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Nada engraçado

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cab futsal

O Benfica fechou 2013 em primeiro lugar a 2 pontos do 2º classificado, o Sporting Clube de Portugal. Pontos esses que foram recuperados nesta 17º jornada, em 2014, mas já lá vamos. Primeiro quero dar uma vista de olhos no que se passou de interessante no ano que passou. Em 2013 o Sporting venceu o campeonato, sem espinhas, ao Benfica por 3-1 em jogos na final do play-off. E digo sem espinhas porque mais justo do que o que foi é impossível. O Sporting praticava o melhor futsal em Portugal e na final, ou nas finais, como preferirem, deu uma liçãozinha ao rival da 2ª Circular de como jogar futsal. O que é que se passou a seguir? Remodelação total na equipa do Benfica: venderam e dispensaram metade dos jogadores, ou mais de metade, mesmo, foram buscar jovens de valor e construíram uma equipa relativamente competitiva. Nunca me passou pela cabeça que fechassem o ano de 2013, já na época actual, em primeiro lugar no campeonato. Quando chega uma batelada de jogadores novos como chegou, sem automatismos, sem estarem habituados ao esquema de jogo da equipa e à forma de jogar dos colegas, é de louvar que estejamos (pois é, estou a falar do meu Benfica, posso usar os verbos na 1ª pessoa do plural) lá para cima no campeonato.

Já o Sporting venceu o campeonato na época anterior, como já foi referido, e, como tal, teve acesso à Uefa Futsal Cup deste ano. Toda a gente esperava grandes coisas do Sporting na competição, visto que jogava bom futsal e os jogos da fase de grupos eram em Portugal. Infelizmente as coisas não correram lá muito bem para os lados de Alvalade a acabaram por ser afastados da competição pelo Araz do Davi, ex-jogador do Benfica e Sporting, que deve ter agradecido ao pai, ao filho e ao espírito santo a exibição muito apagada de Divanei no jogo decisivo do grupo. Divanei que, a meu ver, é dos melhores jogadores da equipa e nesse jogo em particular fez tudo mal. Fez passes errados, falhou golos certos, defendeu mal, enfim, uma exibição desinspirada de um jogador que num dia bom teria dado certamente a vitória e a passagem ao Sporting.

A falta de inspiração de Divanei contribuiu para a eliminação da UEFA Futsal Cup / Fonte: UEFA
A falta de inspiração de Divanei contribuiu para a eliminação da UEFA Futsal Cup / Fonte: UEFA

Ora, deixando o drama dos leões de Alvalade de parte, passemos para o drama desta semana: o drama dos Leões de Porto Salvo. O Sporting recebeu e bateu os Leões por 6-5. Independentemente de acharmos que a vitória foi justa ou não, devemos sim questionar a sua legalidade. Foi um jogo intenso, alimentado pelo facto de o Benfica ter empatado em casa com o Rio Ave, o que fazia com que o Sporting tivesse oportunidade de igualar o rival na liderança. O que se passou foi simples: o jogo acabou (a buzina tocou) e o Sporting marcou um golo.

Adeptos sportinguistas inundaram os tópicos de discussão com argumentos como: “o árbitro ainda não tinha apitado” e “o árbitro não ouviu a buzina”. Mas o que é certo é que a buzina já tinha tocado, o tempo já se tinha esgotado, o facto do árbitro apitar um segundo ou dois depois não tem que influenciar seja o que for. Ou seja, ganharam com um golo depois do tempo acabar, sendo que no futsal o tempo pára quando a bola está fora, logo, os 20 minutos da segunda parte já tinham decorrido. Não há razões que expliquem o atrofio dos árbitros do encontro. Mas eles gostam, eles gostam de atrofiar e o que é certo é que já não estamos (Benfica) isolados na frente. Temos os chatos do costume à procura dum deslize nosso, o que não é nada engraçado.

Sempre eterno. Obrigado, Eusébio!

benficaabenfica

Partiu Eusébio.

Partiu o maior entre os maiores, símbolo do Sport Lisboa e Benfica, símbolo de Portugal, Deus negro do mundo. Os mitos e os heróis não deviam partir. Partem fisicamente, sim, mas no coração de quem ama o maravilhoso futebol, perduram para a eternidade. Eusébio deixa-nos 733 golos para sempre e tantos outros sonhos benfiquistas por ele tornados realidade. Uma estátua em vida mostra bem a grandeza do melhor futebolista português de sempre. Não escolhe países nem clubes, Eusébio é de todos nós. Do pé descalço em Moçambique ao topo do mundo. Dos 5-3 à Coreia a rejeitar marcar um livre directo pelo Beira-Mar num jogo frente ao Benfica porque sabia que seria golo.

