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Sporting CP | A manobra do hit de verão

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“Mais uma voltinha, mais uma viagem/ fim de semana é para ganhar coragem”: Sérgio Godinho, eterno intérprete da música portuguesa e sportinguista, afirmou que a vida era feita de pequenos nadas. Sendo ele adepto de um clube ao qual se alvejam textos trocistas, comentários escabrosos e piadas que começam a causar irritação pela repetição (a do ano após ano, evidentemente), adivinhou e imbuiu-se do seu jeito premonitório para transmitir a mensagem nas famosas entrelinhas – portentosas no tempo do salazarismo – e vingar a sede que a massa adepta do Sporting CP (com ele incluído) tem para vencer.

Com a promessa de que farei a graça pela última vez, explano o trecho da canção, falando (escrevendo!) “sportinguez”: “mais um aninho, mais uma espera/ o verão serve para alimentar a quimera”. O título está em falta e não é minha intenção repetir que o Sporting CP, ultimamente, se faz de pequenos nadas. Esta lírica – tal como a arte, o objeto da poesia está nos olhos de quem a lê – pode ser alavanca e matéria esperançosa para a mudança. A parceria na lírica, a melodia e a interpretação está ao seu encargo. “Dar Rumo ao Sporting”!

A temporada atual está a esgotar-se. O campeão está encontrado, as faixas encomendadas. O Sporting, símbolo da solidariedade, uniu-se ao FC Porto. Luta, com o SC Braga, pelo terceiro posto na tabela classificativa. (mensagem inicial do videoclipe)

A época começou mal, Bruno Fernandes colocava água na fervura, mas rapidamente tudo esquentava. Ele saiu do puzzle disperso. Encontrou-se Acuña, Vietto e Coates (no qual recaíam a maioria das responsabilidades por não existir um tampão na zona central do terreno). Wendel ressuscitou com a chegada de Amorim. Com o técnico português, a equipa melhorou. Vi pressão aquando da saída de bola adversária, triangulações bem desenhadas e a busca pelo espaço vazio, velocidade, jogadas ensaiadas, meio campo com músculo superior, posse de bola, mais remate, três centrais e corredores vagos, juventude aguerrida e com potencial. (primeira parte da música).

O jovem técnico quer afinar a música leonina
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A promoção das renovações de contratos: Coates, Vietto, Acuña e Wendel são essenciais no Sporting de Amorim e na peleja pelos objetivos a que a equipa se proporá. São as peças mais experientes, com mais tarimba tanto nacional como internacionalmente dentro do plantel e são as únicas capazes de capitanear um grupo em que a jovialidade impera. Além disso, servirão de inspiração e fontes de onde a nova casta pode bebe: a confluência, a mistura do sangue novo com aquele que, aliado a si, se pode regenerar. (refrão)

A compra de jogadores: A manobra 2020/2021 tem tudo para ser… aquilo a que nos habituaram. Raramente se acerta numa transferência e, quando se acerta, a venda posterior é feita por uma pechincha. Quem procuramos, prefere os rivais. Quem vem, entra automaticamente no quarto dos flops e despe-se. Aliás, o Sporting atingiu o cúmulo rapidamente: por exemplo, mesmo com Slimani, Bryan Ruiz e Téo Gutiérrez, a turma leonina conseguiu e fez o esforço de não se sagrar campeã nacional. A compra, analogamente ao patamar de azar/incompetência, necessita de uma reformulação. Comecemos, primeiramente, por jogar no Euromilhões… (segunda parte da música).

A venda de jogadores:  Eduardo, Borja, Doumbia, Rosier, Ristovski, Ilori, Neto e Rafael Camacho não podem incluir o estágio sequer. Já não existe pachorra (falo por todos, evidentemente) para aturar tanta incapacidade, tanta inaptidão, tanto conformismo nas movimentações, tanta irracionalidade com ou sem bola, tanta falta de tudo. (terceira parte da música).

