Ganhar a Liga dos Campeões é um dos maiores expoentes de glória no futebol. Todos os jogadores ambicionam alcançar tal feito. Alguns já o fizeram variadíssimas vezes, o que faz com que o dia da final seja como mais um dia no escritório. Outros, nunca estiveram sequer perto da conquista da prova.
Contudo, hoje vamo-nos debruçar sobre 11 jogadores, do passado recente, que estiveram bastante próximos de se sagrarem campeões europeus, tendo acabado apenas como finalistas vencidos.
Decidi escrever um artigo bem diferente do habitual. Normalmente, o futebol jogado dentro das quatro linhas é sempre a prioridade dos nossos artigos. Contudo, muitas vezes aquilo que se passa fora das quatro linhas acaba por manchar o que de tão bom se faz no relvado. Falo de todos os intervenientes no fenómeno futebol que não contribuem para a bola de facto rolar. Recentemente, o oficial de ligação aos adeptos e speaker do FC Porto, Fernando Saul, teve declarações de todo infelizes e ofensivas nas redes sociais depois da vitória do FC Porto em Turim.
As ofensas e o vocabulário de todo impróprio foram dirigidas a Cristiano Ronaldo e à família. Não é por se tratar do melhor jogador do mundo e de uma figura com um mediatismo notável que este caso deixa de ter uma maior ou menor gravidade. No entanto, a visibilidade que teve foi sem dúvida pelas ofensas serem à família Aveiro.
Cristiano Ronaldo não é propriamente a figura mais acarinhada pelos adeptos portistas. Já se falou em algumas supostas provocações do astro português ao reino do Dragão, para não falar dos golos que marcou à equipa azul e branca. Se se fizesse um estudo às preferências dos adeptos do FC Porto, a maior tendência ia ser muito provavelmente Lionel Messi, até por se ter estreado em pleno Estádio do Dragão.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Mas a verdade é que depois do jogo entre a Juventus FC e o FC Porto, esta aversão a Cristiano Ronaldo ultrapassou todos os limites. Se fosse um mero adepto a proferir aquelas declarações, era algo que passava pelos pingos da chuva. No entanto, trata-se de um funcionário da instituição FC Porto. Uma instituição que representa Portugal nos quartos de final da Liga dos Campeões Europeus e que tem grandes pergaminhos a ser respeitados.
A frustração e a liberdade de pensamento é algo que não se pode retirar a Fernando Saul. No entanto, tendo em conta a responsabilidade, o cargo e a visibilidade de uma figura como esta, é impensável que declarações como as que vimos sejam tornadas públicas em Stories do Instagram. Para se ter noção do alcance destas declarações, até alguns membros da família de Cristiano Ronaldo acabaram por reagir.
O oficial de ligação aos adeptos portista acabou por se retratar, não sem deixar claro as razões que o levam a esta aversão ao número 7. Se é justificação para estes atos? De maneira nenhuma.
Não sabemos se Fernando Saúl irá voltar tão cedo a assumir as suas funções, mas este caso é um claro aviso para a forma como o futebol fora das quatro linhas é muito perigoso e venenoso. A imagem de um clube e de uma equipa podem ficar manchadas por atitudes irrefletidas como as que Fernando Saul teve.
Jorge Nuno Pinto da Costa recentemente virou-se para o universo do futebol português e apelou que “Basta!”. Eu, depois deste caso e de muitos outros que se vão sucedendo, apelo solenemente a que não se manche mais a imagem do FC Porto e do futebol português. A essência está dentro das quatro linhas.
A vitória frente ao Boavista FC teve na exibição de Diogo Gonçalves a sua mais brilhante contribuição, num rendimento individual que se vem acentuando como uma das poucas boas novidades de uma temporada fracassada a toda a linha, e da qual há inúmeros aspetos a corrigir para 2021-22.
Por hoje, falar de Diogo é falar da melhor projeção de um lateral direito encarnado de categoria internacional depois de Nélson Semedo, intervenientes com características físicas semelhantes e que muito podem oferecer às suas equipas no capítulo ofensivo. No sábado, Seferovic bisou graças a duas contribuições do português de 24 anos, acumulando já quatro no total da sua época, três na Primeira Liga – Everton, Darwin ou Grimaldo, os que mais assistem nesta competição, levam seis quando já ultrapassaram os 1400 minutos de utilização, contrastando com os 525′ de Diogo.
Manteve-se a tendência no início desta temporada, apostando Jorge Jesus na mesma receita que Rui Jorge descobriu em 2018, na seleção nacional de sub-23. Fruto das múltiplas soluções de qualidade para a frente de ataque, houve necessidade de acomodar o extremo alentejano no onze, olhando-se para para a ala direita como zona ideal para aproveitar a sua verticalidade.
Na seleção, mais evidente no 4-4-2 losango, agora no SL Benfica a empurrar Rafa para zonas interiores onde pode ser verdadeiramente decisivo. Tanto num como noutro contexto teve exatamente o impacto esperado, ainda que na Luz tenha demorado a assumir-se dada a consistência defensiva do mais experiente Gilberto, que é mais seguro nas tarefas defensivas mas sem a mesma repercussão no último terço.
E mais estatísticas o comprovam: cruzamentos por 90 minutos (sete de Diogo contra três do brasileiro); percentagem de passes completos (88% contra 84%), onde se incluem os passes nos últimos trinta metros (25 por 90 minutos contra 20) e a criação de grandes oportunidades, onde o português leva cinco, mais uma do que o companheiro de posição que conta com mais cinco jogos disputados.
Diogo Gonçalves parece ter ganho lugar no onze encarnado Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Se olharmos aos laterais de referência da última década encarnada, o primeiro que nos surge com verdadeira preponderância numa das laterais dos encarnados é Maxi Pereira, farol quanto à qualidade na posição e meta quanto às estatísticas superlativas no contexto nacional.
Se tivermos em atenção apenas números, permitindo-o resvalar para a tremenda insensibilidade que é concentrar na estatística o rendimento de um jogador ou da própria equipa, desconsiderando até o legado que o uruguaio construiu na Luz, e usufruindo da relativa importância dos mesmos, surgem-nos dados merecedores de atenção:
2009-10: 37 jogos, 4 golos e 8 assistências em 2932 minutos
2010-11: 46 jogos, 1 golo e 6 assistências em 3934 minutos
2011-12: 43 jogos, 3 golos e 4 assistências em 3654 minutos
2012-13: 43 jogos, 3 golos e 6 assistências em 3439 minutos
2013-14: 42 jogos, 5 assistências em 3439 minutos
2014-15: 5 golos e 11 assistências em 3758 minutos, o melhor registo do uruguaio, e que encontra rival no Nélson Semedo de 2016-17 (os mesmos 2/12 em 4217’), ou no André Almeida (idem, em 4727’) e Grimaldo de 2018-19 (7 golos e 13 assistências em 4829’), ainda que seja notória a cronometragem muito mais alargada destes três.
