A Liga Europa começou em 2009/2010, renomeada após a Taça UEFA, e só foi vencida por clubes de três países diferentes. Dentre desses, Espanha domina claramente, com quatro conquistas por parte do Sevilla FC – maior titulado nesta competição – e três do Club Atlético Madrid, ao que se junta duas do Chelsea FC, uma do Manchester United FC e uma do FC Porto. A nível de presenças na final, três clubes portugueses já lá estiveram.
Esta que é considerada a segunda prova mais importante a nível de clubes na Europa, tem presenteado com algumas surpresas durante todas as eliminatórias e fases nas 11 edições já completadas. Surpresas essas que se transpõem para a final, onde algumas formações chegam de forma surpreendente à final. Neste top encontramos uma formação portuguesa com um percurso incrível, alguns históricos e ainda um clube que fechou portas em 2019. Um segredo do sucesso parece ser mesmo começar nas Pré-Eliminatória.
No final do último jogo a contar para o campeonato, Sérgio Conceição responsabilizou, em parte, os jovens da formação pela fraca exibição da equipa na primeira parte e consequente empate contra o Boavista FC.
Mas então, o que é que aconteceu durante a primeira parte desse jogo para que o treinador tenha falado dos jovens da formação como parte do problema, mas não dos outros jogadores com mais estatuto no plantel? Primeiro, foco-me nos jovens.
É claro e óbvio para todos que João Mário e Fábio Vieira não fizeram uns 45 minutos bem conseguidos, aí concordo com Sérgio Conceição. João Mário é um extremo-direito, no máximo um lateral/ala-direito. No encontro contra o Boavista jogou na esquerda. E não só jogou no lado que não é o dele, como ficou como o único responsável para garantir a largura desse lado. Se tivesse atrás dele um lateral capaz de fazer movimentações ofensivas para atrair também a pressão dos defesas boavisteiro, acredito que João Mário teria tido mais influência.
O sistema usado, com Sarr mais recuado para garantir mais alguma segurança defensiva, que eu até nem desgosto, funciona quando é Luis Díaz o extremo-esquerdo. Mas o colombiano tem uma capacidade de 1×1 muito acima da média, capacidade essa que Sérgio Conceição não pode exigir de João Mário. É certo que o jovem não fez um bom jogo, mas pouco teve a ver com a “atitude”, como o treinador mencionou. Aliás, se há algum aspeto que não podemos apontar a João Mário, é precisamente o da atitude. É extremamente forçado, corre durante todos os minutos que joga. Mas não é tão talentoso como Díaz, tão simples quanto isso. E este não tem a capacidade de jogar como extremo-esquerdo a garantir toda a largura nesse flanco.
⌚️10′ FCP 0-1 BFC
⚠️Pela primeira vez, três vencedores da 🏆Youth League pelo 🔵FC Porto são titulares ao mesmo tempo na 🇵🇹Liga Portuguesa:
🇵🇹Diogo Leite
🇵🇹Fábio Vieira
🇵🇹João Mário pic.twitter.com/yZDIRTQmEI
O caso de Fábio Vieira é bastante diferente. O médio tem todo o talento do mundo, principalmente no seu pé esquerdo. Mas a verdade é que não tem “pegado de estaca” na onze inicial de Sérgio Conceição. E há várias razões para tal, a meu ver. Primeiro, o sistema não é o mais propício para o jovem. Tendo em conta que, na grande maioria dos jogos, o conjunto azul e branco alinha com dois avançados puros, a única posição que Fábio Vieira pode ocupar, pelo menos neste momento, é a de Corona/Otávio. Certamente não é a de extremo a jogar mais perto da linha, e também não é num duplo pivô no meio campo.
Fábio Vieira tem que jogar perto da área contrária. Tem uma capacidade de aplicar o passe final ao nível dos melhores jogadores do plantel, uma boa movimentação para entrar na área, e um remate muito competente, quer em força ou em jeito. Ou como um número 10 assumido, ou a partir da direita com muita liberdade para se juntar ao meio, Fábio Vieira tem mostrado ao longo da sua jovem carreira uma qualidade muito assinalável.
