LaMelo Ball, desde bem cedo na carreira, é reconhecido de forma quase universal no mundo do basquetebol. A família Ball, juntou os talentos dos seus filhos a uma senda comercial nunca antes visto, e o jovem LaMelo, desde os 15 anos de idade, habituou-se a lidar diariamente com mil e uma câmaras apontadas a si, jogando simultaneamente a um nível elevadíssimo.
Mas, de sublinhar, esta «exposure» foi algo que o próprio abraçou com algum entusiasmo e normalidade, crescendo enquanto jogador com um nível de exigência diferente de todos os outros colegas da mesma idade. Dito isto, a sua experiência incomum alinhou-se com o seu talento geracional e o sucesso extemporâneo na NBA está a ser o primeiro carimbo das muitas conquistas que porventura aparecerão na sua carreira.
Opinião pessoal? Sim, creio que Ball será o rookie do ano.
Os números não enganam e LaMelo Ball tem liderado os rookies em praticamente todos os setores do jogo, não obstante o início não tenha sido perfeito.
Chegando à NBA, aliás, iniciou o seu trajeto como suplente, sendo que o norte americano apanhou uma equipa no Draft rica em jogadores para a posição onde atua. James Borrego justificou este seu começo no banco, com o facto do rookie não ter tido a preparação que era necessária, ao passo que, num ano sem pandemia a teria, com a existência da summer league – competição designada para jogadores que estão no seu primeiro ano de NBA ou estão a tentar chegar à liga.
O talento, ainda assim, não passou invisível e a maturidade que demonstrou, apanhou os próprios responsáveis dos Hornets em choque.
Dell Curry on LaMelo Ball: “My early impression is he’s better than everyone thought. … He’s a special player.”
As a ROY frontrunner, Ball is currently averaging: 14.6 PPG, 6.2 RPG and 6.1 APG
Em adição, o base realizou jogos fantásticos no primeiro mês de 2021, ao passo que o último jogo a partir do banco, coincidiu com o último jogo feito em janeiro. Nessa partida, LaMelo fez um jogaço perante os Bucks, realizando 27 pontos, 9 assistências, 5 ressaltos e 3 roubos de bola, somando apenas um turnover, em 31 minutos de jogo. Esta exibição sublime acelerou a sua presença no 5 inicial e a partir daí, LaMelo Ball não mais foi suplente.
O seu primeiro jogo a titular, coincidiu também com o primeiro jogo do mês de fevereiro. Um mês, de resto, muito positivo para o jovem base, onde o próprio realizou em média 20 pontos, 6 assistências, 7 ressaltos e 2 roubos de bola por jogo. Estatísticas que realçam a sua qualidade, não só ofensivamente, mas também defensivamente e são um autêntico atestado de competência.
É verdade que o Real Madrid CF teve uma deficitária preparação do plantel para a nova temporada. Ainda assim, nada podia fazer prever que os merengues chegassem a Bérgamo tão desfalcados. Zinédine Zidane tinha apenas 11 (!) jogadores de campo da equipa principal disponíveis. Nove elementos não puderam participar no duelo a contar para os oitavos-de-final desta noite, frente à Atalanta BC, devido a lesão. Entre eles, Sergio Ramos, Éder Militão, Marcelo, Dani Carvajal, Álvaro Odriozola, Federico Valverde, Eden Hazard, Rodrygo e Karim Benzema.
A juventude do banco de suplentes do Real Madrid, não desmerecendo, não fazia augurar nada de positivo. Do outro lado, uma Atalanta fiel ao seu habitual estilo e com, aparentemente, excesso de opções. Começaram a ver o jogo do banco, estrelas como Josip Iličić, Mario Pašalić ou Ruslan Malinovskyi.
O jogo até estava a ser bem disputado, entre duas equipas que se respeitavam e que se tinham estudado mutuamente. Num momento em que a Atalanta até estava por cima, o lance de maior envolvimento no ataque do Real Madrid aconteceu ao minuto 17, nasceu do lado esquerdo e foi travado por Remo Freuler. O suíço da Atalanta não teve direito a avisos e foi punido com o cartão vermelho na sequência da jogada, deixando a sua equipa reduzida a dez.