Comparando o atual aproveitamento de Diogo Gonçalves, há motivos para ser otimista quanto ao seu futuro de águia ao peito, num trajeto que se iniciou em 2010 e o levou a triunfar em todos os escalões formativos, com as seleções jovens em paralelo – 71 internacionalizações dispersas por todos as etapas disponíveis: sub-15, 16, 17, 18, 19, 20 e 21.
É nesta última que começa precisamente a aventura da sua adaptação a outros terrenos, com Rui Jorge a ser o responsável pela visão de o recuar uns metros para alavancar a sua importância no conjunto. Numa altura em que Diogo passava por momentos de menor fulgor no Nottingham Forest FC, primeiro empréstimo depois da estreia pela equipa A do SL Benfica, em 2017-18, e quando partilhava balneário com talentos de realce como André Horta, João Carvalho, Diogo Jota, Félix, Gedson, Rafael Leão ou Bruno Xadas, o selecionador encontrou um espaço inédito para ele – mas completamente de acordo com as suas características.
Esse processo de adaptação teve, então, interregno declarado fruto do desenvolvimento exponencial que João Pedro Sousa e o FC Famalicão lhe proporcionaram na sua posição de origem. Naquela que foi a época de afirmação em contexto de Primeira Liga, Diogo explodiu na consistência do seu jogo como um dos últimos homens – a única oportunidade para relembrar conceitos mais defensivos foi na quarta eliminatória da Taça de Portugal, numa vitória (1-0) frente à Académica.
Todos os outros 33 jogos fê-los, na grande maioria dos minutos, na extrema direita do 4-2-3-1 que fez furor com o futebol de estética memorável e resultados práticos de registo. A intromissão nos lugares cimeiros e as meias-finais da Taça são atestado da grande época famalicense e Diogo foi figura fundamental. Regressaria com todo o mérito à Luz.
Porém, com Everton, Pedrinho, Rafa ou Pizzi como concorrência direta, seria uma questão de tempo até recuar novamente no campo, aliando-se a apetência natural à reconhecida tendência de Jorge Jesus em transformar extremos em laterais de grande nível – exemplo mais latente será Fábio Coentrão, outras assinaláveis fixam-se em André Almeida ou Melgarejo, ainda que com sucesso relativo.
A pergunta que por agora se impõe será quanto ao nível de Diogo na próxima temporada, já mais rotinado com as ideias do técnico (se este cumprir contrato…) e das exigências específicas da posição e como a equipa se vai adaptar à sua desenvoltura no preenchimento da faixa. Por agora, agradece Seferovic e quem jogar nas suas proximidades, pois a certeza de serem bem servidos não é assunto de debate.
Recentemente já falei sobre Paulinho e sobre a sua estreia de leão ao peito. Infelizmente, o avançado português e o sonante reforço de inverno acabou por sofrer uma lesão, no tendão da coxa esquerda, perdendo alguns jogos importantes numa fase crucial da época.
Como referi anteriormente no meu outro artigo, Paulinho é um avançado com uma capacidade de criação enorme e apesar de muitos apenas olharem para os números de golos que os avançados marcam, é redutor analisar apenas por esse prisma. O número 21 leonino está a fazer falta ao Sporting CP e os recentes jogos sem o português fizeram notar ainda mais a falta (que eu acredito que faz) na manobra ofensiva da equipa. É um avançado que garante mais bola, um avançado que garante maior presença nos espaços entrelinhas e que garante movimentos distintos de Tiago Tomás – sobretudo quando este atua sozinho na frente.
O seu altruísmo e capacidade de se associar com os colegas faz com que o Sporting CP perca neste momento esse elo de ligação de sectores e que não consiga potenciar Pote – muito mais na finalização do que na criação – nem João Mário, jogando por vezes longe de terrenos mais confortáveis, permitindo maiores tempos com bola mas também combinações entre eles que permitam novas dinâmicas ao jogo leonino em movimento ofensivo.
Paulinho poderá integrar o lote de convocados na receção ao Vitória SC Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Apesar do Sporting CP acabar por conseguir vencer os seus jogos e por se manter intacto na liderança do campeonato, a lesão de Paulinho vem também demonstrar que apesar de ter sido um bom negócio não fez qualquer sentido fazer uma troca por troca com Sporar sem garantir que ficaria outro avançado no plantel. Com a lesão de Paulinho apenas existe TT que como já referi, que é um jogador de muito trabalho, mas completamente diferente de Paulinho e, contra blocos baixos, quando existe a necessidade de alterar, é Coates quem tem de avançar para fazer a posição de avançado.
Como disse, e apesar do Sporting CP ir vencendo, nem sempre está tudo bem quando se ganha, nem tudo está mal quando se perde. A verdade é que o facto de se ir vencendo poderá fazer com que se esqueça algumas lacunas e a meu ver é prejudicial o Sporting CP não contar com mais um avançado que possa ser solução nestes momentos e também contra blocos mais baixos e mais coesos como tem sido frequente quando defrontam a equipa leonina.
O Leão sente saudades de Paulinho e acredito que é necessário ver novas dinâmicas com bola e que, certamente com o regresso do avançado português e com as melhores peças em campo, a equipa de Rúben Amorim irá melhorar o seu nível exibicional na organização ofensiva, pois tem qualidade individual e sobretudo colectiva para fazer bem melhor.
A prova francesa, Paris-Nice, foi conquistada pelo alemão Maximilian Schachmann pelo segundo ano consecutivo. Primoz Roglic perdeu a liderança da prova no último dia, de forma dramática.
A competição começou com uma etapa destinada para os sprinters. O irlandês Sam Bennett chegou, viu e venceu, batendo Arnaud Démare e Mads Pedersen no sprint final. O australiano Richie Porte acabou por cair e abandonou a competição ao primeiro dia. Ele que já havia vencido a prova em 2013 e 2015.
Ao segundo dia, o holandês Cees Bol acabou por vencer, depois de uma queda que obstruiu a estrada no último quilómetro, impossibilitando muitos ciclistas de estar na luta da etapa. O sprinter holandês já não vencia desde o triunfo na etapa 3 da Volta ao Algarve do ano passado. Mads Pedersen beneficiou de um bom trabalho da sua equipa, mas acabou na segunda posição, enquanto que Michael Matthews terminou no terceiro posto.
