O FC Porto atravessa o melhor momento da época e NES parece começar a convencer os mais céticos da qualidade do seu trabalho.
A herança era pesada: três anos sem títulos e três treinadores (Paulo Fonseca, Lopetegui, José Peseiro) que não tiveram sucesso.
Com uma equipa jovem e com muitas caras novas no clube, o trabalho do treinador portista não se adivinhava fácil. Em contraponto, os rivais mantinham uma base solida, com os mesmos treinadores, uma grande parte dos plantéis e onzes base.
NES foi persistente e não abalou aos primeiros contratempos, pedra sobre pedra construiu uma fortaleza e, a equipa é, neste momento com alguma distância, a melhor equipa em Portugal. Melhor defesa e ataque do campeonato, maturidade tática assinalável, variações táticas muito sustentadas que criam aos adversários grandes dificuldades.
A equipa consegue ler todos os momentos do jogo com grande clareza, consegue jogar mais direto e na profundidade se assim o jogo pedir, como consegue jogar mais em posse num ataque mais trabalhado se o adversário assim pedir.
O melhor momento de NES no comando do FC Porto Fonte: FC Porto
O futebol é um jogo e como jogo que é tem sempre uma grande dose de imprevisibilidade, mas se não acontecer nada de anormal, o FC Porto pode ganhar no Estádio da Luz com alguma facilidade. A qualidade de jogo apresentada pelas duas equipas neste momento é incomparável, e a equipa portista está uns degraus acima.
Considero NES um treinador de enorme qualidade e, comparando com os treinadores dos dois rivais, considero mesmo o mais completo, ora vejamos: Jorge Jesus é um treinador de muita qualidade, dos melhores a nível europeu no que se refere ao treino, mas depois a sua instabilidade emocional e alguma incapacidade de comunicação deita por terra muitas dessas qualidades. Rui Vitória, ao nível tático, é o mais limitado dos três, na minha opinião, mas tem a seu favor a qualidade na gestão do balneário e uma comunicação melhor do que o seu rival da segunda circular.
Numa avaliação global, penso que NES é o mais completo: bom taticamente, grande controlo emocional, boa comunicação, e dos três é o mais jovem. Acredito cegamente (e não é fé porque não sou crente) que o FC Porto vai ser campeão nacional esta época!
A prestação dos clubes portugueses nesta edição da UEFA Champions League chegou ao fim. Pela segunda vez na história do futebol, houve duas equipas portuguesas a passarem a Fase de Grupos da competição, mas ambos ficaram pelo caminho nos oitavos-de-final da mesma. Apesar do desempenho positivo de ambas as equipas, este acabou por se revelar insuficiente para manter Portugal no quinto lugar do ranking da UEFA, o que implicará a redução do número de equipas portuguesas na Champions na temporada 2018/2019: uma com entrada directa na Fase de Grupos e outra no play-off.
Mais uma vez, a possibilidade de uma nova conquista europeia não passou de um sonho distante para os adeptos encarnados e azuis e brancos. E, sinceramente, a cada época que passa, convenço-me cada vez mais de que a conquista do “ceptro europeu” é uma meta cada vez mais distante para os clubes portugueses.
Ora comecemos pelo início: no tempo da Taça dos Campeões Europeus, a maior competição europeia de clubes era disputada exclusivamente por eliminatórias. E, com isso, a competição era mais propensa à aparição de outsiders, como foram os casos do SL Benfica em 1960/1961 e do FC Porto em 1986/1987. Outro exemplo disso mesmofoi o Notthingham Forest, que ainda hoje é a única equipa que foi mais vezes campeã europeia do que campeã doméstica. Nestes tempos, chegámos a ter clubes campeões europeus na Escócia, na Roménia e na antiga Jugoslávia, bem como finalistas vencidos na Suécia e na antiga União Soviética, cenários nunca vistos no formato actual da competição.
Com a mudança para o formato de Champions, em 1991, os países com maior coeficiente da UEFA passaram a ter mais de um representante na competição. E com o aumento para 24 equipas, e, posteriormente, para 32 equipas, os países melhor classificados no ranking ganhavam mais representantes. E neste formato nunca houve até agora uma equipa que se sagrasse campeã europeia duas épocas consecutivas. Se, por um lado, a máxima competição europeia de clubes está mais competitiva nesse aspecto, por outro, essa mesma competitividade está mais ao alcance dos clubes mais poderosos a nível desportivo e financeiro.
Relembrando uma citação de Johan Cruyff: “Por que é que não seria possível vencer um clube rico? Nunca vi um saco de dinheiro marcar um golo.”
