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FC Barcelona 3-4 Sporting CP: A remontada à campeão europeu

A CRÓNICA: EIS, O CAMPEÃO MERECIDO CAMPEÃO EUROPEU E O DAS BOLAS PARADAS

A história não estava do lado da equipa portuguesa, mas o passado passou e o Sporting CP estava pronto para mostrar que isso pouco contava. Pela frente, havia um todo poderoso FC Barcelona que, há muito pouco tempo, tinha sido coroado campeão europeu de Futsal na sua própria casa. Agora, o enredo tinha um novo cenário. Em Zadar, na Croácia, os leões queriam transformar o pavilhão num selva e dizer «aqui, quem manda é o leão!».

Contudo, era os culés quem queriam a quadra para si e pintar tudo com as cores da Catalunha. É difícil dizer se há justiça ou não no Desporto, principalmente no Futebol e Futsal, mas um golo madrugador é sempre um duro golpe. Marcênio anulou por completo o passe que tinha como destino o pivô leonino e avançou sem oposição. O trabalho foi feito todo sozinho (como se de um trabalho de grupo da faculdade se tratasse) e bateu Guitta. Um três para dois onde o meio ficou completamente aberto e muito por culpa das decisões defensivas dos leões.

Apesar das diversas oportunidades, não havia uma eficácia a 100% para ninguém e muito por culpa de Didac Plana e Guitta. Uma coisa é certa: golos de contra-ataque pouco tinha acontecido e esperava-se uma final igual. Podemos dar já o spoiler… É mentira, pois, os dois golos do Barça foram dessa forma. Ximbinha nem tinha muitos minutos, mas quando entrou foi uma chave inglesa. Guitta bem tentou fechar o ângulo o máximo possível, mas acabou por ser batido por debaixo das pernas.

Ao intervalo, havia vantagem culé, mas talvez um bocado de injustiça face àquilo que o Sporting produziu no jogo. Não havia golos leoninos devido à grande eficácia de Didac Plana. Uma situação que não aconteceu na segunda parte, pelo menos no início.

Em dois erros defensivos e um grande aproveitamento por parte dos leões. Primeiro, foi Merlim a começar a jogada. A bola acabou por chegar a Tomás Paçó, que encontrou Zicky do outro lado completamente sozinho. O jovem pivô português recebeu com um pé e rematou com outro para dar outro ânimo aos leões. Depois, foi novamente uma bola parada (que tanta importância tem tido nesta final eight) e Erick a marcar de cabeça para igualar tudo a dois!

Depois de um grande trabalho de Zicky, houve falta muito perigosa e soaram os alarmes. Taynan assumiu a responsabilidade para rematar, fê-lo e, apesar da defesa de Plana, bola surgiu como um pote de ouro na linha de golo. João Matos estava no sítio certo à hora certa para apenas encostar e fazer a “remontada”.

O Barcelona teve de apostar no cinco para quatro e já sabemos que nestas situações o risco é elevado. Erick esteve novamente na defesa, roubou a bola, driblou todos e a redondinha não queria entrar, batendo no poste. Mas Pany Varela vinha como uma autêntica flecha para fuzilar a baliza do Barça e era o 2-4! Porém, o cinco para quatro culé ia funcionar minutos depois e Ferrão reduzia para um a desvantagem.

Mas de nada valeu esse golo, porque realmente o Sporting CP tornou-se, pela segunda vez na história, campeão europeu de Futsal! Uma segunda parte incrível por parte dos leões que transformaram os erros da primeira em aprendizagem e num título europeu. Parabéns aos leões pela final eight que realizaram! Afinal, em Zadar quem manda é mesmo o leão. Não é como começa… É como acaba!

 

A FIGURA

2.ª parte leonina – Não é que a primeira parte tenha sido má, porque realmente não foi. Didac Plana esteve irrepreensível, mas Nuno Dias fez magia na sua equipa e os jogadores fizeram aquilo que foi realmente pedido. Uma remontada que não se faz todos os dias e sinceramente foi das melhores prestações que já vi no Futsal. A eficácia esteve lá e foi aquilo que faltou nos primeiros 20 minutos deste jogo.

O FORA DE JOGO

FC Barcelona – Pensaram que o Sporting estava dominado pelos bons primeiros 20 minutos, mas o Futsal não é assim. No geral, o Desporto não é assim. São momentos que decidem jogos e vitórias. Por isso, é que recebem esta distinção pela negativa. Entram de uma forma irreconhecível e acabaram eles dominados pelo leão. Uma segunda parte que não dignificou nem o nome de um clube histórico nem o de campeão europeu em título.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

A nível defensivo, o Barcelona a estar mais alerta para aquilo que o Sporting podia fazer e os jogadores estavam posicionados mais à zona e a cerca de um a dois metros de distância de quem defendem. Porém, cada um jogador estava a marcar um jogador que parecia estar pré-designado.

Ofensivamente, os culés variavam entre uma construção em 1-3 (por vezes 3-1) e 2-2 em quadrado. Muito jogo passava pelo pivô Ferrão e este depois distribuía o jogo para as alas ou de novo para o mesmo jogador que estava a construir. Outro aspeto ofensivo, era sempre que o jogo começava nas mãos de Didac Plana a solução, na grande maioria das vezes, era para um jogador alto para cabecear para a baliza de Guitta. Uma tentativa de surpreender e aproveitar a debilidade do guarda-redes leonino com bolas pelos ares.

O feitiço virou-se contra o feiticeiro e tudo aquilo que tinha conseguido anulado na primeira parte não o fez na segunda. Uma equipa irreconhecível.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Didac Plana (7)

Aicardo (5)

Dyego (5)

Ferrão (6)

Marcênio (6)

SUBS UTILIZADOS

André Coelho (6)

Daniel Shiraishi (5)

Adolfo (5)

Esquerdinha (5)

Joselito (5)

Povill (5)

Ximbinha (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Os leões comandados por Nuno Dias a apostarem numa construção a partir de trás com três jogadores em linhas em que o jogador que estava no meio estava solto de marcação para enganar o adversário. Porém, esta situação, apesar de ser normal, estava a ser muito dificultada por parte do Barcelona. O jogo não chegava ao pivô com bola corrida e havia dificuldade de estar nos últimos dez metros, sem utilizar Guitta como solução.

