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Benfica tricampeão. E agora?

cab basquetebol nacional

Falar do basquetebol masculino português neste momento é quase o mesmo que falar no Benfica. Os encarnados dominam a seu bel-prazer esta modalidade e, tal como nos últimos anos, não tiveram qualquer adversário à sua altura.

Apenas duas derrotas durante os 30 jogos de toda a temporada e o tricampeonato (ganho frente ao Vitória de Guimarães por 3-0): é este o resumo de mais uma época das águias, que, desde o fim do Porto, nunca tiveram um adversário à altura num campeonato português, que vive nas ruas da amargura pela falta de interesse mediático que tem, assim como a falta de competitividade pelo título.

Temos um Benfica que investe muito quando comparado com os restantes clubes e que, com isto, parte sempre como principal favorito para o titulo. Este panorama pode mudar um pouco na próxima temporada visto que o Porto voltará com o nome “Dragon Force”. Os azuis e brancos venceram este ano a Proliga (segundo escalão português) e contam com um plantel de muita qualidade, constituído na sua grande maioria por jovens jogadores portugueses e que é um projeto com muito futuro, comandado pelo ex-selecionador português, o espanhol Moncho Lopez.

Moncho Lopez é muito reconhecido entre o mundo azul e branco Fonte: ASF
Moncho Lopez é muito reconhecido entre o mundo azul e branco
Fonte: ASF e FPB (cabeçalho)

Mas será o próximo ano mais competitivo? A não ser que o investimento na equipa do Dragon Force seja avultado, não me parece. Nenhuma equipa tem neste momento qualidade para competir com o Benfica. Mas se as águias são fortes demais para o campeonato português, são fracas para a Europa. Tanto que não participam nas provas europeias desde a temporada 2010/2011, por não valer a pena o investimento feito. Apesar disso, Carlos Lisboa – treinador do Benfica – já veio dizer que pretende voltar na próxima temporada, por ser a única forma de os seus jogadores se desenvolverem.

Depois de uma época em que o Benfica ganhou tudo o que havia a ganhar (Supertaça, Taça Hugo Santos, Taça de Portugal e Campeonato), será que consegue repetir o feito na próxima temporada? Ainda é muito cedo para se poder responder com certeza a esta pergunta, mas, se nada de estranho acontecer, quase posso dizer que sim.

Revista do Mundial’2014: Bósnia e Herzegovina

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Dragões no coração, dragões no relvado“. Assim se apresentará o autocarro da Bósnia e Herzegovina, rumo ao país maravilhoso, na primeira aparição desta seleção numa fase final do Campeonato do Mundo. Independente da Jugoslávia desde 1994, a Bósnia aparece nesta competição depois de ter estado à porta do Mundial 2010 e do Euro 2012, onde apenas não esteve presente, se bem se recorda, por obra da Seleção Nacional portuguesa. Com a eliminação nesses dois play-offs de acesso a grandes competições, a seleção bósnia continuava sem obter o seu grande objetivo: o de estar presente numa prova deste nível. Em 2014, finalmente o momento dos Dragões chegou, após uma fase de qualificação a roçar a perfeição. Presente no grupo G da fase de qualificação para o Mundial 2014, os comandados de Safet Susic desde cedo mostraram para aquilo que vinham, e qual era o seu único objetivo: chegar ao Brasil. No seu grupo de apuramento, as seleções da Grécia e da Eslováquia eram as grandes adversárias na luta pela qualificação, pois Lituânia, Letónia e Liechtenstein, que completavam o grupo, pareciam não ter armas para lutar pelo apuramento. Depois de duas vitórias iniciais frente a Liechtenstein por 1-8 e a Letónia por 4-1, o empate conseguido na deslocação ao Georgios Karaiskakis frente à seleção de Fernando Santos permitiu à Bósnia sonhar com o 1.º lugar do grupo. Nos restantes 7 jogos de qualificação, os bósnios fizeram 18 pontos em 21 possíveis, quebrando apenas na partida em casa frente à Eslováquia, onde perderam por 0-1. Ainda assim, e em virtude da vantagem no confronto direto em relação aos gregos, os “Dragões” conseguiram alcançar o 1.º lugar do seu grupo e assim o apuramento direto para o Campeonato do Mundo, com 25 pontos, os mesmos que a equipa grega conseguiu.

Com o sorteio para a Copa, a Bósnia ficou a conhecer os seus adversários na sua primeira presença numa competição deste género: Argentina, Nigéria e Irão. O grupo, que conta com a favorita azul-celeste à conquista do primeiro lugar do grupo e com a teoricamente frágil seleção iraniana, faz com os bósnios tenham, em tese, na seleção nigeriana a seleção concorrente ao apuramento para os oitavos de final. Apesar da inexperiência neste tipo de competições, à Bósnia é possível acreditar que no Mundial de estreia a presença nos oitavos-de-final pode ser uma realidade. Esta fábrica de golos bósnia, que levou a seleção na fase de qualificação a atingir a marca dos 30 golos marcados, tornando-se a quarta seleção mais concretizadora no velho continente, leva aos bósnios a acreditar numa surpresa em terras de Vera Cruz. Ao longo da qualificação, Susic colocou a equipa a jogar num 4x4x2 losango, com o ataque entregue à temível dupla Edin Dzeko/Vedad Ibisevic, com Misimovic a aparecer nas costas dos dois avançados.

Numa competição curta como é um Campeonato do Mundo, onde os jogos são definidos ao detalhe, esta forte capacidade ofensiva é sem dúvida a grande arma desta seleção bósnia. Olhando para a retaguarda da equipa, e apesar de ter sido a segunda melhor defesa do seu grupo de qualificação, com apenas 6 golos sofridos em 10 jogos realizados, o momento de recuperação defensiva é aquele que gera maior dúvida nesta equipa. Na sala de máquinas de Susic, que conta com Medunjanin no vértice mais recuado, com Lulic e Pjanic a funcionarem como médios interiores, a Bósnia parece ser uma equipa que lida mal com o momento de perda da bola, muito em virtude da forte capacidade ofensiva de Lulic e Pjanic, que se incorporam de forma intensa no momento ofensivo.

