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O miolo do problema

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A crónica foi grafada após o jogo diante do SC Braga, no passado domingo. Apelidem-na de desabafo, reação a quente ou recital para encher os ouvidos dos sportinguistas mais irracionais do que eu próprio, se isso realmente for possível. Isto podia ser bem mais simples. Podia tratar-se de uma politiquice ou qualquer outra situação quotidiana. Qualquer coisa que não interferisse com o bem-estar comum. Quando as cores defendidas estão sob os olhos do furacão, torna-se complicado destrinçar o visível do utópico, a pradaria do inferno ou a saúde da enfermidade. Infelizmente, para mim, futebol não é mera crendice quando, conjugando todos os fatores, tinha tudo para o ser.

O momento alto da partida foi a presença de Bruno Fernandes na tribuna. Se com ele os objetivos crónicos e quase impostos no início de cada época não conseguiam ser cumpridos, sem ele a inaptidão para tal ganha uma nova forma e um novo sentido. Num só jogo, o adepto conferiu a inexistência de passes telecomandados, de rasgos de génio e do poder ofensivo que, durante alguns jogos da presente época, ainda se verificou. O meio campo naufragou e foi deglutido nas emboscadas do adversário vezes e vezes sem conta. A batuta seguiu para Manchester e a orquestra está sob desafino constante. A música é uma miragem…

A pergunta que assola a legião verde e branca é: sem Bruno Fernandes, há vida ou morte imediata? Espírito aguerrido e não conformista ou redenção perante a triste realidade?

Sinceramente, à semelhança do leitor, era uma pergunta para a qual eu adoraria obter resposta, qualquer que fosse. A imprevisibilidade é previsível e a instabilidade é estável. Este é o panorama que vigora! Alicerçados nesse argumento, com índice de fiabilidade por determinar, o sportinguista compõe o típico adepto que reside na sombra de um milagre e da hecatombe que os adversários possam sofrer. Regressão atrás de regressão, caminhamos no sentido de 2012/2013 e do lodo desportivo-financeiro vincado na página mais negra da história do clube. “Contra factos, não há argumentos”!

Bruno Fernandes marcou profundamente o universo leonino
Fonte: Diogo Cardoso/BnR

Bruno Fernandes tinha a capacidade (a maioria das vezes) de extrair o clube da lama de resultados encaixados e, de um momento para o outro, demonstrar a frieza e a voracidade de decidir e sentenciar uma partida que se observava com mau olhado. Encaixe de 55M!? Negócio em cima do joelho. Disfarçar o buraco com o remendo de Wendel ou Matheus Nunes? Alternativas disponíveis. E a partir daí? Pelo que é cognoscível, todos os jogadores patinam na terra batida e escorregadia que lhes serve de chão e nenhum é verdadeiramente capaz de usar calçado capaz de o fixar ao solo pegajoso.

Arredados das competições internas, adivinhando-se, de seguida, o arredamento da externa (UEFA Europa League), a solução passa por … (agora é o momento para opiniões, as minhas estão esgotadas). Quer dizer, se calhar proponho algo já proposto anteriormente, mesmo que não se aplique diretamente na lacuna deixada pelo internacional português: a retirada imediata de Hugo Viana, Beto e toda essa gama dirigente que finge perceber de futebol e não estar preocupada ou, pelo menos, curiosa perante tamanho insucesso desportivo. É caso para se estranhar, no mínimo!

Aos croquetes, “varandistas” e afins: para afirmações como “dar tempo ao tempo”, “não existem resultados imediatos” ou “a estrutura não teve tempo suficiente para montar a sua estratégia”, eu respondo com “não é a estrutura ideal, não existe solidez desde o primeiro momento e o tempo para alguns cargos está esgotado”; aos “brunistas” e a afirmações como “e ainda dizem que a culpa é de Bruno de Carvalho”, “se ele cá estivesse, isto não acontecia” ou “ele é o nosso presidente”, eu respondo com “no futebol, não há intocáveis. Existem ciclos. O dele acabou. Agora, assistam ao jornal da noite da Sporting TV”. (Já não tenho pachorra para a guerrilha mesquinha, lamento).

