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Técnica de Peso

cab Rugby

O ano de 2013 acabou em grande para o GD Direito. A equipa lusa tornou-se campeã ibérica ao vencer os espanhóis VRAC Valladolid na final da Taça Ibérica realizada no passado sábado, 28 de Dezembro.

A 34ª edição desta prova, que opõe os actuais campeões portugueses e espanhóis, realizou-se em Lisboa, no campo de Monsanto.

O GD Direito já vencia por 24-6 ao intervalo, terminando a partida a vencer por 41-11, com destaque para o atleta Gonçalo Malheiro, que somou um ensaio, duas penalidades e quatro transformações. Luís Sousa, Rui D’Orey, Vasco Fragoso Mendes e Manuel Vilela foram responsáveis pelos restantes ensaios.

jogadores do GD Direito festejam a conquista do trofeu Fonte: jogadadomes.com
jogadores do GD Direito festejam a conquista do trofeu
Fonte: jogadadomes.com

Esta vitória representa o 15º triunfo português nesta prova, sendo a terceira consecutiva do rugby português. O GD Direito traz-nos assim mais uma prova de que o rugby português está cada vez mais forte e mais significativo no panorama mundial.

O resultado da partida pode fazer com que se pense que foi uma partida fácil. No entanto, foi um jogo muito disputado, que exigiu persistência e concentração para contornar as dificuldades proporcionadas pela secção de avançados de maior porte dos espanhóis. Os advogados de Martim Aguiar conseguiram assim demonstrar que a sua técnica no jogo foi superior ao peso e à altura dos espanhóis.

Nos últimos anos têm-se ouvido inúmeras críticas relacionadas com a fisionomia dos nossos atletas, desmotivando-os nas competições internacionais. A questão que se impõe é se não terá sido esse aspecto o grande responsável pela evolução da sua técnica e que o tem tornado cada vez mais forte?

Tem-se utilizado o facto de os portugueses não serem tão altos e tão pesados como a maioria dos jogadores das melhores selecções estrangeiras como argumento contra as possibilidades de a equipa portuguesa triunfar nas competições internacionais.

Mas, se analisarmos bem a evolução do rugby português, veremos que foi isso que nos fez apostar na técnica, na velocidade e na concentração que nos têm feito destacar no panorama mundial. Temos no atleta Pedro Leal um exemplo de um jogador de baixa estatura mas que se tem revelado um dos melhores portugueses pela sua técnica e velocidade.

A vitória do seu clube na Taça Ibérica foi, mais uma vez, prova disso. Um jogo que se apresentava muito difícil devido à altura e peso da equipa espanhola (principalmente dos seus pilares) foi vencido pela superioridade a nível técnico demonstrada pela equipa portuguesa.

E é isso que vai continuar a fazer este desporto crescer em Portugal: a utilização das nossas fraquezas para nos tornarmos mais fortes.

Que 2014 seja um ano de rugby de excelência e que Portugal continue a trazer grandes resultados das competições internacionais para que possa ocupar um lugar cada vez maior no mundo do rugby.

2014, e agora?

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O fim de ano no mundo de futebol significa uma pausa nas competições e uma merecida recarga de energias por parte dos jogadores – exceção feita ao futebol inglês – de forma a encararem a segunda metade da época. A partir deste momento, qualquer ponto perdido será fulcral nos objetivos de cada equipa. A cada derrota ou vitória, o peso das grandes decisões torna-se cada vez mais significativo.

Quem será o grande campeão espanhol? Conseguirá o Atlético de Madrid manter a performance demonstrada? E Ronaldo, continuará a carregar às costas os sonhos dos adeptos merengues?! E quanto às descidas de divisão, quem terá capacidade para fugir à despromoção? São tantas as perguntas a que apenas o tempo responderá! Todavia, é o momento ideal para refletir e lançar uma perspetiva daquilo que poderá acontecer.

Barcelona: 15 vitórias, 1 empate e 1 derrota a juntar aos 49 golos marcados e apenas 12 sofridos espelham bem a consistência dos blaugrana. Podem não demonstrar o perfume de outrora mas a solidez mantém-se – e vem aí Messi. Será, na minha opinião, o campeão desta edição do campeonato espanhol.

Atlético Madrid: já aqui esgotei os meus elogios ao Atlético Madrid, aos seus jogadores e treinador. Que época fantástica! Grupo unido, bom futebol, grande mentalidade. Falta saber se têm estofo para aguentar até ao fim, e se Diego Costa permanece no clube até ao verão. Num mundo futebolístico justo, este Atlético seria campeão. Todavia… o 3º lugar será, à partida, o destino certo.

Real Madrid: vive mais das individualidades do que do coletivo. Ronaldo será sempre uma das três figuras do campeonato, mas o futebol dos merengues ainda não é suficiente para travar a harmonia tática do Barcelona. Dificilmente alcançará o primeiro lugar, a não ser que melhore rapidamente. Com a reabertura do mercado era aconselhada a compra de um avançado de renome que faça justiça às necessidades do clube.

Atlethic Club Bilbao/Real Sociedad/ Villareal: juntos compõem os restantes lugares europeus. Recentemente falei dos dois clubes bascos e, face à enorme qualidade demonstrada até aqui, prevejo que se mantenham em lugares europeus no final do campeonato. No entanto, apenas um terá acesso à Champions. O meu voto vai para a Real Sociedad. A equipa do sensacional Griezmann parece-me mais madura e ciente da longa travessia que tem de percorrer.

Quanto ao Villarreal prevejo alguma dificuldade em arrecadar a 6ª posição. Precisa de reforços na defesa, mas, devido à recente subida de divisão, duvido da vontade dos dirigentes de investir no plantel – que é curto e acabará por dar sinais de fadiga.

