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Os minhotos também jogam futsal. E bem

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Há cerca de dois meses, e quando estavam decorridas três jornadas do Campeonato Nacional de Futsal, fiz uma breve observação do que poderíamos esperar das equipas ao longo da época. Nessa análise, alertei para o crescimento de equipas que, apesar de (ainda) não se encontrarem ao mesmo nível que os dois grandes do futsal português, poderiam causar problemas ao Sporting e ao Benfica: os Leões de Porto Salvo, o AD Fundão e o SC Braga.

Coincidência ou não, e sendo a equipa de Porto Salvo a única excepção, pouco me enganei relativamente ao Fundão e ao Braga. De facto, estas foram as duas únicas equipas, a par do Benfica, que conseguiram retirar pontos aos verdes e brancos. E sempre com uma vitória. Quanto às águias, a formação de Joel Rocha sofreu para conseguir resistir à crescente qualidade destas equipas.

Seguindo esta linha, aproveito para falar daquela que é a equipa que mais me tem surpreendido positivamente através dos seus resultados e da sua qualidade de jogo. Os minhotos encontram-se na 2ª posição da tabela, a seis pontos do imparável Benfica e com mais um do que o Sporting. Em 15 jogos, têm 12 vitórias, 1 empate (2-2 frente ao Burinhosa) e 2 derrotas (4-3 diante dos Olivais e 3-0 perante o Benfica). Se examinarmos estes resultados enquanto olhamos para a classificação actual, rapidamente concluímos que as únicas equipas com quem perdeu pontos se encontram no 1º, no 4º e no 5º lugar; ou seja, são formações com as quais disputa jogos bastante equilibrados e cujo resultado pode tender para qualquer um dos lados.

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O SC Braga/AAUM é a segunda equipa com mais golos marcados no campeonato (72)
Fonte: Facebook do SC Braga/AAUM

Com base nas estatísticas, o SC Braga (que está também, a título de curiosidade, associado à Universidade do Minho) é uma equipa que pode aspirar a grandes resultados se conseguir manter a sua consistência até ao final da temporada. Mas é neste ponto que surgem as minhas dúvidas: a consistência costuma ser o ponto fraco dos clubes que começam a ganhar algum reconhecimento e poderio nos campeonatos, revelando-se, ao longo da época, um factor determinante para que consigamos perceber se determinado clube se poderá afirmar como uma nova potência ou apenas como uma equipa que começou bem a época. Como eu não sou adivinha e não tenho uma bola de cristal, teremos de aguardar pelo desenrolar das jornadas para perceber se este Braga é mais do que “sol de pouca dura”.

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Uma das estrelas que brilha em Braga chama-se Fábio Cecílio, actuando também pela Selecção Nacional de Futsal
Fonte: Facebook do SC Braga/AAUM

O ano de Serena e de Djokovic

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No ténis não é fácil fazer um balanço da temporada. O factor pessoal entra em grande escala em qualquer análise subjectiva de uma temporada tenística. Para evitar isso, adoptei o modelo mais simples e mais objectivo: olhar para o ranking e ver aquele/aquela que terminou o ano como n.º 1 mundial.

No ténis masculino, Novak Djokovic termina o ano de 2014 no topo do ranking mundial. O tenista sérvio venceu sete torneios ATP, mas apenas um grand slam, Wimbledon. Este é o terceiro ano consecutivo em que Novak Djokovic vence apenas um grand slam.

Em 2012 e 2013 venceu o Australian Open, enquanto este ano venceu Wimbledon, isto depois de em 2011 ter conquistado tudo menos o Roland Garros. Djokovic foi surpreendido apenas por Nishikori no US Open e por Wawrinka no Australian Open e em Roland Garros perdeu para Nadal na final.

De referir ainda que este ano o tenista sérvio não disputou um único evento ATP 250, o mais baixo do circuito mundial, numa estratégia que lhe permitiu focar-se nos eventos mais importantes – os Masters 1000 acabaram por ser determinantes.

No sector feminino, Serena Williams conquistou também ela sete eventos do circuito WTA, tendo, à semelhança de Djokvic, vencido apenas um torneio “major”, neste caso o US Open. Serena Williams disputou quase o mesmo número de torneios que Djokovic, embora com resultados menos positivos nos quatro grand slams.

Para além da vitória no US Open, sobre Caroline Wozniacki, numa final sem grande história, a tenista norte-americana foi eliminada frente a Alize Cornet na 3ª ronda em Wimbledon; na 2.ª ronda frente a Garbine Muguruza em Roland Garros e na 4.ª ronda frente a Ana Ivanovic no Australian Open.

Serena Williams valeu-se dos torneios disputados em território norte-americano, tendo feito uma excelente temporada pré-US Open. Aliás, dos torneios disputados nos Estados Unidos, Serena Williams só não venceu um, o que atesta a importância de encontros jogados “em casa”.

Mas, numa temporada em que Serena Williams e Novak Djokovic terminam como “campeões do mundo”, é importante também destacar a competitividade de Maria Sharapova e Ana Ivanovic, que voltaram a exibir-se ao mais alto nivel, ou ainda a confirmação de Eugenie Bouchard como figura de proa do ténis feminino.

No plano masculino, destaque ainda para Roger Federer que, aos 33 anos, subiu do 8.º para o 2.º lugar do ranking, ficando próximo de Djokovic, ou para a subida de Cilic, que passou de 37.º para 9.º depois de ter tido a carreira em suspenso devido ao doping.

Foto de Capa: Marianne Bevis

Sportinguista, o que fazias no Natal de 2013?

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Recebias prendas, estavas com a tua família, diante do calor da tua lareira? Planeavas a tua passagem de ano? O mister Marco Silva estava no Estoril. No dia 26 de Dezembro de 2013, exactamente há um ano, Marco Silva ocupava o 4.º lugar do campeonato – que viria a consolidar, e que foi o melhor da história do clube – e preparava-se então para receber o Sporting no seu estádio. Nesse jogo, viria a conseguir o empate a zero na mesma jornada em que o Benfica bateu o Porto e arrancou para a conquista do título. O Sporting? O Sporting, precisamente há um ano, estava em 3.º lugar.