Sem o melhor jogador dos últimos 20 anos, o leão encontra-se a poucos passos de ficar sem a juba. O CORONAVÍRUS instalou-se na Europa e já infetou algumas pessoas. Eu pedia que um “BRUNOFERNANDESVÍRUS” ou coisa parecida infetasse a equipa leonina e lhe conferisse outra dinâmica e atitude. Quarentena exclusiva a Alvalade!

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Bakken Bears 88-75 SL Benfica: Derrota na Dinamarca dita eliminação da FIBA Europe Cup

A CRÓNICA: PÉSSIMO SEGUNDO PERÍODO DEITA POR TERRA ASPIRAÇÕES EUROPEIAS

Em jogo da sexta e última jornada da FIBA Europe Cup – Segundo Nível, o SL Benfica foi à Dinamarca em busca de uma vitória, que a acontecer, significaria a permanência dos encarnados na competição.

Com este objetivo em mente, a equipa treinada por Carlos Lisboa entrou forte no jogo, e em menos de cinco minutos já havia conseguido uma vantagem de 11-4. No entanto, a equipa dos Bakken Bears estabilizou na partida, e conseguiu em poucos minutos anular a desvantagem e acabou o primeiro período na frente por um ponto.

No entanto, foi o segundo quarto que acabou por definir o jogo. Os dinamarqueses estiveram muito fortes e o SL Benfica foi incapaz de travar o ataque dos Bears ao mesmo tempo que sentia também muitas dificuldades em colocar a bola no sexto. Parcial de 33-14 nos segundos dez minutos e resultado de 54-34 ao intervalo, que deixava as esperanças europeias do Benfica em grande perigo.

Na segunda metade do encontro, os encarnados foram incapazes de recuperar do péssimo segundo período e a equipa dos Bears soube gerir a vantagem. O SL Benfica ainda tentava recuperar com alguns parciais que encurtavam a vantagem até aos dez pontos. No entanto, faltou força à equipa portuguesa para recuperar esses últimos pontos e o resultado nunca chegou a estar verdadeiramente em causa.

No final, vitória para a equipa dinamarquesa, que assim subiu ao segundo lugar do grupo e garantiu a passagem à próxima fase da prova em detrimento do SL Benfica. Já a equipa de Carlos Lisboa parece atravessar a pior fase da época, com três derrotas consecutivas, com os encarnados a serem eliminados desta FIBA Europe Cup, depois de no fim de semana terem perdido a liderança do campeonato, consequência da derrota frente ao Sporting CP. O foco volta agora a estar totalmente nas provas internas e o Benfica precisa de reencontrar a sua melhor forma se pretende alcançar os objetivos que ainda tem.

A FIGURA

Fonte: FIBA Europe Cup

Segunda parte dos Bakken Bears – Muito mérito para a equipa dinamarquesa, que durante a segunda metade da partida soube sempre manter a cabeça fria e não deixou escapar a larga vantagem que construiu no segundo período.

O FORA DE JOGO

Fonte: FIBA

Segundo quarto do SL Benfica – Após um bom início de jogo e um final de primeiro período equilibrado, os encarnados desmoronaram por completo nos segundos dez minutos. Sem conseguir marcar nem travar o ataque dinamarquês, este segundo quarto acabou por ditar o afastamento do Benfica da FIBA Europe Cup.