A aposta nos jovens: o tão imponente pódio devemo-lo aos miúdos. Os reforços de 2019/2020 dificultaram ao máximo essa tarefa. Os miúdos, a mando de Amorim, vieram acalmar o incêndio. Nuno Mendes é tão límpido como água. Eduardo Quaresma necessita de amadurecer com Coates e outros de companhia equânime. Matheus Nunes não engana e é o jogador que defrontou o FC Porto. Joelson precisa de confiança e de perder o medo. Tiago Tomás, o mais verde e talvez por faltar um ponto de lança puro (!), seja o mais envergonhado. (mensagem final e síntese).

Um hit de verão que rebusca os momentos finais da época anterior e que introduz a vindoura. Estreia brevemente, nos noticiários e redes sociais perto de si.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Jorge Jesus | O mister está de volta

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Recentemente, foi anunciado o retorno de Jorge Jesus ao futebol português, neste caso, para representar novamente o SL Benfica. Após um trajeto curto, mas de enorme sucesso, ao serviço do Flamengo, o técnico português regressa a uma casa onde conquistou dez títulos e praticou um futebol que deixou saudades na maioria dos adeptos encarnados.

Apesar da sua saída para o rival Sporting CP, em 2015, provocando uma acesa disputa, troca de palavras e acusações durante uma época inteira, parecia desde há uns tempos evidente o interesse de Luís Filipe Vieira em trazer o técnico português novamente para o comando das águias.

Na primeira passagem, Jorge Jesus praticou um futebol ofensivo, de pressão alta, com muita organização e detalhe nos vários momentos de jogo, além de ser visto também como um treinador de excelência nos processos de treino.

Conquistou três campeonatos e perdeu outros três, ainda que, sejamos francos, para um FC Porto com plantéis de qualidade muito superior aos de hoje em dia (com nomes como Falcao, Hulk, James, Moutinho, Helton, Otamedi, Alex Sandro ou Danilo).

Além disso, conduziu o Benfica a duas finais europeias, algo que merece realce tendo em conta que o Benfica se encontrava há 23 anos arredado destes palcos. Na Liga dos Campeões, atingiu por uma vez os quartos de final da prova, porém, em cinco edições conseguiu apenas por essa vez passar uma fase de grupos, algo que, certamente, pretenderá mudar e melhorar nesta nova passagem.

Concomitantemente, valorizou bastante alguns jogadores, o que permitiu avultados ganhos em transferências para o clube da Luz (David Luiz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Matic, Witsel, Enzo, Di Maria, Rodrigo, entre outros).

Com eleições em outubro, a aposta em Jorge Jesus fica patente como um ato de “all in” por parte do presidente Luís Filipe Vieira, sobretudo depois de, em 2015, ter prescindido do treinador para iniciar um projeto com moldes diferentes, essencialmente com a aposta em jovens da formação, dando a entender, atualmente, que errou ao mudar a política.

Ainda assim, parece-me que Jorge Jesus deverá ter aprendido com erros do passado (por exemplo, os casos de João Cancelo e Bernardo Silva), podendo olhar agora de uma forma distinta para alguns jovens de enorme potencial nos quadros do clube e enquadrá-los na equipa a curto/médio prazo, caso entenda que estes reúnem as qualidades e funções exigidas para o seu modelo de jogo muito específico e rigoroso (Tiago Dantas, Gonçalo Ramos, Paulo Bernardo, Úmaro Embaló, entre outros).

No entanto, com a vinda do técnico, é previsível um investimento forte do SL Benfica no próximo mercado de transferências, certamente com muitas entradas e saídas no plantel encarnado, como já tem sido ultimamente noticiado, de forma a criar um impacto e mudanças imediatas. Com o elevado investimento em vista, o objetivo poderá, finalmente, passar pelo tal “Benfica Europeu” muito falado nos últimos tempos, mas que, na prática, não se concretizou.