Barcelona fez a festa na época passada / Fonte: Sapo
Barcelona fez a festa na época passada / Fonte: Sapo

Sevilla/Getafe/Espanyol/Valencia/Granada: o Sevilha vem de uma senda de vitórias notável e tem as melhores condições para alcançar o último lugar europeu – por troca com o Villarreal. Com três jogadores lusos (Beto, Diogo Figueiras e Daniel Carriço), o Sevilla usufrui de um vasto plantel recheado de qualidade.

O Getafe tem feito, tal como na temporada anterior, um campeonato consistente. Tem o defeito de marcar poucos golos e de possuir um plantel com poucas “estrelas”. Na melhor das hipóteses terminará nos lugares abaixo da linha europeia.

O Espanyol e o Valencia fazem parte do lote de clubes com jogadores portugueses no plantel: Pizzi e Simão Sabrosa no Espanyol; Ricardo Costa, João Pereira e Hélder Postiga no Valencia. Curioso é que deste conjunto de jogadores apenas Ricardo Costa tem fugido às críticas da imprensa e adeptos. Veremos aquilo que o mercado de janeiro nos reserva para os referidos jogadores. Quanto aos objetivos dos clubes: o Espanyol dificilmente sairá dos lugares do meio da tabela; o Valencia, por seu turno, tem obrigação de fazer muito melhor. Com um plantel de enorme qualidade (Piatti, Banega, Canales, Guardado) são inadmissíveis os escassos 20 pontos conquistados. A continuar assim, não fica, de certeza absoluta, em lugar europeu. O novo treinador, Juan Antonio Pizzi (ex-jogador do FC Porto), tem pela frente uma difícil tarefa.

Por fim, o Granada parece-me claramente o típico clube de lugares do meio da tabela. Aliás, mais rapidamente os andaluzes lutam para não descer do que para subir na classificação.

Levante/Málaga/Elche/Almería/ Osasuna: o Levante, clube onde atua o português Sérgio Pinto, é, à imagem do Granada, um clube de resultados medianos. Marca poucos golos e tem uma defesa razoável. Prevejo que tenha algumas dificuldades em assentar a sua posição na tabela.

O Málaga encontra-se num estado de depressão. Depois do castigo da UEFA – que proibiu o clube andaluz de atuar nas competições europeias – os dirigentes foram obrigados a rever os objetivos estabelecidos a curto e médio prazo. Venderam alguns jogadores de renome e renovaram o plantel. Não é muito fraco, mas também não é muito bom. Penso, contudo, que, à 17ª jornada, o Málaga tem uma fraqueza psicológica demasiado evidente para ser posta de lado. Com dois ou três reforços de qualidade e uma renovada mentalidade, o clube poderá ressurgir para uma boa época.

O Elche, o Celta de Vigo, o Almería e o Osasuna estão, atualmente, separados por apenas 2 pontos. Não tenho qualquer dúvida de que a luta pelos lugares de despromoção vai ser frenética – à imagem dos últimos anos – e de que os duelos, decisivos, entres estas equipas serão apaixonantes. No entanto, deste grupo, aponto o Elche, clube que subiu de divisão esta temporada, como o mais forte candidato à descida. Com um plantel curto e fraco, aliado a um futebol aguerrido mas incapaz, o Elche dificilmente permanecerá entre os grandes.

Tabela classificativa à entrada para 2014 / Fonte: ZeroZero
Tabela classificativa à entrada para 2014 / Fonte: ZeroZero

Valladolid/Rayo Vallecano/Real Betis: o Valladolid é um cliente habitual do meio da tabela. Tem uma equipa mediana mas com capacidades (21 golos marcados e 29 sofridos). A defesa é o ponto fraco desta equipa, que, com reforços cirúrgicos, será capaz de alcançar lugares de permanência na liga BVVA.

O Rayo Vallecano é um caso em (quase) tudo semelhante ao do Málaga. Terminou a edição anterior da Liga espanhola no 8º lugar, o que lhe concedeu um lugar na Liga Europa. A UEFA, através das leis do fair-play financeiro, proibiu o clube de participar nas competições europeias e as consequências estão à vista. Com 40 (!) golos sofridos – a pior defesa do campeonato – e somente 16 marcados, o Rayo Vallecano necessita urgentemente de reforços na defesa (onde atua o português Zé Castro). Penso que é o grande candidato à descida: a equipa sofre golos de todas e quaisquer formas, não apresenta qualquer rasgo de criatividade e ambição. Parece-me fácil perspetivar o futuro do Rayo.

Por último, o Real Betis. Que enorme crise atravessa este clube de Sevilha! O plantel até é extenso e tem alguma qualidade – o que surpreende ainda mais – mas os resultados são catastróficos: 2 vitórias, 4 empates e 11 derrotas, com somente 15 golos marcados e 36 sofridos. O Real Betis tem, neste momento, 10 pontos. Relembro que na época anterior o último classificado fez 34 pontos. Os números revelam, portanto, que dificilmente o Betis conseguirá a permanência.

Com maior ou menor dificuldade, todos somos capazes de lançar prognósticos. No entanto, a verdade é que o futebol nos surpreende muitas vezes e dificilmente as restantes jornadas da Liga BVVA deixarão de o fazer. No fundo, é essa imprevisibilidade de um jogo, de uma jornada ou até de todo um campeonato que torna este desporto tão espetacular e apaixonante.

Ricardo, a bola é tua

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dosaliadosaodragao

Certa vez, Marcelo Bielsa, mítico treinador argentino, afirmou preferir a “transpiração inspirada à inspiração momentânea”. Vem isto a propósito de Ricardo Quaresma e do seu retorno ao Dragão.