ANÁLISE TÁTICA – BAKKEN BEARS

Os dinamarqueses procuraram explorar a área restritiva do Benfica, o que no final do jogo se traduziu numa clara vantagem no número de ressaltos ofensivos conquistados. Defensivamente, o jogo dos Bears passou por defender o jogo interior, impedindo o Benfica de alguma vez impor o seu jogo interior.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

Adama Darboe (7)

Ryan Evans (7)

Darko Jukic (7)

Tylor Ongwae (5)

Michel Diouf (7)

SUBS UTILIZADOS

Chris Ortiz (6)

David Efianayi (-)

Simon Neidhardt (-)

Morten Sahlertz (3)

Jonathan Galloway (4)

Nimrod Andrew Hilliard IV (7)

Thomas Laerke (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O Benfica foi fiel a si mesmo, focando o seu jogo principalmente no tiro exterior. No entanto, a estratégia acabou por não colher frutos, pois quando os lançamentos deixaram de cair, os encarnados não foram capazes de criar através do jogo interior. Na defesa, Eric Coleman, como único poste, não foi capaz de travar os jogadores interiores dos Bears.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Ireland (7)

Eric Coleman (5)

José Silva (4)

Betinho Gomes (6)

Arnette Hallman (4)

SUBS UTILIZADOS

Anthony Hilliard (7)

Fábio Lima (4)

Gary McGhee (6)

Rafael Lisboa (3)

Damian Hollis (5)

Foto de Capa: FIBA Europe Cup

Artigo revisto por Diogo Teixeira

5 heróis benfiquistas em clássicos frente ao FC Porto

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Uma das maiores rivalidades do futebol europeu e, sem dúvida alguma, a maior rivalidade no panorama desportivo nacional. A História entre Futebol Clube do Porto e Sport Lisboa e Benfica é centenária, repleta de momentos marcantes: do golo de Kelvin aos 92 minutos à remontada do Benfica de Bruno Lage em pleno Estádio do Dragão, o Clássico é um dos jogos mais intensos e aguardados da temporada.

APOSTA JÁ NO JOGO QUE DECIDE O TÍTULO! O FC PORTO RECEBE O SL BENFICA, POR ISSO NÃO FIQUES DE FORA E APOSTA JÁ NA BET.PT

Em semana de Clássico, decidimos recordar cinco heróis benfiquistas em jogos contra o FC Porto na última década.

5 heróis portistas em clássicos frente ao SL Benfica

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É um dos maiores clássicos do futebol europeu e, consequentemente, de todo o mundo: falamos, pois claro, de FC Porto x SL Benfica.

E desengane-se aquele que considerar que tudo isto resume-se apenas a um jogo de noventa minutos. Não, muito longe disso. Trata-se da enorme rivalidade entre azul e encarnado, entre o “norte esquecido” e a “capital do Império”, entre dragões e águias. História, ideais, títulos: é fácil confundir a história do futebol português com a história destas duas equipas, as mais tituladas deste lado da fronteira.

APOSTA JÁ NO JOGO QUE DECIDE O TÍTULO! O FC PORTO RECEBE O SL BENFICA, POR ISSO NÃO FIQUES DE FORA E APOSTA JÁ NA BET.PT

É o encontro que ninguém quer perder. É o encontro que todos querem ganhar. São estes os jogos que ficarão na memória dos apaixonados pela bola, onde títulos são decididos, onde heróis são criados, heróis que vêem o seu nome ser inscrito na história do clube que carregam ao peito.

Recordemos alguns desses casos.

Académico de Viseu FC 1-1 FC Porto: noite de festa em Viseu à custa de um Dragão adormecido

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A CRÓNICA: CORPO EM VISEU, CABEÇA NO CLÁSSICO

O Fontelo vestiu-se a rigor para receber a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. E a verdade é que o jogo não exigia menos que isso: os viseenses recebiam em sua casa um dos grandes do futebol português, o FC Porto.

A verdade é que o evento era de gala, contudo, do primeiro tempo, não podemos afirmar isso. Primeiros quarenta e cinco minutos muito mornos, com pouco trabalho para os guardiões de ambas as equipas. Algumas pausas para assistência médica, passes falhados, perdas de bola, tudo muito amarrado: não era certamente com um espetáculo destes que os adeptos sonharam ao comprarem o seu bilhete.

Na segunda metade, cenário algo diferente. O espetáculo continuou a não ser o melhor, mas as oportunidades foram aparecendo. Incidiram com uma maior frequência na baliza da equipa da casa, mas não seria por esse motivo que o FC Porto conseguiria superiorizar-se, em termos de resultado, ao Académico de Viseu FC.

