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Mark Cavendish | Manx Missile renascido ou apenas fogo de vista?

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Depois da tempestade vem a bonança, não é assim? A harmonia destes vocábulos proverbiais esclarece uma ideia por demais evidente, mas essa certeza de positividade à posteriori é tudo aquilo que está por descobrir neste caso em específico. Afinal, quão impactante será a hipotética redenção de Mark Cavendish? O que motiva esta discussão e por que razão devemos (ou não) “desenterrar” um dos melhores velocistas da História?

Partir do pressuposto que o britânico está de volta aos seus melhores dias é, aparentemente, prematuro. As suas mais recentes exibições deixaram água na boca e, inequivocamente, despoletaram memórias passadas de um sprinter feroz, dominante… acima de tudo, temido.

Na conceção da ideia de termos novamente Mark Cavendish a grande nível, quatro vitórias na Volta a Turquia representam muita imaginação ou um aviso sério para os tubarões do sprint atual? Kristoffer Halvorsen, André Greipel e principalmente Jasper Philipsen foram mais do que advertidos pelo veterano. O que é certo é que, ao fim do dia, esta discussão esbarrará sempre em argumentos válidos de parte a parte.

Encontrámo-nos num contexto fértil a perguntas, perguntas e mais perguntas. No fundo, aquela que fica na cabeça da maioria, no desejo de muitos e na expectativa de outros: é lógico, previsível e principalmente possível ter Mark Cavendish (agora com 35 anos) como um dos nomes grandes do sprint a curto/médio prazo?

Por que razão deve a “ameaça” Mark Cavendish ser encarada com seriedade?

Nada melhor do que mencionar em primeira instância a exibição que começou a construir a narrativa em causa. Para se perceber o impacto destas vitórias, importa referir que Mark Cavendish não vencia desde 2018. A juntar a vários sprints de qualidade já com as cores da Deceuninck Quick-Step, adivinhava-se que o míssil da Ilha de Man pudesse voltar a conhecer o sabor da vitória em solo turco, mas desta forma seria pouco provável, não?

Aconteceu… e em dose quádrupla. Dentro de uma equipa com inúmeros recursos de valor para a 56ª Volta à Turquia, Mark Cavendish assumiu da melhor forma toda a responsabilidade que recaía sobre si. Na estrada, a relação entre o timing de ataque e o posicionamento do ciclista inglês na hora de se lançar ao sprint foi perpetuada de maneira competente, beneficiando de uma frescura notável e da capacidade para manter a dimensão do ataque até ao risco.

Taticamente, aquele comboio medonho onde o antigo campeão do mundo constituía-se como a última carruagem, pronta a dizimar a concorrência, faz parte do passado. Nestes dias de glória, os sprints vitoriosos de Mark Cavendish centraram-se na procura pela roda certa, pela maior eficiência possível na questão dos cones de vento e sobretudo pelo acréscimo de confiança de etapa para etapa depois do “boost” emocional de voltar à sua segunda casa, a ribalta dos sprints mundiais.

Foram triunfos plenamente cirúrgicos. Se outrora tínhamos uma HTC, por exemplo, a comandar o pelotão, com dois ou três adversários de respeito a lutar pela roda de Mark Cavendish, desta feita tivemos um lobo solitário a fazer uso de toda a sua experiência e leitura de corrida para se colocar na melhor posição possível, aproveitando as rodas oferecidas pela Israel Start-Up Nation e Alpecin-Fenix.

Obviamente que os últimos metros não reproduzem o excelente trabalho da equipa de Patrick Lefevere na proteção do seu líder, porém, é um dado assente quando refletimos sobre a maneira fria como foram planeados os finais de etapa no laboratório belga. Este tipo de posicionamento, embora possa trazer benefícios fulcrais para o desfecho final, como o lógico aproveitamento da roda certa, pode também cortar completamente o “comboio multicultural” a meio, deixando o ciclista em causa arredado das decisões.