A nível defensivo, o Sporting mostrava alguma ansiedade nos duelos com os jogadores culés. Com uma defesa mais agressiva, os leões tinham muitos problemas, visto que os jogadores adversários procuravam sempre ganhar uma das alas. Assim, que sentiam alguém nas costas viravam imediatamente os atletas do Barça. O processo defensivo estava a ficar problemática, sobretudo devido ao facto de ter sofrido muito cedo um golo.

A segunda parte mostrou uma eficácia de outro nível e também uma aposta mais de jogar pelas alas, visto que pelo meio não estava a resultar. As bolas paradas voltaram a funcionar de uma maneira impressionante e, certamente, isto foi um pormenor muito trabalhado ao longo da preparação para esta final eight.

5 INICIAL E PONTUAÇÕES

Guitta (7)

Erick (7)

João Matos (6)

Alex Merlim (5)

Pauleta (5)

SUBS UTILIZADOS

Tomás Paçó (6)

Zicky (8)

Taynan (6)

Rocha (5)

Cavinato (5)

Pany Varela (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Num jogo em que batias uma marca importante, marcas o golo que faz a “remontada” na partida. Antes de entrar na quadra pensavas que irias marcar este golo e o que este momento passou para toda a equipa?

João Matos: Nunca iria pensar em marcar um golo tão decisivo e ainda por cima o da remontada. As minhas características não são essas e tinha a noção que o meu papel era outro. Era o de ser um jogador mais defensivo e também de ser mais coletivo. Participei num golo e ainda por cima foi aquele que passou a equipa para a frente [3-2]. Foi claramente a par dos outros golos muito importantes e decisivos. Nunca senti algo como senti neste três jogos da final eight. De jogar em equipa, de tudo. Temos uma garra tremenda. Não foi o João Matos que teve na remontada, foi toda a equipa que esteve naquele momento. Sei que sou muito repetitivo no meu discurso, mas é mesmo isto que eu sinto. Foi a equipa.

BnR: O Sporting CP tinha os três adversários mais complicados pela frente e, na grande maioria das vezes, foi superior durante os jogos. Como é que foi a preparação para esta final eight se tentaram trabalhar mais as situações da própria equipa ao invés de se focarem no adversário? E já agora se as bolas paradas foi o aspeto que mais trabalharam?

Nuno Dias: Primeiro, deixa-me discordar da tua afirmação, porque o Sporting não foi sempre superior às restantes equipas. Houve momentos em que foi melhor e outros que não foi. Acho que ninguém é muito superior a este nível e mostrámos uma grande personalidade para unir a equipa quando não estávamos tão bem nas partidas. Confesso que aquilo que trabalhámos foi para o KPRF [a equipa russa]. Foi uma semana e meia, em que tivemos outros jogos para a Liga, mas com todo o respeito nós tínhamos esta competição em mete. Mas dedicámos muito tempo à análise da equipa russa, porque daí para a frente não sabíamos quem iriamos enfrentamos. Por isso, preparámos muito bem o jogo com os russos e em relação ao Inter Movistar FS e à final [frente ao Barcelona] foi mexer em alguns aspetos, principalmente no cinco para quatro e também nas bolas paradas. Numa competição em que há pouco tempo entre jogos não há tempo para preparar tudo. Tivemos de preparar bem o quartos de final e depois quando passámos foi só conseguimos trabalha uma unidade de treino e trocarmos alguns aspetos no jogo.

Super Rugby Aotearoa: Que venha a final!

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Nada estava em jogo nesta última jornada do Super Rugby Aotearoa. Ainda assim, Hurricanes e Blues conseguiram terminar a competição a vencer, dando alguma esperança para uma melhor campanha na competição que se avizinha, o Super Rugby Trans-Tasman.

Após uma época completamente desastrosa, os Hurricanes conseguiram finalmente uma vitória dominante, ao vencer os Highlanders por expressivos 41-22. Tal como o resultado, a exibição dos Canes também foi boa, na medida em que apresentaram um rugby jogado muito à mão, com aproveitamento do espaço e da largura do campo. Esta capacidade de fazer a bola chegar aos canais exteriores permitiu a Salesi Rayasi aparecer mais em jogo, o que originou múltiplas quebras de linha, para lá do ensaio que o ponta marcou.

De realçar também a exibição de Ngani Laumape. O centro dos Hurricanes mostrou-se explosivo no ataque à linha da vantagem, tendo realizado quatro quebras de linha. Em termos defensivos, Du’Plessis Kirifi dominou por completo o breakdown, tendo garantido quatro recuperações de bola.

Já os Highlanders, após um bom começo, falharam na tomada de decisão. A utilização do referral foi uma prova disso. Com uma penalidade a seu favor nos seus 30 metros, o capitão Ash Dixon utilizou o referral, ao alegar foul play de Dane Coles. A verdade é que a falta foi de Billy Harmon e não dos Hurricanes. Assim sendo, penalidade para os Canes a 10 metros da linha de ensaio contrária, sendo que desta resultou um ensaio.

À semelhança dos Hurricanes, os Blues também realizaram uma temporada muito aquém do esperado. Apenas quatro vitórias em oito jogos ditaram o afastamento da tão desejada final.

Não obstante a apresentação de uma equipa totalmente renovada, os Chiefs conseguiram manter o jogo equilibrado até aos sessenta minutos. A partir desse momento, os Blues dominaram o jogo por completo, quer em termos de posse, quer no que a território diz respeito. Como tal, os Blues conseguiram colocar a defesa adversária sob forte pressão, o que resultou em diversas penalidades e muitos ensaios. Além do mais, com bola, os Chiefs, nos vinte minutos finais, foram muito pouco eficazes nos exit plays.

Pita Gus Sowakula conseguiu, em diversas ocasiões, projetar os Chiefs para lá da linha da vantagem, através do seu poderio físico e dos seus offloads. Já do lado dos Blues, a ausência de Beauden Barrett é cada vez mais notória, tal como Leon McDonald assumiu já no final do jogo.

Otere Black não foi, mais uma vez, capaz de imprimir velocidade e profundidade ao jogo da sua equipa. Ainda para mais, é um jogador com pouca iniciativa com a bola na mão, ao contrário do ex-médio de abertura dos Blues.

