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A arte da remontada

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milnovezeroseis

Caro leitor,

O Desporto é, desde os primórdios da Humanidade, uma arte nobre. De Atenas até hoje, milhares de pessoas vibram com a espectacularidade proporcionada pelo atletismo, pelo ciclismo ou pelo desporto-rei. Criado em Cambridge, o originalmente denominado football, não foge à regra, sendo causa de paixões escaldantes e de vitórias apaixonantes.

As famosas remontadas, termo espanhol utilizado quando uma equipa consegue virar o resultado de um jogo de negativo para positivo, são um exemplo do quão incerto e fabuloso pode ser o futebol. Grandes jogos, como o Portugal-Coreia em 1966 ou o Liverpool-AC Milan a contar para a final da Liga dos Campeões em 2005, são partidas que, dificilmente, saíram da memórias dos adeptos do desporto-rei devido à cambalhota que o resultado final, em ambos os jogos, sofreu.

Qualquer equipa com garra de campeã tem de possuir o discernimento necessário para protagonizar uma remontada. A capacidade de luta tem de estar no ADN de cada equipa vencedora. Os Magriços do Mundial de ’66 e o Liverpool de Rafa Benitez demonstram-na veementemente quando protagonizaram as já referidas reviravoltas.

Neste sentido, o Sporting têm seguido caminho idêntico. Até agora os leões já conseguiram virar três jogos a seu favor. A mudança – para melhor – da turma de Alvalade é também reflectida em pequenos aspectos como este. A primeira das remontadas dos pupilos de Leonardo Jardim deu-se, prontamente, na primeira jornada do Campeonato, frente ao Arouca. Após um golo de Bruno Amaro, o Sporting partiu em busca da reviravolta no resultado que acabaria por alcançar com primor, assinalando o placard final uns clarividentes 5-1 a favor dos leões.

A segunda cambalhota no encontro rubricada pelo Sporting deu-se no jogo que opôs o clube de Lisboa aos insulares do Marítimo. Esta já contou com o rosto leonino das reviravoltas no resultado – Islam Slimani. À semelhança do que aconteceu ontem, em jogo contra o Arouca, vítima de duas remontadas leoninas, o argelino foi pedra angular na equipa do Sporting. O melhor jogador argelino do ano transacto é, definitivamente, alguém talhado para resolver jogos. Com Montero a apresentar-se uns furos abaixo do que seria expectável, Slimani tem sido aquele jogador letal preponderante nas grandes equipas.

Efectivamente, o Sporting, que é de Portugal, tem em sua posse os condimentos necessários para escrever uma página bonita da sua história. As três remontadas rubricadas até agora são um exemplo do suor que a equipa deixa em campo. Como cantava José Afonso que “venham mais cinco”!

Benfica 2-0 Marítimo: Benfica sem Matic…consegue ganhar na mesma

Terceiro Anel

Perante mais de 34 mil espectadores no Estádio da Luz, o Benfica somou a quarta vitória consecutiva no campeonato depois de derrotar o Marítimo por 2-0. Um triunfo indiscutível dos encarnados, triunfo esse que se começou a consolidar com uma boa primeira parte, em que o Benfica dominou por completo.

Com excelentes movimentações atacantes e com uma forte pressão sobre os jogadores da formação madeirense, o Benfica desde cedo mostrou que queria decidir, o quanto antes, a partida. E para esse dinamismo ofensivo em muito contribuíram Gaitán, que esta tarde realizou uma excelente exibição, e Rodrigo, que de facto está a atravessar um momento de forma esplendoroso. Um Rodrigo que nos traz à memória aquele avançado hispano-brasileiro que fez miséria durante grande parte da temporada 2011/2012, até se lesionar em São Petersburgo frente ao Zenit. Com dois golos, aos 18 e 35 minutos de jogo, o jovem dianteiro acabou por tranquilizar todo o estádio, numa partida em que, diga-se de passagem, nunca se sentiu que o Marítimo pudesse causar grandes estragos.

E quando a equipa insular chegou perto da baliza do Benfica, eis que surgiu Oblak, um guarda-redes bastante confiante e seguro, que definitivamente pegou de estaca no onze inicial de Jorge Jesus. De facto, será muito complicado para Artur Moraes regressar à titularidade no Benfica, ainda para mais quando se viu, no jogo da passada quarta-feira a contar para a Taça da Liga, que o guardião brasileiro se encontra com uma quase total ausência de confiança.

E o Benfica sem Matic? Como se comportou? Conseguiu ganhar a batalha do meio-campo? Conseguiu atacar? Não foi dominado? Não, claro que não. Sim, é verdade que o Benfica não defrontou – com todo o respeito pelo Marítimo – o Barcelona ou o Bayern de Munique, mas parece-me claro que, para consumo interno, existem todas as condições para os comandados de Jorge Jesus poderem lutar com todas as forças pelo título. Fejsa, como já se tinha percebido há muito tempo, é um jogador de recepção e passe de pronto, nunca entrando em grandes aventuras. É dono de um excelente sentido posicional, o que faz com que recupere inúmeras bolas. E, de facto, na partida de hoje viu-se isso, com o internacional sérvio a rubricar uma boa actuação. E depois, já se sabe, há um Enzo Pérez muito fiável, que raramente compromete e que é um autêntico motor. O perigo poderá advir de uma eventual lesão ou castigo do médio argentino, o que, a acontecer, acabará por limitar o leque de escolhas de Jorge Jesus. Rúben Amorim é um excelente centro-campista e estando bem fisicamente é uma opção bastante válida para o Benfica, sendo que depois temos os casos de André Gomes (Jorge Jesus lá voltou a colocá-lo para jogar os três últimos minutos de jogo, o que na minha opinião é escusado) e André Almeida, um futebolista outrora importante para o Benfica, mas que agora é quase um caso de estudo no plantel encarnado, tal é a forma como desapareceu.

