Foi um Benfica moralizado com o tropeção do Porto nos Barreiros aquele que entrou no lamaçal de Barcelos. Num relvado próprio para râguebi e não para futebol, durante a primeira parte o que faltou em futebol sobrou em faltas, apitos de um dos piores árbitros portugueses e lama pelo ar. Para o registo ficam apenas dois lances de perigo por parte do Benfica: o primeiro de Rodrigo, assistido por Lima (soberba visão de jogo de Nico Gaitán), que, num campo em mínimas condições, teria feito golo; o segundo num excelente pontapé de meia distância de Siqueira, a rasar a trave da baliza gilista. Chegava o intervalo com um 0-0 que se justificava perante tamanha inércia das duas equipas.
No segundo tempo surgiu um Benfica com mais vontade, dinâmica e velocidade. Depois de deixar passar em claro uma grande penalidade evidente cometida sobre Rodrigo, Bruno Paixão expulsou Siqueira aos 58 minutos. Quando o Benfica parecia mais perto do que nunca de conseguir furar a muralha do Gil Vicente, duro golpe para as contas de Jorge Jesus, que se preparava aí para lançar Cardozo. Recuou, manteve o Tacuara no banco e acabou por ser mesmo através de um penálti sem margem para dúvidas, cometido sobre Gaitán, que Lima inaugurou o marcador. Pedia-se um Benfica solidário e ciente da importância deste resultado nas futuras contas do campeonato.
Os gilistas não se deixaram intimidar e aos 73 minutos festejavam o empate Fonte: Mais Futebol
Com mais um homem em campo, o Gil tentava atacar de forma envergonhada. Luís Martins assustou num livre lateral: canto e, num pontapé de ressaca, Vítor Gonçalves contou com a preguiça de Oblak (miúdo, deixa as defesas com estilo para outro tipo de jogos…) para chegar ao empate. Estava feito o 1-1 e o Benfica reduzido a 10 teria de ir buscar forças às pernas já desgastadas pelo lamaçal barcelense. Faltavam 20 minutos para o fim quando Cardozo foi mesmo lançado, três meses depois da última aparição, que ainda deverá tirar sono aos sportinguistas. E foi mesmo o paraguaio a ter nos pés uma enorme oportunidade de golo, quando à boca da baliza rematou para uma defesa por instinto de Adriano. O Benfica carregava e desesperava por um golo importantíssimo que lhe valesse os 3 pontos, mas sempre com muito coração e pouca razão. Já nos descontos, Djuricic, em pés de veludo na lama, ganhou um penálti duvidoso e Cardozo quis coroar o regresso da lesão com um golo. E quão importante seria. Marcou mal, muito mal, e falhou. De uma possível vantagem de 2 pontos para o Sporting e 6 para o Porto, vamos acabar por entrar para o derby muito pressionados pela provável igualdade pontual com o Sporting.
Bem sei que o Jesus se costuma dar bem com o clube de Alvalade, mas também sei como está talhado para falhar nos momentos decisivos, como hoje. Se posso desculpar Cardozo pela fome de bola e do golo, tenho de culpar o treinador por não ser minimamente inteligente ao perceber o enorme risco corrido ao entregar tal responsabilidade a quem regressou hoje de uma ausência de 3 meses. Daqui para a frente as coisas são fáceis de prever: vencer o Sporting para a semana e guardar essa vantagem até ao Sporting–Porto, que está para breve. Queria só lembrar que, com um treinador competente e condenado ao sucesso, teríamos por esta altura DEZ (!) pontos de vantagem sobre o Porto. Pensem nisso.
Depois de uma vitória muito sofrida contra o Marítimo para a Taça da Liga, no Dragão, no último fim-de-semana, o FC Porto foi aos Barreiros para jogar contra o mesmo adversário, desta vez num jogo a contar para o campeonato nacional. Um golo de Derley, na conversão de uma grande penalidade, foi o suficiente para dar a vitória aos insulares.
O Marítimo entrou muito forte na partida e durante o primeiro quarto de hora conseguiu aparecer quase exclusivamente no meio-campo portista, impedindo o adversário de sair a jogar. Foi precisamente nesse período que conseguiu chegar ao golo: Danilo Pereira driblou dois opositores, entrou na área e foi infantilmente pontapeado no pé pelo seu homónimo de azul e branco. O árbitro não teve dúvidas ao assinalar uma grande penalidade a favor do Marítimo, calmamente aproveitada por Derley, que fez o seu nono golo na Liga e igualou o seu ex-colega Héldon na terceira posição da lista dos melhores marcadores da competição.
