O Dragão celebrou 15 anos e a sua história mistura-se com a história de todos os que por lá passaram. Vários nomes marcantes, até do futebol internacional, pisaram o relvado dos azuis e brancos mas há um top cinco que se distingue, pelo número de partidas oficiais lá realizadas. E há até um nome que, para além de figurar entre os mais utilizados no Dragão, detém o título de rei das assistências.
SL Benfica 2-1 FC Arouca: Rafa “fora de horas” salva Águias do prolongamento
Em encontro da quarta eliminatória da Taça de Portugal, o Benfica eliminou o Arouca, ao vencer por 2-1. Depois da paragem para as seleções, a Luz era palco do jogo inaugural de mais uma etapa da prova rainha, com as Águias a quererem ultrapassar mais um obstáculo rumo ao Jamor, embora cientes que os Arouquenses iriam fazer de tudo para causar uma surpresa.
Quantos aos onzes iniciais, Rui Vitória tinha prometido mudanças e confirmou: a titularidade de Krovinovic foi a principal surpresa, num Benfica que voltava a jogar em 4-4-2, com Jonas e Seferovic a formarem a dupla atacante. Do lado visitante, Quim Machado apresentou uma formação sem receio de atacar e com ambição de disputar a passagem, apostando assim exatamente nos mesmos onze atletas que tinham derrotado o Leixões por 2-0, no último desafio para a Segunda Liga – Arouca atuou na Luz em 4-4-2, com os homens da frente a serem Fábio Fortes e André Bukia.
As Águias entraram pressionantes no encontro, demonstrando uma boa dinâmica ofensiva, fazendo a bola circular a um bom ritmo entre todos os elementos, remetendo assim o Arouca para o seu meio-campo defensivo. Os primeiros remates da partida foram da autoria de Corchia (minuto 8) e Zivkovic (minuto 10), contudo ambas as tentativas fora de área passaram longe da baliza à guarda de Rui Vieira. Apesar do forte controlo nos primeiro 15 minutos, o Benfica demonstrava algumas dificuldades em chegar ao último terço do terreno, devido ao alto bloco defensivo arouquense.
Jonas, num livre descaído para esquerda à quina da área ao minuto 17, tentou a sua sorte, contudo Rui Vieira defendeu facilmente. Contra a corrente de jogo, o Arouca adiantou-se no marcador no instante a seguir: num rápido contra-ataque, André Bukia, bem servido por Didi, rematou rasteiro em trivela já dentro de área para o fundo das redes. O conjunto comandado por Rui Vitória respondeu de imediato por duas vezes consecutivas, primeiro por Seferovic e depois por Jonas, mas o empate não surgiu.
A reação encarnada ia-se intensificando, com o Benfica a ter mais posse de bola e a obrigar os visitantes a jogarem todos atrás da linha da bola, embora esse aumento do ritmo de jogo não tenha sido sinónimo de criação de lances de potencial perigo, com o único remate a ser feito por Grimaldo, num livre longe de área ao minuto 26, mas Rui Vieira agarrou o esférico com tranquilidade. Já perto do intervalo, o Benfica conseguiu finalmente chegar ao empate: Jonas passou bem por Deyvison, e rematou para o golo colocava o marcador empatado novamente, resultado que não se alterou até ao apito do árbitro Hélder Malheiro para o descanso.


