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A Revolução da Inteligência

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eternamocidade

Este domingo joga-se mais um clássico do futebol português: FC Porto e SL Benfica defrontam-se na meia-final da Taça da Liga, num jogo meramente formal para as duas equipas. Vamos por partes: o Benfica chega ao Dragão depois da conquista do título, dos festejos no Marquês e sobretudo depois de uma magra mas importante vitória na última quinta-feira frente à Juventus para a Liga Europa; quanto aos dragões, esta meia-final da Taça da Liga nem uma “salvação” de uma época terrível parece ser. Os portistas vêem nesta competição apenas uma oportunidade para juntar um troféu (irrelevante, digo eu) ao seu palmarés. Quando as duas equipas pisarem o relvado do Dragão, a cabeça do plantel benfiquista estará com certeza no jogo de Turim e o pensamento dos jogadores portistas na época 2014/15.

Bem sei que depois de uma época de tantos desaires, a última coisa que os adeptos portistas querem é mais um fracasso. Ainda assim, fazer desta meia-final da Taça da Liga o jogo mais importante da época parece-me um exagero e sobretudo um insulto para aquilo que tem sido a história recente portista. Não deixa por isso de ser curioso como no espaço de 12 meses a história ter mudado tanto: o Benfica já aparece campeão nacional, quando no ano passado todos se lembram do célebre gesto de Jesus a ajoelhar-se no Dragão; o Benfica aparece a caminho da final da Liga Europa, enquanto o FC Porto foi vergado de forma humilhante em Sevilha. E, sim, já nem falo da diferença de qualidade das duas equipas durante esta época porque sobre isso já dissertei dezenas de vezes este ano. Ainda assim, é importante recordar o que foi dito e escrito depois do final da época passada para colocar na cabeça, tal como escrevi na semana passada, que uma época como esta só aconteceu por puro demérito portista.

Contudo, e apesar das críticas que podem ser feitas à equipa (e que eu próprio fiz), ao treinador e à estrutura, sinceramente não entendo a falta de memória de muitos “adeptos”. Depois de tantos anos onde campeonatos se acumularam e onde títulos europeus foram deixando o clube e a cidade orgulhosos, não entra na minha cabeça que uma época perdida seja argumento suficiente para colocar tudo em causa. Ao longo das últimas semanas, tenho assistido a ataques nas redes sociais, a ameaças feitas a jogadores e a ataques brutais feitos a dirigentes. Depois de tantos anos de conquista, será justo? Será justo que depois de um tri-campeonato os adeptos coloquem tudo em causa apenas e só em virtude de algumas escolhas de um presidente que entrará para sempre na história do futebol mundial?

Não quero que me interpretem mal e que achem que estou a tentar desculpar: não, bem pelo contrário. Como tenho escrito no Bola na Rede, esta época do FC Porto deve ser um alerta para todos aqueles que vivem este clube, desde jogadores a adeptos. Contudo, a pior coisa que acredito que se pode fazer é ter memória curta e esquecer o calcanhar de Madjer em 1987, a correria de Derlei em 2003, a magia de Deco em 2004 ou o voo de Falcao em 2011. Bem sei que o futebol é um jogo de emoções e que muitas das vezes a memória é demasiado curta para os adeptos se poderem lembrar de momentos como os que citei agora. No entanto, depois de todas estas derrotas, não me parece que este argumento justifique a tão proclamada “revolução” que os tais “adeptos” portistas tanto apregoam.

pinto da costa e antero
A estrutura que este ano errou é a mesma que somou títulos atrás de títulos
Fonte: A Bola

Fui escrevendo ao longo da época neste espaço que o plantel portista foi mal construído, que a aposta no treinador foi errada e que alguns erros básicos de comunicação foram cometidos sem que razão aparente houvesse. Ainda assim, não compreendo como neste momento, com tão pouco para jogar e para ganhar, se declare que é preciso mudar tudo, mudar os protagonistas todos e fazer uma autêntica revolução como se um clube fosse gerido de fora para dentro.

Um dia depois da celebração dos 40 anos da Revolução dos Cravos, pareceu-me interessante colocar em discussão a tão proclamada revolução que tantos desejam para o FC Porto. Um plantel mal construído e um erro na nomeação de um treinador não devem bastar para colocar tudo em causa e achar que tudo deve mudar. Olhando para o exemplo inglês, é inteligente pensar que só porque um clube como o Manchester United está a fazer uma das piores épocas da sua história deve mandar jogadores como Rooney, Van Persie, Javier Hernandéz ou Nani embora? Pois…

No FC Porto é assim também que acredito que se deve escrever a próxima história, o próximo capítulo de um clube destinado a vencer. Apesar de todos os erros cometidos, não acredito que o Mangala não consiga ser um central de classe europeia, que Danilo e Alex Sandro se tenham esquecido da qualidade que têm, que Jackson já não saiba marcar um golo ou, pior, que Pinto da Costa já não saiba liderar um clube.

40 anos depois da Revolução dos Cravos, não acredito que seja preciso soltar os tanques e trazer o povo para a rua para reivindicar o que seja. Afinal de contas, são mais as vitórias do que os desaires na nossa memória: sim, essa memória que não deve ser curta e que não deve ser selectiva para todos aqueles que já nos deram tantas alegrias e conquistas. Porque, sim, os outros também jogam. Não se esqueçam disso.