Mesmo depois do golo, o Marítimo continuou a pressionar muito o adversário, não dando tempo e espaço ao meio-campo do FC Porto – hoje composto por Defour, Josué e Carlos Eduardo – para criar qualquer jogada de envolvimento ofensivo. Na verdade, o FC Porto só conseguiu soltar-se da apatia a dez minutos do final do primeiro tempo, quando os maritimistas recuaram um pouco as suas linhas. O intervalo chegou e Paulo Fonseca tinha muitas falhas para corrigir, uma vez que o FC Porto só havia chegado por uma vez com perigo à baliza do Marítimo, num remate forte e sem ângulo de Ricardo Quaresma.
Na segunda parte, o FC Porto procurou ser mais agressivo na procura do golo e o Marítimo optou por manter a defesa coesa e organizada para segurar a vantagem, buscando, sempre que possível, o contra-ataque. O problema é que, sem Fernando e Lucho como vozes de comando no miolo e num relvado em que o esférico rolava com mais dificuldade do que deveria, o FC Porto nunca foi capaz de fazer circular a bola de forma fluida e precisa e raramente criou ocasiões de perigo para a baliza do regressado Salin. Maicon e Mangala, sempre impetuosos, iam fazendo faltas desnecessárias; Defour nunca foi capaz de pegar no jogo e mostrou mais uma vez uma tremenda dificuldade em arriscar no passe, tendo tido uma das performances mais cinzentas da época; Carlos Eduardo esteve muito menos interventivo e decisivo do que em desafios anteriores; Varela e Jackson estiveram, pura e simplesmente, em dia não; Danilo e Josué também estiveram longe do bom desempenho de um passado recente. Em suma, os únicos que conseguiram estar ao seu nível foram o capitão Hélton – que cumpriu sempre que foi chamado a intervir –, Alex Sandro – que não concedeu facilidades defensivas e procurou integrar-se nas poucas iniciativas ofensivas dos dragões – e Quaresma – o mais perigoso do ataque portista, ainda que tenha abusado do individualismo quando a equipa mais precisava dele, já na parte final.
Quaresma foi dos que mais lutou para inverter a situação. Fonte: Mais Futebol
Embora o Marítimo se tenha retraído no segundo tempo, como, aliás, era previsível e compreensível, o FC Porto, por demérito próprio e por mérito da organização colectiva do adversário, teve muito poucas chances de marcar. O remate à meia volta de Varela foi o único que verdadeiramente terá assustado a formação de Pedro Martins. Paulo Fonseca ainda tentou mexer na partida – tirando o desastrado Defour para lançar Quintero à passagem da hora de jogo; fazendo Ghilas render Varela cerca de 10 minutos depois e arriscando a saída de Maicon para permitir a Licá actuar os 10 minutos finais da partida. No entanto, apesar da maior acutilância da equipa motivada pelas mexidas e de procurar encostar o Marítimo às cordas nos minutos finais, o FC Porto jamais revelou competência suficiente para criar lances com “cabeça, tronco e membros”. Os passes falhados foram mais do que muitos, as movimentações inacreditáveis multiplicaram-se, a apatia generalizada voltou a reinar, os erros individuais feriram a equipa e a desordem colectiva matou-a.
Numa das piores exibições da época, o FC Porto consumou a sua terceira derrota da temporada para o campeonato, voltou a apresentar inúmeras fragilidades e deu, mais uma vez, provas da inconsistência que nunca deixou de exibir desde o início da temporada. Este resultado, justo e vergonhoso, poderá permitir aos principais rivais do FC Porto na luta pelo título aumentar a distância pontual para os dragões. Se vencerem os respectivos compromissos, já têm uma certeza: nenhum deles sairá do derby da Luz no terceiro lugar. Este é o resultado da incompetência.
João Barbosa está longe de ser o piloto português com mais nome em Portugal, e isto pode comprovar-se pelo facto de não ter uma página em português no primeiro local onde se procura informação quando se quer começar a investigar alguma coisa. Sim, estou a falar na Wikipédia, onde apenas existem, para este piloto, páginas em inglês, espanhol, francês, alemão e finlandês. Como tal, vou começar o artigo a fazer uma pequena apresentação do piloto.
João Barbosa nasceu no Porto, a 11 de março de 1975. Em 1995, foi correr para Itália, depois de ser campeão nacional da Formula Ford de 1994. Depois de dois anos com bons resultados nesse país, e de um teste com a Minardi, em 1996, mudou-se para os Estados Unidos, onde se mantém atualmente com grande sucesso.