Em tom de conclusão, Salesi Rayasi e Hoskins Sotutu foram, na minha opinião, os jogadores da jornada. O ponta dos Hurricanes realizou mais uma grande exibição, ao percorrer 132 metros com a oval em seu poder, que resultaram em cinco quebras de linha e um ensaio. Já o terceira linha centro dos Blues, realizou mais um jogo de grande nível, quer com bola, quer sem a mesma.

Foto de Capa: Chiefs Rugby

Os 5 flops da temporada 2020/2021

A aproximação do fim das temporadas traz a inevitável reflexão: quem foram os melhores e quem foram os flops, os que surpreenderam e os que ficaram aquém das expetativas.

Todos os anos há jogadores que pareciam condenados a ficar no banco na maioria dos jogos, mas que acabam por ser figuras preponderantes nas suas equipas. Infelizmente também acontece o contrário; jogadores que chegam aos clubes rotulados de craques e acabam por desiludir os adeptos.

Apesar de não ser um admirador do termo “flop” e de achar que todos os jogadores merecem uma segunda oportunidade, é inevitável não ceder a este a juízo e admitir esperava mais de alguns dos reforços apresentados para temporada 2020/2021, por essa Europa fora. Nesta lista estão cinco jogadores que podiam (e provavelmente deviam) ter feito mais pelas suas equipas.

Dragão com uma veia goleadora mais estreita | FC Porto

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Golos… o grande desejo dos adeptos. O auge de um jogo de futebol. O grande objetivo do futebol baseia-se em marcar golos e evitar sofrê-los, mas o lendário Bobby Robson dizia, e bem, que a melhor defesa é o ataque. No FC Porto, na atual temporada, os golos não têm aparecido tão facilmente como nas épocas anteriores. A quatro partidas do fim da época desportiva, os dragões levam 94 golos marcados em todas as provas. Em 2019/2020 terminaram com 115, o que significa que as redes da baliza adversária balançaram mais 21 vezes do que na atual temporada, até ao momento. O porquê? Vamos analisar alguns aspetos.

Na temporada passada, o FC Porto conseguiu rentabilizar as bolas paradas ao máximo, o que se deve também à presença de Alex Telles na equipa. O lateral esquerdo tinha o dom de saber colocar a bola no sítio certo, seja de pontapé de livre para a área ou de grande penalidade. No campeonato 2019/2020, dos 74 golos que os azuis e brancos fizeram, 35 foram provenientes de lances de bola parada. Nesta temporada, apesar de Sérgio Oliveira ser um excelente batedor de pontapés de livres e penáltis, vimos um decréscimo de golos provenientes deste tipo de lances.

Contudo, a culpa de uma maior escassez de golos não pode ser depositada apenas nos avançados do FC Porto. Embora os quatro homens do setor mais ofensivo tenham marcado menos golos do que os da época passada, faltando quatro jornadas para o término do campeonato, podem ainda ultrapassar essa marca. Taremi (20) e Marega (12), Toni Martínez (cinco) e Evanilson (quatro), juntos levam 41 golos marcados em todas as competições, o que equivale a uma percentagem a rondar os 44% do total de golos da equipa. Já Moussa Marega (15) de 2019/2020, Tiquinho Soares (21), Zé Luís (10), Aboubakar (dois) e Fábio Silva (três), as cinco referências da frente na época transata, juntos fizeram 51 golos dos 115 marcados no total, ou seja, também cerca de 44% do total de golos.

Isto significa que 56% dos golos marcados pelo FC Porto acontecem por intermédio de jogadores que não pontas-de-lança. Sérgio Oliveira é o segundo melhor marcador do plantel e um dos principais contribuintes para esta estatística. O centrocampista português já leva 19 golos arrecadados em todas as competições (20% do total), ficando apenas atrás de Mehdi Taremi. 11 das 19 vezes que fez gosto ao pé foram através de grande penalidade. O que nos faz recordar outro caso da época passada, nomeadamente o de Alex Telles. O lateral-esquerdo ex-FC Porto era o especialista das bolas paradas e encarregou-se por fazer balançar as redes adversárias por 13 vezes, nove delas de grande penalidade.

FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Ainda assim, as grandes razões para a falta de golos do FC Porto foram a falta de criação de oportunidades e a baixa concretização. Frente ao FC Famalicão, os dragões venceram por 3-2, marcando mais de dois golos na partida. Algo que já não acontecia desde o encontro com o CD Nacional a 12 de janeiro de 2021, em que os portistas saíram vitoriosos por 2-4. Foram 24 partidas sem marcar mais de dois golos, o que acaba por refletir um número mais baixo de golos marcados. Poderá ser este indicador um alerta para a necessidade de caras novas na próxima época do FC Porto? Só Sérgio Conceição e a equipa técnica portista saberá.

Daniel Bragança: a teimosia de Rúben Amorim | Sporting CP

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Embora aprecie bastante as qualidades comunicativas e futebolísticas de Rúben Amorim, consigo também apontar-lhe lacunas no seu jogo e algumas teimosias. Para mim, a mais evidente é a pouca utilização de Daniel Bragança. É certo que o jovem tem sido utilizado mais regularmente nesta fase final do campeonato. Porém, o médio poderia ter tido mais oportunidades ao longo da temporada.

João Palhinha e João Mário foram donos e senhores do meio-campo leonino de 2020/2021. Os médios portugueses fazem par no corredor central do terreno na grande maioria dos jogos. Matheus Nunes foi o médio box-to-box suplente, uma espécie de arma secreta, que até foi decisiva nos jogos grandes. A utilização de apenas dois médios, em grande parte da temporada, deixou Daniel Bragança muitas vezes no banco de suplentes, tendo entrado por algumas ocasiões, nos minutos finais da partida.

Algures numa conferência de imprensa a meio da temporada, Rúben Amorim afirmou que a falta de minutos de Daniel Bragança não era culpa do atleta, mas sim dele e dos colegas de posição. Acredito que a utilização do sistema 3-5-2 não tenha sido apenas para aproveitar a qualidade do médio de 21 anos, mas também para explorar uma dinâmica de mais posse e menos procura da profundidade. Durante a utilização desta tática, Daniel Bragança atuou juntamente com João Mário na posição oito, onde mostrou a sua inteligência em campo, bem como a qualidade técnica, passe e as suas tão habituais fintas de corpo.