Por isso mesmo, será interessante perceber a disponibilidade tática dos quatro médios bósnios para auxiliarem no momento de pressão o quarteto defensivo totalmente composto por jogadores que atuam na Bundesliga: Mujdza, lateral direito (atua no Friburgo); Bicakcic, central (atua no E. Braunchweig), Spahic, central (atua no B. Leverkusen); e Kolasinac, lateral-esquerdo (atua no Schalke 04). Se a grande virtude desta equipa é a facilidade em criar perigo nas defesas contrárias, a falta de experiência dos bósnios pode ser o seu ponto mais vulnerável nesta viagem ao Brasil. Por isso, o primeiro jogo desta seleção, frente à Argentina no dia 15 de junho, no Maracaná, será importante para perceber se os “Dragões” estão preparados para levar a Bósnia a um lugar de destaque nesta competição. Os restantes jogos desta fase de qualificação são frente à Nigéria, a 21 de junho, em Cuiabá, e frente ao Irão, a 25 de junho, em Salvador da Bahia. No seu primeiro papel principal num Campeonato do Mundo, a Bósnia e Herzegovina é uma das seleções mais aguardadas e mais imprevisíveis: reinará a qualidade ofensiva ou a inexperiência da equipa? A partir de 15 de junho, os Dragões darão a resposta.

OS CONVOCADOS (Pré-Convocatória de 30 elementos – a ser reduzida em breve)

Guarda-redes: Asmir Begovic (Stoke City/Ing), Jasmin Fejzic (Aalen/Ale), Dejan Bandovic (Sarajevo) e Asmir Avdukic (Borac Banja Luka).

Defesas: Emir Spahic (Bayer Leverkusen/Ale), Sead Kolasinac (Schalke 04/Ale), Ermin Bicakcic (Eintracht Braunschweig/Ale), Ognjen Vranjes (Elazigspor/Tur), Toni Sunjic (Zorya Lugansk/Ucr), Avdija Vrsajevic (Hajduk Split/Cro), Mensur Mujdza (Friburgo/Ale), Ervin Zukanovic (Gent/Bel), Zoran Kvrzic (Rijeka) e Srdjan Stanic (Zeljeznicar).

Médios: Zvjezdan Misimovic (Guizhou Renhe/Chn), Haris Medunjanin (Gaziantepspor/Tur), Miralem Pjanic (AS Roma/Ita), Sejad Salihovic (Hoffenheim/Ale), Senad Lulic (Lazio/Ita), Izet Hajrovic (Galatasaray/Tur), Senijad Ibricic (Erciyesspor/Tur), Edin Visca (Istanbul BB/Tur), Tino Susic (Hajduk Split/Cro), Muhamed Besic (Ferencvaros/Hun), Anel Hadzic (Sturm Graz/Aut), Miroslav Stevanovic (Elche/Esp) e Adnan Zahirovic (Bochum/Ale).

Avançados: Edin Dzeko (Manchester City/Ing), Vedad Ibisevic (Estugarda/Ale) e Ermin Zec (Genclerbirligi/Tur).

A ESTRELA

Edin Dzeko Fonte: sportige.com/
Edin Dzeko
Fonte: sportige.com

Edin Dzeko é a grande esperança da Bósnia neste Campeonato do Mundo. Com 60 internacionalizações e 33 golos apontados, o avançado do Manchester City chega a esta competição como principal ameaça às defesas adversárias. O “tanque”, como também é conhecido, combina poder físico e agressividade com mobilidade, sem descurar a velocidade e o apurado sentido de oportunidade que faz dele um dos avançados mais apetecíveis do futebol europeu. No Mundial, tem uma oportunidade para mostrar que com as cores do seu país, também consegue ser letal.

O TREINADOR

Safet Susic Fonte: bhdragons.com/
Safet Susic
Fonte: bhdragons.com

Por ter levado a Bósnia pela primeira vez a um Mundial, Safet Susic já merece todos os elogios. Ainda assim, e para além do feito já por si histórico, o que salta à vista no modelo de jogo deste técnico de 59 anos, é a capacidade ofensiva que incutiu nos Bósnios. Este é algo que não é de estranhar, tendo em conta que esta antiga estrela do futebol jugoslavo nas décadas de 70 e 80, conhecida como Magic Susic, foi um dos melhores avançados da sua geração. Enquanto treinador, o espírito ofensivo mantém-se. No Brasil, veremos com que resultados.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

Os 30 golos marcados na fase de qualificação fazem da capacidade ofensiva da Bósnia a sua grande arma no campeonato do Mundo do Brasil. Dzeko e Ibisevic fazem uma dupla que promete dar que falar em terras de Vera Cruz.

 O PONTO FRACO

A inexperiência da seleção bósnia em fases finais de grandes competições pode ser prejudicial numa fase de grupos que pode ser discutida ao detalhe.

O Benfica que Enzo tem

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Pediu desculpa ao inglês alto, louro e de verde vestido, aconchegou a bola com o pé esquerdo para as redes e festejou. Das bancadas, vénias para ele. Dele, sorrisos e o coração para as bancadas. Naquele golo, tudo foi Enzo Pérez. Desde o golo de guardar na memória até às lágrimas pelo melhor amigo. A história de amor do 35 com a Luz já começara algum tempo antes. Mas antes, o desprezo pelo Enzo. O Enzo “férias”, que tinha custado um bom dinheiro e que acabou emprestado ao clube de origem. O Enzo que jogando a extremo nada mostrou para benfiquista se encantar.

No início da temporada de 2012/13, o meio-campo do Benfica era o verdadeiro “ai Jesus”. Sem Javi e Witsel de uma vez só, sobrava Matic e…. Matic.  Jesus viu em Enzo o jogador ideal para lançar na posição 8. Todos torceram o olho, não digamos que não. Passados dois anos, Enzo Pérez é o menino querido da gente vermelha. E sim, no centro do meio-campo, onde é um gigante, onde come adversários e foge deles no seu Ferrari. E porque, embora possamos pensar que sim, nada no futebol acontece por acaso, feliz do Jorge Jesus que viu nele todas estas capacidades. De extremo vulgar a monstro no meio: J-O-R-G-E J-E-S-U-S.

Enzo é um jogador à Benfica Fonte: chuto.pt
Enzo Pérez é um jogador à Benfica
Fonte: chuto.pt

Os adeptos são uns tipos simples. Só precisam de um jogador que dê tudo, que lhes encha os olhos e a alma. Que saiba o que é o Benfica e que saiba o que aquilo representa para nós, representado nós também muito para ele. Enzo é o típico jogador à Benfica. Que morde os calcanhares dos rivais, que se esfola, que chora as derrotas e dança as vitórias. Que ilude os adversários, dando-lhes, por segundos, a utópica ideia de que lhe poderão roubar a bola. Simula para um lado, adversário por terra, vai pelo outro. Arrogante com a bola nos pés, sempre a roçar o limite do aceitável, sempre a calar os adeptos do “não brinques aí…”. Bolas! Deixem o Enzo brincar onde quiser, porque sabe, porque quer, porque precisa daquilo. “La calle” no coração, Argentina nas veias e na ponta dos pés – Dier, sabes qual é que ele vai escolher? – o argentino gere todo o jogo do Benfica a seu bel-prazer. O Benfica agradece, os benfiquistas idem. A história de amor de Enzo pelo Benfica e do Benfica pelo Enzo terá começado em Amesterdão. Lágrimas tão genuínas que dói cá dentro ver a tal imagem do Aimar abraçando-o, como que num conforto paternal de quem diz que está tudo bem. Mas não estava e o Enzo sabia.