Os Italianos, iguais a si próprios, tinham a intenção de continuar com a mesma toada, mas a inferioridade fez-se sentir e os forasteiros ganharam espaço, e bola, na partida. Se tudo parecia correr mal, à passagem do minuto 30, pior ficou. Duván Zapata, que até então estava a ser a grande referência no ataque a segurar bolas vindas da defesa, acabou por sair lesionado, dando lugar a Mario Pašalić.
O primeiro golo podia ter aparecido ainda na primeira parte, mas apesar da insistência madrilena, tal não aconteceu. Ora por falta de pontaria, ora pela faceta mais heroica de Pierluigi Gollini. Tudo a zeros ao intervalo.
A segunda parte começou como terminou a primeira: só dava Real Madrid. Mas desengane-se caro leitor, nem por isso o perigo esteve sempre presente. A equipa espanhola estava por cima, é certo. Ainda assim, pouco ou nada conseguiu demonstrar em termos de finalização. Jogou simplesmente aquilo que o adversário italiano permitiu, resignado com o empate, a jogar com a eliminatória e perfeitamente ciente das suas incapacidades na partida.
Aos 85 minutos, Ferland Mendy sacou um verdadeiro coelho da cartola. Rematou de fora de área com o pior pé e…. golo! O Real Madrid acabou mesmo por chegar à vantagem numa altura em que parecia cada vez mais longe de o conseguir. O lateral-esquerdo, que também esteve no lance que deu a expulsão, acabou por ser uma das figuras da partida, só beliscada pela estrondosa exibição de Isco. Jogo atípico, onde tivemos uma Atalanta diferente do habitual, muito condicionada pelas incidências da partida. Tudo em aberto para a segunda mão.
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) April 21, 2020
Isco Alarcón – Bem sei que Ferland Mendy marcou o golo que acabou por dar a vitória, mas a verdade é que o principal motor da partida foi, na minha opinião, Isco.
Muito criticado, figura marginal do plantel e por muitos desacreditado, Isco deu boa conta de si. Mostrou toda a sua qualidade técnica no último terço, movimentou-se de forma interessante e procurou ter vários rasgos de imprevisibilidade ao longo da partida. Merece ser a figura do jogo por ter sido um ponto seguro de uma equipa bastante desorientada e carenciada de referências.
O FORA DE JOGO
Remo Freuler is sent off for Atalanta after bringing down Ferland Mendy and denying a clear goalscoring opportunity 🟥
Remo Freuler – Não pretendo entrar na discussão se a entrada de Remo Freuler é merecedora de cartão vermelho, ou não. A verdade é que a sua equipa ficou seriamente comprometida com a inferioridade numérica e perdeu toda a vantagem emocional com que iniciou esta partida. O resultado acabou por ser menos mau, tendo em conta que jogaram mais de 70 minutos com menos um. Fica a sensação de que podia ter sido uma noite bem mais alegre para os italianos.
ANÁLISE TÁTICA – ATALANTA BC
O plano inicial de Gian Piero Gasperini não oferecia dúvidas. O 3-4-1-2 apresentado privilegiava os dois avançados colombianos, que atuavam mais descaídos na ala, deixando intencionalmente o meio desocupado.
A marcação da Atalanta era alta e individual, como se costuma dizer: “cada um marca o seu”. Pelo menos até à expulsão de Remo Freuler. A partir daí, passou a ser humanamente impossível.
A expulsão de Remo Freuler e a lesão de Duván Zapata fizeram o técnico alterar o esquema inicial. Com menos um elemento, no momento ofensivo, passou a explorar mais o contra-ataque e a profundidade oferecida pelo avançado, Luis Muriel. A mobilidade da Atalanta permitia que outros jogadores aparecessem em zonas de finalização, como os laterais, Joakim Maehle e Robin Gosens, e até Rafael Tolói, defesa-central da equipa.
Matteo Pessina acabou por recuar no terreno, Mario Pašalić entrou e a equipa passou a jogar numa adaptado 3-5-1.