Fonte: SL Benfica
Rui Vitória fez logo uma alteração no recomeço da partida: Rafa entrou para o lugar de Krovinovic, e o português tentou logo a sua sorte na primeira vez que tocou na bola – remate fora de área por cima da baliza, sem perigo para Rui Vieira. Jonas teve perto de bisar ao minuto 52, num lance bem trabalhado pelas Águias, embora o seu remate tenha saído à figura do guarda-redes do Arouca. À semelhança do início do primeiro tempo, o Benfica entrou por cima e com muita bola, perante um Arouca a tentar sair em contra-ataque, mas sem grande sucesso.
Pizzi foi lançado na partida, rendendo Gabriel, que protagonizou uma exibição apagada. A acutilância benfiquista nos minutos iniciais da segunda parte foi reduzindo gradualmente, e quem aproveitou isso foi o Arouca, que começou a aventurar-se no ataque à baliza de Svilar, como foi o exemplo do lance ao minuto 70, em que Kiko bateu um canto tenso do lado esquerdo, mas o jovem belga, com uma palmada, afastou o perigo. Para reforçar o meio-campo, Quim Machado fez entrar Bruno Alves para o lugar de Didi.
O jogo caminhava a passos largos para o seu final, e o Benfica começava a estar mais pressionado em tentar resolver a eliminatória o mais rápido possível, mas o Arouca não facilitou a tarefa, e esteve perto de voltar a marcar ao minuto 83, por intermédio de Adílio Santos, valendo uma boa intervenção de Svilar. No seguimento do lance, Kiko assistiu Fábio Fortes, que finalizou fraco para as mãos do número 1 das Águias. Os adeptos presentes estavam impacientes perante a incapacidade do Benfica em fazer o segundo golo, e quando a sua equipa perdia uma boa oportunidade para marcar, assobiavam os homens de Rui Vitória. O cenário de prolongamento estava perto de se consomar, contudo Rafa tinha outras pretensões: já em tempo de descontos, o extremo português fez o segundo golo, num lance de insistência, em que a defesa visitante demonstrou alguma falta de concentração. Ainda houve tempo para Hélder Malheiro mostrar o vermelho direto a Soares, após entrada sobre Rafa.
Em cima do apito final do árbitro, o Benfica lá conseguiu o apuramento para os oitavos da Taça de Portugal, embora tenha passado por algumas dificuldades sem qualquer necessidade. Um castigo pesado para a equipa de Quim Machado, que, pela exibição ao longo dos 90 minutos, até merecia ter ido a prolongamento.
Onzes iniciais
SL Benfica: Mile Svilar; Corchia; Germán Conti; Rúben Dias; Álex Grimaldo (João Félix 82’); Alfa Semedo; Gabriel (Pizzi 63’); Filip Krovinovic (Rafa Silva 45’); Zivkovic; Jonas; Haris Seferovic
FC Arouca: Rui Vieira; Deyvison; Victor Massaia; Kiko; Thales; Soares; Didi (Bruno Alves 72’) ; Ericson; Adílio Santos; Fábio Fortes; André Bukia
Fábio Silva: uma pérola no Dragão
O jovem talento portista foi chamado por Sérgio Conceição durante esta semana aos trabalhos da equipa principal portista. Aproveitando as ausências de vários jogadores para os trabalhos das respetivas seleções, o técnico portista quis trabalhar e ver de perto o talento de Fábio Silva.
Ainda com 16 anos é já uma peça fundamental na equipa de Sub 19 dos portistas. Esta época leva 16 jogos disputados apontando 10 golos. Na época transata apontou 31 golos em 33 jogos, números impressionantes que demonstram bem o talento do avançado portista.
Ao nível das seleções, Fábio Silva conta com 22 internacionalizações tendo apontado 11 golos. Fábio Silva começou a sua formação no FC Porto tendo passado pelo SL Benfica de onde foi “resgatado” pelo FC Porto na época passada regressando assim ao clube de origem.
Fábio Silva é um avançado com mobilidade, bom tecnicamente, “frio” e muito eficaz na finalização. Com 16 anos tem muito por onde evoluir e essa evolução nesta idade tem de ser muito bem trabalhada. Os casos recentes de André Silva e Rui Pedro são exemplos de jogadores de enorme potencial mas que a sua afirmação teve caminhos inversos. O lado mental em jovens talentos que muito cedo são expostos a grande mediatismo tem de ser muito bem acompanhado, por vezes é ate mais importante o trabalho mental do que propriamente o trabalho técnico e tático.