Mustang”, “Cigano” ou “Harry Potter”, o extremo internacional português voltou a casa! À casa onde, entre 2004 e 2008, ajudou a escrever páginas de glória e assinou momentos de magia. O comum portista relembra a sua invulgar capacidade técnica – desde as trivelas às recepções de bola precisas e orientadas, passando pelos dribles estonteantes e cruzamentos tensos a “cheirar a golo”. Como recorda os enormes golos: ao Valência, na Supertaça Europeia; com nota artística, em Alvalade; com a “bola no sete”, em Guimarães; ou numa combinação de espectacularidade e eficácia, diante do Benfica.

Mas o portista lembra (talvez) a outra face de Quaresma: os ‘amuos’, os pedidos para sair, a rábula do Verão de 2008 ou o sentir-se maior e mais importante do que o colectivo. Laszlo Boloni acertou em cheio quando, numa palavra, o definiu – “Mustang“, disse, então, o ex-treinador do Sporting. Ou um verdadeiro cavalo selvagem.

Quaresma sempre necessitou de um espaço muito próprio dentro de uma equipa de futebol. Talvez por isso tenha tido pouco sucesso com o exigente Co Adriaanse; talvez por isso tenha demonstrado o melhor futebol com o pacifista Jesualdo Ferreira. Melhor do que ninguém, o actual treinador do Braga montou o FC Porto de então de forma a proteger Quaresma: com plena liberdade, tornou-se um verdadeiro ícone de magia com a bola nos pés. Sem ela, menos um a defender. Ou, se quisermos, um jogador de inspiração momentânea mas com muito pouca transpiração inspirada. E tudo menos aquilo que nós, portistas, definimos como ‘um jogador à Porto’!

Da mesma forma que recordo todos os momentos de plena magia assinados pelo Harry Potter, lembro os assobios e a sensação de desgaste profundo que a relação Quaresma-adeptos atravessava quando o “Mustang” partiu. Falhou em Milão, não apareceu em Londres, reinou algum tempo na Turquia e tirou férias no Dubai. Até aqui.

Sorrir. Eis o que Quaresma e os adeptos do FC Porto esperam voltar a fazer. / Fonte: A Bola
Sorrir. Eis o que Quaresma e os adeptos do FC Porto esperam voltar a fazer. / Fonte: A Bola

Ainda assim, quando mais precisava, Quaresma teve a mão estendida de quem lhe havia dado um berço para crescer. De quem o tinha mostrado ao Mundo e o havia deixado partir porque a casa já era pequena para tamanho ego. O ego que Ricardo Quaresma alimentava a cada trivela feita.

Só quem não assistiu ao primeiro treino do Dragão no novo ano não conseguiu descortinar a alegria que o reforço do FC Porto demonstrou. O adepto portista aprumou a casa e tratou de receber um dos seus filhos, esquecendo os mal-entendidos e recordando tão-só os momentos em que foi feliz graças à sua acção. Deu-lhe (provavelmente) a última oportunidade e devolveu-lhe a camisola com que sempre gostou de alinhar: o mítico 7. Perante isto, perceber o conforto e a comodidade do “Cigano”, o seu à-vontade e alivio mesclado com a gratidão que tem por sentir que a casa onde mais foi feliz não o esqueceu, traduzida nas palavras emocionadas de quem está a rebentar de alegria, não deixa indiferente o mais racional dos adeptos.

À semelhança do regresso de Lucho, espero e desejo que este retorno seja bem mais do que um paliativo administrado aos adeptos portistas; é certo que as minhas dúvidas quanto à utilidade desta contratação não se dissiparam totalmente. Porém, não duvido, hoje, que o lado emocional de Quaresma estará mais reforçado do que nunca – não há maior motivação do que sentir o carinho de quem o recebeu de braços abertos e lhe deu a possibilidade de voltar a ser feliz (como ele próprio o disse). Se, aliado a isso, atingir rapidamente os níveis mínimos de ritmo e capacidade física, então Quaresma terá legitimidade para exigir que “Harry Potter” volte a ser o seu nome do meio. Porque, no fundo, talento foi coisa que nunca lhe faltou.

Agora, Ricardo – como disse J.F. Kennedy –, terás de te olhar ao espelho e interrogares-te a ti próprio: não perguntes o que o FC Porto pode (mais) fazer por ti. Pergunta antes o que tu, com o Dragão no peito, podes fazer pelo FC Porto. Agora é contigo!

Carrega, couratos e bifanas!

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Terceiro Anel

Benfica vs FC Porto, o jogo mais explosivo do futebol português, num domingo às 16 horas. Mal fiquei a conhecer o horário desta partida, dei por mim a largar um enorme sorriso, porque jogatanas nas tardes de domingo são…aquela base. E ainda para mais tratando-se de uma recepção aos nossos queridos amigos da Invicta, jogo esse (e falo por mim) que é o que mais gozo me dá ganhar em Portugal.

Mas de facto, e foi isso que me levou a escrever este artigo sobre o tema, é a essência da futebolada durante um domingo à tarde que me encanta profundamente. E eu, que até estava com um certo receio de que não viesse aí uma grande casa a caminho para este clássico, agora fiquei quase convicto de que haverá um grande ambiente na catedral nacional. O Benfica tem vindo a praticar um futebol enfadonho e desgarrado, sem conexão, mas tenho esperança de que a situação se altere no dia 12 de Janeiro. E para isso deverá contribuir, e muito, a envolvência desta partida. Teremos famílias inteiras a deslocar-se ao Estádio da Luz, teremos famílias inteiras a almoçar junto do Estádio da Luz, teremos famílias inteiras a cantar pelo clube junto ao Estádio da Luz, teremos “roulottes” apinhadas de gente junto ao Estadio da Luz (não me levem a mal, mas escrever “Estádio da Luz” para mim é uma terapia), teremos bifanas e couratos por toda a parte!

