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SL Benfica 1-1 Moreirense FC: “Encarnados mais empate” dita adeus à liderança

A CRÓNICA: BEM-VINDOS AO FESTIVAL DE OPORTUNIDADES FALHADAS

Conscientes da importância do seu apoio para embalar a equipa para o triunfo, os adeptos presentes na Luz afinaram as vozes para motivar os comandados de Bruno Lage que tiveram a primeira ocasião da partida frente ao Moreirense FC à passagem do minuto seis, num livre lateral batido por Grimaldo e a tentativa de corte do central Iago Santos quase resultava num autogolo.

A resposta do Moreirense FC apareceu, aos 12’, por intermédio de Fábio Abreu que, na cara de Vlachodimos, não conseguiu direcionar bem o seu remate.

A lentidão de processos ia sendo a nota dominante no jogo encarnado, com os homens adiantados a darem preferência às combinações em zona em que se pedia um disparo à baliza de Mateus Pasinato e isso acabava por impedir a criação de lances perigosos. Apesar do controlo do jogo pertencer sem surpresas ao conjunto visitado, a turma de Moreira de Cónegos não deixou de ir à procura de marcar: em excelente posição para inaugurar o marcador, João Aurélio cabeceou por cima depois de um bom trabalho de Bilel no lado direito.

O lance serviu de mote para o SL Benfica intensificar a pressão para quebrar o nulo que estava a imperar e até Rúben Dias (37’) e Grimaldo (39’) ficaram perto de marcar, mas o 0-0 manteve-se até ao apito de Carlos Xistra para o intervalo.

O intervalo pareceu surtir efeito para os encarnados, que, logo aos 46′, viu Fábio Veríssimo a apontar para a marcar dos onze metros. Tomás Tavares cruzou e a bola embateu na mão de Gabrielzinho, mas Pizzi quis afastar tanto a bola do guarda-redes que falhou escandalosamente a baliza. Seguia tudo igual e, quatro minutos depois, gritou-se golo… mas foi anulado. Novo centro de Tomás Tavares, à primeira Mateus Pasinato defendeu e a bola foi contra Pizzi, que com a mão atira ao poste. Depois, apareceu Rafa para dar o toque final, porém, o golo foi anulado com a ajuda do VAR.

Quem não marca? Pois é… O Moreirense FC, que estava em sufoco total durante esta segunda parte, conseguiu soltar-se pelo lado esquerdo e congelar o Estádio da Luz. Aos 67′, início de jogada pelo recém entrado Luís Machado, que encontrou Adbu Conté. Este cruzou de modo perfeito para Fábio Abreu aparecer para marcar o primeiro na partida (0-1). O segundo não chegou por mero acaso, não fosse Luís Machado rematar tanto em jeito e estaríamos num cenário muito pior para os encarnados.

Aos 89′, Cervi apareceu como uma flecha para arrancar novo penalti no Estádio da Luz. Pizzi falhou novo penalti, mas na recarga ainda conseguiu empatar a partida a um golo. O tempo adicional mínimo foi de OITO MINUTOS e o SL Benfica carregava para ainda conseguir os três pontos, mas não houve alteração no resultado.

O mês de fevereiro foi péssimo para os encarnados, mas março começou ainda pior com o empate caseiro frente ao Moreirense FC perdeu-se a liderança da Primeira Liga. As águias estão agora com 58 pontos, menos um do que o FC Porto, que é o novo líder com 59 pontos. Quanto aos cónegos ficam em 11.º lugar com 27 pontos e saem de Lisboa com um grande resultado na bagagem rumo a Moreira de Cónegos e à manutenção.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Mateus Pasinato – Fundamental na parada de muitas oportunidades que, certamente, podiam ter dado golo e transmitia segurança ao sua defensiva quando a equipa mais precisava. Defendeu um dos penaltis de Pizzi, mas a bola foi para a frente e acabou por sofrer o golo. Mas sem as suas defesas o Moreirense podia não ter saído daqui com o ponto precioso.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Pizzi – Passes errados, dois penaltis falhados e a única coisa que se safou deste jogo foi o golo do empate. O nível que o médio português nos habituou não está de todo nesta parte da temporada e como já sabemos se estiver apagado os encarnados passam imensas dificuldades. Onde andará o Pizzi que vimos na época passada? Ou devemos perguntar onde está o Benfica da época passada?

Benfica 1-1 Moreirense: Encarnados mais empate dita adeus à liderança

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Com o foco total na Liga, o SL Benfica apresentou-se esta noite no seu típico 4-4-2 com o núcleo duro a jogar de início. Bruno Lage apostou na “Fórmula Barcelos”: Samaris voltou ao onze inicial e foi uma peça fundamental para dar maior músculo ao meio-campo encarnado, apoiando Weigl que recebeu algumas críticas, depois da partida com o Shakthar Donetsk.

Taarabt jogou um pouco mais subido no terreno, atuando como segundo avançado e servindo Carlos Vinícius que também regressou ao onze inicial – rendeu Dyego Sousa, que foi o titular na passada quinta – e provou mais uma vez que é de facto o porquê de ser o titular na frente de ataque: bastante móvel e a combinar bem com os extremos Pizzi e Rafa Silva, soube causar o pânico na defesa adversária. As substituições na segunda parte, principalmente, a primeira com a saída de Weigl, o Benfica acabou por perder o controlo do jogo a meio campo e foi prejudicial à equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (5)

Grimaldo (6)

Rúben Dias (5)

Ferro (5)

Tomás Tavares (4)

Samaris (5)

Weigl (4)

Taarabt (6)

Pizzi (4)

Rafa Silva (6)

Carlos Vinícius (5)

SUBS UTILIZADOS

Dyego Sousa (6)

Cervi (6)

Jota (-)

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

O Moreirense FC jogou no seu sistema habitual 4-3-3, com Alex Soares a voltar a jogar de início, algo que já não acontecia desde jogo frente ao SC Braga (dia 29 de janeiro). Impedido de usar o grande trunfo Nuno Santos, Ricardo Soares teve de fazer uma mexida forçada no seu onze inicial – o já referido Alex Soares atuou no lugar do médio emprestado pelas águias -, que tinha estado em bom plano de evidência nos últimos quatro jogos com duas vitórias e dois empates.