De Eusébio guardamos o diabo no corpo, os golos em série, o amor pela baliza e pela bola de cabedal, a pequenez que sentimos ao estar perto ou falar de tal monstro. As palavras trazem-nos a amargura de nunca conseguirem expressar os sentimentos na sua plenitude. Tentamos e experimentamos, mas sentimo-nos sempre esmagados pela imponência de ver os vídeos de um Deus negro na busca apaixonada pelo golo. À equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica, peço apenas que saiba honrar a memória do nosso maior símbolo com a conquista do campeonato. Ao Benfica, obrigado por o ter homenageado em vida. Hoje partiu um pedaço do nosso país, mas morrer é só deixar de ser visto.

 

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões

Mão cheia de expectativas

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Topo Sul

Melhor era quase impossível. O Benfica começa o ano a golear, a impressionar e a deixar água na boca dos adeptos. Uma mão cheia de golos e uma exibição segura e autoritária conduziram as águias para os quartos-de-final da Taça de Portugal, numa partida que deixa antever uma boa exibição no clássico do próximo fim-de-semana.

O jogo de hoje, no Estádio da Luz, foi de sentido único e no novo relvado da Luz só uma equipa procurou vencer e convencer. Desde o início, o Benfica mostrou querer evitar facilitismos e não entrou em “rodriguinhos”. Aliás, logo aos três minutos de jogo foi o próprio Rodrigo a inaugurar o marcador, após uma bela jogada colectiva. Volvidos dezassete minutos de jogo, o sérvio Markovic tratou de aumentar a vantagem e nesse momento o jogo ficou praticamente resolvido a favor dos encarnados.

                                                            Rodrigo e Markovic foram dos melhores na goleada do Benfica. Fonte: Maisfutebol
Rodrigo e Markovic foram dos melhores na goleada do Benfica
Fonte: Maisfutebol

Uma entrada demolidora do Benfica deixou o Gil Vicente completamente rendido à superioridade encarnada e a partir daí as águias limitaram-se a controlar o jogo e a acelerar quando necessário.
Gaitán, Lima, Markovic e Rodrigo, os homens mais avançados de um onze de primeira linha do Benfica, mostravam-se plenos de confiança em todos os seus movimentos e iam coleccionando lances de elevada nota artística, revelando toda a sua qualidade técnica. Os dois primeiros golos saíram dos pés destes jogadores e o terceiro é também obra deste quarteto. Grande passe de Lima para Gaitán e o bis de Rodrigo, ainda antes do intervalo.

Com três golos de vantagem, o Benfica entrou para a segunda parte tranquilo e confiante e adoptou um estilo de jogo mais pausado, já pensando no jogo do próximo domingo, diante do Futebol Clube do Porto. Também as substituições efectuadas por Jorge Jesus tiveram em conta esse duelo. Matic, Enzo e Rodrigo foram poupados e, de entre os jogadores que entraram, foi o sérvio Djuricic quem se mostrou mais eficiente. Procurou a bola e combinações com os colegas e esteve em evidência nos lances do quarto e quinto golos do Benfica – golos esses que apareceram de forma natural, dado o fluxo atacante das águias. Maxi Pereira sofreu falta do guarda-redes gilista dentro da área e Lima converteu o castigo máximo. Pouco depois, o mesmo avançado bisou na partida e estabeleceu o resultado final.

O primeiro jogo no novo ano simbolizou o regresso às boas exibições e os adeptos (os poucos que estiveram presentes na Luz) puderam finalmente sentir uma porção do perfume de alguns jogadores. A quinta vitória consecutiva dos encarnados assumiu contornos formosos e autoritários, vislumbrando-se a classe e a fluidez que o jogo do Benfica pode ter nesta segunda metade da temporada.

FC Porto 6-0 Atlético CP: Goleada e jogo fácil

Pronúncia do Norte

O FC Porto tinha hoje a missão de se apurar para os quartos-de-final da Taça de Portugal. O adversário era o Atlético, uma das piores equipas da Segunda Liga, que em 2007 havia causado sensação com a eliminação dos azuis e brancos da competição. Desta vez, os lisboetas não conseguiram contrariar o favoritismo dos da casa e acabaram por sair vergados do Dragão: 6-0 foi o resultado final.