Pelas reações dos últimos dias, a conclusão que se retira é uma certa divisão nos adeptos relativamente a esta contratação. Alguns, muito felizes com o regresso e convictos de que será o homem certo para elevar a qualidade de jogo da equipa, assim como para exigir um plantel mais forte e profundo. Outros, não esquecendo todos os episódios com o eterno rival Sporting, após a sua saída, estão contra esta contratação, por considerarem uma afronta aos valores e identidade do clube e, ainda, com receio de que a história de sucesso não se repita desta vez.

Em suma, creio que será uma contratação e um regresso que elevará a qualidade de jogo do Benfica e, consequentemente, do futebol português. O tempo dirá se foi uma boa ou má escolha, mas a expetativa para perceber qual será o futuro do Benfica, se a águia voltará a voar bem alto, é muito grande nas hostes encarnadas, e não só.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

BnR LIVE: As 5 revelações brasileiras da Liga c/Gustavo Manduca

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Em mais uma emissão de BnR TV, o convidado do programa de hoje foi Gustavo Manduca. O italo-brasileiro, falou-nos um pouco sobre a sua carreira. Comentou o regresso de Jorge Jesus ao Benfica e falou-nos da sua opinião quanto às escolhas dos comentadores residentes Jorge Faria de Sousa e Pedro Diniz.

O tema do programa foram as revelações brasileiras no nosso campeonato. Constaram nomes conhecidos como Carlos Vinicius e Otávio, mas houve espaço para muitas novidades. A discussão prolongou-se com o nosso convidado a deixar algumas revelações quanto a antigos namoros que teve referentes a jogadores que atualmente atuam na liga portuguesa.

Com João Filipe Brandão, Jorge Faria de Sousa, Pedro Diniz e Gustavo Manduca.

Manchester United FC 1-1 West Ham United FC: Red Devils cedem empate caseiro e complicam as contas europeias

A CRÓNICA: TRISTEZA DE UNS, FELICIDADE DE OUTROS

Num jogo revestido de importância para as aspirações finais de ambas as equipas, Manchester United FC e West Ham United FC defrontaram-se no mítico estádio de Old Trafford, com os “Red Devils” a procurarem ascender aos lugares de acesso à Liga dos Campeões e os “Hammers” a tentarem carimbar em definitivo um lugar na próxima edição do campeonato inglês.

O empate era suficiente para que a equipa de David Moyes alcançasse matematicamente a manutenção, razão pela qual os jogadores do conjunto londrino se apresentaram num bloco muito baixo e tentaram sempre quebrar o ritmo de jogo. Por outro lado, a formação de Ole Gunnar Solskjaer precisava de vencer para ascender a um lugar no “top 3” da Liga Inglesa, e como tal foi com naturalidade que se assistiu ao assumir das rédeas do encontro por parte da formação caseira.

Apesar do domínio da posse de bola ser quase total por parte da equipa de Manchester e das muitas dificuldades apresentadas pelos londrinos no momento de saída para o ataque, a primeira oportunidade de golo só surgiu ao minuto 37, na sequência de um remate forte de fora da área por parte de Marcus Rashford. Cinco minutos depois, surgiu a resposta do West Ham, com Michail Antonio a finalizar um cruzamento de Ben Johnson quase em cima da baliza, mas ainda assim permitindo a defesa de David De Gea.

Antes do apito para o intervalo, Paul Pogba fez uma autêntica defesa a um remate de Declan Rice, que foi sancionada com pontapé de penálti pelo vídeo-árbitro. Na conversão do castigo máximo, Antonio não desperdiçou e enviou o West Ham para o intervalo a vencer pela margem mínima.

O regresso para a segunda parte trouxe um Manchester United mais agressivo, num bom sentido, e o impacto foi praticamente imediato: aos 51 minutos, uma brilhante combinação entre Mason Greenwood e Anthony Martial permitiu ao jovem britânico carimbar o seu jogo 50 pelos “Red Devils” com um golo, reestabelecendo o empate.