Os cónegos deram a iniciativa do jogo ao Benfica, mas sempre que tiveram espaço, conseguiram sair da zona de pressão com qualidade e até foram à procura de causar mossa na defesa encarnada, sendo que dispuseram de duas ocasiões flagrantes para se adiantarem no marcador (Fábio Abreu aos 12’ e João Aurélio aos 31’). O 4-3-3 tornava-se rapidamente no 4-5-1 na transição defensiva, formando um bloco defensivo compacto e difícil de furar. Preferência de ataque pelo lado de Tomás Tavares e que resultou mesmo no único golo dos cónegos no jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mateus Pasinato (8)

João Aurélio (6)

Iago Santos (6)

Lazar Rosic (6)

Abdu Conté (7)

Fábio Pacheco (6)

Filipe Soares (6)

Alex Soares (6)

Bilel (5)

Gabrielzinho (6)

Fábio Abreu (7)

SUBS UTILIZADOS

Luís Machado (6)

Pedro Nuno (5)

Steven Vitória (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Bruno Lage.

Moreirense FC

BnR: Durante grande parte do encontro, viu-se o Moreirense a atacar bastante pelo lado esquerdo, tanto que foi nesse lado que acaba por surgir o golo apontado por Fábio Abreu. Essa opção tática foi com o objetivo de aproveitar algumas debilidades defensivas do jovem lateral Tomás Tavares?

Ricardo Soares: Não, de todo. O Tomás Tavares é um excelente jogador e com muito potencial. É um lateral que dá muita profundidade ao SL Benfica e faz movimentos de rotura muito bem, assim como, consegue ultrapassar bem as linhas defensivas. Também cria grandes desequilíbrios e tem uma grande facilidade de chegar à grande área, mas sabemos que tem algumas dificuldades defensivas. Nós atacámos pelos espaços que devíamos atacar e se o Tomás Tavares ataca muito aquele espaço [lado direito da defesa do Benfica] fica descoberto e entendíamos que era ali que podíamos criar problemas. Não foi menosprezar a qualidade do jogador, porque tem muita qualidade.

Rescaldo de opinião de Guilherme Costa e João Pedro Barbosa

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

CD Santa Clara 0-2 FC Porto: A Agressividade do Norte levou a melhor dos Açorianos

A CRÓNICA: COMPETITIVIDADE DO NORTE VS COMPETITIVIDADE AÇORIANA DO CD SANTA CLARA

A semana começa com a 23ª jornada, onde o CD Santa Clara e o FC Porto disputam os 3 pontos. Nesta altura, o Porto encontra-se pressionado para conseguir alcançar o tão esperado primeiro lugar na tabela classificativa. Por outro lado, temos um CD Santa Clara menos ansioso, pois encontra-se numa boa posição na tabela classificativa. Apesar disso, o objetivo, conforme o técnico da equipa açoriana referiu, na antevisão da partida, é deixar os 3 pontos nos Açores.

A partida começou algo quente. O Santa Clara começou por cima na partida, a mostrar-se mais agressivo e a conseguir chegar com mais facilidade à área do Porto. O clube do Norte tentou ainda criar linhas de passe, mas sem conseguir trazer perigo para a partida. O jogo acabou por acalmar os ânimos iniciais, mas não por muito tempo.

Depois de um passe certo de Sérgio Oliveira, Manafá remata rasteiro para o canto inferior esquerdo, desviando no poste para dentro, inaugurando, assim, o marcador aos 37 minutos.

Aos 42 minutos, o árbitro da partida, Carlos Xistra, mostra a cartolina vermelha após um encontrão entre Manafá e Costinha que deixou o jogador do Santa Clara algo queixoso no chão. Após rever as imagens no VAR, Xistra retira o cartão que havia sido dado no calor do momento e, mostra a cartolina amarela por entender que seria apenas um choque entre os dois.

Apesar da agressividade das duas equipas, poucas foram as oportunidades de golo, deixando o jogo um pouco passivo e concentrado a meio campo.

O jogo retomava para a segunda parte com o Porto a entrar melhor em campo. Para quem pensava que o jogo ficaria mais calmo, engane-se. Aos 54 minutos, Carlos Jr. remata a redondinha para a trave de baliza de Marchesin, deixando o aviso da vontade de marcar. Mais tarde, aos 69 minutos, Marco Pereira, numa saída para apanhar a bola, acaba por chocar contra Otávio. O árbitro marca penálti a favor do Porto, no entanto Alex Telles marca para a barra. Este penálti deixou o povo açoriano ao rubro como se de um golo se tratasse.

Aos 75 minutos, através de um livre marcado por Sérgio Oliveira que coloca a bola na cabeça de Marcano, que coloca a bola nas redes de Marco Pereira através de um cabeceamento, deixando-o sem tempo de reação, acabando por sofrer o 2º golo da partida.

Apesar das várias tentativas de mudar o resultado, a diferença continuaria até ao apito final. Deste jogo, fica na memória o golo inesperado de Manafá e a agressividade das duas equipas para levar os três pontos.