Só por curiosidade, para encontrar um resultado tão expressivo como este é necessário recuar até 2011/12, quando o FC Porto foi a Sintra derrotar o Pêro Pinheiro por 0-8, também na Taça de Portugal. Se nos reportarmos somente às partidas disputadas Dragão, então a viagem é ainda mais longa: o FC Porto já não marcava 6 golos no seu próprio estádio desde a 25ª jornada do campeonato de 2007/08, quando os dragões bateram o Estrela da Amadora por 6-0.

No jogo de hoje, Paulo Fonseca optou por jogar com Fabiano na baliza, adaptar Ricardo a lateral direito, lançar Reyes no eixo defensivo, dar mais uma oportunidade a Kelvin e conceder novamente a titularidade Josué e Defour. Destes, Kelvin, pelo golo que marcou e pela irreverência que demonstrou, e Ricardo, pela prestação muito positiva numa posição onde não está acostumado a jogar, merecem destaque pela positiva. De resto, a grande figura da partida terá sido Varela, pelo bis; Jackson esteve igualmente em bom plano, mas acabou por não chegar ao golo, sendo substituído por Ghilas a 20 minutos do fim.

Varela, que até envergou a braçadeira de capitão, bisou e foi a grande figura do encontro / Fonte: A Bola
Varela, que até envergou a braçadeira de capitão, bisou e foi a figura do encontro / Fonte: A Bola

O FC Porto encontrou uma equipa muitíssimo fechada atrás (se algumas trazem o autocarro, o Atlético pareceu ter trazido um camião TIR!), sem pretensão nenhuma de ter a bola e procurar criar ocasiões para marcar. Já numa fase bem adiantada da primeira parte, o FC Porto chegou a atingir os 80% de posse de bola – um dado estatístico muito útil para dar a ideia do que foi o jogo. Trocando a bola com paciência – e, muitas vezes, sem a velocidade e o critério que eram exigíveis face à qualidade técnica dos jogadores do FC Porto e à ausência de pressão dos jogadores do Atlético -, o FC Porto foi construindo algumas jogadas de perigo e acabou por chegar ao golo à passagem do minuto 24, por intermédio de Varela. Ainda antes do intervalo, Defour deu o melhor seguimento a um cruzamento de Kelvin e ampliou a vantagem.

Na segunda parte, mais do mesmo: um jogo de sentido único, que o FC Porto, sem grande esforço e longe de deslumbrar, dominou em toda a linha. A muralha defensiva dos visitantes ia abrindo cada vez mais brechas e, já depois de um auto-golo de Marinheiro logo à entrada do segundo tempo, o FC Porto chegou ao 4-0 por Varela, entretanto com braçadeira de capitão desde a saída de Lucho. O 5-0 chegou três minutos depois, num cabeceamento subtil de Otamendi na sequência de um livre lateral de Josué, e Kelvin, em cima dos 90 minutos, como é seu apanágio, fechou a contagem.

Embora o resultado espelhe a superioridade inequívoca e avassaladora do FC Porto frente a um adversário que, entre frangos e auto-golos, acabou por se revelar muitíssimo frágil e muito pouco competitivo (é bom recordar que o Atlético tem apenas 12 golos marcados em 23 jogos na Segunda Liga, ocupando a penúltima posição, e completou hoje o 8º jogo consecutivo sem conhecer o sabor da vitória), a verdade é que ajuda a camuflar mais uma exibição sem brilhantismo dos azuis e brancos.

O primeiro grande teste do ano será o próximo jogo, na Luz, no próximo fim-de-semana. Aí, sim, o FC Porto vai ter de mostrar toda a sua fibra e puxar dos galões para vencer e… convencer.

Um merecido reconhecimento

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milnovezeroseis

Caro leitor.

A passada terça-feira marcou o final do ano de 2013. Pelos quatro cantos do mundo, festejou-se, com poupa e circunstância, o interregno de mais um ano e o começo do subsequente. O champanhe foi rei numa noite em que se esquecem amarguras e em que se fazem preces para que o ano que se avizinha traga alegria e sucesso. Estes podem dirigir-se nas mais variadas direcções: laborais, amorosas, e, quiçá, desportivas.

Creio, neste sentido, que, no Réveillon, qualquer sportinguista que se preze não se esqueceu de desejar uma continuidade próspera para o seu clube. Após um 2013 repleto de emaranhados e instabilidades, o ano de 2014 será crucial para que se perceba claramente se o Sporting está, de facto, rejuvenescido. A resposta a esta incógnita não só terá de ser dada no relvado, como também na secretaria, que, ontem, recebeu notícias animadoras.