Infelizmente, hoje em dia já não é bem assim. Hoje em dia, cada jogador é visto como um saco de dinheiro. Recordemos a última vez que o FC Porto foi campeão europeu: com José Mourinho ao leme, o FC Porto tinha conquistado o campeonato, a Taça de Portugal e a Taça UEFA em 2002/2003; com vários dos seus jogadores a serem cobiçados por clubes europeus, Pinto da Costa submeteu o clube a um grande esforço financeiro para os manter, com o intuito de apostar forte na Liga dos Campeões na próxima temporada. Se jogadores como Deco ou Ricardo Carvalho tivessem sido vendidos ainda em 2003, o clube azul e branco provavelmente não teria repetido o feito de 1987.
A última equipa fora dos “Big-Five” a sagrar-se campeã europeia Fonte: UEFA
A ideia onde quero chegar é a de que a questão das vendas é um dos factores de desigualdade financeira entre os clubes portugueses e os clubes dos principais campeonatos europeus.
O Sport Lisboa e Benfica visitou o terreno do Paços de Ferreira no terceiro encontro da época entre os dois clubes. Os dois encontros anteriores ficaram marcados pelas vitórias dos encarnados aos castores e pela falta de eficácia da equipa da cidade do Móvel. O Paços de Ferreira entrou em campo sem alguns dos habituais jogadores titulares e o tricampeão iniciou a partida ainda sem Fejsa e com Pizzi – a um amarelo do castigo – a ser escolhido por Rui Vitória. João Pedro Pinheiro, árbitro de Braga, foi o escolhido para apitar a partida que começou às 20:30.
Os primeiros 10 minutos do encontro mostraram claramente aquilo que iria ser (pelo menos) a primeira parte do duelo. Se nos primeiros 120 segundos do jogo a equipa do Paços de Ferreira fez 4 faltas, a primeira dezena de minutos acabou por ser controlada pelos encarnados, que só conseguiram rematar à baliza no nono minuto. Após cruzamento de Zivkovic, Salvio rematou no ar e causou o primeiro calafrio às luvas de Defendi. Surgia assim o primeiro momento de perigo do encontro desta noite.
Os segundos 10 minutos da partida iniciaram-se com uma reposta clara do Paços de Ferreira ao que estava a acontecer no seu relvado. Numa jogada de contra-ataque, no flanco direito, o fator sorte esteve do lado dos encarnados e a bola acabou por perder-se numa das linhas do fundo. Este contra-ataque dos castores acabou por espelhar um dos problemas do Benfica. Pizzi – jogador que tem já 4 amarelos e pode falhar o duelo frente ao FC Porto – teve medo de aproximar-se dos jogadores adversários e deixou que a jogada acabasse por se tornar um perigo.
Aos 14 minutos, o Benfica voltava a conseguir alarmar a equipa caseira. Após cruzamento tenso do camisola 17 da luz, o guarda-redes caseiro defendeu com categoria e mostrou que estava a começar uma noite cheio de trabalho para ele. O sentido do jogo continuou a ser comando pelo Benfica, com um autocarro amarelo a ser o seu grande adversário. A equipa de Rui Vitória foi fiel ao seu jogo e apostou em linhas laterais ofensivas e com Samaris a ser um central no meio de Luisão e Lindelof. Durante estes minutos, foi evidente o jogo duro da equipa da casa, ao optar pelas faltas em vez dos cortes. Tentar implementar o medo na equipa visitante? Não sei.
Dos 20 aos 30 minutos o jogo acabava por mudar o seu ritmo. A equipa do Paços construiu a sua primeira jogada de ataque organizado e obrigava o camisola 4 da luz a ser o bombeiro de serviço. O capitão brasileiro foi decisivo por 4 ocasiões em poucos minutos. Aos 24 minutos, Ivo Rodrigues, aproveitando espaço fora de área, rematou e voltou a alertar a defensiva encarnada. E se o Paços queria arriscar, foi preciso surgir o pé de Eliseu para acontecer o momento da primeira parte. O campeão europeu em França puxou do pé esquerdo e, de fora de área, abanou os ferros da equipa do Paços. Excelente momento da primeira parte, que levou os adeptos a sentimentos bastante opostos. Após o remate perigoso de Eliseu, os castores responderam com organização e voltaram a preocupar a equipa visitante. Nota para a experiência de Luisão ao cortar bolas que tinham como destino as redes de Ederson Moraes.