No dia seguinte, houve um contrarrelógio de 14,4 quilómetros, conquistado pelo jovem suíço Stefen Bissegger. Foi a primeira vitória no WorldTour do ciclista da EF Education-Nippo, que também passou a vestir a camisola de líder. A luta pelo melhor tempo foi forte, visto que o suíço terminou, praticamente, com o mesmo tempo de Rémi Cavagna, com 17m34s, sendo decidido apenas nos centésimos de segundo. Roglic teve o melhor tempo dos homens da geral, acabando na terceira posição, gastando 6 segundos a mais.
A quarta etapa marcava a primeira chegada em alto, resultando numa vitória fácil para Roglic. A equipa controlou a etapa e Roglic, quando bem quis, acabou por sair do grupo principal, nos últimos cinco quilómetros. O esloveno vencia a etapa e passava para primeiro da geral. Schachmann acabava a etapa em segundo lugar, a 12 segundos, com Guillaume Martin, Tiesj Benoot, Vlasov e Lucas Hamilton na sua roda. Na geral, Roglic tinha 35 segundos de vantagem sobre Schachmann, e 37 segundos para Mcnulty.
O quinto dia terminou com nova vitória para Sam Bennett. Um lançamento fenomenal de Michael Morkov facilitou o trabalho do irlandês, que finalizou com excelência. Nacer Bouhanni terminava em segundo, e Ackermann no terceiro posto. Assistimos a um grande arranque de temporada de Bennett, com duas vitórias no UAE Tour e mais dois triunfos no Paris-Nice. A concorrência em ambas as provas era bastante forte, mas Bennett mostrou-se sempre um nível acima.
Chama-se Coimbra, nasceu em Viseu, cresceu na Amora e entusiasmou no Benfica. A viagem da carreira de João Coimbra permitiu-lhe, acima de tudo, cumprir sonhos, conhecer ídolos, juntar grandes amizades, e ter muitas histórias … das boas. Nem sempre a carreira lhe sorriu e, por incrível que pareça, foi com um sorriso de amarelo que viveu dos melhores momentos na carreira. Na formação viveu um jogo que ninguém quis ganhar e, no jogo da vida, perdeu alguém muito especial.
Enquanto jovem e com as quinas ao peito não esquece o troféu que levantou na sua cidade, mas pouco se lembra da vez que, no hospital em Espanha, o médico lhe repetiu a mesma frase vezes sem conta, depois de Diaby lhe ter batido à cabeça. Para trás ficam os risos do Mantorras, balneários inesquecíveis, boas relações e histórias com os treinadores, o choque da Índia e um Benfica que nem sempre deu o apoio que era preciso. Nesta viagem pela carreira, o jogador de 34 anos reconhece alguma autocrítica e conta como foi surpreendido numa ourivesaria na Suíça pelo Geovanni.
A viver no Luxemburgo, com Portugal no horizonte, o médio antecipa o que quer para o resto da carreira. A boa disposição de João Coimbra fez com que, em jeito de remate, coisa que o jogador do US Mondorf-les-Bains nunca teve muito, assim admite, tivesse de poupar os leitores ao retirar muitos do “(risos)” ao longo de toda a entrevista.
«Isso marcou-nos muito, marcou muito a minha carreira. Foi sem dúvida uma das coisas mais tristes que me aconteceu na carreira»
Bola na Rede: Começando mesmo pelas raízes da tua carreira no futebol, como chegas à formação do SL Benfica?
João Coimbra: Nasci em Viseu, em Santa Comba Dão, mas sempre vivi na Margem Sul, na zona de Lisboa. Vivi desde cedo na Cruz de Pau, em Amora e, no prédio onde morava, a zona era situada numa rua fechada, praticamente todos os dias jogávamos à bola. Fazíamos balizas de madeira, com pregos e com redes. O gosto do futebol surgiu daí e também do meu pai que sempre foi um benfiquista ferrenho que me levava aos jogos do Benfica. Sempre tive um gosto pelo futebol. Lembro-me que com sete/oito anos a única prenda que pedia aos meus pais era que me deixassem jogar futebol, na altura no Amora que era mais perto de casa. Aos nove anos, penso eu, lá consegui convencer a minha mãe e fui fazer testes ao Amora e, logo no primeiro treino, o treinador que era o mister Rocha, pediu-me logo o bilhete identidade, na altura nem tinha ainda. Fiquei logo, entrei mais ou menos a meio da época. Foi uma época onde o resto da temporada correu muito bem ao Amora. Eramos escolinhas e fomos até ganhar a Setúbal, que era a principal equipa da Margem Sul. Tínhamos mesmo uma boa equipa e, na altura, o Benfica tinha um protocolo com o Amora e fomos treinar cinco no fim da época ao Benfica. Ficamos três, o que mostra também a boa equipa que tínhamos. Desde então consegui ficar no Benfica onde fiz o resto da minha formação.
Bola na Rede: Durante a formação apanhas alguns jogadores que até conseguiram carreiras interessante, o Sílvio e o Manuel Fernandes por exemplo. Numa fase que se fala tanto de formação e Seixal, até que ponto se perderam bons talentos e bons jogadores na altura da tua formação?
João Coimbra: Claramente. Digo isto muitas vezes, independentemente da carreira que fiz, consegui chegar a profissional do Benfica, mas acredito que hoje muitos mais podiam chegar. As condições hoje são totalmente diferentes, ainda por cima, a minha geração apanhou a mudança de estádio, a destruição do antigo para construção do estádio novo. Andávamos a treinar em campos pelados nas redondezas de Lisboa. Andávamos com os cestos às costas como costumávamos dizer, e os jogos não eram como agora. Agora desde os sub-10 já são televisionados. Agora há muitos jogadores que saem por milhões antes de chegarem à equipa principal, exemplos de Bernardo e Cancelo. Acredito que na minha altura, que se tivéssemos as mesmas condições, mais poderiam ter chegado lá cima (equipa principal) porque tínhamos muita qualidade.
Bola na Rede: És campeão de juniores pelo Benfica, como foi ganhar esse título?
João Coimbra: O campeonato de juniores foi um dos títulos mais significativos para mim em termos pessoais. Nesse ano perdemos o Bruno Baião, o nosso colega de equipa que faleceu depois um treino, devido a problemas no coração. Foi sem dúvida nenhuma um título que nos marcou muito, num ano que foi muito triste para todos nós. Isso marcou-nos muito, marcou muito a minha carreira, nunca me tinha acontecido algo do género. Foi sem dúvida uma das coisas mais tristes que me aconteceu na carreira. Felizmente conseguimos também ganhar o título para dedicar a ele e à família, mas foram momentos muito dolorosos.