O recomeço de jogo promissor rapidamente se tornou uma miragem, uma vez que a toada do encontro voltou a entrar num ritmo baixo. Uma oportunidade de golo surgiu aos 68 minutos, através de um grande pontapé de Declan Rice, forte e colocado, mas que passou a centímetros da baliza de De Gea.

Na reta final do encontro, o Manchester United instalou-se no meio-campo do West Ham, mas sem conseguir criar qualquer perigo. Do outro lado, as tentativas dos “Hammers” de sair em contra-ataque foram prontamente anuladas, o que levou ao empate final. Com este empate a uma bola, o Manchester United sobe provisoriamente ao terceiro lugar, ficando à espera do resultado do jogo entre Liverpool FC e Chelsea FC. Já o West Ham, confirma em definitivo a permanência na Liga Inglesa.

A FIGURA

Michail Antonio – A marcar pelo terceiro jogo seguido, esta distinção, mais do que pelo golo que valeu o empate e a permanência oficial na Liga Inglesa, é pelas exibições e a forma como tem elevado a equipa do West Ham FC para outro patamar nesta reta final de campeonato. Menções honrosas também para Mark Noble e Jarrod Bowen, que foram sensacionais num jogo muito complicado.

O FORA DE JOGO

Timothy Fosu-Mensah – Substituído ao intervalo, o jogador holandês não conseguiu, de modo algum, agarrar a oportunidade que lhe foi dada por Solskjaer. Cometeu vários erros, falhou passes e não se conseguiu projetor no ataque, permanecendo assim na sombra daquele que é o habitual titular, Wan-Bissaka.

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC

Com a escolha da formação a recair uma vez mais no 4-2-3-1, a grande surpresa esteve nas laterais da defesa, onde Timothy Fosu-Mensah e Brandon Williams suplantaram os habituais titulares Aaron Wan-Bissaka (entrou para a segunda parte) e Luke Shaw. O estilo mais vertical que o Manchester United tem apresentado desde a retoma voltou a estar em evidência, sendo Bruno Fernandes o elo entre defesa e ataque. Na frente, o trio Rashford-Martial-Greenwood voltou a colocar em evidência toda a sua técnica e velocidade, apontando sempre à baliza adversária.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

David De Gea (6)

Timothy Fosu-Mensah (4)

Victor Lindelof (6)

Harry Maguire (6)

Brandon Williams (5)

Nemanja Matic (6)

Paul Pogba (5)

Mason Greenwood (6)

Bruno Fernandes (5)

Marcus Rashford (5)

Anthony Martial (5)

SUBS UTILIZADOS

Aaron Wan-Bissaka (5)

Odion Ighalo (-)

ANÁLISE TÁTICA – WEST HAM UNITED FC

A escolha de David Moyes voltou a recair no 4-3-2-1 que tem dado frutos nos últimos jogos. A velocidade e o poderio físico de Michail Antonio incomodaram os centrais adversários, mas o que ficou na retina foi a boa organização defensiva dos “Hammers”, sobretudo durante a primeira parte. O trio de médios, composto por Noble, Rice e Soucek, esteve bastante sólido na frente dos defesas, o que ajudou a formar uma muralha que custou muito a quebrar ao Manchester United.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Lukasz Fabianski (5)

Ben Johnson (5)

Angelo Ogbonna (6)

Issa Diop (6)

Aaron Cresswell (6)

Declan Rice (6)

Tomas Soucek (5)

Mark Noble (6)

Jarrod Bowen (6)

Pablo Fornals (5)

Michail Antonio (6)

SUBS UTILIZADOS

Arthur Masuaku (5)

Sebastien Haller (5)

Andriy Yarmolenko (-)

Afinal, qual o valor da vitória no Futebol Português?