Já enumerei as posições onde acho que o jovem pode brilhar, mas onde é que este pode ser exposto? A jogar num meio-campo a dois, com um jogador com características de box-to-box ao seu lado. Fábio Vieira não é um médio para receber em zonas recuadas do relvado. Tem capacidade de passe? Sim, mas não é por isso que deve participar ativamente na primeira fase de construção. No jogo contra o Boavista, foram várias as vezes que este era o médio mais recuado quando a equipa tinha bola, para conseguir uma melhor circulação da posse de bola, dizia Sérgio Conceição na conferência de imprensa.
Mas este nem sequer é um bom plano a nível ofensivo para o FC Porto, na minha opinião. Fábio Vieira não tem uma capacidade por aí além de fazer o tipo de circulação de bola que é pedida naquela zona do relvado. Não sabe (ainda, pelo menos) congelar o ritmo de jogo quando é preciso, não percebe ainda da melhor maneira quando arriscar e quando não o fazer.
E se este posicionamento de Fábio Vieira no relvado já não é algo positivo para a equipa a nível ofensivo, então é óbvio que também não o será a defender. Não podemos pedir a um jogador algo que este não é capaz de fazer, e não podemos pedir a jogador para ser algo que não é. E também é óbvio para todos que Fábio Vieira não será o melhor jogador da equipa na transição e processo defensivo. E esse facto não tem que estar ligado a problemas de atitude por parte do jogador. Não tudo está ligado à atitude dos jogadores, e parece-me até que esse é o último dos problemas do FC Porto desde a chegada de Sérgio Conceição, já que o líder portista faz questão de incutir esse princípio na equipa.
Mas continua muitas vezes a ser essa a justificação do treinador para não apostar seriamente nos jovens da formação. “Não têm atitude, não têm intensidade”, ouve-se tantas vezes. O problema raramente está ligado com questões táticas da inclusão de x jovem na equipa. Penso que a exigência deve ser igual e não maior para os jovens do que para os atletas mais consagrados. O treinador portista talvez pudesse ter chamado, como exemplo, jogadores como Sérgio Oliveira ou Marega, que também fizeram 45 minutos muito abaixo da média.
O jogo do basquetebol tem sofrido enormes mutações com o desenrolar dos anos. Os triplos-duplos fazem parte do quotidiano moderno da NBA, os postes tradicionais parecem dissipar-se, os triplos são a nova primazia do basquetebol atual…Contudo, se pensarmos em específico na posição do base, é uma das que mais se modificou com o passar dos anos.
Fomos de uma ideia que um base deve ser o jogador mais preocupado com o sucesso dos seus companheiros, com a formação de bases «pass first» tais como Chris Paul ou Steve Nash, para a ideia que um base deve ser a principal arma ofensiva da equipa, através da conquista de pontos, com a formação de bases como Stephen Curry ou Kyrie Irving. Isto, claro, na esfera da NBA. Não quero globalizar esta ideia, mas sabemos bem como um jogador ou uma equipa podem metamorfosear as filosofias e ideologias precedentes, por todo o mundo.
Esta mistura de ideias, com o point guard a ser o jogador chave em todo o percurso ofensivo da equipa, formou uma ideosincrasia muito específica de bases para a nova geração da NBA: Doncic, Trae Young, LaMelo Ball, Tyrese Haliburton e Ben Simmons são meros exemplos disso mesmo. Reparem, todos são bases e três destes mencionados têm cerca de 2 metros de estatura (!), algo que há 20/30 anos não acontecia. Ninguém, outrora, pensava num jogador com 2 metros (ou mais) para transportar a bola e ser o cérebro ofensivo da equipa.
Obviamente há exceções, como era então Magic Johnson, mas não passava disso, de uma excepção e de um jogador geracional. Hoje já temos mais jogadores desta estatura a fazer esse papel e mais importante ainda, temos jogadores que não são bases de raíz cada vez mais a desempenhar a função de um base no jogo. E este é o ponto principal do artigo.
Passados mais de quatro meses, a saída de Tiago Dantas continua a gerar discussão, discórdia e contestação entre os adeptos encarnados. O médio, que era visto por muitos como um dos maiores talentos da formação do SL Benfica, foi emprestado ao FC Bayern perto do fecho do mercado de janeiro, depois de ter sido suplente nos primeiros jogos da época na equipa B.