Pragmatismo para a glória

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Topo Sul

Numa altura em que se vive um clima de euforia e entusiasmo no universo benfiquista, disputam-se a cada três dias duelos decisivos e de extrema importância para o clube encarnado. Depois da conquista do campeonato nacional, o Benfica ainda pode juntar mais três títulos ao seu recheado palmarés e culminar uma época perfeita.

Para quem duvidava do poder da equipa do Benfica, os resultados alcançados na semana passada apenas serviram para provar a indubitável capacidade do plantel encarnado, que se mostra mais do que preparado para atingir o total sucesso esta temporada. Assim, com o título nacional no bolso, o lugar marcado no Jamor e em boa posição para a alcançar a final da Liga Europa, as águias discutem amanhã a presença em mais uma final de uma competição, a Taça da Liga.

Olhando, de forma pragmática, para o panorama actual do clube, é indiscutível que a Taça da Liga é a prova menos prestigiada das três que a equipa ainda pode vencer e, por isso, é expectável que Jorge Jesus opte por fazer descansar alguns jogadores mais preponderantes no plantel para o jogo de quinta-feira, com a Juventus. Essa partida em Turim é, neste momento, a mais importante da época encarnada, na qual os atletas devem estar na plenitude das suas capacidades para derrotar um adversário temível, mas não superior, como é a Vecchia Signora.

Porém, antes do jogo da época, há um clássico para disputar amanhã no Estádio do Dragão. O adversário é um dos maiores rivais do Benfica, o tal que se transcende sempre que defronta o maior de Portugal. O F.C. Porto está a fazer uma das piores épocas da sua história, mas isso não é um indicador claro de maiores facilidades para os encarnados na partida de amanhã. Por ser o único titulo que os dragões ainda podem conquistar, a meia-final de amanhã será encarada como uma final para uma equipa que tenta minimamente salvar uma desastrosa temporada.

Com estas referências à vitalidade do jogo de amanhã para o F.C. Porto (quem diria!?), quero ressalvar que, apesar de se tratar de uma prova menor, o jogo de amanhã é um clássico do futebol português, onde se disputa um lugar numa final. Estes dois factores terão forçosamente de pesar nos jogadores encarnados que entrarem amanhã no relvado. Esses tais não serão, com certeza, os mesmos craques que brilharam no domingo com o Olhanense ou na quinta-feira com a Juventus, mas irão envergar o manto sagrado e a qualidade do onze escolhido por Jesus para o jogo de amanhã não ficará a dever nada ao do F.C. Porto, seja ele qual for. Talvez esteja a ser excessivamente entusiasta, mas estou certo de que jogadores como Sulejmani, Djuricic, Cavaleiro ou Cardozo são capazes de criar perigo em vários momentos do jogo.

 Sulejmani e Djuricic deverão ser titulares no clássico de amanhã frente ao F.C. Porto Fonte: ZeroZero
Sulejmani e Djuricic deverão ser titulares no clássico de amanhã frente ao F.C. Porto
Fonte: ZeroZero

Olhando para a gestão que tem vindo a ser feita pelo treinador do Benfica, parece-me que o ataque à final da Taça da Liga será processado numa óptica calculista, baseada numa gestão centrada no jogo de quinta-feira, mas sem descurar totalmente a possibilidade de derrotar, mais uma vez, o F.C. Porto. Deste modo, para além das alterações expectáveis na baliza e na frente de ataque, não espero uma revolução na defesa e meio-campo defensivo. Se Jardel e Steven Vitória podem ocupar os lugares no eixo na defesa, também não afasto a ideia – para mim a mais acertada- de Garay jogar ao lado do central brasileiro, colocando André Almeida e Maxi nas laterais. André Gomes, que não poderá jogar em Turim, será certamente aposta para o meio-campo e pode muito bem ter a companhia de Ruben Amorim no centro do terreno. A frente de ataque, como já referi anteriormente neste texto, deverá ser (bem) entregue a Sulejmani, Cavaleiro, Djuricic e Cardozo.

Este poderá ser o onze escalonado por Jorge Jesus para o clássico de amanhã e, mesmo sem ser um dado oficial, estou convicto de que estes homens estão em perfeitas condições para carimbarem mais uma noite gloriosa para as águias. Estas segundas linhas são de luxo e a confiança que paira nas hostes encarnadas poderá ser imperial no desenrolar da partida.

Os dados para o penúltimo clássico da época, entre águias e dragões, estão lançados, e resta saber qual o desfecho de mais um duelo que reunirá os melhores clubes portugueses dos últimos anos, em posições muito distintas. No entanto, em hora de clássico pouco contam as estatísticas e os momentos das equipas; é preciso encarar este jogo com a máxima seriedade e com a ambição de alcançar mais uma final e continuar o percurso imaculado desta temporada.