Os restantes 15 minutos da primeira parte voltaram a levar o Benfica ao comando do jogo. Com 3-3-4 nos momentos de organização ofensiva, Samaris dava início do jogo, optando pelas alas ou por Pizzi, e o camisola 21 acabaria por ser sempre o maestro do jogo de ataque. Contudo, a grande diferença destes minutos finais para os iniciais foi na hora de finalizar. A falta de organização no ataque encarnado levaram à diminuição de trabalho das luvas de Defendi. Em cima do minuto 45, Jonas desperdiçou uma perigosa ocasião ao levar a bola às bancadas, após livre direto.
A segunda parte do encontro acabou por ser semelhante à primeira. O encontro retomou-se com 2 jogadas de grande perigo para cada lado, com Medeiros – reforço do Paços em Janeiro – a surgir com maior evidência do que na primeira parte. Igual ao primeiro tempo foram também as quebras de ritmo de jogo, muito consequência das constantes faltas, agora também do lado da equipa encarnada. Antes do final dos primeiros 15 minutos, Ivo Rodrigues e Eliseu voltaram a dar muito espetáculo no futebol ofensivo. Nota também para o trabalho individual de Zivkovic: o extremo surgiu imensas vezes na linha mas em outras tantas acabou por não dar o que pretendia.
Dos 60 aos 70 minutos, o Paços de Ferreira surgiu com maior destaque na partida. Com um futebol mais organizado e momentos de finalização, as luvas de Ederson foram a grande salvação do clube da Luz. Se por momentos foi Ederson o salvador, a barra e o poste da baliza do brasileiro travaram o futebol ofensivo da equipa da casa. A resposta encarnada surgia com jogadas de contra-ataque mas sem momentos de finalização. Já o Paços, realizava cada vez mais um futebol organizado. A fechar este lote de 10 minutos, Defendi voltou a ser o protagonista e a defender um remate forte de Eliseu.
A entrar nos últimos 20 minutos do encontro, Rui Vitória trocou de extremos e acabou por colocar Rafa e Cervi como flechas frescas. Contudo, nem na esquerda nem na direita Rafa trouxe algo desejável ao jogo. Já o argentino trouxe energia mas poucas ideias. Do lado da equipa da casa, Ricardo Valente entrou em campo e acrescentou trabalhos ao sector mais recuado da equipa do Benfica. Tanta foi a avalanche do Paços de Ferreira que Eliseu acabou por ser amarelado numa jogada de contra-ataque pacense. Em resposta, e na jogada seguinte, Nelson Semedo apontou a mira às redes caseiras e, mais uma vez, Defendi defendeu.
No início dos últimos 10 minutos, Rui Vitória apostou em Raul e tirou Eliseu do campo. O defesa esquerdo saía em aplausos e Raul entrava para tentar dar uma alegria aos adeptos benfiquistas. No Paços, Pedrinho e Welthon abandonavam as 4 linhas sob aplausos de ambos os adeptos. Excelente exibição de ambos os atletas. Os restantes minutos da partida acabaram por ter estes momentos: bolas altas, aflição, pressão, desespero e desorganização.
Assim se perderam mais 2 pontos em vésperas de clássico na Luz.
De um lado, uma equipa com os olhos na Liga dos Campeões, do outro uma equipa a lutar pela sobrevivência: o Sporting CP venceu o Nacional da Madeira por 2-0 na tarde deste sábado – com bom tempo e a desejar mais jogos neste horário – no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a jornada 26 da Liga NOS.
Ambos os emblemas entraram em campo com duas alterações face à jornada anterior – do lado do Nacional saíram Filipe Gonçalves e Zequinha e jogaram Washington e Mezga, enquanto que, do lado do Sporting, as mudanças foram as saídas de Podence e Paulo Oliveira por Alan Ruiz e Rúben Semedo, respetivamente.
A equipa do Nacional – a necessitar urgentemente de pontos – não entrou com uma postura muito defensiva, embora esse início de jogo dos insulares tenha sido interrompido pelo golo do “suspeito do costume” – Bas Dost, aos treze minutos, na sequência de um pontapé de canto batido por Bryan Ruiz, inaugurou o marcador, dando continuidade ao bom momento de forma evidenciado no jogo frente ao Tondela, com quatro golos marcados. Apesar do golo, o Nacional não baixou os braços e manteve a postura corajosa do início da partida: Mezga, com um remate perigoso à entrada da área aos vinte minutos, quase anulou a vantagem verde-e-branca.