Mas este artigo é para abordar a segunda vitória de João Barbosa em Daytona, e é isto que vou fazer a partir de agora. Na prova de resistência (24 horas) norte americana, o portuense fez equipa com o francês Sébastien Bourdais – destaco o facto de se chamar Sébastien, como outras figuras de destaque do automobilismo – e com o brasileiro Christian Fittipaldi, que estiveram ao volante de um Corvette da equipa Action Express.
João Barbosa e o carro que levou à vitória. Fonte: Autosport.pt
Apesar de ser uma prova de resistência, a emoção durou até ao fim, com a vitória a ser obtida apenas com 1,5 segundos de vantagem sobre o segundo classificado da prova. Foi João Barbosa que cortou a meta e quem teve de controlar os ataques de Wayne Taylor, que aproveitou a entrada do safety car para recuperar a diferença de tempo que tinha para o carro do português.
Houve ainda mais dois portugueses em prova. Pedro Lamy conduziu um Aston Martin Vantage GTE da equipa oficial, terminando em oitavo na classe GTLM (GT Le Mans), enquanto Filipe Albuquerque ficou em quinto na categoria GTD (GT Daytona). Albuquerque esteve ao volante de um Audi R8 LMs.
Esta foi mais uma grande vitória do portuense, que repete o triunfo de 2010, algo que o confirma como um dos melhores pilotos de resistência do mundo.
Sandro Mazzola tinha apenas meia dúzia de anos quando o seu pai e os restantes membros da equipa do Torino faleceram num trágico acidente de avião. Voltavam a casa depois de um jogo com o Benfica. Francisco Ferreira, defesa-central, capitão e considerado um dos melhores centrais que passaram pelo Benfica, juntamente com Germano e Humberto Coelho, num jogo de seleções, fez uma excelente amizade com Valentino Mazzola. Entre os dois, organizaram um jogo entre as suas equipas, em Lisboa. Anunciou-se como homenagem ao popularmente conhecido por Chico Ferreira. O Benfica ganhou 4-3 ao grande Torino. O velho campo do Benfica encheu-se para disfrutar com a presença daquela que era considerada a melhor equipa de futebol. Para deleitar-se com o melhor jogador da altura: Valentino Mazzola. Sandro Mazzola, seu filho, quando começou a correr atrás de uma bola, encontrava-se com o comentário “jamais será como o pai.” A certa altura, sentiu desânimo e abandonou temporariamente o futebol. Posteriormente, voltou e também foi célebre, alinhando no Inter de Milão de Helénio Herrera.
Valentino Mazzola era um jogador do meio-campo; um armador, como se dizia. No entanto, percorria todo o campo. Ao lado da técnica, tinha uma capacidade física invejável. Como os grandes. Como Di Stéfano, a quem o compararam para explicar o seu talento, já que se carece de imagens que possam defini-lo completamente, também era um grande finalizador. Num dos campeonatos, dos cinco que ganhou, de Itália, foi também o máximo goleador. Valentino apanhou a década de 1940. Padeceu na 2ª Guerra Mundial e, depois de os Aliados derrotarem o nazi-fascismo de Hitler e Mussolini, voltou aos campeonatos e continuou a forjar a grande lenda do Torino. Itália aspirava a ganhar o Campeonato Mundial de 1950, que se disputaria no Brasil, mas a tragédia apagou todos os sonhos de alegria que desejava ansiosamente Itália, depois de viver uma Guerra Mundial e de suportar a vil ditadura de Mussolini. Valentino Mazzola faleceu à idade de 30 anos e, com ele, toda a equipa e praticamente o clube. A seleção italiana assentava-se no Torino. O enterro da equipa e acompanhantes reuniu quantidades ingentes de italianos. Em homenagem, inclusivamente, uma equipa brasileira uniformou-se com as cores do Torino.
Valentino Mazzola Fonte: http://www.quicalcio.com
O Torino, além de ser o orgulho futebolístico de Itália, era a equipa que representava a essência dos nativos de Turim. A Juventus, que, na altura, carecia da dimensão que tem presentemente, representava a gente que chegava a Turim procedente, principalmente, do Sul de Itália. A cidade ficou órfã.
Curiosamente, a melhor equipa da década de 1940 e uma das melhores, se não a melhor, da década de 1950, o Manchester United, tiveram o mesmo fim trágico. No entanto, o Manchester repôs-se enquanto o Torino ficou praticamente sempre na sombra, na névoa que levou o seu avião a embater e semear a morte. Diz Sandro Mazzola que tem, praticamente, uma amnésia das recordações do seu pai. Unicamente, ficou com uma ideia que, mais tarde, compreendeu: “não entendia o porquê de, quando passeava pela mão do seu pai, as pessoas paravam e o cumprimentavam.”