Daniel Bragança já foi denominado, durante esta temporada, de “estrelinha leonina”
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Houve certos momentos do jogo em que o Sporting CP se encontrou em desvantagem ou a precisar de marcar (recordo-me agora da partida frente ao FC Famalicão em Alvalade). Daniel Bragança chegou a desempenhar o papel de médio defensivo, substituindo João Palhinha, pelo que se verificou ser uma opção válida para o futuro. Não sendo exímio na agressividade nem no desarme, Ruben Amorim procurou ter um atleta organizador ao invés de destruidor de jogo.

No início da temporada, Rúben Amorim lançou Daniel Bragança numa posição mais avançada do terreno, juntando-o à primeira linha de pressão da equipa. Penso que, de todos os papéis que pode desempenhar no meio-campo, o de número 10 é aquele que lhe assenta pior. Felizmente, o treinador leonino percebeu isso a tempo. Daniel Bragança precisa de jogar de frente para o jogo, não de costas para a baliza adversária.

As características que mencionei anteriormente fazem-me concluir que o internacional sub-21 pela seleção portuguesa tem particularidades ímpares em relação aos restantes membros do plantel. A forma como o talento da academia de Alcochete tem um impacto significativo no jogo leonino, é reveladora do perfume que este traz, jornada após jornada. Com Daniels Bragança em campo, o Sporting CP está mais perto de ganhar – as estatísticas não enganam.

Como referi num artigo anterior em que fiz a comparação entre Matheus Nunes e Daniel Bragança, acredito (e quero acreditar) que o jovem leonino esteja a ser preparado para a eventual saída de João Mário, de modo a ter mais minutos na temporada que se avizinha. Este texto é tudo menos uma mágoa por ter visto Daniel Bragança menos vezes em campo do que aqueles que queria. Ruben Amorim fez as suas escolhas, e saberá melhor do que ninguém as razões para as mesmas. No entanto, como redator de sofá, com a impossibilidade de ver os jogos da bancada, vou escrevendo semanalmente uns bitaites sobre aquilo que penso sobre o universo leonino.

Mundial de Snooker 2021 | Capítulo 4: As meias-finais

A CRÓNICA: FINAL DE BOM PRENÚNCIO E DE PRONÚNCIA INGLESA

And then there were two… Shaun Murphy e Mark Selby são os sobreviventes da edição de 2021 do Campeonato do Mundo de Snooker. Os dois ingleses vão em busca do seu segundo e quarto título mundial, respetivamente. Com a vitória nestas meias-finais, “The Magician” Murphy garantiu a sua quarta final, tendo vencido a de 2005 e sido derrotado nas de 2009 e 2015, e garante a quarta vitória em cinco meias-finais do Mundial de Snooker (só foi batido nesta fase da competição em 2007, por… Mark Selby).

É precisamente o “Shark” que vai estar do outro lado da contenda derradeira pelo cetro. O “Jester from Leicester” vai em busca do tetra que lhe permitiria igualar John Higgins, na sua quinta final (só perdeu a de 2007, para… John Higgins). Murphy e Selby agendaram, então, encontro a quatro sessões (em teoria) após baterem Kyren Wilson (17-12) e Stuart Bingham (17-15), respetivamente, nestas meias-finais.

Das três meias-finais de Mundial que Murphy venceu anteriormente, uma também havia sido por 17-12; Shaun viria a vencer a final. Das quatro que Selby venceu até aqui, três também haviam sido conquistadas pelo homem de Leicester por 17-15; Selby viria a vencer as três finais. Isto significa que os resultados alcançados por ambos nestas meias-finais foram os mesmos que conseguiram em todas as ocasiões em que se sagraram campeões.

A série de um vai continuar, a outra irá ser quebrada. Já a Maldição do Crucible não o será tão cedo. A queda de Kyren Wilson garantiu que não teremos campeão inédito este ano e que, por consequência, não haverá quem possa quebrar no próximo Mundial a maldita Maldição (que dita que nenhum campeão mundial inédito consegue revalidar o título no ano seguinte – na Era Crucible, iniciada em 1977, nunca aconteceu).

A grande final terá lotação máxima e esgotada, com 980 pessoas de olhos fixos no pano verde a ver as bolas rolarem e precipitarem-se para os bolsos da mesa até um dos jogadores granjear para si o 18º e vencedor frame. Crucible com público, recorde de centenárias numa fase final do Campeonato do Mundo já quebrado (103), jogadores em forma e ex-campeões do Mundo em confronto, Snooker de enorme qualidade e emoção… What else?

Que venha a final e que traga consigo os 35 frames possíveis. E que ganhe o melhor. Nós, apaixonados da modalidade, já vencemos. Entretanto, vamos olhar para as meias-finais que nos deram esta grande final entre Mark Selby e Shaun Murphy.

UD Leiria 2-1 Vitória FC: Leirienses vencem sadinos em desvantagem numérica

A CRÓNICA: UM JOGO EM QUE A EFICÁCIA E A EXPERIÊNCIA FIZERAM TODA A DIFERENÇA…

A União de Leiria recebeu e venceu o Vitória FC no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em partida a contar para a segunda jornada da fase de acesso à Segunda Liga, Zona Sul, depois de uma derrota para a formação da casa e um empate para os visitantes na primeira jornada do playoff.

A partida começou com as formações a quererem imprimir intensidade no jogo, ainda que com um maior destaque para o lado do Vitória FC, mais pressionante e atrevido. O UD Leiria viu o seu jogo condicionado quando, à passagem do minuto 16’, Victor Massaia viu o cartão vermelho e deixou a sua equipa reduzida a dez unidades.

Numa primeira parte em que escassearam as oportunidades de golo, foram os sadinos quem dispuseram da melhor chance, à passagem do minuto 28’, mas Frederic Mendy não soube aproveitar. Já os leirienses tentaram responder e ameaçaram a baliza dos visitantes em cima do intervalo, mas também não conseguiram faturar.

No segundo tempo, a formação da casa entrou melhor na partida, tentado chegar com celeridade à baliza adversária e fazendo esforços para contrariar a adversidade de se encontrar com um homem a menos. O Vitória sentiu dificuldades em entrar no jogo e o Leiria acabaria mesmo por marcar, ao minuto 70’, por intermédio do central Diego Galo, após a conversão de um canto. A equipa da casa ganhou ainda mais confiança e acabou mesmo por chegar ao segundo golo, ao minuto 79’, por intermédio do recém-entrado Badará.