O Passado Também Chuta: Giacinto Facchetti

o passado tambem chuta

Helénio Herrera, como treinador, não sabia só criar uma equipa praticamente do nada; era capaz de ver um jogador e transformá-lo. O caso que mais relevância alcançou chama-se Giacinto Facchetti. HH deitou-lhe o olho, ainda que fosse um atacante. Pegou nele e colocou-o como lateral-esquerdo. Os primeiros jogos foram dubitativos. No entanto, Facchetti teve a sorte de ter um treinador que sabia o que estava a fazer e que disse: “Facchetti será importantíssimo no meu Inter”… O tempo não se fez esperar. Ganhou consistência defensiva e não se esqueceu de como correr toda a linha lateral com velocidade e qualidade de toque de bola. Facchetti transformara-se no primeiro lateral italiano que percorria a linha e num dos melhores laterais do Mundo.

Tornou-se um jogador que cruzou a época gloriosa do Inter de Milão. Não quis outro clube e retirou-se como capitão da equipa. Quando o grande Eusébio ganhou a Bola de Ouro, a Bola de Prata foi parar às mãos de Giacinto Facchetti. Entre escolhas e nomeações ficou situado entre os vinte melhores jogadores do século XX superando, inclusivamente, outro ícone do futebol italiano e mundial, também lateral-esquerdo, Paolo Maldini. Sendo defesa, foi um jogador cheio de recursos e rematador. Rondou os cem golos durante a sua carreira e alcançou, no futebol italiano do fervor do catenaccio, a nada desprezível quantidade de dez golos numa época-campeonato.

Foi vice-campeão mundial com a sua seleção. Atingiu o avultado – e mais para a época – número de noventa e quatro internacionalizações. Ganhou com a seleção italiana o Campeonato Europeu de 1968. Rubricou todos os títulos como peça importante da década de 60 do Inter de Milão; arrecadou quatro Campeonatos de Itália; uma Taça de Itália; duas Taças Intercontinentais e duas Taças dos Campeões Europeus. Jogou dezoito anos no seu Inter, desde 1960 até 1978. A sua corpulência, a sua técnica e o seu savoir faire permitiram-lhe retirar-se como líbero, tal como o seu herdeiro no futebol italiano e mundial Paolo Maldini. Posteriormente, Facchetti continuou no caminho da surpresa e da inovação.

Com Sandro Mazzola   Fonte: imageshack.us
Com Sandro Mazzola
Fonte: imageshack.us

Enveredou pelo dirigismo. Sem sair do clube da sua vida, foi ocupando e desempenhando com êxito posições importantes na instituição. Finalmente, em 2004, ocuparia a presidência do Inter de Milão. Foi, como é evidente, o primeiro jogador a ocupar este cargo no clube. Tristemente, passados dois anos faleceu atacado por um tremendo cancro do pâncreas. Foi-se uma lenda da época mais gloriosa do Inter. Desapareceu do mundo dos vivos alguém que durante a sua vida foi batendo marcas com elegância. Durante a sua dilatada carreira de futebolista apenas uma vez sentiu a sensação de ser expulso dos relvados. Sendo defesa, este dado diz quase tudo da sua qualidade e capacidade. Não esfolava pernas; jogava e era um mestre na arte do corte. O futebol é um jogo onde também os defesas alcançavam reconhecimento e prémios de prestígio internacional; a sua Bola de Prata, competindo apertadamente com o mito Eusébio, é o exemplo vivo. O futebol não é composto, exclusivamente, por Ronaldos, Messis ou Ribérys…

Mudanças a todos os níveis

cab desportos motorizados

O WTTC (Mundial de Carros de Turismo) sofreu grandes transformações este ano. Mesmo quem não acompanha de perto a modalidade o consegue perceber ao ver os carros.

As principais mudanças podem ser vistas neste vídeo:

Como o vídeo está em inglês, e eu próprio não percebo grande coisa da língua inglesa, vou escrever aqui o mais importante. Os carros passam a ter cerca de 80 cavalos (cv) a mais, ficando agora com 380 cv. O restritor da admissão do turbo também aumenta, ficando com 36 mm no total, um aumento de três mm e as jantes foram aumentadas em uma polegada (17’’ para 18’’). Com este aumento de potência, e como forma de melhor ‘segurar’ os carros, surge agora um enorme aileron traseiro.

As diferenças entre os carros de 2013 e 2014 vistas no carro de Tiago Monteiro. Fonte:
As diferenças entre os carros de 2013 e 2014 vistas no carro de Tiago Monteiro.
Fonte: lusomotores.com / supermotores.net

A outra grande novidade da temporada de 2014 do WTCC é a chegada da Citroën ao campeonato. Com ela veio Sébastien Loeb, que assim passa das estradas para as pistas e aumenta a procura pela competição, que está longe de ser a mais visionada entre os desportos motorizados.
A temporada de 2014 já contou com dois grandes prémios (GP), em Marrocos e França, e volta a ter em Tiago Monteiro o único português na competição. Portugal viu ainda perder o seu GP esta temporada, mas deve de voltar em 2015 com o Circuito da Boavista.

A marca francesa tem tido um início de época memorável e leva por vitórias todas as quatro corridas disputadas (cada GP tem duas corridas): duas pelo argentino José Maria Lopez, que comanda o campeonato com 85 pontos, uma por Loeb, e a outra pelo campeão mundial Yvan Muller. Os três pilotos estão nas três primeiras posições da classificação, pela ordem aqui escrita. Por marcas, o líder também é a Citroën, que tem 186 pontos contra 103 da Honda, a equipa de Monteiro, que conseguiu ficar em terceiro na segunda corrida de França e que está em sexto do mundial, com 30 pontos.
Dias 3 e 4 de maio regressa a competição, com o GP da Hungria no circuito de Hungaroring.

