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Sporting 2-0 Gil Vicente: Devagarinho até aos milhões

Foi devagar, devagarinho que o Sporting alcançou hoje a vitória frente a um Gil Vicente amorfo e com pouca vontade de levar algo melhor do que levou de Alvalade. Slimani marcou logo no segundo minuto de jogo, Héldon sentenciou a partida a um do fim. Pelo meio mais três pontos e… nas últimas seis épocas, só em 2008/2009 o Sporting fez mais do que os 63 pontos actuais. Convém ter em conta que ainda faltam três jornadas.

No que ao jogo diz respeito, Leonardo Jardim acabou a admitir que o Sporting jogou a um ritmo excessivamente baixo. O golo madrugador foi, por certo, um dos factores que influenciaram essa lentidão evidenciada praticamente durante todo o jogo. Seja como for, a pouca agressividade e predisposição do Gil Vicente para lutar por algo mais do que a desvantagem por um golo e o 2º lugar praticamente consumado acabaram por originar um sentimento de comodidade.

Foi assim durante a maior parte do jogo, mas não foi assim logo após o apito inicial. Cédric e Carrillo – os dois melhores em campo – combinaram muito bem no flanco direito e o peruano acabou a assistir Slimani para o 1-0. Pensaram os mais optimistas numa possível goleada, mas não foi assim. Desde aí, o Sporting optou por gerir os ritmos do jogo guardando a bola e atacando pela certa. Carrillo foi uma dor de cabeça constante para a defesa do Gil, mas os seus sucessivos cruzamentos acabaram quase sempre sem correspondência.

Slimani marcou o seu 8º golo no campeonato  Fonte: Zerozero
Slimani marcou o seu 8º golo no campeonato
Fonte: Zerozero

Do lado contrário houve muito pouca iniciativa, razão por que Rui Patrício não teve de efectuar uma única defesa durante os 90 minutos. Ainda no primeiro tempo, Carlos Mané esteve pertíssimo do golo, na sequência de um canto, mas acabou por atirar ao lado. O jovem português voltou a jogar no meio-campo mas, desta feita, a exibição não foi a mais positiva.

Na segunda parte a partida pouco mudou. Marcos Rojo, depois de tirar um da frente, atirou para aquele que seria o golo da noite (e da jornada, porventura), mas a bola acabou por embater no poste. O Sporting ia desequilibrando nas alas mas a ligação com o corredor central nunca se mostrou correctamente articulada. Slimani, embora tenha feita um golo, acabou por não ter a sua noite mais feliz. Neste jogo, falando a posteriori, é fácil ver que as características de Fredy Montero encaixavam melhor neste tipo de jogo que o Sporting foi praticando, dada a sua maior mobilidade e conforto com a bola nos pés.

Acabou por ser numa altura em que se ia gerando em Alvalade alguma apreensão com a vantagem mínima que a equipa da casa detinha que o Sporting matou o jogo. Com Montero a descobrir muito bem Carrillo em velocidade e com o nº 18 dos leões a assistir de bandeja Héldon, este último só teve de encostar para o seu primeiro golo de leão ao peito. Terminou a apreensão e a esperança dos encarnados em poder festejar já neste fim-de-semana o título nacional.

A Figura
André Carrillo – O internacional peruano tem sido bastante irregular mas hoje foi, a par de Cédric, o melhor em campo. Fortíssimo no 1×1 e nos cruzamentos, acaba o jogo com duas assistências e com uma mão cheia de pormenores reveladores de todo o seu potencial. É deste Carrillo que o Sporting precisa.

O Fora-de-Jogo
Gil Vicente
– A equipa gilista nunca foi suficientemente esclarecida para forçar o Sporting a descer as suas linhas nem capaz de roubar a bola de forma a evitar a gestão tranquila que a equipa de Leonardo Jardim foi fazendo durante o encontro.

O Passado Também Chuta: Bella Gutman

Bella Gutman não era único; simplesmente era sublime. Tinha o costume de ser campeão e transformar o futebol numa festa. O golo aparecia porque as suas equipas não jogavam para reter; jogavam para atacar. “Marquem três golos e depois já se verá…”, frase que determina uma filosofia e fotografa a sua visão do futebol. Na sua época emergiram grandes treinadores; só temos de recordar Helénio Herrera ou Matt Busby – todos inovaram e criaram equipas que fizeram época, mas só Gutman venceu por onde passou. A Holanda rendeu-se. Treinou em Itália; treinou o Milão e ganhou. Treinou no Brasil e venceu. Treinou no Uruguai e foi campeão. Treinou na Hungria e é escusado dizer o resultado; treinou o FC do Porto e foi campeão nacional. Orientou o Sport Lisboa e Benfica e transformou o clube para sempre.

Deixando a lenda de parte e a sua parte anedótica, o dito de Bella Gutman, quando afirma que o Benfica jamais conquistaria a Europa, tem mais de lógica do que de adivinhação. Era uma equipa jovem e portanto ainda em formação, apesar de arrasar na Europa. Sabia o que queria e sabia ver e captar jogadores. Com ele entraram de rompante na primeira equipa craques como o mítico Simões e também um dos melhores defesas-esquerdos de sempre do Benfica: Fernando Cruz. O Benfica tinha uma excelente escola e aproveitou-a. Não é um treinador vulgar que mete na equipa dois, praticamente, juniores. Conhecia a equipa e a sua idade. O Mário João e o José Augusto rondavam os vinte e três anos. O Coluna e o Cavém não ultrapassavam muito essa idade; tinha apenas quatro veteranos: Costa Pereira, Germano, Ângelo e José Águas. Eusébio chega ao Benfica depois da supervisão realizada por um homem da sua confiança. É escusado dizer que o grande Eusébio estava na casa dos dezoitos anos. Estamos no mundo das estatísticas, por isso gostaria de saber se alguma equipa tão pouco veterana triunfou na Europa como triunfou o Benfica. Se existe uma equipa similar neste aspeto, chama-se Ajax.

Foram duas...  Fonte: http://soberanosoficial.files.wordpress.com
Foram duas…
Fonte: soberanosoficial.files.wordpress.com

Mas, fundamentalmente, Bella Gutman era espetáculo. Os seus extremos brilhavam mais além da sua qualidade porque, quer pela velocidade quer pela finta, praticava um futebol de vertigem onde os goleadores eram a síntese orgástica. A bola só era tocada com pausa quando um senhor chamado Germano iniciava a jogada. No entanto, pode-se dizer que o treinador e a idiossincrasia do Benfica formaram um matrimónio perfeito. Por onde passavam, a aura de mística ficava cimentada. Possivelmente, só o Peñrol do Uruguai encaixou também no Ser de Bella Gutman.