Bola na Rede: Pela seleção portuguesa és campeão europeu sub-17. Que recordações guardas desse torneio?
João Coimbra: Acima de tudo foi um título ganho na nossa terra, em Portugal. Nós com 17 anos termos ganho, ainda por cima em Viseu, onde nasci, e ter aquele estádio do Fontelo cheio, lembro-me muito bem de darmos a volta ao campo a festejar com as pessoas todas, lembro-me de quando vamos receber a taça e começarmos a todos a cantar o hino para todos os portugueses. Foi um marco importantíssimo e uma satisfação enorme de poder ganhar um título tão importante com as nossas cores.
Memória 17 Maio (2003)
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Bis de Márcio Sousa na final do Euro sub-17, em Viseu. Eis os heróis
Mário Felgueiras
João Dias
Miguel Veloso
Paulo Ricardo
Tiago Gomes
Paulo Machado
João Coimbra (Manuel Curto)
Márcio Sousa (Moutinho)
João Pedro (Bruno Gama)
Vieirinha
Saleiro pic.twitter.com/U9HYRMZL9w
— A Grandiosa Enciclopédia do Ludopédio (@ALudopedio) May 17, 2019
Bola na Rede: Meses depois do Europeu e de ganharem a final à Espanha, perdem com os “nuestros hermanos” nos “quartos” do mundial sub-17. Foi difícil de digerir a derrota. Além disso, estavas a marcar o Cesc Fàbregas nesse jogo, e ele fez um bis, levaste muito na cabeça no balneário?
João Coimbra: Não, não, se bem me lembro, no dia a seguir, fui até num dos jornais considerado o melhor em campo do lado dos portugueses. Mas acima de tudo foi um mundial onde acredito que não fomos completamente preparados fisicamente. Vínhamos de férias, já depois de termos ganho o Europeu e talvez não tivéssemos nas nossas melhores capacidades físicas e demonstra bem a sequência de jogos que tivemos. Salvo erro, tivemos três jogos seguidos a sofrer cinco golos. O primeiro até estávamos a ganhar 5-0 aos Camarões, a 20 minutos do fim empatamos 5-5. A nossa sorte é que o empate dava e passamos, mas, entretanto, perdemos com a Espanha, 5-2, e até tivemos a vencer por 1-0. Uma exibição muito boa do Fàbregas que acabou por ser o melhor marcador desse Mundial…
Bola na Rede: Melhor marcador juntamente com o Manuel Curto…
João Coimbra: Sim, sim, tinha os mesmos golos, mas menos jogos, exatamente.
Bola na Rede:Em um dos teus embates pelas camadas jovens de Portugal tens um encontro insólito com a Itália, queres contar melhor esse jogo?
João Coimbra: Isso foi em sub-19, isso é surreal, surreal mesmo. Para um apuramento para o Campeonato da Europa de sub-19, eramos nós, a Itália, e o Cazaquistão, ou qualquer coisa e outra equipa no grupo. Entretanto nós ganhamos os nossos dois jogos e a Itália igual. Só que nós tínhamos uma melhor diferença de golos, e quem passasse em primeiro lugar tinha uma desvantagem que era fazer grupo de apuramento com França, Espanha e Israel. E então o melhor era passar em segundo lugar, mas nós, eu sou sincero, fomos para o jogo tranquilo a pensar em ganhar. Com o desenrolar da primeira parte eu estava a achar muito estranho os jogadores italianos a trocarem muito a bola, a não arriscar e tal, até que no início da segunda parte o nosso mister nos manda subir todos num pontapé de baliza da Itália. Nessa situação estávamos os jogadores todos em volta da área da Itália. O guarda-redes vai para bater o pontapé de baliza e começa a olhar para os colegas e para o treinador sem saber o que fazer e, chuta a bola para fora. Entretanto começamos a fazer pressão ao contrário, metemo-nos ao contrário, a tentar que eles fossem para a nossa baliza. Os avançados deles ficaram sem saber o que fazer, ficavam a olhar uns para os outros, a passar para trás ou a mandar a bola para fora. O estádio estava cheio e começou toda a gente assobiar, foi uma coisa surreal, nunca tinha experienciado e nunca mais voltei a experienciar. A verdade é que nós acabamos por empatar o jogo 0-0 e passamos em primeiro. Não passamos a outra fase com a França e com a Espanha, onde tive um dos momentos mais marcantes a nível negativo na carreira.
Bola na Rede: O que aconteceu?
João Coimbra: No jogo com a França levei uma pancada, salvo erro, do Diaby, onde levei com o joelho na nuca e tive um traumatismo crânio-encefálico, até com uma paragem cardíaca momentânea, onde tiveram de me entubar e tudo, pelo menos é o que me dizem, porque não me recordo muito bem. Eu não me lembro muito bem, só me lembro de acordar no hospital, aquilo foi em Espanha, mas estávamos a jogar com a França. No hospital lembro-me do médico me dizer “João, estamos em Espanha, estás na seleção, aconteceu isto e isto no jogo e já é a décima vez que te estou a dizer isto”. Eu acordava, ele dizia e eu voltava a dormir, e não me lembrava. Tanto que quando cheguei ao Hotel já não reconhecia o Hotel. Estava no quarto com o Ivanildo, um dos melhores que conheci na bola, espetáculo, quase não me falava. Comecei a achar estranho, e isto também tinha sido no ano em que acho que tinha acontecido a morte do Fehér e a seguir também à situação do Bruno Baião. Só uns anos depois é que o Ivanildo me disse que depois de me ter visto naquela situação no campo, e no dia seguir estava tranquilo a falar com ele, lhe fez muita confusão. A verdade é que nessa fase de grupos acabamos por perder os três jogos.
Bola na Rede: Como foi a recuperação dessa situação, tiveste algum “problema” nos dias a seguir?
João Coimbra: Não, não, no dia a seguir estava pronto para jogar se quisessem, só que os responsáveis na altura não quiseram, e quando vim para Portugal ainda me fizeram mais exames a ver se estava tudo bem. Duas semanas depois já estava a jogar.
Entre o Sporting CP e o sonho dos seus adeptos, estão 11 árduas finais. Neste artigo, analisamos as partidas que restam até ao fim do campeonato, sabendo que todos os jogos serão de dificuldade extrema e podem ser condicionados por fatores incontroláveis, como eventuais lesões, casos de Covid ou expulsões.