O que hoje é verdade, amanhã é mentira. Esta é uma máxima cada vez mais adequada ao futebol português. E nem estou a falar do que se passa fora das quatro linhas. Já dentro do terreno e dos aspetos do jogo, a água vira vinho com tanta facilidade que nem é necessária a intervenção de Cristo. Se bem que Jesus já cá está…

O céu e o inferno estão à distância de 90 minutos. O hat-trick de hoje pode não valer nada amanhã se falhares de baliza aberta ou desviares a bola para a baliza errada. O mesmo se aplica aos treinadores; se conquistaste um, dois ou três títulos num ano não te sentes à sombra. Para o ano podes ter de fazer as malas.

Os exemplos de longevidade de Sir Alex Ferguson e Arsene Wenger são, hoje, meros dados históricos, sem qualquer paralelo no presente. E bem se vê a dificuldade que os seus sucessores têm tido para se aproximarem do sucesso.
Para o adepto de hoje, impaciente e ávido de títulos, o treinador deve preparar uma época num par de meses e chegar aos primeiros jogos oficiais e atropelar os adversários por 5-0, no mínimo. Não olha a rotinas, treinos, entrosamentos; nada menos que 5-0 ou o lugar já fica em risco.

E as direções, trémulas, frágeis e guiadas pela necessidade de angariação de votos, abrem o alçapão e lá vai mais um treinador para o desemprego, por vezes sem sequer ter completado uma mão cheia de jogos ao leme da equipa.
Para se ter uma pequena ideia da autêntica dança de cadeiras que assistimos nesta temporada, num campeonato absurdamente alargado a 18 equipas, pudemos assistir a 38 lideranças diferentes.

Não, não há qualquer erro de escrita ou cálculo. Foram 38 treinadores principais, alguns interinos, em apenas 18 clubes. Em média, cada clube teve pelo menos dois técnicos, o que diz muito da estabilidade que reina no Futebol Português.
Os resistentes do início da época são Sérgio Conceição (FC Porto), João Pedro Sousa (FC Famalicão), Carlos Carvalhal (Rio Ave FC), Ivo Vieira (Vitória SC), João Henriques (CD Santa Clara), Vítor Oliveira (Gil Vicente FC) e Natxo González (CD Tondela). O mesmo é dizer que mais de metade dos treinadores não terminou a época (aproximadamente 38 porcento).

Com apenas uma troca durante a época temos o caso das águias, dos cónegos, dos axadrezados, dos pacenses e do CS Marítimo. Trocaram por duas vezes de treinador em 2019/2020 o Portimonense SC, Belenenses SAD e CD Aves. Acima destes, só Sporting CP, SC Braga e Vitória FC que trocaram por três vezes de timoneiro.

Os resultados, esses, estão à vista: a generalidade das equipas que mantiveram o seu treinador conquistaram os seus objetivos. Destaque para Sérgio Conceição, que chegou a colocar o lugar à disposicção, para a classificação fantástica do “Fama” de João Pedro Sousa e para a pontuação histórica dos vilacondenses de Carvalhal.
Por outro lado, nem bracarenses nem leões retiraram objetivos fantásticos da ventania que varreu os seus treinadores. O CD Aves foi a primeira equipa a confirmar a descida no primeiro escalão do Futebol Português e os sadinos, os que mais mexeram no banco de suplentes, nunca se libertaram do fantasma da descida e vão à última jornada lutar com algarvios e tondelenses pela sobrevivência.

As razões que levam ao despedimento são variadas e, diga-se, algumas bem justificadas e fundamentadas. Noutras situações não se trata de despedimento, mas sim de uma mudança de clube, seja por acordo mútuo ou porque houve uma contratação direta. Mas nada justifica os despedimentos precoces, como o de Filipe Rocha à quarta jornada.