Hoje fala-se de José Mourinho como um triunfador, inovador e portador do dom da mística; no entanto, comparado com Bella Gutman, está aquém tanto na variedade de campeonatos que experimentou como na natureza destes campeonatos tão diferentes. Na década de 1950 saltar da Holanda para a Itália; da Itália para o Uruguai; de Uruguai para o Brasil e do Brasil para o Porto não era tão fácil e não existiam as novas tecnologias. Mas com isto não pretendo desvalorizar José Mourinho, antes pelo contrário; Mourinho acaba de meter o seu Chelsea na ronda da semifinal tendo como elementos criativos três jogadores jovens. Bella Gutman não admite biografias porque ultrapassou o tempo e a História. Por isso, pouco importa onde e quando nasceu e onde e quando faleceu. O Benfica é e será sempre o clube glorioso que arquitetou um treinador mágico: Bella Gutman.

O pé esquerdo do Minho – Entrevista a Amílcar Gomes

entrevistas bola na rede

Perto de completar 28 anos, Amílcar Gomes é um valor seguro do futsal nacional. Ala do SC Braga/AAUM, o seu pé esquerdo tem ajudado a formação do Minho a tornar-se numa das mais respeitadas equipas do futsal português. Depois de passagens pela Fundação Jorge Antunes e Modicus (com quem venceu a 2ª Divisão Nacional de Futsal), depois de se ter sagrado Campeão Nacional e Mundial Universitário e de ser eleito Atleta Masculino do Ano 2012 pela FADU, depois de ter chegado à Selecção Nacional, e com novos projectos (como a sua Escolinha) e desafios pela frente, Amílcar está no Bola na Rede para nos falar sobre uma das modalidades que mais tem evoluído em Portugal.

Gala da Federação Académica do Desporto Universitário, onde foi distinguido com o prémio de Atleta Masculino do Ano (2012)
Gala da Federação Académica do Desporto Universitário, onde foi distinguido com o prémio de Atleta Masculino do Ano (2012) 

Bola na Rede: O SC Braga/AAUM está a fazer um excelente campeonato, ocupando, neste momento, o 3.º lugar. Qual é o vosso objectivo, agora que faltam duas jornadas para terminar a fase regular?

Amílcar: No início da época, o objectivo traçado era o de repetir a classificação da anterior. No entanto, com o decorrer do campeonato pareceu-nos possível fazer melhor e neste momento queremos terminar a fase regular na terceira posição da tabela.

BnR: A possibilidade de disputar o play-off está há muito garantida. Partem para ele com que ambição? Até onde é que o SC Braga/AAUM pode sonhar?

A.: No início da época traçámos o objectivo de superar o que realizámos a época passada. Assim, independentemente da posição em que terminarmos a fase regular, a ambição é chegar à meia-final do play-off. Cumprido este objectivo, logo se verá. Damos sempre o melhor de nós em cada jogo e vai continuar a ser assim até ao último, seja ele quando for.

BnR: Nas últimas semanas, o SC Braga/AAUM defrontou os dois principais candidatos ao título, Sporting e Benfica. O que falhou para a equipa ter sido derrotada de forma tão clara? Estes dois resultados vieram provar que a equipa ainda está uns furos abaixo de Sporting e Benfica?

A.: Entrámos mal em ambas as partidas. Pecámos pela falta de controlo emocional, especialmente no início do jogo, onde abordamos alguns lances de forma errada, que nos custaram golos. Sabíamos que quer o Benfica, quer o Sporting entram muito fortes no jogo, tentando sempre resolvê-lo o mais cedo possível. Sabíamos que era importante não sofrer golos nos primeiros minutos de cada parte, mas não fomos capazes de corresponder a isso. Apesar disso, os jogos foram diferentes. Contra o Sporting pecámos na organização defensiva, cometendo erros, que não são habituais quando não temos posse de bola, que eles souberam aproveitar para converter em golos. Já contra o Benfica melhorámos neste capítulo e funcionámos bem melhor como equipa defensivamente, mas não estivemos bem ofensivamente: perdemos muitas bolas em zonas baixas e o Benfica aproveitou todos os nossos erros para marcar golos. Independentemente destes resultados, temos consciência do nosso valor e das diferenças que existem entre nós e eles. É algo repetitivo dizê-lo, mas é a verdade: Benfica e Sporting são os dois únicos clubes da Liga Sport Zone que são profissionais, e, a esta altura do campeonato, as diferenças entre estas equipas e todas as outras são mais notórias, particularmente na preparação dos jogos, visto que as unidades de treino são em número muito superior.

O seu pé esquerdo ajudou os 'Guerreiros do Minho' a chegarem ao pódio da fase regular esta temporada
O seu pé esquerdo ajudou os ‘Guerreiros do Minho’ a chegarem ao pódio da fase regular

BnR: Os dois jogos seguintes, que redundaram em vitórias obtidas de forma clara, diante do SL Olivais e da Académica, foram encarados com que sentimento?

A.: O sentimento é sempre o mesmo: lutar sempre pela vitória, seja contra quem for. Claro que depois de dois resultados negativos quisemos voltar as vitórias e às boas exibições. Felizmente conseguimos.

BnR: O SC Braga/AAUM tem tido uma ascensão meteórica (em 2010/2011 estava na 2ª Divisão, pelo meio chegou a finais da Taça e da Supertaça e hoje está no pódio do Campeonato). Qual é o segredo para este crescimento e para resultados tão sólidos?

A.: Penso que o principal segredo deste crescimento foi a definição de objectivos que se coadunavam com a realidade do clube, mas sempre tendo em vista o crescimento sustentado do projecto SC Braga/AAUM. Esses objectivos, com o comprometimento de todos, tornaram-se a realidade do clube actualmente. A época 2011/2012 foi importante. Tínhamos subido ao principal escalão, e, apesar do arranque menos feliz desse campeonato, conseguimos a manutenção, que foi crucial para a evolução do projecto. Houve um esforço de todas as partes para nos adaptarmos à realidade da primeira divisão e essa mudança de mentalidades foi fundamental para a evolução verificada nas épocas seguintes.

Em acção pelo SC Braga/AAUM, na sua época de estreia com a camisola arsenalista (2011/2012)
Em acção pelo SC Braga/AAUM, na sua época de estreia com a camisola arsenalista (2011/2012)

BnR: Já aqui o disseste: a verdade é que Benfica e Sporting são as únicas duas equipas profissionais no contexto do futsal português. Apesar disso, e até tendo em conta este sustentado crescimento do SC Braga/AAUM, achas que é possível o clube, a médio prazo, lutar de forma sistemática por títulos?

A.: As equipas profissionais serão sempre as candidatas a vencer as competições. Acredito que projectos como o do SC Braga/AAUM, e outros, têm vindo a acrescentar qualidade e competitividade ao nosso campeonato e a tentar contrariar a supremacia das equipas profissionais. Penso que é benéfico para a modalidade que existam projectos a crescer de forma sustentada e que se caminhe no sentido de multiplicar o número de candidatos aos títulos. Mas é importante voltar a frisar que, independentemente do desempenho na fase regular, à entrada para os play off as equipas profissionais têm o dobro, ou mais, de unidades de treino da maioria das outras equipas, já para não falar no resto das discrepâncias. E isto vai sempre fazer a diferença, quer se goste, quer não. Para uma equipa lutar por títulos de forma sistemática é preciso que se conjuguem uma série de (muitos) factores, de índoles diferentes, e que estes se mantenham de época para época. Este é um desafio grande para qualquer projecto. Esperemos que aconteça, porque todos desejamos que o nosso campeonato se torne mais competitivo, mas é preciso ter noção do que isso acarreta.