 

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Sérgio Oliveira – Esteve presente nas duas assistências dos dois olhos sendo fulcral para os mesmos.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: CD Santa Clara

Marco Pereira – O guardião das redes açorianas não esteve ao nível a que estamos habituados, acabando por sofrer dois golos.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

O técnico da equipa Açoriana apresentou-se com o seu habitual onze e o esquema tático 4-4-2. Procurou ter maior consistência defensiva, maior posse de bola e realizar maiores transições. No entanto, não foi o suficiente para derrubar o adversário.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES

Marco Pereira (3)

Zaidu (6)

João Afonso (5)

Fábio Cardoso (5)

Sagna (5)

Carlos Jr. (6)

Francisco Ramos (5)

Anderson Carvalho (6)

Lincoln (6)

Thiago Santana (4)

Costinha (6)

SUBS UTILIZADOS

Ukra (5)

Cryzan (-)

Salomão (-)

 

ANÁLISE TÁTICA: FC PORTO

Sérgio Conceição adotou o esquema tático a que estamos habituados a ver, o 4-4-2 que acabaria por se desdobrar em 4-4-3. Danilo voltou à lista de convocados após ter estado fora da mesma frente ao Bayer Leverkusen e o Portimonense. Zé Luis ficou de fora dando a oportunidade a Fábio Silva de se juntar à equipa principal, apesar deste não ter jogado.

 

ONZES INICIAIS E PONTUAÇÕES

Marchesín (5)

Manafá (6)

Mbemba (6)

Marcano (6)

Alex Telles (5)

Tecatito Corona (5)

Sérgio Oliveira (7)

Danilo (6)

Otávio (6)

Marega (4)

Soares (5)

 

SUBS UTILIZADOS

Romário Baró (5)

Pepe (-)

Nakajima (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Santa Clara

BnR: A eficácia foi preponderante para o resultado final?

João Henriques: Sim, sem dúvida. O Porto teve dois remates enquadrados e deu origem a dois golos. Tivemos 3 remates enquadrados e 0 golos. Apesar disso, o Santa Clara fez um jogo com qualidade tanto individual como coletiva- Estamos num bom momento apesar da derrota e hoje deixamos os açorianos orgulhosos.

FC Porto

BnR: Sente que este foi um jogo difícil?

Sérgio Conceição: Cada jogo é um jogo e tem características diferentes. O Santa Clara é um clube com qualidade e com jogadores com essa mesma qualidade, por isso foi uma vitória difícil, mas merecida. Os meus jogadores mostraram qualidade e estiveram bem.

Foto de Capa: Raquel Roque / Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

FC Famalicão x Sporting CP: A fuga à crise leonina

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GANHAR É URGENTE. QUEM SAI A SORRIR?

Nesta jornada, 23ª, a turma leonina desloca-se a Vila Nova de Famalicão para defrontar uma das surpresas deste campeonato, o FC Famalicão. Com seis pontos de diferença, o Sporting CP procura manter a perseguição ao terceiro lugar, SC Braga, enquanto os Famalicenses procuram uma aproximação ao pódio, onde passaram uma boa parte da primeira volta.

UMA DERROTA DO SPORTING CP EM FAMALICÃO PODE DEIXAR A LUTA PELA EUROPA AO RUBRO. QUE RESULTADO TEREMOS? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Na sexta jornada do campeonato, o FC Famalicão saiu a sorrir de Alvalade, levando os três pontos numa vitória por 1-2, jogo onde o Sporting CP, sob o comando de Leonel Pontes, começou a ganhar com um tento apontado por Luciano Vietto aos 25 minutos, mas na segunda parte um golo de Rúben Palmeiras aos 55 minutos e um auto-golo de Sebastián Coates aos 89 permitiram a reviravolta.

Em relação à forma das equipas, o FC Famalicão não vence há oito jogos, tendo provado pela última vez o sabor da vitória a 15 de janeiro, frente ao Paços De Ferreira. O Sporting CP vem de uma derrota frente ao Basaksehir, que ditou a eliminação da Liga Europa. A apontar que os Leões não vencem fora há quatro jogos e que os Famalicenses não vencem há cinco, em casa.

COMO JOGARÁ O FC FAMALICÃO?

A equipa do distrito de Braga procura voltar às vitórias. Sem contar com Patrick que viu a cartolina encarnada no último jogo, e com Ivo Pinto em dúvida a recuperar de lesão, a equipa de João Pedro Sousa deverá jogar na máxima força, procurando olhar os Leões olhos nos olhos e praticar o bom futebol que já nos deu a conhecer. Uma vitória frente a um grande poderá ser o incentivo necessário para voltar à onda de bons resultados.

JOGADOR A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Fábio Martins – Emprestado pelo SC Braga ao FC Famalicão, o extremo tem sido peça fundamental na qualidade de jogo da equipa. Demonstra inteligência e maturidade na condução e distribuição de bola. De fora do jogo anterior, devido a expulsão, Fábio Martins voltará à titularidade, integrando o trio de ataque que procura fazer mossa nos Leões.

XI PROVÁVEL

4x3x3: Vaná Alves; Lionn, Riccieli, Roderick Miranda, Álex Centelles; Gustavo Assunção, Pedro Gonçalves, Uroš Račić; Diogo Gonçalves, Toni Martinez e Fábio Martins.

COMO JOGARÁ O SPORTING?

Sem poder contar com Wendel, suspenso por acumulação de cartões amarelos, e com os lesionados Jérémy Mathieu, Luiz Phellype e Renan Ribeiro, Jorge Silas convocou dezanove jogadores. Após o desaire pesado na Liga Europa e no meio de tanta instabilidade, tendo sido apontada a saída do treinador português do comando técnico, a equipa leonina procurará mostrar qualidade e segurança. O futebol da equipa leonina passará por troca de bola na zona do meio-campo e defesa, e na procura de desequilíbrios na zona próxima da área, originando remates à meia distância ou cruzamentos para o último toque.