Há um ano, tu, sportinguista, já não ansiavas pelo sorteio da Taça de Portugal. Havias sido eliminado no segundo jogo em que participaste nessa competição. Daí a pouco tempo virias a ser eliminado também da Taça da Liga. Tanto numa prova como noutra, o Sporting ficou pelo caminho devido aos seus rivais Benfica e Porto, respectivamente. Já agora, um dado sobre clássicos: em seis jogos com os rivais, o Sporting só venceu um (1-0 ao Porto, em Alvalade, a contar para o campeonato). Este ano, em metade das oportunidades, o mesmo número de vitórias alcançadas. E mais! Zero derrotas.

Mas voltemos à tua rotina, amigo sportinguista. O ano passado os dias de semana eram enfadonhos e marcados pelo tédio, não eram? A bola rolava sempre longe de Alvalade e passavas uma longa semana à espera do jogo de Sábado ou de Domingo para o campeonato. Assim o eram também para os jogadores. Não te deixes enganar pela história do cansaço! Quem tem as condições e equipa técnica que eles têm a seu dispor não sofre de cansaço por fazer mais um jogo por semana. A verdadeira diferença está no tempo de preparação existente. No tempo que o treinador tem para analisar o seu rival interno, ver qual a melhor forma de atacar as suas debilidades e de se defender dos seus pontos fortes. Depois, comunicar tudo isso à equipa, fazê-la entender que o extremo contrário deve ser convidado sempre a jogar por fora porque, quando joga por dentro, é uma carga de trabalhos. Trabalhar isso nos treinos. E, simultaneamente, aprimorar o jogo da sua própria equipa e corrigir o que vem sendo feito menos bem. Aí é que está a (enorme) diferença entre ter um jogo por semana ou dois! É que Marco Silva tem três dias para preparar o seu jogo do campeonato e Leonardo Jardim tinha seis. Explica tudo? Claro que não. Mas ajuda a compreender…

Hoje, dia 26 de Dezembro de 2014, um Natal depois, o Sporting está em 5.º a dez mentirosos pontos do Benfica, 1.º classificado. Mentirosos por todas as razões conhecidas para além de que a diferença exibicional das equipas não pode ser ilustrada por tal diferença pontual. E sim, no fim são os resultados que contam, no fim as vitórias morais são inúteis e no fim podem ser defendidas muitas outras ideias clichés sobre o que é o futebol e quais os verdadeiros fins a atingir. O trabalho do treinador deve ser avaliado pelo seu método de trabalho mais do que pelos seus resultados. O futebol é complexo e o resultado final depende de demasiadas variáveis que, em boa parte, vão além do trabalho do seu treinador. Uma das obrigatórias qualidades do presidente é ter esta noção de quando os resultados estão, ou não, a ser um espelho da qualidade do seu treinador e agir em conformidade com a conclusão a que chegou.

Um Natal depois, o Sporting está bem colocado para a conquista da Taça de Portugal, que significaria o primeiro título desde 2008.
Um Natal depois, o Sporting voltou a ser respeitado Europa fora – depois de tantos anos esquecido – pela qualidade apresentada e pela eliminação injusta frente a dois adversários de muito maior valia individual e com muito maior orçamento.
Um Natal depois, o Sporting continua a ter todas as condições para alcançar o lugar que atingiu na época passada.

Entre um Natal e o outro, o mister Marco Silva foi a Alvalade bater o Sporting com o seu Estoril e, posteriormente, assumiu ele próprio o comando da equipa verde e branca. Ganhou várias vezes, perdeu em Guimarães, empatou mais do que as devidas. Hoje, é o único treinador em Portugal nas quatro frentes e é o responsável máximo pela prática de um futebol ofensivo, de qualidade, e condizente com o estatuto que se pretende próximo do Sporting. Perfeito? Claro que não. Nem ninguém o esperaria com quatro meses de trabalho.

Hoje, dia 26 de Dezembro de 2014, um Natal depois, o que fazes tu, sportinguista? Já abriste as prendas e já estiveste com a tua família, diante do calor da tua lareira? Já planeias a passagem de ano? O mister Marco Silva, ao que parece, já não está no Sporting. E eu acho mal.

Equipa do Ano 2014: La Liga

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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permanecerão na memória de todos os amantes de Desporto.

GR: Thibaut Courtois (Atlético Madrid)
Uma parede. Um muro. Uma muralha. O guarda-redes belga, emprestado pelo Chelsea, foi um dos grandes responsáveis pela magnífica época dos colchoneros. Com uma média de 0,65 golos sofridos por jogo, Courtois contribuiu de forma inegável para que o Atlético Madrid terminasse a época com a melhor defesa da La Liga (26 golos sofridos).

DD: Dani Carvajal (Real Madrid)
Ano de afirmação do jogador espanhol. À imagem de muitos outros, Carvajal foi um talento nascido na formação do Real Madrid que necessitou de sair da capital espanhola para ganhar credibilidade. Depois de uma época bem sucedida no Bayer Leverkusen, o Real Madrid resgatou-o ao clube alemão, e Carvajal revelou ser um ala moderno: ataca e defende com qualidade. Com apenas 22 anos, o Real Madrid tem, na lateral direita, uma solução para longos anos.

DC: Aymeric Laporte (Athletic Club de Bilbao)
Nascido em Agen (França), o defesa central, que tem dupla nacionalidade, foi uma das grandes revelações do ano em Espanha. Com apenas 20 anos, do alto dos seus 189 centímetros, Laporte foi imperial na defesa do Athletic, clube que alcançou um lugar na Liga dos Campeões. Se na presente época Laporte já leva 14 partidas como titular, na temporada passada o defesa realizou 35 partidas (33 como titular) e efetuou, no total, 354 recuperações de bola. Verdadeiramente impressionante.

DC: Diego Godín (Atlético de Madrid)
Foi o melhor defesa-central a atuar em Espanha no último ano. Absolutamente imprescindível no onze de Diego Simeone, o defesa uruguaio, de 28 anos, atingiu a sua melhor forma ao longo da última época, em que realizou 34 jogos com uma média de 8.94 recuperações de bola por partida. Aguerrido, combativo e com um espírito de sacrifício enorme, Godín é o espelho do Atlético Madrid, e ficará para sempre no coração dos colchoneros pelo golo marcado em Camp Nou, na última partida da liga espanhola 2013-2014, que deu o título à equipa de Madrid.

DE: Filipe Luís (Atlético Madrid)
Foi difícil escolher entre Jordi Alba e Filipe Luís. A opção pelo defesa brasileiro recai, essencialmente, pela questão do coletivo, onde foi bem mais feliz do que o defesa do Barcelona. Filipe Luís fez uma excelente época em 2013/2014 (titular em 32 jogos) e ajudou à grande consistência defensiva que marcou a o ano do Atlético Madrid.