1-1 era o resultado final, num jogo onde o Académico de Viseu conseguiu sentir-se confortável nos vários períodos do jogo, conseguindo ser eficaz (algo raro para os viseenses) numa das únicas oportunidades claras de golo.

A FIGURA

Fonte: Académico de Viseu FC

João Mário – Foi, nos primeiros quarenta e cinco minutos, uma das principais dores de cabeça para os defensores azuis e brancos. Desapareceu um pouco do jogo no início da segunda metade, mas acabaria por reaparecer da melhor forma: cabeçada forte em resposta a um cruzamento da direita de Zimbabwe. É, sem dúvida, o principal nome por detrás deste enorme resultado para o Académico de Viseu FC.

O FORA DE JOGO

Em onze jogos frente ao FC Porto em todas as competições, os Marítimistas têm um balanço de quatro vitórias, três empates e quatro derrotas.
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Exibição do FC Porto – Mais uma exibição paupérrima no currículo da turma de Sérgio Conceição. O resultado, por si só, acaba por ser extremamente negativo, sobretudo perante um adversário de uma divisão inferior, todavia a exibição nada conseguida dos azuis e brancos consegue ser ainda mais preocupante.

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC

A equipa da casa optou por apresentar-se num 4-4-1-1, onde João Mário, ponta de lança da equipa, recebia o apoio de Fernando Ferreira. Mais atrás, duas linhas de quatro compactas, permitindo muito pouco espaço aos jogadores visitantes. Nos corredores, Luisinho e Jean Patric apoiavam frequentemente os respetivos laterais, fechando a porta a possíveis incursões perigosas de Manafá e Saravia pelos corredores. Em termos ofensivos, nota para as saídas rápidas do Académico, normalmente conduzidas pelo poder de explosão de alguns dos homens mais avançados, como João Mário ou Jean Patric; a espaços, a pressão alta efetuada pelo Académico fazia a bola queimar nos pés dos azuis e brancos, por vezes resultando em recuperações de bola em zonas altas do terreno.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Fernandes (5)

Rui Silva (5)

Pica (6)

Félix Mathaus (6)

Lucas Silva (5)

Zimbabwe (6)

João Oliveira (7)

Fernando Ferreira (5)

Luisinho (5)

Jean Patric (5)

João Mário (7)

SUBS UTILIZADOS

Anthony Carter (4)

Bruninho (-)

Diogo Santos (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Com diversas alterações no onze inicial, Sérgio Conceição decidiu apostar na prata da casa para este embate em Viseu. Outra mudança na estrutura da equipa foi a inclusão de um segundo ponta de lança no onze inicial, ficando, portanto, o desenho tático dos dragões mais semelhante a um 4-4-2. No que toca ao jogo jogado, poucas dinâmicas, intensidade baixa, pouca imaginação: assim se caracterizou a exibição do FC Porto durante a maioria do encontro. Pouco jogo pelos flancos, muita insistência pelo centro do terreno, onde os homens da casa pareciam ter a situação controlada.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (4)

Saravia (4)

Mbemba (5)

Diogo Leite (5)

Manafá (4)

Loum (5)

Vítor Ferreira (7)

Romário Baró (5)

Luis Díaz (5)

Marega (4)

Zé Luís (6)

SUBS UTILIZADOS

Nakajima (5)

Jesús Corona (5)

Soares (4)

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 10 treinadores flops do Futebol Internacional

Após um belo trabalho ao leme do Tottenham, Pochettino sofreu as consequências do presente. O passado não conta para nada no futebol, e o futuro é a mesmo que na vida: simplesmente não existe.

Justo ou não justo, a verdade é que neste Top encontramos vários exemplos de experiências de técnicos que viram os holofotes expectantes apontados à sua pessoa em determinado instante, entre a espada e a parede no seguinte.