Em suma, o Benfica deu uma boa resposta a todas as dúvidas que foram surgindo ao longo da semana, depois da saída de Matic e depois das declarações, no mínimo infelizes, de Jorge Jesus. O internacional sérvio Nemanja Matic é um jogador soberbo, que muito deu ao Benfica, mas o clube da Luz tem de ser superior a estas saídas. Como tal, e até porque penso que continua a ter o melhor plantel do futebol português, o Benfica tem todas as possibilidades de alcançar o título nacional. Esta tarde, no Estádio da Luz, o Sport Lisboa e Benfica provou que continua firme na corrida por esse objectivo.

Jogadores que Admiro #11 – Pablo Aimar

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Um simples texto é pouco para explicar a minha adoração pelo jogador desta semana. Adoração essa que é partilhada, curiosamente, pelo Maradona dos tempos modernos – o Messi. Pablo César Aimar Giordano tem sido a minha paixão futebolística nos últimos 13 anos. 13 anos… Nem me tinha apercebido disso antes de começar a escrever. Esta minha pancada com o jogador argentino remonta ao ano de 2001, em que eu, com apenas seis aninhos, recebi um jogo de computador denominado “Championship Manager 2000-2001”. Neste simulador de futebol, em que o utilizador é treinador, o jogador que eu mais gostava de comprar era o Pablito. Isto pode parecer completamente irrelevante mas não é. Porque a partir do momento em que saiu o jogo e eu conheci o jogador, nunca mais o perdi de vista. Passei a ver jogos do Valência e a torcer pelo clube só e apenas porque lá jogava o argentino, e ainda bem que o fiz. Tive o prazer, assim como muitos outros, de assistir em primeira mão à classe e ao brilhantismo de um dos melhores números 10 argentinos de todos os tempos.

“El Payaso”, como era chamado na sua terra natal, rejeitou o ingresso na faculdade de medicina para seguir carreira de futebolista, e ainda bem. Saiu do River com apenas 21 anos, rumo à Europa, já com 82 jogos nas pernas a nível profissional e 22 golos, todos pela equipa principal do River. Os seus conterrâneos apelidavam-no de “El Payaso” porque Aimar tinha, a par de Ronaldinho, por exemplo, o vício de sorrir durante quase toda a partida, especialmente após fazer alguma “maldade” a um jogador da equipa adversária. Chega à Europa pela mão do Valência por 24 milhões e, embora se duvidasse do retorno desportivo do investimento do clube Che, Aimar rapidamente dissolveu qualquer tipo de dúvidas, ajudando o clube a vencer o primeiro campeonato em mais de 30 anos. Pode-se dizer que os tempos áureos do jogador foram, de facto, no Valência, onde conquistou o campeonato por duas vezes – em 2001-2002 e em 2003-2004 -, a taça Uefa em 2003-2004, a supertaça europeia em 2004, e perdeu uma final da Liga dos Campeões nos penaltis contra o Bayern em 2000-2001. Benitez, treinador do clube Valenciano na altura, chegou a dizer que preferia ter Aimar a Ronaldinho na equipa. Maradona, por sua vez, garantiu que Aimar era dos poucos jogadores que pagava para ver jogar. O futebol perfumado do pequeno génio fez com que ganhasse o respeito e o carinho dos adeptos do clube, que chegaram até a inventar um cântico para o camisa 21 que ecoava no Mestalla semana sim, semana não.

O camisola 21 do Valência / Fonte: tfcbrasil.forumh.net
O camisola 21 do Valência
Fonte: tfcbrasil.forumh.net

Em 2006 ruma ao Zaragoza, que, apesar de ter um projecto interessante, com alguns jogadores de qualidade, não conseguiu resultados satisfatórios, chegando, até, a descer de divisão na época de 2007-2008. Sempre fustigado por lesões, Aimar vê-se forçado a repensar o seu futuro, e é aí que aparece Rui Costa e o Benfica. Numa entrevista concedida à Benfica TV, Aimar recorda que já tinha mais ou menos delineado o seu futuro antes de conhecer Rui Costa. Contudo, com a proposta do Benfica e com o aliciamento do “Maestro”, Aimar considera a proposta dos encarnados e decide envergar a antiga camisola do internacional português. Com esta história toda quem é que é o benfiquista mais feliz? Eu. Tive, então, a felicidade de poder ver o meu ídolo… no meu clube. Querem melhor conjugação de cenários? Gabo-me de que, quando vivia a cerca de 180 kms do Estádio da Luz, sempre que vinha ver um jogo do Benfica o Aimar marcava. Parecia que sentia que eu estava no estádio; chegou a dizer que o Estádio da Luz tinha qualquer coisa. Se calhar essa qualquer coisa era eu. Um benfiquista, português, babado pela magia que se apresentava na forma de toques subtis que parecia que só Aimar sabia fazer. De “El Payaso” passou a “El Mago” e a segunda alcunha fez jus à carreira dele; além das inegáveis qualidades futebolísticas, as humanas não ficavam atrás. Sempre sereno, muitíssimo humilde, um senhor dentro e fora de campo. De palhaço, o jogador de Río Cuarto não tem nada.