BnR: Actualmente, o SC Braga/AAUM tem uma parceria com a Associação Académica da Universidade do Minho. Em que medida é que essa ligação tem sido proveitosa para o futsal do clube?

A.: Este clube resulta de uma parceria entre o Sporting Clube de Braga, a Associação Académica da Universidade do Minho e a própria Universidade do Minho, sendo que as três instituições têm um papel fulcral no projecto, pois suportam-no de formas diferentes mas complementares.

BnR: Explorando um pouco todo esse contexto que envolve o clube, em que é que ele seria diferente se essa parceria não existisse?

A.: É difícil falar sobre isso, porque é pura especulação. Mas creio que é seguro afirmar que sem a parceria entre as instituições as equipas não beneficiariam da versatilidade de competições (federada e universitária) e das mais-valias que daí advém.

BnR: Falando sobre a Selecção Nacional, qual é a sensação de jogar com as quinas ao peito? É realmente diferente de envergar a camisola de um clube?

A.: Sim. Vestir a camisola da Selecção Nacional é uma honra e um orgulho para qualquer atleta. Além de estarmos a representar o nosso país, é também o reconhecimento do nosso trabalho, por integrarmos um grupo restrito de jogadores, e isso também nos dá uma motivação extra para trabalhar ainda mais.

Equipa que representou Portugal nos Jogos da Lusofonia, e de que Amílcar fez parte (2009)
Equipa que representou Portugal nos Jogos da Lusofonia, e de que Amílcar fez parte (2009)

BnR: Foi uma desilusão teres ficado fora dos eleitos para o Europeu de 2014?

A.: Desilusão não é o termo. Tinha consciência de que era difícil integrar o lote final, mas tinha essa expectativa. Representar Portugal numa fase final de uma grande competição é um objectivo que tenho e que ainda não consegui alcançar. Resta-me continuar a trabalhar para lá chegar.

BnR: Enquanto vias os jogos do Europeu, sentias que podias lá estar?

A.: A partir do momento em que a Selecção chegou à Bélgica o importante era apoiar e acreditar no trabalho dos colegas que estavam a representar o nosso país. Assisti aos jogos do Europeu como português e adepto da modalidade, não como atleta.

BnR: A nossa Selecção, invariavelmente, fica à porta das grandes conquistas. O que achas que continua a faltar e o que nos impede de levantar um importante troféu?

A.: A Selecção tem evoluído de forma positiva nos últimos anos, mas é verdade que continuamos a falhar em detalhes e que temos que colmatar essas falhas no futuro. No entanto, como tem sido referido, e foi muito debatido aquando do Europeu deste ano, também não nos podemos esquecer que o nível competitivo do nosso campeonato é menor, quando comparado com as grandes potências que têm vencido as grandes provas.

BnR: A nível de Selecção, segue-se o Mundial de 2016. É um objectivo estar na lista final de convocados para a competição?

A.: É. Como já referi, tracei para mim mesmo o objectivo de representar Portugal na fase final de uma grande prova, e espero que possa ser em 2016.

Com a camisola da Selecção, durante os Jogos da Lusofonia (2009)
Com a camisola da Selecção, durante os Jogos da Lusofonia (2009)

BnR: Há já algum tempo que se especula sobre uma possível entrada do FC Porto no futsal. A acontecer, o que é que isso significaria para a modalidade?

A.: Em condições normais, a entrada do FC Porto teria um impacto positivo na modalidade, porque é um clube com tradição no desporto nacional e com uma estrutura que permitiria que houvesse uma terceira equipa profissional na Liga Sport Zone. Isto significaria um aumento do nível competitivo do nosso campeonato, de que todos beneficiariam.

BnR: A Liga Portuguesa é um dos bons campeonatos de futsal a nível europeu. Apesar disso, gostarias de experimentar outros campeonatos? Quais seriam as tuas preferências?

A.: Sim. Gostaria de poder jogar num campeonato mais competitivo, em particular em Espanha. A liga espanhola é a que sempre me atraiu mais, até porque, na minha opinião, é a melhor liga do mundo.

BnR: Normalmente, para ser considerado um desporto olímpico, é necessário que este seja universal, aberto, espectacular e compreensível. Estamos a dois anos das Olimpíadas do Rio de Janeiro e o futsal, mais uma vez, não figurará como uma das modalidades do Programa. Achas que algum dia será possível isso acontecer?

A.: O futsal é uma modalidade que tem crescido muito um pouco por todo o mundo, de há uns anos a esta parte. Tem cada vez mais praticantes e espectadores que lhe reconhecem a espectacularidade. Se compararmos as últimas edições de Campeonatos do Mundo, por exemplo, percebemos que há uma evolução positiva da modalidade, em termos quantitativos e qualitativos. Acredito que esta evolução irá acentuar-se nos próximos anos e que o futsal acabará por ser inserido no calendário dos Jogos Olímpicos.

BnR: Estiveste muito ligado ao Desporto Universitário, tendo inclusive ajudado a Selecção Nacional a vencer o Campeonato Mundial Universitário, em 2008, na Eslovénia. Daquilo que conheces, como avalias o estado actual do Desporto Universitário no nosso país? Achas que os clubes deveriam olhar com outra atenção para as competições universitárias, por forma a, aí, encontrarem potenciais atletas?

A.: As competições nacionais e internacionais universitárias têm cada vez mais jogos e jogos cada vez mais competitivos. A qualidade está a aumentar e é bom para o desporto federado poder contar com atletas universitários, pois estes desenvolvem competências fora da quadra que são essenciais dentro dela. Penso que o SC Braga/AAUM espelha bem as potencialidades do Desporto Universitário. Temos atletas, nos quais eu me incluo, que já foram atletas universitários, outros que vão disputar em breve as fases finais dos CNUs (*), e esta interação constante entre a equipa federada e a equipa universitária tem dado frutos, como se vê pelos resultados em ambos os campos.

Em Koper, na Eslovénia, onde se sagrou Campeão Mundial Universitário (2008)
Em Koper, na Eslovénia, onde se sagrou Campeão Mundial Universitário (2008)

BnR: Recentemente criaste uma escolinha de futsal, em parceria com a AD Leões Cabanenses, de Gondomar, – a Escolinha de Futsal Amílcar 12. Fala-nos um pouco sobre esse projecto.

A.: O projecto não foi criado por mim. A AD Leões Cabanenses, que é o clube da minha terra, do qual sou sócio, e pelo qual já participei em competições de futsal e de ténis de mesa quando era miúdo, apresentou-me o projecto, no sentido de eu me associar e apoiar, desafio que prontamente aceitei. A Escolinha surgiu com o intuito de proporcionar às crianças a oportunidade, que de outra forma não teriam, de começarem a praticar futsal desde cedo, especialmente agora que a modalidade está em crescendo. Nesta fase do projecto estamos a preparar uma equipa para integrar as competições distritais já no início da próxima época. Estamos a ultimar uns detalhes para fazer a apresentação oficial da Escolinha, que ocorrerá muito brevemente.