Como Pochettino há muitos, e ainda mais haverão, mas como os enunciados nesta lista, talvez ainda mais…

Bruno nunca mais

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O Sporting está a passar por uma crise desportiva e diretiva que talvez nunca tenha visto precedentes, atrevo-me a dizer. Mesmo a tão malfadada presidência de Godinho Lopes que todos indicam como a pior, pelo momento muito semelhante ao de agora, parece vir a ser ultrapassada.

Já foi pedida assembleia destitutiva que demora em ser aprovada, e marcadas manifestações para contestar a atual direção, o que demonstra o descontentamento e a vontade de muitos sócios e adeptos em mudar o rumo que o clube, podendo levar brevemente a novas eleições no clube.

Como já escrevi, não acredito que Frederico Varandas saia por sua livre vontade, e não sei também se Rogério Alves, que já demonstrou ter diferentes leituras dos estatutos dependendo das situações, irá tomar a decisão de aprovar uma assembleia destitutiva. Mas se por acaso algum destes senhores tiver a honestidade e clareza de espírito necessária, brevemente seremos chamados a escolher novo presidente.

Se assim for, teremos de encontrar alguém aglutinador, que seja obcecado pelo sucesso do Sporting em todas as vertentes, e consiga, com conhecimento dos bastidores e discurso fluido, lutar contra as forças que se movem no futebol português. Se conheço alguém assim? Conheço, mas deixou de ser uma opção válida.

Deixou de o ser, não só porque já não é sócio do clube, pressuposto essencial para se poder candidatar, mas também porque se o mesmo ainda fosse elegível e voltasse à presidência do clube, muito provavelmente teria uma oposição constante como actualmente tem Varandas com os apoiantes de Bruno de Carvalho.

Fui apoiante de Bruno de Carvalho até ao momento da destituição. E mesmo depois defendi-o em muitos textos aqui publicados. Considero que, desde que me lembro, foi o melhor presidente que o Sporting teve, apesar dos erros que possa ter tido. E quanto a isso vi muitos presidentes terminar os seus mandatos mesmo cometendo erros bem mais graves para o futuro do clube. Mas adiante.

A direção leonina continua sob pressão
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bruno de Carvalho é história, e para o futuro do clube poderá apenas servir de exemplo pelas coisas boas que fez e de ensinamento pelos erros que cometeu.

Se eu fosse Bruno de Carvalho também não quereria voltar (ele já demonstrou interesse nisso), principalmente porque não teria o mesmo apoio dentro do clube, não teria a mesma margem de manobra, e saberia que apesar do bom trabalho que pudesse apresentar, não era garantido que no dia seguinte não pudesse estar a sair novamente pela porta pequena.

Agora, caso tenhamos novas eleições (e teremos, nem que seja no final deste mandato de Varandas), precisamos encontrar um candidato com o mesmo perfil de Bruno de Carvalho, podendo apenas ser mais cerebral e menos impulsivo, o que não me parece tarefa fácil.

Não sei quem poderá ser essa figura. Sei apenas que não poderá ser nenhum dos que esteve no último processo eleitoral. Mesmo o que teve mais votos. Porque esse já demonstrou que está mais interessado em defender-se do que andar publicamente e diariamente a defender os interesses do Sporting. Onde andas Benedito?!

Costuma dizer-se que a sorte só bate à porta uma vez. Será que vamos ter sorte uma segunda vez? Se for o caso, por favor, não a desperdicem de novo.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

SL Benfica 3-2 FC Famalicão: Um Estádio da Luz com cheirinho a Jamor

A CRÓNICA: UMA PRIMEIRA MÃO DE GRANDE QUALIDADE E QUE VENHA A SEGUNDA!

