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Moreirense FC 1-1 FC Porto: O título cada vez mais longe

A CRÓNICA: FALTA DE EFICACIA PREJUDICA FC PORTO

No penúltimo jogo da 29.ª jornada do campeonato português o FC Porto deslocou-se ao Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas para defrontar o Moreirense FC. Depois da vitória do líder do campeonato em Braga, os dragões teriam obrigatoriamente de vencer o jogo para continuar a pressionar o Sporting CP.

Já para o Moreirense FC seria a oportunidade de aproveitar a perda de pontos do Vitória SC e distanciar-se do Santa Clara que também perdeu pontos nesta jornada.

O jogo começou com a equipa de Moreira de Cónegos a tentar pressionar a saída de bola dos dragões e aproveitar as costas dos defesas laterais azuis e brancos, habitualmente subidos no meio-campo contrário. No entanto, esta pressão foi facilmente anulada pela equipa portista e a partir dos 15 minutos os caseiros já estavam a ter muitas dificuldades para chegar à baliza de Marchesín.

Aos 34’ o Moreirense FC aproveitou uma perda de bola pelos avançados portistas e lançou um contra-ataque muito perigoso, com Rafael Martins a lançar para o golo apenas parado por uma grande defesa de Marche para canto. Após o canto batido, Uribe cortou de novo para canto. Neste, numa jogada de laboratório, Ferraresi isolou-se na área portista e marcou golo ao minuto 37.

Até ao apito para o descanso, o FC Porto continuou a pressionar a saída de bola do adversário, sem conseguir chegar com perigo real à baliza de Pasinato.

Os segundos 45′ começaram com uma grande oportunidade para os dragões – Taremi na cara de Pasinato não foi conseguiu finalizar para dentro da baliza. O FC Porto entrou com grande intensidade para o jogo e, desta vez, foi Sérgio Oliveira com um livre lateral que criou perigo, mas Pasinato voltou a voar e impediu o golo da igualdade dos azuis e brancos.

De novo o perigo por parte dos dragões, desta vez o poste foi inimigo dos portistas, numa jogada de insistência Mbemba cruza para o centro da área e Marega acerta na barra. No contra-ataque tantas vezes utilizado pelo Moreirense, Pepe corta a bola com a mão punido com cartão amarelo, que o impede de jogar no próximo jogo.

O domínio do FC Porto era claro, no entanto a defesa do Moreirense FC ia conseguindo anular todas as tentativas dos dragões, que com as substituições feitas jogava com uma grande densidade ofensiva.

Aos 76’, após um passe falhado de Pepe, Uribe escorrega, André Luis recebe a bola, finta o guarda-redes do FC Porto, mas Uribe compensa o erro anterior e corta a bola quase em cima da linha do golo.

Os dez minutos finais da partida foram marcados por uma grande avalanche ofensiva dos dragões. Aos 86’ foi marcada uma grande penalidade para os visitantes com Rosic a chegar tarde ao lance que acabou por derrubar Toni Martinez. Na conversão dos 11 metros, Taremi finaliza para dentro das redes, empatando o jogo perto do fim.

Com a chegada aos 90’, o árbitro Hugo Miguel concedeu mais cinco minutos de compensação, e aos 93’ Toni Martinez marcou com um grande cabeceamento, mas o VAR negou o golo por fora de jogo do avançado espanhol.

Com o marcador a assinar o empate por um golo, o FC Porto vê o Sporting a fugir na pontuação e o bicampeonato mais longe.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Mateus Pasinato – O guarda-redes do Moreirense FC foi um muro perante todas as investidas dos dragões, impedindo, no início dos segundos 45′, que os portistas chegassem mais cedo ao golo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

A equipa do FC Porto – Os portistas mostraram uma grande incapacidade de criar perigo à defesa bem orientada dos discípulos de Vasco Seabra, os ataques portistas eram sempre bem anulados pelos defesas do Moreirense FC.

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

A jogar num 4-4-2, desde cedo foi evidente que Vasco Seabra preparou o jogo com a intenção de atacar as costas dos defesas portistas com muitos passes longos para os espaços entre os defesas.

Rafael Martins e Soares como homens da frente teriam como missão procurar espaços e aproveitar os erros da equipa portista.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (8)

Ferraresi (7)

Rosic (6)

Abdoulaye (6)

Abdu (6)

Walterson (6)

Fábio Pacheco (6)

David Simão (6)

Matheus Yan (6)

Rafael Martins (7)

Filipe Soares (7)

SUBS UTILIZADOS

Alex Soares (5)

Franco (5)

D’Alberto (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Com o habitual 4-4-2, Sérgio Conceição optou, desde cedo, numa pressão alta na saída de bola do Moreirense, com Nanu e Manafá sempre muito subidos na defesa, o jogo do azuis e branco passou pela abertura nas alas para conseguir chegar à baliza.

No ataque, Taremi, Marega, Otávio e Corona procuraram sempre encontrar espaço nas costas dos defesas, os dois médios alas optaram por procurar em diversas ocasiões o jogo interior, contudo, sem efeito, devido ao pouco espaço existente entre os médios e os defesas adversários. Os dois avançados raramente tiveram hipóteses de criar perigo.

Com os segundos 45′, os dragões trouxeram para campo uma grande intensidade atacante. As substituições mostraram isso mesmo, a procura pelo golo foi o lema. Com a entrada de jogadores que pudessem desequilibrar como Díaz e Conceição, a equipa tentou sempre entrar na área do adversário e criar perigo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

Nanu (5)

Mbemba (6)

Pepe (6)

Manafá (5)

Sérgio Oliveira (6)

Uribe (7)

Otávio (6)

Tecatito Corona (6)

Marega (5)

Taremi (6)

SUBS UTILIZADOS

Luis Díaz (6)

Toni Martinez (6)

Francisco Conceição (6)

Fábio Vieira (6)

Grujic (6)

SL Benfica 2-1 CD Santa Clara: O banco mexeu com o sistema

A CRÓNICA: «UMA EQUIPA. DOIS SISTEMAS», SERÁ QUE FUNCIONA ALGUM?