Começando pelo jogo que se avizinha, a partida frente ao Vitória SC é, como todas as outras, extremamente importante ganhar. Os vimaranenses vêm de uma derrota pesada no dérbi do Minho; no entanto, não deixam de ser uma equipa com grandes talentos (Ricardo Quaresma, André André, Rochinha, etc.) e que luta por um lugar de acesso às competições europeias. Posto isto, prevejo um teste de fogo (ainda para mais sem Coates, que viu o quinto amarelo no jogo de ontem) antes da paragem para compromissos internacionais.
Após a interrupção para os jogos das seleções, seguem-se quatro jogos em que, se o Sporting CP quer sorrir no final, não pode perder pontos. Sabendo que não existem jogos fáceis (sobretudo numa altura do campeonato em que todas as equipas precisam de pontuar), nestas quatro partidas, diria que os leões têm grande probabilidade de vencer. Em dois jogos, a equipa de Alvalade é visitada e, noutros tantos, é visitante; recebe o FC Famalicão e o B SAD e, em jogos teoricamente mais complicados, vai a Moreira de Cónegos e a Faro. Como já disse, quatro partidas que não deixam de ser complicadas, mas em que é imperativo conseguir os 12 pontos.
Caso os leões consigam os 12 pontos nos quatro jogos anteriormente referidos e caso mantenha a vantagem pontual para o segundo classificado, o jogo que se segue pode ser “o jogo do título”. Deslocação a Braga que, a meu ver, pode ser a mais difícil e decisiva da época. A formação de Carlos Carvalhal tem vindo a praticar um futebol bastante ofensivo e agradável de assistir e, com mérito, ocupam a segunda posição do campeonato. Como observámos no jogo da final da Taça da Liga, o SC Braga foi um osso bastante duro de roer. Posto isto, só um Sporting CP ao seu melhor nível conseguirá levar de vencida esta equipa do Minho.
O Sporting CP recebe o Belenenses SAD, uma das equipas que se encontra numa posição desconfortável Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede
Em maio, o Sporting começa a receber a equipa do CD Nacional. Um pouco à semelhança das quatro partidas referidas anteriormente, será mais um jogo em que os verde e brancos, muito provavelmente, dominarão e acabarão por garantir a vitória; contudo, é importante não esquecer que, na altura, a equipa da Madeira poderá precisar de pontos para assegurar a manutenção e, consequentemente, poderá dificultar a vida aos leões. De seguida, aquele que poderá ser o primeiro jogo do Sporting CP com adeptos nas bancadas, fora frente ao Rio Ave FC. Mais um jogo onde será preciso suar a camisola para conseguir os três pontos, pois, na primeira volta, a equipa de Vila do Conde já mostrou que consegue fazer moça ao leão.
Por fim, nas últimas três jornadas do campeonato, os leões não saem de Lisboa. Primeiro recebem o Boavista FC de Jesualdo Ferreira, formação que, para já, ocupa a posição acima da linha de água, por isso, à semelhança do que deverá acontecer com o Nacional, poderá ser mais uma equipa a vir a Alvalade com muita necessidade de pontos. Posteriormente, a deslocação à Luz, que, para não variar, será muito complicada. O SL Benfica, a meu ver, está em claro crescimento e, mesmo que o jogo possa, eventualmente, pouco interessar para a tabela, nenhum dos clubes quererá perder nem a feijões; dérbi é sempre dérbi e neste tipo de confrontos, estão em jogo muito mais do que três pontos. No último jogo, o Marítimo vem a Alvalade, num jogo em que, esperemos nós, seja de festa.
Agora há que jogar. Jogar e ganhar. Não pensar que já está ganho e suar a camisola sempre. O resto, com ou sem sorte, com ou sem “estrelinha”, vai-se conseguindo, desde que nunca falte a vontade e a garra, que são requisitos para quem veste a verde e branca. Só assim é que o sonho pode ser tornado realidade.
Chegados à última jornada do Torneio Pré-Olímpico, Portugal defrontou a França no jogo de tudo ou nada, em que apenas uma vitória colocaria os “heróis do mar” nos tão desejados Jogos Olímpicos de Tóquio. A Seleção francesa venceu ambos os jogos frente à Tunísia e Croácia e, só uma conjugação improvável de resultados poderia levar a equipa a falhar o seu objetivo.
A entrada em jogo de Portugal esteve longe de ser perfeita, notando-se a equipa nervosa e, novamente, com imensas dificuldades na organização ofensiva, desta vez agravadas pela ausência por lesão do central Miguel Martins. Por outro lado, a França ia superando a defesa portuguesa sem grande dificuldade, conseguindo construir uma vantagem considerável nesta fase inicial, levantando dúvidas em relação à capacidade portuguesa de ultrapassar este desafio.
Mas, como vimos ontem, o jogo tem diferentes fases e, apesar do mau começo, a nossa seleção conseguiu ir minimizando os danos, aproveitando o tempo que restava do marcador. Aos 14 minutos do primeiro tempo, a França vencia por 5-11, mas com uma defesa mais aguerrida, um ataque organizado e eficaz, Portugal conseguiu chegar ao descanso a perder por apenas um golo (12-13).
A equipa de Paulo Jorge Pereira fez o mais difícil, ao conseguir voltar à disputa do jogo, após estar em desvantagem, mas ainda tinha mais uma parte para lutar por um lugar na história. Era importante recomeçar bem, algo que não tinha acontecido no jogo do Mundial, que foi decisivo na altura. Durante os primeiros dez minutos, os empates foram constantes mas, aos 40 minutos, Portugal passou pela primeira vez para a frente do marcador, tendo na altura a oportunidade de aumentar a vantagem, não conseguindo aproveitá-la.
A partida continuou ao mais alto nível, com vários empates, até que chegados à marca dos 50 minutos, a equipa portuguesa voltou a ver-se com dificuldades, em inferioridade numérica e com dois golos de desvantagem. Pouco depois e, a quatro minutos do fim, a desvantagem já estava nos três golos. Poucos imaginavam que Portugal conseguiria marcar os quatro golos que precisava para vencer a partida.
Mas, os portugueses não desistem e, nessa altura, Gustavo Capdeville elevou-se, tal como Alfredo Quintana fez imensas vezes. Não sofreu mais nenhum golo até ao final da partida. A apenas 50 segundos do fim, eram precisos dois golos para garantirmos o bilhete para Tóquio e o inacreditável aconteceu. Durante esses segundos, Portugal recuperou a bola duas vezes, concretizando esses ataques e carimbando o passaporte para os Jogos Olímpicos (29-28). Recomendo vivamente a (re)ver os últimos cinco minutos do jogo mais histórico do Andebol português.