Logo da Escolinha de Futsal 'Amílcar 12'
Logo da Escolinha de Futsal ‘Amílcar 12’

BnR: Quais são as vantagens para uma criança de 8 anos em se inscrever numa escolinha como a tua (ou outras que já existam)?

A.: A inscrição de uma criança numa escolinha traz vantagens ao nível do seu desenvolvimento enquanto pessoa. Quer pela questão da saúde, pois incute-se o hábito da prática de exercício de forma regular, promovendo o reconhecimento da importância de um estilo de vida saudável; quer pelo desenvolvimento de competências interpessoais através do desporto, como o trabalho em equipa, o respeito pelo outro, a sociabilidade, entre outras. No caso da Escolinha da AD Leões Cabanenses, firmámos uma parceria com um Centro de Estudos que se situa a 20m da nossa sede, e, desta forma, proporcionamos aos miúdos todas as condições para o seu desenvolvimento integral enquanto pessoa. Acredito nas mais-valias de um projecto como este, e espero que continuemos a levá-lo a bom porto.

BnR: Actualmente já será mais comum mas há 15/20 anos não se ouvia uma criança dizer “quando for grande quero ser jogador de futsal”. O que é que pensavas ser quando tinhas 8/10 anos?

A.: Jogador de futebol. Eu joguei futebol desde cedo, e, até aos 16 anos, era essa a minha ambição.

BnR: Qual é a tua maior referência ao nível do futsal? E do desporto em geral?

A.: O Arnaldo e o Pedro Costa foram as minhas primeiras referências quando comecei a jogar futsal. Além deles, o Ricardinho também é uma referência para mim, pelo percurso que trilhou até se tornar o que é hoje em dia. Na minha opinião, é o melhor jogador do mundo. Do desporto em geral há várias referências. Admiro muito o Cristiano Ronaldo, por exemplo.

BnR: Estás perto de completar 28 anos, pelo que tens ainda mais uns anos pela frente ao mais alto nível. Que sonhos tens por realizar no que ao futsal diz respeito?

A.: Tenho o sonho de ganhar títulos, quer num clube quer pela Selecção. É por isso que me dedico à modalidade.

BnR: De qualquer forma, já pensas no teu futuro pós-jogador? Quais são as tuas perspectivas?

A.: O desporto sempre esteve presente na minha vida, e sempre soube que, de uma forma ou de outra, quero estar ligado a essa área. Foi por isso que decidi fazer toda a minha formação superior nesse âmbito. Neste momento concilio o futsal com a minha actividade profissional. Não sei o que o futuro me reserva, mas adaptar-me-ei da melhor forma, como tenho feito até aqui.

BnR: Como é o dia-a-dia de um jogador semi-profissional, como é o teu caso?

A.: Eu acho que cada caso é um caso, e em alguns o desafio para conciliar a actividade profissional com a prática do futsal é grande. Felizmente para mim, consigo articular ambas de forma relativamente simples e sem esforços de maior. Não é a mesma coisa do que se me dedicasse em exclusivo à modalidade, obviamente, porque, por vezes, depois de um dia de trabalho, mesmo que o crer seja muito, o cansaço, e outros factores derivados do trabalho, influenciam o rendimento no treino, que é sempre ao final do dia. Mas tudo se supera, com esforço e dedicação.

BnR: Para finalizar, onde te vês daqui a 10 anos?

A.: É difícil imaginar um cenário concreto, mas vejo-me a continuar a praticar desporto, ainda que como hobbie. Profissionalmente espero estar a trabalhar também na área do desporto.

 

Se quiser acompanhar e saber mais sobre a carreira de Amílcar Gomes, aceda à sua página de Facebook.

(*) – Os CNU’s já terminaram.

Tau-tau nestes alunos!

opinioesnaomarcamgolos

Luís Castro disse na passada quarta-feira que quando os alunos são bons o professor aparece. O problema é que em Sevilha não apareceu ninguém!

Sem rodeios: o jogo de Sevilha foi, em grande parte, aquilo a que o Porto nos habituou durante a presente época. Com Paulo Fonseca no comando foi tudo muito mau, e agora com Luís Castro só está mau. Este último jogo contra o Sevilha não foi um tropeção… foi algo inevitável. E é fácil explicar porquê. Se se lembram do segundo jogo contra o Nápoles, em que empatámos a duas bolas, a primeira meia hora podia muito bem apresentar o mesmo resultado que vimos esta quinta-feira passada no Rámon Sanchéz Pizjuán. O Porto não tem jogado “à Porto” para depois, pontualmente, jogar mal aqui ou ali. É exactamente o contrário! O Porto tem jogado mal para depois, pontualmente, jogar bem aqui ou ali! Em Nápoles viu-se isso. Podíamos estar a perder por mais do que 1-0 só na primeira parte. Vá lá que depois encaixámos um pouco o nosso jogo, mas a verdade é que nunca fomos consistentes. Em jogos grandes ou pequenos, o Porto tem fraquejado muito. Agora, assumo perfeitamente o meu exagero quando digo que o Porto é por hábito muito fraco. A realidade não é bem essa, mas também não anda longe… Quaresma disse no final do jogo que tínhamos equipa para ganhar ao Sevilha. Concordo, mas só nos tais casos pontuais!

A turma de Luís Castro voltou a desiludir esta época  Fonte: ASP / Getty Images
A turma de Luís Castro voltou a desiludir esta época
Fonte: ASP / Getty Images

No meu último artigo falei de seis problemas que o Porto precisa de resolver o quanto antes. Contra o Sevilha notaram-se muito bem três deles. Herrera na primeira parte esteve muito lento a decidir o que fazer à bola, se bem que na segunda melhorou imenso. Ora aí está: o potencial existe, só é preciso uma ajudinha. O rapaz quando decide, decide bem. As bolas paradas continuam uma nulidade e Quaresma mantém-nas mal batidas. E, por fim, quem não chuta não marca! Os remates de meia distância são uma arma importantíssima no arsenal de qualquer equipa. O que vimos na quinta-feira passada foi um exemplo das dificuldades por que passamos quando não oleamos essa arma. O Sevilha, a ganhar 3-0, viu um jogador seu ser expulso e recuou as linhas todas, fechando-se muito bem na defesa. O Porto ficou sem espaços para criar desequilíbrios e acampou no início do último terço do campo, sem saber como penetrar a defesa espanhola. Já com Quintero, Kelvin e Ricardo em campo, nada parecia assustar o Sevilha. Nas poucas situações de remate de meia distância a bola nunca passou muito longe da baliza de Beto. Quaresma lá conseguiu reduzir a diferença mas já foi tarde.

Perdemos e fomos eliminados. Para mim não foi nenhuma surpresa… Acredito que temos um bom professor e alguns bons alunos, da mesma forma que acreditei que podíamos ganhar a Liga Europa porque somos Porto. Porque quando jogamos “à Porto” somos capazes de ganhar tudo e mais alguma coisa, independentemente dos alunos e do professor, mas a verdade é que temos uma equipa com fragilidades criadas durante meia época e que não podem ser melhoradas em algumas semanas. O facto de termos jogado “à Porto”, uma vez ou outra, só serviu para nos iludirmos. Porque não adianta muito ter um espírito de guerreiro imbatível se o corpo que o acompanha está doente.