Não sou de envolver política no desporto (apesar de estar bem enraizada no mesmo), mas as declarações de Jorge Jesus fez-me lembrar o slogan que se aplica à China (“Um país. Dois sistemas”). O caso do SL Benfica a situação é muito semelhante, contudo, ao invés de ser um sistema económico era um sistema tática. A dúvida da antevisão (a dos três centrais) foi desfeita e também a surpresa de Daniel Ramos era revelada – como se de um chocolate de uma marca da qual todos conhecem… não posso fazer publicidade.

“Uma equipa. Dois sistemas” passou inevitavelmente a ser o slogan encarnado. Também é inegável que o Santa Clara viajou de uma ilha. Ora as evidências estão em cima da mesa e a comparação de hoje, infelizmente política, olharemos para a China e para Taiwan. O jogo estava muito morno e sem nada a acontecer, além do atrevimento açoriano. Faltava algo ao jogo… claro está! Um golo.

Depois de nada ter sido feito para que o Benfica pudesse chegar sequer com perigo à baliza de Marco, houve um golo encarnado. Ninguém conseguiu travar Everton cruzou e foi Carlos Jr. a faturar… na própria baliza. 1-0 aos 26 minutos. O sistema podia nem funcionar em jogo jogado, mas a verdade é que os encarnados iam vencendo. Enfim, coincidências. Não fosse o falhanço inacreditável de Seferovic o resultado podia ser outro, mas manteve-se o resultado ao intervalo.

Na segunda parte, os açorianos tinham entrado mais interventivos e com vontade de esclarecer o resultado que ia permanecendo. Aos 60 minutos, a formação encarnada quase ia dando frutos para… o Santa Clara. Rafael Ramos ia marcando um golaço se não fosse Helton Leite. Porém, o guarda-redes brasileiro do Benfica não teve grandes hipóteses. A insistência deu frutos para os açorianos que fizessem o golo, aos 62 minutos. Lincoln teve bem no corte, Cryzan cruzou atrasado e Anderson Carvalho empatou. Um sistema a colapsar? Continuemos…

Na primeira vez em que realmente tudo correu bem com o trabalho dos laterais, Rafa progrediu bem no terreno e passou a Diogo Gonçalves. O lateral encarnado acompanhou a subida e fez um belo passe atrasado para Chiquinho encostar para a baliza. O sistema pode até não ser muito produtivo, mas era eficaz. Um jogo que contou pelo resultado e não pela exibição. O SL Benfica está a dez pontos do líder da Primeira Liga, Sporting CP, e os açorianos ficam com muitas dificuldades para chegar aos tão ambicionados lugares europeus.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Lincoln – Teve uma tarefa complicada aquela que foi confiada ao número dez dos açorianos e esteve ao nível daquilo que foi pedido. O facto de ter de variar de posição em grande parte do jogo trouxe muitos benefícios para si e para a própria equipa. Aliás, é ele quem tem a insistência para o golo solitário do Santa Clara. Foi peça importante para muitas ações que os açorianos tiveram ofensivamente.

O FORA DE JOGO
Seferovic SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Haris Seferovic – Com as oportunidades claras (porque também foram poucas aquelas que o Benfica criou), tinha de ter saído com os dois golos das oportunidades que teve. Deslumbrou-se do facto de ter marcado um grande golo a jornada passada? Foi um jogador sem grande reação e participou pouco nos processos da equipa. Parece ser um jogador que varia entre o “goleador” e o “vacilo man“.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus não tinha descortinado qual podia ser a tática inicial dos encarnados, mas ao que parece o técnico português quis continuar a aposta nos três centrais. O Benfica apresentou um 3-5-2, o que já começa a ser um novo normal por parte da equipa. Apenas de registar duas alterações no onze inicial em relação à última partida: a entrada de Julian Weigl e de Everton e as consequentes saídas de Gabriel e Adel Taarabt.

Dificuldades dos comandados de Jorge Jesus em conseguir com que os processos ofensivos fossem concretizados. A culpa podia, e devia, ser atribuída aos dois lados, visto que parecia que nada saía bem ao SL Benfica e os açorianos vinham com a lição bem estudada. Pouco jogo interior foi feito por parte das águias que exploravam muito mais as laterais.

As dificuldades continuaram a existir na segunda parte, mas o relaxar dos açorianos na partida levou a que mais vezes os laterais conseguissem ter espaço para cruzar. Foi pelo lado de Diogo Gonçalves que o golo da vitória encarnada, um dos pouco movimentos que resultou com os laterais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (6)

Lucas Veríssimo (5)

Jan Vertonghen (5)

Nicolas Otamendi (5)

Alex Grimaldo (5)

Diogo Gonçalves (5)

Julian Weigl (5)

Pizzi (6)

Everton (6)

Rafa Silva (5)

Haris Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Chiquinho (7)

Darwin Nuñéz (5)

Gilberto (5)

Pedrinho (-)

Luca Waldschmidt (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Os açorianos vieram à capital para jogar igual a si próprios, tal como Daniel Ramos já tinha dito na antevisão à partida. A verdade é que o 4-3-3 do Santa Clara voltou a ser a aposta por parte do técnico da formação de São Miguel. João Afonso acabou por ocupar o lugar no centro da defesa depois de Fábio Cardoso não conseguir prestar contributo à sua equipa devido à acumulação de amarelos.

Apesar de existir uma grande vontade de vontade de manter a imagem natural do Santa Clara, Daniel Ramos prometeu uns pequenos pormenores. Quando se defendia a formação dos Açores trocavam de posições Allano e Lincoln. O número sete ficava responsável pelo lado esquerdo da defesa na ajuda ao lateral Mansur, enquanto que o número dez ajudava na pressão à construção dos encarnados. Nesta situação em específico, o Santa Clara ficava num 5-2-3 enquanto que em ações defensivas o mesmo 4-3-3.