Entra então a questão da velocidade em congruência com a inteligência, calma e a capacidade para tomar as melhores decisões num curto espaço de tempo. Mark Cavendish mostrou tudo isso, mostrou valências mentais que o podem levar a vencer seja contra quem for, até porque experiência sem velocidade vale pouco para um sprinter, mas velocidade sem experiência traduz um caminho com mais pedras rumo ao sucesso. A diferença entre Mark Cavendish e Jasper Philipsen, um conceituado sprinter da nova geração, passou essencialmente por estes dois pesos, não desvalorizando o aspeto mais importante: a velocidade.

Vasilis Anastopoulos, treinador do atleta britânico, admite que o ciclista apresenta ligeiras melhorias nos dados do seu sprint em relação a 2015, isto no que diz respeito à longevidade dos seus ataques. Ora, com uma informação destas, fica mais difícil descurar um nome destes do futuro do sprint. São 35 anos, tudo bem. 35 anos com selo de experiência, mentalidade vencedora, habitat ideal para vencer, esperteza e velocidade. Seja como for, nem tudo é um mar de rosas e Mark Cavendish tem obstáculos para superar.

Os 5 melhores jogadores sub-23 da Liga Francesa

Para qualquer apreciador de futebol, é sempre um prazer ver jovens de tenra idade a espalhar classe nos relvados por essa Europa fora. Hoje vamo-nos focar na Liga Francesa e analisar cinco prodígios com menos de 23 anos que têm estado em destaque.

5.

Sven Botman – Ao longo destas últimas épocas, o LOSC Lille tem sido um dos emblemas que se tem apresentado a melhor nível na Liga Francesa. Em parte, este sucesso deve-se a um forte departamento de prospeção, que tem permitido ao emblema francês contratar grandes talentos jovens. Um exemplo disso mesmo é Sven Botman. O defesa-central holandês de 21 anos formado no AFC Ajax foi uma das contratações do Lille para esta temporada, e foi claramente um tiro certeiro. Leva já 33 jogos no campeonato, ao serviço da equipa com a melhor defesa da prova. Um nome para seguir atentamente.

Lucas Mineiro | A peça que falta na mina da Luz?

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Com a temporada a terminar começam a surgir os primeiros rumores sobre eventuais transferências com o intuito de reforçar as equipas para a época seguinte. Fala-se, então, no interesse dos encarnados no médio brasileiro Lucas Mineiro, jogador que esta temporada representa o Gil Vicente FC por empréstimo da Associação Chapecoense de Futebol.

Depois de uma temporada aquém do esperado por parte do SL Benfica, principalmente após o investimento que foi feito no verão passado, as contratações neste próximo defeso terão de ser cirúrgicas.

Os gilistas têm opção de compra sobre o jogador na ordem dos 500 mil euros, contudo, terão de cobrir uma eventual proposta se esta for superior a este valor caso queiram contar com o atleta na próxima temporada.

As “águias” seguem, ao que tudo indica, atentamente o jogador e esperam assinar o brasileiro que tem também o interesse do SC Braga, de clubes ingleses, turcos e russos. Contudo, o agente de Lucas Mineiro, Fernando Brito, afirmou que ainda não há qualquer proposta em concreto. O médio leva já dois golos na atual edição da Primeira Liga e é titular indiscutível da equipa de Ricardo Soares.

Lucas Mineiro chegaria à Luz para reforçar o meio campo das “águias”, que contam com inúmeros jogadores de qualidade para a posição. Weigl, Taarabt, Pizzi, Gabriel e ainda Samaris são alguns dos nomes que constam na lista de jogadores para ocupar as posições mais ao centro do terreno de jogo, pelo que Lucas Mineiro teria bastante concorrência por um lugar no onze.

Lucas Mineiro tem sido um dos destaques do Gil VIcente FC
Lucas Mineiro tem sido um dos destaques da equipa do Gil Vicente FC nesta época estando a realizar uma das melhores temporadas da sua carreira
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Lucas Mineiro é um médio centro que possui uma grande envergadura (188 cm), mas que ao mesmo tempo é ágil. Tem facilidade em sair a jogar com a bola nos pés e a arranjar linhas de passe, para além de ter uma capacidade de decisão rápida. É um médio canhoto com qualidade acima da média, forte no jogo aéreo, fazendo da sua altura uma vantagem. Pode jogar na posição “8” e “6”, sendo que se sente mais confortável na primeira, mas o SL Benfica tem melhores soluções no seu plantel.