É certo que somava três derrotas e um empate, mas terá valido assim tanto a pena? Recorde-se que o FC Paços de Ferreira só garantiu a manutenção na penúltima jornada do campeonato. Terá sido uma decisão assim tão proveitosa? Resultou, como podia não ter resultado. E no entretanto tivemos um treinador coma época preparada a deixar tudo ainda em setembro e outro, Pepa, que corajosamente assumiu o seu lugar e trabalhou com o que tinha e encontrou.

A título comparativo, a Primeira Liga teve 20 despedimentos ou trocas de treinador, bem longe das Ligas Italiana (12), Espanhola (10), Inglesa (9), Alemã (7) e Francesa (7). Se queremos constantemente comparar-nos às melhores ligas europeias, então que o façamos em toda a linha. E aqui ficamos, claramente, para trás. Se formos ainda mais longe na análise, só Sérgio Conceição e João Henriques transitaram da época passada e vão terminar a presente temporada ao serviço do mesmo clube. O líder dos dragões é, na verdade, o técnico da nossa Liga há mais tempo consecutivo na liderança do mesmo clube, terminando agora a terceira temporada.

Estabilidade não é algo que se pode utilizar para caracterizar o Futebol Português e os nossos clubes são o perfeito reflexo de uma Liga confusa, sobrelotada e com pouca memória. O treinador que hoje é levado em braços e apelidado de novo Klopp ou novo Guardiola, amanhã estará pendurado no pelourinho à espera de um julgamento público e televisionado.

5 guarda-redes com uma carreira na sombra do banco

A posição de guarda-redes é por vezes um bocado ingrata. Entre outros motivos para tal, por norma as equipas optam por ter no plantel por menos três guardiões disponíveis, sendo que só há espaço para um subir ao relvado. Esta situação, que é normalíssima no futebol, trouxe também uma certa “normalidade” a esta seleção de jogadores que passaram grande parte da carreira na sombra do banco de suplentes, e que até defendem ou defenderam emblemas com alguma pujança europeia.

É uma escolha que privilegia a idade e o número médio de jogos por época, atendendo ainda que todos somaram temporadas sem qualquer encontro somado. Neste lote ficam de fora ainda guarda-redes reconhecidos – Ulreich, Adán, Sergio Romero, Vorm, Caballero, Ozcan – mas que apesar de tudo apresentam números mais favoráveis aos que se seguem.

As 5 obras de arte do campeão nacional em 2019/2020

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A época está a acabar e, nesta altura, é sempre habitual fazer os mais variados balanços sobre a temporada. Com o FC Porto já campeão, muitos foram os golos que contribuíram para este desfecho, no entanto alguns foram mais belos ou artísticos do que outros. Desta forma, vou formular um top dos 5 golos que fizeram qualquer um levantar da sua cadeira e aplaudir.

«Houve contactos tanto do SL Benfica como do FC Porto» – Entrevista BnR com Filipe Teixeira

Filipe Teixeira, atualmente com 39 anos, nasceu em França, no centro de Paris numa clínica do Parque dos Príncipes. Filho de pais emigrantes entrou no mundo do futebol na vinda para Portugal, mas quis o destino que ele voltasse ao Estádio que o viu nascer. Teve uma carreira promissora, com passagens por Portugal e Inglaterra, abalada por duas graves lesões em momentos cruciais do seu crescimento. Filipe não desistiu e, já depois dos 30, deixou a sua marca na Roménia e no mundo do futebol. Em mais uma entrevista Bola na Rede, entra em campo Filipe Teixeira, um jogador que é como o vinho do Porto: quanto mais velho melhor.

Foto de Raquel Fernandes

– Os primeiros passos da carreira no Felgueiras de Jorge Jesus e a chegada à Ligue 2 –

“Tive tudo encaminhado para assinar pelo Marselha”

Bola na Rede [BnR]: Nasces em França, filho de pais emigrantes, jogaste num pequeno clube da terra, mas é só quando vens para Portugal que começa a tua aventura no futebol?