Lincoln e Allano deram uma dupla interessante principalmente a nível atacante em que o Lincoln baixava e arrastava o último central do lado esquerdo e Allano aparecia totalmente sozinho no mesmo lado. Na segunda parte, os açorianos pressionaram mais alto no campo e conseguiram recuperar muitas bolas em zona subida do terreno, uma delas até conseguiu concretizá-la em golo. O relaxar defensivo levou a que sofressem o segundo golo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco (5)

Rafael Ramos (6)

João Afonso (5)

Mikel Villanueva (5)

Mansur (5)

Hide Morita (6)

Anderson Carvalho (6)

Lincoln (7)

Allano (6)

Cryzan (5)

Carlos Jr. (4)

SUBS UTILIZADOS

Rui Costa (5)

Costinha (5)

Jean Patric (-)

Ukra (-)

Nené (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus. 

CD Santa Clara

BnR: O Allano ficou responsável de ajudar mais no lado direito enquanto que o Lincoln ficava na frente com Carlos Jr e Cryzan. Era este o pequeno pormenor defensivo que falava na antevisão e se esta mudança também tinha uma ideia ofensiva estudado nesta alteração?

Daniel Ramos: Sim, embora já o tenhamos feito ao longo do campeonato. É preciso perceber que há nuances defensivas que nos permitem ficar equilibrados. Há diferença entre defender com uma linha de cinco e outra de defender com quatro e estando com os laterais projetados. Com este sistema do SL Benfica que apresentou hoje [com os três centrais] decidimos arriscar com este sistema tático. Já há bastante tempo atrás temos feito isto com equipas que têm apostado com três defesas e com constroem desta forma. Foi muito mérito nosso a forma como contrariámos o Benfica. Eu nunca vi o Benfica a atrasar tanto a bola para trás como vi durante este jogo. Por isso, tivemos muito mérito e houve essa articulação [entre o médio e o extremo], mas também defendemos o corredor esquerdo, com o Rafael Ramos, Morita e o Anderson, e direto da mesma forma. Já fizemos durante muitas vezes durante este campeonato isto e tivemos grande qualidade.

Tribuna VIP: Ripa na Rapaqueca, Sporting!

Ontem foi dia de jogo, muito importante, para o Sporting Clube de Portugal, e confesso que me senti acompanhado do saudoso Leão Jorge Perestrelo.

No primeiro toque na bola ouvi a sua voz inconfundível a gritar “Ripa na Rapaqueca, Sporting!”. Não faço a menor ideia do que quer dizer, mas “Ripa na Rapa” é poderoso e faz qualquer pessoa sentir-se invencível!  

E, ao minuto 13, Porro correu e centrou para a grande área, Paulinho desviou de cabeça mas Pote chegou atrasado! 

À táctica de Carvalhal, de colocar os seus três avançados a pressionar em cima dos três defesas centrais do Sporting, o Sporting respondia com um contra-ataque rápido e muito focado na capacidade individual dos seus atletas.

Com as linhas próximas, para conquistar rapidamente a bola aos atletas do Sporting e não deixar espaço, nem tempo, para estes saírem em ataque organizado, o SC Braga foi assumindo o controlo do jogo. Ao minuto 14, Abel Ruiz, isolado frente ao guarda-redes, fintou Adán, mas o lance foi rápido demais e perdeu-se.

Ao minuto 10, Gonçalo Inácio levou o primeiro amarelo. Agarrou pelas costas um jogador do Braga e Artur Soares Dias não hesitou. Ao minuto 17, em lance similar, Artur Soares Dias replicou o cartão, deixando o Sporting com menos um jogador. Até àquele momento o Sporting tinha no total duas faltas, dois cartões amarelos e o respectivo vermelho. Ainda na semana passada ouvi Vítor Pereira a referir-se a Soares Dias como um árbitro que está mais “maduro”… Confesso que até concordo, pois tudo naquele profissional da arbitragem demonstra que de “verde” não tem nada!

Nesse momento Ruben Amorim batia palmas e eu dizia “está ganho!”.

E o resto da primeira parte foi um assistir do recital por parte de Adán e Coates. Do alto dos seus 1,96m, o “patrão” Coates cortava tudo, de cabeça e com os pés. “Aqui não passarás!”, parecia dizer Coates aos atletas do Braga. E Adán, primeiro ao minuto 37, fez uma grande defesa a um cabeceamento de Fransérgio e, logo no minuto seguinte, parou um remate perigoso de Galeno ao 1.º poste. 

Uma palavra de destaque também para Pote. Que todo-o-terreno incrível! Esteve em todo o lado. Em 63 minutos de jogo correu 7,6 km! 

Do lado do Braga sou um admirador confesso de Galeno e Abel Ruiz. São claramente jogadores diferenciados. Fransérgio trabalha muito, sendo um verdadeiro pulmão da equipa.

Apito! Intervalo. E agora?

Como ia o Sporting reagir ao facto de ter menos um jogador? Na primeira parte a solução foi baixar o Nuno Mendes para manter a linha de três defesas. Tudo o resto permaneceu “inalterável”. 

E o Braga? Como ia reagir ao facto de ter mais um atleta, mas não conseguir transformar isso numa vantagem no marcador? 

Rúben Amorim disse “presente” e fez duas alterações. Nuno Santos e Paulinho deram lugar a Matheus Nunes e Luís Neto.

A linha de três defesas estava novamente completa, com mais um defesa central. Nuno Mendes passou ao lugar onde iniciou o encontro. Pote foi assumir um papel mais “livre” e mais avançado. Matheus Nunes foi lançado para criar desequilíbrios nas alas, numa aposta clara de reforço no contra-ataque.