Fonte: FC Porto
Aproveito a oportunidade para fazer uma crítica no que a gestão de recursos humanos diz respeito. E vou apenas me focar na posição que Fábio Silva ocupa no terreno. Tem sido hábito nos últimos anos a chegada, ao FC Porto, de avançados estrangeiros que, apesar do seu valor, (Leonardo Ruiz, Junior Maleck) são exemplos disso, ficam apenas uma ou duas épocas no clube e retiram espaço aos jovens portugueses. Se essas apostas fossem numa lógica de continuidade era admissível, agora virem jogar apenas uma época e depois saírem do clube e durante essas épocas “tirarem” minutos de utilização a jovens portugueses que acabam por sair do clube para procurar novas oportunidades não é, na minha opinião, uma boa gestão.
Espero que Fábio Silva tenha oportunidades para demonstrar o seu talento, e que seja bem trabalhado e acompanhado porque pode trazer mais-valias quer desportivas quer financeiras num futuro próximo ao FC Porto.
Foto de Capa: FC Porto
Artigo revisto por: Jorge Neves
A nova coqueluche do Futebol Europeu: O que ficou e o que aí vem da Liga das Nações
Chegou ao fim a fase regular da Liga da Nações, ficando apenas por disputar a Final Four e os play-offs de “repescagem” para o Euro 2020 (como explicaremos mais à frente). O balanço só pode ser muito positivo, superando as melhores expetativas. Esta competição trouxe emoção e competitividade a uma paragem que vinha sendo cada vez menos interessante. Mas já lá iremos. Vamos agora fazer um ponto de situação das subidas e descidas de divisão.
Liga D
Começando por baixo, a Liga D foi muito competitiva. Este moldes são mais benéficos para o desenvolvimento das equipas de menor dimensão que, ao jogarem entre si, desenvolvem mais o seu jogo do que se jogassem com adversários de maior craveira. Exemplo disso mesmo foram as duas primeiras vitórias de sempre de Gibraltar e o facto de apenas uma das 16 equipas em competição nesta liga não ter pontuado: San Marino (ainda assim esteve perto de acontecer, ao perder 0-1 com a Moldávia, sofrendo golo a dez minutos do fim).
No grupo 1, a Geórgia, carregada por Chakvetadze, que em sete internacionalizações leva cinco golos e três assistências, só não cumpriu o pleno de vitórias devido ao empate em Andorra, na penúltima jornada.
No grupo 2, a Bielorrússia garantiu, sem supresas, o primeiro lugar, marcando dez golos e não sofrendo nenhum. Destaque ainda para o Luxemburgo, que tem crescido muito nos últimos tempos e terminou em segundo lugar, com dez pontos e uma incrível diferença de golos de 11-4.
No grupo 3, brilhou o Kosovo. A seleção apenas se tornou membro da UEFA em 2016 e foi nesta Liga das Nações que conseguiu a sua primeira vitória em jogos oficiais. Dominou o grupo, sofrendo apenas dois golos e marcando 15, quatro deles da autoria de um jovem prodígio, Arber Zeneli.


Fonte: UEFA
Por fim, no grupo 4, a Macedónia foi a seleção mais consistente, perdendo apenas um jogo e aproveitando o deslize da Arménia com Gibraltar para garantir a promoção à liga C.
Liga C
A Liga C também foi repleta de surpresas e pautada por muito equilíbrio. No grupo 1, excecionalmente composto por apenas três seleções, a Escócia aproveitou para dar uma alegria aos seus adeptos (algo raro nos últimos tempos) e garantiu a subida de divisão no último e decisivo jogo frente a Israel. Já a Albânia beneficiou do facto de o grupo ser composto apenas por três equipas e, apesar de ter terminado em último lugar, manteve-se na Liga C por não ser a pior terceira classificada.
No Grupo 2, provavelmente a maior surpresa desta Liga das Nações: a Finlândia garantiu a subida de divisão, fruto de quatro vitórias nos quatro primeiros jogos. Embalados pela sua maior figura, Teemo Pukki, que marcou três golos que valeram outras tantas vitórias, os escandinavos lideraram de início ao fim um grupo que tinha como principais candidatos a Grécia e a Hungria. A Estónia, apesar do triunfo surpreendente em Atenas, acabou despromovida para a Liga D.


Fonte: UEFA
No Grupo 3, mais uma seleção nórdica a conseguir o apuramento: a Noruega conseguiu superiorizar-se numa luta taco-a-taco com a Bulgária. Mais lá para baixo ficaram Chipre e Eslovénia, que desceram de divisão, fruto do facto de os cipriotas serem os piores terceiros classificados dos quatro grupos.
No Grupo 4, a Sérvia provou ser a seleção mais forte desta Liga C (foi a única destas 15 seleções a estar presente no Campeonato do Mundo deste ano), superando a forte oposição da Roménia, com quem empatou os dois jogos. Os romenos, para além dos dois empates com os sérvios, não foram além do nulo frente ao Montenegro, deixando escapar as chances de subida de divisão. Em último, e sem qualquer ponto, ficou a Lituânia, que jogará na Liga D na próxima edição.
Liga B
Subindo mais um degrau competitivo, a Liga B proporcionou menos jogos (apenas seis por cada grupo de três equipas), mas nem por isso menos emotivos. No grupo 1, a Ucrânia não deu qualquer hipótese aos seus adversários, vencendo os seus três primeiros jogos e garantindo de imediato a promoção, à frente da República Checa e da Eslováquia, que apesar de golear a Ucrânia no último jogo, não evitou a despromoção.