O eterno capitão

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Desde o longínquo ano de 1996 que o Atlético de Madrid não sabia o que era ir até à famosa Praça Neptuno festejar um título. E que enorme ano foi esse de 96, onde conseguiram a dobradinha. Treinado pelo jugoslavo Radomir Antic, que contava nas suas fileiras com Jose Luis Caminero, Milinko Pantic, Lyubolslav Penev, Kiko e o capitão Diego Simeone.

Parecia surgir uma nova era no futebol espanhol, em que o Atlético ressurgia depois de 19 anos sem vencer e poderia deixar uma marca. A verdade é que nos dois anos seguintes não conseguiram ir além de um quinto lugar, com um plantel que era um verdadeiro luxo e onde militava o Português Paulo Futre.

Em 1999/2000 surgiu o descalabro e acabou relegado para a segunda divisão. Os anos passaram e o clube foi procurando de novo o seu espaço. Construiu novos plantéis, abraçou novos projectos com diferentes treinadores, mas a verdade é que a dificuldade em chegar às decisões era clara. Parecia um clube habituado a falhar.

Paulo Futre foi capitão e uma das estrelas do Atlético Fonte: Getty Images
Paulo Futre foi capitão e uma das estrelas do Atlético
Fonte: Getty Images

Desde esse período, inúmeras estrelas rechearam o clube. De Torres a Vieri, nenhum destes jogadores e nenhum das dezenas de treinadores que por lá passaram foram capazes de celebrar um título com o Atlético. Mas eis que surge o ano de 2010, onde Kun Aguero, Diego Forlan e David de Gea, entre outros, sob o comando de Quique Flores, conseguem vencer a Liga Europa e devolver um título ao clube – por sinal o seu primeiro na Europa.

Dois anos passados e, já sem as suas estrelas entretanto vendidas a outros tubarões Europeus, o clube parecia entrar novamente numa dinâmica de “fome de títulos”, mal conseguindo qualificar-se para as provas europeias. Ao ritmo de um treinador por época, saiu Quique Flores e entrou Gregorio Manzano para a época de 2011/2012, que só chegou a Dezembro.
Voltavam as caras de preocupação no estádio, voltava o desânimo entre os adeptos. Até que chega, quase 20 anos depois, o eterno capitão, Diego Simeone.

El Cholo, como é conhecido, pega na equipa a meio da época – uma equipa amorfa, sem dinâmica de futebol, desorganizada e que vivia do seu enorme goleador Falcao – e transforma por completo o panorama dos colchoneros. Desde que Simeone entrou, não é só o futebol que está de volta, são também os títulos. Vence a Liga Europa nesse mesmo ano, ao futebol fantástico e total do Athletic de Bilbau do extravagante Marcelo Bielsa, vence a Taça do Rei no ano seguinte (2012/2013) e a Supertaça Europeia com uma goleada ao Chelsea. Hoje estamos a falar de uma equipa que é primeira classificada no campeonato espanhol a 4 jornadas do fim e está nas meias-finais da prova rainha da UEFA, a Champions League.

Simeone não tardou a levar o Atlético à conquista de títulos Fonte: Getty Images
Simeone não tardou a levar o Atlético à conquista de títulos
Fonte: Getty Images

Simeone trasnformou o clube à sua imagem, muito à semelhança do que fizeram e fazem os grandes treinadores, de Guardiola a Sacchi, de Lippi a Capello. El Cholo transformou o futebol do Atlético num futebol de luta, de crença, de garra, de suor. Como o próprio definia o seu jogo, “como um homem com uma faca entre os dentes”

Os grandes treinadores são assim: têm uma influência de tal forma importante que conseguem moldar o futebol da sua equipa à sua própria imagem e personalidade. Com uma clara opção táctica pelo 4-4-2, Simeone exige agressividade e compromisso e os jogadores demonstram-no em campo. Consegue extrair o melhor de cada um seja em situação que for e seja contra que adversário for. Mais do que um futebol moldado pela posse ou pela acutilância ofensiva, o seu futebol é único, é guerreiro. É a coesão o seu segredo, a sua imagem. Ali todos são um e um não é nada. Como disse uma vez Juanfran: “treinamos de diferentes maneiras, dependendo do adversário, mas treinamos sempre como se fosse uma final”.

O eterno capitão voltou e com ele voltou a alegria no Vicente Calderón. Uma equipa à imagem de Simeone, um estádio à imagem de um Coliseo de Gladiadores.

A afirmação dos jovens valores

cab hoquei

Portugal teve este fim-de-semana mais uma demonstração da qualidade que existe na formação. Em Viana do Castelo, os jovens comandados por Luís Sénica fizeram o pleno, ao vencerem os três jogos da Taça Latina.

Mas primeiro vamos falar do troféu em si. A Taça Latina é uma prova disputada entre Portugal, Espanha, Itália e França, as quatro melhores selecções de hóquei na Europa. É um torneio que ocorre de dois em dois anos (intervala com o Torneio de Montreux) e o escalão que participa é o sub-23.