Cinco minutos depois, estalava a polémica em Alvalade: Bas Dost, após remate de Gelson Martins, introduz novamente a bola na baliza de Adriano Facchini, mas o golo é anulado pelo fiscal de linha por pressuposto fora-de-jogo do avançado holandês. Decisão correta do juiz de linha, mas que não evitou o desagrado do público e dos elementos do banco de suplentes leonino. Apesar do golo anulado, os leões insistiram, sendo recompensados à passagem do minuto 33, com mais um golo do matador de serviço: num lance de insistência, e após um mau alívio depois de um pontapé de canto, Bas Dost bisa na partida, fazendo o seu 24º golo no campeonato.
Até ao intervalo, o Sporting tomou conta do jogo beneficiando de uma vantagem mais folgada. Ainda assim, os madeirenses tiveram dois remates, primeiro por Salvador Agra e depois por Aristeguieta, que não passaram longe da baliza defendida por Rui Patrício. A partida chegava então ao intervalo com um resultado de 2-0, mas com um encontro bastante disputado, com ocasiões de lado a lado.
Os segundos 45 minutos da partida começaram sem qualquer alteração tática, por parte dos dois treinadores. O Sporting entrou motivado para dar seguimento à atitude segura e controladora, demonstrada no primeiro tempo. Até aos setenta minutos do encontro, o conjunto leonino não deu espaço de manobra à equipa do Nacional, controlando todo o terreno de jogo e dispondo de algumas oportunidades para dilatar a sua vantagem, embora sem os resultados desejados.
Também neste período de jogo, ocorreram as primeiras substituições do encontro para ambos os lados – no Sporting, Podence e Bruno César renderam Alan Ruiz e Matheus Pereira, respetivamente; no Nacional, saíram Ricardo Gomes e Mezga para entrarem Zequinha e Zizo que, de certa forma, abrandaram o ritmo de jogo. O que ia valendo ao espetáculo, nesta altura, era o apoio incansável da massa adepta sportinguista (cerca de 43 mil presentes nas bancadas) impulsionada pelas claques – em especial atenção, a Juventude Leonina, ou simplesmente Juve Leo, que celebrou no dia de hoje o seu 41.º aniversário de existência.
Até ao final da partida, ambas as equipas mostraram vontade em alterar o rumo dos acontecimentos, mas nenhuma conseguiu levar perigo até à área adversária, num ritmo de jogo mais lento e contido.
O árbitro Jorge Ferreira apitaria pouco tempo depois para o final do jogo. Vitória tranquila da equipa lisboeta, com o protagonismo a pertencer ao homem do momento: Bas Dost, com dois golos, estando provisoriamente na liderança à corrida pela Bota de Ouro.
De olhos postos na Europa, o Belenenses recebia o Sporting de Braga, determinado a não perder de vista o terceiro lugar, já a 8 pontos. Numa bela tarde de sol, prometia ser uma partida agradável de futebol.
Ainda os adeptos do Sporting de Braga chegavam aos seus lugares, e muitos ainda nem estavam no estádio, e já a sua equipa celebrava o primeiro golo. Um desentendimento entre Cristiano e Florent fez com que o último marcasse na própria baliza logo no primeiro minuto. O golo deu ânimo ao Braga, que foi rei e senhor do jogo durante 20 minutos. Sempre mais objectivo, sempre mais preciso com a bola, bastavam poucos toques para a bola chegar à área contrária. Foi sem surpresas que os minhotos chegaram ao segundo golo. Uma jogada onde Djavan não desistiu do lance e que culminou num grande remate de Rui Fonte. O jogo estava com 18 minutos e o Braga vencia por 2-0, controlando a partida.
Mas tudo mudou passados 3 minutos. Um penalty assinalado a favor do Belenenses, que Maurides converteu, fez com que o Belenenses ganhasse nova vida. A partir daqui o rumo do encontro alterou-se por completo. O Braga acusou demasiado o golo e encolheu-se perante um Belenenses que começou a acreditar. Aproveitando o lado direito da defensiva bracarense, ocupado por Djavan, que pareceu dar muito espaço, os homens do Restelo criaram imensas oportunidades. E por muito azar os homens do Restelo não conseguiram o empate.
Fosse pelos jogadores do Braga a tirar o pão da boca, fosse por a bola ir ao lado, muitas foram oportunidades desperdiçadas de uma equipa que até ao final da primeira parte teve o controlo do encontro. Ao intervalo, o resultado dava a vitória ao Braga, que tinha tudo na mão até aos 20 minutos, mas que após o penalty deixaram de ser objectivos. Mérito para o Belenenses que se conseguiu reencontrar.