Antes dos 60 minutos de jogo Luis Muriel também saiu, visivelmente esgotado, e deu lugar a Josip Iličić. O conjunto Orobici terminou o encontro sem avançados e mais perto da sua própria baliza, muito longe da sua imagem habitual.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Pierluigi Gollini (7)
Berat Djimsiti (6)
Cristian Romero (5)
Rafael Tolói (7)
Remo Freuler (3)
Marten de Roon (5)
Robin Gosens (6)
Joakim Maehle (6)
Mattteo Pessina (5)
Duván Zapata (5)
Luis Muriel (6)
SUBS UTILIZADOS
Mario Pašalić (6)
Josip Iličić (5)
Ruslan Malinovskyi (-)
José Lusi Palomino (-)
ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF
O técnico francês surpreendeu com a introdução de Isco no onze titular, em detrimento do ponta-de-lança, Mariano Díaz Mejía. O espanhol funcionou mais como como um “falso 9”, tendo mais liberdade no campo. Pisou terrenos bastante diferentes daqueles que costuma pisar por exemplo, Karim Benzema. Com a entrada de Isco, esperava-se que o Real Madrid jogasse num 4-4-2 losango, mas tal não se verificou. O 4-3-3 foi uma realidade, com os extremos e laterais a procurarem surpreender através da criatividade e imprevisibilidade.
A expulsão mudou o jogo e o Real Madrid, apesar de jogar com mais um, ficou sem o espaço que tinha para jogar até então. A Atalanta cedeu espaço, desceu as suas linhas e mesmo assim o Real Madrid não conseguiu criar oportunidades claras de golo.
Na semana passada, o FC Porto fez uma grande exibição contra a Juventus FC, e conseguiu uma vitória no maior palco europeu – a Liga dos Campeões. Não são muitos os triunfos que os Dragões e os clubes portugueses em geral têm conseguido contra as grandes equipas na Europa. Os azuis e brancos têm duas no passado próximo, e as ambas em jogos que jogou de olhos nos olhos com o adversário, sempre com uma pressão muito competente.
Há pouco menos de um ano, no primeiro confinamento e em pausa do futebol, escrevi sobre o jogo do FC Porto contra o FC Bayern Munchen de 2015, a contar para a Liga dos Campeões, para a rubrica “O que fazer na quarentena”. E ao ver o jogo da passada quarta-feira não pude deixar de me lembrar desse grande jogo contra os alemães.
Não só porque a vitória é por si só comparável, no Dragão e contra equipas dentro do lote dos favoritos, mas porque o jogo teve também ele algumas similaridades. Tal como em 2015, o FC Porto começou o encontro com uma pressão muito alta, e marcou nos primeiros minutos precisamente numa recuperação aos defesas adversários.
Mas contrariamente ao que se calhar seria normal, o FC Porto não baixou as linhas em nenhuma das partidas. Continuou a tentar importunar o adversário, sabendo que ambas equipas tinham centrais com dificuldades na construção, e acreditando que essa não só era a melhor forma de defender, como de atacar também.
É certo que nem sempre vai funcionar, e, no estado atual do futebol português comparado com o das outras principais ligas, é sempre preciso que o adversário esteja num dia menos bom. Mas esses dias menos bons também podem ser forçados, e não vai ser com uma exibição “trancada” nos últimos 30 metros que isso vai acontecer.
Se deres a este tipo de equipa muito tempo com a bola, a probabilidade de estes ganharem confiança e começarem a jogar cada vez melhor é muito grande. Agora se os pressionares logo desde o início, estás, no mínimo, a testá-los. A ver se estão preparados para te enfrentar e se te estão a levar a sério.
A última equipa fora das cinco principais ligas a chegar às meias-finais da Liga dos Campeões foi o AFC Ajax, precisamente num ano em que a equipa jogava olhos nos olhos com os adversários, sempre com uma pressão muito alta, e sem nunca ter medo dos grandes nomes que tinha pela frente. É certo que depois também tinham imensa qualidade com a bola nos pés, e era uma geração claramente especial para o clube holandês, mas os princípios de jogo da equipa de Ten Hag foram também fundamentais.
E é isso que se pede ao FC Porto e a Sérgio Conceição para a segunda mão. Porque, infelizmente, também houve outra coisa parecida entre os dois jogos: o golo sofrido. Foi esse golo que deu a crença aos bávaros que conseguiriam dar a volta à eliminatória (isso, e toda a qualidade que tinham), e a Juventus FC irá também sentir-se mais capaz e com um trabalho “mais facilitado” devido ao golo.