Líder isolado

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cab futsal

A equipa leonina terminou o ano de 2013 na 2ª posição do Campeonato Nacional de Futsal a 2 pontos do líder Benfica, mas o ano de 2014 não podia ter começado de maneira melhor para a equipa verde e branca e de maneira pior para a equipa encarnada.

O Sporting venceu as duas primeiras jornadas de 2014 (5-4 aos Leões de Porto Salvo e 4-0 ao Dramático de Cascais) e aproveitou os maus resultados do Benfica (em 6 pontos possíveis conquistou apenas 1). Quem aproveitou também a perda de pontos do Benfica foi o Braga, que tem vindo a apresentar um belíssimo futsal, estando a 2 pontos do líder Sporting e com 1 ponto de vantagem do Benfica.

www.zerozero.pt
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Devido à deslocação do Sporting a Paris para defrontar o Sporting de Paris, o jogo com o Dramático de Cascais foi adiado para a passada quarta-feira.

Tive a oportunidade de me deslocar ao Pavilhão do Dramático de Cascais, onde assisti a um jogo bem disputado por ambas as equipas.

O Sporting era claramente favorito. Logo aos 4 minutos inaugurou o marcador por intermédio de Pedro Cary, mas o Cascais reagiu e teve boas oportunidades para marcar e poderia mesmo ter marcado, caso João Benedito não estivesse ao mais alto nível como é costume nas suas exibições.

A apenas 1 minuto de o jogo ir para intervalo, Alex marcou um golo extremamente importante para a equipa leonina devido a uma falha defensiva que ditou uma superioridade numérica.

A 1ª parte terminou e o Sporting foi para o intervalo a vencer por 2-0. Na minha opinião, era um resultado injusto devido ao bom jogo da equipa da casa, com inúmeras oportunidades de golo, face a um jogo pobre do Sporting, com pouquíssimas oportunidades de golo.

A 2ª parte começou e o Sporting entrou da mesma maneira: apático, a defender mal e a não praticar o seu habitual jogo, enquanto que o Cascais entrou da mesma forma – à procura do golo.

A equipa leonina causou uma oportunidade clara de golo apenas ao minuto 7 da 2ª parte, mostrando com clareza o mau jogo que vinha a fazer. A equipa do Cascais continuou a causar perigo e respondeu à oportunidade do Sporting com uma bola ao poste.

O árbitro da partida assinalou de forma errada duas faltas contra a equipa da casa, prejudicando-a claramente.

No minuto 14, Deo fez o 3-0 resultante de uma bela jogada de entendimento da equipa leonina, mostrando que ao apresentar o seu melhor nível faz golo de forma fácil.

O Cascais, mesmo a perder por 3-0, continuou a fazer o seu trabalho e a procurar insistentemente o golo mas a falta de sorte perseguiu a equipa outra vez.

A 3 minutos do final da partida, a equipa do Cascais arriscou tudo e optou pelo guarda-redes avançado para tentar marcar o tão merecido golo, todavia a sorte voltou a não sorrir à equipa da casa e, através de uma perda de bola, o Sporting chega ao 4-0 por intermédio de Caio Japa, que rematou sem qualquer oposição.

O jogo terminou e o Sporting venceu por 4-0.

Não queria terminar sem destacar a boa exibição dos dois guarda-redes, tendo sido a do guarda-redes da equipa da casa um pouco ingrata. O jogador nº10 e o jogador nº7 são jogadores a seguir, pois fizeram uma boa exibição, apresentando um bom poder de finta e remate de meia distância.

Assim, a equipa leonina isola-se na liderança da liga. Fica na memória um bom jogo da equipa do Cascais, que merecia, pelo menos, ter marcado um golo, não merecendo uma derrota tão significativa.

Reafirmo que o Sporting, embora vencedor, fez um fraco jogo.

Confiança míope

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dosaliadosaodragao

O FC Porto chega ao final da 1ª volta e à viragem do campeonato no 3º lugar com 3 e 1 pontos de desvantagem face a Benfica e Sporting, respectivamente. Porém, para Paulo Fonseca nenhum destes factos abala a sua imensa confiança na revalidação do título. Estou certo de que em qualquer actividade a que nos dediquemos devemos ser dedicados, empenhados e confiantes. Mas devemos ser também racionais.

E, olhando para este FC Porto, racionalidade é palavra que não consigo empregar. A confiança do treinador do tri-campeão nacional choca estrondosamente com a desconfiança (precisamente) que as gentes portistas sentem em relação ao mesmo. E basta recuar ao último Benfica-Porto para o perceber: quando nada o fazia prever e depois de exibições bem conseguidas por parte de Maicon, Fonseca fez Otamendi regressar ao onze portista. Longe de mim encarar o jogo como uma soma de individualidades mas é indesmentível que o argentino voltou a estar mal e a ser muito mais um problema do que (um)a solução (vide a origem do primeiro golo do Benfica). Aliás, Otamendi é o paradigma deste actual FC Porto: uma equipa outrora segura de si, focada, autoritária, concentrada, ‘mandona’; hoje vemos um Dragão sem chama, apático, desconcentrado e com processos confusos (ou mesmo indecifráveis). Ora, o Clássico foi a prova evidente disto mesmo – o Benfica, muito longe de fazer um grande jogo, conseguiu ser superior a um FC Porto amorfo, sem ideias, sem rasgo e que deu a sensação de ter desistido ainda antes de ter lutado. E que irónico que chega a ser: um FC Porto a léguas de distância daquele que Vítor Pereira havia montado (com os defeitos que também tinha) e que soube silenciar a Luz em outras ocasiões.