Cardozo parece estar enfim recuperado – quase três meses e 13 jogos separaram o paraguaio dos relvados. Lesionou-se frente ao Sporting, a 9 de Novembro, em jogo a contar para a Taça de Portugal. Titular indiscutível no Benfica, o “Tacuara” não sai do clube da Luz por nada (se depois do episódio da Taça de Portugal do ano passado não saiu, então Cardozo está de pedra e cal no clube encarnado). E, agora, um dos avançados mais temidos do nosso campeonato está de volta. Será só voltar a ocupar a posição?
Desde que Cardozo deixou de alinhar na equipa do Benfica, algumas alterações se verificaram no onze e na dinâmica do grupo. Comecemos por Rodrigo. Não podemos dizer que o jovem avançado “apareceu” agora, mas teve agora uma luxuosa oportunidade de afirmar a sua qualidade, com um excelente momento de forma que teve início quando o paraguaio deixou de entrar nas contas de Jesus. Rodrigo despertou os olhos da Europa com as suas fantásticas exibições, com a sua veia goleadora, com raça e com luta. Foi uma estrelinha que tardou a chegar, mas que finalmente encontrou o brasileiro naturalizado espanhol. Uma estrelinha que Rodrigo merecia encontrar. Outra alteração significativa aconteceu na baliza. O responsável pelas redes da “gaveta” do Benfica, quando Cardozo deixou de jogar, era um e, agora, no momento de voltar, é outro. Oblak é, agora, o “patrão” da baliza encarnada e tem um registo intocável – o esloveno não sofreu ainda um único golo de águia ao peito. Mas que quero eu dizer com isto? Que Cardozo não vai mais tirar o lugar a Rodrigo? Que a dupla Rodrigo-Lima é mais eficaz do que qualquer outra dupla em que se inclua o paraguaio? Que será Lima a ceder o seu lugar a Cardozo? E Oblak, que relação tem com os avançados?
O Tacuara está de volta, em vésperas de embate com o Sporting – o leão que se cuide Fonte: Público
Aquilo que pretendo vincar é, na verdade, bastante genérico. Sou do Sport Lisboa e Benfica de coração e se há vitórias que quero ganhar são as do meu clube. Como escrevi aqui, na semana passada, acima do Benfica não está nem pode estar nenhum jogador, nenhum treinador, nenhum dirigente – não é por eles que vamos à bola. O Benfica somos nós: uns cumprem na bancada, outros cumprem no relvado, mas nenhum está acima do outro. O que quero dizer com isto é que Cardozo tem lugar no Benfica se o seu contributo for maior do que o de Rodrigo ou Lima, e o mesmo acontece com estes últimos. Cardozo tem lugar no Benfica se compreender melhor o sistema táctico ou se se enquadrar melhor nele, se for uma arma mais perigosa, se desequilibrar mais as estratégias adversárias, se agarrar dois centrais com mais eficácia. No entanto, o contrário também pode acontecer, porque os milhões não devem falar dentro de campo. E sim, caro leitor, eu acho que Cardozo tem lugar no Benfica. Não por ser o “Tacuara”, mas por ser quem me deixa mais perto das glórias do meu clube. Não fosse esse o meu pensamento e, ainda hoje, queria ter o Rui Costa de águia ao peito.
Confesso que é com algum desprazer que escrevo o artigo de hoje. Ainda à boleia da palhaçada (prometo que vou tentar pensar num termo melhor) que se passou na fase de grupos da Taça da Liga, o espaço Bola na Rede tornou-se numa espécie de recreio de escola primária de aldeia remota.
Após um merecido facelift ao design do site (parabéns a quem de direito), engane-se o utilizador que, inocentemente, poderá pensar que alguns artigos publicados recentemente foram colocados na categoria errada. Muito se escreve sobre o Sporting na página do FC Porto, demasiado mesmo. Porquê, não sei. Sei duas coisas…:
Sei que, sendo alguém convidado para escrever uma rubrica sobre o seu clube e esse alguém não ser capaz de arranjar nada para dizer sobre o mesmo, das duas uma: ou algo de muito sério se passa com o clube ou então algo de ainda mais grave se passa com o redactor.
Sei que insultar pessoas que perdem tempo (sim, “perdem” neste caso é o verbo mais correcto) a ler e a comentar aquilo que escrevemos é provavelmente a coisa mais atrasada mental a fazer por alguém que, vá-se lá saber porquê, de repente tem um espaço para expressar a sua opinião, e não é capaz de ler e engolir opiniões diferentes das suas – porque desde que angariemos muitos “likes” podemos ser todos o próximo Luís Freitas Lobo.