JOGADOR A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Luciano Vietto – Quanto mais o tempo passa, mais se sente a falta de Bruno Fernandes. É ao médio argentino que cabe a tarefa de, com o seu toque e visão de jogo, puxar a equipa para a frente e criar a ligação entre o setor mais avançado e o mais recuado.

XI PROVÁVEL

4x3x3: Luís Maximiano; Valentin Rosier, Sebástian Coates, Luís Neto, Marcos Acuña; Eduardo, Rodrigo Battaglia e Luciano Vietto; Gonzalo Plata, Jovane Cabral e Sporar.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

WWE – O que é que está a acontecer?

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27 de maio de 2020, a data de mais um evento desapontante da WWE na Arábia Saudita, com os combates obrigatórios por títulos, com a presença obrigatória de lendas e com a vitória obrigatória de Mansoor. Em suma, mais um evento típico daquele país.

O main-event era, no mínimo, curioso: Goldberg contra “The Fiend” Bray Wyatt pelo Universal Championship.

Após vários Spears e os kick-outs de Wyatt, Goldberg aplicou um golpe parecido com o Jackhammer e, dessa vez, The Fiend não conseguiu escapar. Tínhamos novo Universal Champion.

Após a estupefacção inicial, muitos fãs acabaram por perder a calma e deram voz à sua raiva. O que, na minha opinião, foi uma atitude compreensível.

Goldberg acabara de derrotar a melhor personagem que a WWE teve nos últimos cinco anos, que tinha sido construída de forma brilhante ao longo de quase um ano, através da fantástica “Firefly Fun House”.

Por outras palavras, um lutador de 53 anos derrotou, em três minutos, alguém que tinha todo o potencial para ser uma das figuras da WWE nos próximos anos.

Não é assim que o wrestling devia actuar. O modo de garantir a sua continuidade é criar novas estrelas quando as outras já estão velhas. Imagine-se que o Undertaker tinha perdido para Jimmy Snuka e Jake “The Snake” Roberts na Wrestlemania, e que durante o seu primeiro ano na empresa não ganhasse todos os combates em que o colocavam. Caso isso acontecesse, nunca teria chegado aos níveis míticos que a sua carreira atingiu.

Sinceramente, se Wyatt não tivesse perdido o título nesta ocasião, tal deveria acontecer na Wrestlemania frente a Roman Reigns, o que não ajudaria em nada os níveis de popularidade do “Big Dog”.

Agora, se querem mesmo que Reigns seja o maior babyface da empresa, o melhor é tornar Goldberg heel (se bem que é raro a WWE fazer isso com lendas em part-time). Já The Fiend enfrentará John Cena; talvez ainda tenha algo a dizer sobre as derrotas consecutiva que sofreu, em 2014, às mãos da então “cara” da empresa…

Para evitar este erro colossal, penso que The Fiend nunca deveria ter ganho o título. Desse modo evitar-se-ia o final ridículo do Hell in a Cell (e este final de reinado desastroso). Na altura, nem Rollins nem Wyatt deveriam perder, por isso colocá-los frente-a-frente foi uma má ideia.

Para terminar a história deste reinado, The Fiend fica com o curioso recorde de ser a primeira pessoa a conquistar um título mundial e a perdê-lo na Arábia Saudita.

De resto, quem sofreu mais, para além de The Fiend, foram os fãs que pagaram mais de 7.000 dólares pelo seu Universal Championship característico.

Claro que quando a WWE faz uma decisão deste género há sempre um grande número de fãs que dizem não ligar mais à empresa, avisando-a de que, se não tiver cuidado, ainda pode ser ultrapassada pela sua concorrência.

É verdade que, actualmente, existem várias alternativas à WWE, nomeadamente a All Elite Wrestling e a Nem Japan Pro-Wrestling. Ainda neste último Sábado, a AEW produziu um evento fantástico – o “Revolution” – onde o combate principal foi entre dois lutadores mal utilizados (de um ponto de vista criativo) pela WWE – Chris Jericho e Jon Moxley.

No entanto, creio ser improvável que algo mude. A WWE continuará a ser a maior empresa de wrestling do mundo, por largos anos. Mesmo que pelo caminho hajam eventos desapontantes, combates horríveis, e decisões de tirar a paciência a um santo.

Foto de Capa: WWE

Artigo revisto por Joana Mendes

CD Santa Clara | Dos Açores, mau vento, mas bom sentimento

Em abril de 2018, numa visita à ilha de São Miguel, nos Açores, o quartel-general do CD Santa Clara, tive o privilégio de conhecer o senhor Jaime, natural da ilha e fervoroso adepto do clube da sua terra. Após trocar algumas impressões futebolísticas com ele, fiz um exercício de memória, a tentar lembrar-me da última vez que o Santa Clara militara na primeira divisão, mas não me ocorreu nada.

Nessa época, o Santa Clara lutava por cada ponto com unhas e dentes, pois havia a chance real de subir à Primeira Liga Portuguesa e tinha consigo todos os Açoreanos. Essa viagem fez-me refletir sobre o futebol português e a distribuição das esquipas pelo território nacional: a esmagadora maioria das equipas situava-se no Norte; depois havia os da zona de Lisboa, o Portimonense no Algarve e o Marítimo na Madeira.

Um claro reflexo da centralização que se vive no país, sendo que até no futebol, Alentejo, Interior e Açores estavam esquecidos. Passar uns dias na remota e magnífica ilha no meio do Atlântico, rodeada por adeptos ferrenhos do Santa Clara, fez-me perceber que aquelas pessoas também mereciam ver o seu clube na elite do futebol nacional, por passarem a semana à espera que a sua equipa jogasse e por fazerem as contas aos pontos que faltavam para atingir a tão almejada promoção.