Para este ano, as quatro selecções poderiam ser divididas em dois grupos. Itália e França vinham com o objectivo de ambientar os seus jogadores aos grandes palcos. A pretensão destas selecções era fazer com que os jogadores ganhassem experiência para provas futuras. A Itália trouxe uma selecção mais jovem e sem os habituais titulares, pois a Taça Latina ocorre ao mesmo tempo que a fase decisiva do campeonato italiano.

Portugal e Espanha partiam mais à frente. Os dois conjuntos tinham o objectivo real de ganhar a Taça. Tanto portugueses como espanhóis têm planteis recheados de grandes valores que já se afirmaram nas suas equipas. Em Portugal, a formação é cada vez mais uma aposta dos clubes, quer seja por causa da crise ou por vontade dos clubes, o que faz com que cada vez mais jovens tenham as portas abertas para as equipas principais. E esses mesmos jovens têm agarrado a oportunidade. Hélder Nunes (FC Porto) André Pimenta (Sporting) Gustavo Lima (Juventude de Viana) ou Rodolfo Sobral (HC Braga) são exemplos de jovens que neste momento são peças fundamentais nas suas equipas. Em Espanha o cenário é o mesmo.

No primeiro dia, Espanha e Portugal começaram com o pé direito. Os espanhóis venceram a França por 4-1, com destaque para Joan Salvat, que fez um hat-trick. Logo a seguir Portugal venceu a Itália por 3-1. Não foi um jogo fácil, pois os italianos demonstraram uma boa organização defensiva e conseguiram empatar o jogo. Portugal não tremeu e no minuto a seguir voltou para a frente do marcador. A Itália apostou na meia distância e tinha em Giulio Cocco o homem que carregava a selecção transalpina às costas. Mesmo assim, os portugueses foram sempre mais perigosos e João Souto acabou com as dúvidas ao fazer o 3-1.

No segundo, Portugal e Espanha voltaram a vencer. Os espanhóis derrotaram a Itália por 6-1, mas ainda sofreram, ao verem os transalpinos falharem dois penalties e um livre directo. A Espanha acabaria por tomar conta da partida e vencer.

Portugal não teve dificuldades para vencer a França. Hélder Nunes deu o mote e Portugal goleou os franceses por 11-3. Ao intervalo venciam por 3-0 e 5 minutos depois do inicio da segunda parte já vencia por 6-1. O guarda-redes Pedro Costa foi também figura no jogo, travando as ofensivas francesas, mas Portugal foi mais organizado e eficaz e chegou aos 11 golos.

Portugal festeja a conquista Fonte: Facebook de CERH - Comité Européen de Rink-Hockey
Portugal festeja a conquista
Fonte: Facebook de CERH – Comité Européen de Rink-Hockey

Para o último dia estava reservado o melhor. Portugal e Espanha, ambas só com vitórias, disputavam a Taça entre si. Aos portugueses bastava um empate, pois tinham mais golos marcados. E, tal como esperado, as duas equipas deram um bom espectáculo. Numa primeira parte sem golos, os jogadores lusitanos mostraram uma boa organização defensiva e acabaram por cima, mas na baliza espanhola estava um jovem de grande valor chamado Elagi Deitg, que defendeu tudo. Elahi Deitg voltaria a ser a figura na segunda parte, ao defender vários livres directos. A Espanha entraria a ganhar na segunda parte, mas isso apenas serviu para os jovens portugueses se galvanizarem e conseguirem dar a volta ao marcador. Em vantagem numérica, fruto da expulsão de Pau Bargalló, Portugal tinha tudo para sair vencedor. Aproveitando o tudo por tudo da Espanha, os portugueses souberam aproveitar as suas saídas para o ataque e fizeram o 3-1, por João Souto. Os nuestros hermanos arriscaram tudo mas tiveram na baliza outro grande valor português. Pedro Costa parou quase tudo, menos um tiro de Àlex Rodriguez, e foi importante na manutenção do resultado, tendo mesmo defendido um livre directo que daria o empate. No outro jogo, a França venceu a Itália por 7-2 e acabou em 3º lugar.

Uma vitória justa para Portugal e, mais do que isso, uma demonstração de qualidade por parte destes jovens. O futuro da selecção está assegurado e o presente dos clubes também. Há grandes valores na formação e é hora dos clubes apostarem cada vez mais nela.

Benfica 2-1 Juventus: Lima alimenta o sonho

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O Benfica teve de suar para ganhar a uma Juventus que demonstrou ser uma equipa de primeira linha da Europa. O golo de Lima perto do final da partida dá esperança a uma presença na final de Turim.

Foi um Benfica incisivo, dominante e aguerrido que entrou no relvado da Luz. Com Sulejmani e Cardozo nos lugares de Gaítan e Lima, o Benfica chegou ao golo logo aos 3 minutos: Sulejmani marcou um canto e Garay cabeceou para o fundo da baliza de Buffon. Foi chegar, ver e marcar.

De facto, os encarnados entraram muito fortes e pressionantes em todo o campo, utilizando a habitual dinâmica ofensiva que surpreendeu a Juventus nos primeiros 20 minutos. Porém, esse fulgor das águias depressa se esfumou e o 3-5-2 que carateriza a equipa de Turim rapidamente se impôs na Luz, empurrando para trás todo o bloco benfiquista. O meio-campo de gala Juve, composto por Asamoah, Marchisio, Pirlo, Pogba e Lichsteiner, pressionou (e dominou) as duas linhas mais recuadas das águias, ganhando todas as segundas bolas. Do outro lado da barricada, o Benfica tentou sair em contra-ataques através de Markovic, Sulejmani e Rodrigo, que, à exceção de dois ou três lances, foram constantemente bloqueados pelos homens de Antonio Conte.