Depois do jogo de ontem, as probabilidades de conseguir um lugar nos Jogos Olímpicos eram poucas. Essas hipóteses pareceram desaparecer com o início do jogo de hoje, causando dúvidas até nos mais crentes. Mas, depois de ontem ter perdido a partida frente à Croácia, após estar a vencer por seis golos, Portugal teve a força e o engenho de dar a volta a uma desvantagem de seis golos até ao último segundo. Assim, marcou o golo que faltou em outros momentos, como frente à Noruega ou frente à Croácia.
Esta geração já tinha mostrado ter motivação e vontade para superar as dificuldades mas, durante estes três jogos, houve uma força extra vinda da vontade de homenagear Alfredo Quintana. Portugal conseguiu vencer o terceiro dos últimos quatro jogos frente à poderosa seleção francesa e em julho vai estar pela primeira vez nos Jogos Olímpicos.
A FIGURA
🏆 “Best Of 2020” – Luís Frade🏆
Continuamos a nossa cerimónia de prémios, com o titulo de “Melhor Jogador no Estrangeiro”, votado a partir do nosso website.
‼️O pivot Luís Frade foi o atleta escolhido pelo público com um total de 1022 votos‼️ pic.twitter.com/FYGR0iKRQX
Luís Frade – Uma das principais ausências do Mundial, o pivot do Barcelona foi absolutamente decisivo em todos os momentos do jogo. Defensivamente, serviu de “âncora” no centro da defesa juntamente com Iturriza, principalmente na primeira parte. Em termos ofensivos, marcou quatros golos (100% de eficácia) e não tremeu quando teve oportunidades de finalizar.
O FORA DE JOGO
🇵🇹🆚🇫🇷 Portugal recover from a shaky start and fight back from a six-goal deficit for a difference of just one at half-time. France lead 13:12#Tokyo2020 📸 FFHandball / Icon Sport pic.twitter.com/7g7HOtasmm
— International Handball Federation (@ihf_info) March 14, 2021
Sete inicial de Portugal – Os sete jogadores escolhidos para começar a partida por Paulo Jorge Pereira não estiveram ao nível do que seria preciso para vencer, excetuando, principalmente, António Areia. Tal notou-se na vantagem que a França conseguiu construir inicialmente, que durante a partida foi sendo recuperada pelos jogadores que começaram no banco de suplentes. Por alguma razão o andebol é um jogo de equipa e não se considera que existam titulares.
ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL
Num jogo em que facilmente podia ter perdido o controlo e a organização, a seleção teve uma personalidade enorme, ao nível das melhores seleções do mundo. A entrada em termos defensivos não foi a melhor, mas ao longo do jogo Portugal conseguiu acertar essa organização, tendo contado também com uma boa exibição de Gustavo Capdeville. Em termos ofensivos, o jogo foi praticamente perfeito, dos melhores que Portugal já conseguiu, com poucas falhas técnicas.
SETE INICIAL E PONTUAÇÕES
Manuel Gaspar (5)
Diogo Branquinho (5)
Alexandre Cavalcanti (5)
Victor Iturriza (6)
Daymaro Salina (5)
Fábio Magalhães (5)
António Areia (8)
SUBS UTILIZADOS
Gustavo Capdeville (7)
Belone Moreira (10)
Rui Silva (8)
Tiago Rocha (-)
André Gomes (6)
Luís Frade (10)
ANÁLISE TÁTICA – FRANÇA
Esta é uma equipa ainda em evolução, após a má prestação no último Campeonato Europeu. Com duas vitórias nesta fase, antes deste jogo, a França estava a demonstrar a sua força. A equipa entrou muito bem na partida, com as suas individualidades em grande nível, mas a saída por lesão de Dika Mem veio penalizar um pouco a organização ofensiva da equipa. Em termos defensivos, por poucas vezes conseguiu superar-se à ofensiva portuguesa, tendo novamente muitas dificuldades com o 7×6.
O GoldenSwing é uma série de torneios jogada, em terra batida, na América do Sul. Uma vez que decorre durante a temporada de piso rápido jogada maioritariamente na Europa, os jogadores menos cotados e mais propensos a ter bons resultados em terra batida acabam por escolher participar neste swing para, assim, amealhar pontos importantes no ranking longe da concorrência dos melhores do mundo. Este torneio de Santiago faz parte deste circuito.
Uma forma de percebermos esta diferença de nível é ver que o primeiro cabeça-de-série do torneio no Chile seria o último cabeça-de-série do ATP de Doha que distribui exatamente os mesmos pontos, por exemplo. Posto isto, no início do torneio existiam dois grandes pontos de interesse, ver se João Sousa conseguiria finalmente vencer um jogo de um Quadro Principal (QP) de um torneio, e a prestação de Pedro Sousa na sua superfície favorita.
João Sousa teve como adversário um jogador vindo do qualifying e que é número 171 do mundo, Juan Pablo Varillas. João Sousa era o claro favorito para vencer este encontro, mas o português nunca pareceu suficientemente tranquilo para encarar este encontro com a atitude certa. À medida que ia errando ia-se irritando mais, e à medida que se ia irritando ia errando mais, num círculo vicioso que acabou por resultar num segundo set desastroso que perdeu por 6-1. Começa a ser difícil ver o fim desta tremenda crise de resultados para João Sousa cujo lugar dentro do TOP-100 mundial parece, cada vez mais, em perigo.
Pedro Sousa, por sua vez, voltou a mostrar um bom nível de ténis e pareceu já totalmente recuperado da pequena lesão que sofreu durante o ATP de Cordoba. Frente a um antigo TOP-30 mundial, mas muito longe desse nível de jogo, Leonardo Mayer, Pedro Sousa mostrou-se bastante autoritário e, a servir bem, não deu qualquer hipótese ao seu adversário de o importunar verdadeiramente no seu serviço, algo de assinalar quando estamos a falar de um jogo disputado na superfície mais lenta do circuito, a terra batida. Pedro Sousa acabou por se fazer valer de dois breaks no primeiro set e um no segundo para comandar a partida e marcar presença na segunda ronda.