Fonte: UEFA
O Grupo 2 foi bem mais equilibrado e só ficou decidido no último jogo: a Suécia venceu por 2-0 a Rússia e garantiu o primeiro lugar, devido à vantagem no confronto direto com os russos. A Turquia perdeu os dois jogos em casa e, apesar de um triunfo na Suécia, terminou no último lugar.
No Grupo 3, Bósnia e Herzegovina e Áustria discutiram entre si o apuramento. O triunfo dos Balcãs em casa e o empate em Viena proporcionaram uma surpreendente promoção dos bósnios, embalados pela sua grande figura Edin Džeko. A Irlanda do Norte mostrou não ter pedalada para os dois rivais e terminou no último lugar, sem qualquer ponto conquistado.
No grupo 4, a Dinamarca superiorizou-se ao País de Gales e à Irlanda, com duas vitórias frente aos galeses e dois empates perante os irlandeses, que foram derrotados duas vezes pelos seus rivais britânicos.
Portugal cada vez mais perto da glória no gelo
Os Desportos de Inverno continuam a crescer em terras lusitanas e, desta feita, foi a Seleção Nacional de Hóquei no Gelo a obter um bom resultado para as cores portuguesas. Na Alemanha, a equipa participou na segunda edição da IIHF Development Cup e chegou à final, onde foi derrotada pela Macedónia.
Há um ano atrás, em Andorra, a seleção já tinha feito história e terminado em terceiro, num torneio disputado por quatro nações, ganho por Marrocos. Agora, o conjunto luso rumou ao estrangeiro com mais ambições.
O formato da prova consiste numa fase de grupos que serve para ordenar as meias-finais. Nesta primeira etapa, começou-se por defrontar Andorra e alcançar uma vitória convincente por 11-2. Seguiu-se a Irlanda e mais um excelente triunfo por claros 12-4. Para decidir o primeiro lugar do grupo, enfrentou a Macedónia numa partida equilibrada, que acabou por cair para os homens de leste pela margem mínima (5-4).
Chegados às meias-finais, os representantes nacionais voltaram a mostrar-se em boa forma, vencendo por 10-1 contra a Irlanda, apurando-se para o jogo decisivo face à Macedónia.


Fonte: Federação de Desportos de Inverno de Portugal
Depois de uma incrível reviravolta da Irlanda para assegurar o bronze face a Andorra, disputou-se o encontro decisivo. Os macedónios entraram melhor e rapidamente chegaram ao 3-0. Portugal ainda reduziu, mas o domínio do adversário foi sempre claro até meio do segundo tempo quando chegou aos 7-1. Na parte final, Portugal conseguiu um maior equilíbrio de forças, terminando a partida em 9-3.
Apesar de não ser o tão desejado troféu, a Seleção Nacional sai de Fussen com muito para celebrar, já que confirmou a sua evolução e conquista mais uma medalha para atestar o desenvolvimento dos Desportos de Inverno em Portugal.
Foto de Capa: IIHF Development Cup
Será Krovinovic o redentor do Benfica?


Foram vários meses fora dos relvados, mas o regresso do médio croata parece estar para breve. Aliás, Krovinovic foi suplente nas últimas duas partidas do Benfica, mas ainda não teve oportunidade para se estrear nesta temporada.
Contudo, o meio campo do Benfica já está um pouco “inundado” de jogadores. Para o lugar que Krovinovic pretende ocupar já temos Pizzi, Gedson, Gabriel, Alfa Semedo, e até João Félix. No entanto, será que o meio campo tem tido uma boa e consistente prestação? A meu ver, Krovinovic pode oferecer algo de mais ao jogo do Benfica do que os atuais titulares. Dos centrocampistas tem sido Pizzi, Gabriel e Gedson a disputar a titularidade, mas penso que Krovinovic, ao fazer um regresso produtivo e positivo da sua parte o jogo do Benfica só vai poder melhorar.


