vez para o campeonato, ao perder com o ABC por 25-30. Esta foi a primeira derrota desta temporada dos dragões, e o ABC cada vez mais faz por merecer o seu estatuto de grande no mundo do andebol português. A equipa de Braga neste momento está no segundo lugar e está a mostrar que o dinheiro não é tudo, fazendo frente a equipas com investimentos muito maiores, como os três grandes do desporto nacional.

Os bracarenses são a única equipa portuguesa a ter estado numa final de uma Liga dos Campeões, na já longínqua temporada de 1993/1994, em que perderam na final com a equipa espanhola do Teka Santander, perdendo por 45-43 no total das duas mãos.

O ABC, com 12 títulos de campeão nacional, é uma das melhores equipas nacionais na modalidade – sendo que é o terceiro clube com mais títulos de Portugal, apenas atrás de Porto e Sporting, com 19 e 17 títulos, respectivamente.

Afastada dos títulos desde 2006/2007, a equipa bracarense tem estado a melhorar o seu nível e está cada vez mais capaz de lutar de igual para igual com as principais equipas nacionais de andebol. Depois do terceiro lugar da temporada passada, este ano vai ocupando o segundo lugar, a três pontos do Porto. Num campeonato que este ano é discutido no sistema de playoff e não em duas fases, como até agora, a equipa de Braga pode contar com um pavilhão Flávio Sá Leite transformado numa autêntica fortaleza – algo já habitual -, o que faz deste pavilhão um dos mais difíceis para os adversários.

Não vou mentir e dizer que tenho um especial interesse em equipas cuja modalidade principal não seja o futebol – isto se o tiverem, como é o caso do ABC. Mas equipas como o Sporting de Espinho em Voleibol, a Ovarense em Basquetebol, ou o Óquei de Barcelos no Hóquei em Patins merecem todo o meu respeito e, se o meu Sporting não puder ser campeão nestas modalidades, então que seja este tipo de equipas que faz do desporto muito mais do que o futebol que a imprensa gosta de passar cá para fora.

Mas voltando ao Andebol: a luta pelos seis primeiros lugares está bem lançada, com Madeira SAD, Águas Santas, Sporting da Horta, Passos Manuel e Belenenses a lutar pelos quintos e sextos lugares, isto a cinco jornadas do final da fase regular da competição. Muita luta pelo segundo lugar e pelo quinto lugar é o que podemos esperar nestes jogos.

Foto de capa: Wikipédia