Tudo isto para chegar até aqui: Enzo renovou até 2018. Poucos caracteres bastaram para deixar a nação vermelha feliz da vida. Enzo é um dos nossos, Enzo vive o nosso sonho, o nosso céu e o nosso inferno. Sente como nós. Enzo sabe que não é só um jogo, que amanhã já custa menos, que são só 22 gajos atrás de uma bola. Por tudo isso, merece todas as vénias que lhe possamos fazer. Enzo é Benfica. Pode o Benfica ser para sempre teu, Enzo?

Revista do Mundial’2014 – Inglaterra

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Os 23 ingleses estão escolhidos e este é, na minha opinião, um dos melhores planteis da seleção inglesa de há uns bons anos para cá. A grande perda para lesão é mesmo a de Jay Rodriguez, que tinha todas as condições para ser uma boa opção para ocupar um dos lugares no ataque. A Inglaterra vem de anos de reestruturação, depois de em 2008 ter falhado a qualificação para o Europeu, na Suíça e na Áustria. O selecionador Roy Hodgson tem à sua disposição uma grande seleção, não por estar recheada de estrelas, mas sim pela força que poderá advir do seu trabalho e do seu espírito de grupo.

A convocatória é muito equilibrada e assenta essencialmente na equipa do Liverpool, com o acrescento de qualidade de jogadores de United, Southampton, Everton, City, Arsenal e Chelsea. Esta base oriunda de Anfield poderá facilitar, e de que maneira, o trabalho de Roy Hodgson, não só pela grande qualidade dos jogadores, como também pelo grande entrosamento existente entre os jogadores, que dotaram os reds com um futebol extremamente atrativo.

Merece ainda nota a não convocatória de qualquer jogador do Tottenham, nomeadamente Kyle Walker. De resto, os jogadores de realce que o selecionador deixou de fora são Ashley Cole, Gibbs, Defoe, Carrick, Cleverley, Ashley Young, Caulker e Ruddy, não havendo assim grande debate sobre as suas decisões. Walker foi preterido em função de Smalling, pela polivalência deste, que pode ser o suplente de Glen Johnson caso seja necessário e é ainda opção para o centro. Já Cole e Gibbs foram deixados de parte em nome do virtuoso Luke Shaw, que merece desde já a confiança de Hodgson, não só pela grande época firmada, como pelo seu potencial que cada vez mais se torna potência.

O modelo de jogo da Inglaterra, para o Mundial, deverá ser o 4-4-2, composto por uma defesa que não deve andar longe de Joe Hart, Baines, Johnson e Cahill e Jagielka no meio. É no miolo que surgem as principais questões, sendo que Stevie deve ser o grande patrão e comandante da seleção dos três leões, mas resta perceber se será Henderson o seu escudeiro, para utilizar uma dupla que já há muito se conhece, ficando com toda a responsabilidade de pautar o jogo inglês. É que existem ainda as opções Lampard e Milner – o primeiro dotado de uma vasta experiência e com maior capacidade ofensiva e o segundo com maior capacidade de trabalho e de desgaste em prol da equipa. Existem ainda as hipóteses Barkley, um tecnicista e muito promissor talento, e Wilshere, jogador que há muito se afirmou como uma estrela inglesa. Nas alas, Lallana, Oxlade, Sterling e algum jogador adaptado (Sturridge, Barkley, ou mesmo Wilshere), deverão dar vazão às despesas para servir o ataque.

O ataque será, salvo alguma lesão, liderado pelo inequívoco Wayne Rooney, que está no auge da sua carreira, misturando experiência com o seu portentoso talento. No seu apoio a minha aposta recai para Daniel Sturridge, um dos melhores marcadores da Liga, que terá como suplentes Welbeck, um jogador bastante semelhante a Sturridge, e Lambert, o jogador de área, com excelente capacidade de finalização. Tanto Rooney como Sturridge conseguem ir buscar jogo atrás, dando ao ataque da Inglaterra uma grande mobilidade e apetência para a desmarcação. Há que destacar a enorme juventude que Hodgson trouxe a seleção – esse pode muito bem ser o principal factor para um sucesso em que poucos acreditam. Esta seleção inglesa, longe de ser favorita, pode ainda dar muito que falar.

Contudo, o seu grupo não se demonstra nada fácil, uma vez que tem a vice-campeã europeia Itália como favorita, assim como o Uruguai e a Costa Rica. A Itália é sempre uma seleção a ter em conta – comandada por Pirlo, deverá apresentar um onze de grande qualidade, com um misto de juventude e experiência. O outro principal rival é o Uruguai, seleção que em 2010 fez um Mundial de luxo, acabando em 4º lugar. Suárez vai ser o alvo a abater desta seleção; porém qualidade não falta, já que o Uruguai conta com jogadores como Muslera, Cáceres, Godín, Cavani ou o experiente Diego Forlán. A Costa Rica não deverá ambicionar grandes voos e apenas tentará roubar alguns pontos aos seus rivais.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Joe Hart (Man. City), Ben Foster (West Bromwich) e Fraser Forster (Celtic).

Defesas – Leighton Baines (Everton), Gary Cahill (Chelsea), Phil Jagielka (Everton), Glen Johnson (Liverpool), Phil Jones (Man. United), Luke Shaw (Southampton) e Chris Smalling (Man. United).

Médios – Ross Barkley (Everton), Steven Gerrard (Liverpool), Jordan Henderson (Liverpool), Adam Lallana (Southampton), Frank Lampard (Chelsea), James Milner (Man. City), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Raheem Sterling (Liverpool) e Jack Wilshere (Arsenal).

Avançados – Rickie Lambert (Southampton), Wayne Rooney (Man. United), Daniel Sturridge (Liverpool) e Daniel Welbeck (Man. United).

A ESTRELA

Rooney Fonte: The Sun
Wayne Rooney
Fonte: The Sun

A escolha recai sobre Wayne Rooney, apesar de Gerrard ser uma opção mais do que válida. No entanto, o jogador do Liverpool já não está no auge da sua carreira e, apesar da sua preponderância, não tem a capacidade de decidir jogos que Rooney tem. Este é capaz de pegar na bola em qualquer sítio do campo e transformar uma jogada num golo, seja com um tiro do meio da rua ou com a sua capacidade de recolher a bola em zonas mais atrasadas do terreno e começar toda a jogada.