As equipas entraram para o segundo tempo sem mexidas. O Braga regressou do balneário mais adormecido e o Belenenses, com vontade de aproveitar a quebra de ritmo do adversário, procurou desde logo o empate. Mas o Braga reagiu à pressão dos azuis e brancos e Ricardo Horta só não colocou a bola na baliza de Cristiano com um remate de dentro da área por uma defesa certeira do guarda-redes.
A equipa da casa não desistiu e continuou a pressionar na zona de ataque. Não faltaram remates e cantos batidos pelo Belenenses, mas nenhum concretizado. Os lisboetas controlavam bem a segunda parte da partida, enquanto os minhotos andavam a passo e falharam, aos 76 minutos, uma oportunidade de golo claríssima, com Vukcevic isolado na cara do guardião do Braga.
A equipa treinada por Jorge Simão ia vencendo e tentava sofregamente aguentar a pressão, num momento em que o jogo se aproximava do apito final. Houve ainda tempo para uma expulsão: ao minuto 83, depois de uma falta sobre Ricardo Horta, o defesa Fábio Nunes, que tinha entrado para o lugar de Camara, viu o segundo amarelo e deixou o Belenenses reduzido a 10 homens em campo.
Em período de descontos, era o tudo ou nada. Os jogadores de Joaquim Machado não desistiram, continuaram a pressionar o meio-campo dos ‘Guerreiros’, e só por azar não conseguiram voltar a fazer tremer as redes da baliza de Marafona.
O árbitro Luís Godinho apitou aos 95 minutos e o Braga pôde finalmente suspirar de alívio. O Braga vence por 1-2, no reduto do Belenenses. Com muito esforço, os 3 pontos vão para o Minho, 90 dias após a última vitória dos ‘Guerreiros’ fora de casa (a última havia sido em Alvalade, contra o Sporting). Uma vitória bastante difícil, importante e injusta. Ainda há muita aresta por limar por parte de Jorge Simão, pois falta à equipa mais garra e inteligência na hora de sofrer. O Belenenses está a dois jogos consecutivos a perder depois de 6 jogos sem conhecer o sabor da derrota, mas deixou bons indícios para a recta final do campeonato, onde a Europa ainda é um objectivo.
Difícil. Muito difícil. É assim que, em poucas palavras, vejo a receção ao Vitória de Setúbal de José Couceiro. Por dois motivos: o Vitória de Setúbal é uma boa equipa e o FC Porto está desgastado do jogo de 4.ª feira, sobretudo, fisicamente.
Porque é que o VSF é uma boa equipa? Porque tem um bom treinador, porque sabe ter bola, porque sabe defender bem, porque tem um jogador chamado Frederico Venâncio (talvez o defesa central português em melhor forma na Liga NOS e um dos que tem mais qualidade), porque tem um bom meio-campo (João Amaral, João Carvalho, Costinha, Nuno Santos, etc..), porque tem jogadores experientes na frente (Meyong e Edinho) e porque tem um bom guarda-redes, Bruno Varela.
Esta boa equipa travou o SL Benfica, na 19ª jornada, e travou o FC Porto, na 9.ª jornada. Como? Eficácia ofensiva, qualidade no processo defensivo e não se limitar a apenas defender sem bola. Curiosamente, após vencer o Benfica, o Vitória nunca mais ganhou e somou 4 derrotas e 2 empates. Contudo, um dos empates foi com o SC Braga. Esta é uma boa notícia para o FC Porto, assim como também é o facto do VSFC já ter garantido os históricos “30 pontos”. Mas não se deve tomar isso como sinal de jogo fácil, pois na minha opinião não vai ser.
Soares deve ser titular frente ao Vitória FC Fonte: FC Porto
A outra razão para termos um jogo difícil é o cansaço, que vai haver e que vai prejudicar. O cansaço de Champions é um fator importante, que neste caso ainda é mais pelo desgaste extra que é jogar com 10 mais de metade do jogo.
Apesar de tudo isso, é obrigatório ganhar. Obrigatório porque já falhámos uma vez contra eles e as boas equipas não repetem os erros, porque estes jogos decidem campeonatos, e pela pressão extra que coloca no adversário direto, o SL Benfica. Afinal de contas, quem é que consegue evitar pensar que ganhar a quem ganhou ao rival é ganhar ao rival? Quase ninguém, e com certeza muitos jogadores do SL Benfica vão matutar no assunto. Muita gente diz que Kelvin decidiu o último tricampeonato do FCP, mas a verdade é que não foi ele. O SL Benfica perdeu aquele campeonato no jogo com o Estoril, Kelvin só deu o golpe final. Tudo isto faz este jogo muito importante. Tudo isto faz com que eu tenha muita vontade que o FCP ganhe amanhã.