Aliás, temo pela saúde do gado suíno nacional, visto que os couratos e bifanas terão, certamente, uma enorme saída no dia 12 de Janeiro. Mas pronto, é o preço a pagar por haver uma partida destas num tão apetecível horário. E depois, os adeptos poderão ir descansados para o Estádio da Luz, sabendo que a seguir ao clássico ainda poderão dar largas à sua alegria durante muitas horas, depois de mais uma vitória do Benfica. E isto porque o jogo será às 16 horas e não à noite, como por norma sempre acontece, e assim sendo, os adeptos que ainda têm emprego (ainda existem portugueses com emprego, não existem?) podem estar à vontade, dando-se ao luxo de ir ao teatro ou ao cinema depois do jogo.

Benfica - FC Porto, em Abril de 1993, numa das muitas tardes de sonho na velha Luz / Fonte: ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.pt/
Benfica – FC Porto, Abril de 1993, numa das muitas tardes de sonho na velha Luz
Fonte: ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.pt

Benfica vs FC Porto numa tarde de domingo, como tantos outros clássicos que se realizaram em tardes do dia semanal de descanso. Sim, já não teremos o Eusébio, Coluna, Simões e Germano dos anos 1960; sim, já não teremos o Humberto Coelho, Toni, Jordão e Vitor Baptista dos anos 70; sim, já não teremos o Bento, Pietra, Carlos Manuel e Chalana dos anos 1980; sim, também não teremos o Mozer, Ricardo Gomes, Valdo e João Pinto da primeira metade dos anos 1990 (por favor, caros colegas do “Bola na Rede”, não me obriguem a falar sobre o Benfica do período Junho de 1994/Dezembro de 2002).

Mas desta vez teremos o Luisão, o Garay, o Matic (pois, se calhar não), o Enzo, o Gaitán, entre outros. E além disso teremos um jogo na catedral, numa hora sagrada, com a partida a ser transmitida na Benfica TV, com um grande ambiente em redor do estádio, com um país em suspenso à espera deste tremendo desafio.

Felizmente, vou ver este jogo ao vivo, e por isso mesmo faço questão de participar neste evento de culto que será a romaria ao estádio, o almoço à base de couratos e bifanas, o convívio com muitos outros adeptos do Benfica. Sim, porque o Sport Lisboa e Benfica é o clube do povo, e por ser o clube do povo é que deve ter estes jogos sempre marcados para estas horas apetecíveis. Chega de recepções ao Paços de Ferreira e ao Gil Vicente em noites de domingo; chega de antecipações, por vezes escusadas, de jogos para noites de sexta-feira. Há que reunir a família benfiquista, há que tornar a tarde de 12 de Janeiro inesquecível. Por isso, viva o Benfica! Boa sorte, meu grande amor! Mas atenção, caro SLB, primeiro tens de passar aos quartos-de-final da Taça de Portugal!

Como nota final, gostaria de desejar um bom Ano Novo a todos os meus colegas deste projecto, e em particular a todos os nossos leitores. Ah, e já me esquecia, desculpem-me se porventura este artigo não estiver ao nível de outros, mas isto de escrever poucas horas depois de uma passagem de ano pode ter as suas contrapartidas.

Um ano de emoções

cab hoquei

Chegado o final do ano de 2013, é tempo de olhar para trás e fazer um balanço.

Este ano vai ficar na história no Benfica http://thumbs.sapo.pt
Este ano vai ficar na história no Benfica
http://thumbs.sapo.pt

Este foi um ano cheio de emoções para o hóquei português. Comecemos pelo Benfica. Este ano, a nível internacional, foi o melhor de sempre. O Benfica tocou o estrelato e viu, primeiro, a Europa e, depois, o Mundo ficarem a seus pés. Tudo começou na final four da Liga Europeia, disputada no Porto, e onde Benfica e FC Porto chegaram à final (aqui também mais uma vitória para o hóquei português). Depois de ter eliminado o Hockey Valdagno, o Benfica encontrava o FC Porto, que tinha derrotado o Barcelona, numa final inédita entre dois clubes portugueses, e que teve polémica à sua volta. Depois de se ter sentido intimidado durante o jogo da meia-final por parte de adeptos do Porto, o Benfica considerou não ir ao jogo da final, tendo a decisão de jogar sido tomada na manhã do dia do jogo. Em pleno Dragão Caixa, o Benfica conquistou a sua primeira Liga Europeia, graças a um golo de ouro de Diogo Rafael. Começava aqui uma caminhada cheia de glória para o Benfica. A próxima conquista seria a Taça Continental, onde os encarnados derrotaram, de forma contundente, o vencedor da Taça CERS, o Vendrell, por 5-3 fora e 5-0. E tudo culminaria na Taça Intercontinental. Frente ao campeão sul-americano, o Sport Recife, o Benfica goleou por 10-3, resultado que mostra o grande desequilíbrio que há entre o hóquei português e o brasileiro. Com o estatuto de campeão nesta edição da Liga Europeia, o Benfica lidera o seu grupo só com vitórias. A nível interno, as coisas não foram tão brilhantes. O clube não foi capaz de ganhar o campeonato e a Taça de Portugal e ocupa neste momento o 2º lugar.