O Vitória tentou responder, enviando uma bola à trave da baliza defendida por Fábio Ferreira. A insistência sadina nos minutos finais deu frutos, chegando ao seu tento ao minuto 88’, após um autogolo de Fábio Ferreira, à imagem do que sofreu na jornada anterior, mas ainda assim foi insuficiente.

Posto isto, o UD Leiria aguentou o triunfo e subiu ao segundo posto do grupo da Zona Sul com três pontos, enquanto o Vitória FC passa a ocupar a última posição. O primeiro lugar é ocupado pelo CF Estrela, que venceu no reduto do SCU Torreense por 3-0.

 

A FIGURA

Diego Galo – O experiente central do UD Leiria foi preponderante no jogo, tanto no aspeto defensivo como ofensivo, tendo sido dele o primeiro golo da sua equipa, tento esse que colocou a sua formação numa posição mais confortável no marcador.

 

O FORA DE JOGO

Victor Massaia – O defesa da formação da casa foi expulso ainda dentro da primeira meia hora do encontro, tendo comprometido a sua equipa numa fase muito precoce do encontro. Apesar do triunfo da sua formação, a sua expulsão podia ter ditado um resultado negativo para a sua equipa.

 

ANÁLISE TÁTICA – UD LEIRIA

A formação orientada por Hélder Pereira apresentou-se num sistema tático base de 4-3-3. As saídas para o ataque foram muitas vezes orquestradas por Babanco, que atuou como médio mais recuado. A formação da casa viu-se privada de um jogador muito cedo na partida devido a expulsão, mas manteve-se compacta e solidária, acabando por arrancar um triunfo importantíssimo num jogo muito sofrido. A aposta em contra-ataques e ataques rápidos, bem como em situações de bola parada acabaram por fazer a diferença.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Fábio Ferreira (7)

João Dias (c) (6)

Babanco (7)

Leandro Antunes (6)

Afonso Caetano (6)

Kaká (6)

Victor Massaia (5)

Rui Gomes (6)

Andrézinho (6)

Diego Galo (8)

Perdigão (6)

SUBS UTILIZADOS

Dénis Martins (6)

João Paredes (6)

Iddriss (6)

Badará (7)

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA FC

Os sadinos dispuseram-se no terreno de jogo num dispositivo tático base em 4-4-2 losango. Com uma pressão alta e agressiva ao portador da bola, o Vitória FC conseguiu criar perigo, roubando várias bolas ao adversário em zonas altas no terreno. A formação de Setúbal mostrou-se mais perigosa junto da baliza adversária, principalmente após ver o UD Leiria reduzido a dez unidades. Ainda assim, não souberam aproveitar as oportunidades para marcar, e acabaram por sair derrotados apesar da vantagem numérica que dispuseram durante uma hora de jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

João Valido (6)

Mano (6)

Bruno Ventura (6)

Frederic Mendy (6)

André Sousa (6)

João Serrão (6)

Nuno Pinto (6)

José Semedo (c) (6)

François (6)

Gonçalo Batista (6)

Zequinha (6)

SUBS UTILIZADOS

Rodrigo Pereira (6)

André Pedrosa (6)

Diogo Martins (6)

João Marques (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

UD Leiria

BnR: Tendo em conta que tem no plantel jogadores tão experientes como Babanco e Diego Galo, que fizeram um grande jogo, num momento de adversidade como este em que a equipa se encontra reduzida a dez num momento tão precoce na partida, se esses jogadores acabam por ter um papel fundamental no estado anímico da equipa e ajudar os colegas?

Hélder Pereira: Sem dúvida, que idade é que eles têm? Fiquei com a perceção que até tinham 20, 21, porque 35 e 37 não parecia deles. Foi fantástico, é fantástico ter jogadores destes no plantel.

 

Vitória FC

BnR: O Vitória FC entrou muito bem na primeira-parte, a controlar o jogo e a aproximar-se com perigo da baliza adversária e não conseguiu concretizar. Na segunda parte o UD Leiria entrou melhor apesar da desvantagem numérica, sente que os seus jogadores acabaram por acusar alguma ansiedade pelas oportunidades desperdiçadas?

Alexandre Santana: Eu não lhe chamaria ansiedade, até porque como disse e bem, entrámos melhor no jogo, temos uma oportunidade clara do Mendy e manda a bola por cima. Aparece no sítio e na hora certa e não consegue fazer o golo. Independentemente disso, acabamos por sofrer de bola parada, fecha-se, como todas as equipas deveriam fazer. Nós continuámos a conseguir chegar ao último terço do adversário, mas uma equipa que faz 29 cruzamentos, o que significa 29 bolas colocadas em zona de finalização, 18 remates, três limpos e claros dentro da área e não fazemos golo… Ainda assim, dá-me tranquilidade para o futuro porque as oportunidades são criadas e poderão acontecer a qualquer momento, acredito que não possamos falhar sempre. Preocupava-me mais se não chegássemos lá, e chegámos. Podemos é não ter tido a maturidade suficiente para as concretizar.  É continuar a trabalhar. Nada está perdido e nada está ganho.

FC Penafiel 0-0 GD Estoril Praia: Não foi desta que o Estoril fez a festa

A CRÓNICA: FC PENAFIEL ADIA A FESTA DA SUBIDA AO GD ESTORIL PRAIA

O FC Penafiel, atual oitavo classificado da Segunda Liga Portuguesa, recebeu o GD Estoril Praia para uma jornada importantíssima para o emblema “canarinho”. Em caso de vitória, os “estorilistas” asseguravam a subida de divisão, isto depois de FC Vizela e CD Feirense, dois dos principais candidatos à subida, empatarem na mesma tarde. No lado caseiro, o FC Penafiel entrava em campo com o objetivo de ascender à sétima posição e acabar esta reta final do campeonato da melhor forma.