Inglaterra dos pequeninos

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Se o meu colega João Martins escrevia ainda esta semana sobre a “guerra dos tronos”, fazendo alusão à luta renhida pela glória final no campeonato Inglês, eu, por outro lado,  aproveito para referir a luta dos “pequeninos”. Fulham, Cardiff e Sunderland batalham pelo direito de continuar na, considerada por muitos, melhor liga do mundo. E, por favor, desenganem-se se pensam que qualquer uma destas equipas já não tem hipótese de assegurar a manutenção. Se há coisa que aprendi a ver a Premier League é que não há impossíveis; depois do título do Manchester City nos últimos segundos, quando no campo do rival já se festejava, eu acredito em tudo.

E acredito, até porque já vi acontecer, que as equipas do fundo da tabela podem perfeitamente ganhar às equipas que estão no topo. Aliás, todos podem ganhar a todos. Talvez seja essa a maior atracção, pelo menos para mim, do escalão principal das terras de Sua Majestade. Portanto, os cinco, seis e sete pontos que separam o Fulham, Cardiff e Sunderland, respectivamente, da linha de água não significam nada quando ainda há cinco jornadas por disputar, sendo que o Sunderland ainda tem três jogos em atraso.

É certo que, como já referi, qualquer um pode ganhar a uma equipa que luta pelos lugares cimeiros. No entanto, convém ter em mente que o Norwich – equipa que milita o 17º lugar – não tem um calendário nada simpático para as últimas jornadas. Vai jogar no terreno do Fulham num jogo que poderá ser decisivo para a equipa londrina, de seguida recebe o Liverpool, depois joga fora contra o Manchester United, volta a Londres para jogar em Stamford Bridge e finaliza a campanha a receber o Arsenal. Ou seja… o futuro não se agoira nada risonho para a equipa do ex-Sporting Wolfswinkel – que teve uma campanha excepcional, com 22 jogos e um golo.

Resta-nos apenas esperar para ver o que se vai passar na recta final deste sempre emocionante campeonato. Será que os três “patinhos feios” desta edição vão conseguir atingir a manutenção? Ou será que a equipa do Norwich vai dar uma de David e derrubar um, ou vários, Golias?

Turim antes de Turim

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Ainda na ressaca dos festejos pela passagem às meias-finais da Liga Europa – que podiam e deviam ter sido maiores, não fosse a infelicidade que encontrou Sílvio – o Benfica conheceu hoje de manhã aquele que é o último obstáculo antes da final de Turim. Ou, por outro lado, recebeu a notícia de que vai poder experimentar o palco da final antes mesmo de esta acontecer – uma espécie de adaptação ao terreno. Apesar de me ter sempre mostrado cauteloso em relação ao campeonato, olho para as competições europeias – neste caso, a Liga Europa – de outra forma, especialmente a partir das fases a eliminar. A responsabilidade é outra, a prioridade é outra, a disposição é outra, a atitude é outra. Se o Benfica eventualmente cair aos pés da Juventus, a campanha encarnada na Liga Europa não vai nunca ser má. Mas analisemos o que nos “calhou na rifa”.

A Juventus não é menos do que um gigante europeu. Com um “currículo” que inclui Taças dos Campeões Europeus, Taças UEFA, Supertaças Europeias, uma Taça das Taças e até Taças Intercontinentais, dúvidas não restam quanto à potência futebolística que é a equipa de Turim. Em Itália, com oito pontos a mais do que o segundo classificado, o AS Roma, preparam-se para ser campeões e reforçar a condição de equipa com mais títulos ganhos na Série A. Mas as “armas” que fazem com que a Juventus seja a equipa que tem sido apontada como favorita para ganhar a Liga Europa não ficam por aqui. Basta olharmos para o plantel e vermos a quantidade de jogadores de luxo que compõe a equipa das riscas pretas e brancas – Buffon, Bonucci, Chiellini, Pirlo, Tévez, Llorente – e a qualidade de jogadores como Asamoah ou Vidal para percebermos que o colectivo italiano não será um adversário fácil. Esta é uma Juventus diferente daquela que em 2006 desceu à Série B como consequência do escândalo de futebol que assaltou a Liga Italiana nesse ano. Apesar de manter o “código” italiano, é uma equipa renovada e está de volta a uma fase de excelência desde há dois anos para cá.

A última vez que Benfica e Juventus se defrontaram para a Europa aconteceu na Taça UEFA de 1992/1993. O Benfica ganhou o primeiro jogo (2-1) e perdeu o segundo (3-0). A Juventus viria a ganhar a Taça UEFA nesse ano
A última vez que Benfica e Juventus se defrontaram para a Europa foi na Taça UEFA de 92/93. O Benfica ganhou o primeiro jogo (2-1) e perdeu o segundo (3-0). A Juventus viria a vencer a competição nesse ano

Quanto à meia-final, existem vantagens de parte a parte. Por um lado, se era preferível “antecipar” o jogo, uma vez que seria muito difícil jogar contra a Juventus em casa na final e ter a oportunidade de disputar metade da eliminatória na Luz, por outro lado ter de fazer as contas finais em Itália, na segunda-mão, não será, de todo, “pêra doce”. Para além disso, a Juventus é uma equipa super motivada para jogar a final em casa, como é natural. Por outro lado, caso o Benfica consiga não sofrer golos em casa, ou eventualmente sair de Lisboa com uma vantagem e souber geri-la em Itália, decerto que a final contra Sevilha ou Valência será mais apetecível do que se o sorteio assim não o tivesse ditado. Para todos os efeitos, acredito que a maior batalha que vai existir será no meio-campo, e aqui a Juventus pode ter vantagem caso Jesus não desenhe uma estratégia específica. É que para além de um “miolo” de qualidade e competência assinaláveis com Pirlo, Pogba e Vidal, as surpresas podem aparecer também das alas, através de Asamoah e Lichtsteiner. Por outro lado, a Juventus não é equipa de golear, de ter um jogo ofensivo mais estendido ou que jogue recorrentemente com espaços largos, o que vai exigir do Benfica uma grande concentração e capacidade de esperar pela oportunidade. Ainda assim, o poderio ofensivo do Benfica ou a pressão alta com que encara os jogos pode também inibir a progressão da Juventus. Em jeito de prognóstico, acredito que esta será uma eliminatória com poucos golos e provavelmente com um empate numa das mãos. No entanto, tudo dependerá da forma como as equipas se encaixarem a defender e a atacar e da margem que for dada para desequilíbrios. Ambas as formações têm uma boa circulação e capacidade de manutenção de bola, o que pode acabar por ser fulcral na hora de arranjar caminho para o golo. Se a batalha do meio-campo se anular, Markovic, Salvio ou Gaitán podem ser cruciais para conseguir fazer o Benfica chegar ao último terço do campo.