A agência financeira Bloomberg classificou o Sporting como o "Campeão Mundial da Bolsa" / Fonte: bloomerg.com
A agência financeira Bloomberg classificou o Sporting como o “Campeão Mundial da Bolsa” / Fonte: bloomerg.com

Efectivamente, 2014 começou da melhor forma possível para as hostes leoninas. A agência Bloomberg, líder no mercado de informações financeiras e negócios, concluiu que o valor das acções do Sporting foi o que mais subiu ao longo do ano, em todo o mundo, o que faz do clube de Alvalade o “Campeão Mundial da Bolsa”. Segundo a conceituada agência, a percentagem de valorização dos títulos bolseiros leoninos foi de cerca de 400%, acrescentando ao título atrás referido o de “Campeão Nacional da Bolsa”.

É certo que este é um título meramente simbólico, mas o reconhecimento alheio é sempre um motivo de regozijo. De facto, num ano em que o Sporting vivenciou situações caóticas e amplamente conhecidas, esta distinção demonstra como o caminho que vem a ser seguido por Bruno de Carvalho é o correcto. Para se ter uma ideia mais concreta da alteração ocorrida, as acções do Sporting, que no início do ano valiam 0.160 euros, fecharam 2013 num valor de 0.890 euros. O desempenho extraordinário da equipa, desde que a época actual começou, não pode, obviamente, ser desassociado deste crescimento.

O Sporting Clube de Portugal terá, no ano de 2014, duas grandes batalhas para vencer: o Campeonato Nacional e a sanidade financeira. Ambas se revestem de total importância e urge que não se resumam apenas a desejos. A nós, adeptos e sócios, recai o dever de ajudar o clube em ambas as lutas. Unamo-nos e conseguiremos!

Será desta? (parte 2)

cab desportos motorizadosOntem, falei sobre as motas e sobre as possibilidades de um português vencer esta categoria no Dakar. Hoje, tal como disse no fim do primeiro artigo, vou falar sobre as restantes categorias em disputa na América do Sul.

percurso do Dakar
Percurso de 2014 do Dakar
Fonte: sulinformacao.pt

Começando pelas quads – única categoria sem portugueses –, o grande candidato é Marcos Patronelli. Este argentino ganhou em 2010 e 2013, e ficou em segundo na edição de 2012. Nos 41 concorrentes desta categoria, que se disputa desde 2009, existem mais alguns corredores com possibilidade de vitória, embora improvável, tal o conhecimento e experiência do argentino. O chileno Ignacio Casele, o polaco Rafal Sonic e o holandês Sebastian Husseini são os outros favoritos, mas com uma luta mais provável pelo pódio.

Passo agora para os camiões, desta vez sem Elisabete Jacinto, por estar presente a participar na África Eco Race (uma prova semelhante ao Dakar original).

Nikolaev e o seu camião
Nikolaev, com o seu Kamaz, em 2013.
Fonte: redbull.co.uk

Nesta categoria, é esperado que os russos dominem, quer por pilotos quer por camiões (Kamaz). Eduard Nikolaev é o grande candidato à vitória, depois de já ter vencido no ano passado. Ayrat Mardeev será – provavelmente – o único piloto que pode impedir o triunfo de Nikolaev. Andrey Karginov e Gerard de Rooy devem lutar entre si pelo último lugar do pódio, sendo que de Rooy é, destes quatro, o único não russo e o que não conduz um Kamaz. O holandês, vencedor de 2012, está ao volante de um Iveco.

Aqui, temos dois portugueses. Pedro Velosa vai estar no MAN número 553, conduzido pelo alemão Udo Kühn. Velosa é um copiloto experiente neste tipo de provas. No Renault com o número 555, vai José Martins, mecânico nascido na Covilhã. O piloto responsável por este camião é Michel Boucou.

Finalmente, os carros, categoria onde se espera uma luta animada pela vitória. Stéphane Peterhansel e Nasser Al-Attiyah são os grandes candidatos. O francês é o recordista de vitórias no Dakar, tendo ganhado por 11 vezes a prova, seis nas motos e cinco nos carros, tendo dois desses triunfos ocorrido nos dois últimos anos. Al-Attiyah também já venceu o Dakar, em 2011, na última vitória da Volkswagem antes do abandono da modalidade. O piloto do Catar é um verdadeiro desportista, já que, além do Dakar, faz ralis no WRC e no campeonato do Médio Oriente (onde é tricampeão) e já participou em cinco Jogos Olimpicos em Skeet masculino –uma prova de tiro – tendo ganhado a medalha de bronze em Londres. Ambos os pilotos vão estar ao volante de um MINI.