A primeira grande oportunidade da partida surgiu através do capitão do Estoril Praia, após os dez minutos de jogo. Joãozinho avançou no terreno, recebeu a bola do lado esquerdo e, ainda fora de área, enviou um remate potente para uma excelente defesa do guardião do FC Penafie, Luís Ribeiro. Muito perigo no Estádio Municipal 25 de Abril, com o emblema do Sul a ameaçar abrir o marcador. Contudo, o FC Penafiel ia ganhando espaço no meio campo ofensivo e pressionava o Estoril Praia no ataque, ainda que não conseguisse nenhuma oportunidade de golo.

Embora o Estoril Praia estivesse mais atarefado na defesa, os pupilos de Bruno Pinheiro mostravam que podiam ditar o jogo caso quisessem. Num ataque rápido desde a defesa até à grande área adversária, o número nove, André Vidigal, teve todo o tempo para tirar um homem da frente e rematar em direção à baliza adversária. Luís Ribeiro não permitiu que a bola entrasse e com mais uma boa defesa afastou o perigo. Uma chamada de atenção para o FC Penafiel, que ia respondendo, ainda que com remates muito ao lado, como no caso de Bruno César, num primeiro momento e, posteriormente, Wagner.

O Estoril Praia dava o controlo da posse de bola ao FC Penafiel, mas a eficácia e rapidez da equipa visitante colocava os durienses em sentido. Ainda que houvesse uma grande vontade de jogar por parte das duas equipas, a primeira parte ficou marcado pelas várias interrupções não só para dar entrada à equipa técnica assim como na marcação de faltas. O jogo seguia para intervalo empatado a zero no marcador, com um FC Penafiel mais possante frente a um Estoril Praia mais certeiro na baliza.

A segunda metade começou sem qualquer alteração para ambas as equipas, mas com um Estoril Praia diferente da primeira parte, conseguindo ter mais bola. O FC Penafiel assumiu a postura do Estoril Praia da primeira parte e foi o primeiro a rematar à baliza através de um roubo de bola de Gustavo Henrique e consequente pontapé em direção à baliza de Luís Ribeiro, mas saiu ao lado. Por sua vez, minutos depois, após cobrança de livre indireto por Zé Valente, João Gamboa, de cabeça, rematou à baliza de Luís Ribeiro, mas a bola saiu um pouco acima.

Ao minuto 65, surgiu a primeira grande oportunidade para o FC Penafiel. Num lance pelo corredor direito, Ronaldo Tavares meteu a quinta velocidade e só parou na grande área para rematar, mas a bola embateu no poste direito. Ainda sobrara para Wagner, mas o número 11 enviou muito ao lado da baliza de Dani Figueira. O FC Penafiel não queria dar parte fraca e ia também progredindo no terreno ofensivo, mas sem conseguir criar uma ameaças em concreto. Robinho ainda tentou fazer o golo de longe da baliza, mas Dani Figueira estava atento e segurou facilmente.

O jogo ia-se repartindo e ambas as equipas ambicionavam chegar ao tão desejado golo, mas sem grande sucesso. Embora tenha havido alguns lances um q.b. mais perigosos, tanto por parte do emblema canarinho como do FC Penafiel, durante os noventa minutos o mais difícil foi acertar com a baliza. A última grande oportunidade seria protagonizada pelo GD Estoril e pelo recém-entrado Rosier, que rematou de cabeça depois de um pontapé de canto para o primeiro poste. O jogo terminaria 0-0 e a festa da subida do Estoril Praia SAD seria adiada para a próxima jornada. Quanto ao FC Penafiel, o ponto conquistado ajuda a manter a oitava posição na classificação, sendo este um bom resultado frente ao primeiro classificado.

 

A FIGURA

Luís Ribeiro – O guardião do FC Penafiel esteve bastante interventivo, principalmente na primeira parte. Os remates de Joãozinho e André Vidigal levavam selo de golo e Luís Ribeiro negou os dois tentos da equipa “estorilista”. Estas duas boas defesas e a estabilidade que deu à equipa no decorrer do jogo foram decisivas na partida, para além de a defesa do FC Penafiel ter estado também muito ativa.

 

O FORA DE JOGO

Miguel Crespo – É uma das figuras da equipa e habituou mal os adeptos do Estoril Praia e do futebol português. Hoje, o maestro do meio campo canarinho esteve um tanto quanto apagado e não extraiu todo o seu potencial para dentro das quatro linhas. Acabou por ser substituído a cinco minutos do fim para dar lugar a Rosier.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

O emblema da casa entrara para dentro das quatro linhas com um esquema tático de 3-5-2 – Luís Ribeiro começara na baliza e à sua frente tinha Corona, Capela e Paulo Henrique. Simãozinho estava encarregue do fluxo ofensivo e defensivo do lado direito do FC Penafiel e do outro lado era Wagner quem assumia o mesmo papel. João Amorim, Bruno César e Gustavo Henrique eram os patrões do meio campo. Ronaldo Tavares e Robinho faziam a dupla de avançados dos rubro-negros.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (8)

Pedro Coronas (7)

Capela (6)

Paulo Henrique (6)

Wagner (6)

Gustavo Henrique (7)

Bruno César (7)

João Amorim (6)

Simãozinho (6)

Ronaldo Tavares (8)

Robinho (7)

SUBS UTILIZADOS

Junior Franco (6)

Rui Pedro (6)

David Caiado (7)

Vinicius (-)

ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL PRAIA

O Estoril Praia SAD entrou em campo com um sistema tática de 4-3-3, com Daniel Figueira na baliza, João Diogo do lado direito do setor defensivo e a dupla de Hugos (Gomes e Basto) no centro da defesa. No lado esquerdo da linha mais recuada posicionava-se o capitão Joãozinho. Quanto ao centro do terreno, Gamboa e Zé Valente compunham a primeira linha após a defesa e Crespo aparecia em terrenos mais ofensivos. André Vidigal estava mais descaído para o lado esquerdo do ataque estorilista, Aziz era a referência do ataque e no lado direito o dono era Harramiz.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Daniel Figueira (6)

João Diogo (6)

Hugo Gomes (6)

Hugo Basto (7)

Joãozinho (7)

Zé Valente (7)

Miguel Crespo (5)

João Gamboa (6)

André Vidigal (7)

Aziz (6)

Harramiz (6)

SUBS UTILIZADOS

Lazare Amani (7)

André Clóvis (6)

Bruno Lourenço (-)

Lorientz Rosier (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Penafiel

BnR: Olha para o marcador como um empate que sabe a pouco ou um bom resultado frente ao primeiro classificado?