Uma possível contratação do jogador de 25 anos será ou para dar profundidade ao plantel de Jorge Jesus ou então para ser cedido, por empréstimo, a uma outra equipa para ganhar minutos e desenvolver as suas capacidades. Embora seja um bom jogador, Mineiro não me parece ter a qualidade necessária para assumir a titularidade, ou até mesmo um lugar no banco do Sport Lisboa e Benfica, isto porque existem melhores soluções no atual plantel.

O jogador brasileiro tem ainda margem de progressão, pelo que jogar mais uma temporada num clube como o Gil Vicente FC, por exemplo, seria benéfico para o seu desenvolvimento enquanto jogador. A qualidade está claramente lá, mas ainda necessita de aprimorar algumas caraterísticas do seu jogo para dar o próximo passo na sua carreira.

Ainda assim, é expectável que o Sport Lisboa e Benfica tente a contratação deste jogador no início do próximo defeso, sendo que é uma opção “barata” para reforçar o meio campo encarnado.

SL Benfica B 2-2 FC Penafiel: “Duk” resgata empate

A CRÓNICA: NUM JOGO COM OPORTUNIDADES DE AMBOS OS LADOS, OS VISITANTES DEIXARAM FUGIR A VITÓRIA EM CIMA DO MINUTO 90

O Benfica Futebol Campus recebeu o embate da 30.ª jornada da Segunda Liga entre SL Benfica B e FC Penafiel. Numa tarde de muita chuva, São Pedro deu tréguas e deu céu limpo durante a duração do encontro, num jogo que teve muita emoção durante o segundo tempo.

A primeira parte ficou marcada pelo equilíbrio entre as duas equipas, com nenhuma a criar verdadeiras ocasiões de logo nos 45 minutos iniciais. Um remate poderoso de Bruno César, o “chuta-chuta” como ficou conhecido, obrigou Mile Svilar a defesa apertada, e do outro lado foi Henrique Araújo que testou os reflexos do guardião Luís Ribeiro.

Já perto do intervalo, Tiago Gouveia teve a melhor oportunidade do primeiro tempo, mas a bola embateu em cheio na trave e as equipas recolheram ao balneário com uma igualdade a zero.

Após o descanso, o jovem avançado das “águias” entrou com vontade de se redimir, e com apenas três minutos decorridos na primeira, parte, Tiago Gouveia inaugurou o marcador na sequência de um lançamento lateral longo. O jovem internacional luso dominou o esférico e rematou a contar fazendo o 1-0.

A resposta visitante demorou, mas foi forte. Aos 68 minutos o lateral esquerdo, Simão Azevedo, cruzou para o interior da área onde apareceu Ronaldo Tavares a cabecear para o empate. A bola foi ao centro, e apenas 3 minutos depois, Simão Azevedo voltou a cruzar para o interior da área “encarnada”, onde apareceu Pedro Soares a dar a volta ao marcador.

O SL Benfica B tentou responder, lançando mais armas ofensivas, mas o empate só surgiu aos 90 minutos, quando Luís “Duk” Lopes cabeceou a contar, fazendo o 2-2- final.

 

A FIGURA

Simão Azevedo – O lateral esquerdo foi fundamental para a manobra ofensiva da sua equipa, oferecendo largura e profundidade ao ataque do FC Penafiel. As suas assistências foram com “regra e esquadro” e fizeram a diferença.

 

O FORA DE JOGO

Umaro Embaló – O extremo criativo dos encarnados esteve apagado durante grande parte do jogo. Pouco intenso e facilmente rapado pela defensiva visitante, acabou por não ser a “faísca” que o ataque benfiquista precisava.

ANÁLISE TÁTICA – SL Benfica B

Sem Gonçalo Ramos, o seu “homem-golo”, o SL Benfica B apresentou-se num 4-3-3, que colocava Diogo Mendes como homem recuado e permitia a David Tavares e Martim Neto terem criatividade para criar o ataque encarnado. No entanto, os comandados de Nelson Veríssimo acabaram por apresentar uma dinâmica muitas vezes previsível, e com a qual o FC Penafiel conseguiu lidar durante longos períodos de tempo, graças à sua linha defensiva muito subida, mas veloz para os duelos na profundidade e pelo ar.