Nas poucas vezes que foi abordado sobre o assunto, Luís Filipe Vieira sempre deu a entender que a saída de Tiago Dantas foi uma iniciativa do próprio jogador e que se tinha limitado a fazer a vontade ao jovem médio, de modo a não cortar-lhe as pernas. Num dia, Luís Filipe Vieira chegaria a mostrar as mensagens que Tiago Dantas lhe mandou – uma a solicitar que aceitasse a oferta do FC Bayern e outra a agradecer pelo seu gesto.
No entanto, a história à volta da saída de Tiago Dantas voltaria a ganhar novos contornos, quando, na última sexta-feira, o ex-treinador do Benfica B, Renato Paiva, foi entrevistado no podcast Visão Vermelha, no qual justificou a pouca utilização de Tiago Dantas na Segunda Liga, depois de ter sido dos jogadores mais utilizados na época anterior.
“Quando a época começou, já era ponto assente que o Tiago Dantas ia sair. Ele não saiu porque era suplente, ele era suplente porque ia sair.”
Tiago Dantas tem contrato com o SL Benfica até 2024 Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Nessa mesma entrevista, Renato Paiva explicou que, aquando do início da Segunda Liga, Tiago Dantas e o seu empresário lhe fizeram chegar a informação de que este tinha várias propostas (inclusive de clubes da Primeira Liga) e de que pretendia sair do clube. Explicou também que, enquanto Dantas fosse jogador do SL Benfica iria treinar tal e qual como antes, mas que iria dar a titularidade aos jogadores que iriam permanecer no plantel.
Tratava-se de uma situação previsível. Dado o rumo dos acontecimentos, era de esperar que a saída do jovem médio fosse iminente, sendo que o ex-treinador da equipa B optou, e bem, por dar a titularidade a jogadores que iriam permanecer na equipa. No entanto, a explicação de Renato Paiva refuta uma das mensagens divulgadas por Luís Filipe Vieira, visto que numa das mensagens enviadas, Tiago Dantas teria alegadamente explicado que pretendia sair por ter poucos minutos na equipa B.
Esta trata-se de mais uma situação que não foi devidamente explicada pelos responsáveis do SL Benfica, tendo de ser um ex-funcionário do clube a dar uma explicação sobre a situação de um dos principais ativos formados no Seixal.
Quanto à decisão de Tiago Dantas, este optou por dar um outro rumo à sua carreira, estando no seu livre direito para tal. Quanto aos motivos que o levaram a essa mesma decisão, esses só o próprio jogador é que sabe.
Enquanto aluno da área da Comunicação Social, mais concretamente de Jornalismo, consigo afirmar, com base nos meus estudos e experiência académica, que a comunicação de uma empresa é um dos pontos fulcrais de aposta, e um clube de futebol, como o Sporting CP, não escapa à regra. Um bom contacto com o público, neste caso os adeptos, é uma boa maneira de aproximá-los do clube, mesmo em tempos de pandemia.
Não vou ser ingénuo ao ponto de não reconhecer que esta boa comunicação que o Sporting está a desempenhar também é influenciada pelos bons resultados da equipa de futebol. Como os comandados de Ruben Amorim vão em primeiro lugar no Campeonato Nacional, com uma larga vantagem em relação ao mais próximo concorrente, dá logo outra alegria aos adeptos, que encaram a vida social do clube com mais positividade.
A comunicação do Sporting CP recebeu um grande upgrade, visto que várias iniciativas inovadoras estão a ser colocadas em ação. A mais famosa, e aquela que vejo fazer mais furor entre os adeptos leoninos, é o Inside Sporting CP. A forma como os adeptos conseguem acompanhar semanalmente uma das equipas do clube de Alvalade aumenta a ligação entre estes e os atletas. O podcastADN de Leão, que funciona no formato de entrevista, dá a conhecer um pouco melhor a vida de alguém ligado ao mundo leonino. Também Duelos de Leão, apesar de ainda só ter oposto Eduardo Quaresma a Tiago Tomás, é uma espécie de concurso entre duas figuras leoninas, que fez, da mesma forma, furor entre os sportinguistas.
Também nas redes sociais a comunicação do Sporting está mais forte. Desde os Wallpapers Sporting, que permitem que os adeptos levem os seus jogadores favoritos com eles para todo o lado, também os vídeos de apresentação dos novos atletas da equipa principal de futebol estão muito melhores. Destaco a apresentação de Paulinho, uma espécie de remake do vídeo de regresso do outro Paulinho (o mítico), aquando a sua infeção da COVID-19, e o retorno de João Pereira, que foi anunciado com uma frase anteriormente dita por Ruben Amorim.