Seja como for, em teoria, o campeão é o mais forte e aquele que não caiu aos pés de nenhuma equipa ao longo de toda a competição. Nessa medida, à semelhança de PAOK, Tottenham e AZ Alkmaar, também a Juventus vai ter de ficar pelo caminho se o Benfica quiser prosseguir com o sonho europeu.

UEFA Youth Cup – Benfica 4-0 Real Madrid: Tudo fácil e apuramento histórico

futebol de formação cabeçalho

Dois penaltys. Uma expulsão. Três golos. Tudo em 17 minutos de jogo. O Benfica avançou sem contemplações perante uma das mais cotadas formações do mundo do futebol e conseguiu um apuramento histórico para a primeira final da UEFA Youth League.

Aconteça o que acontecer, o Benfica já tem o seu nome registado nesta primeira Liga dos Campeões na categoria de sub-19. Depois de eliminar equipas como o PSG, Áustria de Viena ou Manchester City, a equipa (muito bem) comandada por João Tralhão confirmou que tudo aquilo que tem acontecido não é por acaso. Esta equipa de jovens jogadores do Benfica tem mesmo muito talento. A segurança e agilidade do guarda-redes Thierry Graça, o tremendo sentido posicional e tático do defesa-central João Nunes, os movimentos de fino recorte técnico de Rochicha (ah!, aquele penalty à Panenka…) e Guzzo, as movimentações rápidas e de desequilíbrios constantes de Guedes e Nuno Santos, a frieza e rapidez de Hildeberto Pereira… Enfim, poderia estar aqui a descrever ainda mais individualidades deste super-competitivo plantel do Sport Lisboa e Benfica. Não o vou fazer. Até porque muita coisa pode vir a mudar no futuro. Muitos deles, de facto, nunca deverão chegar a ser jogadores do plantel principal. Uns por falta de qualidade, outros, claro, porque serão tapados por jogadores externos ao clube.

A questão aqui é tão-somente uma: em Portugal há imenso talento. É pena que o Benfica não aposte tão regularmente nos seus jovens, mas esta acaba por ser uma opção que não pode ser criticada. É completamente diferente jogar neste nível e a um nível mais sério e profissional, como jogam os profissionais da equipa A de Jorge Jesus.

Ainda assim, e voltando à questão principal deste texto, que é o jogo propriamente dito, devo confessar que esperava muito mais de uma equipa do Real Madrid. Erros absolutamente inacreditáveis e infantis contribuíram para que o desfecho do encontro fosse este. Foram assinalados 3 (!) penaltys a favor do Benfica (todos eles bem marcados, diga-se) e os comandados de João Tralhão apenas necessitaram de jogar no (constante) erro do adversário. Os jogadores encarnados não só demonstraram superioridade no capítulo técnico e tático, como também a nível de maturidade. Os 3 golos no início do encontro permitiram gerir a vantagem, dando até muitas vezes o jogo ao Real Madrid para ter o controlo do jogo sem bola. Foi sem surpresas que o resultado ainda se dilatou mais, para os 4 golos sem resposta.

À semelhança do que costuma acontecer na equipa principal, a que hoje jogou deu também a ideia de que se os jogadores acelerassem um pouco mais a velocidade das suas transições, o resultado poderia ter sido ainda mais avolumado.

Como adepto de bom futebol, até gostaria que isso tivesse acontecido. Mas entendeu-se a contenção dos jogadores do Benfica. Segunda-Feira disputa-se a grande final e convém ter a equipa toda na máxima força. E esse pode ser um dia histórico.

Seria fantástico para Portugal ter uma equipa portuguesa como primeira vencedora desta competição. Um motivo de orgulho que não deve surpreender ninguém. Em Portugal, temos as melhores camadas jovens do mundo. E atenção: para o ano temos também o Sporting na competição. Promete!

Benfica 2-0 AZ Alkmaar: Final de Turim ali ao virar da esquina…

Terceiro Anel

Pela terceira vez em quatro anos, o Benfica está nas meias-finais da Liga Europa. De facto, a equipa portuguesa já recuperou quase por completo o seu prestígio internacional, assumindo-se cada vez mais como um peso pesado, pelo menos no que diz respeito à segunda competição mais importante do futebol europeu.

Tal como se esperava, o Benfica acabou por não sentir grandes dificuldades para superar o Alkmaar. A equipa holandesa é voluntariosa, faz o que pode, mas fica a milhas de um Benfica muito forte, que conta com um plantel incomparavelmente melhor, e que joga com uma segurança tremenda. De facto, este Benfica é claramente um grande candidato a vencer esta competição. Tem muitas soluções; os jogadores jogam quase de olhos fechados entre si; o ambiente entre a equipa e adeptos é de uma total sintonia, neste momento.

Porém, há que referir que o Benfica esteve longe de realizar uma exibição de sonho. Mas também não era preciso mais! Com jogos tão importantes como aqueles que aí vêm, os comandados de Jorge Jesus geriram a partida a seu bel-prazer, não permitindo praticamente uma única oportunidade de golo ao Alkmaar.

Um dos momentos mais tristes da temporada benfiquista, a grave lesão de Sílvio Fonte: zerozero.pt (Carlos Alberto Costa)
Um dos momentos mais tristes da temporada benfiquista, a grave lesão de Sílvio
Fonte: zerozero.pt (Carlos Alberto Costa)

E depois, para além de todo este grande  momento do líder do campeonato, outro facto que deixa, e com razão, toda a nação benfiquista em êxtase: o regresso à grande forma de Salvio, que esta noite regressou aos seus grandes tempos, com sprints vertiginosos, passes decisivos, com uma alegria contagiante. Nos dois golos do Benfica, apontados aos 40 e aos 72 minutos – ambos apontados por Rodrigo (está num fantástico momento de forma o avançado hispano-brasileiro) -, Salvio mostrou toda a sua classe, com velocidade, técnica e precisão a conjugarem-se de uma forma perfeita. Pena que Óscar Cardozo não tenha marcado nenhum golo, porque o avançado paraguaio bem tentou fazer o gosto ao pé, tendo sempre o público da Luz a seu lado.

Contudo, e para grande tristeza dos adeptos do Benfica, e dos adeptos de futebol em geral, o desafio ficou marcado pela grave lesão de Silvio, que ao que tudo indica poderá ter acabado com o que resta da temporada para o lateral encarnado. Sem dúvida de que se trata de uma terrível notícia para Silvio, para o Benfica e para o futebol português, e isto porque este polivalente jogador era claramente um atleta a ter em conta, e de que forma, para ser chamado ao Campeonato do Mundo.

Em suma, resta esperar pelo sorteio de amanhã, que irá ditar as meias-finais desta Liga Europa. Uma coisa é certa: este Benfica é um candidato a vencer a prova, qualquer que seja o adversário que calhe em sorte. E não vale a pena pensar no fantasma da época passada, porque com a confiança e qualidade de jogo evidenciadas semana após semana pelos encarnados, é impossível que certos receios ensombrem o que quer que seja.