O TREINADOR

Roy Hodgson Fonte: Telegraph
Roy Hodgson
Fonte: Telegraph

Roy Hodgson é o selecionador inglês desde 2012, cargo que ocupa depois de substituir Capello muito perto do Europeu de 2012. De regresso ao Europeu, depois de ter falhado a edição de 2008, a Inglaterra obteve bons resultados na fase de grupos, qualificando-se em primeiro lugar, depois de empatar com França e ganhar à Suécia e à Ucrânia. Acabou por sucumbir aos pés da finalista Itália, com a maldição dos penáltis a vir ao de cima. Garantiu a qualificação para este Mundial sem problemas de maior e apenas perdeu pontos em casa contra a Ucrânia.

Roy Hodgson tem um vasto historial de seleções, depois de ter treinado Suíça, Emirados Árabes Unidos e Finlândia. Treinou clubes como Inter, Blackburn, Udinese, Fulham, Liverpool e West Bromwich, com passagens de vários anos na Suécia, Suíça e Noruega – tem um histórico como treinador humilde e demonstra que não tem medo de abraçar novos desafios.

O ESQUEMA TÁTICO

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A Inglaterra joga num 4-4-2, com o pendente ofensivo assente no miolo, e com grande capacidade de incursão pelas alas. Na minha opinião, o primeiro onze que gostaria de ver na seleção inglesa tem algumas surpresas, como a inclusão de Sterling ou Lallana, mas daria uma maior velocidade e mobilidade à equipa, bem como capacidade de explosão. O ataque de Inglaterra é sem dúvida um dos pontos fortes, com Rooney e Sturridge a ser uma dupla de meter medo a qualquer equipa que se atravesse no seu caminho.

O PONTO FORTE

O principal ponto forte da Inglaterra é indubitavelmente a mobilidade ofensiva da equipa, não só para buscar jogo atrás, como nas desmarcações. Com o ataque a ser todo pensado por Gerrard, cabe aos alas e aos avançados fazer as desmarcações que garantam linhas de passe. Com alas como Sterling, Lallana e Oxlade e avançados como Sturridge, Rooney e Welbeck a qualidade de movimentação estará garantida.

PONTO FRACO

O principal ponto fraco é a zona central defensiva, uma vez que Cahill e Jagielka, como dupla, não conseguem dar garantias de total solidez. A táctica inglesa poderá também ser um problema, visto que poderá expor demais os defesas. Por exemplo, no caso de subida de um dos laterais, esta deverá ser compensada pelos médios centros. Caso não haja as devidas compensações de toda a equipa, dar-se-á a possibilidade aos adversários de abrir lacunas pelas alas ou pelo meio.

Revista Mundial’2014 – Coreia do Sul

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Neste próximo Mundial, a Coreia do Sul disputará a sua 9.ª fase final desta competição, sendo que esta será a 8.ª seguida (!). Mas tudo não começou num mar de rosas. No ano da sua estreia, em 1954, com uma selecção quase toda amadora, os sul-coreanos conseguiram o pior registo de sempre: perderam 9-0 com a Hungria e 7-0 com a Turquia (selecções que, diga-se, não são sequer top 10 europeu). Depois, só voltaram aos Mundiais no celebre ’86 e entraram para a história do futebol asiático na sua magnifica campanha em 2002, quando, a jogar em casa, conseguiram um brilhante 4.º lugar – na fase de grupos empataram com os EUA (1-1) e venceram a Polónia (2-0) e… Portugal (1-0), no jogo em que João Pinto deitou tudo a perder com o seu “punho de deus”. Com arbitragens desastrosamente “caseiras” (diga-se de passagem), a Coreia do Sul viria a eliminar ainda a Itália (2-1) com o golo de ouro e a selecção espanhola com um desempate da marca de grandes penalidades. Caíram, finalmente, nas meias-finais perante a Alemanha (2-1) e na atribuição do 3º e 4º lugar com a Turquia (3-2).

De momento, a selecção dos “Vermelhos”, como se auto-intitulam, não vive um dos seus melhores momentos: apenas 5 vitórias nos últimos 15 jogos, o que os deixou quase de fora da fase final do Mundial – ficaram “apenas” em segundo posto no grupo A de acesso à fase final com 8 jogos, 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, atrás do Irão de Carlos Queiroz e com os mesmos 14 pontos do que o Uzbequistão.

Tudo isto é fruto do facto de a Coreia do Sul trazer consigo a selecção mais jovem da sua história desde que são profissionais, o que pode levar a que sejam uma grande surpresa ou… a normal “equipa de fase de grupos”, que só está lá para tentar incomodar os verdadeiros “tubarões”.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Jung Sungryong (Suwon Bluewings), Kim Seunggyu (Ulsan Hyundai) e Lee Bumyoung (Busan IPark).

Defesas – Hong Jeongho (Augsburg, Ale), Hwang Seoho (Sanfrecce Hiroshima, Jap), Kim Changsoo (Kashiwa Reysol, Jap), Kim Jinsoo (Albirex Niigata, Jap), Kim Younggwon (Guangzhou Evergrande, Chi), Kwak Taehwi (Al Hilal, Ara), Lee Yong (Ulsan Hyundai), Yun Sukyoung (Queens Park Rangers, Ing).

Médios – Ha Daesung (Beijing Guoan, Chi), Han Kookyoung (Kashiwa Reysol, Jap), Ji Dongwon (Augsburg, Ale), Ki Sungyueng (Sunderland, Ing), Kim Bokyung (Cardiff City, Ing), Lee Chungyong (Bolton Wanderers, Ing), Park Jongwoo (Guangzhou R&F, Chi), Son Heungmin (Bayer Leverkusen, Ale).

Avançados – Kim Shinwook (Ulsan Hyundai), Koo Jacheol (Mainz, Ale), Lee Keunho (Sangju Sangmu), Park Chuyoung (Watford, Ing).

A ESTRELA

Son Heung-Min Fonte: FIFA
Son Heung-Min
Fonte: FIFA

Falar na actual Coreia do Sul é falar, obrigatoriamente, da sua estrela mais notória: Son Heung-Min. Com apenas 21 anos e um porte físico invejável (para um jogador asiático) – 1,83 metros e 76 kg –, este jovem, que brilha no renascido Bayern Leverkusen, jogo como médio/avançado vagabundo, sendo muito móvel e com um sentido de oportunidade fantástico. Os 10 golos que apontou no seu ano de estreia na Bundesliga (algo muito positivo para um jogador tão móvel como Son) fazem dele o segundo melhor marcador da equipa, com 17% dos seus tentos a pertencerem ao jovem jogador coreano.