Como disse anteriormente, é óbvio que o bom momento da equipa de futebol influencia a maneira como os sportinguistas veem a comunicação do clube. Basta relembrar que o anúncio de Natal de 2018 não foi muito bem aceite na comunidade leonina, visto que fazia referência ao ataque à academia leonina. Apesar de ter sido uma ideia original, foi também ela algo questionável e muito polémica.
De qualquer das formas, o facto de notarmos uma significativa melhoria na comunicação do clube significa que está a ser feito um bom trabalho por parte da direção do Sporting CP nesse sentido. Ter um treinador que comunica tão bem como Ruben Amorim pede que o resto do clube colabore, e este não está a falhar.
Findadas as provas de velocidade em ambos os setores e antes da transição para a segunda semana dedicada às provas técnicas (Slalom Gigante e Slalom) foi tempo para os combinados alpinos, competições de paralelo e também para a prova por equipas, sob a forma de uma prova paralela. Neste artigo, faremos um breve resumo destas provas integradas nos 46.º Campeonatos do Mundo de Esqui Alpino.
COMBINADO ALPINO FEMININO
Esta prova, a mais antiga neste desporto, onde se compete desde o Sec. XIX, composta por uma primeira manga de uma das disciplinas da velocidade, neste caso um super Gigante e por uma disciplina técnica, na segunda manga, na circunstância um Slalom. Refira-se que devido a nenhuma competição deste estilo estar na presente temporada incluída no calendário da Taça do Mundo de esqui alpino, a mesma foi oportunidade única de ser disfrutada. A vitória acabou por sorrir à Norte Americana Mikaela Shiffrin que fruto de uma grande primeira manga, arrumou quase por completo o título Mundial, com a prova de Slalom duas horas depois a ter sido um proforma para a esquiadora de Vail no Colorado.
Na prata, ficou a Petra Vlhova, da Eslováquia que demonstrou que está cada vez melhor na velocidade, bem como que se não fosse a “golden girl” Mikaela Shiffrin, poderia ter chegado ao metal mais desejado. No lugar do bronze, acabou a esquiadora Michelle Gisin da Suíça, país com mais medalhas até agora nestes mundiais. Diga-se que apesar da FIS, ter alterado as regras, passando a dispor a lista de partida da segunda manga, por ordem de classificação da manga de velocidade, quando no passado sucedia o inverso, a mesma acabou por não dar maiores chances às velocistas, com as atletas das disciplinas técnicas a prevalecerem.
Idêntica situação foi verificada do lado dos homens, com os atletas das técnicas, a levarem a melhor sobre os da velocidade. Como tal, o presenteado com o ouro foi o atleta da Áustria, Marco Schwarz, que relegou desta forma o grande favorito, o gaulês Alexis Pinturault para a prata. No bronze e não obstante um erro técnico, que pensei, lhe tiraria as hipóteses de ambicionar uma medalha, ficou mais um praticante helvético, neste caso tratou-se de Loic Meillard. De referir que tivemos o “nuestro hermano”, o catalão Albert Ortega, a fechar num honroso 12º lugar, algo digno sem dúvida de realce, bem como o facto do israelita, Szollos, ter terminado um posto atrás do atleta de Barcelona.
Embora Portugal seja um país pequeno demograficamente, apresenta um lote extraordinário de jogadores que prometem destacar-se no futebol mundial. Por efeito de um mercado bastante competitivo, os clubes portugueses vêem-se obrigados, a certa altura, a deixar partir autênticas “pérolas” para o estrangeiro. Muitos deles acabam por, intencionalmente ou não, moldar a cultura futebolística mediante o seu incrível talento, colocando a nação “valente e imortal” nas bocas do mundo.
Nesta fase da época, são vários os nomes que poderiam constar nesta listagem. Vamos, então, observar os cinco jogadores portugueses que, para mim, mais se têm destacado internacionalmente. Os 5 portugueses em melhor forma no estrangeiro
Como sabemos, 2020 foi um ano atípico a todos os níveis. No wrestling, não foi diferente. O primeiro ano da nova década começou com o regresso impensável de Edge, que chocou o mundo ao voltar aos ringues no Royal Rumble. Desde então, enfrentou Randy Orton na WrestleMania 36 e no Backlash, tendo vencido o primeiro combate e perdido o segundo.