 

A Figura
Eduardo Salvio – Grande exibição do extremo argentino, que provou estar de regresso aos seus grandes momentos. Repentista, desequilibrador nato, brilhou no relvado da Luz. Notáveis iniciativas que deram origem aos dois golos do Benfica. Em grande, “El Toto”!

O Fora-de-Jogo
Lesão de Sílvio – Fatídico momento aquele em que, logo no início do desafio, Silvio se lesionou gravemente. Um grave problema físico é sempre de lamentar, mas a situação ainda se torna mais triste quando vemos que ocorreu com um atleta muito fustigado por lesões, ao longo da sua carreira, e que estava a realizar uma grande temporada. As mais sinceras melhoras para este excelente futebolista.

Sevilha 4-1 FC Porto: Atraiçoar o passado

dosaliadosaodragao

Da imensa história que o FC Porto tratou de escrever, de Sevilha consta uma das suas páginas mais bonitas – quem recorda uma noite quente de Maio de 2003, sabe que a cidade anfitriã se apaixonou e rendeu a uma das mais épicas finais europeias da história (o FC Porto 3-2 Celtic Glasgow, no Estádio Olímpico), numa demonstração de qualidade, classe e sofrimento do Dragão. Havia, então, Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Maniche, Deco, Alenitchev ou Derlei. Da mesma forma que, já mais recentemente, em 2011, com Rolando, Moutinho, Hulk e James, a mesma cidade havia testemunhado competência, equilíbrio, paixão e mais uma vitória do Dragão (o Sevilha 1-2 FC Porto, nos dezasseis-avos de final). Em qualquer dos casos, o FC Porto foi feliz em Sevilha; em qualquer das situações, o sonho europeu construiu-se em Sevilha. Sempre na Liga Europa.

Com saudades da sua Terra dos Sonhos, o comum e mortal adepto portista, chegado à capital da Andaluzia, sorriu: havia confiança, crença e comodidade com o calor (ainda assim muito menos do que em 2003), o mesmo que o fazia sentir-se nostálgico. Até ao apito inicial de Gianluca Rocchi. Porque, a partir daí, todos esses sentimentos foram violentados…

Ainda o Ramón Sánchez Pizjuán memorizava os onzes iniciais (o do FC Porto sem Fernando e Jackson, mas com Defour, Herrera e Carlos Eduardo no meio-campo e Ghilas a ‘9’) e já o argelino e o belga faziam cerimónia na hora do remate. A partir daí quem não teve cerimónia nem contemplações foi o Sevilha: pegou no jogo, partiu para cima do FC Porto e marcou três golos em 25 minutos. Primeiro por Rakitic (5’) na transformação de uma grande penalidade (a castigar um desmaio de Bacca, e cuja origem do lance é ilegal por fora-de-jogo), depois por Vitolo (26’), consequência de uma péssima abordagem ao lance de Danilo, e, finalmente, por Bacca (30’), após um lance inaceitável numa competição deste nível, em que a bola andou a saltar dentro da grande-área portista sem que ninguém a aliviasse.

O FC Porto nunca soube amedrontar o Sevilha  Fonte: UEFA
O FC Porto nunca soube amedrontar o Sevilha
Fonte: UEFA

Nesta primeira meia hora, assistiu-se a um Dragão demasiado intranquilo e desconcentrado, com uma incapacidade gritante de segurar a bola e controlar o jogo, com inúmeros passes falhados, transformando uma boa equipa do Sevilha – é verdade – num autêntico bicho papão. O cenário não podia ser pior e a equipa procurou, de algum modo, regressar ao jogo: Quaresma ia tentando (ainda que nem sempre com as melhores tomadas de decisão), Herrera revelava-se esforçado e voluntarioso mas Carlos Eduardo e Varela nunca apareceram para dar apoio a um desamparado Ghilas. Focando-se, o conjunto azul-e-branco acabou por criar três lances de perigo no final da primeira parte: Herrera (38’), Defour (41’) e Quaresma (43’) assinaram remates que criaram relativo perigo; por outro lado, o próprio Sevilha baixou o seu ritmo – Rakitic e M’bia foram reis e senhores do espaço central em toda a primeira meia hora da partida – mas sempre que possível esticava o seu jogo, procurando o oportuno Bacca.

Se havia um plano de jogo, o mesmo havia sido traído por Rocchi e apunhalado pelos próprios jogadores portistas, com tamanha apatia e incapacidade de suster o ímpeto (normal e expectável) do adversário. Ao intervalo, como que tentando ressuscitar a equipa, Luís Castro trocou Carlos Eduardo e Varela por Quintero e Ricardo. O certo é que o FC Porto melhorou substancialmente: Ghilas podia ter marcado de pontapé-de-bicicleta (num lance que acabou com a expulsão do treinador portista) e Quaresma enviou uma bola à trave, ainda antes de Coke, defesa direito do Sevilha, ser expulso (53’). Contra 10, a equipa passou a acreditar um pouco mais e voltou a dispor de oportunidades, quer por Herrera (54’), quer, logo de seguida, por Quaresma. No entanto, a equipa sevilhana respondeu bem: Emery substituiu Reyes por Diogo Figueiras e montou a equipa da melhor forma, com um bloco baixo mas coeso e com Bacca (e depois Gameiro) e Vitolo sempre à espreita de uma oportunidade.

Sem ter concretizado as oportunidades de que dispora e com imensa posse de bola, o FC Porto revelou-se, ainda assim, muito previsível e inconsequente. Mesmo a entrada de Kelvin (por troca com Danilo) não surtiu efeito; pelo contrário, a equipa tinha muita gente com capacidade para circular a bola mas dois extremos que se colavam à linha (óptimo para dar largura mas muitas vezes inconsequente pela forma individualista como definiam as jogadas) e que nunca se aproximavam do ponta-de-lança, deixando Ghilas a viver num plano fechado, demasiadas vezes desacompanhado na área. A lucidez e a crença tornaram-se inversamente proporcionais ao tempo que havia para jogar e o FC Porto nunca conseguiu, sequer, criar o mínimo perigo que alimentasse uma ténue esperança que ainda pudesse haver.

M'Bia foi intransponível na 1ª parte e Kelvin, na 2ª, não trouxe nada de novo  Fonte: UEFA
M’Bia foi intransponível na 1ª parte e Kelvin, na 2ª, não trouxe nada de novo
Fonte: UEFA

Não compreendendo a entrada de Kelvin (pouca maturidade e experiência nestas andanças), a solução menos má seria ter lançado Licá para junto de Ghilas, ganhando presença na área e capacidade de disputar as segundas bolas, parece-me. Com Kelvin em campo, então por que não adiantar Mangala (ou Reyes) para área, numa solução de recurso, com o mesmo intuito? O tempo era já curto e o risco teria de ser maior… O mesmo risco que acarreta uma equipa subida e que dá espaço nas costas da sua defesa: eis o que permitiu ao Sevilha chegar ao quarto golo, por intermédio de Gameiro, após uma rápida transição (79’).