No no ano de 2013 ficou em 3º lugar num prémio que era atribuído aos 3 melhores jogadores asiáticos do referente ano, sendo que no primeiro posto e no segundo ficaram dois “monstros”: Nagamoto (Inter) e Honda (CSKA), respectivamente. Se falar em possíveis surpresas por parte da Coreia do Sul, terei de incluir o seu jogo a passar de todo por este “menino d’ouro” daquele país.

O TREINADOR

Hong Myung-Boo Fonte: vrinsidesports.com
Hong Myung-Boo
Fonte: vrinsidesports.com

O timoneiro que vai ao leme da selecção dos “Vermelhos” foi uma antiga lenda da selecção da Coreia do Sul: Hong Myung-Bo. Actualmente com 45 anos, o seleccionador é o jogador mais internacional pelo seu país (135 internacionalizações), esteve presente na mais brilhante (e talvez a única “brilhante” mesmo) participação da Coreia do Sul num Mundial: em 2002. Era então Guus Hiddink treinador e Myung-Bo o melhor jogador. Obtiveram um fantástico 4º lugar diante do seu público e, curiosamente, afastaram um “mega Portugal” na fase de grupos.

De referir, também, que foi considerado o 3º melhor jogador dessa competição. Para comprovar a sua qualidade, antes de assumir o cargo máximo de seleccionador sul-Coreano, Myung-Bo começou a carreira de treinador como seleccionador sub-20 e o bom trabalho levou-o a mais uma proeza: foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, com a selecção Olímpica (sub-23). Se dúvidas havia quanto à competência deste “quase jovem” treinador, essas estão dissipadas.

O ESQUEMA TÁTICO

Coreia
O PONTO FORTE

Olhando para a forma de jogar preferencial desta selecção (4-1-2-1-2 ou 4-4-2 Losango), teremos de ter em conta os seguintes jogadores: Yun Suk-Young, lateral ofensivo do Queens Park Rangers (Inglaterra);  Ki Sung-Yueng, versátil trinco que actua no Sunderland (Inglaterra); Lee Chung-Yong, rápido e tecnicista extremo/médio interior do Bolton (Inglaterra); Park Chu-Young, grande desilusão no Arsenal, agora emprestado ao Watford do Championship, será sempre um avançado a ter em conta, e a estrela maior: Son Heung-Min. Se existir perigo, serão lances rápidos a lançar Suk-Young ao long do flanco (esquerdo ou direito) ou a procura de bolas longas na rapidez e eficácia de Heung-Min, bolas essas lançadas pelos centrocampistas que compõe o sólido meio-campo Sul Coreano. Nunca esquecendo também Chu-Young, que neste momento será uma incógnita para todos.

O PONTO FRACO

Sendo uma equipa extremamente jovem e sem grande experiência de grandes campeonatos (apenas sete jogadores actuam na Europa, todos eles em clubes de segunda ou terceira linha), o grande problema dos “Vermelhos” prende-se, essencialmente, com saber lidar com a pressão em desafios contra jogadores com outra “tarimba”. É o tipo de selecção que se sofre um golo nos minutos iniciais é goleada. Por contraditório que pareça, se aguentar os primeiros 30/40 minutos, será uma valente dor de cabeça, caso não haja quebras físicas. E esse é outro problema: fisicamente, são uma selecção muito débil e sem grande velocidade de execução (tirando dois ou três “artistas” no meio-campo), por isso é expectável que os adversários apostem na velocidade e no poder de choque para ganhar primeiras e segundas bolas e assim ir ganhando vantagem sobre o adversário.

As contas para a decisão final

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Emoção até ao fim, decisões polémicas e goleadas. Assim vai o campeonato nacional de hóquei. Chegamos à última jornada sem campeão definido, com uma equipa que pode alcançar o estrelato, e uma certeza: o Benfica não será campeão.

Um final de época ingrato para os encarnados, que este fim-de-semana golearam o Valongo por uns incríveis 12-0. Sim, esse mesmo, o conjunto sensação do campeonato. Mas o que se terá passado com o Valongo para levar uma goleada assim? A explicação é simples. O conjunto nortenho não precisava deste jogo para nada. Independentemente do resultado contra o Benfica, o Valongo continuava a depender de si para ser campeão. Para poupar os atletas para a partida decisiva frente ao Porto, o conjunto nortenho decidiu actuar no Pavilhão da Luz com as reservas. O jogo não tem muita história; o Benfica teve sempre o controlo face à inexperiência dos atletas do Valongo, e os maiores destaques são João Rodrigues, Valter Neves e Carlos Lopez, com um hattrick cada um. É um fim de época infeliz para o Benfica, que goleia em casa o Valongo e o Porto mas não consegue ser campeão. Oportunidades de atacar a liderança falhadas e uma arbitragem em casa do Valongo que prejudicou a equipa encarnada foram importantes para deixar o Benfica afastado do título.

Será que o Valongo vai ser feliz? Fonte: advalongo.pt
Será que o Valongo vai ser feliz?
Fonte: advalongo.pt

O Benfica entrou em campo já a saber que estava fora da luta pelo título. Tudo graças à vitória do Porto nos Açores. Os dragões golearam o Candelária por 5-0, com Reinaldo Ventura a marcar quatro golos. Um resultado que coloca o Porto na frente, com mais três pontos do que Valongo e Benfica.

As contas do título são estas: na ultima jornada há um AD Valongo vs FC Porto. Para os homens da casa, só a vitória interessa, pois ficariam com vantagem no confronto directo. Para o Porto, o empate basta para ser bi-campeão. Mas muitos vão perguntar pelo Benfica, pois os encarnados estão com os mesmos pontos do Valongo e têm vantagem no confronto directo com os dois clubes. Se o Benfica ganhar o seu jogo e o Valongo derrotar o Porto, não é campeão porquê? Nesse cenário, as três equipas ficariam com 74 pontos ambas. Mas, mesmo em vantagem no confronto directo, o Benfica não seria campeão. Tudo porque, no mini-campeonato entre estas três equipas, o Valongo fica sempre à frente das águias. É fácil fazer as contas. O Benfica fez seis pontos contra Porto e Valongo; o Porto e Valongo (com menos um jogo cada) fizeram quatro. Portanto, se o Valongo ganhar na última jornada, fará sete pontos no campeonato entre estes clubes e ficará na frente. O primeiro critério de desempate são os pontos conquistados nos jogos entre si. Contas um pouco complicadas de se perceber ao inicio

Mas, feitas as contas, aquilo a que poderemos assistir no próximo fim-de-semana é a consagração ou o entrar na história. Para o Porto, será o cimentar do domínio no hóquei português; para o Valongo, será uma oportunidade única de se sagrarem campeões e quebrar a hegemonia que dura há 13 anos entre Porto e Benfica no nosso campeonato. E que bem merece este conjunto do Valongo.