Por eles, até eu passei a torcer para que uma equipa Açoreana chegasse ao primeiro escalão do futebol português, para que mais um pedaço de Portugal tivesse o realce que bem merece. Para minha alegria e, sobretudo, para dos Açoreanos, nessa época, o Santa Clara subiu à Primeira divisão e desde aí, conseguiu permanecer no escalão em que merece estar, com um excelente 10º lugar na época transata e com exibições de encher o olho, muitíssimo bem orientado por João Henriques, quiçá um dos treinadores sensação da Liga.

Esta época, os Açoreanos não têm ficado abaixo das expectativas: após um começo algo irregular, em que chegou a figurar nos últimos lugares da tabela classificativa, ocupa agora um fantástico 8º lugar, que muito deve orgulhar os seus adeptos. A isso se deve a competência defensiva, conferida por Marco Rocha, o guarda-redes e pelo patrão da defesa, Fábio Cardoso, que com muita justiça enverga a braçadeira de capitão da equipa, atuando ao lado do central goleador João Afonso, a robustez do meio-campo, oferecida por Francisco Ramos e Anderson, e a eficácia do ataque, com Thiago Santana, Schettine e a magia de Carlos Júnior.

Uma equipa com identidade própria, que joga sempre da mesma maneira, seja contra quem for, e que é muito forte a jogar em casa, com o apoio dos seus inesgotáveis adeptos. Além da vertente futebolística, veio acrescentar resistência ao, cada vez mais poderoso, centralismo nacional; é uma lufada de ar fresco no mundo do futebol, um exemplo a seguir.

Em fevereiro, pela primeira vez na história, o CD Santa Clara conseguiu atingir 4 vitórias consecutivas na Primeira Liga
Fonte: CD Santa Clara

O CD Santa Clara representa uma estirpe rara no futebol português: o ressuscitar de uma região esquecida. Veio trazer, à já turística região, os benefícios de se ter uma equipa na Primeira divisão. Honestamente, isso interessa pouco: para os Açoreanos, o que verdadeiramente importa é a raça da sua equipa, a sua ânsia de mostrar que vieram para ficar, para estender o futebol português a mais um local.

A comunhão entre adeptos e equipa é notória, e o orgulho em ser da equipa dos Açores é transmitida aos jogadores, que deixam tudo em campo para alegrar os seus. Que fiquem na Primeira Liga muitos e muitos anos. O senhor Jaime merece, os Açoreanos merecem e o resto do país também.

Foto de Capa: CD Santa Clara

Artigo revisto por Joana Mendes

Bruno Fernandes, The Manchester Man

Bruno Fernandes chegou, finalmente, a Manchester para representar o United, e cedo provou que a sua contratação foi mais que justificada.

Uma novela que teimava em alongar-se também nesta janela de transferências de inverno, mas como todas as boas novelas, a de Bruno Fernandes acabaria com um final feliz.

As expectativas eram bastante elevadas, especialmente dos adeptos dos red devils, ávidos de grandes contratações e nomes sonantes, e o internacional português, até ao momento, tem estado a corresponder com as elevadas expectativas.

Podemos ver a importância da entrada do português em Old Trafford, quando o clube atribuiu a camisola de um dos maiores ícones da história do Manchester United FC. O número 18, outrora pertencente a Paul Scholes, será agora colocado nas costas do internacional português durante as próximas cinco temporadas.

E foi com essa responsabilidade nas costas que Bruno Fernandes arrancou na sua epopeia pelos campos ingleses, três golos e duas assistências em seis jogos, seis jogos em que o Man Utd ainda não conheceu o sabor da derrota, e pode dizer-se que a equipa melhorou também o seu nível exibicional, ganhando também outra consistência que até então não tinha conseguido mostrar.

E tudo isto desde que o português aterrou em Manchester.

Bruno Fernandes tem estado em alta no Manchester United FC
Fonte: Manchester United FC

Coincidências? Não creio.

O contributo do português nesses seis jogos revela a melhoria dos Red Devils, que têm sido mais eficazes a defender, mas sobretudo a atacar, e mostra um conjunto que, com o passar dos jogos, fica mais moldado ao futebol do português. Entre golos e assistências, Bruno Fernandes vem assumindo o protagonismo que lhe deram e têm lidado muito bem com isso, sendo, já em tão pouco tempo, um dos jogadores mais preponderantes do clube.

Melhor exemplo disso foi a escolha dos adeptos do United que elegeram o Bruno Fernandes como o melhor jogador do mês, reconhecendo tudo aquilo que é dado dentro do campo pelo português

Com o regresso de Paul Pogba para breve, Solskjaer terá mais uma arma poderosa para o seu meio campo e juntos poderão dinamizar ainda mais esta equipa do United, que parece começar a entrar nos eixos.

É unânime, Bruno Fernandes conquistou Manchester com a sua classe e dedicação, e vai por certo continuar o legado deixado por outros portugueses, uns tais Cristiano Ronaldo e Nani.

Foto de Capa: Manchester United FC

Artigo revisto por Joana Mendes

CD Santa Clara X FC Porto: Mais uma “final” de três pontos

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Na ressaca da última jornada europeia, catastrófica para o FC Porto e para as equipas portuguesas, os dragões têm um dificílimo teste nos Açores frente ao oitavo classificado da Liga Portuguesa: o CD Santa Clara.

OS DRAGÕES QUEREM MANTER A PRESSÃO NO SL BENFICA E TÊM UMA PROVA DE FOGO NOS AÇORES. SERÁ QUE VENCEM? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Esta é mais uma final de três pontos, que são cruciais para ambas as equipas, na medida em que a equipa azul e branca pretende subir à liderança do campeonato, nem que seja por alguns momentos, e os açorianos querem sonhar com uma maior aproximação – ainda que muito difícil – dos lugares europeus.