MD: Koke (Atlético Madrid)
Inegavelmente, Koke foi uma das grandes sensações do último ano em Espanha. Com apenas 22 anos, o espanhol demonstra uma maturidade incomum, que, aliada a uma grande versatilidade (pode jogar em qualquer posição do meio-campo) faz com que parte do sucesso do Atlético Madrid passe pelos seus pés – tem média de 38,6 passes por jogo (82% acertados). Se na temporada anterior fez furor com 12 assistências em 36 jogos, nesta época o internacional já leva 8 assistências em apenas 15 jogos. Tem quase todos os tubarões da Europa à porta. Veremos até quando resiste o Atlético.

MC: Luka Modric (Real Madrid)
Depois de uma primeira época muito intermitente, ainda ao serviço de José Mourinho, o médio croata de 29 anos tornou-se fulcral no esquema tático de Carlo Ancelotti. Dotado de uma capacidade técnica invejável e de uma visão de jogo assinalável, Modric distingue-se pelo excelente jogo vertical e pela alta rotação que oferece à equipa. As assistências e os golos espectaculares são, também, um menu habitual.

MC: Ivan Rakitic (Sevilha)
O quinto lugar do Sevilha na liga espanhola (e a conquista da Liga Europa, já agora) muito se deve ao médio croata nascido na Suíça. Uma época de sonho, na verdade. Os 12 golos marcados e as 10 assistências efetuadas dizem tudo sobre a grandíssima qualidade de Rakitic. De resto, é bastante semelhante ao compatriota Modric: altamente técnico, com uma grande visão de jogo e uma qualidade de passe ímpar. A época de sonho valeu-lhe um bilhete para jogar  na equipa de Lionel Messi, onde tem praticado boas exibições. Merecido, diga-se.

ME: Angel Di María (Real Madrid)
Saiu de Espanha no último verão, tendo ido jogar para o Manchester United, mas parece-me impossível não englobar Di María no melhor onze de 2014 da liga espanhola. No total, foram 34 quatros jogos (27 como titular), tendo efetuado 17 assistências – sim, leu bem – e marcado 4 golos. Dotado de uma velocidade estonteante e de um drible imprevisível, Carlo Ancelotti surpreendeu o mundo do futebol ao fazer de Di Maria um interior esquerdo de grande qualidade (e fundamental nas recuperações defensivas da equipa), mas sem nunca descurar as transições rápidas, imagem de marca do Real Madrid de 2014.

PL: Lionel Messi (Barcelona)
Não há como fugir. Apesar da época menos positiva, com algumas lesões, Lionel Messi tem lugar cativo no onze da liga espanhola. E como justificação estão os 29 golos e 11 assistências em 31 jogos na época passada. Esta temporada, o argentino já leva 15 golos em 16 jogos. Sem qualquer título coletivo para apresentar em 2014, Messi fez história frente ao Sevilha, no passado dia 22 de Novembro, ao ultrapassar Zarra na lista dos melhores marcadores de sempre da liga espanhola – 253 golos,em 289 jogos. Uma lenda viva.

PL: Diego Costa (Atlético Madrid)
Penso que, nos quatro anos de Diego Simeone como treinador do Atlético Madrid, não houve outro jogador a personificar tão bem o estilo e ideia de jogo do treinador argentino como Diego Costa: luta, sacrifício e garra. Muita garra. O hispano-brasileiro leva o jogo aos limites mas demonstra uma assinalável frieza à frente da baliza, tendo faturado 27 golos em 35 jogos (foi o primeiro jogador, em muitos anos, na liga espanhola, a fazer frente à dupla Ronaldo e Messi na questão da corrida à bota de ouro). A grande época coletiva e individual valeu-lhe uma transferência para o Chelsea, de José Mourinho.

Melhor jogador: Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
Ronaldo não está no onze da liga espanhola por uma razão muito simples: merece mais, muito mais. Foi, indubitavelmente, o melhor jogador a atuar em Espanha em 2014. Sobre o português não há muito a explicar, é olhar para os números: Ronaldo termina o ano com 61 golos em 60 jogos (nas várias competições). Na presente temporada, na liga espanhola, o ex-jogador do Sporting e do Manchester United leva uns impressionantes 25 golos em 14 jogos (e 8 assistências). Como, para Ronaldo, ano sem bater recordes não existe, o internacional português ainda teve tempo para ultrapassar os míticos Di Stéfano e Zarra na lista de jogadores com maior número de hat-tricks na liga espanhola: são 23, no total. O jogador do Real Madrid começou o ano com a conquista da segunda Bola de Ouro, referente a 2013, e, tendo em conta o seu favoritismo, pode perfeitamente começar 2014 com a revalidação do troféu de “melhor do mundo”.

Revelação: Paco Alcácer (Valência)
Indiscutivelmente uma das grandes revelações deste ano. O espanhol de 21 anos, nascido em Torrent, aproveitou ao máximo as oportunidade no clube valenciano, liderado por Nuno Espírito Santo. Se na época passada os números são discretos (6 golos em 23 jogos na liga espanhola), este ano os 8 golos em 16 jogos, e as excelentes exibições, catapultaram Paco Alcácer para a montra do futebol europeu, chegando mesmo a ser titular da seleção espanhola.

Treinador: Diego Simeone (Atlético Madrid)
Absolutamente apaixonante o que conseguiu fazer com o Atlético Madrid. No meio dos gigantes Barcelona e Real Madrid, Simeone fez o “impossível” e foi campeão espanhol, título que fugia, aos colchoneros desde 1996. Pelo meio, ainda levou o Atlético Madrid à final da Liga dos Campeões, que acabaria por ser ganha pelo grande e eterno rival Real Madrid. Com um estilo muito próprio, o treinador argentino de 44 anos é uma figura incontornável do futebol moderno. O estilo guerreiro e batalhador do Atlético Madrid,  aliado a um assinalável espírito coletivo demonstrado ao longo de 2014, fizeram do Atlético um das equipas mais respeitadas no mundo. O mérito é todo de Diego Simeone.

Equipa do Ano 2014: Serie A

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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permancerão na memória de todos os amantes de Desporto.

GR: Perin (Génova)
Uma das grandes revelações da Serie A. Os 11 jogos sem sofrer golos na época passada e os 6 que leva na presente temporada asseguram-lhe o lugar neste 11 e atestam-no como o mais promissor guarda-redes do campeonato.