Revista do Mundial’2014 – França

cab frança mundial'2014

Didier Deschamps, ao contrário da maioria dos seleccionadores nacionais, decidiu não elaborar uma pré-convocatória, mostrando-se bastante decidido e firme nas suas escolhas. No entanto, a convocatória não deixa de ser por isso contestada: Nasri, Lacazette e Clichy ficaram de fora após terem feito boas temporadas pelos respectivos clubes e terem sido peças utilizadas na fase de qualificação.

O técnico francês apresenta, ainda assim, uma lista forte e com potencial para voltar a pôr a selecção gaulesa a competir com os gigantes europeus e, assim, melhorar o registo face às últimas campanhas da França, que tem ficado aquém das expectativas. A participação no Mundial de 2010 foi no mínimo desastrosa – nem conseguiu passar da fase de grupos e somou um empate como melhor resultado. Essa participação causou grande desagrado e foi muito noticiada pela polémica dos balneários. Após a demissão de Domenech e a escolha de Blanc esperava-se uma França mudada e com possibilidades de discutir o Europeu de 2012… mas tal não aconteceu.

Fizeram melhor do que no Mundial de 2010, mas ficaram novamente aquém das expectativas. Talvez por terem apanhado uma Espanha fortíssima nos quartos-de-final, mas mesmo assim queria-se mais dos pupilos de Blanc. Agora, com Deschamps, começa uma nova etapa. E isso comprova-se com esta convocatória, repleta de jovens talentosos. Espero uma França forte e capaz. Renovada e eficiente. Uma selecção com sede de títulos e capaz de voltar a ombrear com os melhores. Podemos estar mesmo diante do renascer da Gália, de que a conquista do Mundial Sub-20 de 2013 pode ter sido apenas o começo.

Em suma, penso que com estes jogadores Deschamps pode ir longe. Fico apreensivo quanto à ausência de Nasri, pois faz falta um jogador criativo neste elenco. Por outro lado, percebo a atitude de Didier que com certeza ficou inquieto com os contínuos altos e baixos de Nasri ao longo da época, com prestações e atitudes oscilantes. Espero para ver, mas conto que este seja o ano de regresso em grande da França após aquele desaparecimento descabido no Mundial de 2010.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Hugo Lloris (Tottenham), Steve Mandanda (Marselha), Mickaël Landreau (Bastia).

Defesas – Raphaël Varane (Real Madrid), Mamadou Sakho (Liverpool), Mathieu Debuchy (Newcastle), Laurent Koscielny (Arsenal), Lucas Digne (PSG), Eliaquim Mangala (FC Porto), Bacary Sagna (Arsenal), Patrice Evra (Manchester United).

Médios – Yohan Cabaye (PSG), Paul Pogba (Juventus), Blaise Matuidi (PSG), Moussa Sissoko (Newcastle), Clément Grenier (Lyon), Rio Mavuba (Lille), Mathieu Valbuena (Marselha).

Avançados – Karim Benzema (Real Madrid), Franck Ribéry (Bayern Munich), Antoine Griezmann (Real Sociedad), Olivier Giroud (Arsenal), Loïc Rémy (Newcastle). 

A ESTRELA

Frank Ribéry Fonte: Mirror
Frank Ribéry
Fonte: Mirror

A estrela da selecção francesa é indubitavelmente Frank Ribéry. Apesar de uma época um pouco mais apagada não se pode negar a influência do extremo do Bayern de Munique na formação de Deschamps. Eleito melhor jogador a actuar na Europa na época 2012/2013, promete destruir os laterais e confundir a defesa adversária com cruzamentos e remates imprevisíveis.

Após uma época brilhante ao serviço do seu clube no ano passado, com a conquista da Liga dos Campeões e das respectivas competições internas, Ribéry baixou um pouco o rendimento, sendo a meu ver este ano ultrapassado por Robben como figura central da equipa da Baviera.

Penso que apesar da época no Bayern, em que conquistou o campeonato e a Taça, Ribéry vai querer mostrar que a Bola de Ouro lhe deveria ter sido entregue. Prevejo, assim, uma actuação de grande suor e esforço por um papel de destaque neste Mundial. 

O TREINADOR

Didier Deschamps Fonte: thehardtackle.com
Didier Deschamps
Fonte: thehardtackle.com

Didier Deschamps foi apresentado como seleccionador francês a 9 de julho de 2012, findado o Europeu. Chegou com a promessa de criar uma equipa que “controle e se imponha ao adversário”. Na fase de qualificação conseguiu morder os calcanhares à selecção espanhola mas acabou por ficar em segundo lugar no seu grupo. No play-off livrou-se da Ucrânia, após uma reviravolta que ninguém esperava.

Analisando o percurso deste treinador (AS Mónaco, Juventus e Marselha), podemos esperar grandes coisas. Habituado aos títulos e aos grandes palcos, vai com toda a certeza trazer-nos um futebol atractivo e eficaz. A passagem por Itália teve grande influência no seu método de trabalho. Didier vai, certamente, apostar numa atitude mais pragmática, com grande coerência defensiva e um meio-campo exímio a lançar bolas para o ataque.

Penso ter sido a melhor escolha para recolocar a selecção gaulesa na discussão das grandes competições. 

O ESQUEMA TÁTICO

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Espera-se uma equipa a jogar ao estilo italiano: com uma defesa sólida e com os laterais a subir e apoiar no ataque. No meio-campo espera-se competência e pragmatismo, quer na hora de defender, quer na hora de atacar. Jogar um pouco no erro adversário, lançar a bola no ataque e cortar os lances ofensivos adversários pela raiz. No ataque, há uma grande dependência de Benzema e Ribéry, mas há também soluções no banco para alterar a filosofia de jogo.

O PONTO FORTE

Uma equipa bastante jovem e renovada, com muitos dos elementos da selecção de sub-20 campeã do mundo em 2013, pode trazer muita criatividade. A coerência táctica de Deschamps e a influência de alguns jogadores experientes como Sagna, Evra ou Ribéry é uma grande vantagem, especialmente dentro de um grupo jovem, que, apesar de talentoso, pode perder a calma e a maturidade em momentos de maior pressão. De salientar ainda a grande muralha defensiva que conta com defesas de grande nível mundial e o meio-campo, onde alinha uma das maiores promessas do futebol: Pogba.

O PONTO FRACO

Defesa e meio-campo são importantes mas o ataque é essencial. E não sei até que ponto uma marcação cerrada a Ribéry e Benzema poderá deitar o plano de Deschamps pelo cano abaixo. Apesar de renovada, a equipa continua a depender muito destes dois jogadores. Falta nesta selecção um desequilibrador nato. Vamos esperar para ver o que estes jovens podem fazer.