O FC Porto também foi um dos vencedores do ano. Conquistou o campeonato, a Taça e a Supertaça, conseguiu uma grande vitória frente ao Barcelona e lidera o seu grupo na Liga Europeia. Faltou a cereja no topo do bolo, que seria a conquista da Liga Europeia no seu pavilhão. No campeonato, os azuis e brancos seguem em 3º.

A selecção de sub-20 voltou a ser feliz no Mundial http://cdn.record.xl.pt
A selecção de sub-20 voltou a ser feliz no Mundial
Fonte: Record

Em termos de selecções, este ano foi mais do mesmo. Muita esperança, muita qualidade, mas, no final, frustração. Por diversos factores já aqui referidos, Portugal voltou a falhar. No Mundial, Portugal apresentava-se como um dos favoritos, mas, num jogo onde o azar e a arbitragem não ajudaram, o país foi eliminado frente à Argentina e não conseguiu realizar o seu sonho. O mesmo se passou no Europeu feminino. Depois de uma série de resultados que deixavam o público esperançado, a selecção portuguesa caiu na final perante a Espanha por uns expressivos 7-0. Mais uma vez, Portugal morreu na praia. Mas, no panorama da selecção, nem tudo é negativo. Os sub-20 conquistaram o Mundial, um troféu que escapava há três finais consecutivas, com um trajecto impecável. Estes jovens mostraram que o futuro do hóquei está em boas mãos.

Em 2013, assistimos também à saída de Carlos Feriche da selecção espanhola. Depois de ter conquistado quatro Europeus e cinco Mundiais, abandonou o cargo deixando Espanha no topo da modalidade.

A AD Valongo termina 2013 num grande momento http://www.advalongo.pt
A AD Valongo termina 2013 num grande momento
Fonte: advalongo.pt

E acabo os destaques com a equipa sensação. Nesta época natalícia, há uma equipa que está a viver um verdadeiro conto de Natal. Falo da AD Valongo, a equipa sensação do campeonato. Líder isolado, líder do seu grupo na Liga Europeia e, ainda sem perder, a AD Valongo vive o melhor momento na sua história e não podia ter pedido melhor fim de ano. Para 2014, o desejo é o de continuar a ser uma força emergente no hóquei português e, quem sabe, causar uma surpresa no campeonato.

São estes os destaques de 2013. Desejo a todos um óptimo ano de 2014, agradecendo o apoio que têm dado ao Bola na Rede e desejando que assim continuem.

Tropa de Elite

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É um grande filme, este aqui em cima, que dá nome ao título deste manuscrito, não acham? Tropa de Elite é osso duro de roer, pega um, pega geral e também vai pegar você! Cinco emblemas. Penta escudos que nunca desceram de divisão, que nunca tiveram o sabor amargo de experimentar a série B. E eles vêm aí.

Flamengo: presente em todas as edições do Brasileirão. Maior vencedor do novo formato do Campeonato Brasileiro, desde 1971 (tal como o S. Paulo). Ultimamente os torcedores do Flamengo têm levado alguns sustos. Mas a equipe lá se consegue manter na Série A. Este ano, por exemplo, devido à utilização irregular de um jogador, o Clube de Regatas Flamengo ficou no primeiro lugar acima da linha de água. Que sufoco! Safou-se com a conquista da Copa do Brasil.

Cruzeiro: se alguém fizer a chamada da Primeira Divisão o Cruzeiro dirá presente. Tricampeão Brasileiro. Não falhou uma disputa até hoje. O título deste ano fez aumentar o historial da Raposa, já rico em troféus.

Internacional: os rubros de Porto Alegre também jogaram todas as partidas até hoje. Tal como os Belo-Horizontinos do Cruzeiro, são tricampeões. Situações mais dramáticas só ao virar do ano, século e milénio (1999) e no ano do penta da seleção canarinha (2002). O seu team, com Falcão e companhia, encantou gerações; de gaúchos e não só. Um assunto de que falaremos no futuro.

São Paulo: forte. Boa estrutura. O tricolor paulista vem somando títulos. Hexacampeão. Tal como o Flamengo, todos os títulos no novo formato. Só não disputou a contenda de 1979, por confusões da CBF. Alcançou a hegemonia em 2006, para vencer os louros desse ano, do vindouro e ainda do subsequente. Ultimamente o clube não tem estado tão bem. Mas não se deve esnobar quem tanto trabalhou para os feitos que alcançou.

Santos: último na lista, mas não em qualidade. É claro que o clube onde jogou o rei Pelé teria que figurar neste rol. Tradicional. Dois títulos no formato normal e mais quatro anteriores a 1971 fazem do Santos hexa. Os Santistas, a par dos congéneres São Paulinos, como foi referido, também não participaram em 1979.

 

O Clube dos cinco / Fonte: opiniaosingela.blogspot.com
O Clube dos cinco / Fonte: opiniaosingela.blogspot.com

Conhecem aquele western chamado “Os Sete Magníficos”? Filme realizado por John Sturges. Pois bem, estes podem ser chamados cinco magníficos. Maravilhosos e, sobretudo, indefetíveis. É verdade que cair na real e ir parar à Série B pode ser um abrolhos para os clubes. Veja-se o caso do Corinthians, recentemente, que até esteve na Série C! Foi campeão e vencedor da Libertadores. O Fluminense também venceu em 2010 e 2012 depois de ter passado pela Terceira Divisão. Mas o que é facto é que estes cinco aqui nunca experimentaram esse sabor, não deixando de ganhar. Tal como num filme de cowboys, são como uma Tropa de Elite. Firmes nos seus propósitos e fortes para suportar as balas.