DD: Lichsteiner (Juventus)
O suíço é uma autêntica locomotiva no flanco direito dos campeões italianos. No ano de 2014 somou 10 assistências e 4 golos. Um ano produtivo e consistente deste lateral direito.

DC: Benatia (Roma)
O marroquino foi o coração da defesa romana no ano transacto e um dos ativos mais cobiçados do mercado. Apesar de já não morar na capital italiana, Benatia demonstrou mais do que o suficiente em 2014 para entrar nesta equipa.

DC: Chiellini (Juventus)
Um autêntico monstro todo-o-terreno na retaguarda bianconeri, completo e imperial.

DE: Darmian (Torino)
Outra das revelações da Serie A. Foi um dos responsáveis pela excelente época do Toro. Polivalente (na última época jogou mais à direita e nesta tem ocupado o lado esquerdo) e muito seguro a defender.

MD: Callejón (Nápoles)
Uma autêntica bala no corredor direito dos napolitanos. O espanhol, recém-chegado à Serie A, teve uma época de estreia de sonho e na presente temporada não perdeu o ritmo. Foram 28 golos e 14 assistências desde que chegou.

MC: Pirlo (Juventus)
O Arquitecto é magia e classe em estado puro. A idade não parece afectá-lo; soma e segue à medida que os anos passam. Foi considerado Jogador do Ano da Serie A pelos restantes jogadores pelo terceiro ano consecutivo, algo que comprova o que referi.

MC: Vidal (Juventus)
Se Pirlo foi o cérebro, Vidal foi o coração e o motor de todo o jogo da Juventus. Apesar de ter baixado de forma nesta época, a temporada passada foi verdadeiramente estonteante e assegurou o seu lugar neste 11.

ME: Cerci (Torino)
Já não habita em Turim, mas 13 golos e 12 assistências na época passada fazem dele um inegável merecedor de um lugar nesta equipa.

PL: Immobile (Torino) **
O artilheiro maior da competição na época passada não podia ter sido descartado deste 11. A estrela do Torino e a revelação da prova na última temporada; afinal de contas passou de 5 em 12/13 para 22 golos na época 13/14.

PL: Tévez (Juventus) *
O argentino é a estrela maior da Serie A. Golos, garra e magia. Os italianos estão encantados com El Apache.

Treinador: Rudi Garcia (Roma)
Chegou a terras transalpinas levantando um misto de esperança e desconfiança. O renascer da Roma tem muito do trabalho do francês.

* Melhor jogador
** Revelação

Menções Honrosas: Pjanic (Roma), Candreva (Lazio), Cuadrado (Fiorentina) e Borja Valero (Fiorentina).

Equipa do Ano 2014: Ligue 1

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Com o ano de 2014 prestes a terminar, o Bola na Rede faz uma viagem pelos últimos 365 dias. Numa série de artigos, destacar-se-ão os protagonistas que marcaram um ano repleto de momentos que permancerão na memória de todos os amantes de Desporto.

GR: Salvatore Sirigu (PSG)
O guarda-redes italiano vincou a sua posição entre os melhores do mundo. A sua grande época valeu-lhe o lugar de Buffon na selecção italiana durante o Mundial. Sirigu transpira confiança e solidez – a baliza da equipa da capital gaulesa está bem entregue. 2014 foi um grande ano.

DD: François Clerc (Saint-Étienne)
Diziam que os seus anos de ouro no Lyon já iam distantes. Ora, eu vejo as coisas de outra forma: a ida de Clerc para o Saint-Étienne foi uma excelente forma de agarrar a carreira. Agarrou a posição e é a voz da experiência dentro de campo. Importante para a grande campanha do Étienne na Ligue 1 2013/2014 e para um bom início da presente temporada.

DC: Thiago Silva (PSG)
Chegou ao PSG para liderar a defesa e, juntamente com Ibrahimovic, ser a cara de um novo Paris Saint-Germain. Mais uma época e mais uma grande prestação do defesa-central brasileiro: consistente, goleador e imperador na área. Um elemento fulcral na campanha do PSG.

DC: Marko Basa (Lille)
Ao lado de dois veteranos, acho que encaixa bem um outro veterano. Basa agarrou o Lille na época transacta e tem sido um dos pilares deste grande arranque. Um grande ano para o central montenegrino, que mostra sempre a sua raça e ambição dentro de campo.

DE: Layvin Kurzawa (AS Mónaco) *
Este jovem lateral esquerdo é uma delícia. Este ano teve excelentes prestações na selecção de sub-21 e conquistou o seu espaço no Mónaco. Kurzawa ataca, defende e promete. Para mim foi a revelação numa equipa recheada de jovens talentos. Grande época de afirmação do francês, do qual só posso esperar mais e mais.

MD: Mathieu Valbuena (Marselha)
Ainda não acredito que o pequeno francês tenha saído para o Dínamo de Moscovo. Um jogador rápido, eficaz e com raça! Faz falta ao campeonato francês, e certamente a Bielsa, que contaria com mais uma opção de grande qualidade para o ataque. Um grande ano do trintão – mais uma vez provou que a qualidade não se mede em altura.

MC: Blaise Matuidi (PSG)
Todo o campeão tem de ter um segredo no meio campo. Há quem diga, inclusive, que é no meio-campo que se vencem os jogos. Melhor não se podia aplicar a outro que não Matuidi. O francês impõe-se no meio-campo pela sua qualidade de passe, corte e remate de longa distância, assim como pela sua determinação. É um dos rostos do campeão francês.

MC: Joshua Guilavogui (Saint-Étienne)
Mais um jovem talento. A época passada mostrou-se em casa, no Saint-Étienne, e esta época vai comandando o sector recuado do meio-campo do Wolfsburgo na Alemanha. Uma grande época de um jogador que promete. Mais um rosto jovem a prometer, grande visão de jogo e qualidade de passe.

ME: James Rodriguez (AS Mónaco)
Uma grande época ao serviço do Mónaco e um grande Mundial valeram-lhe uma transferência milionária para os galácticos do Real Madrid. É um dos talentos emergentes no mundo. Foi um dos motores do clube monegasco na passada temporada. É enorme e poucas palavras mais tenho para descrever o colombiano. Lugar mais do que merecido.