Carlos Sainz e Gilles de Villiers, também eles antigos vencedores do Dakar, em 2010 e 2009, respetivamente, são os grandes candidatos a discutir o último lugar do pódio e, quem sabe, fazer frente aos MINI. O espanhol participa com um Buggy, enquanto o sul africano participa com um Toyota. Sempre espetacular é Robby Gordon com o seu Hummer; o norte americano ficou em terceiro em 2009 e vai estrear este ano uma nova versão do carro. Outro piloto que pode surpreender é Nani Roma, também ele em MINI; ele é, aliás, um ex-vencedor, mas em motos, no ano de 2004. Outra novidade interessante para esta edição é a entrada da Ford, que, com o Ranger piltotado por Lucio Alvarez e por Chris Visser, pode ser uma surpresa bastante positiva.

Carlos Sousa
O carro de Carlos Sousa
Fonte: facebook.com/photo.php?fbid=610831828978223&set=pcb.610832185644854&type=1&theater

Focando agora nos portugueses presentes nesta categoria, o maior destaque tem de ir para Carlos Sousa, que vai ter na sua porta o número 306. Sousa é acompanhado por Miguel Ramalho e vão conduzir o Haval à melhor posição possível, sendo o top 10 o objetivo. Este é o terceiro ano da parceria luso-chinesa, sendo que Sousa ficou nos outros dois no sexto posto. Paulo Fiúza é o navegador de Orlando Terranova. O argentino conduz um MINI e espera alcançar os 10 primeiros lugares e, se possível, o pódio. Também como navegador de um piloto da MINI está Filipe Palmeiro. Este portalegrense tem como missão navegar o rookie, de apenas 23 anos, Martin Kaczmarski, vindo da Polónia. Completando os portugueses em prova temos a dupla Francisco Pita/Humberto Gonçalves. O objetivo deste par é o top 40; para tal, vão usar o Buggy SMG Gache.

Emidio Guerreio com os participantes do Dakar, bem como os da África Eco Race.  Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=680135382018103&set=pcb.680135825351392&type=1&theater
Emidio Guerreio com os participantes do Dakar, bem como os da África Eco Race.
Fonte: facebook.com/photo.php?fbid=680135382018103&set=pcb.680135825351392&type=1&theater

Gostaria ainda de destacar a presença de Albert Lloverá com o número 352. Tomei conhecimento deste piloto apenas em 2008, quando se deslocou a São Miguel para a disputa do SATA Rally Açores desse ano. O factor de destaque deste piloto é uma característica que o difere dos restantes: o andorrenho é paraplégico, depois de um acidente a fazer esqui, em 1985. Lloverá é ainda o atleta mais novo a participar nuns Jogos Olimpicos de inverno, com 17 anos, em Sarajevo, no ano de 1984. Desde o acidente que se dedica aos desportos motorizados, com destaque para os ralis. Esta vai ser a sua segunda participação no Dakar, depois da presença de 2007, do qual desistiu.

Não perca, a partir de amanhã, todos os desenvolvimentos de mais um Rally Dakar, esta que é uma das provas mais espetaculares e igualmente mediáticas. Resta-me desejar boa sorte a todos os concorrentes, com especial destaque aos portugueses.

Os “altos” de 2013…

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cab Surf

Estamos no início do novo ano e nada melhor do que o começar com um pequeno resumo do que se passou em 2013.

Comecemos, então, por Mick Fanning. O surfista australiano ganhou o título de campeão mundial pela terceira vez. Este foi disputado mesmo até ao último momento na famosa onda de pipeline. Numa onda onde o jovem de 21 anos John John Florence era um dos favoritos, apenas Kelly Slater ou Mick Fanning podiam ser o grande campeão. Fanning tornou-se campeão, ao ganhar o seu heat nos quartos-de-final.

Mick Fanning, campeão Mundial Fonte: http://www.smh.com.au/ffximage/2005/04/11/mickfanning_wideweb__430x350.jpg
Mick Fanning, campeão Mundial
Fonte: smh.com.au

Carissa Moore, a surfista natural do Hawai, foi outra das grandes figuras do ano. Depois de ter vencido o Rip Curl Pro Portugal em 2010, Carissa voltou a vencer em Portugal, tornando-se campeã mundial. A disputa foi muito árdua, envolvendo Carissa, Tyler Wright e Sally Fitzgibbons.