Um ano para não esquecer

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sextoviolino

É costume dizer-se que os momentos menos felizes das nossas vidas devem ser esquecidos, que o passado deve ser enterrado e atirado para trás das costas. É uma maneira optimista mas, por vezes, pouco sensata de ver as coisas. Não querendo estar aqui a fazer uma espécie de “psicologia de vão de escada”, penso que a forma mais realista de encarar as dificuldades é precisamente a oposta: devemos obviamente reunir forças para conseguir dar a volta por cima, mas nunca menosprezando nem esquecendo os contratempos. E com o futebol passa-se a mesma coisa. Só tendo bem presentes os nossos momentos de infelicidade, bem como os motivos que nos conduziram a eles, podemos ultrapassá-los definitivamente.

O Sporting bateu no fundo em 2013, mas os sintomas do desmoronamento do clube já vinham de trás. A nível desportivo, aquilo que, a meu ver, marcou simbolicamente o início da decadência foi a negra eliminatória com o Bayern em 2008/2009. Porém, em termos estruturais, as coisas talvez já estivessem num lento apodrecimento desde 1995, com o início do Projecto Roquette e a transformação do clube em empresa (SAD). Trocou-se a dedicação ao desporto pelo amor ao lucro e passou a olhar-se para os Sportinguistas não como adeptos e sócios apaixonados mas sim como clientes. As modalidades foram sendo extintas (a primeira e mais importante delas logo em 1995, quando a presidência de Santana Lopes deu a escolher entre andebol e basquetebol e os sócios optaram por colocar um fim a este último), os sócios foram afastados do clube e o Sporting tornou-se, mais do que nunca, uma instituição enfraquecida e à mercê de dirigentes e “empresários” parasitas, que aumentaram as suas contas bancárias à custa da delapidação do clube. Criou-se um fosso cada vez maior entre o clube de Alvalade e os outros dois rivais, e a conversa do “não há dinheiro, vamos ter de cortar e vender património” tornou possível estabelecer uma comparação bastante pertinente entre a realidade do Sporting e o estado do país.

O ambiente no Sporting continuava a degradar-se, ao mesmo tempo em que Liedson chegava para reforçar o Porto / Fonte:  Maisfutebol
O ambiente no Sporting continuava a degradar-se, ao mesmo tempo em que Liedson chegava para reforçar o Porto / Fonte: Maisfutebol

Em 2013, o futebol do Sporting terminou a época que tinha iniciado em Agosto do ano anterior na pior posição da sua História. A equipa marcou apenas 36 golos e sofreu outros 36. Ficou a 36 pontos do campeão, Porto, e atrás de equipas como o Paços de Ferreira, o Braga, o Estoril e o Rio Ave. Era confrangedor ver jogar gente como Joãozinho, Jeffrén, Elias ou Pranjic (estes dois últimos foram entretanto emprestados, tal era a indiferença com que se apresentavam em campo), e, pior ainda, era testemunhar a presidência desnorteada de Godinho Lopes, que não pagava salários e fazia qualquer Sportinguista alternar repetidamente entre a vergonha e a raiva. Este foi o ano em que o Porto nos conseguiu roubar Izmailov e ir buscar Liedson, este último um jogador que preferiu seis meses como suplente da equipa campeã nacional a um lugar eterno como ídolo do Sporting. Foi também o ano em que Joãozinho, um dos piores jogadores que me lembro de ver no clube, disse cinicamente que a sua transferência para o Braga ia permitir-lhe “disputar as competições europeias”, e em que Schaars rumou ao PSV, dizendo que “não podia ficar no Sporting e lutar pelo 5º ou 6º lugar”. Felizmente, Izmailov foi uma aposta falhada do Porto, Liedson praticamente não jogou e mostrou o seu desagrado para com o treinador, Joãozinho vegeta, hoje em dia, na equipa B do Braga, e Schaars é actualmente 7º classificado da liga holandesa. Mas nada disto apaga os vários episódios que dão conta de um clube moribundo e ridicularizado por todos.

O ano que agora acaba foi o ano que, não obstante estes primeiros indícios de recuperação a que agora assistimos, qualquer Sportinguista quer fazer os possíveis por ultrapassar. Eu, obviamente, não fujo à regra. Contudo, desejo firmemente que o regresso da harmonia ao clube seja conseguido através das vitórias e não do nosso esquecimento deliberado. Porque manter uma memória viva das contrariedades já é meio caminho andado para garantirmos que estas não se repitam.

Um bom ano a todos!

Uma equipa refém de um treinador

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dragaoaopeito

Nunca antes tinha visto um Porto tão refém das escolhas de um treinador. Paulo Fonseca quer manter-se fiel a si mesmo e às suas ideias e continua a não abdicar delas para ver um Porto a jogar bom futebol.

O último jogo contra o Sporting é o perfeito exemplo dos erros imaturos que o treinador português continua a cometer à frente da equipa. A meu ver, o facto de aquele ter corrido como correu não se deveu tanto ao mérito do Sporting (honestamente continua a ser uma equipa que não me convence, mas a verdade é que pelo menos é notável o esforço que os jogadores têm a vindo a efectuar pela equipa), mas a demérito do Porto. Factores como sorte, arbitragem e condição de visitante/visitado não são, de todo, desculpas credíveis para uma equipa que jogou como jogou. O Porto jogou mal, muito mal, e há muito tempo que não ficava ansiosamente à espera que um jogo acabasse.