PL: Zlatan Ibrahimovic (PSG) **
A época passada foi o melhor marcador, e este ano já é o segundo (após um inicio atribulado devido a lesão). Sempre irreverente e fiel ao seu estilo, o sueco marca, assiste, encanta e cria polémicas. É o Ibrahimovic e este lugar na equipa do ano será sempre dele, seja em que liga for, marque quantos golos marcar. É um dos melhores avançados do mundo.

PL: André-Pierre Gignac (Marselha)
O ano passado foi o segundo melhor marcador. Este ano começou de forma louca e é o segundo melhor marcador. Quando já poucos pensavam que ele tinha mais para dar, Gignac surpreende e tem crescido este ano. 2014/2015 poderá tornar-se a sua melhor época de sempre.

Treinador: Marcelo Bielsa (Marselha)
Já tinha saudades do argentino. El Loco voltou e mesmo só tendo estado nos últimos meses de 2014 na Ligue 1 merece o lugar. Voltou com aquela energia que marcou a sua passagem pelo Atlethic Bilbao, e já levou o Marselha ao comando da Ligue 1. Com os sectores necessários reforçados, Bielsa pode tornar-se uma afronta complicada para o poderoso Paris Saint-Germain.

* Jogador revelação
** Melhor jogador

Natal: Que prendas trará?

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atodososdesportistas

Neste dia natalício, onde o futebol é trocado pelos famosos e típicos pratos de peru e bacalhau, desejo, desde já, uma quadra festiva feliz para todos os leitores do Bola na Rede.

Sem grandes novidades para o lado das hostes portistas, hoje escrevo sobre as prendinhas que gostaria de ver no sapatinho do plantel azul-e-branco. Nunca fui apologista de rupturas no mercado de inverno, a não ser que quem saia, esteja a mais, e que quem entre se revele uma verdadeira mais-valia. Logo, não desejo a integração do central senegalês Abdoulaye no plantel (nem na equipa B) e gostava de ver sair do clube o jovem central Reyes e o centrocampista Evandro – o primeiro por empréstimo para ganhar minutos; o segundo a título definitivo, caso surja uma proposta aliciante. Depois temos os casos de jogadores de enorme qualidade, mas que se encontram “tapados”, e, por isso, o empréstimo seria uma agradável solução: Tiago Rodrigues (fala-se do interesse de Nacional da Madeira); Kelvin (o jovem que deixou Jesus de joelhos, mas que nunca se impôs, sendo a “eterna promessa”); Otávio (brasileiro que tem “samba nos pés” e que, a continuar sem oportunidades na equipa principal, deve ser emprestado a um clube com um treinador que saiba trabalhar jovens, aparecendo o Vitória de Guimarães como a opção ideal). Temos ainda os casos de Ivo Rodrigues, que é claramente jogador a mais para a segunda liga portuguesa, e o excessivo número de guardiões: Helton, Fabiano, Andrés e Ricardo, sendo que a saída do espanhol parece-me a mais acertada, visto que Fabiano tem sido a primeiro escolha, Ricardo é útil na medida em que ocupa uma das vagas a preencher por jogadores portugueses na Champions e Helton ainda deverá ir a tempo de jogar a Taça da Liga e assim se despedir dos adeptos, que tanto o acarinham. Aqui, porém, tudo depende do técnico Lopetegui.

Com tanta possível saída, surge agora a questão: e entradas? Sem Brahimi durante Janeiro e talvez parte de Fevereiro e, possivelmente, sem Reyes e Evandro, quem poderá entrar e colmatar tais saídas? Mais-valias, assim o espero…

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Jackson Martínez: a sua continuidade é a mais desejadas das prendas para os portistas
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Parece-me imperioso um extremo que se destaque. Continuo a discordar daqueles que acham que Quaresma tem de ser titular indiscutível: o ‘ciganito’ é jogador para mexer com o jogo, entrar a 20/25 minutos do fim e assim explorar o cansaço dos adversários, à imagem do que fez nos jogos da selecção, onde Fernando Santos “encontrou” a melhor forma de aproveitar a magia de RQ7; Adrián continua a demonstrar não ser capaz de jogar em outro esquema que não o 1-4-4-2, como fazia e tão bem no Atlético. No meio campo, penso que, com a subida de rendimento de Quintero, não precisamos de jogadores que colmatem a saída do brasileiro Evandro (embora Carlos Eduardo esteja numa forma soberba em frança, à atenção de Pinto da Costa e Lopetegui). Por fim, caso Opare continue sem ser opção, um lateral que jogue nas duas faixas seria bem-vindo (sou um fã incondicional de Raphael Guerreiro). Ainda assim, a maior “prenda” que os portistas desejam é a continuidade de Jackson Martinez, um dos melhores e mais seguidos avançados da Europa. O “Cha Cha Cha” é cobiçado por meio mundo e tem Tottenham e Roma como clubes que mais o seguem, embora os valores estejam longe daquilo que o Porto pretende e que o jogador vale. Essa seria a verdadeira grande noticia para os adeptos azuis-e-brancos, e esperamos que a SAD do Futebol Clube do Porto faça o esforço necessário para manter o colombiano na frente de ataque da equipa.

Rematando – e penso que isto é um desejo geral –, gostaria de ver arbitragens menos tendenciosas para os lados da Luz. Este ano tem sido por demais evidente, e não querendo dizer que os árbitros fazem “de propósito”, a verdade é que, consequentemente, o Benfica tem sido beneficiado “em caso de dúvida” (onde dúvidas é raro haver), jogo após jogo. A única partida que me lembro do Benfica ter vencido no campeonato sem casos que objectivamente beneficiaram as águias (mesmo jogos onde golearam) foi o jogo do Dragão. Já são muitos pontos a mais, e que colocam o Benfica numa posição muito duvidosa face ao futebol praticado e aos excessivos “erros” de arbitragem. E a fraca campanha europeia veio confirmar aquilo que aqui escrevo. Mas não quero, nesta quadra natalícia, entrar por ai…

Faltam muitos jogos e quem se sagrar campeão, direi que assim o foi por mérito próprio (como sempre disse): o campeonato é uma maratona e quem joga melhor é justo vencedor.

Que todos tenham as prendas desejadas, em particular o nosso clube!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

E Dickens escreveu…Um Conto do Benfica

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Longe das vaquinhas e dos jumentos, Jesus dorme, mas não em palhas deitado. Descansado e feliz, deixa-se prostrar na sua faustosa cama, vestida e revestida com lençóis de cetim grenás, a fazer lembrar a luxuriosa e apaixonante cor do clube que lhe deu um outro sono. Mais pesado, mais sonhador, mais bonito. Mais tudo. Lá fora passeia-se um recém-chegado Inverno que não dá nem para bater os dentes. Ao contrário de qualquer estória profunda e complexa, não temos sequer chuva para fustigar as janelas. Nem vento. Ironicamente, da mesma forma se vai arrastando o homem (e sua estrutura) que, descansado, ali dorme: sem grande espectáculo, sem deslumbrar e cumprindo os serviços mínimos.