A somar a tudo isto, é preciso realçar a dificuldade deste encontro para ambas as equipas. A turma de João Henriques vai encontrar um dragão “ferido” a nível europeu, mas motivado a nível interno, depois de alguns resultados positivos (ainda que algumas vezes pouco convincentes). De qualquer das formas, vão encontrar o segundo melhor ataque e defesa da prova.

Já os comandados de Sérgio Conceição vão encontrar uma equipa surpreendente, que tem como uma das armas a consistência defensiva. Para termos uma noção, esta equipa tem o mesmo número de golos sofridos do Sporting CP, e menos um do que o SC Braga. A nível ofensivo, podem ser sempre um teste para a defesa azul e branca que ainda é permeável, como se viu na Liga Europa. Os visitantes também vão encontrar uma equipa confortável na tabela classificativa, o que pode mudar, na totalidade, tudo aquilo que é a previsão de um “grande” a procurar destruir a defesa do clube mais modesto.

O último confronto entre estes dois emblemas na ilha de S. Miguel fixou uma vitória suada azul e branca por duas bolas a uma, em que foi preciso uma remontada por parte dos visitantes. Já os dois últimos jogos em que estas formações se defrontaram, a vitória caiu para os comandados de Sérgio Conceição, em pleno Estádio do Dragão, quer para a Taça de Portugal, como para o campeonato. O resultado foi sempre uma bola a zero para os da casa.

Falando agora do momento de forma de ambas as equipas, é importante referir que o CD Santa Clara venceu quatro dos cinco últimos duelos disputados, tendo apenas perdido na última jornada em Moreira de Cónegos.

Já o FC Porto venceu os últimos encontros disputados no campeonato, tendo registado a última derrota frente ao surpreendente SC Braga de Rúben Amorim. O último jogo dos azuis e brancos registou uma derrota pesada para a Liga Europa, mas, a nível interno, ouve um lateral goleador que deu os três pontos frente ao Portimonense SC.

A qualidade do futebol praticado, a previsibilidade da equipa e o desgaste europeu devem ser uma preocupação para os portistas, que pretendem pressionar o SL Benfica, que recebe o Moreirense SC no Estádio da Luz.

O jogo está agendado para as 19h30 desta segunda-feira.

COMO JOGARÁ O CD SANTA CLARA?

O CD Santa Clara vai tentar ser fiel aos seus princípios, tendo como uma das bases a sua consistência defensiva (uma vez que é muito importante não sofrer golos, sobretudo frente aos grandes). Contudo, não vão descurar o processo ofensivo, assim que tiverem oportunidades, ou com uma posse de bola para enervar e cansar ainda mais o adversário, ou com transições que podem ser mortíferas para os azuis e brancos. Vão ter um cérebro de construção de jogo chamado Francisco Ramos, e um avançado que procura cimentar-se como o máximo goleador desta equipa: Carlos Carvalho, que já leva quatro golos neste campeonato. Não será surpreendente também a formação de uma defesa a três, com os laterais também muito encostados aos centrais, o que, refira-se, é habitual nas equipas que jogam contra o FC Porto.

JOGADOR A TER EM CONTA

O FC Porto tem um dificílimo teste nos Açores frente ao oitavo classificado da Liga Portuguesa: o CD Santa Clara.Será uma final para os dragões.
Fonte: CD Santa Clara

Francisco Ramos – Pode parecer um pouco estranho a escolha de um jogador que, quiçá, não tem sido a figura que mais se sobressai no processo ofensivo e até defensivo desta equipa. Contudo, pode ser muito importante pela garra e agressividade que imprime ao jogo, como até pela sua qualidade com a bola nos pés, seja na organização de jogo, ou na meia-distância. Recorde-se que este jogador foi formado no FC Porto e foi capitão na equipa B portista, tendo até se estreado pela equipa principal. Vai querer decerto mostrar que foi um erro a sua libertação, e isso é um fator a ter em conta.

 XI PROVÁVEL

4-4-2: Marco Rocha, Mamadu Cande, João Afonso, Fábio Cardoso, Zaidu, Costinha, Anderson Carvalho, Francisco Ramos, Lincoln, Thiago Santana e Carlos Carvalho.

COMO JOGARÁ O FC PORTO?

 O FC Porto irá apresentar-se num 4-4-2 que muitas vezes se desdobrará em 4-3-3 (muito pela versatilidade conseguida por Moussa Marega). Muito provavelmente vai ser um jogo de paciência sem descurar as mais valias ofensivas da equipa adversária. O que se espera é uma troca de bola continuada por parte do FC Porto, à procura de espaços para criar perigo junto à baliza adversária. Mas, tendo em conta aquilo que esta equipa já mostrou e até o estado do relvado, não é de estranhar um jogo em que os dragões vistam o fato de macaco e procurem muito mais o passe longo na busca da profundidade de Moussa Marega ou para Alex Telles cruzar junto à linha. A busca da segunda bola e a agressividade nos duelos vai ser algo a explorar pelos comandados de Sérgio Conceição, com Nakajima, se jogar, a procurar estabilizar mais o jogo da equipa com a bola no pé e num maior jogo entre linhas.

JOGADOR A TER EM CONTA

O FC Porto tem um dificílimo teste nos Açores frente ao oitavo classificado da Liga Portuguesa: o CD Santa Clara.Será uma final para os dragões.
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Alex Telles – Sim, neste momento, o goleador e o jogador mais influente azul e branco é o lateral esquerdo Alex Telles. Depois da bomba lançada frente ao Portimonense SC, espera-se mais um jogo em que o brasileiro é um jogador a ter em conta pela facilidade de ir à linha e cruzar, e pelos livres (que podem sempre desbloquear o resultado). O seu remate de pé esquerdo, se não for travado, pode criar muito perigo para o CD Santa Clara.