O fair-play é uma treta!

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ligue 1

Ainda estamos em Maio, mas dificilmente teremos uma transferência mais absurda do que a de David Luiz para o PSG. O central brasileiro, que se tornou no defesa mais caro da história, permite ao Chelsea um encaixe de cerca de 50 milhões de euros. Numa altura em que se fala bastante do fair-play financeiro imposto pela UEFA – que até castigou o emblema parisiense recentemente -, este negócio é um autêntico atentado ao futebol.

São várias as razões que fazem desta transferência uma das mais ridículas dos últimos tempos. A primeira, e a mais evidente, é o facto de David Luiz não valer, nem de perto nem de longe, 50 milhões de euros. Nesta altura, e tendo em conta o seu estatuto de suplente no Chelsea, metade desse valor seria aceitável. É certo que o brasileiro tem características perfeitas para a posição, mas, aos 27 anos, está longe de cumprir aquilo que prometeu, principalmente por não conseguir atingir níveis de regularidade adequados. Nunca foi indiscutível para os vários treinadores que passaram por Londres e nas últimas épocas foi frequentemente utilizado como trinco.

A contratação de David Luiz não era uma prioridade para o PSG. Não era sequer uma necessidade. Tendo Thiago Silva, um dos melhores centrais do mundo, e Marquinhos, o central mais promissor a nível mundial (a par de Varane), não faz qualquer sentido investir 50 milhões de euros num jogador para a posição. Até porque na última época o emblema parisiense pagou 35 milhões de euros à Roma por Marquinhos. E convém não esquecer Alex, jogador experiente e que constitui uma boa alternativa aos titulares. Com esta aquisição, que dá continuidade à “brasileirização” do sector defensivo, veremos se o campeão francês estará disponível para abdicar de Marquinhos (que, em princípio, será suplente).

Depois de defrontar o PSG na Liga dos Campeões, David Luiz muda-se para Paris  Fonte: Sky Sports
Depois de defrontar o PSG na Liga dos Campeões, David Luiz muda-se para Paris
Fonte: Sky Sports

Fora do plano desportivo, esta transferência é uma demonstração de que o fair-play financeiro, nos moldes actuais, não é castigo suficiente para os clubes mais endinheirados. O PSG foi recentemente multado pela UEFA em 60 milhões de euros, sendo também proibido de aumentar a sua pauta salarial e ficando limitado à inscrição de 21 jogadores na Liga dos Campeões. Depois do castigo imposto pela organização que tutela o futebol europeu, esta contratação quase parece uma provocação (uma espécie de “quero, posso e mando”) da parte do emblema parisiense.

Na perspectiva do Chelsea é, obviamente, um excelente negócio. Depois de terem encaixado 45 milhões com Mata, que não era titular, os blues recebem agora cerca de 50 milhões de euros por outro suplente. Um elemento que não era, de todo, indispensável para Mourinho. Sabendo que o clube londrino é um cliente habitual do futebol português, esta transferência vem aumentar a possibilidade de haver mais mudanças do campeonato nacional para a Premier League. Para além disso, mete dinheiro a circular e irá concerteza provocar um “efeito bola de neve” no mercado.

Revista do Mundial’2014 – Rússia

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Desde que a seleção russa deixou de poder contar com jogadores associados às outras Repúblicas Socialistas Soviéticas (isto é, desde que a URSS se desmembrou) que as participações em fases finais de Campeonatos do Mundo ficaram àquem do esperado por um país habituado a ver a sua seleção nas decisões das grandes competições (no palmarés, até à data do desmembramento, tinha três quartos-de-final no Mundial e quatro finais europeias – uma das quais ganha). Desde 1990, disputaram-se cinco fases finais de Campeonatos do Mundo e a Rússia só esteve presente nas de 1994 e 2002, terminando ambas as participações na fase de grupos.

Os seleccionados por Fabio Capello terão sobre os ombros, portanto, a responsabilidade de saciar a fome de todo um povo que procura ver o seu país representado de forma digna e em coerência com um passado glorioso, ainda para mais tendo em conta que este Mundial é o último antes daquele que a própria Rússia irá organizar.

Pegando nisto, é fácil adivinhar a importância que os russos darão ao sucesso no Brasil. Inseridos num grupo onde se inclui a Bélgica, a Coreia do Sul e a Argélia, e após uma fase de qualificação onde deixaram para trás uma seleção como a portuguesa, registando um pecúlio impressionantemente regular, parece bastante provável que isso aconteça, ou que pelo menos se superem os feitos alcançados desde 1990 (eliminação nas fases de grupos) em fases finais de Mundiais.

Fabio Capello costuma partir do 4x1x4x1 sem posse em jogos mais competitivos, apostando no reforço da zona central do terreno, ocupada por norma por cinco homens (centrais, médio defensivo e médios-centro) que têm perfeita noção das zonas que devem ou não ocupar, tal como os laterais, que não sobem com muita regularidade e que contam com o apoio dos médio-alas no processo defensivo. A atacar, o conjunto russo assume o 4x3x3, com dois alas declarados e um avançado móvel (Kokorin) que oferece uma dinâmica única ao processo ofensivo russo, por norma apoiado pelo médio mais criativo (Shirokov), que é quase sempre o pensador do jogo da Sbornaya.

Esta dinâmica foi suficiente para que a Rússia se exibisse com algo que ainda não tinha sido visto ao longo destes anos: regularidade. O dedo de Capello é notório nesse sentido e se o treinador italiano conseguir fazer com que os seus jogadores apresentem uma disciplina mental semelhante àquela que apresentam taticamente, então esta Rússia poderá tornar-se num caso sério.

OS CONVOCADOS (Pré-Convocatória de 25 elementos – a ser reduzida em breve)

Guarda-redes – Igor Akinfeev (CSKA Moscovo), Yury Lodygin (Zenit) e Sergei Ryzhikov (Rubin Kazan).

Defesas – Vasily Berezutsky (CSKA Moscovo), Sergei Ignashevich (CSKA Moscovo), Georgy Shchennikov (CSKA Moscovo), Vladimir Granat (Dínamo Moscovo), Alexei Kozlov (Dínamo Moscovo), Andrei Yeshchenko (Anzhi), Dmitry Kombarov (Spartak Moscovo) e Andrei Semenov (Terek Grozny).

Médios – Igor Denisov (Dínamo Moscovo), Yury Zhirkov (Dínamo Moscovo), Alan Dzagoev (CSKA Moscovo), Roman Shirokov (Krasnodar), Denis Glushakov (Spartak Moscovo), Pavel Mogilevets (Rubin Kazan), Viktor Faizulin (Zenit) e Oleg Shatov (Zenit).