Tumultuosamente e num virar de ombros, julga-se acordado. Desperto. Lúcido. Não sabe ele da missa do galo a metade. Perante si surge um translúcido Luís Filipe Vieira. Se a original versão já dá tremores, imaginem-no vestido de espectro. Enquanto acaricia o farfalhudo bigode, a fazer lembrar aqueles homens muito fortes que levantavam enormes pesos nos espectáculos circenses dos anos 70 e 80, aproveita para pigarrear e pôr ao serviço a sua voz mais grave e assustadora – a mesma com que invade todas as Assembleias Gerais do clube. Diz ele:

– Jorge! Acorda!

– Presidente? Mas o que vem a ser isto?! No Seixal permito-lhe tudo, mas vir a minha casa, a meio da noite, ainda para mais na véspera de Natal…

– Ó homem, cala-te! Tenho algo importante para te dizer e não temos muito tempo. Daqui a umas horas nasce a manhã.

– Mas o que raio o traz aqui?!

– Andaste-te a armar em bom com a lengalenga do Dumas, mas eu bem sei que o teu romancista vitoriano preferido é o Dickens.

– Epá, e então?!

– O que é que os teus filhos te ofereceram à meia-noite?

– Aquele famoso livro dele, Um Conto de Natal. Li-o num instante, antes de adormecer.

– E é exactamente por isso que aqui estou. Hoje sou o teu fantasma de serviço.

– Caraças, mas na versão do Dickens vinha primeiro a aparição do seu sócio, já morto, e depois os três fantasmas: um do passado, outro do presente e…

– Até em sonhos tens a mania que tens razão! O Presidente sou eu e eu é que decido para quantos fantasmas é que há orçamento! Agarra-te bem.

Confuso, mas esperançoso. Assim entrou Jesus na aventura. Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Confuso, mas esperançoso. Assim entrou Jesus na aventura.
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Sem sequer ter tempo para contestar a decisão do seu superior, Jorge Jesus vê-se num estranho vácuo banhado a luzes psicadélicas e sons penetrantes, capazes de enlouquecer qualquer homem. Tonto e sem força nas pernas, deixa-se tombar sobre a humidade que ensopa a mais bonita e misteriosa relva que alguma vez teve o prazer de pisar. Abre os olhos num susto e deixa-se envolver pelo caótico ambiente de um Estádio da Luz aos apupos. À sua frente está um homem moreno, magro, de fraca figura e com os olhos mais distantes que alguma vez havia visto. “Mierda”, murmura o mesmo. Rapidamente percebe que se trata de Quique Flores.

– Lenços brancos? – pergunta Jesus.

– Sim, acabámos de perder contra a Académica, ajudámos a reforçar o segundo lugar do Sporting e estamos a oito pontos do primeiro lugar…

– Do Porto, portanto.

– Sim. Ah, e é a segunda derrota consecutiva em casa. Há menos de um mês perdemos contra o Guimarães.

– Porra, este Quique também era uma besta!

– Era? Ao contrário das épocas em que foste campeão, o tipo conseguiu chegar ao Natal sem uma única derrota e isolado no primeiro lugar. – enquanto o sósia do Estaline falava, a Luz parecia querer vir abaixo a cada passo que os cabisbaixos jogadores encarnados davam para os balneários – O problema veio depois disso. Mal voltámos de férias fomos à Trofa encaixar dois perus. O Porto passou imediatamente para a frente e já se sabia que tal plantel não estava para milagres.

– Se calhar foi cansaço…

– Qual quê! Já tínhamos sido eliminados da Taça de Portugal pelo Leixões e a Liga Europa já tinha ido à vida depois de perdermos contra Metalist, Olympiacos e Galatasaray. E termos empatado contra o Hertha já foi cá uma sorte…

Jesus mostra-se confuso. Não sabe porque está ali. O seu percurso pelo Benfica não é minimamente comparável com o do técnico espanhol. Muito menos são as suas capacidades como treinador. No entanto, incomodava-o saber que há nem seis anos atrás o “seu” clube havia conseguido desperdiçar o que poderia ter sido um campeonato fácil só havendo, para além da competição caseira, Taça da Liga para disputar – único troféu arrecadado, ainda que de vil forma perante um injustiçado Sporting. De forma arrogante e jocosa, e já sem ouvir o infindável monólogo do seu interlocutor, resolve interromper o mesmo:

– Bom, eu tenho mais anos disto do que toda a família do Quique junta. Mais importante ainda, tenho resultados dados. Provados. Mostrados. Este tipo hoje em dia está desempregado enquanto eu sou um dos treinadores mais memoráveis que o Benfica já teve!

– Ah, mas queres falar do Presente? Até dá jeito, porque é para lá que temos de ir!

O técnico voltou a sentir-se rodeado de um sem-número de histórias e memórias até que chegou aos dias de hoje. Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
O técnico voltou a sentir-se rodeado de um sem-número de histórias e memórias até que chegou aos dias de hoje.
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Cabeleira branca para um lado e bigodaça preta para o outro, lá vão técnico e presidente pelo meio de tempestuosas partículas temporais que violentamente os agitam, quais bebés a levarem palmadas nas costas para deitarem cá para fora os resquícios do almoço. A vista turva e o ainda perturbado cérebro não lhe permitem ver para lá de um rebuliço de papéis e post-its. Há-os por todo o lado. Isso e canecas com restos ressequidos de café, caixas de pizza já vazias, latas de Red Bull encarquilhadas e atiradas para e por todo o lado, mas nunca na direcção do único caixote do lixo que ironicamente, e a contrastar com o cubículo onde se encontram, permanece vazio.

– Onde raio estamos? – Jorge Jesus pergunta.

– Bom, na verdade, estamos no mesmo sítio. Passámos foi do relvado para uma das salas de análise técnica. E estamos no Presente, claro! – respondeu de forma peculiarmente bonacheirona o senhor Presidente.

– Estamos tipo em directo?

– Se lhe quiseres chamar assim…

– Então isto existe mesmo? Está mesmo a acontecer neste preciso momento?!