Fonte: SL Benfica
Krovinovic é um centrocampista ofensivo que cria jogadas com passes inteligentes, os quais se forem bem correspondidos pelos colegas de equipa vão resultar em lances de perigo. Nas 13 partidas que fez na Primeira Liga na época passada, teve uma média de eficácia de passes de 88%, percentagem que seria mais alta se, como não acontece por vezes, os colegas se apercebessem das jogadas que o croata pretende efetuar. Apenas marcou um golo na Primeira Liga, mas a quantidade de golos que foram o resultado das jogadas criadas por Krovinovic faz a diferença. Porque é isso mesmo que o médio ofensivo tem de fazer num tipo de jogo que o Benfica pretende, o médio tem de fazer a diferença com passes inteligentes, conectar o meio campo aos extremos e aos avançados através de jogadas de mestre, e manter a posse de bola quando necessário. E, para mim, Krovinovic tem muito a oferecer a um Benfica que passa por uma crise de más exibições.
Se deve começar já a ser titular ou não é uma questão pertinente. O croata esteve lesionado por muito tempo, e estar parado acaba por influenciar a forma física e é preferível um regresso não muito repentino aos relvados. Começar por dar alguns minutos de jogo para Krovinovic mostrar o que tem a dar, que eu acredito que é muito. Se não tiver perdido a qualidade após a lesão prolongada, penso que o Benfica tem na sua mão um verdadeiro redentor, e que se a restante equipa reagir bem ao seu regresso, Krovinovic tem tudo para elevar a qualidade exibicional do jogo das Águias.
Foto de Capa: SL Benfica
Os Wizards são uma sitcom de má qualidade
Quem diria? (Toda a gente). Os Wizards rebentaram de vez e a direção do clube foi rápida a reagir: todos estão disponíveis para ser trocados. A “explosão” aconteceu num treino, mas os problemas já vêm de trás e explicam muito do que tem sido a temporada da turma da capital.
Para percebermos melhor a situação, imaginemos que os Wizards são uma família disfuncional numa sitcom de qualidade duvidosa. Ernie Grunfeld, o General Manager, é o pai distante que nunca está em casa e que toma decisões como comprar um avião quando os filhos nem roupa têm para ir à escola. Scott Brooks, o treinador, é a mãe que fica em casa para tratar dos filhos, mas que já não tem autoridade sobre nenhum deles. John Wall é o filho mais velho que um dia brilhou no liceu, mas que hoje fica em casa o dia todo a comer e jogar consola. Bradley Beal é o filho do meio que consegue alguns brilharetes, mas que se vê esquecido pela família. Kelly Oubre Jr. é o irmão mais novo que ainda procura a sua verdadeira vocação e que contará sempre com a proteção dos pais. Austin Rivers é o vizinho irritante que aparece todos os dias e que ninguém quer ver. Dwight Howard e Jeff Green são os primos cujos autores da série, inexplicavelmente, colocaram a viver com a família.
Ora, no início da semana, Wall mandou a mãe, Scott, para um sítio que não pode ser reproduzido numa série familiar, depois de Scott lhe ter dito para arranjar um emprego. Beal e o vizinho, Rivers, também se desentendem, mas rapidamente fazem as pazes porque Austin é o único que compreende Bradley. Enquanto isso acontece, Wall confronta o primo Jeff, e Oubre Jr. manda a mãe também para um certo local, mas, coitado, provavelmente aprendeu com o irmão mais velho. Beal vira-se para a câmara e reclama por ter de lidar com este tipo de situações há vários anos. O primo Dwight escuta em silêncio, enquanto lida com uma “dor de costas”. Embora nada tenha feito para escalar a situação, Dwight é conhecido por estar constantemente nos locais onde isto acontece e, portanto, deve ter alguma culpa nisto.


Fonte: Washington Wizards
Nesta altura, entra finalmente em cena o pai, Ernie Grunfeld, para pôr ordem em casa. Toda a gente, exceto a mãe, obviamente, está de malas à porta. John Wall fica também de castigo, sem consola. Bradley Beal não percebe o que fez de mal, mas também não é assim tão chegado à família para se preocupar com a saída de casa. Kelly Oubre Jr. sabe que as suas malas à porta servem apenas para os seus irmãos não acusarem o pai de beneficiar o filho mais novo e que, na realidade, vai acabar por se manter em casa. Os primos também veem as suas malas colocadas à entrada, mas, por algo que havia sido explicado num episódio anterior, não poderão sair de casa antes de dezembro. Entretanto, o vizinho já voltou a casa e ligou para o pai, a chorar.
Embora toda esta situação dos Wizards pudesse dar um episódio de uma série, é uma situação bem real, passada numa equipa da NBA. A equipa de Washington juntou vários egos incompatíveis no mesmo balneário e, para tentar remediar a situação, foi acrescentando mais egos incompatíveis até, obviamente, tudo explodir. Mesmo a extraordinária reviravolta no último jogo com os Clippers não deve mudar nada na capital norte-americana. Enquanto isso acontece, Ernie Grunfeld vai passando pelos pingos da chuva. Trata-se de um homem que já era GM na altura em que Gilbert Arenas entrou no balneário de arma na mão. Já são acontecimentos a mais para ser tudo uma coincidência…
Texto revisto por: Mariana Coelho
Foto de Capa: Washington Wizards
Um sonho cada vez mais real
O Sport Clube Praiense, um clube para a esmagadora maioria do adepto comum pouco conhecido, é um dos mais fortes candidatos à subida à Segunda Liga Portuguesa e jogará, na próxima eliminatória da Taça de Portugal, contra o SC Braga. Fundado em 1947, este clube Açoriano da ilha Terceira nunca esteve nas Ligas Profissionais. Aliás, tirando o CD Santa Clara, agora na Primeira Liga, não houve mais nenhum clube Açoriano a chegar sequer à Segunda Liga Portuguesa. O SC Praiense vem tentando dar este passo, tendo estado muito perto da subida nas últimas três temporadas, e esta época volta a apresentar-se fortíssimo na luta pela ascensão às Ligas Profissionais.
Sem dúvida que o clube terceirense tem sido uma das equipas da “moda” do Campeonato de Portugal Prio. Pelo futebol que pratica, pelos jogadores acima da média (para a sua realidade, entenda-se) que apresenta, pelas boas campanhas na Taça de Portugal e, sobretudo, por estar sempre na luta pela subida à II Liga Portuguesa.
Na época 15-16, o SC Praiense, liderado na altura por Pedro Lima, ficou em primeiro lugar da série E, apurando-se para a fase de subida Zona Sul, onde aí ficou a meros dois pontos dos lugares de acesso ao playoff de subida.
Após esta excelente e surpreendente campanha, o SC Praiense “acordou” e definiu a subida como o seu principal objetivo. Foi até à ilha de São Miguel, mais concretamente ao Clube Operário Desportivo, que andava até então sempre na luta pela subida às Ligas Profissionais, recrutar a sua “espinha dorsal”, desde diretores, técnicos e jogadores. Basicamente, a direção do SC Praiense percebeu que o trabalho no Clube Operário Desportivo estava a ser bem feito e, portanto, decidiu não copiar a receita, mas contratar os “cozinheiros” e todo o staff responsável pelo ótimo trabalho no clube da cidade da Lagoa.