As minhas desculpas, em nome do Bola na Rede, ao Henrique Buescu e outros que foram menos bem tratados.
Passando à frente.
Esta semana está interessante no que diz respeito ao mercado. Confirma-se a activação da opção de compra de Fredy Montero, até 2018, por um valor a rondar os dois milhões de euros. Shikabala, Dramé e Matias Perez vêm reforçar os plantéis A e B, os dois primeiros a custo zero e Perez por empréstimo. Falando nos dois primeiros, são atletas reconhecidos como extremamente talentosos mas ambos tiveram problemas disciplinares no passado. Matias Perez, de apenas 20 anos e 1,93m de altura, deu nas vistas campeonato sul-americano de sub-20 e estava a ser seguido por muitos clubes, entre os quais Benfica e Porto. Os três novos Leões têm agora a oportunidade de mostrarem aquilo que valem neste Sporting de cara lavada.
Também esta semana, sopraram-se velinhas de parabéns a Augusto Inácio e Paulinho. Enormes Sportinguistas, enormes profissionais. Os meus enormes Parabéns.
E só uma nota final que merece ficar esclarecida. Eu não sou imparcial. Nunca fui. Nunca o afirmei ser. Nunca quis dar a entender que o fosse. Se eu fosse imparcial e de facto me apresentasse como tal, não só estaria a ser eticamente correcto como também responsável pelas as minhas opiniões. Se eu me apresentasse como imparcial e depois publicamente “cuspisse” nesse próprio termo através das minhas opiniões, então poderia ser correctamente apelidado de hipócrita. E se, de facto, fosse um hipócrita, e alguém me chamasse hipócrita, chamar-me hipócrita não seria um insulto, seria uma observação. Uma das boas, por sinal.
No contexto futebolístico, a palavra dérbi remete-nos, desde logo, para um embate entre duas equipas que pertencem à mesma cidade ou região. Exemplos disso são os nossos bem conhecidos Benfica vs Sporting ou Vitória de Guimarães vs Braga, que estão associados a Lisboa e ao Minho, respectivamente.
Contudo, em Itália, o dérbi extravasa os limites de uma cidade ou região para se estender a todo o território nacional. Juventus e Inter de Milão protagonizam o aclamado e histórico dérbi de Itália. Já no próximo Domingo, dia 2 de Fevereiro, os dois clubes irão defrontar-se pela 216ª vez na sua história, num embate marcado para Turim e que faz parte do elenco da 22ª jornada da Serie A.
O primeiro capítulo desta já longa história de dérbi de Itália foi escrita há mais de 100 anos. A data de 12 de Novembro de 1909 ficará marcada, para sempre, como o pontapé de saída nos duelos entre bianconeri e nerazzurri. O termo “Dérbi de Itália”, contudo, só viria a saltar para a boca dos apaixonados do futebol muitos anos mais tarde, mais concretamente em 1967, quando o jornalista italiano Gianni Brera ousou denominar de dérbi este encontro entre Juve e Inter.
Foi no período entre a I e a II Guerra Mundial que o dérbi Italiano ganhou uma expressão que fez dele um dos duelos mais apetecíveis do futebol europeu. Recorde-se que Itália sagrou-se campeã do Mundo precisamante nesta era, mais concrectamente em 1930 e 1934. Dois obreiros desses títulos mundiais foram os capitães de Juve e Inter naquela altura. Giuseppe Meazza equipava pela formação de Milão, ao passo que Giampero Combi capitaneava a equipa de Turim. Dois históricos, dois homens fundamentais para o futebol transalpino e para as equipas onde jogaram, fazendo com que o dérbi ganhasse esta conotação de maior duelo futebolístico daquele país.
Guiseppe Meazza (à direita), num dos muitos dérbis de Itália que jogou Fonte: Wikipédia
Passados todos estes anos, a estatística sorri à Juventus, que venceu 94 dos 215 jogos realizados. O Inter soma 67 vitórias, ao passo que o número de empates é de 54. Dos 575 golos marcados neste dérbi, 306 foram obtidos pela equipa de Turim, ao passo que os milaneses “apenas” somaram 269. É também a Juve que domina no que a goleadas diz respeito, já que, em 1961, logrou vencer o seu rival de sempre por uns expressivos 9-1.
As últimas épocas têm confirmado este ascendente bianconero, apesar de o último jogo entre estas duas formações ter ditado um empate a uma bola. Mauro Iccardi, para o Inter, e Arturo Vidal, para a Juventus, foram os autores dos dois últimos golos do dérbi de Itália, que volta já este Domingo.