“Tenho uma confiança cega de que vamos ser campeões”, Paulo Fonseca / Fonte: Impala
“Tenho uma confiança cega de que vamos ser campeões”, Paulo Fonseca / Fonte: Impala

A par deste diagnóstico simplista do último Benfica-FC Porto, Paulo Fonseca acumula handicaps: da teimosa implementação do seu modelo de jogo, caracterizado por um pensamento redutor e receoso (mas que nem sequer tem resultados práticos, já que o conjunto azul e branco defende mal) que não serve a uma equipa como o FC Porto, que deixa a equipa estendida e desprotegida, com os sectores afastados entre si e com jogadores a funcionar como verdadeiras ilhas (Jackson, Lucho e, mais recentemente, Carlos Eduardo são as vitimas neste ponto), à impunidade que cultivou aquando da premiação de inúmeros erros individuais com a permanência no onze (Otamendi agora e antes, Mangala, Josué, etc) até – e sobretudo – à falta de empatia que gerou nos associados com um discurso descolado da realidade (esta semana atingiu-se o expoente máximo no que toca a esse ponto) e que faz os portistas olhar para Fonseca sem se identificarem com aquele que, em última instância, deveria ser o símbolo-mor da equipa.

Todavia, e apesar de todas estas circunstâncias que conduziram o FC Porto até este lugar menos habitual, não encaro a saída de Fonseca como a solução ideal. Ou mesmo desejável. Desde logo, por um mero facto estatístico: nunca o FC Porto se sagrou campeão numa época em que, no seu decurso, tenha trocado de treinador. Por outro lado, porque acredito genuinamente que Paulo Fonseca tem valor – aliás, só assim se explica o verdadeiro milagre que operou em Paços de Ferreira.

Agora, óbvio é que a minha confiança, ao contrário da do treinador do FC Porto, está muito longe de ser inequívoca. Acredito que, como nos filmes, tudo acabará bem… Mas mais porque, olhando para esta equipa, só a vejo com capacidade de crescer. Possibilitando (eventualmente) a saída de alguns descontentes durante este mês de Janeiro, resolvendo os equívocos tácticos (para além da óbvia discussão do modelo de meio-campo, o que importa verdadeiramente é que este seja mais dinâmico e intenso, em 1-2 ou 2-1 ou 0-3!) e entregando o lugar a quem verdadeiramente o merece (Maicon tem de ser titular, Quaresma será importante, Quintero, Kelvin e Ghilas terão de ser considerados e aproveitados de melhor forma), o FC Porto assumir-se-á – até porque a História recente assim o exige – como o mais forte candidato. Talvez daqui a uns meses, quando a equipa já tiver encarrilado (assim o desejo!), a minha confiança esteja no mesmo estádio que a que o treinador do FC Porto fez questão de manifestar e qualificar: cega. Mas, por ora, é míope.

Jackson Martinez. Um espelho do que foi o FC Porto no Clássico da Luz / Fonte: MaisFutebol
Jackson Martinez. Um espelho do que foi o FC Porto no Clássico da Luz / Fonte: MaisFutebol

Mais Miopia
Ainda sobre o Clássico, e mesmo não sendo partidário da crítica (constante e desproporcional) que é feita ao sector da arbitragem tão-só de forma a camuflar insucessos desportivos, não poderia deixar de dar uma nota sobre esse tema.

Na realidade, se a arbitragem é uma arte, Artur Soares Dias revelou-se um artista. Não vi nenhum portista a justificar a má exibição e o resultado da Luz com a prestação do árbitro; porém, é indesmentível que o FC Porto acabou por ser prejudicado no Clássico do último Domingo. Enumerando: para além do incontestável penalty cometido por Mangala (e não assinalado), Soares Dias e a sua equipa erraram ao não assinalar uma falta clara de Garay sobre Quaresma dentro da área (penalty, obviamente), erraram igualmente ao interromper o jogo quando Jackson seguia isolado para a baliza encarnada com claras hipóteses de fazer golo (num lance em que Danilo viu o seu primeiro cartão amarelo) e voltaram a errar no momento em que expulsaram o lateral direito do FC Porto quando este foi tocado por Garay dentro da área – certo que não seria grande penalidade mas jamais poderia ser considerado simulação (e se fosse essa a interpretação, Siqueira, na jogada seguinte, acabaria por mergulhar sem merecer qualquer advertência!). Talvez aqui a miopia se tenha mesclado com pitadas de astigmatismo … De qualquer forma, bem se sabe que, posteriormente, quando Pinto da Costa espirra, o país (futebolísticos) constipa-se.