Defensivamente as “águias” mostraram algumas debilidades em conter o corredor esquerdo do ataque visitante, que conseguiu marcar dois golos “a papel químico” num curto espaço de tempo.

 

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Svilar (7)

Henrique Araújo (6)

David Tavares (7)

Tiago Gouveia (7)

Godfried Frimpong (6)

Tomás Araújo (6)

Kalaica (6)

Martim Neto (6)

João Ferreira (7)

Umaro Embaló (5)

Diogo Mendes (6)

 

SUBS UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Rafael Brito (6)

Fábio Baptista (6)

Luís Lopes (7)

Jair Tavares (7)

Kevin Csoboth (6)

 

ANÁLISE TÁTICA FC PENAFIEL

O FC Penafiel apresentou-se num 3-4-3 no momento ofensivo, com Bruno César a ser um dos grandes pensadores da equipa, e num 5-4-1 no momento defensivo, com Ronaldo Tavares na posição mais avançada. Contudo, o ponta-de-lança acabou por estar muitas vezes sozinho e sem apoio, perdendo várias bolas quando a equipa conseguia recuperar a posse.

No segundo tempo, os comandados de Pedro Ribeiro alteraram a sua forma de pressionar e começaram a apresentar-se numa formação mais semelhante a um 4-4-2, que colocava muita pressão na primeira fase de construção “encarnada”.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (7)

Vini (6)

Ronaldo Tavares (6)

Bruno César (7)

Wagner (6)

Simão Azevedo (8)

Paulo Henrique (6)

João Amorim (79

Capela (6)

Robinho (6)

Gustavo Henrique (6)

 

SUBS UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Franco (6)

Pedro Soares (7)

Leandro (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 FC PENAFIEL

BnR: Pedro, a equipa apresentou-se bem depois dos dois golos marcados e teve várias oportunidades para dilatar a vantagem. O que faltou para conseguirem segurar a vitória?

Pedro Ribeiro: Faltou a equipa de arbitragem não errar. Somos homens, e os árbitros também são homens e erram, e nesse lance eles erraram. Foi isso que faltou, nós ganhámos a primeira bola, não ganhamos a segunda porque é muito difícil ganhar aquela segunda bola, e depois sobra para o Luís Lopes. Convido-vos a analisar o lance.

SL Benfica “B”

Não foram colocadas questões ao técnico Nelson Veríssimo.

Mundial de Snooker 21, capítulo 2: Os oitavos-de-final

A CRÓNICA: O CAMPEÃO FOI AO CHÃO. QUEM LHE SUCEDE?

O Campeonato do Mundo de Snooker 2021 prossegue e os oitavos de final já são memória. O grande e inevitável destaque da segunda ronda deste Mundial é o destronar do campeão em título, Ronnie O´Sullivan, pelo escocês Anthony McGill. O 16.º colocado do ranking mundial bateu o hexacampeão mundial no 25.º e decisivo frame (13-12) e impediu que o inglês alcançasse o compatriota de McGill, Stephen Hendry, na lista de mais titulados do Campeonato do Mundo na Era Crucible.

Em agosto passado, McGill esteve muito perto de marcar encontro com O’Sullivan na final do Mundial 2020, mas Kyren Wilson levou a sua avante na “negra” da meia-final (Wilson viria a perder ante o “Rocket” por 18-8). Então, McGill viu o adversário arrecadar a vitória com uma bola um tanto fortuita e a mágoa da derrota adquiriu o peso cumulativo da forma como surgiu. Nessa negra, Anthony fez 82 pontos, que não foram suficientes.

Na partida frente a O´Sullivan, o escocês esteve perto de reviver as mágoas. Felizmente para McGill, O´Sullivan desperdiçou uma vantagem de 42 pontos na “negra” e o “Glaswegian Gladiator” limpou o frame com… 85 pontos, apenas mais três dos que haviam sido curtos para bater Kyren Wilson no Mundial transato.