O trabalho dos Dragões é tirar essa sensação aos italianos logo desde o início, tal como fez na primeira mão. Deixar a Vecchia Signora desconfortável, e obrigá-la no mínimo a esforçar-se se quiser passar à fase seguinte. Pede-se uma segunda mão com a mesma coragem, ambição e qualidade. Mas claro, é sempre mais fácil dito que feito.
O novo futebol – ou o desporto adaptado às exigências da pandemia – tem visto novos protagonistas, novas estrelas e revelações inesperadas em várias ligas. A ausência de público pode contribuir, mas é algo que vai marcar profundamente aqueles que esperam anos por um título e agora não o vão poder acompanhar tão de perto quanto esperariam.
Temos novo líder em Portugal, Itália, Escócia, França, Espanha, Dinamarca e Ucrânia, por exemplo. E quando digo “novos líderes” refiro-me aos velhos candidatos, que já não estavam nestas posições há anos, ou àqueles que sempre sondaram o primeiro lugar e conseguiram, agora, assumir com todas as condições a candidatura aos respetivos títulos.
No entanto, classifico uma liga como “boa”, ou neste caso como uma “das melhores”, dependendo da globalidade de vários fatores. Entre eles estão a qualidade de jogo, a competitividade não só na frente da tabela, mas também na luta pela manutenção. É, portanto, um top com poucas surpresas já que todos sabemos onde estão as maiores estrelas do futebol europeu.
Um dos (vários) momentos altos da temporada passada no que diz respeito ao desporto motorizado em Portugal, foi a coroação de António Félix da Costa (DS Techeetah) como campeão de Fórmula E. Eu iria mais longe, não foi só apenas uma vitória, foi como se um rolo compressor de bandeira portuguesa às costas passa-se por cima de toda a grelha de Fórmula E. Foi também inesperado, porque António foi precisamente para a toca do “Rei da Selva”, o bicampeão Jean-Éric Vergne, que apenas pode apreciar de longe a forma do português.
Há mudanças, grandes nomes da pilotagem deram o salto para outras equipas, e duas das equipas mais significativas vão dar o salto no final da temporada para outras andanças. Falo por exemplo da mudança de Sam Bird da Virgin Racing para a Jaguar, ao lado de Mitch Evans, um dos duos mais fortes desta época, e também, da saída anunciada da Audi e da BMW, apesar que as equipas em si, (ABT e Andretti respetivamente) mesmo sem apoio de fábrica, tem intenções de continuar na categoria.
Até agora o único vislumbre que tivemos daquilo que poderá ser a ordem das coisas deixou mais perguntas do que respostas. Nos testes de Valência, durante a sessão final, a grelha de 24 carros ficou separada por apenas 0,761 segundos, com oito equipas diferentes dentro do top 10. Isto é um equilíbrio que deixaria Thanos orgulhoso, e como tal, ao traduzir-se nas primeiras duas corridas de Ríade este fim-de-semana, podemos esperar uma grelha de corrida muito aleatória, e para a temporada, algo como 2018/2019, em que quase toda a gente da grelha conseguiu chegar a um pódio e durante as primeiras corridas tínhamos sempre alguém novo a vencer.
Fonte: Formula E
Por essa mesma razão, não me parece que esta temporada vá ser dominada por um só piloto como vimos no ano passado. António Félix da Costa já mostrou a Vergne que não está para brincadeiras, e no primeiro ano como Campeonato do Mundo, teremos algumas figuras importantíssimas a atacar o título.
A Nissan E-DAMS por exemplo, com a equipa constituída pelo campeão de 2015/2016, Sebastien Buemi e o excelente Olivier Rowland, é sempre uma candidata, principalmente depois de conseguir o segundo lugar no campeonato de construtores. É impossível deixar a Mercedes de parte, que após um ano de estreia absurdamente bom, com um terceiro lugar no campeonato, aponta as armas à vitória, e se as corridas de Berlim mostraram algo, foi um presságio assustador do que pode vir, bastante familiar para quem acompanha a outra Fórmula onde a Mercedes atua.