Vidal a ganhar um lance a Alvarez e Taider, no último dérbi de Itália Fonte: cbc.ca/sports
A jogar em casa e com surpreendentes 23 pontos de vantagem sobre o Inter, a bicampeã Juventus parece ser claramente favorita para esta partida que se avizinha. O domínio claro do campeonato por parte da formação de Antonio Conte tem contrastado com o péssimo registo da equipa de Walter Mazzarri, que, ainda há uma semana, empatou, em casa, perante o lanterna vermelha Catania.
Mas o dérbi de Itália é muito mais do que uma simples partida de futebol. É, acima de tudo, um encontro onde o peso histórico joga e onde todos os intervenientes sonham fazer parte como um dos protagonistas. De Meazza a Zanetti, de Combi a Buffon, a história escreve-se, ano a ano, sempre com capítulos diferentes, mas sempre com a mesma vontade de triunfar por parte dos dois emblemas. Que seja um grande jogo de futebol, no dérbi do país europeu com mais títulos mundiais.
Stanislas Wawrinka, também conhecido como Staminal Wawrinka pelas horas que aguenta em court, venceu o Australian Open 2014, vencendo o todo-poderoso Rafael Nadal e conquistando assim o primeiro Grand Slam da sua carreira.
Já aqui teci, neste mesmo espaço, muitas considerações acerca de Stanislas Wawrinka. Sou um confesso admirador do seu jogo, da sua pessoa e da sua história enquanto profissional do ténis. Wawrinka foi aquele que viveu na sombra de Federer, sem por isso reclamar, tendo até conquistado uma medalha de ouro olímpica ao lado do seu compatriota.
Wawrinka foi aquele que deixou a sua mulher e a sua filha para se dedicar inteiramente à sua carreira enquanto tenista. Há quem o critique, há certamente, mas eu não serei um deles. O resultado está à vista. O ex-nº2 suíço tem uma das esquerdas mais vistosas do circuito mundial, tem um lugar entre os três melhores do mundo e tem o seu nome para sempre marcado na história do ténis mundial. Se há sacrifícios que valem a pena, este é certamente um deles.
O tenista suíço está agora a atravessar a melhor fase da sua carreira e, embora já não vá para novo, Wawrinka atravessa aquele momento em que sabe que é temido por todos, em que sabe que sempre que entra em campo, seja qual for o adversário, a vitória pode cair para o seu lado. Basta acreditar e lutar como Stan the Man o tem feito ao longo dos encontros.
Wawrinka conquistou o primeiro Grand Slam da sua carreira Fonte: China Daily
Embora não seja um dos quatro mosqueteiros do ténis (Nadal, Djokovic, Murray e Federer), Wawrinka está no meio deles e, numa fase em que Roger Federer está longe de ser o que era, Wawrinka tem sido o grande porta-estandarte do ténis suíço no circuito mundial.
Stanislas Wawrinka está “aí para as curvas” e este será certamente, o grande ano do suíço. E por falar em Wawrinka, que venceu recentemente o Portugal Open, surgiu nos últimos dias uma notícia que entristeceu os fãs do ténis em Portugal: João Lagos afirmou que lhe falta 60% do orçamento necessário para levar a cabo mais uma edição do Portugal Open, isto quando estamos a pouco mais de três meses do início do torneio. Não há jogadores, não há estrutura, não há bilhetes à venda. Dificilmente se conseguirá pôr este Portugal Open de pé e, anos depois de ter “encerrado” o Vale do Lobo Grand Champions, 2014 pode marcar o afastamento definitivo de Portugal do circuito mundial de ténis.
Custa ainda mais num ano em que João Sousa venceu um torneio do circuito mundial e em que Portugal, com Nuno Marques à cabeça, quer subir de grupo na Taça Davis. Assim será mais difícil ainda. No entanto, e porque em cada fã português de ténis está um hipotético director de prova do Portugal Open, num outro artigo dissecarei aqui quais as minhas medidas para recuperar o mítico torneio tenistico português.
Aconteça o que acontecer, Portugal tem uma dívida eterna para com João Lagos. Obrigado, Sr. Ténis!
Fez no passado dia 28 de Janeiro um ano desde que o havaiano Garret McNamara apanhou a maior onda de sempre. Onda essa que rebentou na costa portuguesa, mais propriamente na Nazaré, com cerca de 30 metros de altura e que levou Portugal aos confins do mundo.
Com uma tempestade marítima prevista já para o próximo fim-de-semana, a Nazaré volta a ser palco de mais um espetáculo oferecido pela mãe natureza. Um espetáculo que já começa a ser habitual no país luso e que reúne centenas de portugueses e estrangeiros. Será que um ano depois o havaiano conseguirá bater novo record? Garret, que já se encontra em Portugal, afirmou que vai entrar sem expectativas e o que tiver de acontecer, acontece.