Carlos Carvalhal decidiu apostar na táctica “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e nada fez.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ao minuto 61 voltei a ouvir as palavras de Jorge Perestrelo, mas agora na voz de António Salvador: “Essa até eu marco com a minha barriguinha!”. Galeno tentou o golo, com um bom cabeceamento, mas Adán fez uma defesa sensacional.

Ao minuto 63 a nação Verde e Branca estremeceu, Pote saia do jogo… “O Pote não”, ouvíamos os “deuses” gritarem! Sim, saiu entrando Tiago Tomás. E João Mário também, entrando Matheus Reis.

Nesse momento recordei as palavras de Rúben Amorim: “Não vou mudar. Se acredito numa coisa, vou continuar até ao fim”! É isso mesmo, Rúben, pensei eu, carácter e personalidade! Adoro! Onde tu fores eu vou, Mister!

Numa 2.ª parte de pior qualidade, Coates e Adán continuavam imperiais.

Ao minuto 67 Carvalhal demonstrou que estava a assistir ao jogo. Castro e Gaitán saem, para entrar Al Musrati e André Horta, para os mesmos lugares. Ainda bem que Al Musrati só entrou quase aos 70 minutos. Que jogador! André Horta entrou com uma “agressividade” que, confesso, até a mim me assustou, e eu estava a assistir pela TV. 

E aos 78 minutos voltou a tentar “mexer” no jogo. Ricardo Horta e Sequeira foram os eleitos para sair, com Piazon e Borja a entrarem, exactamente, para os mesmos lugares. A intenção era, novamente, refrescar os atletas em campo.

E que resultado teve esse “refrescar”. Passados dois minutos, Porro marca uma falta, desmarca Matheus Nunes, este aparece isolado e, com um remate cruzado, fez o 0-1!

Parecia um “déjà vu”!  Pedreira, Braga – Sporting, mesma baliza, mesmo lado, livre/desmarcação, remate cruzado, golo, vitória. Mas, se da primeira vez foi Porro que marcou, desta deu a marcar a Matheus Nunes. E se da primeira vez foi Gonçalo Inácio que fez um excelente passe para Porro, desta vez, tendo sido expulso ao minuto 17, dizem que foi a sua “alma” que entrou no Matheus, desferindo aquele remate fatal.

E o grande Jorge Perestrelo voltou a fazer-se ouvir na minha sala! A sua voz pujante, marcante e apaixonada, gritava, como o tinha feito em 2005, na meia-final da Taça UEFA contra o AZ Alkmaar, no golo de Miguel Garcia, “Golo, golo, golo, (…), golo… Eu te amo, eu te amo, Sporting, eu te amo, Sporting… Que bonito é…

E a partir daí o relevante foram as duas substituições. Aos 83 minutos Galeno deu o lugar a Rui Fonte. Um regresso aos relvados, após uma lesão grave, que saúdo. E aos 90 minutos a entrada de Plata para o lugar do lesionado Nuno Mendes.

Cinco minutos de compensação e apito final!

Aquelas palavras de Jorge Perestrelo não me saíam da cabeça! E nunca irão sair, pois, ainda hoje, choro quando as ouço, como também choro de saber que aquelas palavras apaixonadas foram o seu último relato, o seu último golo, pois partiu no dia seguinte! Ao Jorge Perestrelo dedico esta vitória, pois este Amor incondicional é eterno!

Nota do autor: No final do jogo um grupo de Leões (e uma Leoa) foram até à porta da casa da minha companheira, onde eu estava, e começaram a gritar Sporting, Sporting, Sporting! Eram vizinhos. Já nos tínhamos visto de passagem mas nunca tínhamos conversado. Fui à porta e acedi ao seu convite para tomarmos um café. “Nós sabíamos que estava aqui pois vimos o seu carro!”. Maravilha! O meu velhinho de 20 anos afinal dá nas vistas! Que felicidade ia naquela casa! E foram momentos onde a alegria e a boa disposição reinou! Eles merecem, Vocês merecem, Nós merecemos! Por muito que estes dirigentes do Sporting (e seus comentadores) ainda não tenham percebido, somos todos Sportinguistas!

Texto da autoria de Bruno de Carvalho,
antigo Presidente do Sporting Clube de Portugal

Estará a evolução tática do futebol a “tapar” o aparecimento de jogadores criativos?

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Há umas semanas, Pablo Aimar proferiu algumas palavras bastante importantes para muitos profissionais de futebol, principalmente os que trabalham com jovens, poderem refletir e repensar a forma como desenvolvem jovens talentos: “Não gosto que digam que não existem jogadores criativos, sobretudo depois de fazerem 800 treinos automatizados. É muito provável que não haja jogadores criativos se tudo for automático e se dissermos a um miúdo de 15 anos que sabe driblar para não o fazer se perder a bola duas ou três vezes. Nessa idade vão perdê-la duas, três, cinco ou dez vezes. Compreendo a preocupação com o jogo posicional, atacar os espaços. Mas acredito que os treinadores têm de ter em conta essa suposta ou real falta de criatividade. Muitas vezes as defesas são desbloqueadas por um criativo, um drible ou passe que inventa algo diferente quando tudo é monótono”. Perante esta declaração, uma questão se levanta: estará a evolução tática do futebol e o gosto pelo jogo posicional a tapar a evolução e o aparecimento de jogadores jovens criativos?

A minha resposta é sim. Penso que os treinadores, principalmente os de formação, nos últimos anos, têm restringido a criatividade de vários jogadores mais “arrogantes e irreverentes”, subjugando-os a muito trabalho “estratégico” e também defensivo, e isto tem-se revelado na falta de aparecimento de jovens jogadores criativos e na estagnação de vários belos jogadores no futebol europeu, como é o exemplo de João Félix. Logo, o problema não me parece ser só na formação, mas também no futebol sénior, em que se premeia muito mais o trabalho sem bola do que aquilo que um “mágico” jogador pode fazer com bola.