Esta semana soube-se que Portugal vai perder uma vaga na Liga dos Campeões na época de 2018/2019. Durante um par de horas (não mais que isso), os entendidos do futebol fingiram estar preocupados com a situação do futebol português. Fingiram.
Os interesses que têm prevalecido em Portugal são apenas aqueles que garantem o comprazimento dos chamados “três grandes”. Não se centralizam direitos televisivos porque isso implicaria maiores receitas para os clubes pequenos, tornando o campeonato mais competitivo. Isso não interessa. Importante é estarmos a 9 jornadas do fim e prevermos que Porto e Benfica apenas têm hipóteses de perder pontos nos jogos entre eles (+ Sporting).
A realidade é que 85% dos troféus disputados em Portugal foram vencidos por apenas 3 clubes. É esta triste realidade que ninguém quer alterar. À parte desta hegemonia dos três grandes vivem todos os outros clubes, mas, em especial, quatro clubes que lutam pelo honroso título de “4.º Grande”.
O “4.º Grande” é pois a representação daquele que mais conseguiu resistir ao efeito eucaliptal dos três grandes. No fundo, é o mais digno merecedor do estatuto bíblico do Rei Davi, contra os três gigantes filisteus Golias. Esta análise, para ser feita com seriedade, só pode ser feita tendo por base uma análise histórica de resultados, de troféus.
Nesse capítulo, há um clube que se destaca amplamente dos outros contabilizando, inclusive, mais títulos que todos os outros somados, o Boavista.
Os títulos do Boavista FC falam por si Fonte: Boavista FC
Enquanto os axadrezados somam no seu palmarés com uma Primeira Liga, 5 Taças de Portugal e 3 supertaças (9), equipas como o Vitória de Guimarães contam com uma Taça de Portugal e uma Supertaça (2), o Braga com uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga (2), e o Belenenses com uma Primeira Liga e 3 Taças de Portugal (4).
A diferença é tão grande que, caso o Braga ou o Vitória passassem a ser os únicos vencedores de troféus para além dos três grandes (mantendo-se o rácio de vitórias), precisariam de 12 anos para igualar o Boavista.
O progresso desportivo do Vitória de Guimarães e do Braga (em especial), ao longo da última década, coincidiu com a descida de divisão decretada na secretaria dos axadrezados. No entanto, esta melhoria de performance desportiva não se refletiu em troféus.
No futebol é comum dizer-se que ninguém se recorda de quem disputa as finais, mas sim de quem as vence. E, nesse campo, ninguém as vence como o Boavista. Feitas as contas, não sobra qualquer margem para dúvida de quem é o verdadeiro 4º Grande em Portugal.
Assunto encerrado. Comecemos então a discussão do 5.º Grande em Portugal.
Vamos por partes (de modo a não ser mal interpretado): das 32 equipes participantes nesta competição – divididas em oito grupos, tal como na Liga dos Campeões da Europa – precisamente oito delas são brasileiras. Apenas um dos grupos não tem qualquer representante de Terras de Vera Cruz. Isso diz muito sobre a Libertadores 2017.
Primeiro: o Brasil agora coloca mais equipas em disputa. Em vez das quatro vagas na classificação, como acontecia até 2016, agora são os seis primeiros lugares da Série A do Brasileirão que dão acesso à prova de clubes mais importante da América. Isto é explicado, igualmente e em parte, pelo facto de os teams mexicanos já não disputarem a contenda, abrindo assim lugares a serem distribuídos pelos vários países que compõem a Conmebol – Associação que reúne as Federações de futebol da América do Sul.
É verdade que alguns clubes brasileiros, como foi o caso do Botafogo, por exemplo, tiveram que jogar uma pré-Libertadores. Nada de mais. Todas elas passaram. Assim, como representantes canarinhos, temos: Palmeiras, como campeão nacional; Santos, Flamengo, Atlético Mineiro, Botafogo e Atlético Paranaense, como classificados do segundo ao sexto lugar do ano transato; o Grêmio, como vencedor da Copa do Brasil; e ainda a malograda Chapecoense, como vencedora – por decreto, diga-se, pois já aqui expressei a minha opinião quanto ao assunto – da Copa Sul-Americana.
Todas elas estão “sozinhas” nos seus respetivos grupos; apenas Flamengo e Atlético Paranaense calharam juntos. Mais um motivo para fazer uma previsão otimista na passagem das esquadras brasileiras.