Filipe Teixeira [FT]: Sim, mas só passados dois anos. Chego com 10, lembro-me que fui ver se existia escalões de formação no FC Felgueiras, mas não havia, era só a partir dos 12 anos. Cheguei a treinar durante uns meses com os mais velhos e fiz alguns torneios pela escola. Quando já tinha 12 anos finalmente entro no FC Felgueiras e faço praticamente toda a minha formação lá.

BnR: Com que idade assinas o teu primeiro contrato profissional?

FT: Assino aos 16 anos quando começo a treinar pelos séniores, na altura treinados pelo Jorge Jesus. Não jogava, apenas treinava com eles de vez em quando, mas tive de deixar os estudos para segundo plano. Aos 17 anos, aposta de Diamantino Miranda, Jorge Castelo e com ajuda do Rui Luís, que era o meu treinador no Felgueiras, começo a fazer uns treinos para colmatar saídas do plantel. Lembro-me bem, estava na bancada a assistir ao treino e precisavam de um jogador para de tarde, o meu treinador dos juniores sugeriu-me, fiz o treino e no fim disseram-me logo que queriam que eu continuasse. Fiquei contentíssimo.

BnR: Rapidamente começaste a ser titular e a jogar com regularidade na segunda Divisão portuguesa…

FT: Fui uma das apostas do Diamantino Miranda. Recordo-me que no meu primeiro jogo entro no decorrer da segunda parte, mas acho que de resto fui titular praticamente em todos os jogos.

BnR: Nesse ano entras na convocatória para representar Portugal no Europeu de sub-18 na Suécia, onde venceram a competição. Como foi lidar com o facto de teres sido campeão europeu e titular na Segunda liga com 17/18 anos?

FT: Para ser sincero, acho que não tive muita noção na altura (risos). Eu sempre gostei de futebol e o meu objetivo sempre foi tornar esta paixão no meu trabalho e acabou por acontecer naturalmente. Não tive tempo de assimilar tudo.

BnR: Entretanto deixas o Felgueiras por empréstimo e regressas a França para representar o Istres na Segunda Divisão Francesa.

FT: Assinei, mas antes tive tudo encaminhado para assinar pelo Marselha. Era um contrato de quatro anos, mas as coisas acabaram por não correr bem e assinei por empréstimo com o Istres.

BnR: Como surgiu o Marselha?

FT: O Marselha surge porque me observaram no Europeu de sub-18 na Suécia e no fim da época disseram-me que estavam interessados. Na altura o meu empresário tinha comprado o meu passe ao Felgueiras, ou seja, o negócio dependia simplesmente do seu aval. Estive duas semanas em Marselha a treinar com o plantel, mas devido a questões burocráticas e financeiras o negócio acabou por não se concretizar.

BnR: Acabas por ir para o Istres. Como é que lidaste com o facto de não teres assinado pelo um grande da Ligue 1 e acabar na Ligue 2?

FT: Eles aparecem nos últimos dias de fecho do mercado de transferências, assinei, mas já estava a pensar em ficar só seis meses. Como é óbvio fiquei descontente por não assinar com o Marselha, mas pronto, na altura era novo e a minha preocupação era jogar e tendo em conta as circunstâncias foi a minha segunda melhor opção.

BnR: Visto que nasceste em França e sabes falar a língua, a adaptação foi fácil?

FT: Nesse aspeto foi. O que não foi fácil foi o facto de aos 19 anos ter que ir para França sozinho e estar longe da família. Mas como falava a língua adaptei-me bem, foi uma boa experiência e acabei por ficar lá um ano.

Sporting CP como eterno terceiro é o objectivo? E mesmo esse será garantido?

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Mais uma época futebolística que está a acabar e, como em anos anteriores, o Sporting CP tenta conservar o terceiro lugar, “o seu lugar” como ouvi alguns adeptos rivais dizer. Já os adeptos sportinguistas pouco mais têm a argumentar além da enorme História que o Clube conseguiu construir.