Um interessante tema que se também tem abordado muito entre os românticos do futebol é a falta de um típico “número 10”, como o próprio Pablo Aimar, Riquelme e o mítico Maradona. Além de ser um tema bastante importante, é claramente um facto inegável. O número 10 como o conhecíamos, irreverente, mágico, inteligente, que nos faz sorrir e levantar-nos do sofá ou da cadeira do estádio, que valha a pena o preço do bilhete, seja ele qual for. A realidade é que posso contar pelos dedos das mãos os jogadores que me entusiasmam realmente ver jogar e isso explica muito o estado rotineiro e aborrecido em que entrou o futebol, o que se reflete na qualidade dos jogos e dos espetáculos. Nas últimas épocas, quantos jogos podemos dizer que foram lendários? Quantos jogos nos prenderam ao ecrã durante os 90 minutos? A verdade é que, tirando os adeptos dos estádios, pouco mais resta ao espetáculo.

É importante começar a valorizar e priorizar o talento natural e a irreverência dos jogadores. Caso contrário, o futebol vai-se tornar num jogo de estratégia em que a preparação do jogo será a parte mais importante do espetáculo, o que afastará muita gente das bancadas e dos relvados, principalmente os mais jovens.

ATP 250 Belgrado | Chegou ao fim o «jejum» de Matteo Berrettini

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Foi em Belgrado, capital da Sérvia, que se jogou o derradeiro torneio ATP 250 que antecedeu o nosso Estoril Open. O “Novack Ténis Center” foi palco para uma competição que já não “via a luz do dia” desde 2012, sendo que o último nome a ter triunfado no torneio balcânico havia sido o italiano Andreas Seppi. Foi portanto com muita espectativa que se deu este retorno à “nata” do ténis mundial no fantástico complexo que conta com 14 courts , sendo que uma dezena são no “pó de tijolo”, superfície que foi utilizada para a prova, com os restantes em piso rápido  que funcionam como uma espécie de courts de treino.

A competição, após muito tempo sem se realizar, apresentava um elenco de grande nível! A encabeçar a lista de inscritos figurava o nome do número um mundial Novack Djokovic, grande ídolo local, irmão de Djordje , diretor do evento, sendo o grande favorito a arrecadar o troféu que já havia conquistado em três ocasiões. No entanto não seria o único a partir com aspirações a tal: Matteo Berrettini, segundo pré-designado e número 10 da hierarquia individual masculina era outro nome a ter em conta apesar de disputar somente o segundo torneio, após a conclusão do Open da Austrália. Como terceiro cabeça-de-série tínhamos o surpreendente russo, Aslan Karatsev que em menos de um ano passou de um perfeito desconhecido a membro do Top trinta mundial. A fechar o lote de quatro grandes favoritos a poderem arrecadar o troféu, num torneio que se jogava sem publico e com juízes de linha em court, algo que nem sempre se tem verificado por conta da pandemia, estava mais um dos muitos sérvios contemplados com o convite para participar no torneio, Dusan Lajovic, membro do Top 40 mundial e número dois sérvio após o rei Djoko.

Quanto à participação portuguesa estava entregue a João Sousa, número 105 mundial, que já havia ultrapassado a primeira ronda da fase de qualificação, como já aqui lhe demos conta.

JOÃO SOUSA COM SEGUNDA CHANCE, TERMINA AFASTADO

O tenista de Guimarães defrontou na ronda de acesso ao quadro principal QP, o francês Arthur Rinderknech que estava na posição 128 do ranking. Contudo o gaulês revelou-se sempre mais esclarecido e acima de tudo muito mais tranquilo e confiante, batendo o lusitano em 1h41m, pelos sets diretos de 7-5 e 6-4.

Apesar de ter cedido no encontro de acesso ao torneio propriamente dito e quando já estava de malas aviadas para viajar para solo pátrio, onde tem entrada direta assegurada no único evento luso a figurar na alta roda do ténis mundial, o Estoril Open, foi informado que fruto da desistência do especialista do piso, o uruguaio Pablo Cuevas, teria uma segunda oportunidade. Chance essa que seria disputada frente a outro competidor nas mesmas circunstâncias, o nipónico Taro Daniel, que militava no posto 126 do ranking. O melhor tenista Português de todos os tempos parecia bem encaminhado para atingir pelo menos os 1/8 de final, até porque Daniel não contava com resultados de monta em quadros principais de há dois anos para cá. Tudo parecia estar a correr a seu favor, visto que o vimaranense se adiantara para 4-2 e dispunha de oportunidade para dilatar essa margem. Só que voltou-se a ver um João Sousa muito hesitante, frustrado  e sem capacidade física de aguentar as jogadas mais longas de fundo do court . Por outro lado, o asiático extremamente calmo e bastante “sólido” contrariou o favoritismo do lusitano fechando um primeiro parcial, no qual havia estado atrás com duas quebras de serviço de desvantagem, por 7-5. Já com o coração a levar a melhor face à razão o atleta que reside em Barcelona cederia o seu serviço logo de entrada, sendo que esse break prevaleceria, infelizmente, até ao final de um duelo que ainda foi interrompido pela chuva, com o marcador a assinalar um segundo parcial de 5-2 favorável ao tenista japonês. No reatamento , Sousa ainda conquistou o seu jogo de serviço, contudo já seria tarde demais, visto que Daniel fechou mesmo a contenda em pouco mais de 1h30m, com a segunda partida a ficar resolvida pelo parcial de 6-3.

Finalizada esta participação o vimaranense concentra agora todas as atenções numa prova que conquistou em 2018 e que todos esperam que funcione como um “boost” de confiança, pois todos desejamos que Sousa volte aos lugares cimeiros do ranking, sendo que em casa poderá aproveitar para retomar as boas sensações.