O Brasil é, de longe, a nação mais representada nesta edição da Libertadores da América. Se isso – o favoritismo e a alta probabilidade de ser uma equipe brasileira a erguer o caneco – não bastasse por si só, contam-se também pelos dedos de uma mão (e ainda sobram) os clubes estrangeiros que podem beliscar a campanha dos brasileiros. Como papão, apenas o River Plate e talvez o Nacional de Montevideo, embora este último esteja com uma vitória e uma derrota no Grupo 7. Quanto ao Atlético Nacional, vencedor da prova o ano passado, perdeu a sua grande referência atacante, o colombiano Borja, para o Palmeiras – esquadrão que se tem reforçado muito bem para este ano. Têm uma derrota em outros tantos jogos.
O Flamengo já venceu um jogo por 4-0, mas perdeu outro. Deverá passar Fonte: 1News Brasil
Se todas as equipas do Brasil passarão os seus respetivos grupos? Não diria todas; mas, mais de metade, penso que sim, sem dúvida. Até a Chapecoense já venceu um jogo; e mesmo apesar de ter perdido outro, em casa, todas as equipes do seu grupo têm três pontos, no grupo mais equilibrado até agora.
Apenas uma grande sangria poderá fazer com que não seja uma equipa brasileira a vencer esta Libertadores. Isto é, se as colocarem a jogar – muitas vezes e especialmente na fase a eliminar do mata-mata – todas contra todas. Porém, não vejo quem consiga rivalizar com os brasileiros, especialmente por serem muitos e de qualidade aceitável e suficiente para os estrangeiros. Só que no futebol nada é certo. Esperemos para ver.
Não, hoje não vou falar no derby que todos pensam quando se fala de derby em Portugal, hoje vou falar do derby que é conhecido aqui, além do Tejo, como o derby do Alentejo. O meu objetivo será mostrar aos leitores como se vive o andebol no seu estado mais genuíno. As equipas protagonistas deste encontro são as seguintes: CCP Serpa (Serpa) e ACR Zona Azul (Beja). Estas duas equipas são as únicas no Alentejo com escalão de seniores e encontram-se as duas na Segunda Divisão Nacional (subida alcançada pelo Zona Azul, na época transata, de forma direta e pelo CCP Serpa já esta época, através de um play-off). Ambas as equipas apresentam também equipas em todos os escalões de formação, exceto nos Juniores.
Chegamos, então, ao dia 11 de março. Última jornada da 1ªFase. Dia de derby no pavilhão Carlos Pinhão, em Serpa. A equipa da casa precisa de vencer para amealhar pontos preciosos para assegurar a manutenção. Se o Zona Azul vencer, consegue não só assegurar a manutenção, como qualificar-se para a fase de apuramento para o Andebol 1, o que seria por si só um feito único. Pela classificação e pela forma recente não havia dúvidas, a equipa de Beja era claramente favorita, mas como é habitual nestes jogos isso nada importou. O jogo está marcado para as 18 horas, antes a equipa de Juvenis vence o jogo referente à 2ª jornada da 2ª fase da 2ª divisão Nacional. Os adeptos de Serpa começam a chegar e a ocupar os melhores lugares para assistir ao grande jogo… Entretanto, chegam também cerca de 30 adeptos do Zona Azul que prometiam apoiar a sua equipa até ao último segundo, tal como os adeptos da conhecida Vila Branca.
Chegava a hora… As equipas alinham-se e há um nervosinho miúdo em todos os que vão participar neste jogo. A equipa visitante entra mais forte, mais determinada, com vontade de ganhar vantagem logo no começo da partida. O mesmo acontece nas bancadas onde se ouve na maioria os adeptos visitantes. O CCP Serpa começa o jogo de uma forma nervosa e com muitos erros técnicos, principalmente na saída para o ataque rápido.
Bancada cheia para o derby
A meio da primeira o resultado era 3-7, o que forçou o técnico da casa a pedir time-out, que, felizmente para a equipa da casa, teve resultados práticos, pois a equipa percebeu que tinha de fazer mais se queria vencer aquele jogo. E, neste caso, não foi o público que motivou a equipa mas sim a equipa que com a sua força e vontade levantou o público e fez com que os serpenses, que prometem cantar até que as suas gargantas não possam mais, apoiar a sua equipa até ao derradeiro segundo. A partir de este momento o CCP Serpa começou a ser mais assertivo tanto defensiva como ofensivamente, criando mais dificuldades ao Zona Azul. Até ao final da primeira parte houve um parcial de 8-2 e a equipa da casa foi a vencer para o intervalo (11-10).