O adversário da segunda ronda era o quarto pré-designado do torneio, Laslo Djere, que, por ser cabeça-de-série tinha beneficiado de um bye na primeira ronda do torneio e, por isso, mais tempo de descanso do que Pedro Sousa. Apesar de ter sido quebrado, em branco, logo no início do primeiro set, o português acabou por conseguir dar a volta à situação e virar o set a seu favor e um break, no 11.º jogo, deixou o lisboeta a servir para fechar o primeiro parcial por 7-5. O segundo set foi novamente muito equilibrado e foi novamente Pedro Sousa que quebrou o serviço adversário numa fase crucial do encontro o que deixou o português, novamente, a servir em 5-4 para fechar o set e, desta vez, o encontro, mas o desfecho não foi o mesmo. Pedro Sousa teve dois match points nesse jogo de serviço mas desaproveitou os dois e, nesse set, perdeu todos os restantes jogos e o set por 7-5. No terceiro set, os serviços desempenharam um papel chave. Em cada um dos seus jogos de serviço, os servidores nunca permitiram mais do que um ponto ao adversário, exceto numa ocasião que foi num dos jogos de serviço de Pedro Sousa o que acabou por ditar o fim da participação portuguesa.
O outro destaque vai para Holger Rune, o número um mundial de juniores, que acabou por fazer um torneio melhor do que seria de esperar. O norueguês tinha-se estreado em QP do circuito ATP na semana anterior, em Buenos Aires, mas só agora conseguiu a primeira vitória ATP da carreira. Rune, que vinha do qualifying, conseguiu vencer Sebastian Baez e, ainda, surpreendeu tudo e todos ao eliminar o segundo cabeça-de-série, Benoit Paire. É um tenista que nos vamos começar a habituar a ver nos torneios ATP e estas foram as duas primeiras vitórias de muitas que a sua carreira trará, certamente.
FINAL
SANTIAGO SUCCESS 🇨🇱
Cristian Garin prevails in his hometown with a 6-4, 6-7(3), 7-5 win over Facundo Bagnis 🏆 pic.twitter.com/hJUZ8F1Dv7
No resto do torneio, o primeiro pré-designado e atleta da casa, Cristian Garín, acabou por fazer um excelente torneio e chegou à final depois de ter ultrapassado toda a concorrência em parciais diretos. Do outro lado do quadro, foi Facundo Bagnis quem chegou à final. O argentino teve um percurso bastante mais sinuoso, teve de disputar, por duas vezes, o set decisivo e jogou, ainda, três tie-breaks. A chegada à final foi uma surpresa e a vitória frente a Frances Tiafoe representou uma das surpresas do torneio.
Na final, o favoritismo estava todo do lado de Garín, mas foi Bagnis quem entrou melhor e pressionou o serviço do chileno. Depois de dois break points salvos por Garín, foi mesmo o chileno que acabou por, na primeira oportunidade, quebrar o serviço do adversário e avançar para a conquista do set por 6-4. No segundo set, e tendo em conta o cansaço acumulado de Bagnis ao longo do torneio, era fundamental para o argentino entrar por cima do encontro e ir à procura de fazer o primeiro break. Não foi isso que aconteceu. Cristian Garín voltou a aproveitar a primeira oportunidade que teve de quebrar o serviço ao seu adversário logo no segundo jogo de serviço de Bagnis. O argentino não ia deitar a toalha ao chão e devolveu de imediato a quebra de serviço. Depois desta troca de breaks inicial, o jogo acabou por se desenrolar de forma bastante rápida com os servidores a darem poucas oportunidades ao adversário de fazer break. Bagnis tem um primeiro serviço poderoso e, assim que o conseguia colocar, ficava de imediato em vantagem no ponto. Infelizmente para ele, no primeiro set a percentagem de primeiros serviços dentro foi bastante baixa, apenas 46%. Melhorou muito esse aspeto no segundo set e isso foi chave. Bagnis acabou por conseguir levar o set a tie-break onde teve uma prestação de altíssimo nível, vencendo o tie-break por 7-3. Ficava, assim, tudo para decidir no último set.
No terceiro set, foi Garín que elevou o seu nível. Nunca deixou Bagnis confortável no seu jogo de serviço e acabou por ir conseguindo vencer os jogos com alguma tranquilidade. Conseguiu, novamente, ser o primeiro a quebrar, mas, psicologicamente, voltou a não saber manter o nível e deixou o argentino fazer de imediato o contra break. Num final de set decidido nos detalhes, Crsitian Garín acabou por ser mais competente e levar esta final de vencida.
Com esta vitória, o chileno vence o seu quarto torneio ATP e reentra no TOP-20 mundial, praticamente cinco meses depois de ter saído.
Apesar desta derrota, Facundo Bagnis tem de estar orgulhoso da sua prestação pois, depois de em Cordoba se ter estreado nas meias-finais de um torneio ATP, aqui em Santiago estreou-se numa final, aos 31 anos. Os argentinos têm vindo a fazer um excelente GoldenSwing e, neste torneio, voltaram a colocar dois jogadores nas meias-finais, Bagnis e Delbonis.
A CRÓNICA: É A PRONÚNCIA DO NORTE, O FC PORTO FOI A EQUIPA MAIS FORTE
Discutia-se a Pronúncia do Norte. Rui Reininho, vocalista dos Grupo Novo Rock (GNR), deu o mote há alguns anos e a cidade do Porto, ao longo dos mesmos, imiscuiu-se dos vocábulos dessa espécie de hino nortenho. Entre FC Porto e FC Paços de Ferreira, quem poderia assumir o discurso mais fluente?
A primeira parte do encontro, se pudesse ser classificada analogamente com um nome de um álbum, seria o Gritos Mudos, dos Xutos e Pontapés. As situações que podiam resultar em maior tormento – essencialmente para a baliza à guarda de Jordi – foram geradas através de bolas paradas (pontapés de canto). A vontade estava em campo, mas o último passe tinha perfurado a divisória mais cedo e adentrado pelos balneários.
A entrada para a segunda parte prometia ser mais fogosa do que a primeira. Mbemba, após um canto batido por S. Oliveira, aproveita a sobra e, numa amálgama de cruzamento e remate (53′), envia a bola ao ferro da baliza de Jordi. O primeiro aviso estava dado…
Marega, após recuperação do esférico de Otávio e numa zona mais lateral do terreno ofensivo, desfere um remate diagonal (57′), cessado pela luva direita do guarda-redes pacense. Na reposta: Bruno Costa, na transformação de um livre perto da área defensiva portista, coloca a redondinha na cabeça de Marcelo (62′), sem marcação visível; Marchesín, encarnou no homem-elástico, tirou o pão da boca ao central do FC Paços de Ferreira e somou mais uma intervenção digna de poucos ao seu incrível registo.
O discurso, supracitado nas primeiras linhas, foi preferido pelos da Invicta: Sérgio Oliveira (77′) bateu o canto sem demora, Pepe apareceu no segundo poste e desviou. 1-0! Estava inaugurado o marcador.