Esta batalha tática entre Jesus e Conte não mexeu no marcador e o Benfica foi para o intervalo com uma vantagem mínima, além de muitas questões táticas por resolver devido ao domínio dos italianos.

A segunda parte trouxe uma Juventus ainda mais dominadora. Os italianos tentaram claramente marcar um golo que pudesse anular a vantagem do Benfica e assim levar para Turim o conforto que um golo fora sempre aufere.

A equipa portuguesa mostrou-se inconsequente, fruto da fadiga e, claro, da qualidade dos jogadores da Juventus. A ausência de Gaítan e o apagado jogo de Cardozo (mais um) foram, também, fatores decisivos para o declínio encarnado.

Siqueira fez um jogo de grande qualidade Fonte: Zerozero.pt/  Carlos Alberto Costa
Siqueira fez um jogo de grande qualidade
Fonte: Zerozero.pt/ Carlos Alberto Costa

Face a tamanha soberania, a Vecchia Signora chegou ao golo aos 73 minutos: Tevez recebeu a bola de Asamoah e, dentro da grande área encarnada, tirou com alguma sorte Luisão e Maxi Pereira do caminho, rematando, por fim, para o fundo da baliza de Artur.

O empate assinava alguma justiça no marcador e o Benfica foi obrigado a procurar um novo golo. Já com Lima em campo (substituiu Cardozo), a equipa da Luz conseguiu finalmente equilibrar a partida. As diagonais e o espírito coletivo do avançado brasileiro foram essenciais para que o Benfica se recompusesse, tanto a nível tático como a nível emocional.

Na verdade, foi o próprio Lima que, ao minuto 84, sentenciou a partida com um remate fortíssimo, não dando qualquer hipótese a Buffon.

O herói da partida frente ao Olhanense enviou um “bilhete” ao guarda-redes italiano. Bilhete esse que pode perfeitamente valer a passagem à final da Liga Europa.

Com o jogo partido, nos minutos finais, ambas as formações dispuseram de ocasiões de golo, mas a ineficácia imperou até ao apito final.

O Benfica vai para Turim com uma vantagem mínima e com a certeza de que terá de sofrer muito para ultrapassar esta fortíssima Juventus. O cliché “a eliminatória está completamente em aberto” nunca fez tanto sentido.

 

A figura:

Siqueira – com três palavras se carateriza a atuação do defesa do Benfica: raça, empenho e qualidade. Que grande jogo do lateral brasileiro. Atacou, defendeu, jogou e fez jogar.

O Fora-de-jogo:

Cardozo – mais um jogo de péssima qualidade do avançado benfiquista. Não me lembro de um único remate e isso diz tudo sobre a sua atuação.

Com vista para o Marquês

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dosaliadosaodragao

Mais do que um elementar princípio de fair-play, dar os parabéns ao Benfica e aos seus adeptos pela conquista do Campeonato é um exercício de justiça e de verdade. Porque, mesmo descontando a enorme incapacidade que o seu principal rival – FC Porto – demonstrou, o mérito dos encarnados foi sendo provado e comprovado jornada após jornada, desafio trás desafio, com uma equipa a carburar e com talentos a evidenciarem-se. Não poderia, talvez, ser de outra maneira, dado estarmos diante do melhor plantel dos últimos 30 anos.

De todo em todo, olhar o Campeonato que o Benfica fez e a forma como o conquistou pode ser um exercício traiçoeiro. Ora, de facto, a perspectiva do copo meio cheio ou do copo meio vazio está aqui bem evidente: o Benfica vitorioso deste ano não fez (nem, provavelmente, irá fazer) melhor do que o Benfica amargurado e deprimido da época passada. O mesmo Benfica que é hoje elogiado aos quatro ventos, com um treinador superlativo e com uma presidência firme e assertiva, irá, no máximo, amealhar 79 pontos (se vencer Vitória de Setúbal e, finalmente, no Dragão), apenas mais 2 do que o Benfica destruído por Kelvin, mais 10 do que o Benfica versão 2011/2012 e menos 5 do que o FC Porto campeão de Villas-Boas. Mais, 84, 75 e 78 foram, respectivamente, os pontos contabilizados pelo FC Porto no final das últimas três edições do campeonato – ou seja, numa época ‘normal’, o FC Porto estaria, a esta hora, a lutar taco-a-taco pelo ceptro com a equipa que é, hoje, vista como “a última Coca-Cola do deserto”.

Muito longe de querer retirar o mérito à conquista do conjunto de Jorge Jesus, a verdadeira novidade desta época foi a falta de comparência do FC Porto. Foram os equívocos na construção do plantel, foi o tremendo erro de casting em que se tornou Paulo Fonseca, foi, enfim, a banalidade na qualidade de jogo do Dragão que tornou o campeonato, a partir de um dado momento, num calmo e tranquilo passeio para o Benfica. Mas uma viagem que fora absolutamente bem estruturada e planeada, com a rota e a velocidade certas e com as paragens imprescindíveis – tal e qual como o actual modo de jogar do Benfica de Jorge Jesus.