Fonte: SC Praiense
Assim sendo, na época 16-17, chegou Francisco Agatão – técnico muito experimentado e com experiência no estrangeiro e Ligas Profissionais (até como jogador). Criou-se uma equipa muito forte, tendo por base o conjunto que havia brilhado e lutado pela subida no Operário. Nesta época, o SC Praiense chegou até ao playoff de subida. Venceu a sua série e ficou nos lugares de acesso ao playoff na zona de subida da zona Sul, mas acabou por cair na eliminatória com o Leixões SC (derrota em casa por 0-1 e empate a um no estádio do Mar).
Já na época 17-18, num formato diferente da prova, o SC Praiense voltou a “morrer na praia” terminando em terceiro lugar, logo atrás de UD Vilafranquense e CD Mafra, que se apuraram para o playoff de subida. Ressalve-se também que o SC Praiense na Taça de Portugal chegou até aos oitavos nesta temporada e, na época anterior, tinha sido eliminado pelo Sporting CP no Estádio José Alvalade.


Fonte: SC Praiense
Depois de três épocas a cair nos derradeiros obstáculos, o SC Praiense acredita que é desta. Neste momento, com 11 jogos realizados, somam oito vitórias, um empate e duas derrotas, liderando a série D. Com um plantel experiente, a média de idades ronda os 27 anos. A equipa de Agatão procura aliar os bons resultados a um bom futebol, valorizando os seus próprios ativos. Uma equipa com avançados rápidos e eficazes, assente na mestria e qualidade do seu capitão João Peixoto. O médio centro de 35 anos continua a ser um dos melhores jogadores do CPP e a ser decisivo com a sua qualidade de passe e visão de jogo. Destacam-se também Tiago Maia na baliza, incrível a sua agilidade e segurança, e Danny Esteves no ataque, já com oito golos marcados, o ex AC Alcanenense tem sido o melhor reforço até ao momento.
Há uma grande expetativa à volta do clube Açoriano e uma forte convicção que desta vez vão conseguir lograr o seu objetivo. Jogos como o do próximo fim de semana contra o SC Braga, também podem servir para fazer crescer ainda mais esta equipa, que, com certeza, se irá apresentar descomplexada e a querer desfrutar do jogo, sempre com os olhos no apuramento, no Pedreira.
Foto de Capa: SC Praiense
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro
Elves Baldé: o próximo extremo made in Alcochete na “calha”


Elves Baldé nasceu na Guiné Bissau, mas tem a dupla nacionalidade. O jovem jogador de 19 anos faz parte dos escalões de formação do Sporting CP desde a temporada 2009/10 e o seu percurso no clube verde e branco tem sido feito de forma gradual pelos vários escalões de formação mas não raras vezes foi chamado a jogar no escalão acima do seu, o que demonstra o seu potencial acima da média.
Para além do talento notório, Elves Baldé conta já com um palmarés assinalável ao nível de futebol de formação. O pequeno extremo começou por destacar-se como uma das figuras da formação leonina que se sagrou campeã nacional de juvenis em 15/16 e no ano seguinte, ainda como júnior de primeiro ano, foi também presença assídua na equipa que se tornou campeã nacional, desta vez no escalão juniores. Devido à sua evolução positiva foi várias vezes chamado para patamares competitivos mais elevados, realizando alguns jogos pela equipa B leonina e também na UEFA Youth League. Já em 17/18, ainda na equipa de juniores, realizou o seu ano mais prolífico, registando 13 golos em 30 jogos no campeonato. Por conseguinte, Elves Baldé foi um dos convocados para a seleção nacional que conquistou o Campeonato da Europa de sub-19, ainda que tenha jogado unicamente dez minutos como suplente utilizado na vitória por 3-1 frente à Noruega. Para os mais atentos, a evidente e sólida evolução deste pequeno extremo é, simplesmente, a confirmação do potencial que lhe era augurado desde cedo.