Arouca 1-2 Sporting: Não se jogou futebol mas o Sporting ganhou

Escolhi díficil. O fácil é de todos

Dizia Luís Freitas Lobo, e muito bem, que durante um campeonato existem diversos tipos de jogos. Na teoria, os jogos com o Arouca seriam dos mais fáceis que os grandes encontrariam. Na prática não foi bem assim. As condições climatéricas e o estado do relvado podem equilibrar – e hoje equilibraram – as balanças e, assim sendo, um jogo que se expectava mais fácil deixou de o ser. Seja em que circunstâncias for, os jogos valem todos três pontos e, por isso, não há uns mais importantes que outros. O Sporting superou um super desafio, ao vencer por 1-2 a equipa de Pedro Emanuel.

O início do encontro foi complicado. O Sporting demorou a entender que estava obrigado a adaptar as linhas por que costuma reger o seu futebol, e até alterar o chip já se encontrava em desvantagem. O Arouca entrou muito forte – tal como já havia feito em Alvalade, na 1ª jornada – e chegou à vantagem por Bruno Amaro, que também tinha marcado na 1ª volta. Leonardo Jardim entendeu que não podia continuar a insistir no passe curto e transmitiu essa evidência aos jogadores, que, optando pelo futebol mais directo, foram ganhando algum espaço. Wilson Eduardo, que se encontrava no flanco direito, como é usual, foi colocado mais ao centro para perto de Montero, de forma a ter possibilidades de ganhar a 2ª bola nos confrontos directos, o que seria impossível se Montero permanecesse sozinho no meio dos centrais adversários.

Mas nem assim o rumo do jogo se inverteu. Marcos Rojo empatou o encontro na sequência de um canto e com um excelente cabeceamento (2ª jogo consecutivo a marcar, depois de o ter feito frente ao Marítimo para a Taça da Liga), contudo o Arouca não baixou os braços e permaneceu com uma atitude guerreira que ia gerando muitos problemas ao conjunto de Alvalade. Só a partir dos 35 minutos da primeira parte é que o Sporting conseguiu, de forma continua, ganhar algum terreno de jogo, mais por desgaste físico do adversário do que por mérito próprio.

Na segunda parte a história foi algo diferente. O Arouca continuou bem mas, aí sim, o Sporting ajustou alguns erros que vinha cometendo no primeiro tempo. William Carvalho subiu no terreno e tornou-se preponderante no meio-campo, Slimani, entrado aos 53 minutos por troca com Capel, também deu uma maior capacidade aérea ao jogo directo que se praticava de ambas as partes. Aos 62 minutos de jogo Luís Tinoco foi (mal) expulso por falta sobre Slimani, mas Cosme Machado corrigiu um erro com outro erro, ao expulsar Rojo aos 66. Por quatro minutos o Sporting parecia vir a ser beneficiado, mas depressa se percebeu que não. Ambos os casos por acumulação de amarelos, e ambos forçados. O jogo seguia com 10 para cada lado, Leonardo Jardim resolve inexplicavelmente tirar William Carvalho que minutos antes até tinha estado pertíssimo de um golaço, e o Sporting mostrava-se mais perigoso e perto do golo.

E foi exactamente isso que acabou por acontecer. Jefferson centrou muito bem para o coração da área, Slimani recebeu no peito e, com um forte remate, colocou os leões em vantagem pela primeira vez no jogo. A partir daí foi um jogo de sofrimento para o Sporting. Jefferson e Maurício em dificuldades físicas, o Arouca a apostar cada vez mais no futebol directo e só por poucos centímetros não empatou através de um remate de cabeça. Essa foi, contudo, a única ocasião de golo que criou depois de em desvantagem.

No geral, uma vitória importantíssima e muito complicada para o Sporting que, mais do que qualidade, hoje mostrou união, querer e garra necessárias para justificar, pelo menos até amanhã, o 1º lugar da tabela classificativa. Slimani voltou a ser essencial.

O Passado Também Chuta: A aranha negra, Lev Yashin

o passado tambem chuta

Era enorme e vestia de preto. Passou à História do futebol sem se despentear. Era a colocação e a inovação. As bolas não lhe fugiam das mãos. Lançava automaticamente a sua equipa lançando a bola com uma só mão. A área era sua; jogar com o pé, também. Tiveram de passar muitos anos até que os guarda-redes começassem a jogar adiantados; a tocar a bola com o pé além das esperadas e habituais mãos. Mas, tal como o Costa Pereira, era um desportista integral. Não só foi exímio nos campos de futebol; o Hóquei sobre gelo foi o seu primeiro desporto. Hoje, vivemos tempos nos quais só consideramos grandes os goleadores. Os restantes parece que não existem quando chega a hora dos reconhecimentos oficiais. No entanto, este homem da velha União Soviética que cresceu durante a época do conhecido Zé dos Bigodes ou José Estaline – ditador de triste memória – irrompeu na época dos Alfredo di Estéfano, Kopa, Luís Suares, Eusébio, Garrincha, Didi, Rivera e tantos outros como um jogador ímpar e todos souberam reconhecer a sua singularidade e a sua genialidade. Ganhou – até hoje o único guarda-redes que o conseguiu – a Bola de Ouro.

Yashin e Eusébio
Dois génios e dois amigos
Fonte: gloriososlb.tumblr.com

A vida fechada da velha União Soviética não permitiu que Europa e o Mundo se deleitassem em muitas ocasiões com o homem que vestia de preto, com a Aranha Negra. No entanto, a aparição das competições continentais a nível de seleções na década dos 1960 permitiu que este gigante se apoderasse da admiração de todos. Ganhou com a sua seleção o primeiro Campeonato Europeu e chegou à final do Campeonato que ganhou a Espanha de Luís Suares. Marcelino, avançado-centro galego que jogava no Saragoça, desempatou o jogo com um famoso golo marcado com a nuca. Jogou uma eternidade. Ultrapassou os 40 anos e no jogo da sua despedida o estádio fez-se pequeno para acolher tanta multidão.