XI PROVÁVEL

4-4-2: Marchesín, Tecatito, Mbemba, Marcano, Alex Telles, Otávio, Sérgio Oliveira, Uribe, Nakajima, Marega e Soares.

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

Adeus, Sun Yang

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O campeão do mundo chinês, Sun Yang, diz um adeus forçado à Natação, após o Tribunal Arbitral do Desporto (CAS) o ter condenado a uma suspensão de oito anos por violação das regras anti-doping, o que impede, obviamente, de participar nas Olímpíadas de Tóquio 2020, mas, acima de tudo, na prática implica o fim da carreira para o atleta de 28 anos.

Todo o caso, em que Sun Yang era acusado de destruir uma sua amostra sanguínea, foi bastante caricato e a própria audiência no CAS, a primeira pública do tribunal suíço, ficou marcada por erros de tradução. Agora, o chinês poderá tentar recorrer para o Tribunal Federal Suíço, mas será difícil que o caso seja sequer ouvido, já que este recurso serve, essencialmente, para questões procedimentais.

A decisão, apesar de não me parecer a mais correta, aceita-se numa visão positivista. Contudo, cabe a quem tem o poder de decidir nestas situações moderar a letra da lei, de modo a garantir uma aplicação ao caso concreto adequada e digna.

Franco Frattini, antigo Ministro de Berlusconi e Comissário Europeu, presidiu ao painel que decidiu o caso
Fonte: OSCE

Não vejo que tal tenha aqui ocorrido. Pelo contrário, por muito incorretas que as ações de Sun Yang tenham sido, estas não podem ser tomadas isoladamente. Devem, de facto, ser analisadas à luz da situação Kafkiana em que o mesmo se viu naquela noite e, assim visto, ninguém pode considerar esta sentença justificável.

Um outro aspeto que me fica desta decisão é que, tal como já havia ficado patente, por exemplo, no Caso Cardoso na UCI, o atual sistema de “tudo ou nada” do Código da WADA está ultrapassado e uma boa aplicação da justiça implica que haja previsão para a atribuição de sentenças reduzidas em casos que o justifiquem.

De qualquer forma, Ian Meakin, o advogado de Sun Yang, conseguiu, ao colocar o caso em audição pública, mostrar imensas fragilidades no processo de teste anti-doping e, por muito satisfeita que a WADA se diga com a decisão, os seus problemas no respeito pelos atletas, aqui revelados, ainda poderão fazer correr muita tinta.

Foto de Capa: Republic of Korea

Artigo revisto por Joana Mendes

Fórmula 1 Testes de Barcelona 2: O jogo das escondidas

Terminou a segunda sessão de testes de Fórmula 1 no Circuito da Catalunha em Barcelona, e nesta segunda sessão, em que supostamente se percebe melhor a posição de cada equipa, ficamos com mais perguntas do que respostas. Os tempos de volta nos testes são sempre mentirosos, prova disso foi 2019 em que a Ferrari iria dominar tudo e todos, e foi o que se viu, mas este ano existe uma aura de que as equipas ainda estão a esconder mais o seu jogo do que o costume. Vamos começar pelo habitual «top 3».

Olhando para as duas sessões, a equipa que conseguiu os melhores tempos e o maior número de voltas foi a Mercedes, que mais uma vez surpreendeu tudo e todos com mais um feito de engenharia ao criar o sistema DAS. A equipa campeã parece a mais estável e confortável, algo a que eles já nos habituaram, sendo o único ponto negativo destes testes uma falha da motorização do carro de Lewis Hamilton (e outras duas na Williams). Mas há algo que não está bem no facto de a Mercedes ser a mais rápida, durante os últimos três anos fomos habituados a ver a Ferrari a tentar dar murros na mesa e mostrar o seu poderio nos testes (até começar o campeonato a sério), mas este ano não foi assim.

Os italianos estão muito calminhos, no seu canto a fazer as suas voltas, sem grande alarido, mas, curiosamente, sem grande velocidade nas retas. A Mercedes acredita que eles estão a usar modos de motor reduzidos para disfarçar a capacidade real do carro, e, honestamente, eu acredito. Os analistas notam um carro muito estável em curva, e capaz de gerar muito mais downforce, isto, geralmente, cria mais resistência do ar, mas não ao ponto de tornar a equipa uma das mais lentas em reta. A Ferrari está a esconder o seu jogo, algo que aprendeu com a própria Mercedes, mas não é a única.

Alguém vê sacos de areia?
Fonte: Formula 1

A Red Bull não está com grandes mensagens de confiança, este ano Helmut Marko nem garantiu ser campeão, mas a verdade é que o carro se tem comportado bem, apesar do rumor de instabilidade da traseira, baseado em dois despistes, que Max Verstappen e Alexander Albon explicam ter acontecido para testar os limites do carro. O chassis é muito sólido, comportando-se muito bem em curva, mas o que mais falhava nos tempos da Renault era a unidade motriz, mas a verdade é que a Honda apresentou nestes testes algo rápido e, acima de tudo, fiável.

Real Madrid CF 2-0 FC Barcelona: Fénix Real renasce no campeonato

A Crónica: jogo de alta pressão e de pressão alta

Há novo líder no campeonato espanhol. O Real Madrid CF recebeu e venceu o grande rival FC Barcelona por 2-0, num “El Clássico” menos quente e espetacular do que o habitual. Pressionados para ganhar, os blancos provaram estarem habituados a estas andanças, não tremeram, foram melhores e venceram justa e ajustadamente o segundo clássico do campeonato. Além da liderança, os madrilenos garantem, assim, a vantagem no confronto direto frente aos blaugrana, após na partida em Camp Nou se ter mantido o nulo.