A onda da Nazaré também foi premiada com o título de Capital Mundial das ondas grandes. Como todos sabem, Garrett McNamara foi o surfista que mostrou o canhão da Nazaré. Este ano, a onda gigante ficou marcada pelas várias sessões de grandes ondas que a Natureza fez chegar. A acrescentar a isto, Carlos Burle e Maya Gabeira também marcaram Portugal. Burle por apanhar uma onda que muitos dizem ser a maior do mundo, e Gabeira por ter caído numa onda que quase lhe custou a morte.

Por fim, temos os mais velhos a dar trabalho aos mais novos. Exactamente: apesar de cada vez mais os mais novos (como John John Florence, Gabriel Medina, Miguel Pupo e Julian Wilson) se destacarem no WCT pelas manobras inovadoras e impressioanntes, foram os mais velhos que dominaram o World Tour durante todo o ano. Foi o caso do ex-campeão mundial de 2013, Joel Parkinson, o vice-campeão mundial, Kelly Slater, e o novo campeão mundial, Mick Fanning. Neste novo ano, os jovens prometem dar mais trabalho e lutar seriamente pelo título.

O Passado Também Chuta: Franz Beckenbauer: O Demiurgo alemão

o passado tambem chuta

O melhor seria não dizer nada. O bom seria colocar um filme e legendar: deliciem-se. O segundo lustro de 1960 batera à porta. O mundo debatia-se entre revoluções e mudanças de mentalidades e costumes. Hoje, desde a China chega-nos material de consumo de usar e rebentar; naquela época, chegava por portas e travessas o livro vermelho de Mao. A televisão ganhava caminho. As imagens e as retransmissões televisivas dos jogos de futebol enchiam as ruas. Descia-se a lisboeta Rua da Palma e, antes de chegar ao cruzamento do Martim Moniz, era costume e normal ver montes de gente apinhada perante uma montra que vendia televisões e as mantinha ligadas. Em pleno 1966, a Inglaterra organizava o seu Campeonato do Mundo. Entre figuras ribombantes do futebol mundial – Eusébio, Charlton, Pelé, etc. – apareceu na seleção da Alemanha Ocidental um jovem imberbe de apenas vinte anos, alto, sem grandes alardes de movimentos ou correrias, com um toque de bola primoroso e um levantar a cabeça digno de um lobo de mar, chamado Franz Beckenbauer.

A serenidade / Fonte: futbollegends.blogspot.com
A serenidade / Fonte: futbollegends.blogspot.com

Novo e imberbe, chega com a sua seleção à final do Campeonato do Mundo de Inglaterra. Está instalado no meio do campo. Depois de algum golo e acontecimento fantasma, Inglaterra ganha o seu único Campeonato do Mundo. No entanto, o jovem Beckenbauer sai como o melhor centrocampista do torneio. A sua trajetória ascendente não terminaria nunca. De revolução em revolução, Beckenbauer, o brasileiro da Alemanha, descai no campo e revoluciona a posição de Libero. O jogo começou a organizar-se desde a posição paralela ao defesa-central. Mas progredia no campo, mas chegava às fronteiras da grande-área rival e, aí, com o seu extraordinário remate à distância, foi dando vitórias, foi logrando títulos.

Neste momento, o seu clube, que vinha do nada, Bayern de Munich, começa a forjar o seu futuro e a sua lenda. Os jogadores excecionais, como o guarda-redes Mayer ou o killer Muller, estão instalados na equipa e formam um trio com Beckenbauer, que se vê com capacidade de ganhar tudo, tanto a nível de clube como de seleção. É escusado dizer que ganharam tudo. É escusado dizer que enumerar as suas conquistas esgotaria este texto. É escusado dizer que Franz Beckenbauer foi galardoado repetidamente com a Bola de Ouro. Mas a sua áurea ultrapassou o Atlântico e, quando a idade do desportista estava a virar a esquina, foi campeão, também, dos Estados Unidos da América, defendendo a camisola do Cosmos. O mal apodado Kaiser, porque, por muito imperador que se seja, jamais se tem arte e delicadeza, e Beckenbauer era elegância, fantasia, imaginação e saber fazer, entrega as botas aos 35 anos de idade, depois de voltar à Alemanha Ocidental e fazer vice-campeão o Hamburgo.

A Bola de Ouro tinha nome / Fonte: naked-football.tumblr.com
A Bola de Ouro tinha nome / Fonte: naked-football.tumblr.com

Não foi o inventor do Futebol, nem do êxito predestinado, mas, passado um tempo, virou treinador e as taças caíram, e, como selecionador, também, ganhou o Campeonato Mundial. Depois, como diria o poeta espanhol: “farto de estar farto, já me cansei…” virou dirigente e organizador. Virou Presidente. Acabou, por agora, na posição de Presidente Honorífico. Dizem os seus patrícios que Beckenbauer está acima do Chanceler e abaixo de Deus. Eu não vou pelos derroteiros das divindades, mas o meu conhecimento e apreciação pode afirmar: não existiu, até hoje, pessoa mais bafejada pelo êxito em todas as vertentes do Futebol. Não é Deus, mas é um Demiurgo.