Antes de mais, abordarei o caso Quintero. Não me entra na cabeça não ter sido feito um esforço para que o jogador entrasse nos convocados para este jogo, sendo uma oportunidade para pelo menos mostrar se está à altura ou não de jogos (mais ou menos) importantes. Existiram atrasos originados pela falta de voos entre Colômbia e Portugal, mas em outros casos os jogadores já haviam sido previamente informados para fazer escala em outro destino de forma a chegar a tempo e horas. Este caso começa a ter contornos ridículos de má gestão de plantel, como aconteceu com Iturbe, que não acredito que volte a jogar pelo Porto.

Quintero deveria ter sido convocado para o último jogo / Fonte: Notícias do Futebol
Quintero deveria ter sido convocado para o último jogo / Fonte: Notícias do Futebol

Voltando ao jogo, Paulo Fonseca limitou-se a fazer as alterações básicas para um jogo da fase de grupos da Taça da Liga:
– Fabiano por Helton. O guarda-redes brasileiro mostrou que pode realmente vir a ser o próximo titular da baliza do Porto, estando perfeito entre os postes sempre que foi chamado a intervir.
– Ghilas por Jackson. Jackson nem tinha treinado e dessa forma facilitou a inclusão do argelino na equipa. Foi notória a pouca ligação com os alas do Porto e o máximo que o jogador fez foi mostrar trabalho e força, falhando um golo no lance mais perigoso para o Porto em todo o jogo.
– Herrera por Lucho. No último jogo o mexicano tinha entrado bastante bem e não me chocou vê-lo a fazer de 8 neste jogo, fazendo descansar um Lucho que não tem estado particularmente bem nos últimos jogos. Pareceu-me, no entanto, que Herrera estava a jogar muito perto de Fernando e, além disso, conseguiu falhar passes inacreditáveis e fazer um péssimo jogo (ao nível do fantástico jogo em que levou 2 amarelos em 1 minuto).

Contudo, e mesmo sendo um jogo contra um Sporting, não deixa de ser um jogo da Taça da Liga, que o Porto assumidamente sempre desvalorizou. Kelvin ficou no banco enquanto os alas nada fizeram (Varela mostrou os seus habituais níveis de trapalhice e Licá andou em campo a correr, só isso); Josué apenas entrou depois do apito final para a zona mista, quando podia perfeitamente ter tido alguns minutos (ou numa ala ou no meio-campo); e a única substituição opcional (sendo que a saída de Herrera e a de Fernando são justificadas por um jogo absurdo do primeiro e algum toque sofrido pelo segundo) foi incluir Jackson em campo, como se de forma milagrosa algo se fosse alterar.

Como eu referi no último artigo, não me parece que o Porto necessite de jogadores neste mercado de Inverno, além de um ala já referenciado (Ricardo Quaresma) e alternativas aos defesas laterais. Mas para isso é necessário pelo menos dar mais oportunidades a jogadores como Quintero e Ghilas e, quem sabe, a Tozé ou Pedro Moreira, da equipa B.

O título perfeito seria: Paulo Fonseca a receber indicações de Helton e Lucho… / Fonte: JN
O título perfeito seria: Paulo Fonseca a receber indicações de Helton e Lucho… / Fonte: JN

Paulo Fonseca insistiu no seu triângulo e continua a insistir nos seus jogadores. Ninguém lhe diz que desista. Acho bastante bem que seja um treinador de ideias fixas e não um treinador camaleónico a cada vez que algo corre mal, mas Paulo Fonseca tem que entender o que é treinar o Porto e estes jogadores. Não pode continuar a acreditar que Licá tem valor para ser titular neste Porto, não pode dar primazia a Jackson em todos os jogos, seja em que competição for, quando tem Ghilas ao seu dispor, e muito menos pode desaproveitar os jogadores talentosos que tem no plantel, acabando no ridículo de mostrar-se feliz no fim de um empate num jogo da Taça da Liga contra o Sporting.

Um treinador do Porto que diz que “em casa do Sporting, o empate é positivo” após um jogo miserável não é um treinador do Porto, é um treinador que por acaso está a treinar o Porto. Não prevejo um futuro fantástico para este treinador, mesmo tendo feito coisas extremamente positivas em todos os clubes por onde passou, mas resta-me esperar pelo melhor. Paulo Fonseca vai a tempo de mudar e o início de um novo ano é a melhor altura para o fazer…

Boas entradas a todos os leitores!

Resolução para 2014

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portosentido

Ano novo é sinónimo de resoluções que, na sua maioria, não duram mais do que duas três semanas. Seja cortar nos vícios antigos ou começar uma nova rotina saudável, as resoluções são várias e quase nunca são cumpridas. No futebol não há grande diferença. Todos os anos há adeptos quem querem resoluções nas respectivas equipas. Resoluções que muitas vezes acabam por sair furadas.

Acredito que o pensamento, ou resolução, se lhe quiserem chamar assim, mais presente nos adeptos portistas passe por melhor futebol. Nos últimos tempos esta parece ter sido a maior prece naquilo que toca à equipa azul e branca. A questão é… como é que se transforma uma resolução efémera numa mudança de ano significativa? Pois bem, esta situação passa por um único homem: Paulo Fonseca.

O Porto não tem problemas de confiança. Não há jogadores que estejam lesionados ou condicionados (exceptuando Izmaylov, que aparenta estar esquecido no triângulo das Bermudas). Porém, o Porto sofre quase sempre. A posse de bola já característica do Porto está nos últimos suspiros – só conseguem circular a bola em zonas longe de perigo. A forma de ataque ordenado, conjunto e apoiado de outros anos foi substituída por ataques onde a um jogador (Lucho, sobretudo) é dada a inteira responsabilidade de criar jogo. A defesa sólida e intransponível que anteriormente era defendida apenas pelo polvo Fernando recebe mais um homem no duplo pivot de Paulo Fonseca. Em vez de ganhar, acaba por perder solidez. Apenas à baliza é que a forma de jogar se manteve igual.