Disputou quatro mundiais e num deles – o Campeonato de Inglaterra – disputou terceiro e quarto lugar com Portugal. Eusébio ganhou-lhe a final da consolação. Como é natural, na velha União Soviética ganhou tudo. Finalizou o espantoso número de cento e cinquenta penaltis. Manteve a sua baliza a zero em mais de duzentos e cinquentas jogos. Deixou registos que paralisam o estômago. O seu clube, Dínamo de Moscovo, não resistiu ao seu adeus. Passou de ser a equipa que ganhava tudo a ser a equipa que via ganhar. Lev Yashin era professor de educação física; portanto, tinha conhecimentos no campo do cuidado físico e pelos anos que durou é evidente que os tinha – mas se dizemos que o Aranha Negra, antes de cada jogo, fumava um cigarro para relaxar e bebia uma vodka para tonificar os músculos, a nossa “sabedoria” atual entra em estado de choque.

Lev Yashin
O voo da Aranha
Fonte: aldeiaolmpica.blogspot.com

Infelizmente, a vida, muitas vezes, veste-se da cabra. Este guarda-redes que ultrapassou limites e que foi reconhecido mundialmente viu como um problema de circulação provocou a amputação de uma perna. Anos mais tarde, outros problemas se somaram e acabou por falecer, perto do ano em que o mundo soviético se derrubou, sendo ainda bastante novo para desaparecer do mundo dos vivos. Foi um génio a defender e em como deve jogar um guarda-redes. Tal como ninguém discutia ou discute a genialidade do Garrincha, ninguém discutia ou discute a imensidão deste gigante que vestia de preto.

O “efeito” Oblak

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Topo Sul

Ainda o clássico do passado fim de semana. Engana-se quem pensa que voltei a falar nesse jogo por vaidade ou algo do género. Simplesmente me pareceu relevante, para enquadrar este texto, referir-me ao que se passou, no domingo último, no Estádio da Luz.

Final do jogo; 2-0 para o Benfica. Fala-se de penaltys, de expulsões e de o Benfica ser, afinal, o campeão de inverno. O Porto, que começou tão forte, e o Sporting, que parecia capaz de ganhar a tudo e a todos, afinal, estão atrás do Benfica, que não joga tão bem nem está tão forte como nos últimos anos.

Voltemos à Luz. Vitória tranquila do Benfica. Holofotes no árbitro. E, no meio de tudo isto, há um miúdo com 21 anos que passou incólume, despercebido até, ao grande teste da sua vida profissional. Entrou, jogou e saiu, calmo e tranquilo.

Olhemos para alguns exemplos para percebermos o efeito que Oblak poderá ter no Benfica. Olhemos para Kelvin… a carreira deste rapaz resume-se, até agora, em três golos (dois ao Braga, um ao Benfica), que resultaram em seis pontos e no título para o Porto. E que dizer de Weldon e do efeito que teve no Benfica campeão? E de Mantorras, no tempo de Trapattoni? Contudo, o melhor exemplo que vos posso dar é mesmo, nessa época de Trapattoni, a mudança que foi feita na baliza. A meio do campeonato. Depois de uma derrota em Belém, na qual Moreira até foi o melhor do SLB. Na jornada seguinte, assumiu Quim. E o Benfica foi campeão.

Acontece só no Benfica? Que dizer de Vítor Baía e Hélton? Que dizer de Stojkovic e Rui Patrício? Que dizer, então, de Casillas e Diego López? Podemos continuar, a lista é infindável.

Contudo, mais do que razões a dar para o sentimental ou para o abstrato, vou procurar centrar-me em questões mais práticas e em dados mais palpáveis:

– Estatística. Vamos começar por aqueles dados de que gosto menos. A estatística vale o que vale e tem o peso que tem. E Oblak tem zero golos sofridos pelo Benfica. Ok, isto inclui jogos nas taças e tudo o mais. Mas também inclui a manutenção do 3-2 com o Olhanense, uma ida a Setúbal e outra à Madeira e um clássico com o Porto. Não se trata de uma simples sorte de principiante nem de três ou quatro acasos seguidos. A sustentar tudo isto está a época passada, ao serviço do Rio Ave. Faltava saber se acusaria a pressão de defender a baliza do Benfica. Se a sente, não a acusa.

– Pequenas coisas. Oblak não tem falhado nas pequenas coisas. E esta tem sido a sua grande mais-valia para o Benfica. Digam-me que é trabalho fácil sair aos cruzamentos e isto e aquilo. Então vamos ver o golo de Maicon na Luz e o de Jefferson, curiosamente, também na Luz. Ou, ainda na Luz, o golo de Luisão ao Braga. E, para não destoar, novamente na Luz, o golo de Luisão ao Sporting de Peseiro. E deixa de ser assim tão linear as saídas aos cruzamentos e os livres enrolados e essas tais “pequenas coisas”. Porque, se formos bem a ver, os guarda-redes, principalmente os do Benfica, têm falhado exatamente nisto. Dentro da baliza são fenomenais. Falta o resto. E esse resto tem custado pontos. Oblak tem acertado e, acima de tudo, tem mostrado segurança neste resto.

