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Redação Bola na Rede

Pedro Cantoneiro

358 artigos publicados · no Bola na Rede desde 2019

Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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Recordar é Viver

Recordar é Viver | O Valência de Hector Cúper

Acabará por ser cómico, quando olharmos para trás e vermos, na segunda década do novo milénio, as contradições existentes entre a imensa influência de Guardiola no desenvolvimento do jogo, com todas as equipas a competirem incessantemente na busca pelo mais apurado sentido estético, que de algum modo se fixou em pressupostos fáceis de entender, por muito que exista a tentação de tornar a receita complexa: o passe curto e a ocupação eficiente do espaço, e a conservação estoica dum legado anacrónico sob assinatura de Diego Simeone. O ‘Cholismo’, cercado pelo revivalismo holandês, sobreviveu como último reduto do anti-fútbol e sua mais avançada expressão, com todo o sucesso que se conhece, tornando e mantendo o Atlético como terceira grande potência da La Liga. Antes, já Héctor Cúper tinha sido fiel a esses ideais para levar o Valência a duas finais de Liga dos Campeões seguidas, apoiando-se nos mesmos entendimentos de como o jogo deve ser jogado – a disciplina, a agressividade e o pragmatismo enquanto pilares do sistema. Mendieta poderia elevar a nota artística e tornar o futebol mais sexy, mas Cúper é o elo anterior a Simeone na cronologia dessa tradição, como o Valência 1999-2001 o é do Atlético da década passada.

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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Recordar é Viver

Recordar é Viver: O ídolo de Haaland | Michu e o Swansea 12/13

Se em amena cavaqueira com outros amantes da bola referirmos Miguel Pérez Cuesta, a conversa fluirá rapidamente noutra direcção aleatória. É provável que ninguém dê conta do desrespeito que acabou de cometer. Se insistirmos, delicadamente, e trocar-mos o nome todo pela alcunha – Michu – a mesa irromperá em efusivos elogios, todos eles a redundarem em sintética mas esclarecedora onomatopeia, algures a meio caminho entre o sensaborão EISH! imortalizado por Pedro Henriques e o multifacetado EHPÁ!, a interjeição mais adorada da nossa língua, que se intensifica com o prolongar da primeira vogal com recurso a múltiplos agás, o tal que não faz barulho sozinho mas basta juntar-se aos outros para provocar o caos. Ao contrário de Michu, que não era desses que precisavam duma equipa a suportá-lo. A este tipo de figura, basta juntar-lhes colegas competentes para ascenderem a patamar de intocáveis; só que, em 12/13, com tantos da sua laia técnica nas redondezas, Michu foi transcendente, surgindo como meteorito para ser ícone do football original, mesmo partilhando palco com Van Persie, Aguero ou Bale.   Um trequartista inato com corpo de homem-alvo, o híbrido perfeito para os ritmos alucinados da Premier League. Depois de fazer 15 golos pelo Rayo Vallecano na La Liga 11/12 (o único médio no top8 do Pichichi, e médio se diz porque naquele Rayo havia Raúl Tamudo ou Diego Costa), o Swansea pagou dois milhões pelo seu passe no Verão de 2012, quando Michael Laudrup tinha substituído Brendan Rodgers, de viagem para Liverpool. Na altura pouco se falou da movimentação e foi preciso esperar pela primeira jornada da Premier para Michu se apresentar como deve ser, com dois golões numa tarde mágica na Loftus Road, casa do Queens Park Rangers. O 0-5 final, primeira vitória de sempre dos Cisnes naquele estádio, foi como uma bomba: o futebol rendilhado de Laudrup era irresistivelmente interpretado por Routledge, De Guzman, Nathan Dyer, Pablo Hernández e Michu, com o seu girar de mão perto do ouvido, celebração que servia para pedir o parecer dos críticos. Os olhos dum jovem chamado Erling Haaland, de 12 anos, brilhavam intensamente e escolhiam o novo ídolo.

Pedro Cantoneiro · 8 min de leitura
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