Após ter contraído uma lesão no seguimento do combate no Backlash, ficou de fora novamente, regressando mais uma vez… no Royal Rumble. Foi o primeiro a entrar no ringue, vencendo o Royal Rumble match pela segunda vez na carreira, depois de eliminar Orton – a primeira foi em 2010, também com um retorno inesperado, acabando por eliminar John Cena naquela ocasião.
Tornou-se, assim, no terceiro lutador em toda a história da WWE a vencer o famoso combate partindo da posição número 1, depois de Shawn Michaels em 1995 e de Chris Benoit em 2004.
Para além disso, foi o segundo vencedor mais velho da história do Royal Rumble match, apenas superado por Vince McMahon, que venceu o combate em 1999 aos 53 anos. Entre os lutadores, tornou-se mesmo no mais velho (47), já que Triple H tinha 46 anos quando venceu em 2016.
Apesar da idade, Edge está, para muitos, na melhor forma da carreira. Posto isto, selecionámos dez lutadores que o Rated-R Superstar nunca enfrentou numa singles match e que poderão vir a realizar combates interessantes contra Edge antes do mesmo se retirar definitivamente…
Chegados a Roma, a Catedral que acolheu um dos jogos de cartaz foi outra mas nem isso impediu que, consumando-se o expectável, as equipas tentassem algo mais: jogo tático – aproveitando o termo técnico para fugir ao descaramento do calão – e um SL Benfica sem grande astúcia para impor aos ingleses o seu futebol.
Foram eles quem se assumiram como senhores da bola desde o apito inicial e a partir do momento que se aperceberam da melindrosa abordagem dos encarnados, que introduziram Lucas Veríssimo para completar a linha de cinco atrás, aproveitaram para pôr em prático o seu plano de controlar as operações e gerir o ritmo do encontro, já que o calendário aperta. Arteta, tão ou mais interventivo do que Jorge Jesus na linha lateral, percebendo o contexto, pediu mais atrevimento aos seus homens – eles corresponderam ao criarem a primeira grande oportunidade do encontro, quando Bellerín se vê sozinho nas costas de Grimaldo e assiste Aubameyang no coração da área, mas o gabonês falhou clamorosamente, certamente reavivando memórias duma noite negra que teve frente ao mesmo SL Benfica, em Lisboa, na primavera de 2017 (emendaria o desleixo nos 4-0 da segunda mão).
Estavam, então, completados 18 minutos quando o nulo foi ameaçado, e o ultimato inglês à apatia portuguesa teve efeito positivo – o SL Benfica, que até aí apenas tinha mostrado que a sua principal preocupação seria impedir a derrota, ganhou atitude e começou a equilibrar as forças, guardando a bola mais tempo em seu poder e usando e abusando do seu meio-campo compacto, com Adel e Pizzi lado a lado, escudados por Julian Weigl. O trio começou a ter mais influência a partir da meia-hora, principalmente, ao mesmo tempo que Lucas Veríssimo se ia impondo após um início inseguro.
Uma das grandes oportunidades surge nestas circunstâncias, aos 32 minutos, quando Darwin encontra espaço para remate na meia-esquerda, com Leno a defender a dois tempos. Cinco minutos passados, nova boa iniciativa dos encarnados, desta vez pela direita, consumada em tentativa de triangulação entre o uruguaio e Waldschmidt, terminada in extremis por Cédric Soares. As lutas que se iam passando a meio do terreno continuavam a dar a imagem dum jogo demasiado estratégico para o talento ofensivo das duas equipas, sensação que apenas se alterou quando já todos se preparavam para o descanso: Xhaka tenta (mal) a variação de jogo para David Luiz e a pressão alta encarnada resulta em situação de superioridade na grande área – mas Grimaldo vê o seu cruzamento interceptado para canto quando esperavam na zona de finalização Darwin, Waldschmidt e Pizzi.