Super Rugby Aotearoa: Estão encontrados os finalistas

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Estão confirmados os dois finalistas do Super Rugby Aotearoa: Crusaders e Chiefs somaram vitórias importantes, garantindo, deste modo, um lugar no derradeiro encontro da competição. De acrescentar que, mesmo com uma jornada por realizar, os Crusaders não perderão o primeiro lugar, o que significa que a franquia de Christchurch jogará a final em sua casa.

Já em campo, Chiefs e Hurricanes foram os primeiros a jogar nesta penúltima jornada do torneio. À semelhança das semanas anteriores, os Chiefs garantiram mais uma vitória já para lá dos oitenta minutos, através de um pontapé aos postes de Damian McKenzie.

Apesar do domínio imposto em termos territoriais, os Chiefs mostraram diversas dificuldades em gerir o jogo, muito graças às múltiplas oportunidades desperdiçadas a escassos metros da linha de meta adversária. Por outro lado, os Hurricanes foram altamente eficazes, ao tirar partido das poucas visitas que fizeram à área de 22 metros contrária.

Não obstante o não aproveitamento das oportunidades criadas, os Chiefs conseguiram meter a linha defensiva dos Canes sob pressão, colocando velocidade na reciclagem da bola e largura no seu jogo. Além do mais, o pack dos Chiefs dominou por completo os Hurricanes na formação ordenada, capítulo do jogo que se afigurou fulcral, na medida em que foi através desta fase estática que surgiu a penalidade que deu a vitória à equipa da casa.

Já no segundo jogo da jornada, os Crusaders venceram os Blues por expressivos 29-6. Independentemente do resultado, os Blues realizaram uma boa exibição, penalizada por muitos erros não forçados, sobretudo de manuseamento e utilização da bola em zonas privilegiadas do campo.

Os Blues conseguiram dominar a formação ordenada nos primeiros quarenta minutos e disputaram o breakdown de forma astuta, tendo em Dalton Papali’i e Blake Gibson as suas principais armas neste último aspeto. Ainda assim, de pouco ou nada serviram as catorze penalidades cometidas pelos Crusaders.

Do outro lado, os Crusaders tiveram em David Havili uma peça fundamental no seu jogo, visto que assumiu, muitas vezes, o papel de first receiver e a verdade é que desempenhou a função de playmaker de forma irrepreensível, quer à mão, quer ao pé, tal como se viu nos ensaios de Sevu Reece e de Will Jordan. Esta capacidade de decidir do centro, aliada à capacidade de explosão de Richie Moúnga e de Will Jordan no ataque à linha da vantagem renderam muitos pontos à franquia visitada.

Ao contrário do sucedido com os Crusaders, a linha de três quartos dos Blues teve muitas dificuldades em assumir o jogo e em imprimir velocidade e profundidade ao seu rugby. As melhores exibições dos Blues vieram do pack avançado, com destaque para Hoskins Sotutu e Dalton Papali’i.

Por último, Tupou Vaa’i e David Havili foram, na minha opinião, os jogadores da jornada. O segunda linha dos Chiefs conquistou dois turnovers, entre os quais a recuperação de bola que permitiu aos Chiefs continuar a lutar pela vitória. Já o centro dos Crusaders, realizou três assistências, assumindo o papel de primeiro recetor, função que desempenhou com distinção.

Foto de Capa: Super Rugby NZ

A subida de João Mário no terreno | Sporting CP

Durante grande parte da época, como bem sabemos, João Mário fez dupla com João Palhinha no miolo leonino. No entanto, já foi opção, numa espécie de “plano b” de Rúben Amorim, a atuar numa posição mais avançada no terreno, um médio ofensivo que procura ligar o meio-campo ao ataque.

Esta aposta de Rúben Amorim em João Mário, a jogar como médio ofensivo, não surpreende. Recordando o trio de médios de Marco Silva, em 2014/15, entre William Carvalho, João Mário e Adrien Silva, o ex-Inter era o que tinha mais tarefas ofensivas e, apesar de, supostamente, atuar lado a lado com Adrien, João Mário era o que mais vezes subia no terreno, chegando até várias vezes a descair para uma das faixas. Depois, no Inter, das poucas vezes que jogou, também era o médio centro que mais participava na manobra ofensiva da equipa. Posto isto, é natural que Amorim aposte no português em terrenos ligeiramente mais adiantados.

Para a posição de médio ofensivo, no 3-5-2 de Amorim, João Mário tem uma concorrência feroz, visto que luta pela posição com Pedro Gonçalves e Daniel Bragança. São três jogadores com muitas qualidades e, independentemente da escolha, os leões estarão bem servidos. Na minha opinião, João Mário, não é, nem de perto nem de longe, um jogador de “esticões”, já não tem a velocidade que teve outrora (e, mesmo assim, nunca foi um jogador muito veloz), por isso, não é o mais indicado para explorar a profundidade ou para jogar naquela posição contra equipas em que o Sporting CP saiba que não terá tanta bola.

João Mário tem sido presença assídua no onze leonino
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Posto isto, aquilo que João Mário pode trazer à equipa numa posição mais avançada é uma melhor qualidade de passe e da posse da bola, com mais qualidade nas decisões, mais visão de jogo e, apesar de saber que existem muitas opiniões contraditórias à minha, João Mário chega bem a zonas de finalização, é um jogador inteligente que se sabe posicionar bem e a bola acaba por lhe chegar em zonas que pedem remate (como se viu no jogo frente ao SC Farense, onde teve três ocasiões propicias à finalização). Depois, se finaliza bem ou não, isso já é outra história.

Para além disso, João Mário, caso seja necessário criar superioridade no corredor, também descai bem para as faixas, como foi visto no 4-4-2 de Jorge Jesus e de Fernando Santos, no Sporting e na seleção, respetivamente, em que o português ocupou a posição de médio direito, onde jogava bastante em zonas interiores, dando superioridade ao meio campo e espaço para o ala subir.