A segunda parte foi mais tranquila para o CCP Serpa do que se esperava, visto que manteve sempre uma vantagem considerável no marcador, resultante da defesa coesa e aguerrida que apresentou, potenciando o ponto mais forte desta equipa, os ataques rápidos. Esta vantagem chegou a ser de 6 golos (21-16). Finalmente, chegou o tão desejado apito final, que foi tanto de desilusão como de orgulho para a equipa visitante que se nunca desistiu e realizou um campeonato espetacular e de felicidade para a centena de serpenses que se encontravam no Pavilhão, enchendo-o mais uma vez como tem sido habitual. O lateral-esquerdo e capitão da equipa da casa, Miguel Baião, foi o melhor marcador da partida com 8 golos.
O ACR Zona Azul foi fundado em 1975 Fonte: ACR Zona Azul
Ambas as equipas vão lutar agora por assegurar a manutenção na segunda fase que começa dia 1 de abril com um escaldante… CCP Serpa vs ACR Zona Azul! Ambas as equipas têm como principal objetivo a manutenção na 2ª divisão Nacional. Se tudo correr bem será um objetivo facilmente alcançado pelo Zona Azul e também pelo CCP Serpa, mas com mais dificuldades. A certeza é que ambas as equipas contarão sempre com o apoio dos seus adeptos e ainda têm muito para mostrar a quem pensa que no Alentejo não há qualidade.
Queria aproveitar para agradecer, como alentejano e praticante desta modalidade, ao CCP Serpa e ao ACR Zona Azul pelo facto de estarem a mostrar ao país que no Alentejo se pratica bom andebol, mesmo estando afastados dos grandes centros!
Com lucidez: a presente temporada do Sporting já não sustenta qualquer hipótese de felicidade. Não sendo a garantia da presença no playoff da Liga Milionária um objectivo ideal, daqueles que fazem parte do leque de objectivos primordiais dos começos de época, podemos considerar que a equipa entrou já numa fase preparatória precoce, mais duradoura e cujo prolongamento promoverá a análise mais incisiva para evitar os erros do presente.
Na base desta pirâmide de tarefas temos a estruturação, ou reestruturação, do plantel como uma das principais necessidades. Um dos lapsos do planeamento deste ano desportivo prendeu-se com a ineficácia da acção no mercado de transferências, ingressando jogadores que não cumpriram as expectativas. Como já se referiu no passado, o actual plantel leonino é curto, identificada apenas a utilidade de apenas catorze jogadores – cenário melhorado com o regresso de algumas das pérolas da formação. Parece-me lógica a pertinência da aquisição de, pelo menos, um elemento para cada zona do campo, desde que este recrutamento esteja isento de manobras experimentais, apostando mais na certeza do que na sorte. Com a evolução qualitativa da equipa B nos últimos jogos, eleva-se, também, a sua importância na planificação do projecto para a nova época enquanto pilar para o aproveitamento dos atletas.
Jorge Jesus começa já a testar soluções para a próxima temporada Fonte: Sporting CP
Continuo, tal como Jorge Jesus, a acreditar na ideia de que é inviável a criação de um plantel exclusivamente sustentado pela matéria-prima da formação. Acho, por seu turno, que a formação deve ser fomentada e desenvolvida para fornecer a equipa principal de forma equilibrada, pensando igualmente no sucesso, claro está, da equipa B do Sporting. Ao contrário daquilo que por vezes se afirma, o actual técnico do Sporting não castra o oportunismo da Academia de Alcochete. Como prova, basta analisar a pré-época anterior e verificar os jovens que trabalharam com a equipa principal e que, mais tarde, efectivaram a sua entrada definitiva na estrutura – como Geraldes, Palhinha e Podence. O caminho da nova temporada terá, obrigatoriamente, de passar por esta doutrina, garantindo que o Plantel terá capacidade para responder à exigência dos largos meses de trabalho. Mas à parte de tudo isto, há ainda a necessidade de terminar com o vício da demanda de o sucesso ser adiado sempre para o ano que virá. Se há duas épocas o título de campeão fugiu ao Sporting por pequenos pormenores – alguns deles de causa alheia -, significa que o caminho, embora duro, não é intransigível.
Assim, esta fase de preparação indirecta também servirá para a própria psicologia do grupo, que talvez se traduza no desafio mais exigente para a equipa técnica e dirigente, e para o entendimento de que o Sportinguismo não pode esperar mais pelo momento que tanto anseia.