Uma equipa que para mim irá subir a candidata em 2021, será a Jaguar, em particular olhando para o par de pilotos que lá tem, que talvez seja o segundo mais forte da grelha, com Mitch Evans e Sam Bird. Há também os “outsiders”, ou seja, aquelas equipas que podem surpreender pela positiva, como a Porsche, que após um primeiro ano aceitável, pode vir com vontade de mostrar o porquê de ser das equipas mais temidas do desporto motorizado, liderada pelo muito experiente André Lotterer e pelo excelente Pascal Wehrlein.
Fonte: Formula E
Uma equipa que surpreendeu nos testes foi a Dragon/Penske, que com Sergio Sette Camara e Nico Muller apanhou muitos de surpresa com os resultados, contudo, não entra na categoria do “pode até vencer”, isso é reservado para as equipas que abandonam a categoria no final da temporada (BMW e Audi). Ambas tiveram uma temporada passada difícil, de grande inconsistência, por vezes parecendo o carro mais rápido em pista, mas noutras ocasiões não conseguiam superar os adversários.
Os outros talvez tenham de batalhar pelos “restos”, mas como já vimos, o equilíbrio é imenso, e sendo que as equipas apenas podem homologar um único motor para esta temporada, para reduzir custos, bolsos fundos não será a resposta.
Por muito português que seja, estou reticente quando a um bicampeonato de António Félix da Costa. A grelha parece mais forte do que nunca, seja em pilotos ou em equipas, e o “nosso” homem terá de estar pronto para uma resposta de Vergne. Sexta e sábado já teremos a resposta, e de preferência, com uma corrida ao nível do que a Fórmula E nos foi habituando ao longo dos anos.
Já não é apenas um rumor ou uma mera especulação, Pepê é oficialmente dragão até junho de 2026, num negócio que custou 15 milhões de euros aos cofres dos Dragões. O jogador, que era alvo do FC Porto desde o verão passado, chega assim à cidade Invicta depois de ter sido especulado o interesse do FC Zenit São Petersburgo e de clubes de Espanha, Itália e Inglaterra.
Porém, nenhum interesse foi declarado de forma oficial. De acordo com uma entrevista do Presidente do Grêmio ao canal de televisão oficial do clube brasileiro, o FC Porto tinha uma vontade enorme de contar com Pepê, sendo que o interesse por parte do jogador, em rumar aos dragões, foi crucial para a conclusão do negócio.
Eduardo Gabriel Aquino Cossa, mais conhecido por Pepê, foi revelado pelo Foz do Iguaçu FC, clube modesto que detinha 30% dos direitos económicos do jogador de 23 anos. Para além do clube paranaense, Pepê também teve uma breve passagem pelos juniores do Coritiba FC, sendo posteriormente contratado pelo Grêmio para reforçar a sua equipa de sub-20.
A afirmação de Pepê na equipa gaúcha deu-se com a chegada do treinador Renato Portaluppi, onde o atacante começou a ter mais espaço na equipa principal, principalmente após a saída de Everton Cebolinha, contratado pelo SL Benfica no verão passado. Na temporada atual, o jogador já conta com 55 jogos e 15 golos, sendo nove deles no Brasileirão, três no Campeonato Gaúcho e três na Taça Libertadores da América.
Com a contratação de Pepê, os azuis e brancos passam assim contar com um extremo intensamente veloz que conduz muito bem a bola em progressão, tendo uma clara aptidão, ou podemos chamar de dom, no 1×1. De notar ainda a capacidade de se ligar com outros jogadores, através tabelas, o famoso “um-dois”, características estas que fazem lembrar Otávio, atual jogador do FC Porto.
Matheus Reis chegou a Alvalade no passado mercado de inverno proveniente da equipa do Rio Ave FC. Com valor de mercado (quase) a rondar os três milhões, o brasileiro ficou blindado com uma cláusula de rescisão de 45 milhões. Com formação na equipa do São Paulo, foi em Portugal que se destacou, fazendo sobretudo uma boa segunda temporada na formação vilacondense que fez despertar a atenção de vários clubes – tendo sido inclusive apontado a substituto de Alex Telles ou ainda associado aos gregos do Olympiakos.