Por fim, contra equipas de bloco baixo, que estejam muito fechadas, João Mário pode ser muito importante a jogar naquela posição de médio centro mais avançado. Com mais bola no pé, pode pautar ainda mais o jogo leonino, tem capacidade para arriscar no passe e pode fazer uma sociedade muito interessante com Paulinho e Pote, ou quaisquer que sejam os avançados que joguem.

SL Benfica x CD Santa Clara | Águias em voo cruzado

Primeira Liga, Jornada 29: segunda-feira, 19h, 26 de abril de 2021

ANTEVISÃO: DUAS ÁGUIAS QUE AINDA VOAM COM OBJETIVOS

SL Benfica, terceiro classificado, e CD Santa Clara, sétimo na tabela, procuram uma vitória para, na pior das hipóteses, manterem os lugares que ocupam. Os de Lisboa ainda visam o segundo posto – de que distam seis pontos -, que daria acesso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que o terceiro já abre as portas das pré-eliminatórias da prova milionária.

AS ÁGUIAS QUEREM MANTER A PRESSÃO NOS ADVERSÁRIOS E RECEBEM UMA DAS EQUIPAS QUE MAIS TEM SURPREENDIDO NESTA TEMPORADA! SERÁ QUE VENCEM? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Por seu turno, os açorianos buscam ainda ultrapassar o Vitória SC e garantir o sexto posto – têm menos dois pontos do que os vimaranenses. A sexta posição garante a segunda pré-eliminatória da edição inaugural da Conference League. No entanto, será importante para a turma insular a manutenção do sétimo lugar, caso não almeje a posição acima, uma vez que a presença de SL Benfica e SC Braga na final da Taça de Portugal vão mexer com as qualificações via campeonato para as provas da UEFA.

Quando águias de Lisboa e águias de Ponta Delgada se cruzarem em pleno voo, quem vai levar a melhor?

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Os insulares procuram na Luz o terceiro confronto direto consecutivo com o SL Benfica sem perder – vêm de uma vitória por 4-3, em Lisboa, e de um empate a uma bola no Estádio de São Miguel.
  2. No entanto, a vitória na jornada 28 do campeonato transato é mesmo a única do lado açoriano na história de confrontos entre os dois emblemas – nove vitórias do SL Benfica e dois empates, nos restantes onze embates.
  3. Na corrente edição da Primeira Liga, os açorianos têm o triplo das derrotas dos lisboetas (12 para quatro).
  4. Nas suas últimas três partidas, o CD Santa Clara conheceu os três possíveis resultados – derrotou o CD Nacional por 5-1, perdeu em Guimarães por 1-0 e cedeu um empate sem golos ante o Moreirense FC.
  5. O CD Santa Clara saiu derrotado de metade das deslocações para a Primeira Liga – sete em catorze. Importa referir, no entanto, que seis das sete derrotas fora dos Açores foram pela margem mínima – apenas em Tondela, os de Ponta Delgada perderam por mais de um golo de diferença (2-0).
  6. Nos últimos cinco jogos na condição de visitante, o CD Santa Clara venceu um e perdeu quatro. Em sentido contrário, nos últimos cinco encontros na condição de visitado, o SL Benfica venceu quatro e perdeu um.
  7. Os pupilos de Jorge Jesus têm cinco vitórias para a Liga nas últimas seis jornadas. Os de Daniel Ramos registaram igual número de triunfos nas últimas… treze partidas da Primeira Liga.
  8. Os quatro benfiquistas mais utilizados na frente de ataque têm 36 tentos apontados na Liga – Seferovic (18), Darwin (6), Waldschmidt (7) e Rafa (5) -, mais três do que toda a equipa açoriana.
  9. Em doze confrontos históricos, onze tiveram golos e em seis houve golos de ambas as equipas, incluindo nas últimas quatro partidas.

10. Em casa e para a Primeira Liga, o SL Benfica marcou mais de dois golos em apenas uma partida (frente ao SC Farense, vitória por 3-2); fora de casa e para a Liga, registo igual do CD Santa Clara – apenas na Choupana fez mais de dois golos, ao bater o CD Nacional por 3-1.

JOGADORES A TER EM CONTA

Diogo Gonçalves tem estado em bom plano pelo SL Benfica
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Diogo Gonçalves (SL Benfica) – O extremo-direito tornado lateral pelo mesmo lado tem feito uma época em crescendo e tem vindo a adquirir uma importância muito grande nas dinâmicas defensivas e ofensivas da equipa de Jorge Jesus. As suas incursões pelo corredor, as suas paralelas em busca de Rafa e os seus passes teleguiados para Seferovic são fundamentais para os da Luz. Na Primeira Liga, leva já quatro assistências e um golo.

 

Carlos Júnior é a ameaça maior para o SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Carlos Júnior (CD Santa Clara) – O ponta-de-lança brasileiro tem sido uma das figuras de proa dos açorianos e, apesar de não ter marcado nas duas últimas jornadas (nem ele, nem os colegas), já soma nove tentos na Primeira Liga – e um na Taça de Portugal. Antes das duas jornadas de seca, Carlos Júnior vinha de duas partidas a faturar e é, de momento, o sétimo melhor marcador da Liga a par de Rodrigo Pinho.

 

XI´S PROVÁVEIS

SL Benfica: Helton; Diogo Gonçalves, Lucas Veríssimo, Otamendi, Vertonghen, Grimaldo; Weigl, Pizzi; Rafa, Darwin, Seferovic.

Treinador: Jorge Jesus

“[O CD Santa Clara] é um dos melhores [adversários], está a fazer um campeonato excelente e está ainda a disputar uma possibilidade de poder entrar nos cinco a seis primeiros classificados. É um adversário que já deu sinais de que não é fácil de vencer. Joga bem, com uma boa ideia de jogo, bem trabalhada e isso são tudo indicadores de que teremos um jogo difícil”.

 

CD Santa Clara: Marco Pereira; Rafael Ramos, Mikel Villanueva, João Afonso, Mansur; Morita, Anderson Carvalho, Lincoln, Allano, Rui Costa; Carlos Júnior.