– Segurança e tranquilidade. Este ponto está intimamente ligado ao anterior. Oblak não tremeu até agora. Em momento nenhum o sentimos nervoso. Nem naqueles momentos em que se espera que esses nervos surjam. Não demonstra hesitações sobre quando e como sair aos cruzamentos. Não o vemos recuado e a jogar só em cima da linha de golo. E não o vemos, como foi exemplo ontem, a tremer por a bola lhe ser atrasada, num campo molhado. Tem jogado bem com os pés e com as mãos. Tem feito parecer que é fácil ser guarda-redes no Benfica. E isso faz uma diferença tremenda. Depois, a defesa confia em Oblak. Atrasa-lhe a bola. Com os pés e com a cabeça (ainda ontem, Siqueira deu-lhe uma bola dentro da área para ele agarrar, quando muitos provavelmente metiam para canto).

– Potencial. Em termos de potencial, Oblak está definitivamente à frente de Artur e de todos os outros GR da liga portuguesa. Patrício há muito que ultrapassou a idade de se falar de potencial. Já provou o que tinha de provar. Apesar de ter pelo menos (sem lesões) mais 10 anos de carreira pela frente, cada vez fica mais difícil de o ver a defender a baliza de um “colosso” europeu. Porque essa tal fase do potencial já passou. Oblak tem 21 anos, é internacional. Tem aquilo a que toda a gente chama “mercado”. E tem tudo isso porque tem, também, o mais importante: qualidade. Talvez, neste momento, ainda não seja exemplo de regularidade (afinal ainda nem fez dois meses como titular na baliza de um grande). Mas também, com 21 anos, quem o seria? Quem não teria as falhas próprias da idade e da falta de experiência? Essas falhas ver-se-iam onde? Nas pequenas coisas. As tais em que Oblak tem acertado sempre.

Oblak
Oblak, um talento na baliza
Fonte: Rio Ave

A tudo isto temos de acrescentar mais dois pontos: Artur faz 33 anos dia 25 deste mês e parece ter perdido o capital de confiança que tinha junto de todos. Tem transparecido cada vez menos à vontade na baliza do Benfica. Mais ano, menos ano, Artur deixa de ter condições (atendendo ao rendimento que tem tido e à “curva descendente” desde que chegou à Luz) para jogar 40 jogos por época. Porque não antecipar a entrada de um GR “a tempo inteiro” no Benfica e manter Artur? Porque ficaria não só um suplente de luxo, como um GR com provas dadas para o caso de Oblak dar barraca. E depois, a vertente financeira. O Benfica precisa, cada vez mais, de ser parcimonioso nas compras. Para quê investir noutro GR se temos um jovem que vem dando provas inegáveis de qualidade? Mesmo numa perspetiva de clube vendedor, Oblak é a melhor aposta. Valoriza-se. Foi para isto que o foram buscar em 2010, com 17 anos. Para ser o futuro titular do Benfica.

Está tudo bem feito e Oblak é o Guarda-Redes perfeito? Não. Ainda tem muito a provar? Tem. É a melhor aposta para a baliza do Benfica? Não tenho a menor dúvida de que sim.

Para terminar, sinto-me na obrigação de agradecer ao meu amigo e guarda-redes de futebol Marcos Borges pelos conselhos e palavras sábias que me transmite quando falamos de guardiões no futebol.  O seu conhecimento é grande parte deste texto.

“Tongue-in-cheek”

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relacionamentodistancia

Após um jogo e vitória muito interessantes para a Taça da Liga, que marcou a estreia de Carlos Mané a titular, parece-me a mim que o Sporting, Bruno de Carvalho, Jardim e Inácio têm muito para discutir e reflectir.

Apesar da opinião válida (embora palerma) de Jorge Jesus de que o Benfica é o clube que melhor alia “formação” a “prospecção” (partilhada pela declaração mais ridícula e insultuosa para a formação do clube aquando da saída de Matic), o desempenho do extremo luso-guineense de 19 anos abre todo um debate em relação às opções para as alas da equipa da segunda volta do campeonato.
Contextualizando, o Sporting 2013-2014 desenvolveu, pela mão de Leonardo Jardim, um estilo muito próprio de futebol. Aquilo que no papel se parece muito com um 4-4-3 clássico desdobra-se no centro do campo com um triângulo escaleno entre Carvalho, Adrien e Martins, em que cada um deles faz muito mais (ofensivamente e defensivamente) do que típicos “6” “8” e “10”. Estes três elementos são responsáveis por fornecer constantemente as alas, tipicamente bem preenchidas pelos extremos e apoios constantes dos defesas laterais desinibidos a atacar.

Até aqui tudo bem. O meio-campo tem funcionado bem. Os laterais têm tido excelentes prestações sem comprometer as suas obrigações defensivas. A frente de ataque funciona, ora com Montero, ora com Slim, ora com ambos.

Passemos às alas.

André Carillo continua à procura da motivação (que se vai escondendo) para se juntar ao potencial que ele tem para se tornar o melhor extremo do país. Quando joga de início, o seu jogo equipara-se ao do mestre Kutuzov; quando entra do banco de suplentes (e lhe apetece), tem capacidade para surpreender e fazer a diferença.