De volta à festa da Taça e logo com um grande jogo (aliás, dois visto que há segunda mão) nestas meias-finais. As duas mãos deixaram o tónico a expetativa e calma durante o início da partida. Oportunidades? Houve algumas de parte a parte. Aqui vão as mais importantes: aos 14 minutos, um livre de Pizzi à figura de Vaná e, aos 29 minutos, também se gritou golo, mas foi invalidado, pois Toni Martinez estava acampado à espera da bola de Fábio Martins. Mas o equilíbrio foi o prato principal servido neste primeiro tempo. Tudo a zeros. Mas desengane-se quem ache que, por isso, estava a ser um mau jogo. Esta primeira mão das meias-finais estava a ser a prova viva de que não é preciso haver golos para se ver um bom jogo.

O Famalicão entrou na segunda parte um pouco mais instável defensivamente. Uma inspiração de Taarabt permitiu ao Benfica “cavar” o primeiro da noite. Depois de um cruzamento de Seferovic, Riccieli corta a bola com o braço. O penalti é assinalado por Hugo Miguel e convertido por Pizzi. Guarda-redes para um lado, bola para o outro. O Benfica até estava a crescer na segunda parte e estava a conseguir “encurralar” o seu adversário, mas, eis que surge um rasgo de inspiração de Pedro Gonçalves. Pega na bola e lá vai ele: passa por Grimaldo (quem viu o jogo sabe que não é novidade), passa por Rúben Dias e depois passa para o seu colega, Diogo Gonçalves. O extremo devolve e Pedro Gonçalves faz o empate na Luz.

O Fama estava a surpreender, mais uma vez, na Luz. Toni Martinez acaba mesmo por esfrear a noite em Lisboa para os encarnados. Depois de um grande passe de Pedro Gonçalves, o número 19 faz o 1-2 para o FC Famalicão. O jogo estava intenso e nesta segunda parte havia um bónus: aos 78′, Rafa restabelece a igualdade no marcador na recarga depois do remate de Vinicius defendido por Vaná. Até ao cair do pano, ainda houve tempo para Vlachodimos ser chamado a intervir. Pedro Gonçalves, mais uma vez, faz um chapéu ao guarda-redes, mas sem êxito desta vez. Mas desengane-se em achava que as emoções ficavam por aqui. Para lá do período regulamentar, depois de um canto, Gabriel faz o terceiro e coloca a sua equipa em vantagem nos instantes finais da partida.

Foi um jogo de alto calibre entre dois conjuntos que, como se diz na gíria, jogam à bola. O final desta primeira mão da meia-final da Prova Rainha ditou a vitória benfiquista por 3-2 num jogo de alto calibre em que Fama jogou olhos nos olhos com o líder. Uma coisa é certa na segunda mão: espectáculo está garantido!

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Pedro Gonçalves – O número 28 do Fama esteve muito bem esta noite. Foi a peça-chave do golo. Que grande trabalho individual de Pedro Gonçalves no primeiro golo e que passe a rasgar no lance do segundo golo do Famalicão. Sem dúvida o jogador preponderante esta noite para o jogo do Famalicão!

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Seferovic – É estranho alguém que foi o melhor marcador a época transata não encontrar de todo os caminhos para a baliza. Não nos esquecemos daquilo que foi a salvação contra o Rio Ave FC, mas não está de todo bem. Sempre que tentava aproveitar o espaço nas costas da defesa famalicense muitas vezes era encontrado em posição irregular. Oportunidades não têm faltado e parece só ter acordado no final da partida. É preciso mais.

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Estamos habituados ao típico 4-4-2 por parte do SL Benfica. Gabriel saltou para o onze inicial por troca forçada de Weigl, devido a uma doença respiratória. Houve a entrada também de Jardel, Chiquinho e Seferovic, mas sem nenhuma implicação naquilo que era o sistema tático de Bruno Lage, pois tudo continuava na mesma. Pressão forte de Gabriel e Taarabt na tentativa de estacar de forma eficaz o ataque rápido do Famalicão, que teve muita dificuldade em sair na zona de construção. A certa altura, o SL Benfica começou por procurar mais as malhas laterais para construir as suas jogadas. Quando se vê a perder, Bruno Lage coloca a “carne toda no assador”. As águias começam a jogar com dois pontas-de-lança – Vinicius e Seferovic. Para além disso, Rafa também entra a jogo para dar velocidade e mais consistência no ataque. Numa altura em que tem muita gente no ataque, a equipa de Bruno Lage, acaba por ficar mais exposta ao bom jogo do FC Famalicão e isso foi evidente em alguns momentos do jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (7)