Pedro Ribeiro: Como um empate que sabe a pouco, mas com humildade suficiente de reconhecer de que o jogo podia ter caído para um lado ou para o outro. O Estoril para além de ter uma excelente equipa e em termos individuais ter excelentes jogadores está num momento do campeonato que tem relativa tranquilidade em relação à forma como está no jogo. Portanto, admito que o jogo podia ter caído para um lado ou para o outro, até porque um zero a zero é isso que acontece, mesmo uma equipa estando a dominar claramente a outra. Este jogo foi um jogo equilibrado, mas com um ascendente da equipa do FC Penafiel, portanto é um empate que nos sabe a pouco.

 

GD Estoril Praia

BnR: Na primeira parte o Estoril não conseguia dominar na posse de bola, mas ainda assim chegava à baliza do Penafiel. A estratégia era dar a posse ao adversário para poder contra atacar ou houve mesmo uma maior dificuldade em conseguir ter bola?

Bruno Pinheiro: Nós nunca jogamos para o contra ataque e também não jogamos agora. Não é a nossa estratégia. Não conseguimos ter bola, ou porque havia um mau passe ou uma má receção, acabamos, na primeira parte, por dar muito oxigénio ao nosso adversário e intranquilidade a nós próprios. Foi muito demérito nosso e algum mérito do adversário.

«Pizzi teve a sorte de eu me lesionar. Ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes» – Entrevista BnR com Caetano

Rui Caetano, 29 anos. Em estatura, possui mais três danoninhos que o pai, Augusto Caetano, antigo jogador do FC Penafiel e do SC Espinho. Um dos seus ramos, no universo empresarial, é o imobiliário. Portanto, não é por acaso apelidado de “um dos heróis da Capital do Móvel”, aquando da conquista do terceiro lugar na Primeira Liga. No mundial Sub-20, esqueceu-se de urdir a retenção de líquidos. Padeceu o corredor do hotel. Humildade à parte, é fruto da Geração Coragem. Afirma convictamente que Sérgio Oliveira daria um ótimo sócio. Admira Paulo Fonseca e declara que aprende a jogá-lo melhor sob a sua orientação. Não gosto de trespassar a linha que delimita o Algarve. Provocou Coloccini e sobreviveu!

-Infância, os primeiros passos e a estreia na Primeira Liga-

“Pizzi teve a sorte de eu me lesionar. Engrenou, ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes”

Bola na Rede: Olá, Caetano! Se me permites a observação, eu considero muito estranho o facto de te apelidar desta forma; “Caetano” é um nome tão normal e comum como João e André. Não é estranho para ti ser denominado assim?

Caetano: Olá! O meu pai deixou uma marca no futebol e toda a gente o conhecia por Caetano. Para os amigos, era “Nel”. Para os adeptos e no mundo do futebol, era Caetano. Eu fiquei com o nome dele, as pessoas foram me chamando Caetano. A família, os amigos e as pessoas que em conhecem desde pequeno chamam-me Rui. Contudo, no futebol, foi sempre Caetano.

Bola na Rede: Tens preferência por essa designação?

Caetano: No Penafiel, muita gente me tratava apenas por Rui. Eu cresci e estudei naquela cidade. Então, os próprios colegas também me chamavam por Rui. Isso é – de certa forma – engraçado porque, no futebol, chamarem-me Rui era diferente e eu, sinceramente, gosto mais de Rui. É mais pessoal (risos).

Bola na Rede: Antes de falarmos de ti, vamos dirigir um bocadinho o foco para o teu pai: a pessoa que te trouxe ao mundo. Aposto que, um dia, fizeste uma traquinice, ele te colocou imediatamente de castigo e te obrigou a seguir a carreira de futebolista, não!? Conta lá…

Caetano: Não, não, não, não (risos). O meu pai, ao contrário da maioria dos pais, não queria que eu fosse jogador de futebol. Ele vivia o futebol intensamente e também sabia que a minha maior paixão era o futebol. Porque sempre o acompanhei desde cedo (primeiro como jogador, depois como presidente). Mas ele nunca quis que eu enveredasse por aí. Aliás, um dos maiores motivos que me levou a terminar a carreira foi o facto de o meu pai querer que eu seguisse com ele a vida imobiliária e a vida empresarial. Nunca me deu muita força para jogar futebol…

Bola na Rede: Ficas contente por saber que o teu pai é mais baixo do que tu? Ele deu-te mais dois ou três Danoninhos, não?

Caetano: (risos). Ele é mais baixo do que eu, é verdade! Dois centímetros de diferença! À beira dele, sinto-me calmeirão! Brincamos muito um com o outro… acaba por ser muito engraçado porque ele é mesmo ligeiramente mais baixo do que eu! E não é fácil encontrar pessoas com a mesma estatura que a minha (risos). Mais cinco minutos e era anão na barriga da minha mãe (risos).

Bola na Rede: Realizaste a formação futebolística no FC Porto, na íntegra. Que momentos guardas com maior saudade?

Caetano: Guardo o balneário. Tenho muitas saudades do balneário. Saudades das palhaçadas, dos meus colegas de equipa e daqueles momentos antes do treino. Tenho saudades também de ter a bola no pé. Acho que era um jogador tecnicamente evoluído e dava-me imenso prazer contactar com a bola. Mas depois a minha vida é tão agitada e tenho tanto com o que me entreter, que nem me lembro de futebol. Às vezes à noite, quando estou a ver um joguinho ou assim, vem aquela saudade. E olha, do jogo propriamente dito, não tenho saudades nenhumas. Eu tinha muita pressão e bastava falar-se na palavra “jogo” que ficava logo cheio de pressão. E hoje, sem o futebol, sinto-me mais livre, sem essa pressão diária.

Bola na Rede: Chega, finalmente, a temporada 2010/2011. Estreias-te na Primeira Liga ao serviço do FC Paços de Ferreira. Na altura, tiveste outras propostas que não os “castores”?