O problema da História é que esta ficou no passado e não nos garante vitórias para o futuro. Pode dar outro suporte ao clube, permitindo-lhe construir um futuro mais promissor que outros clubes menos ricos em passado glorioso, no entanto só com competência de quem dirige o clube e a entrega e identificação dos atletas que o representam, poderá continuar a construir e valorizar a sua história.

O passado glorioso, por si só não nos garante nada, por isso, de pouco nos vale andarmos a apregoar que somos um clube grande pelo passado que tivemos.

Depois temos a questão de comparação com a grandeza, a história, e as conquistas dos nossos rivais. Se a grandeza se mede pelas conquistas, uns serão maiores que outros, e se deixarmos de ganhar, comparativamente aos adversários, deixaremos de parecer tão grandes, podendo mesmo começar a ver outros aproximar-se (ainda que para isso tenham muito para ganhar).

Há uns anos a esta parte temos tido vários presidentes de clubes a tentar equiparar-se ao Sporting CP. CD Nacional, Marítimo SC e mais recentemente SC Braga, têm tentado implementar o “SoundByte” de serem do mesmo campeonato do Sporting CP. E a verdade é que os dois primeiros não se aguentaram a acompanhar o “nosso” campeonato, no entanto o terceiro tem crescido, principalmente em termos de qualidade futebolística, ficando apenas a faltar os títulos.

De qualquer forma, todos os clubes tentam construir a sua história e valorizá-la com títulos, pelo que, a manter este ritmo de conquistas, daqui a uns anos o Sporting CP pode ver algum dos pretendentes ao pódio aproximar-se.

A sorte do clube leonino é que os outros clubes sofrem do mesmo problema para conseguirem amealhar troféus. É que em Portugal há dois “eucaliptos” que deixam todos os que os rodeiam na seca. Portanto, não será fácil outro clube sequer aproximar-se do número de títulos conquistados e expostos no museu de Alvalade. No entanto, espero que o nosso presente não passe de ser o eterno terceiro para ser o eterno quarto, porque apesar de tudo, o terceiro ainda nos traz vantagens que o quarto não traz.

Custa estar aqui a defender que um clube como o Sporting CP, com milhares de sócios (agora menos alguns), esteja preocupado com um terceiro lugar que apenas dá acesso a uma Liga Europa que dá aos clubes pouco mais que peso no calendário. Custa estar preocupado em assegurar os primeiros dos últimos (o segundo lugar ainda dá possibilidade de acesso a uma Liga dos Campeões que possibilita acesso a muitos milhões de euros, essenciais à sobrevivência dos clubes portugueses). Custa perceber que para além do tão mal-amado fosso do estádio Alvalade XXI, vemos também aumentar o fosso entre nós e os outros dois crónicos vencedores do campeonato Português.

O terceiro é melhor do que o quarto? Não me parece. Mas infelizmente, como numa corrida de ciclismo (que também já deixámos de ter) encabeçamos agora o grupo perseguidor. Porque o grupo líder já vai longe e não parece possível de alcançar, pelo menos se mantivermos este percurso, esta liderança e esta mentalidade de nos contentarmos com um mal menor.

O Sporting CP não pode continuar a viver do passado. É imperioso voltar a ganhar, e de uma forma regular.

5 jogadores que passaram pelo Manchester United FC e pelo West Ham FC

Ao longo da história do futebol inglês, houve alguns jogadores que tiveram o privilégio de jogar no Manchester United e num dos clubes mais históricos da capital de Terras da Sua Majestade.

OS RED DEVILS LUTAM PELA LIGA DOS CAMPEÕES E RECEBEM O WEST HAM! TEREMOS MAIS GOLOS OU ASSISTÊNCIAS DE BRUNO FERNANDES? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Por isso, irei aqui fazer um top de cinco jogadores que representaram Hammers e Red Devils.