André Almeida (5)

Rúben Dias (6)

Jardel (4)

Grimaldo (4)

Gabriel (7)

Taarabt (7)

Cervi (6)

Pizzi (4)

Chiquinho (6)

Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Ferro (4)

Vinicius (6)

Rafa (7)

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Quatro alterações no 4-1-4-1 do Famalicão de João Pedro Sousa para enfrentar o SL Benfica. Tivemos as entradas de Ivo Pinto, Racine Coly, Patrick William e Diogo Gonçalves para este onze inicial. As trocas rápidas de flanco em apenas dois três toques e aproveitamento da velocidade tanto de Diogo Gonçalves como de Fábio Martins permitia ataques muito perigosos. Assim que o Famalicão conseguia encontrar espaço para um dos extremos, era perigo iminente para Vlachodimos. O que por momentos podia parecer um ataque inofensivo tornava-se rapidamente numa bola na grande área encarnada. Diogo Gonçalves, principalmente, conseguiu muitas vezes levar a melhor sobre Grimaldo. O Fama conseguiu circular a bola com eficiência em todos o terreno do jogo e ocupar toda a largura do terreno.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vaná Alves (7)

Ivo Pinto (6)

Riccieli (5)

Patrick William (5)

Racine Coly (5)

Gustavo Assunção (7)

Uros Racic (5)

Pedro Gonçalves (9)

Fábio Martins (8)

Diogo Gonçalves (8)

Toni Martinez (7)

SUBS UTILIZADOS

Anderson (6)

Ruben Lameiras (-)

Roderick Miranda (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer questões ao treinador do SL Benfica, Bruno Lage. 

FC Famalicão

Não foi possível fazer questões ao treinador do FC Famalicão, João Pedro Sousa.

Rescaldo de opinião de Inês Santos e João Pedro Barbosa

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

Belenenses not sad (por enquanto)

No passado dia 24 de janeiro, a Federação Portuguesa de Futebol veio anunciar a suspensão das hostilidades entre os dois Belenenses do nosso futebol: a Belenenses SAD e o clube de futebol “Os Belenenses”.

Esta cisão num clube que já deixou a sua marca na história do desporto português foi dos episódios mais tristes dos últimos tempos, e (infelizmente) representa muito bem um dos problemas mais sérios do desporto-rei nacional: má gestão e incapacidade de adaptação ao presente. No entanto, este divórcio, embora oficialmente consumado em 2018, começou muito tempo antes.

O clube de futebol “Os Belenenses” encarna na perfeição a situação cada vez mais frequente de Clube vs SAD. Isto acontece devido às dificuldades financeiras e à má gestão recorrente. Inevitavelmente, esse litígio leva à separação do clube, como aconteceu neste caso.

Mas desengane-se quem pensa que isto é o fim do clube e vitória das SAD’s. Cá por terras lusitanas, temos o Belenenses SAD, que milita na primeira divisão com um símbolo que parece saído de um videojogo e joga num estádio alugado. Já o clube de futebol, que se inscreveu na última divisão do futebol português, mas manteve o apoio da esmagadora maioria da massa adepta, o emblemático estádio do Restelo e a Cruz de Cristo ao peito. É de encher os olhos de qualquer adepto ver um estádio à pinha para assistir aos jogos d’”Os Belenenses” nos últimos escalões do futebol.

A Belenenses SAD está impedida de usar o símbolo, nome e estádio
Fonte: SL Benfica

A meio da época passada, o Belenenses SAD viu-se obrigado a retirar o emblema da Cruz de Cristo dos seus equipamentos e a deixar de usar o nome “Belenenses”. Desde o litígio e sobretudo desde aí que correm inúmeros processos judiciais entre o clube e a SAD, que mancham a (suposta) tranquilidade do futebol português.