Chega a Alvalade com 26 anos e, com tempo, de ainda se estabelecer como peça importante no clube verde e branco. O sistema de 3-4-3 não é de todo uma novidade para o jogador visto que foi utilizado – precisamente no Rio Ave – muitas vezes como ala esquerdo, mas também como central pelo mesmo lado. Esteve afastado dos relvados por problemas fora das quatro linhas – o último jogo realizado foi em 24 de setembro diante do Besiktas a contar para a Liga Europa – sendo esperado que vá surgindo esporadicamente na equipa de Amorim a fim de melhorar os índices físicos.
A chegada de Matheus Reis pode ser analisada de várias formas:
Pela saída de Cristian Borja, que abre uma vaga na dupla função de ala/defesa esquerdo e também de central pela esquerda;
Pela performance de Nuno Mendes, que vai despertando a atenção de vários clubes e que poderá acabar por levar ao jovem português a abandonar Alvalade;
Pela idade de Antunes que, apesar de ser um jogador útil, não será uma aposta nem a curto nem (sobretudo) a longo prazo.
O brasileiro chegou em janeiro a Alvalade e entra no lote de opções de Rúben Amorim Fonte: Rio Ave FC
O brasileiro é um jogador bastante corpulento e atlético, possuindo uma passada larga, conseguindo não só fazer o corredor esquerdo com facilidade, mas também ser competente nas ações defensivas. Protege bem a bola e revela capacidade para ser um central que gosta de assumir o jogo e arriscar na primeira fase de construção – lembrando a substituição que Rúben Amorim fez no jogo diante do Gil Vicente FC. Tecnicamente é seguro e demonstra nos seus cruzamentos – os antecipados vão adquirindo cada vez mais importância no modelo de jogo leonino – uma arma letal, o que fará do brasileiro uma boa alternativa a Nuno Mendes.
Um outro factor que considero importante de enaltecer e de que já se viu um pouco diante do Gil Vicente FC – não me parecendo de todo inocente – é a ligação estabelecida por Rúben Amorim entre Matheus Reis e Nuno Santos, colegas no Rio Ave. Essas dinâmicas socioafetivas, por vezes, conseguem superar a (ainda) pouca dinâmica coletiva que o brasileiro apresenta – podendo ser uma mais valia para o Sporting CP – quando o seu timoneiro procura manter o sistema como sempre o faz, mas mudar as características de alguns jogadores de forma a tornar a equipa mais ofensiva e vertical.
Liga Europa, 2.ª mão dos 16 avos de final: quinta-feira, 20h00, 25 de fevereiro de 2021
ANTEVISÃO: AS ROMA COM “PÉ E MEIO” NOS OITAVOS
Podia ser um adversário para fases mais “decisivas” da competição, mas quis o destino que o SC Braga tivesse este “osso duro de roer” na primeira eliminatória pós fase de grupos. Depois da vitória da equipa de Roma na primeira mão (0-2 na “Pedreira”, em Braga), os pupilos de Paulo Fonseca recebem a equipa de Carlos Carvalhal com uma vantagem dupla em mãos: a vitória no primeiro jogo e os dois golos apontados fora de casa. Assim, os arsenalistas sabem que estão obrigados a marcar dois golos no campo adversário, tarefa que não é impossível, mas que se afigura bastante difícil.
Ambas as equipas ocupam, nos seus campeonatos, lugares de acesso à Liga dos Campeões.
Paulo Fonseca orientou os SC Braga em 2015/16, época em que a Taça de Portugal foi conquistada pelos minhotos.
Nunca SC Braga e AS Roma se haviam defrontado, em qualquer competição, antes desta eliminatória
Ambas as equipas somaram 13 pontos na fase de grupos da competição.
Edin Džeko, disputou frente ao SC Braga o seu primeiro jogo na presente edição da Liga Europa, precisando de apenas cinco minutos para colocar a AS Roma na frente do marcador.
A AS Roma já recebeu por oito vezes adversários portugueses no seu recinto.
A AS Roma, em sete eliminatórias a duas mãos contra emblemas portugueses, tem um registo de três apuramentos e quatro eliminações.
O SC Braga apurou-se sempre nas três anteriores eliminatórias a duas mãos que disputou diante de conjuntos da Liga Italiana.
A AS Roma apresenta um registo perfeito de dez apuramentos em dez eliminatórias a duas mãos em que venceu fora a partida da primeira mão.