Treinador: Daniel Ramos

“O Benfica é uma equipa de top mundial, mas encaramos este jogo da mesma forma como fizemos com os demais, ou seja, estão três pontos em disputa e vamos lutar por eles. Temos essa ambição que nos é legítima”.

 

PREVISÃO DE RESULTADO: SL Benfica 2–1 CD Santa Clara

 

A Liga Portuguesa no Século XXI | A afirmação da bipolarização

A cumprir a 20ª época disputada por inteiro no século XXI, fazemos uma retrospetiva da Primeira Liga portuguesa. Este artigo foca-se no campeonato desde a temporada 2001/02 até à atualidade. No fundo, trata-se de uma análise opinativa sobre o futebol disputado em solo luso nas últimas temporadas, com recurso a dados estatísticos. Alguns são factos de extrema relevância, que exprimem por inteiro o estado do “desporto-rei” no nosso país, outros são simples curiosidades que complementam o nosso universo futebolístico.

Desde 2001/2002, 38 diferentes equipas pisaram os relvados do principal escalão do futebol português, fazendo a distinção entre CF “Os Belenenses” e B SAD. Até aos dias de hoje, a competição já sofreu algumas alterações. Uma das mais importantes foi a implementação dos três pontos por vitória, que está em vigor desde a temporada 1995/96. Ou seja, todas as edições da Primeira Liga que analisamos neste artigo estão de acordo com este sistema de pontuação. Outra diferença que surgiu foi o número de equipas no campeonato. Até à época 2005/06, era disputado entre 18 equipas, tal como nos dias de hoje. Mas desde 2006/07, o número de emblemas foi reduzido a 16, até 2014/15, regressando ao modelo em vigor até à atualidade.

Como no futebol o expoente máximo de felicidade encontra-se nas vitórias, falemos primeiro acerca dos títulos. O emblema que mais vezes se tornou campeão nacional na história da Primeira Liga é o SL Benfica, com 37 troféus amealhados. Mas se nos focarmos apenas nas últimas 19 temporadas, excluindo a presente visto que ainda decorre, o FC Porto lidera com larga vantagem.

Os “azuis e brancos” conquistaram 11 campeonatos, contra sete do SL Benfica, e apenas um vencido pelo Sporting CP. Ou seja, apenas os “Três Grandes” se sagraram campeões nacionais, não havendo grandes surpresas, como por exemplo na época anterior ao começo da nossa retrospetiva, em 2000/01, com o Boavista FC a conquistar o título. Mas indubitavelmente, o grande destaque vai para FC Porto e SL Benfica, que dominam o nosso futebol no presente século, e inclusivamente ambos celebraram tetracampeonatos recentemente. O emblema portuense desde 2006 a 2009, e a formação da capital desde 2014 a 2017.

Como já vimos, o único clube a intrometer-se na hegemonia de “Dragões” e “Águias” foi o Sporting CP, na temporada 2001/2002. Curiosamente, os “Leões” estão em boa posição para vencer o tão aguardado troféu 19 temporadas depois, voltando a poder “intrometer-se” na lista de campeões nacionais.


Neste período de tempo há um clube que muitos já consideram que se tornou a quarta força clubística do país, pelos seus feitos conquistados nos últimos anos. Apesar de não ter vencido o título de campeão nacional, estabeleceu-se como um candidato ao pódio, e presença assídua nas competições europeias. Estamos a falar de SC Braga, o emblema minhoto que, a par dos “Três Grandes” e CS Marítimo, não falhou uma única temporada na Primeira Liga no século XXI.

Relativamente a pódios, se excluirmos os “Três Grandes” e SC Braga, apenas Boavista FC, Vitória SC e FC Paços de Ferreira conseguiram integrar este grupo, ainda que em raras ocasiões. Refletindo apenas na luta pelo título, a diversidade de clubes escasseia, havendo competitividade entre poucos emblemas. Olhando para a parte inferior da tabela classificativa, o campeonato é sempre empolgante até à derradeira jornada. Aí encontramos um maior equilíbrio entre as equipas, onde todos podem sair vencedores.

No panorama internacional, a segunda década do século não foi a melhor para as formações lusas. Por exemplo, na presente temporada, o FC Porto alcançou os quartos de final da Liga dos Campeões, algo que já é bastante positivo tendo em conta as adversidades do futebol português em comparação com as grandes ligas europeias, como a inglesa ou espanhola. Mas se recuarmos alguns anos, o passado é mais risonho. Nos últimos 20 anos, o FC Porto venceu uma edição da Liga dos Campeões, e duas Ligas Europa. Sporting CP, SL Benfica e SC Braga chegaram à final da Liga Europa, sendo que os minhotos foram derrotados pelos “Dragões”.

Desde 2001/2002 foram 20 temporadas, incluindo a atual, recheadas de grandes equipas e atletas que alinharam nos relvados nacionais. A qualidade da maioria dos clubes tem vindo a aumentar gradualmente, contribuindo para a cada vez maior profissionalização do futebol luso. Apesar das grandes polémicas “extrafutebolísticas” que assombram o desporto rei no panorama português, resta-nos apreciar o verdadeiro desporto dentro das quatro linhas. Um desporto que está repleto de qualidade, e é tantas vezes ofuscado por assuntos externos que nada ajudam o nosso futebol.

As 5 equipas que mais desiludiram nesta temporada

Estamos na reta final da época 2020/21. Por isso mesmo está na altura de se olhar em retrospetiva o que se passou dentro das quatro linhas, o exercício que aqui me proponho a fazer é o de enumerar as cinco equipas que mais me desiludiram, que por uma razão ou várias – que talvez até possa desconhecer – nunca conseguiram afirmar o potencial que lhes apontavam. Tomei a liberdade de escolher conjuntos de ligas diferentes, de forma a abranger várias realidades.