Fonte: Sporting CP
Se há posição na qual o selo da Academia está bem patente, é nos extremos e Elves Baldé é o mais recente produto desta linhagem infindável. Elves Baldé é destro, trata bem a bola e gosta de jogar pelos corredores, seja como extremo direito ou esquerdo. Podemos vê-lo na faixa direita colado à linha como um “extremo puro” ou então, o habilidoso avançado também não hesita em romper com movimento interiores, principalmente com bola, a partir da esquerda para alvejar a baliza ou desestabilizar a defesa adversária. A promessa leonina notabiliza-se pela sua apurada capacidade técnica, que aliada a um poder de aceleração assinalável tornam-no num jogador muito difícil de parar. Elves Baldé é um desequilibrador nato, imprevisível, não hesita no 1v1 e com uma relação com bola muito forte, características comuns aos extremos formados na Academia.
Embora seja um jogador baixo (mede 1,68m), o irrequieto extremo usa isso a seu favor, pois o seu baixo centro de gravidade facilita-lhe os movimentos de rotura, mudanças de direção e de velocidade, fatores característicos no seu jogar. Elves Baldé para além de oferecer muita mobilidade à frente de ataque, revela também uma apetência significativa para o golo e muita facilidade de remate com ambos os pés, como é observável pelos seus registos ao longo do seu percurso na formação. Atualmente, o habilidoso extremo é um talento emergente evidente e não deixa ninguém indiferente com o seu futebol fantasioso. A dias de hoje, é considerado como uma das promessas mais entusiasmantes a serem gestadas em Alcochete.
Contudo, Elves Baldé é ainda um diamante por lapidar, por isso, e de maneira a queimar mais uma etapa no seu desenvolvimento e ao mesmo tempo manter-se debaixo de olho da estrutura leonina, Elves Baldé integra atualmente a nova equipa de sub-23. Tem sido um dos destaques desta Liga Revelação, onde contabiliza cinco golos em 11 jogos e uma série de boas exibições. Esta competição começa a ficar pequena para um talento com tanto potencial e isso não tem passado despercebido à estrutura leonina. Posto isto, o talentoso extremo tem sido chamado de forma recorrente para os trabalhos da equipa principal e está ligado contratualmente aos leões até 2023 e seguro com uma cláusula liberatória de 45 milhões de euros.
No entanto, Elves Baldé ainda aguarda a sua estreia na equipa principal do clube de Alvalade. Nesta época, já chegou a ser convocado para um jogo da Taça de Portugal frente ao Loures e para a partida contra o Vorlskla Poltava a contar para a Liga Europa, porém acabou por não subir ao relvado, em nenhum deles. Depois das apostas regulares do Sporting CP em Jovane Cabral e agora Miguel Luís, Elves Baldé pode ser o próximo na “calha” a merecer a atenção dos sportinguistas.
Augura-se um futuro prometedor para esta pérola de futebol fantasioso made in Alcochete. O seu potencial e margem de progressão são gigantes e esperemos que num futuro próximo, o futebol irrequieto, eletrizante e dinâmico de Elves Baldé se torne algo habitual nos relvados da 1ª Liga. A maior certeza neste momento é que o jovem extremo está a ser acompanhado de perto pela estrutura leonina e mais cedo ou mais tarde estará debaixo dos holofotes de Alvalade. Há várias arestas a limar no futebol de Elves, também fruto da sua juventude, mas o potencial para ser um quebra-cabeças constante para os defesas adversários está todo no pequeno mas habilidoso extremo.
Foto de Capa: FPF
artigo revisto por: Ana Ferreira
Força da Tática: Agora sim, football’s coming Home
Neste verão, aqueles que acompanharam os adeptos ingleses durante o Campeonato do Mundo na Rússia ficaram familiarizados com a expressão: “It’s coming Home, football’s coming home.”, que faz parte de uma música gravada por David Baddiel e Frank Skinner para o campeonato da europa de 1996, intitulada de “Three Lions”.
Entoada pelos adeptos ingleses, a expressão tinha o objetivo de dar força e esperança a uma equipa jovem, sem os grandes nomes de outros tempos, mas com talento, juventude e humildade. Sabemos que a profecia transmitida pela música acabou por não se concretizar, mas esse não era objetivo. O objetivo passava por fazer os jogadores acreditarem no projeto que a federação inglesa está a construir, não se focando no curto prazo (tentando imitar outras seleções, como fizera no passado), mas no longo prazo, algo fundamentado, construído pelos ingleses para os ingleses.
A merecida vitória em Wembley, frente à vice-campeã do mundo, e o apuramento para a Final Four representaram mais um passo nesse sentido. Proponho olhar para essa partida, já com o propósito de entender que seleção inglesa é esta que Portugal, possivelmente, pode enfrentar.
Equipas Iniciais
Gareth Southgate abandonou definitivamente o sistema 5-3-2 que apresentou no Mundial, assumindo agora um 4-3-3. Para preencher esse novo sistema, a linha defensiva foi composta por Walker (lateral-direito), Gomez, Stones e Chilwell (lateral-esquerdo); Dier apareceu na posição de médio mais recuado, com Barkley e Delph a aparecerem como médios interiores; na frente, Sterling (direita), Kane e Rashford (esquerda) formam a linha ofensiva.
Do lado croata, em comparação com o jogo frente à Espanha, Modrić baixou da posição “dez” para o lado de Brozović, no centro do meio-campo. Na posição “dez” apareceu Vlašić no apoio a Rebić, o ponta-de-lança.
A fluida Inglaterra
O 4-3-3, em posse de bola, transformava-se em 3-4-3, com Walker ou Dier (como naturalmente fazem nos respetivos clubes) a completarem a primeira linha de três. Quando era Dier, Walker e Chilwell (os laterais) subiam no corredor e garantiam a largura da equipa, enquanto os respetivos extremos se posicionavam em zonas mais interiores.