Avançados – Alexander Kerzhakov (Zenit), Alexei Ionov (Dínamo Moscovo), Alexander Kokorin (Dínamo Moscovo), Maxim Kanunnikov (Amkar Perm), Denis Cheryshev (Sevilha/Esp) e Alexander Samedov (Lokomotiv Moscovo)

A ESTRELA

Roman Shirokov Fonte: img.rt.com/
Roman Shirokov
Fonte: img.rt.com/

Há muito em Shirokov que pode enganar quem o vê fora de campo, principalmente se quem o vir atentar na idade e na altura do craque russo – 32 anos e 1,87m – e tecer julgamentos a partir daí, como o peso da idade na resistência de um jogador ou o estilo desengonçado/trapalhão que os jogadores altos costumam ter.

Shirokov supera todos os paradigmas ligados às suas “limitações” fisicas e fisiológicas e escapa à frieza dos números a ele associados, tendo conseguido fazer deles aliados. A alta estatura permite-lhe emprestar superioridade à sua equipa no jogo àereo e a idade traz experiência e inteligência na leitura de um jogo, algo que o número 15 soube aproveitar da melhor maneira, apresentando uma evolução vistosa em todo o seu jogo desde os seus tempos de jogador inconsequente e incapaz de direccionar a sua capacidade técnica para o jogo coletivo…

… algo que faz agora, e de que maneira! Afinal transformou-se no pensador de jogo de toda uma seleção (fazendo uso de uma qualidade de passe absolutamente extraordinária), de todo um país, e já é considerado imprescindível por Fabio Capello, tendo estado presente em toda a campanha de qualificação rumo ao Mundial 2014, marcando 3 golos que atestam o seu faro pelo golo (esta época marcou 8 golos em 16 jogos no campeonato russo).

O TREINADOR

Fabio Capello Fonte: AFP/Getty Images
Fabio Capello
Fonte: AFP/Getty Images

Fabio Capello é um autêntico dinossauro do futebol. Enquanto jogador, passou pela nata do futebol italiano, contabilizando 32 presenças na seleção italiana e várias dezenas de jogos em clubes transalpinos de elite como Milan, Roma e Juventus.

Em 1991 abraçou a carreira de treinador. Assumiu o comando técnico dos clubes italianos que representou enquanto jogador e do Real Madrid, vencendo quatro Series A ao serviço do Milan, uma com as cores da Roma (a única em 30 em anos e apenas a terceira em toda a história dos giallorossi) e ainda duas Ligas de Espanha ao serviço do Real Madrid. Em 2008 aventurou-se no papel de seleccionador, orientando a Inglaterra após o Euro 2008, qualificando a formação da Old Albion para duas fases finais, sendo eliminado no primeiro jogo após a fase de grupos em ambos os casos. Porém, ficou na história como o treinador da seleção ingelsa com maior percentagem de vitórias (66.7%) de sempre.

Depois do Euro 2012, foi tentado por uma proposta milionária da Federação Russa e já deu uma amostra da sua competência: qualificou a seleção para um Mundial, algo que não acontecia desde 2002, e à frente de uma seleção que era considerada favorita a vencer o grupo (Portugal), apresentando números vistosos – 7 vitórias em 10 jogos, e apenas 5 golos sofridos durante este período.

O ESQUEMA TÁTICO

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 O PONTO FORTE

As estatísticas ilustram bem o que é esta equipa a defender: em 10 jogos disputados na luta pelo apuramento para o Mundial 2014, a formação orientada por Fabio Capello apenas sofreu golos em 5 jogos e as redes russas nunca foram violadas por mais do que uma vez durante os encontros que disputou na fase de acesso. Isto deve-se à forma como a Rússia fecha espaços na zona central (não sofreu qualquer golo fora da àrea), obrigando o adversário a explorar zonas laterais, onde também é forte quando consegue criar superioridade numérica com a descida dos médios-ala.

Ankifeev e a dupla de velhas raposas (Berezutski-Ignanshevich) na zona central ajuda a explicar a eficiência da “muralha” russa.

O PONTO FRACO

Apesar de apresentar uma extraordinária performance defensiva, seja em termos estatísticos ou em jogo corrido, a formação russa parece não se dar bem quando o adversário explora o jogo aéreo, conforme ficou evidenciado nas duas derrotas averbadas pela equipa (ambas por 1-0, com os dois golos a serem consentidos do mesmo modo). 

Apesar de a dupla de centrais não ser propriamente baixa (1,89m para Berezutsky e 1,86m para Ignashevich), e de esta característica se estender ao resto do plantel, parece verificar-se algum desnorte quando o jogo aéreo dos russos é testado.

Discos na Relva

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cab frisbee

No passado fim-de-semana de 17 e 18 de Maio, disputou-se o Campeonato Nacional e Ibérico de Ultimate Frisbee de Relva, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria. Dois dias de calor intenso em que 6 equipas demonstraram a sua qualidade e o seu espírito. Entre estas seis, encontravam-se duas equipas espanholas, Frisbillanas del Universo (Sevilha) e Quimera Ultimate Salamanca (Salamanca), sendo as restantes, Lisbon Ultimate Club (LUC), Vira’o’Disco, Gambozinos e Leiria Flying Objects (LFO), portuguesas.

À medida que os jogos iam decorrendo constatei que nem todas as equipas se encontravam no mesmo patamar de nível de jogo, sendo as equipas mais fortes, a meu ver, as seguintes: LUC, Gambozinos e Frisbillanas del Universo. No final, os Gambozinos, de Aveiro, provaram ser mais fortes contra os LUC e venceram a final por 10-7. Destaque para as raparigas de ambas as equipas que mostraram a sua força, pontuando várias vezes.

Os Vira’o’Disco, apresentaram-se com uma equipa pick-up, ou seja, por não terem jogadores suficientes, contaram com a ajuda de outros jogadores que, para além de participarem nos jogos das suas equipas, também jogaram com a equipa de Palmela. Esta equipa mereceu o prémio do Espírito de Jogo, atribuído pelas restantes, talvez porque, sendo uma equipa pick-up, e, por isso, perdendo obrigatoriamente todos os jogos (independentemente de ter ganho alguns), nunca baixou a cabeça!

Por fim, é de referir o trabalho meritório que os LFO têm desenvolvido na sua equipa (que não pára de crescer) e o empenho que demonstraram na organização deste campeonato que contou com a parceria e o patrocínio de 13 organizações.

(Vídeo e Fotografia retirados do Facebook LFO Leiria Flying Objects – Ultimate Frisbee Team)