Em 2013/2014, os papéis inverteram-se e é Salvio e o Benfica que festejam  Fonte: Sapo
Em 2013/2014, os papéis inverteram-se e é Salvio e o Benfica que festejam
Fonte: Sapo

Ainda e sempre Jorge Jesus. O mesmo que viu os seus fiéis seguidores em 2010 tornarem-se, depois, em impositivos detractores e agora, de novo, em indefectíveis fãs. Tudo ao sabor da corrente dos resultados com o patrocínio das capas dos maiores jornais e nas colunas de opinião vaidosamente assinadas por tantos. Na espuma das ondas, porém, algo indesmentível – foi graças a Jesus (e a um brutal investimento financeiro) que o ciclo do futebol português mudou. Aquilo que era uma hegemonia do FC Porto tornou-se, de há cinco anos a esta parte e com a excepção da época de André Villas-Boas, numa luta intensa (quase sempre) a dois entre Dragões e Águias. Para mal de alguns, creio que foi apenas esse ciclo que terminou. Todo e qualquer outro que se pretenda propagandear dependerá sempre de uma sequência: de campeonatos, de Taças, de Supertaças…

Da última noite de Domingo sobra um imenso fundo vermelho. De conquista, de explosão, de felicidade, de comunhão entre uma equipa e os seus adeptos – tal e qual como o futebol deve ser, sempre. Observar o Marquês de Pombal e contabilizar as dezenas de milhares de benfiquistas que, efusivos, comemoravam a conquista do campeonato (e, tenho para mim, a desejosa vingança do remate de Kelvin) não foi um suplício, um desgosto ou, como se diz tão comummente, um acumular de ‘azia’. Para o FC Porto, olhar para aquela imponente noite vermelha só pode ser um acto de contrição. Mas, muito mais do que isso, deve ser o maior e renovado desafio, a suprema motivação, o cerrar de fileiras, o apelo ao coração, à competência, à garra e à paixão. A cada very light encarnado deve recordar-se esta Liga e os inauditos 15 pontos de distância, a derrota na Luz para a Taça e corar de vergonha, sentir o impulso e relembrar que há uma nova guerra dos tronos à espreita …

A imensa festa benfiquista no Marquês de Pombal, em Lisboa  Fonte: A Bola
A imensa festa benfiquista no Marquês de Pombal, em Lisboa
Fonte: A Bola

Com uma nova mentalidade – a mesma que fez o FC Porto vencer tudo depois das duas últimas vezes em que terminou um campeonato em 3º –, com um novo treinador carismático, competente e cheio de fibra, com um plantel construído de forma estruturada e que saiba voltar a honrar as cores azuis e brancas, em suma, colocando no lugar do descomprometimento a exigência que a tanto e tanto sucesso levou o Dragão na última década – aquela de que nem todos podem ter orgulho –, o FC Porto, logo logo, estará na luta.

Ainda manda quem pode e por isso (e para isso) vão, se preciso for, ao baú e redescubram Viena, Tóquio ou Sevilha – mostrem aos meninos colombianos, brasileiros, mexicanos e de todas as outras nacionalidades possíveis e imaginárias que aterrarão no Sá Carneiro e seguirão para o Dragão que jogar no Porto terá sempre de ser um privilégio. Exibam-lhes o BI deste clube e dêem-lhes a beber o ‘Ser Porto’ – falo de “luz, realidade e sonho que na luta amadurece”. Se, ainda assim, não chegar, forrem o balneário do Dragão com posters e imagens da cor que o Marquês testemunhou. Então, terá mesmo de ser suficiente.

 

Terramoto Vermelho

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Um terramoto vermelho está a assolar a Europa. Parece que este ano o vermelho decidiu emancipar-se e elevar-se ao topo. E se assim continuar, as principais praças europeias vão encher-se de vermelho, à semelhança do que aconteceu no Marquês. Do que é que estou a falar? Do topo da tabela de algumas ligas europeias, com algumas lideranças improváveis. Falo-vos da liga portuguesa com o Benfica, da Bundesliga com o Bayern, da La Liga com o Atlético e da Premier League com o Liverpool. Dois destes já pintaram as ruas de vermelho. Será que a capital espanhola e a cidade portuária inglesa também vão fumegar vermelho?

Benfica
Os benfiquistas estão a viver uma época de sonho. Depois de terem afastado as amarguras do passado, ergueram-se e voltam a estar próximos de marcar presença em todas as finais. O campeonato já está. Pode não ter sido conseguido com a nota artística praticada o ano passado, mas a estratégia de Jesus resultou e a verdade é que pintou o Marquês de Pombal de vermelho (uma imagem que não se via há quatro anos). Quanto às restantes competições, o Benfica está em todas as frentes, umas mais possíveis do que outras, mas com possibilidades de se vingar da época transacta. Vamos esperar e ver se os pupilos de Jorge Jesus vão lutar por todos os títulos ou se vão deixar que a festa do campeonato lhes suba à cabeça e que deixem cair tudo por terra.