O posicionamento agressivo dos laterais, em conjunto com os extremos ingleses, forçou os médios-ala croatas (Perisiće Kramarić) a ocuparem zonas demasiado recuadas, o que deu tempo e espaço à primeira linha de construção inglesa e aos médios interiores para criarem oportunidades de golo com alguma facilidade.


O arrastamento, em efeito bola de neve, dos jogadores croatas para longe das suas posições ideais, aliado ao espaço existente nas costas da linha defensiva, permitiu à Inglaterra a criação de várias chances de golo e de chegadas com perigo ao último terço do adversário.


Fonte: Sport TV
Dalić começou com um 4-4-1-1, sem posse de bola, com Vlašić a marcar Dier. O grande problema desta abordagem foi a exposição de Modrić e Brozović face à movimentação fluida dos médios e avançados ingleses. Dier, Barkley e Delph trocavam constantemente de posições no meio-campo. Rashford e Sterling atacavam as posições nas costas do duplo pivô croata, arrastando os seus adversários diretos para fora da sua posição. Gradualmente, Kane também se envolveu no dinamismo de Rashford e Sterling, baixando até junto do duplo pivô croata e arrastando com ele o seu marcador direto, ou seja, mais espaços para as diagonais dos extremos.
Contrapressão inglesa
O domínio acentuado inglês, em particular no primeiro tempo, esteve muito relacionado com a incapacidade de a Croácia ter bola de forma consistente. Assim que perdiam a posse de bola, o meio-campo inglês pressionava agressivamente o adversário, algo fundamental, se tivermos em consideração as posições adiantadas do campo que os laterais ocupavam.
Nos segundos quarenta e cinco minutos, os níveis de contrapressão ingleses baixaram. Assim, o duplo pivô croata conseguiu ter bola e dar algum descanso à sua linha defensiva, que havia sido penalizada fortemente pela fluidez dos ataques ingleses na primeira parte.
Ao perceber esta mudança, que foi materializada com o golo de Kramarić, Gareth Southgate fez entrar Alli, Sancho e Lingard. Estes três jogadores vieram reabastecer os depósitos energéticos da equipa, ou seja, aumentar os níveis de contrapressão.


Um candidato às próximas competições
Tive o prazer de estar em Wembley, no amigável frente aos Estados Unidos, dias antes do jogo decisivo frente à Croácia e há uma sensação diferente no ar. A equipa de Southgate mereceu a vitória, apresentando uma forma de jogar fluída, muito dinamismo, com e sem bola, e continua a ser muito perigosa nas situações de bola parada, como observámos no último Campeonato do Mundo.
Um grupo jovem, com muitas soluções e muito talento, que está a trazer luz ao negro futebol inglês dos últimos anos.
Foto de capa: England Football Association