Aguenta, Matic!

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nascidonafarmaciafranco

A forma como acabou a época passada não conta a história do que aconteceu com os encarnados durante a mesma. Uma equipa a jogar um futebol delicioso em grande parte da temporada oferecia certezas de que esse colectivo funcionava, de que as mecânicas estavam assimiladas e de que assim o Benfica estaria desportivamente bem encaminhado. O final infeliz fez, ainda assim, com que alguém soubesse olhar para esta equipa e tentasse preservá-la. Fora uma comitiva de sérvios, esse foi o grande reforço do Benfica para esta temporada: não deixar sair.

Eis que nos encontramos em altura de mercado de transferências de Inverno e a especulação sobre as saídas e entradas em todos os clubes é imensa. De tantos nomes tradicionalmente apontados ano após ano, o patrão do meio campo benfiquista parece ser nesta altura o alvo mais cobiçado – em Inglaterra tropeçam uns sobre os outros para ver quem chega primeiro. Matic é destaque na Europa e a forma como cresceu no Benfica não passou despercebida. Hoje é um elemento fulcral no modelo de Jorge Jesus e é isso que assusta, com a chegada do dia 1 de Janeiro. A verdade é que se houve iluminados que perceberam que a orgânica da equipa tinha de se manter intacta para que o Benfica pudesse com potencial ambicionar aquilo por que sócios e adeptos tanto anseiam – títulos – então que não se apague agora essa luz. Isto porque o impacto que tem manter uma equipa com o calibre da do Benfica de um ano para o outro deixa pouca margem para “brincadeiras”, passe a expressão. E fazer uma aposta deste tipo, com tudo o que isso implica, para chegar a Janeiro e começar a descoser o tecido pode abrir portas a outros finais menos felizes.

Estará Matic de volta ao futebol inglês? Fonte: zimbio.com
Estará Matic de volta ao futebol inglês?
Fonte: zimbio.com

Fesja não terá vindo por acaso e por isso a surpresa não seria grande se Matic saísse. Mas esta ideia de reforço antecipado não me convence. Oxalá esteja tão enganado como estive quando saiu Javi Garcia e não encontrei em Matic a solução ideal. Mas fazer esquecer o homem que fez esquecer Javi é algo muito ambicioso. Nesta perspectiva, falar de Matic é como falar de Garay ou Gaitán, que são nomes apontados à porta de saída também. Mantendo a coerência daquilo que era o projecto que conferia imunidade a este plantel, a saída de qualquer um destes jogadores nesta altura pode comprometer seriamente as ambições do clube. Isto porque as contas se fazem no fim – não no Natal – e porque o Benfica está a disputar quatro competições que, ainda que não tenham todas a mesma importância, pelo menos enquanto compromisso no calendário representam desgaste. Não estando a falar de jogadores do mesmo patamar, se calhar se Bruno Cesár ou Nolito não tivessem saído por esta altura no ano passado o Benfica teria conseguido imprimir alguma frescura em competições como a Taça da Liga ou a Taça de Portugal, que está a disputar novamente este ano e para as quais é sempre favorito.

Vou estar atento a estas movimentações de Inverno com a esperança de que a coesão se mantenha pelo menos até ao final da temporada. Não há dúvida de que a instituição Benfica, pela dimensão que tem e pelo que representa, não vive apenas e só do futebol enquanto modalidade. Por outro lado, a corrigir tantos assuntos extra-desportivos, cerca de seis milhões de benfiquistas têm ficado para trás desde há três anos para cá e tem-lhes sido negado o tão cobiçado título de campeão nacional. É hora de voltar a pôr a nação benfiquista à frente dessa lista de prioridades.

Será desta?

cab desportos motorizadosComeça domingo (dia 5) mais uma edição do Rally Dakar e novamente fora de África. Vamos para o sexto ano seguido de Rally Dakar na América do Sul (este ano na Argentina, Bolívia e Chile), o que, para mim, não faz qualquer sentido. O rali deveria voltar às suas origens, de forma a recuperar a mística que tinha. As questões de segurança não se levantam, já que neste espaço de tempo se tem corrido no continente africano a África Eco Race, uma prova semelhante ao percurso do rali original. Mas, abandonando o local da prova e focando os pilotos – com maior destaque para os portugueses –, penso que este pode ser um ano histórico para o nosso país, podendo finalmente ter um vencedor. São 15 portugueses em prova; sete competem nas motas, seis nos carros (duas equipas completas e dois copilotos de pilotos estrangeiros) e dois nos camiões (correm em equipas diferentes e não são o piloto principal), sendo que apenas nos quads Portugal não tem representantes.