O que é facto é que os fotógrafos já estão quase a postos para a corrida à melhor fotografia que correrá mundo. Tal como estes, os media também fazem os seus preparos para divulgarem no planeta inteiro.
Previsão para o próximo fim-de-semana Fonte: Surftotal.com
Com o mau tempo que se fez sentir em quase todo o mês de Janeiro, o período de espera do SUMOL NAZARÉ SPECIAL EDITION POWERED BY ZON 2014 foi alargado por mais 10 dias. Anteriormente, o período era entre 3 e 30 de Janeiro. Agora, estender-se-á até dia 9 de Fevereiro. Uma vez que até agora as condições não foram consideradas perfeitas, a organização tomou esta decisão para que o evento se realize com as condições épicas e seguras.
Este fim-de-semana realiza-se o primeiro estágio da seleção nacional de surf na cidade que acolhe uma das etapas do WCT, Peniche. O grande objectivo é a convocação das jovens promessas para representar Portugal no campeonato do mundo júnior. Alguns dos surfistas presentes neste primeiro estágio são: Vasco Mónica, Guilherme Fonseca e João Moreira.
Por mais que a minha preferência vá para a discussão sobre o jogo – o verdadeiro! – que se desenrola dentro das quatro linhas relvadas, certas vezes temos de abrir excepções. Esta semana, exactamente, assistimos a uma situação que, mais do que qualificar, merece preencher esse conceito de excepção.
Por entre factos e conjecturas, suposições e esquecimentos, o Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, disparou em todas as direcções no final do Penafiel-Sporting, encontro que o seu clube até venceu por 1-3. Motivação? O facto nº 1: o Sporting foi incapaz, no total das três jornadas da 3ª fase da Taça da Liga, de marcar mais golos do que o FC Porto. Mesmo depois da goleada infligida aos Dragões, naquele 0-0 em Alvalade, o Sporting terminou com 7 pontos (os mesmos que o FC Porto) mas com 6 golos (menos um do que o Tri-Campeão nacional).
Haveria então Bruno de Carvalho, o novo ícone de um emblema renascido das cinzas, de, em mais uma mítica conferência de imprensa, justificar a eliminação do clube a que preside com dois factos (segundo Bruno): um penalty inventado no último minuto do jogo do Dragão e a circunstância de o FC Porto-Marítimo ter começado desfasado em quatro minutos em relação ao Penafiel-Sporting, argumentando que no momento do apito final do encontro em Penafiel o Sporting estava apurado. Desprezando as ironias, os sarcasmos e os clichés habituais, é uma linha argumentativa interessante vindo de alguém que costuma invocar a idade e estado físico-intelectual de seu pai para atacar os que com ele partilham a similitude geracional.
Voltemos, então, e de novo, aos factos (segundo Bruno). Para o Presidente do Sporting, o lance que envolveu Ghilas e Igor Rossi só poderia redundar em castigo máximo utilizando o “’intensómetro’ criado pelos “senhores inteligentes”. É normal que Bruno tenha alguma dificuldade em compreender que um lance destes pode dar azo a grande penalidade, uma vez que o argelino do FC Porto não se encontrava entre a linha de fundo e os placards publicitários; de todo em todo, não vi ninguém ter opinião divergente da de Manuel Mota – diria mesmo que é um daqueles casos que, de tão inequívoco que é, deixa – quem o invoque – mal na fotografia.
Prosseguindo no show de Penafiel (com continuação ao longo dos últimos dias através de capas e comunicados), o Presidente do Sporting invoca o atraso no começo do jogo FC Porto-Marítimo em relação ao disputado em Penafiel. Mesmo não sendo o referido atraso de quatro minutos (na realidade, foi de 2m47s), é óbvio que os jogos deveriam ter começado à hora marcada. Como deve ser sempre, aliás.
Os atrasos de Ontem I Fonte: Mais Futebol
Mas depois chegamos ao momento em que surgem as conjecturas, as suposições e os esquecimentos. O “intensómetro”, segundo Bruno, que teria de ser utilizado para descortinar o penalty sobre Ghilas caiu no goto (tal como a referência ao quarto golo portista diante do Penafiel obtido, inquestionavelmente, em fora-de-jogo); mas, com tanta assertividade, esperava de Bruno – um defensor veemente da verdade desportiva – uma referência à grande penalidade que ficou por marcar por falta de Igor Rossi sobre Carlos Eduardo ao minuto 56. Ou ainda uma pequena alusão aos dois penalties não assinalados a favor do Marítimo no jogo diante do Sporting (por Dier, ao minuto 30, e por Slimani, ao minuto 70) em pleno Alvalade. Ou mesmo uma menção à forma peculiar como Carlos Eduardo foi expulso no clássico de Alvalade. Neste ponto, confesso a minha desilusão.