A resposta – ou a corroboração da mesma – veio, novamente, dos pés do camisola 27 dos Dragões: a distância foi tirada a papel químico do golo em Barcelos (78′); num perfeito cenário de filme, a bola, Sérgio Oliveira, o remate, Jordi ainda tentou deter o remate, mas o selo de golo imperou.
Aos 85′, Sérgio Oliveira continuava a fazer das suas traquinices: numa situação atacante, erigiu um túnel sobre Fernando Fonseca – quando se encontrava praticamente sem soluções – e alvejou a baliza dos castores. Resultado? Canto…
Até ao final da partida, nada digno de registo. O FC Porto vence e mostrou quem tem mais pronúncia do norte, mantendo assim a terceira posição na tabela classificativa.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Sérgio Oliveira – começam a não existir vocábulos para descrever o médio do FC Porto. De quase preterido, a essencial. É a síntese de uma história de superação, de raça, de querer, de ambição. Hoje, diante do FC Paços de Ferreira, perpetrou mais uma exibição de encher o olho (principalmente na segunda parte): uma assistência repleta de inteligência e um golo pleno de sentido de oportunidade. Isto, além do que joga e faz jogar. A chave de ouro!
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Setor defensivo do FC Paços de Ferreira – Aguentou até onde podia. Chegou o momento de rebentar pelas costuras. Até ao primeiro golo, pode adjetivar-se o quarteto como imperial. A partir desse momento, um erro defensivo fez ruir a muralha construída por Pepa e deitou por terra a aspiração pacense: pontuar.
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
Defronte da Juventus FC, em Turim, Sérgio Conceição arquitetou um 4-4-2 primando uma postura mais defensiva. Corona e Otávio, no processo de recuo de linhas, eram as duas peças saídas diante das primeiras fases de construção da frente italiana, enquanto que Uribe e Sérgio Oliveira se encarregavam de fechar as entrelinhas e os movimentos interiores. Hoje, diante dos pupilos de Pepa, o sistema tático permaneceu não adulterado e, certamente, com menores preocupações – pelo menos, nos momentos iniciais – no que concernia à metodologia defensiva.
Na primeira metade, rarearam as situações através das quais o último passe surtiu o efeito desejado. O FC Porto, na primeira fase de construção, pecou e não foi hábil naquele que é um dos seus pontos fortes: posse de bola, progressão no terreno com o esférico e criação de perigo junto da baliza adversária. Uribe, Sérgio Oliveira e Otávio não tiveram a preponderância de outros jogos pelo facto de os castores terem tapado bem os espaços entrelinhas, os movimentos interiores e a profundidade provocada ora pelos alas, ora por Marega e Taremi – apesar da pouca solicitação.
Nos segundos 45 minutos, o FC Porto pisou o relvado com uma atitude diferente. Até às substituições realizadas por Sérgio Conceição, nota para investidas ofensivas com perigo. O jogo suplicava por L. Díaz e F. Conceição e o técnico portista percebeu isso bem cedo. A partida necessitava de espaços interiores e de profundidade e esses eram os escolhidos para inscrever esses requisitos. Contudo, o golo acaba por chegar no aproveitamento de uma falha defensiva. A partir desse momento, o segundo golo chegou com naturalidade e a gestão do encontro foi consumada com sucesso.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Marchesín
Manafá (5)
Pepe (7)
Mbemba (7)
S. Zaidu (6)
Otávio (7)
S. Oliveira (8)
M. Uribe (6)
J. Corona (6)
M.Marega (5)
M. Taremi (5)
SUBS UTILIZADAS
F. Conceição (6)
L. Diaz (6)
T. Martinez (-)
M. Grujic (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA
Pepa, o responsável pelo comando técnico do FC Paços de Ferreira, orquestrou exatamente a mesma estratégia utilizada no triunfo caseiro defronte do CD Nacional (2-1): um 4-3-3, símbolo de “futebol total” e projeção ofensiva. Os castores iam ao Dragão com espírito temerário e focados na discussão do desfecho final, tentando comprovar o estatuto de “equipa sensação” da temporada 2020/2021.
Durante os primeiros 45 minutos, os castores subiram as linhas e as respetivas zonas de pressão sobre o portador da bola. Desenharam-se algumas investidas ofensivas quer pelo flanco esquerdo, quer pelo flanco direito, principalmente em situação de contra-ataque. Defensivamente, Bruno Costa, Eustáquio e Luiz Carlos tiveram um papel fundamental na recuperação das chamadas segundas bolas e no impelir do gizar ofensivo proveniente dos pés de Sérgio Oliveira e Otávio.
Na entrada para o segundo tempo, o FC Paços de Ferreira estava, novamente, à espreita, na expetativa de conduzir o contra-golpe perfeito e assim dificultar – mais ainda – a tarefa dos dragões. Uma falha de posicionamento defensivo abriu a lata. Salientam-se a tranquilidade demonstrada até aos dez minutos finais, a conduta temerária adotada em alguns momentos da partida e o envolvimento entre os três setores.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Jordi (5)
F. Fonseca (6)
Marcelo (6)
Maracás (6)
P. Rebocho (6)
L. Carlos (5)
S. Eustáquio (6)
B. Costa (6)
H. Ferreira (6)
D. Tanque (6)
L. Singh (6)
SUBS UTILIZADAS
Uílton (4)
J. Pedro (4)
Castanheira (-)
Martin (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
FC Porto
BnR: Não foi possível fazer perguntas ao treinador do FC Porto, Sérgio Conceição.
FC Paços de Ferreira
BnR: Boa noite, mister. Pode considerar-se que a sua equipa veio fazer o chamado “jogo pelo jogo” ao Estádio do Dragão. Durante o jogo, em alguns momentos, foi percetível a temeraridade dos seus jogadores. Notou-se que eles próprios sentiam que podiam sair daqui com pontos?
Pepa: Sentimos, sentimos. Aquilo que estava a ser o jogo na primeira parte. Na primeira parte, jogamos o jogo pelo jogo. Quisemos retirar a profundidade que o FC Porto aproveita muito bem, dissipar os espaços entrelinhas e as movimentações interiores. Não consentimos situações de perigo na primeira metade. acelerar o jogo pelo corredor contrário. Quisemos jogar o jogo pelo jogo, isso é inegociável. Posso concordar consigo na primeira questão/ observação que fez. Depois do primeiro golo, notou-se a equipa muito nervosa, muito ansiosa, a equipa ressentiu-se ali nos dois, três minutos que se seguiram. Perdemos a capacidade de avançar no terreno e de procurar dar uma resposta mais afirmativa. Mérito para o FC Porto que, na segunda parte, nos empurrou para a nossa área.