A função da FPF foi a de mediar o conflito entre as duas partes, de modo a concretizar a separação definitiva entre clube e SAD sem recorrer ao espetáculo mediático dos tribunais. Para já, teve a capacidade de convencer os responsáveis a suspender os processos pendentes na justiça, a bem da imagem do desporto. Falta agora acabar com as quezílias mais pequenas para separar definitivamente o clube, do resto.

“Os Belenenses” enchem os estádios onde quer que vão
Fonte: CF “Os Belenenses”

Esperemos que a FPF prove que ainda há uma réstia de coração no futebol. Que o desporto que amamos não se transformou num negócio. Cabe à FPF fazer jus aos milhares de adeptos que enchem o Restelo para ver um jogo da 5ª divisão. O futebol é sobre eles e os 22 que jogam. Fora disso, it’s sad.

Foto de Capa: CF “Os Belenenses”

Revisto por: Jorge Neves

 

 

Bem-vindo de volta, mister!

Manuel Cajuda, 68 anos, assumiu recentemente o comando do Leixões SC. O técnico português voltou ao ativo cerca de um ano após ter abandonado o leme do Académico de Viseu FC.

Pelo meio, enfrentou a maior batalha da sua vida, um cancro na próstata. Cajuda comentou este momento com o pragmatismo e o sentido de humor que já lhe é caraterístico: “houve um dia em que acordei, virei-me para o cancro e disse-lhe ‘tens de de ir embora’. E ele foi”. Ultrapassada esta luta e após alguns meses em que esteve afastado do futebol por vontade própria, o treinador algarvio – que sempre assumiu ser adepto do clube da terra e onde começou a jogar, o SC Olhanense – orienta agora o 23º emblema numa carreira que já conta com quase 40 anos.

Experiência, como visto, não lhe falta e leva já no currículo alguns dos mais emblemáticos clubes portugueses, como o SC Braga, o Vitória SC, CF “Os Belenenses” e o outrora mítico SC Beira-Mar. Foi nos vimaranenses, aliás, que conseguiu um dos seus maiores feitos, ao pegar na equipa em zona de descida na segunda liga, conseguir a subida de divisão e, na época seguinte… conduziu os minhotos ao playoff da Liga dos Campeões pela primeira e única vez na história, em 2007/2008. Manuel Cajuda guarda estes momentos com carinho e chegou a referir “Nunca irei encontrar os adjetivos que o Vitória merece”.

Manuel Cajuda já orientou o Leixões SC na derrota com o CD Nacional
Fonte: Leixões SC – Futebol, SAD
Fonte: ANTF

Antes, tinha já experienciado a sua primeira aventura no estrangeiro, nos egípcios Zamalek SC. Aqui enfrentou provavelmente uma das maiores dificuldades nos vários anos de profissão: além da distância da família, não sabia falar árabe e mal sabia falar inglês, tornando a sua passagem pelo Egito muito complicada. Passado o choque cultural típico ao viajar para um país muçulmano, Cajuda decidiu abraçar os costumes daquela terra e até chegou a fazer o Ramadão para perceber o que movia os locais.

Após a passagem pelo Vitória SC, seguiram-se outras passagens além-fronteiras, como os Emirados Árabes Unidos, a China e Tailândia. A sua reputação e o seu caráter forte são a imagem de marca por onde passa, numa carreira por si só peculiar.

Regressado ao seu país, onde curiosamente nunca treinou nenhum dos três grandes – Cajuda diz que o recusou -, procura devolver a glória a um clube acarinhado do norte, que luta por conseguir uma nova presença no principal escalão do futebol português. A primeira partida não correu da melhor forma, mas tem ainda vários jogos para se redimir desta entrada em falso. Com os leixonenses muito ativos no mercado de janeiro, o técnico algarvio tem em mãos um plantel mais capaz de fazer uma segunda volta tranquila. Bem-vindo de volta, mister!

Foto de Capa: Leixões SC – Futebol SAD

Revisto por: Jorge Neves