Hélder Rodrigues, Ruben Faria e Paulo Gonçalves junto das suas montadas. Fontes: http://www.motoraid.com.br http://www.lusomotores.com http://www.lusomotores.com
Hélder Rodrigues, Ruben Faria e Paulo Gonçalves junto das suas montadas.
Fonte: motoraid.com.br ; lusomotores.com ; lusomotores.com

É nas motas que Portugal tem mais hipóteses de sair campeão, depois de três pódios nos últimos três anos (Hélder Rodrigues foi 3º, em 2011 e 2012, e Ruben Faria 2º, em 2013). O objetivo passa por vencer a prova para três dos nossos candidatos. Vamos, então, falar dos pilotos portugueses que vão disputar o rali. Comecemos pelo segundo classificado do ano passado, Ruben Faria, que vai usar o número oito. O piloto de Olhão é chefe de fila no Team Red Bull KTM, equipa vencedora das 12 últimas edições. Depois de desempenhar o papel de aguadeiro durante alguns anos para Cyril Després, o português espera poder lutar pela vitória. Com o número sete, temos Hélder Rodrigues. O lisboeta, que, desde 2006, termina no top 10 da prova, e depois do 7º lugar na temporada passada, vai tentar lutar pelo triunfo com a nova Honda e como chefe de equipa. Na mota número 10, temos o Campeão do Mundo Paulo Gonçalves, igualmente com uma Honda. O piloto de Esposende também sonha com a vitória e a verdade é que tem todas as condições para a obter, depois de um ano de 2013 de alto nível, sendo o seu ponto mais baixo o 10º lugar no Dakar.

Cyril Despres, Marc Coma, Joan Barreda e ‘Chaleco’ Lopez. Fontes: http://www.asphaltandrubber.com http://www.autoevolution.com http://www.dipcas.es http://deportes.terra.cl/
Cyril Despres, Marc Coma, Joan Barreda e ‘Chaleco’ Lopez
Fonte: asphaltandrubber.com; autoevolution.com; dipcas.es; deportes.terra.cl

Na luta pela vitória, nas motas, estarão ainda mais quatro pilotos, dois deles os vencedores das últimas oito edições. Cyril Despres venceu por cinco vezes a prova, incluindo as duas últimas. O francês, este ano, vai correr na Yamaha, depois de vários anos na KTM. Marc Coma já ganhou por três vezes e espera este ano chegar à quarta vitória, aos comandos de uma KTM. Além deles, há ainda Joan Barreda e ‘Chaleco’ Lopez – o primeiro em Honda, e o segundo em KTM. Voltando aos portugueses, com a placa 36 vai Mário Patrão. O campeão nacional de Enduro nos últimos seis anos vai fazer a sua segunda participação na prova, ao comando de uma Suzuki. Depois do 30º lugar do ano passado, o objetivo passa por terminar no top 20. O número 44 é Pedro Oliveira, que volta ao Dakar depois do 26º posto de 2011, ao volante de uma Speedbrain. Finalmente, com os números 49 e 53, temos o Team Biachi Prata. Na mota 49 vai Victor Oliveira, que vai fazer a sua estreia na prova, depois de o ano passado a ter falhado por lesão. Pedro Bianchi Prata está na 53, e pretende lutar por um top 15. O piloto do Porto terminou todas as suas seis participações tendo como melhor resultado o 30º posto, por três vezes. Os dois pilotos conduzem uma Husqvarna.

Mário Patrão, Pedro Oliveira, Victor Oliveira e Bianchi Prata. Fontes: http://www.lusomotores.com http://www.lusomotores.com http://www.bianchiprata.com http://16valvulas.wordpress.com/
Mário Patrão, Pedro Oliveira, Victor Oliveira e Bianchi Prata
Fonte: lusomotores.com ; lusomotores.com ; bianchiprata.com; 16valvulas.wordpress.com/

Por hoje fico por aqui, amanhã falo sobre as restantes três categorias em disputa nesta edição do Rally Dakar, com especial destaque aos portugueses.

P.S: Neste dia do seu 45º aniversário desejo as melhoras ao Schumi.