Se já era quase impossível, o FC Porto percebeu que os dias na Liga Europa 2013/2014 estavam contados. O FC Porto que Sevilha conhecia não foi aquele que esteve, esta noite, nessa quente e bonita cidade. Por isso, Quaresma, num assomo de brio, trataria de assinar o mais belo momento da partida, num grande remate, que mais não foi do que deixar em Sevilha um resquício do FC Porto de outrora. Daquele que nunca desiludia a Terra dos seus Sonhos.

A Figura: Hector Herrera.
Não foi um jogo brilhante do mexicano, longe disso. Porém, foi sempre ele que desequilibrou em termos individuais no centro do terreno, rematando ainda à baliza com perigo e nunca fugindo do jogo e da bola. A relativa boa ponta final do FC Porto na primeira parte muito a ele se deve.

O Fora-de-jogo: Silvestre Varela.
Entre Carlos Eduardo e Varela, a decisão é difícil: ambos estiveram desaparecidos do jogo. De todo em todo, a opção pelo português resulta de, em jogos como o desta noite, os jogadores mais experientes terem a obrigação de assumir a causa e estar num plano de concentração e clarividência superior ao dos elementos mais novos. Ora, Varela, precisamente, esteve ausente.

 

Luta goleadora

A luta pelo título de melhor marcador está bem acesa e promete ficar decidida só mesmo na última jornada. Vários jogadores almejam este prémio, entre eles algumas surpresas, como Drmić, Raffael e Roberto Firmino. Vou, com este texto, fazer uma breve análise aos principais candidatos.

Mario Mandzukic – o ponta-de-lança croata está empatado com Lewandowski. Ambos já apontaram 17 golos, mas Mandzukic parte em vantagem, já que tem menos jogos disputados e, consequentemente, menos minutos jogados. O jogador do Bayern München tem uma oportunidade de ouro de deixar o seu nome gravado na história da competição, uma vez que esta poderá ser a sua última ‘grande’ época no clube da Baviera. Convém lembrar que, para o ano, o mais que provável avançado titular da equipa de Guardiola, Robert Lewandowski, será o seu maior rival nesta luta actual.

Robert Lewandowski – Lewandowski é, sem dúvida, um dos melhores pontas de lança do Mundo, se não mesmo o melhor. Com a saída de Mario Götze para o Bayern München, o polaco afirmou-se ainda mais como a principal figura do conjunto de Jurgen Klopp e já marcou 17 golos, tantos como Mario Mandzukic. São dois jogadores muito diferentes. Lewandowski é muito mais móvel e aparece muitas vezes em zonas mais recuadas a vir buscar o jogo para si. É um jogador com uma entrega muito maior, com uma qualidade técnica e de remate também muito maior do que a do croata. Convém relembrar que quatro destes 17 golos foram obtidos através de pontapés da marca de grande penalidade. Mesmo que não seja coroado o rei dos golos desta Bundesliga, Lewandowski é o jogador no qual apostaria todo o meu dinheiro em como irá vencer na próxima época ao serviço do Bayern München.

Josip Drmić – Aos 21 anos, Drmić é provavelmente a grande revelação desta Bundesliga. O jogador suiço conta com 16 golos, quase metade dos já obtidos por toda a sua equipa do FC Nürnberg. Com uma média de 0.57 golos por jogo, o suíço será um alvo apetecível já neste Verão. O Borussia Dortmund precisa de um ponta de lança e todos sabemos que Klopp aposta muito nos seus jovens. Contudo, não está sozinho na luta pelo avançado, já que Olic caminha para os seus 35 anos e começa a chegar a altura de os responsáveis do Wolfsburg pensarem na renovação da posição.

Josip Drmić factura a cada 138 minutos, nada mau para uma equipa que ocupa um lugar na zona de despromoção Fonte: Getty Images
Josip Drmić factura a cada 138 minutos, nada mau para uma equipa que ocupa um lugar na zona de despromoção
Fonte: Getty Images

Adrián Ramos – depois desta enorme época, é muito provável que Ramos conquiste um lugar nos 23 escolhidos por José Pekerman para representar a selecção colombiana no Brasil. Tem-se mostrado absolutamente letal na posição e, já com 28 anos, terá neste Verão a última oportunidade de assinar um contrato com uma equipa maior do que o Hertha Berlin. Os 16 golos são a prova de que Adrián Ramos é um jogador muito parecido a Jackson Martínez – é bastante completo, finaliza bem com os dois pés, muito perigoso nas bolas pelo ar e muito forte fisicamente.

Raffael – o irmão de Ronny (ex-Sporting e União de Leiria) é a grande figura do Borussia M’gladbach e é a grande surpresa desta luta, já que se trata de um jogador que ocupa a posição de médio. Mas não é um médio qualquer: é um médio que pensa como um avançado, um pouco à imagem de Yaya Touré. Raffael tem sempre a baliza adversária como alvo, e os seus 15 golos marcados demontram que o brasileiro é mesmo um médio com características diferentes, aparecendo imensas vezes nas áreas de finalização.

Roberto Firmino – O TSG 1899 Hoffenheim começa a ser demasiado pequeno para um jogador desta qualidade. Que bem que lhe fica o número 10 nas costas. Roberto Firmino marcou, até agora, 14 golos e é um típico médio ofensivo brasileiro, um jogador com uma técnica muito acima da média, com um remate muito fácil e um exímio cobrador de bolas paradas, tudo isto com apenas 22 anos. Trata a bola como poucos, e clubes interessados não devem faltar. Esta foi a quarta e provavelmente última época ao serviço do Hoffenheim.

Quantos milhões serão necessários para resgatar Roberto Firmino? Fonte: Getty Images
Quantos milhões serão necessários para resgatar Roberto Firmino?
Fonte: Getty Images

Stefan Kiessling – depois de ter sido o melhor marcador da época passada, Kiessling aparece este ano mais longe do topo com ‘apenas’ 14 golos. O eterno preterido alemão continua ainda assim a ser a principal figura do Bayer Leverkusen e a ser fundamental para as vitórias do clube alemão, mas a verdade é que já tem 30 anos. Foi um jogador que poderia ter sido muito mais do que aquilo que foi.

Marco Reus – esta foi mais uma excelente época do alemão. Com 13 golos marcados, a grande pergunta é: será Reus o último resistente do trio Reus/Götze/Lewandowski? Não me parece. Reus é claramente um jogador muito acima da média e já de créditos firmados. A nível clubístico já venceu quase tudo o que disputou, tendo apenas perdido a final da Liga dos Campeões na época passada, para o Bayern München, e deverá assim abandonar o clube que o formou. Clubes ingleses, como Arsenal e Manchester United, precisam de renovar o ataque e chamam por ele.

Pierre-Emerick Aubameyang – o internacional pela selecção do Gabão é dos jogadores mais rápidos do Mundo. Teve uma estreia de sonho pelo seu novo clube, apontando três golos no seu primeiro jogo. A estes três somou mais 10, e é uma das novas caras que prometem renovar o ataque do Borussia Dortmund. O excêntrico jogador ganhará maior protagonismo já na próxima época, com a saída já confirmada de Robert Lewandowski e ainda com a muito possível transferência também de Marco Reus.