O início da segunda parte prometeu desatar o nó estratégico e acabar com os bocejos dos adeptos, com muitas jogadas de perigo de parte a parte e um jogo muito mais aberto. Saka e Aubameyang ameaçaram a baliza de Hélton Leite – Vlachodimos continua ostracizado – e prometiam continuar até inaugurar o marcador não fosse o colega Smith Rowe levar a mão à bola dentro da área. Pizzi agradeceu, marcou como manda a lei a grande penalidade e, com o 1-0 na mão, esperava-se outra predisposição para alargar a vantagem e levar boa dose de golos como almofada para o confronto no Karaiskakis. Mas não houve tempo nem de conferir a suposta pedalada benfiquista, já que o Arsenal FC imprimiu logo o ritmo de Premier League a um jogo de segunda categoria – e demorou dois minutos a igualar a contenda.
Foi Cédric a assistir Saka, após a insistência dos Gunners meter a defesa encarnada aos papéis. Estavam completados 57 minutos. A monotonia tinha desaparecido, o SL Benfica tinha obrigação de ir para a frente e assegurar mais golos: Rafa, entrado ao intervalo, tem uma excelente iniciativa individual quando passa por dois adversários e finaliza sob forma de trivela, defendida a muito custo por Leno. Seria confirmação que os portugueses quereriam mais? Como se viu na restante meia-hora, não.
O único apontamento de registo a seguir a esse foi de Everton, num remate em arco de belo efeito que tirou tinta ao poste. Fora isso, o Arsenal FC geriu como quis e como pode – há jogo domingo, frente ao Manchester City FC – o SL Benfica pouco tentou, sempre acomodado ao seu próprio meio-campo e com muito mais medo de sofrer o segundo que marcá-lo. Nessas circunstâncias, foi possível assinalar a grande aptidão e desenvoltura para lidar com os problemas da última linha encarnada, sempre sincronizada no controlo da profundidade, como ficou demonstrado sobretudo na quantidade de foras-de-jogo assinalados ao Arsenal FC – dez! – e nos grandes cortes de Otamendi aos 70’, impedindo bola teleguiada de Smith Rowe de prosseguir a trajetória rumo ao centro da área e de Veríssimo – aos 74’, quando Aubameyang tentava artimanha de calcanhar para ficar isolado.
Foi sempre essa a principal motivação benfiquista para esta primeira-mão. Jogando em função do adversário e impondo sempre toada mais lenta, no encontro do seu objetivo primordial de não perder. Esforço defensivo tão grande originou até que a equipa acabasse fisicamente de rastos, dando a ideia duma diferença abismal para os ingleses nesse capítulo – que se confirmou, mais uma vez, estarem perfeitamente à vontade na dificuldade máxima competitiva. Tamanhos e tão notórios contrastes complicam ainda mais a missão quando, aos lusitanos, lhes é pedido para abordar os jogos de tração atrás, representando um retrocesso competitivo de décadas e que, olhando à classificação interna do Arsenal FC (décimo posto), é um contrassenso na retoma europeia da equipa.
Odegaard (Arsenal FC) – Interpretou excelente confronto com Julian Weigl – não é claro qual o vencedor, já que ambos assinaram exibições sólidas. O norueguês assinou vários bons pormenores, esteve sempre disponível para receber entrelinhas e ser ele o principal municiador dos homens da frente, encontrando espaços onde aparentemente não os havia. É dele a abertura para Cédric no golo do empate e é também dele o excelente passe a isolar Aubameyang, que atirou centímetros a rasar o poste numa das boas oportunidades dos ingleses. “Casamento perfeito”, a sua transferência para Londres.
O FORA DE JOGO
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede
Jorge Jesus (SL Benfica) – Nunca desfez a linha de cinco, demonstrou receio excessivo e protegeu-se na redoma do terreno neutro, aconselhando á equipa um respeito desmedido por um Arsenal FC que não é brilhante. Disputou o jogo, mas a aceitação descarada do empate não é um bom sinal para o jogo da segunda mão.
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
O 4-4-2 deu lugar a um 3-5-2, com Pizzi e Adel a encaixar no duplo-pivot gunner e Waldschmidt a tentar ligar entrelinhas o pouco que existiu ofensivamente. Diogo Gonçalves, principalmente, esforçou-se imenso no preenchimento da ala direita e anotou vários pormenores positivos. Veríssimo, Otamendi e Verthongen sempre extremamente coordenados na execução da armadilha de fora de jogo, Weigl voltou a cumprir na perfeição o papel de pêndulo da equipa, ainda que Odegaard lhe fosse sempre ameaça, sobretudo pelas movimentações e trocas posicionais com Smith Rowe.
ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES
Helton Leite (5)
Lucas Veríssimo (5)
Otamendi (6)
Vertonghen (6)
Diogo Gonçalves (6)
Weigl (5)
Taarabt (5)
Grimaldo (5)
Pizzi (5)
Darwin (4)
Waldschmidt (4)
SUBS UTILIZADOS
Everton (5)
Gabriel (4)
Seferovic (3)
Chiquinho (4)
Rafa (6)
ANÁLISE TÁTICA – ARSENAL FC
Arteta manteve o 4-2-3-1, com Ceballos e Xhaka a controlar todas as ações a meio do terreno, entregando o último terço à criatividade de Odegaard, Smith Rowe e Saka no apoio a Aubameyang. Cédric Soares surgiu na esquerda, consolidando o seu posto nesta nova solução do treinador espanhol, que remete Kieran Tierney para um papel secundário. A capacidade associativa do português, que mais facilmente explora terrenos interiores fruto do pé direito preferencial , é o complemento perfeito à sua capacidade física, que assegura outra solidez defensiva.
A CRÓNICA: VITÓRIA ROMANA PRESSIONA SC BRAGA PARA A SEGUNDA MÃO
Foi o 150.º jogo nas competições europeias da história do SC Braga. O Estádio Municipal de Braga acolheu a primeira mão dos dezasseis-avos de final da Liga Europa, num encontro que opôs os minhotos e a AS Roma, do tão conhecido da casa, Paulo Fonseca.
Não foram precisos mais de cinco minutos para o marcador ser inaugurado. A ofensiva italiana meteu “pés à obra” e, por Dzeko, abriu a vantagem no resultado. Num passe fatal feito por Spinazzola, o avançado bósnio ficou frente a frente com Matheus e não houve nada que o guarda-redes pudesse fazer para evitar o golo da AS Roma.
Na sequência deste lance, e na consequente transição ofensiva do SC Braga, Cristante apresentou queixas e acabou por ser substituído. A partir daqui o jogo apresentou-se partido, dada a vontade de virar o resultado por parte do SC Braga, mas a determinação italiana em mantê-lo desta forma, ou até aumentar vantagem.
A formação de Carlos Carvalhal apresentava algum perigo aquando das transições ofensivas, mas faltava o critério para definir e concretizar as jogadas. O que faltava aos minhotos, existia em barda na AS Roma. Cada transição para o ataque feita por parte da turma de Paulo Fonseca, colocava total pressão sobre a defesa do SC Braga, dado o critério, a velocidade e sincronia entre o setor avançado romano.
Algo que poderia ter custado muito mais ao SC Braga, até à chegada do intervalo, poderiam ter sido as saídas “a cabeça quente” da baliza por parte de Matheus. Mas quem criou a última oportunidade grande perigo, no final dos primeiros 45 minutos, foram os minhotos. À entrada da área, Sporar pareceu não ter a noção do quanto a baliza chamava por um remate dele, estando mesmo ali à sua frente, e o lance acabou por ser terminado depois de um corte da defesa da AS Roma.
Uma segunda parte com mais oportunidade para a equipa portuguesa, face a uma AS Roma com cansaço físico mais evidente, mas ainda esforçosa. Aos 49 minutos, surge a oportunidade dos bracarenses converterem o marcado, depois de Sporar cair na área após choque um dos defesas italianos, os jogadores e o banco do SC Braga ficam a pedir grande penalidade, negada de imediato pelo árbitro.
A equipa de Paulo Fonseca não aprova a posse criada pelo adversário e reage de imediato, numa tentativa de impedir a jogada de prosseguir Ricardo Esgaio faz uma entrada forçosa em Gonzalo Villar. Vendo assim o segundo amarelo da partida e, consequentemente, expulsão, observando a noite europeia ter um desfecho prematuro para o lateral português. Segue jogo com um SC Braga agressivo, no entanto mais exposto aos golpes perigosos da equipa visitantes, principalmente com menos um em campo.
Se nos primeiros minutos, a equipa de Carlos Carvalhal estava num domínio claro que oportunidades, nos últimos 15 minutos, a AS Roma jogou futebol, com vários perigos à baliza de Matheus.