Do nada, e ainda antes de Luís Filipe Vieira lhe conseguir atirar com uma resposta, entram de rompante na sala três cavalheiros já com uma certa idade, visivelmente estafados e com um ar de desânimo superior até às habituais trombas de Domingos Paciência. O mister da Amadora rapidamente os reconhece.

– Caraças! O Raúl, o Quaresma e o Pietra, pá! Eles conseguem ver-nos?

– Pensava que por esta hora já terias percebido a dinâmica da coisa…

– Pois, está bem. Mas que porra fazem eles aqui na madrugada do dia 25?!

– Ai não sabes? Quem é que, em vez de lhes desejar umas Boas Festas, os mandou olhar para todos os 14 jogos feitos até agora no Campeonato?

– Não acredito… – respondeu Jesus claramente envergonhado.

– Acredita, meu caro. Estes três bananas ainda nem a casa foram. O único bacalhau que comeram devia ser de conserva e devem-no às estúpidas invenções da Telepizza. Prendas? Provavelmente mais berros quando cá chegares no dia 26, logo pela manhãzinha.

– Mas eu…

– Mas nada! Nada justifica isto! Nada justifica que três homens com quase 65 anos cada não possam passar o Natal com as suas famílias e que aqui estejam acordados enquanto tu dormes descansado como se nada fosse!

– Presidente, eu…

– Tu? TU és uma vergonha! – irrompe Luís Filipe Vieira a urros – Estes três tipos estão aqui hoje porque TU vais conseguindo a proeza de não jogar um futebol decente quase quatro meses depois do começo do campeonato. Porque TU estás a meio de Dezembro e já conseguiste o enorme feito de sair das competições europeias e de ser eliminado da Taça de Portugal…pelo Braga…em casa! Porque TU, apesar de te ires passeando pelo primeiro lugar, conseguiste, em 14 jornadas, ser abençoado – ou não fosse o teu nome Jesus – pelos árbitros em pelo menos seis desses jogos! E quando digo abençoado quero na realidade dizer beneficiado, principalmente contra o Estoril, o Nacional e até contra a merda do Gil Vicente.

– Eu estou a dar o meu melhor…

– O teu melhor não chega!

Sem poder dizer qualquer outra palavra, Jesus é arrastado por um braço para o seu futuro. Literalmente. Raios, turbilhões cromáticos e guinchos metálicos quase que o fazem desfalecer pela terceira vez. Dá por si em lágrimas. De joelhos. Tal como da última vez, essa no Dragão. Não sabe o que fazer. Não sabe como se levantar. Não sabe sequer se se quer levantar.

E de repente, faltam-lhe as forças... Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
E de repente, faltam-lhe as forças…
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Sem tempo ou paciência para paninhos quentes, o nosso agora-fantasmagórico Orelhas sussurra-lhe as três palavras mais mal intencionadas que já havia dito depois das habituais (e tão mentirosas) “Viva o Benfica”:

– Vê se gostas…

Desta vez, Jorge Jesus abre os olhos e está longe, bem longe, da sua amada e tranquila Luz. Perante si, só azul. E branco. Ainda zonzo consegue, contudo, distinguir o que lhe parece ser o sotaque nortenho. Faz calor e estamos em Maio, na Avenida dos Aliados. Celebra-se o campeonato do Porto e a falsa hegemonia do Benfica. Lá ao fundo distingue-se um clarão vermelho: é uma fogueira. Uma fogueira onde jaz, já quase irreconhecível, a bandeira do Sport Lisboa e Benfica. O sotaque nortenho molda-se a uma só voz e grita, convicto, ritmado, e a plenos pulmões: “E o Jesus…foi co’ caralho! E o Jesus…foi co’ caralho!”.

Luís Filipe Vieira contorna o ainda ajoelhado anti-herói e, mantendo a pose dominante, não se baixa para lhe dizer:

– Percebe o seguinte: assim como neste sonho, eu nunca serei o culpado. Mascarar-me-ei sempre do bonzinho. Do tipo que só quis o melhor para o Benfica. Tu é que levas – oh religiosa metáfora! – a cruz às costas. Eu sou o teu espectro! Neste sonho e na realidade! Tenho-te na mão! Tu és e será aquilo que eu…

Toca o telemóvel. Um despenteado e babado Jorge Jesus acorda a nadar em suor. Já é de manhã. A mesa de cabeceira estremece com a vibração do iPhone. Põe os óculos. Debruça-se sobre o ecrã. “Presidente”, lê-se entre um compassado jogo de luzes.

Jesus respira fundo e, ao olhar em frente, contempla o vazio. Lenta mas decisivamente ignora a chamada. Põe um sorriso nos lábios e, num gesto irracional e que só os homens livres se permitem ter, sussurra para si mesmo: “Feliz Natal e viva o Benfica”.

Enzo Pérez: a saída de um ídolo

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raçaquerer
Chegamos ao final do ano e a preocupação entre os benfiquistas começa a aumentar. Até estamos na liderança do campeonato, separados do segundo lugar por seis pontos, que, embora nada garantam, são uma vantagem confortável para encarar a segunda volta. O grande problema é que, já no primeiro dia de 2015, se abre uma janela de transferências, a qual nos últimos anos tem desfalcado a equipa. É fácil recordarmo-nos das saídas de David Luiz e Matic em janeiro. Os melhores jogadores do plantel são cobiçados pelos grandes clubes europeus, e a Direção nada pode fazer quando estes batem o valor da cláusula de rescisão. É a lei do mais forte.

Mas se no longo mercado de verão existe tempo para o treinador preparar soluções (ou pelos menos era suposto que assim fosse, já que a UEFA decide, incompreensivelmente, prolongar este período de transferências até ao último dia de Agosto, quando a época já leva quase um mês), agora Jorge Jesus e a Direção do Benfica terão muitas dificuldades em trazer para Lisboa um jogador com as características de Enzo Pérez, cuja saída parece já acordada com o Valência a troco de cerca de 25 milhões de euros. Médios box-to-box, capazes de fazer a ligação entre defesa e ataque, que ajudem nas tarefas defensivas e, ao mesmo tempo, se envolvam na construção do processo ofensivo, por vezes marcando golos, são raros, ainda mais quando o jogador a substituir tem a qualidade técnica, a consciência tática e a entrega ao jogo que o argentino sempre demonstrou quando vestiu a camisola encarnada. As conversações entre Benfica e Estudiantes para a contratação de Joaquín Correa, segundo a imprensa, têm estado a correr bem. Se forem bem sucedidas, o argentino pode constituir uma opção de qualidade para Jorge Jesus, numa altura em que se mantém a incerteza em relação aos regressos de Fejsa e Rúben Amorim.