No entanto – e dado que a referência ao lance de Ghilas não ‘colou’, de tão patética que foi –, a questão centrou-se em torno da celeuma do atraso. Segundo Bruno, estamos perante “coincidências que sempre acontecem” ou “mais uma jogada de mestre sempre na mesma lógica, de não olhar a meios para atingir os fins pretendidos”. Dado que o Marítimo pouco incomoda o Sporting (ao contrário da época passada…), as palavras parecem ter um alvo bem definido: o FC Porto. Ora, com tantas sentenças atiradas para o ar, ainda ninguém conseguiu responder a uma simples e tão óbvia questão: é o FC Porto o culpado pelo atraso no início do jogo (atrasos que, bem ou mal, sempre vão acontecendo em todo o tipo de competições, em todo e qualquer estádio)? Todavia, concedo: se se provar que sim, puna-se! Se houver dolo associado, ainda mais, tal como dita o artº. 116º do Regulamento Disciplinar da LPFP. Contudo, esta teoria da conspiração não fica abalada quando percebemos que, aquando do reatamento do jogo, a primeira equipa a surgir no relvado do Dragão para iniciar a segunda parte foi, precisamente, a do FC Porto? Então no começo da partida tinha interesse em atrasar e, ao intervalo, com um resultado que lhe era desfavorável (1-2), já tinha por vontade comparecer em tempo adequado para o reatar da segunda parte?
Neste pequeno vídeo fica claro, a partir do minuto 1:12, qual foi a primeira equipa a subir ao relvado do Dragão para iniciar a 2ª parte do encontro (25 segundos após o fim do tempo regulamentar do intervalo). Creio, ainda assim, que Bruno há-de ter uma qualquer teoria sobre isto, por certo.
Os atrasos de Ontem II Fonte: TSF
Mais, toda esta sequência de argumentos desemboca numa conclusão interessante. Segundo Bruno, no momento do apito final em Penafiel, o Sporting estava nas meias-finais da Taça da Liga. No fundo, a reclamação do Presidente do Sporting prende-se com o desenlace das partidas. Mas, afinal, pelo facto de duas partidas começarem em simultâneo, isso significa, per si, que elas tenham de terminar também ao mesmo tempo? Calculo que Bruno prefira assistir aos jogos do Sporting do que aos do FC Porto (esta época, até eu, confesso), contudo a realidade é que o jogo do Dragão não deveria ter acabado depois do encontro de Penafiel. Na verdade, deveria ter terminado muito tempo depois! A segunda parte do FC Porto-Marítimo foi repleta de paragens e interrupções, quase sempre provocadas por jogadores do emblema insular (desde lesões do guarda-redes, ao lateral direito que se lesiona fora de campo mas, percebendo-o, dá uma cambalhota e volta ao recinto de jogo até à demora na saída de campo aquando das substituições), pelo que o tempo suplementar indicado pelo árbitro deveria ter sido bem mais largo do que os quatro minutos concedidos.
Centremo-nos, ainda e sempre, no essencial. Já aqui o disse e reitero: se se provar que o FC Porto actuou de maneira premeditada e consciente por forma a atrasar o arranque da partida com o intuito de prejudicar o Sporting (em suma, dolosamente) deve ser punido – e tão-só porque as regras devem ser cumpridas. Agora, e independentemente desta questão, de forma objectiva: haverá uma relação causa-efeito entre estes dois factos? Haverá um nexo de causalidade? Ou seja, alguém acredita que o FC Porto só venceu o Marítimo por 3-2 porque o jogo entre estes dois clubes se iniciou às 20:47? O FC Porto decidiu jogar poucochinho (talvez o sufixo ‘-inho’ seja demasiado exuberante para este FC Porto) e, no meio da anarquia táctica, em tempo de descontos, aos trambolhões, apenas logrou obter um penalty que, por acaso, lhe deu a vitória e a qualificação porque a bola começou a rolar mais de dois minutos e meio depois da hora suposta? É isso?
A cada ponto perdido, a cada eliminação, enfim, a cada desaire, lá surge Bruno com acusações tão gratuitas quanto fortuitas, sempre contestando e culpando essa entidade metafísica chamada de ‘Sistema’. Percebemos, pois, a cada intervenção sua que também ele tenta instituir um sistema muito próprio: o do choro. Ou a percepção de que – pelo menos por agora – vais continuar a ser segundo, Bruno