Primeira parte de controlo repartido, mas com melhores ocasiões de potencial golo para os visitantes. Courtois deu conta do recado, mesmo no frente a frente com Messi, e foi fundamental para que o Real Madrid levasse o nulo para a segunda parte. Aí, com uma crescente urgência de marcar – só a vitória catapultava os merengues para a liderança –, os comandados de Zidane sufocaram os grandes rivais em busca de um golo.

Um golo que surgiu aos 70 minutos. Concebido nos pés de Kroos, foi Vinícius Jr. quem lhe deu vida. Minutos antes, Quique Setién havia considerado ser uma boa ideia retirar do jogo Vidal e colocar no seu lugar – sim, na direita – Braithwaite. No primeiro momento em que foi pedido ao dinamarquês que defendesse, o mais recente reforço catalão comprometeu e permitiu que Kroos encontrasse espaço para servir Vinícius.

O brasileiro ingressou na área adversária e rematou com sucesso graças ao transvio da bola no corpo de Piqué. De ora em diante, só deu Real Madrid. A equipa de Zidane soube gerir a partida e não permitiu absolutamente qualquer iniciativa a um Barcelona amorfo, inócuo, passivo e desprovido de criatividade, individual e coletiva. A vantagem merengue não foi colocada em causa de forma alguma, mas, ainda assim, Mariano Díaz, em estreia no campeonato, selou a vitória blanca nos descontos, na sua primeira ação na partida.

 

A FIGURA

Fonte: Real Madrid CF

Toni Kroos – Kroos a ser Kroos. Não muito vistoso, mas elegante. Explanou no relvado do Bernabéu a mais pura essência do seu jogo: com e sem bola, a construir e a desconstruir, próxima ou afastado da zona da bola demonstrou sempre uma leitura de jogo notável. Tem noção do seu posicionamento, do dos colegas e do dos adversários. É capaz de prever, antever, calcular as jogadas e agir da melhor forma para as anular, quando caso disso, ou para as fazer decorrer.

O primeiro e decisivo golo merengue nasce da sua cabeça e dos seus pés. O que faz, faz bem. O que não faz é residual e insignificante. Excelente exibição, melhor em campo a par de Vinícius, mas com uma classe extra que o coloca como Figura do encontro.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Barcelona

Lionel Messi – Procurou ser o dínamo da equipa, mas não o conseguiu. Esteve pouco em jogo e, quando o esteve, não aportou qualidade ao futebol do FC Barcelona. Decidiu mal a maioria dos lances e não foi decisivo, numa partida em que os adeptos blaugrana esperam, com naturalidade, que o génio argentino o seja. Foi das piores exibições do “10” dos catalães em clássicos e, com alguma surpresa, assenta-lhe bem a “distinção” de fora de jogo.

Análise Tática – Real Madrid CF

Os merengues apostaram num 4-4-2 pouco declarado, por vezes – sobretudo, no momento ofensivo – mascarado num 4-5-1. O elemento móvel que tentava ser o elo de ligação entre Benzema e a restante equipa era Isco, que se aliava ao francês na pressão exercida sobre o Barcelona e que reforçava o meio-campo quando os catalães superavam essa pressão e no momento de construção e organização dos blancos.

Casemiro e Kroos asseguravam o miolo, enquanto Valverde caía sobre a direita e Vinícius sobre a esquerda. Marcelo e Carvajal apoiavam o ataque, com o brasileiro a procurar sobretudo explorar o seu corredor e com o espanhol a alternar entre a procura por terrenos interiores e pela profundidade do seu corredor, alcançada algumas vezes por tabelas com Valverde, que tendia para o centro.

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Courtois (7)

Carvajal (6)

Varane (6)

Ramos (6)

Marcelo (6)

Casemiro (6)

Kroos (8)

Isco (6)

Valverde (7)

Vinícius (8)

Benzema (7)

SUPLENTES UTILIZADOS

Modric (5)

Vázquez (-)

Mariano Díaz (-)

 

Análise Tática – FC Barcelona

A turma catalã apresentou-se no Santiago Bernabéu num 4-4-2 bem mais declarado e muito próximo do clássico 4-4-2. Griezmann e Messi assumiram as despesas da frente, Busquets e Arthur asseguraram o eixo da linha intermédia, Vidal jogou pela direita e De Jong pela esquerda. Nos momentos em que a primeira pressão dos homens da frente complicava a vida aos defesas madrilenos, Arthur subia no terreno e auxiliava essa pressão, o que obrigou o Real Madrid a, por vezes, ter que se livrar do esférico sem coerência. No momento ofensivo e de mais demorada construção, Vidal apoiava o ataque catalão.

Messi percorria todo o corredor central, procurando ser o dínamo ofensivo da equipa de Setién. Alba e Semedo, sem fugir à sua génese, subiam sempre que possível, algo que se verificou muito mais na primeira parte do que na segunda – na qual o domínio blanco foi acentuado. Busquets fez de Busquets – foi seguro sem ser vistoso – e os restantes três médios encarregaram-se de fazer circular a bola.

 

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Ter Stegen (7)

Semedo (7)

Piqué (6)

Umtiti (5)

Alba (5)

Busquets (6)

Arthur (6)

Vidal (6)

De Jong (6)

Griezmann (4)

Messi (4)

SUPLENTES UTILIZADOS

Braithwaite (5)

Fati (-)

Rakitic (-)

 

 

Foto de Capa: FC Barcelona