O SC Braga está pela sexta vez nos 16 avos-de-final da Liga Europa.
Henrikh Mkhitaryan (AS Roma) – O médio voltou esta época à sua grande forma. Golos, assistências, grandes jogadas, o arménio parece ter “feito as pazes” com o seu melhor futebol e tem levado a equipa da capital às costas. Ora jogando como médio, ora como avançado, será novamente arma fundamental para Paulo Fonseca.
Lucas Piazón (SC Braga) – O bom momento do médio brasileiro não pode ser ignorado. Além das boas exibições, tem somado golos com a camisola arsenalista. A sua meia distância poderá ser uma arma essencial para desmontar o cinismo italiano. Carlos Carvalhal já o conhecia de Vila do Conde e tem retirado o melhor do antigo médio do Chelsea FC.
XI’S PROVÁVEIS
AS Roma: Pau López, Rick Karsdorp, Roger Ibañez, Gianluca Mancini, Leo Spinazzola, Bryan Cristante, Jordan Veretout, Amadou Diawara, Henrikh Mkhitaryan, Pedro Rodríguez e Edin Džeko.
Treinador: Paulo Fonseca:
“É um passo importante vencer fora por 2-0, mas temos de ter muito cuidado com esta equipa do Braga. Não queremos ser surpreendidos no Olímpico.”
SC Braga: Matheus Magalhães, Ricardo Esgaio, Vítor Tormena, Rolando, Cristián Borja, Al Musrati, Nicolás Gaitan, Lucas Piazón, Ricardo Horta, Abel Ruiz e Wenderson Galeno.
Treinador: Carlos Carvalhal:
“Não é impossível, mas é uma tarefa muito complicada que temos em mãos.”
No passado dia 10 de fevereiro, a primeira bola foi lançada ao ar na G League. A liga de desenvolvimento está a adotar o mesmo modelo dos Playoffs da NBA em 2020, com uma “bolha” na Disneyland, em Orlando. Com o cenário de pandemia, apenas 17 formações, das 28 normalmente inscritas, aceitaram o formato. Este ano, o torneio conta com uma nova equipa que promete mudar o paradigma do basquetebol norte-americano.
Os Ignite fogem ao sistema dos outros plantéis presentes na Liga. Desde 2020, a equipa situada na Califórnia serve como uma nova porta para os jovens basquetebolistas. Na G League, os jogadores podem ser pagos, ao contrário do caminho da NCAA, onde o campeonato universitário ainda não permite qualquer tipo de rentabilidade financeira aos atletas. Quem o faz, pode ser severamente punido.
As únicas alternativas que existiam eram fora das fronteiras americanas. No último Draft, por exemplo, LaMelo Ball e RJ Hampton foram as caras da NBL, a liga de basquetebol australiana. A NBA percebeu que a tendência era de ver estes casos a aumentar e criou uma equipa com as mesmas características, a competir na liga de desenvolvimento, que já existe desde 2001.
Com esta pequena/grande diferença, alguns dos melhores jogadores já começam a ver esta via como uma boa alternativa ao que era tradicional, estudar e jogar. Jalen Green foi o pioneiro nesta via alternativa, o que promoveu de outra forma o que ainda podia ser visto com alguma insegurança.
Um dos condimentos que ajuda à escolha da G League é a oportunidade de jogar contra e com jogadores mais experientes. Nos Ignite, Jarrett Jack transmite conhecimentos de veterano, mas os mais novos também podem aprender ao jogar contra nomes como Jeremy Lin.
Apesar de os Ignite competirem com as restantes equipas, os jogadores mais jovens, vindos do High School, não podem jogar na NBA ao longo da época. Pelo contrário, os profissionais já draftados podem usar a G League como um trampolim para jogar no “principal franchise” ao longo do ano, visto que quase todas as equipas da liga têm, neste momento, um plantel de desenvolvimento a competir.
Em todas as equipas existem nomes com grande qualidade. Neste artigo, vamos focar-nos em apenas cinco jogadores com idade mais nova no BI, mas que já fazem frente a alguns adversários com muita história na NBA. Com bons jogos nesta “bolha”, pode ser que se vejam alguns destes atletas a brilhar nos maiores palcos, já nesta época.