Wilson Eduardo parecia a aposta certa, pragmática. Sem ser um enorme fora de série, tem capacidade para se superiorizar a 85% dos laterais adversários, assistir Montero com regularidade e contribuir com alguns golos. Ultimamente tem descido de forma – ainda estou a tentar perceber se é só uma má fase ou se esgotou o que tinha para mostrar este ano.

Capel continua a ser um favorito das bancadas de Alvalade. A sua entrega ao jogo e à equipa são inquestionáveis, mas alguma irregularidade e, por vezes, a sua ânsia em ajudar a equipa e fazer a diferença toldam a sua objectividade, prejudicando o seu contributo. (Quantas vezes já não gritámos todos “Solta a bola, Capel, solta a bola, Capel! Fod***, Capel… Soltavas logo, pá!”?)
Carlos Mané estreou-se a titular no último jogo. Marcou um gol… perdão… uma obra de arte, divertiu-se e deixou-nos a todos a sonhar com o próximo diamante à espera de ser polido pelo mestre Jardim. Aprendemos todos com a história do Armindo Tué, portanto, agora, vamos “fazer” este miúdo como deve ser.

Salomão parece-me menos pronto agora do que quando saiu para o Corunha. Se, na altura, não percebi o porquê do seu empréstimo, agora não percebo o porquê do seu regresso… Com 25 anos, parece-me que mais uns tempos em Espanha a jogar regularmente o poderiam colocar no patamar certo para ser uma opção séria para o onze inicial daqui a um ano ou dois.

Olhando para fora do balneário, há um nome que não deixa ninguém indiferente. Quando ouvi, pensei que fosse mais um rumor típico da nata jornalística nacional, mas depois de ler no Daily Mirror e no Telegraph que há intenção, quer do Manchester United, quer do Sporting, de concretizar o empréstimo até final da época, confesso que fiquei tipo miúdo na semana antes do Natal à procura dos presentes escondidos pela casa.

Nani, Luís Carlos Cunha de baptismo, tem perdido espaço no Man U pela subida de forma de Valência e aparecimento do miúdo prodígio Januzaj. O Mundial do Brasil está à porta e Paulo Bento está atento. Quaresma vai fazer tudo por honrar a família e roubar o lugar na extrema direita da Selecção. Nani precisa de jogar. O Sporting “precisa” de Nani. O seu talento é inquestionável e uma ligação sentimental à casa e ao país que o viram crescer pode falar mais alto que propostas estrangeiras financeiramente mais aliciantes para o jogador. Perante tudo isto, como reza a música de Hannah Montana, “what’s not to like?”

Nani
Nani – O regresso?
Fonte: SportingFans

Não me parece, porém, que haja caso para alarme. O Sporting está em segundo lugar do campeonato. Temos o melhor ataque, a melhor defesa, o melhor marcador e o melhor futebol da competição. Mas não acredito em que nenhum Sportinguista se importaria de ver a equipa com mais (e, sobretudo, melhor) talento dentro de campo. A ver se daqui a uns meses, com o desenrolar da época, podemos oficialmente redefinir objectivos para algo mais sério e aliciante.

SL

Será que é desta?

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Os Gunners, de Arsène Wenger, têm vindo a fazer manchete nos jornais desportivos ingleses; estão em primeiro, praticam um futebol atraente e, finalmente, eficaz. Digo finalmente porque, desde que me conheço, simpatizo com o clube e há muito tempo que não via o Arsenal a jogar bem… e a ganhar.

Por norma, a equipa de Wenger joga bem mas chega ao final do ano e não vence nada. Não vencem nada desde 2005, e para uma equipa que chegou a ter nos seus quadros jogadores como Ljungberg, Henry, Pires, ou mesmo Fabregas, não pode ficar tanto tempo sem vencer um troféu que seja. Há anos que defendo que o tempo de Wenger no Arsenal já devia ter chegado a um fim; para mim, e penso que para qualquer adepto de futebol (de uma equipa de topo), um ano sem ganhar é muito. Nove anos sem ganhar, então, nem há palavras que consigam descrever a frustração.

No entanto, este ano, parece que até os próprios adeptos da equipa londrina acreditam que este poderá ser “O Ano” (um pouco à semelhança dos nossos amigos sportinguistas). A chegada de Özil veio revolucionar o meio campo e desbloquear o futebol ao primeiro toque que Wenger tanto queria introduzir; as vitórias seguiram-se e, até ao momento, só perderam contra o Aston Villa e contra as duas equipas de Manchester.

A questão que paira no ar é se este todo poderoso Arsenal consegue ou não aguentar a parada até ao final do ano. Se recordarmos a última década de futebol do clube, a tendência é morrer na praia, chegar a finais e perdê-las, e em março andar a fazer contas de matemática para ver se consegue atingir a Champions na época seguinte. Pode ser que não, que este ano seja diferente. Contudo, se não for caso disso, o francês deveria ser posto fora mais depressa do que conseguisse dizer “Croissant”, porque se não ganham nada este ano, além de aumentarem para 10 os anos consecutivos sem vencer, fazem-no após alterarem a política de contratações da equipa (esbanjaram balúrdios no verão passado). Infelizmente, os títulos não se ganham sem ter de equacionar as outras equipas da prova, e a prova rainha do futebol inglês não é nada fácil de conquistar. Com pelo menos seis candidatos ao título, os Gunners têm de fazer uma segunda metade de época tão ou mais brilhante do que a primeira para conseguirem atingir o tão esperado campeonato.