Enzo Pérez impulsionava o ataque encarnado Fonte: Facebook do Benfica
Enzo Pérez impulsionava o ataque encarnado
Fonte: Facebook do Benfica

O interesse dos espanhóis em Enzo já é antigo. Os olheiros do Valência acompanharam as prestações do médio na época passada, em que este se revelou fundamental ao ajudar o Benfica a ganhar todos os títulos em Portugal e a chegar à final da Liga Europa. A última barreira – o dinheiro – deixou de constituir um problema quando o milionário asiático Peter Lim comprou o clube, em Maio, através de um fundo de investimento. A mudança de Enzo Pérez só não se concretizou no Verão devido à falta de entendimento entre o magnata e a banca espanhola, com o objetivo de reestruturar a dívida do clube.

Contratado em Junho de 2011 aos argentinos dos Estudiantes de La Plata, Enzo não convenceu Jorge Jesus a mantê-lo no plantel, pelo que, no início de 2012, regressou ao seu país, de onde, disse publicamente, já não quer sair. Contudo, a saída de Witsel levou o treinador encarnado a fazê-lo voltar a Portugal, onde, para colmatar a ausência do belga, passou a alinhar no centro do meio-campo, em vez de jogar como extremo-direito, como era habitual. A temporada 2012/2013 foi marcada pela afirmação do argentino na Luz, onde ganhou o estatuto de titular. Tanto para ele como para o resto da equipa, esta seria uma época ingrata, uma vez que, apesar do esforço, o Benfica não conquistou nenhum troféu.

Já no último ano, em que os encarnados conquistaram quase todos os títulos possíveis (ainda hoje não conformo com a derrota em Itália na final da Liga Europa, onde fomos bastante superiores ao Sevilha), Enzo Pérez evoluiu ainda mais e tornou-se num atleta essencial no atual Benfica (foi, aliás, eleito “melhor jogador do campeonato”). Sem ele, dá a sensação de que a equipa fica mais frágil, menos ágil, mais exposta quando defende, menos agressiva quando ataca. De Enzo, de cada vez que entra em campo, podemos esperar suor, raça, ambição. Habituámo-nos a vê-lo disputar cada lance, a lutar por cada bola como se o jogo fosse acabar naquele momento, a resistir até ao limite da sua capacidade física para o sucesso da equipa, a dar indicações aos colegas quando era necessário, a entregar tudo o que tinha em nome da camisola. É por tudo isto e muito mais qualidades, que o curto espaço deste artigo não permite referir, que o argentino se tornou uma referência, o mais aplaudido pelos adeptos, o jogador que, por mais diferenças que houvesse entre os benfiquistas, estava sempre no “onze inicial”. Com o símbolo do maior clube do mundo na camisola, conquistou um campeonato nacional, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça. Deixará saudades à nação benfiquista, não tenho dúvidas, onde é visto como um “ídolo”. Enzo sai mas fica a certeza de que não há jogadores insubstituíveis, como o Benfica tem vindo a provar. Assim, só nos resta lamentar a perda e unir forças para que, em Maio, o Marquês se possa voltar a encher.

Estadia curta no primeiro lugar

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cab futebol feminino

A poucos dias do ano novo, o Clube Futebol Benfica tinha apenas um objectivo: terminar 2014 com uma vitória e, assim, manter a liderança que havia adquirido na jornada anterior. No entanto, a sorte não sorriu à equipa lisboeta… e o Ouriense aproveitou.

Ao deslocar-se até às Caldas da Rainha, a formação de Pedro Bouças sabia que iria encontrar um adversário difícil, que procurava manter-se no topo da tabela em busca de um lugar que dê acesso à Fase Final do Campeonato Nacional.

Numa primeira parte pouco inspirada da parte do A-dos Francos, o Fofó não conseguiu aproveitar as ocasiões de que dispôs para abrir o marcador. Falta de eficácia – com alguma falta de sorte à mistura – é o adjectivo que pode definir as jogadoras da capital portuguesa nos primeiros 45 minutos.

E como quem não marca sofre, a segunda parte foi totalmente diferente, pelo menos no que diz respeito ao resultado. Mais organizada, a equipa das Caldas conseguiu finalmente incomodar as redes defendidas por Elsa Santos. No entanto, foi apenas aquando da entrada de Yara Ferreira que o jogo sofreu uma reviravolta praticamente inesperada. Bastou tocar pela primeira vez na bola para, contra a maré do jogo, colocar o A-dos-Francos em vantagem. Aproveitando a instabilidade psicológica vivida no seio do Clube Futebol Benfica, 7 minutos depois e a cerca de 20 do final do encontro, a equipa da casa voltou a marcar. Um balde de água fria para uma das principais candidatas ao título que, mesmo a jogar contra 10 nos últimos 10 minutos da partida, não conseguiu aproveitar a superioridade numérica. O jogo terminou então com uma vitória por 2-0 do A-dos-Francos, que soube travar a qualidade acima da média da equipa de Benfica.

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O olhar atento das atletas de Lisboa não chegou para impedir a eficácia do A-dos-Francos. Fonte: Facebook do Clube Futebol Benfica Feminino

Mas enquanto uns “choram” a derrota, outros aproveitam o deslize para assaltar o primeiro lugar. Em Ourém, as actuais campeãs nacionais receberam o Boavista que, para mim, tem sido a grande desilusão do campeonato, apresentando-se no penúltimo lugar da tabela. A missão do Ouriense revelava-se assim teoricamente mais fácil.

Dito e feito, a formação de Marco Ramos conseguiu vencer as axadrezadas com um resultado folgado (4-1) e voltar à posição a que se tem habituado nos últimos anos.

Ainda assim, a tarefa não se adivinha nada fácil até ao final da época: o Clube Atlético Ouriense e o Clube Futebol Benfica prometem uma disputa intensa até ao fim, sempre perseguidos pela equipa de Valadares que também garantiu mais três pontos este fim-de-semana.

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Conseguirá o Ouriense, pela terceira vez, dar uma alegria aos habitantes de Ourém?
Fonte: Facebook do Ouriense Futebol Feminino

 

Todas as fotos foram retiradas do Facebook do CF Benfica