Quintero foi a revelação do inicio da época / Fonte: goal.com
Quintero foi a revelação do inicio da época / Fonte: goal.com

Para além da diferença na forma como abordam cada jogo, este Porto parece procurar um “craque salvador”. No início foi Quintero. Seguiu-se, mais recentemente, Carlos Eduardo. Com a chegada de Quaresma já começam a girar os mecanismos para que ele seja o próximo. As primeiras exibições de Quintero mostraram um diamante por lapidar. Um número 10 excelente com visão, classe e muita inteligência no que toca ao jogo. Para além disso, possui um pé esquerdo de causar inveja. Após a lesão, desapareceu das escolhas de Paulo Fonseca.

Carlos Eduardo foi a mais recente descoberta. Começou a época na equipa B e subiu a titular rapidamente. Fez dois jogos a um grande nível, onde marcou e deu a marcar e, de um dia para o outro, começaram as expectativas megalómanas. Como Quintero, aparece como o médio mais ofensivo, que joga à frente do duplo pivot, com uma grande capacidade de criar jogo. Com um passe bastante certeiro e rápido nas movimentações, ganhou espaço dentro do plantel reduzido do Porto. Após dois jogos, Carlos Eduardo era o novo salvador.

Quintero e Carlos Eduardo são jogadores incríveis. Admito até que possam vir a ser craques. No entanto, não são salvadores, contribuem para a equipa. A solução para o problema do jogo do Porto não está nos pés de um único jogador em grande forma mas sim num colectivo bem oleado, coerente, que saiba de trás para a frente a forma como jogam os companheiros.

Carlos Eduardo é mais uma solução para Paulo Fonseca / Fonte: Rádio Renascença
Carlos Eduardo é mais uma solução para Paulo Fonseca / Fonte: Rádio Renascença

Jogadores em grande forma são, mesmo assim, uma grande mais-valia. São eles que, num momento de génio, acabam por conseguir resolver um jogo mais complicado a favor do Porto. Não devem é ser, após um/dois jogos mais conseguidos, transformados em craques capazes de pegar na bola e resolver um jogo. A meu ver, há apenas um jogador no mundo capaz de realizar tal proeza. O problema é que ele joga com o número 7, em Madrid… Espero que o grande craque do Porto no próximo ano seja o número 11. Não é o argelino Ghilas… É o número do colectivo do Porto.

É por isso que a minha resolução para 2014 não é deixar de fumar ou perder peso. A minha resolução é que Paulo Fonseca tenha um momento de génio e perceba que, se o Porto está em sub-rendimento, a culpa recai sobre as alterações que ele fez na equipa…

Basquetebol: BELOS! CUS!

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cab basquetebol feminino

Não, caro leitor, não vou falar sobre glúteos. Vou, sim, falar sobre a equipa sensação da Liga feminina de basquetebol, o Clube União Sportiva (CUS). Esta equipa micaelense encontra-se na quarta posição da Liga, depois de na temporada passada ter vencido a Primeira Divisão.

http://dfacores.blogspot.pt
O emblema
Fonte: dfacores.blogspot.pt

Os C.U.S são um clube fundado em janeiro de 1921 e que atualmente apenas tem a modalidade de basquetebol, em ambos os sexos e em todos os escalões etários. Este ano, esta equipa estreia-se na principal competição feminina portuguesa. Ao fim da primeira volta do campeonato, os C.U.S venceram sete jogos, perdendo apenas três, e estão a apenas um ponto do trio que lidera: Quinta dos Lombos, Vagos e Boa Viagem, equipas que venceram oito jogos e perderam dois. O grande destaque da equipa vai para a norte-americana Jhasmin Player, que tem sido, ao longo das jornadas, a MVP do campeonato, sendo provavelmente a melhor jogadora do mesmo. Mas não só desta jogadora se faz a equipa. Outros valores, como Lauren Gregory ou Silvia Fortunato, contribuíram para este excelente campeonato, até ao momento. O clube tem ainda uma formação com alguns bons resultados a nível nacional, como mostra a conquista da Taça Nacional de sub-16 feminino, em 2011. Mas, como quase todas as equipas insulares e do interior, esta equipa tem um “problema” em relação à grande maioria das jogadoras que forma, pois estas, depois de acabarem o secundário, vão para outros sítios estudar (no caso deste clube, a maioria vai para o continente), o que não permite a continuação do trabalho iniciado. Apesar disso, alguns valores da formação continuam no plantel e a jogar.

Jhasmin Player no jogo contra o Vagos.  http://www.fpb.pt/
Jhasmin Player no jogo contra o Vagos.
Fonte: fpb.pt/

Para os restantes 10 jogos desta fase regular da Liga, espera-se que a equipa garanta os playoff de forma relativamente fácil. Vai ter seis jogos em casa, sendo que ainda não perdeu nesta condição, tendo inclusivamente derrotado o atual campeão nacional, Algés. Apesar disso, o facto de haver equipas que ainda não têm as duas estrangeiras permitidas no plantel pode criar diferenças nos valores reais de cada equipa e mudar as previsões. Um dos objetivos reconhecidos por um dos treinadores, Ricardo Botelho, é o de ficar à frente do Boa Viagem na classificação. No jogo realizado na Terceira nesta primeira volta, a União Sportiva foi a vencedora do derby, ao bater por quatro pontos (66-62) as terceirenses. Como tal, esse objetivo tem tudo para poder ser alcançado. Esta época de estreia tem tudo para ser muito boa para os C.U.S. O título pode até ser alcançado, mesmo não sendo esse o objetivo à partida.