O dia 18 de fevereiro de 2021 ficará marcado na carreira de Lucas Veríssimo como a data de estreia do central brasileiro com a camisola de uma espécie de encarnado do Sport Lisboa e Benfica. É indubitável. O que é questionável é se esta data ficará marcada na outra face da moeda: ficará esta data marcada na história do SL Benfica como a estreia de Lucas Veríssimo pelo clube?
Uma questão presente que só no futuro terá resposta, com naturalidade. Apenas especulações e jogos de adivinhação se podem levantar num momento tão precoce para responder a uma questão complexa, ainda que de simples apresentação.
O século XXI, em especial, tem demonstrado que qualquer jogador pode envergar o Manto Sagrado, por menos qualidade futebolística que lhe assista. Todavia, o século XX, em particular, reserva em si uma história benfiquista na qual, pela sua grandiosidade, só se encontram intrincados futebolistas verdadeiramente especiais, que talvez não perfaçam uma dezena.
Lucas Veríssimo terá que se revelar um futebolista de características e capacidades superlativas, se pretende cimentar o seu nome na história do clube. Colocam-se duas novas – mais concretas – questões: consegui-lo-á? E pretenderá? Duas perquisições, de novo, sem decifração imediata – e, quiçá, mediata.
Podemos, reitero, enveredar por recreações de adivinhação, procurando sustentação para as mesmas no passado de Veríssimo no seu país natal e na sua estreia no Olímpico de Roma. Não será suficiente, mas, na falta de melhor, arrisquemos. Coloquemos sob observação a personalidade, o carácter mais visível e a determinação que o paulista há já espelhado dentro e fora dos “gramados” brasileiros.
O central de 25 anos tem construído a sua carreira sobre pilares de valores importantes para o sucesso no futebol: determinação, dedicação, liderança, respeito, trabalho e fidelidade. Fiel, que o Dicionário Infopédia da Porto Editora define como o “que é exato ou verdadeiro em relação àquilo que pretende refletir”, é para mim o mais importante traço psicológico de Lucas Veríssimo.
O central de 1,88m conhece no SL Benfica apenas a sua segunda casa como futebolista sénior, aos 25 anos de idade. Pelo Santos FC, realizou cinco temporadas, não abandonando o clube mesmo após o anúncio oficial da sua aquisição pelas “águias”, mantendo-se como um dos alicerces da equipa paulista até final da Libertadores 2020/2021.
No momento da saída, conservou respeito para com o Santos FC e, no momento da chegada a uma nova realidade, apresentou vontade de representar o emblema da Luz. Caso não se dissipe essa vontade e Lucas decida vestir de águia ao peito durante largos anos, poderá dar um passo significativo no que respeita à inscrição do seu nome nos pergaminhos do clube.
O #MeninoDaVila que se tornou um dos grandes zagueiros do Peixe. Muito obrigado, Lucas Veríssimo! 🤍🖤
Num momento interno tão conturbado, poderá revelar-se uma tarefa hercúlea. Contudo, pela perseverança de Veríssimo, arrisco adivinhar que Lucas pretenderá cimentar o seu nome na história do clube. Uma das questões está, então, “adivinhada”. Remanesce outra.
Conseguirá Lucas Veríssimo mostrar-se um futebolista de excelência no contexto encarnado – sobretudo neste horrendo contexto encarnado? Não se adivinha de fácil adivinhação, se a redundância me é permitida. No entanto, as primeiras impressões deixadas na derrota disfarçada de empate frente ao Arsenal FC foram positivas.
Na sua primeira noite em serviço, o central de Jundiaí revelou uma frieza emocional tremenda, um sentido posicional imenso, uma capacidade de leitura e antecipação extraordinária e uma inteligência de desarme e no um para um bastante apreciável.
Pelo demonstrado no Brasil e pelo espelhado no relvado do Olímpico de Roma, adivinho que Lucas poderá, de facto, ser um futebolista superlativo no seio da sua posição, seja em sistema dual ou triásico de centrais.
Todavia, convém aguardar mais provas, que, por certo, não tardarão. Que jogador será Lucas Veríssimo ao serviço do SL Benfica? O tempo o ditará.