Bayern
O Bayern voltou a conquistar o campeonato, num ano em que se esperava uma maior capacidade de luta por parte do Borussia de Dortmund. No entanto, Lewandowski e companhia não conseguiram acompanhar nem parar a equipa de Pep Guardiola, que seguiu sempre isolada na frente do campeonato. A festa já se fez, mas os bávaros querem mais. Querem ser bicampeões europeus. Terão estofo para isso? Pep Guardiola já mostrou, por mais do que uma vez, ter a receita para vencer a Liga dos Campeões, e o Real Madrid é uma equipa bem conhecida do técnico espanhol. Esperemos para ver se o vermelho voltará a sair às ruas alemãs.

Liverpool, Benfica, Atlético de Madrid e Bayern de Munique  Fontes: www.thisisanfield.com / www.serbenfiquista.com / www.ilovelookinggood.com / www.follwr.com
Liverpool, Benfica, Atlético de Madrid e Bayern de Munique
Fontes: www.thisisanfield.com / www.serbenfiquista.com / www.ilovelookinggood.com / www.follwr.com

Liverpool
O histórico clube inglês parece estar de volta e com fortes argumentos para conquistar a presente edição da Premier League. Brendan Rodgers revolucionou o futebol do Liverpool e pode levar o clube a conquistar a taça que mais persegue e que não vence há 24 anos. O Liverpool segue com cinco pontos de avanço sobre o Chelsea e seis sobre o Manchester City (que conta com um jogo a menos). Caso venha a vencer, a festa vermelha promete ser épica, uma vez que o Liverpool conta com uma legião de fãs bem fiel e extremamente presente. De realçar que caso o Liverpool vença será o primeiro título da Premier League conquistado pelo médio de classe mundial Steven Gerrard.

Atlético de Madrid
Esta é provavelmente a maior surpresa da época. Na liga espanhola entre Real Madrid e Barcelona não se mete a colher; bem se enganaram. Ninguém esperava que o Atlético Madrid estivesse por esta altura a discutir o título do campeonato espanhol. Muito menos depois de perder Falcão. Mas o Atlético sempre nos habituou a grandes atacantes e desta vez não foi excepção e desencantou Diego Costa. O ponta de lança é a cara principal da revolução da equipa da capital espanhola. Espero que tudo corra pelo melhor e que a festa vermelha se faça, na esperança de acabar com a dicotomia irritante de Barcelona/Real Madrid que torna o palmarés da liga espanhola, provavelmente, o palmarés mais aborrecido da última década. Que Madrid se pinte de vermelho!

A pergunta final impõe-se: será este terramoto vermelho apenas um terramoto, ou vai, na próxima época, o “abanão” trazer-nos ainda muitos tsunamis por parte das mesmas equipas que vestem vermelho?

Mick Fanning, o verdadeiro campeão

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cab Surf

Mais uma etapa acabada e o campeão está de volta. Exatamente! O atual campeão mundial, Mick Fanning, foi o grande vencedor da terceira etapa do WCT. Depois de ter vencido Matt Wilkinson, Owen Wright e Julian Wilson durante toda a etapa, o campeão do mundo encontrou pela final outro australiano, Taj Burrow.

As condições estavam épicas, e, com ondas perfeitas a rondar o metro e meio de altura, Mick Fanning e Taj Burrow proporcionaram uns espetaculares 30 minutos de surf na grande final. Mick Fanning começou da melhor maneira o heat, com um 8.83. Taj, pelo contrário, respondeu da pior maneira, com um 3.83. Fanning voltou a ripostar, com um 8.00, e nessa altura Taj teve uma reação explosiva. Apanhou uma das melhores ondas do set e conseguiu fazer uma das melhores notas de toda a competição, um 9.63 em 10 pontos possíveis. Deste modo, Mick Fanning tocou o sino e sagrou-se campeão de Bells Beach.

Micj Fanning toca o sino. Fonte: fotospublicas.com
Mick Fanning toca o sino.
Fonte: fotospublicas.com

Um aparte que quero acrescentar neste texto foi a excelente prestação de Jordy Smith no round cinco. Apesar de ser o meu surfista preferido, Jordy merece ser reconhecido pela sua onda magistral. Faltava pouco mais de um minuto para o fim do heat que reunia Jordy Smith, com licra vermelha, e Julian Wilson, de amarelo. Smith encontrava-se em segundo lugar. Deste modo, precisava de uma onda que lhe fosse pontuada com um 9.97. Recordo que o máximo que se pode fazer numa onda são 10 pontos. Com manobras bem explosivas e radicais e um aereo reverse no fim da onda, e a faltar um minuto para o fim da bateria, toda a praia ficou incrédula e esperançosa para que a nota fosse um 9.97 ou mais, claro. Infelizmente, a onda valeu-lhe apenas um 9.93, ficando a quatro centésimas de passar aos quartos de final.

Jordy Smith a rasgar forte Fonte: aspworldtour.com
Jordy Smith a rasgar forte
Fonte: aspworldtour.com

Alguns jurados pontuaram com 10 pontos, mas outros não, e a nota final é a média das notas dos jurados. Será que que houve justiça? A meu ver, aquela onda era um perfeito 10, mas eu também sou apenas mais um mero espectador daquele que, para mim, é o melhor desporto do mundo. Ainda assim, queria frisar que são atitudes destas que diferenciam os bons dos melhores.