Caetano: O meu último ano de júnior (2009/2010) foi ao serviço do FC Porto e foi fantástico. Fiz muitos golos, não havia equipa B e, por essa razão, era muitas vezes chamado à equipa principal com o mister Jesualdo de Ferreira. Então, no fim dessa mesma época, tive duas propostas de dois clubes da Primeira Liga. Não é fácil a passagem de júnior para sénior e, felizmente, tive a sorte de poder optar por uma dessas duas equipas. Mas sim, tive outras propostas. Recordo-me de uma muita boa (UD Almería) de Espanha, de Primeira Divisão. Mas eu nunca quis jogar longe de casa porque também desde muito cedo que estive metido nos negócios da família, sempre fui muito ligado à minha namorada, aos meus amigos e à própria família. Penso que isso prejudicou – em parte – a minha carreira…

Bola na Rede: Finalizas a primeira temporada nos castores com 16 jogos e um golo. Começas a temporada como suplente, adquires a titularidade a nove jornadas do término…

Caetano: (risos). Isso está mal, isso está mal. Fiz os seis primeiros jogos a titular, fiz a minha estreia contra o Sporting CP com o mister Rui Vitória e depois tive uma lesão grave em Setúbal e fui obrigado a parar durante cinco meses. Quando regresso, o extremo esquerdo era o Pizzi. Ele chegou mais tarde do que eu, mas teve a sorte de eu me lesionar. Engrenou, ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes. Depois acabei a época dessa forma…

Bola na Rede: A lesão veio estragar os teus planos, certamente. Esperavas maior utilização?

Caetano: Não, repara… Sempre que estive disponível, dei o meu contributo. Antes de me lesionar, fui sempre titular. Depois de me lesionar, salvo o erro, fiz um ou dois jogos para salvar a época. Se não jogava de início, pelo menos entrava sempre. Sempre fui uma aposta do mister Rui Vitória. Ele não teve medo de me lançar! Na altura, era muito bom a entrar porque mexia muito com o jogo! Os adeptos empurravam, tenho saudades disso! De aquecer na Mata Real. Recordo esse ano com muita satisfação, pois foi uma temporada muito positiva, apesar de ter sido operado ao ombro. No final da época até vou ao Mundial Sub-20…

Bola na Rede: O público já atenuava essa pressão de que falaste no início?

Caetano: Nunca passei isso para fora. Hoje, já é fácil falar disso. Como eu, todos os jogadores têm, só não falam. Dentro do campo, esqueci tudo. Era um menino. Nessa altura, tinha menos pressão, não tinha responsabilidade nenhuma. Entrava, só queria ir para cima do adversário, forçar o um para um. Era muito acarinhado enquanto jogador do Paços, toda a gente gostava de mim. Provavelmente por ser baixinho (risos).

Força da Tática | L de líder, L de Lille

Precisamente 10 anos após o seu último campeonato nacional, com algumas prestações francamente pobres pelo meio, o Lille OSC lidera o campeonato francês superando todas as expectativas e quando faltam apenas três jornadas para o final do campeonato.  Se a equipa de Christophe Galtier conseguir efetivar os seus intentos, será apenas o 4º título da história do clube, mas será um título muito saboroso, até pela conjuntura atual do futebol francês, onde uma equipa apresenta meios financeiros e estruturais muito superiores às restantes.

11 base*:

Guarda-redes: Mike Maignan

Defesas: Zeki Celik; Jose Fonte; Botman, Reinildo

Médios: Luiz Araujo, Andre, Soumare, Bamba

Avançados: Burak Ylmaz, Jonathan David

*Jogadores também regularmente utilizados: Timothy Weah, Renato Sanches, Jonathan Ikone e Yusuf Yazici

Vamos então analisar o modelo de uma equipa que conta com uma forte presença portuguesa, tanto no plantel como na equipa técnica.

Apesar de ter um sistema tático muito dinâmico e com muitas mudanças e trocas estruturais, a sua base assenta num 4-4-2, que muitas vezes se comporta como um 4-2-2-2 com os extremos a ocuparem um posicionamento mais interior e a largura a ser assegurada pelos laterais. A sua dupla central de meio campo é essencial no momento de construção, já que são estes a “catapultar” todo o jogo da equipa, principalmente pela capacidade de explorarem a velocidade dos avançados ou dos jogadores que preenchem os corredores.

Como mencionei, a construção é feita a quatro, neste caso os dois centrais mais os dois médios centro, com os laterais em posicionamento médio, preparando a projeção assim que a primeira linha de pressão seja ultrapassada. Os dois médios jogam quase sempre baixos no terreno. Os extremos, partindo das laterais, quase sempre resvalam para um jogo mais interior, o que permite preencher o meio-campo nos locais deixados “vagos” pelo posicionamento baixo dos médios centros.

No que diz respeito aos avançados, estes jogam muito na pressão à linha ofensiva adversária, através do aproveitamento dos espaços abertos pelo posicionamento interior dos extremos. A velocidade e capacidade técnica dos mesmos, permitem ainda que a equipa possa explorar os momentos de transição, com uma taxa muito interessante de aproveitamento neste tipo de jogadas.


A organização defensiva é talvez o momento mais forte da equipa, sendo uma das melhores defesas do campeonato francês. Os avançados, como mencionado, pressionam os centrais adversários, tentando impedir um bom enquadramento no corredor central (isso foi especialmente notório no jogo com o PSG). Os médios podem assumir uma marcação mais à zona ou mais individual de acordo com o adversário.

A linha defensiva, está regularmente posicionada numa fase mais alta do terreno, tendo sempre especial atenção ao controlo da profundidade e da largura, sendo muitas vezes os laterais a fazerem pressão ao jogador do corredor, o que provoca por vezes a existência de “libero” organizando a linha defensiva num 1+3.

A grande arma da equipa do Lille OSC, além da concentração e motivação pela possibilidade de conquista de um trofeu que parecia impossível há uns anos atrás, é a sua flexibilidade tática. Isto torna-os uma equipa muito interessante de ver e de estudar, dado que os jogadores nunca estão estáticos nas suas posições, tornando todo o jogo muito fluido. Destaque para a época fantástica do central e capitão José Fonte e do matador Burak Yilmaz, que apesar da idade, continua a somar exibições, golos e assistências que poderão ser decisivas para o título.

Em jeito de conclusão, o Lille OSC tem sido uma equipa muito forte, principalmente nos jogos grandes (já venceram AC Milan, Lyon e PSG, por exemplo), graças ao entusiasmante e inovador modelo tático aplicado por Christophe Galtier.

Conseguirá segurar este ponto de vantagem e fazer história?