As oportunidades criadas dão lugar a um festejo dos jogadores da AS Roma nos últimos momentos do minuto 85, Mayoral infiltra-se na defesa exposta e engana o guarda-redes brasileiro fazendo o 2-0 para a equipa de Paulo Fonseca.
Cada vez mais notável o cansaço físico e psicológico de ambas as equipas, a partida termina com a Roma de Paulo Fonseca superior – no marcador e não só – frente ao Braga de Carlos Carvalhal.
Ligação ofensiva da AS Roma – O perigo e o critério na finalização apresentados pela AS Roma, principalmente notório na primeira parte, foi fulcral para a elaboração do resultado A ligação entre setores surgiu de forma fluída, o que tornou o jogo da equipa italiana bastante imprevisível e facilitou as transições ofensivas da equipa.
Ricardo Esgaio – Entradas agressivas e erros individuais que acabam por deixar o SC Braga penalizado com menos um elemento importante na criação de oportunidades em campo. Após a expulsão, o conjunto orientado por Carlos Carvalhal viu-se obrigado a recuar no terreno e ceder mais espaço à Roma, que aproveitou e fez o segundo golo desta forma.
ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA
Carlos Carvalhal aposta num onze inicial completamente diferente daquele que era utilizado na eliminatória. No entanto, aposta sempre na técnica de 4-3-3 com um SC Braga mais recuado no terreno e mais defensivo, com Sequeira, Raul Silva, Tormena e Esgaio na zona da defesa.
Gaitan assume a titularidade pela primeira vez desde a sua chegada, talvez devido à experiência mais extensa na Europa (e não só). O médio argentino alinha como médio ofensivo, com Fransergio e Elmusrati no meio campo. Surpresa da titularidade de Sporar enquanto homem mais avançado no terreno.
Com a expulsão de Ricardo Esgaio, o SC Braga viu-se obrigado a descer no terreno e a substituir a tática para um 5-3-1.
ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES
Matheus (5)
Esgaio (1)
Tomena (4)
Raul Silva (4)
Sequeira (3)
Elmusrati (5)
Fransergio (5)
Gaitan (7)
Ricardo Horta (5)
Sporar (5)
Galeno (4)
SUBS UTILIZADOS
Zé Carlos (4)
Lucas Piazón (5)
Abel Ruiz (3)
André Horta (6)
Borja (4)
ANÁLISE TÁTICA – AS ROMA
A equipa de Paulo Fonseca que, por norma, se apresenta num 3-4-2-1, sente-se algo desconfortável sem bola. Consequentemente, e ao apostar na profundida ofensiva, elabora transições com bastantes jogadores, descompensando a defesa.
Neste encontro frente ao SC Braga, isso pareceu não se ver. Apesar de apresentar, muitas vezes, dificuldade na transição defensiva e em baixar terreno, no encontro frente aos minhotos esse problema pareceu resolvido. Apesar da lesão aparente de Cristante, que acabou por ser substituído nos minutos iniciais do encontro, Bruno Peres cobriu bem a posição e, possivelmente, a solução do problema partiu daí.
O posicionamento da linha defensiva travou, muitas das vezes, potenciais jogadas de perigo feitas por parte do SC Braga. Tanto o setor do meio-campo como o setor avançado, demonstravam, em transições ofensivas, totalmente naturalidade e, por vezes, imprevisibilidade.
A ligação entre os três homens mais avançados fluiu de forma natural, pois a velocidade e sincronia nas transições ofensivas conseguiam descoordenar a defesa minhota.
ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES
Lopez (6)
Mancini (6)
Cristante (-)
Ibanez (6)
Spinazzola (7)
Diawara (6)
Veretout (6)
Karsdorp (6)
Pedro (6)
Mkhitaryan (6)
Dzeko (7)
SUBS UTILIZADOS
Bruno Peres (6)
Gonzalo Villar (5)
Borja Mayoral (7)
El Sharaawy (6)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
SC Braga
BnR: Os dois golos da AS Roma surgiram em jogadas particularmente semelhantes. Acha que existe alguma lacuna específica na linha defensiva do SC Braga que tenha culminado na concretização dessas oportunidades?
Carlos Carvalhal: Não consigo encontrar semelhanças.
AS Roma
Não foi possível colocar questões ao técnico da AS Roma, Paulo Fonseca.