Os restantes frames em si – regra geral – não foram equilibrados. No entanto, ambos os jogadores conseguiram desequilibrar para o seu lado praticamente na mesma medida, provocando o equilíbrio. O´Sullivan conseguiu duas centenárias e outras seis entradas acima de 50 pontos; McGill alcançou três centenárias e outros oito breaks de 50 pontos para cima. A partida de maior equilíbrio foi mesmo a “negra”.

Já as sessões tiveram momentos de dilatação e contração do marcador que geraram dúvida e emoção. Na primeira, O´Sullivan esteve a vencer por 4-1, mas foi apanhado por McGill. Na segunda sessão, McGill transformou o 4-4 num 10-6. Ronnie entrou na terceira e última sessão com cinco triunfos em sequência, fazendo o 11-10. O escocês empatou, o inglês fez 12-11, McGill voltou a empatar e, por fim, venceu a “negra”.

A partida que poderia ter sido a final de 2020 pendeu para o escocês e O’Sullivan termina a defesa do título na segunda ronda. Quem será o seu sucessor? Teremos campeão inédito? Os quartos-de-final vão ajudar a tornar as necessárias respostas mais claras, mas, antes disso, passamos em revista os oitavos (houve tentativas de 147, duelo de `92, favoritos a provarem sê-lo e Marks com fartura).

5 melhores equipas da história da liga | NFL

A National Football League (NFL), desde que foi fundada em 1920, já viu imensos atletas e várias equipas de grande qualidade. Em todas as suas décadas de existência, o futebol americano viu sempre novas tendências a serem criadas, muito pelo impacto do sucesso de certos coletivos.

Comparar décadas é algo praticamente impossível, muito pela falta de máquinas do tempo, por isso este artigo não irá comparar as melhores formações da história da liga. Irá, sim, juntar as cinco equipas que mais ondas causaram na NFL, quer no ano em que dominaram o panorama competitivo da liga, quer na forma como influenciaram o futuro do desporto até aos dias de hoje.

Ordem decrescente por anos e não por qualidade

5.

1962 Green Bay Packers – Numa época em que terminaram 13-1, os Green Bay Packers dominaram a liga de forma nunca antes vista anteriormente. Treinados pelo icónico Vince Lombardi (sim, esse senhor que atualmente dá o nome ao troféu do Super Bowl), os Packers, em 14 jogos, acabaram a temporada regular com um resultado combinado de 415-148.

Mais impressionante ainda é o jogo do título frente aos New York Giants, com as condições mais adversas possíveis. Num dia em Nova Iorque com 13 graus negativos, onde se via até fogueiras a serem feitas à volta do estádio para combater o frio, os Packers venceram 16-7, num dos jogos mais complicados da história da NFL.

Com 11 Hall of Famers em campo, como o Quarterback Bart Starr, o Fullback Jim Taylor, o Safety Willie Wood e o Defensive Lineman Henry Jordan, entre outros, a equipa de Green Bay de 1962 é considerada uma das mais completas da história na era pré-Super Bowl. Por isso, o seu lugar fica reservado nesta lista por ser a primeira equipa a exercer uma dominância sem precedentes na liga.

Foto de Capa: Seattle Seahawks

Moreirense FC 1-1 FC Porto: O título cada vez mais longe

A CRÓNICA: FALTA DE EFICACIA PREJUDICA FC PORTO

No penúltimo jogo da 29.ª jornada do campeonato português o FC Porto deslocou-se ao Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas para defrontar o Moreirense FC. Depois da vitória do líder do campeonato em Braga, os dragões teriam obrigatoriamente de vencer o jogo para continuar a pressionar o Sporting CP.

Já para o Moreirense FC seria a oportunidade de aproveitar a perda de pontos do Vitória SC e distanciar-se do Santa Clara que também perdeu pontos nesta jornada.

O jogo começou com a equipa de Moreira de Cónegos a tentar pressionar a saída de bola dos dragões e aproveitar as costas dos defesas laterais azuis e brancos, habitualmente subidos no meio-campo contrário. No entanto, esta pressão foi facilmente anulada pela equipa portista e a partir dos 15 minutos os caseiros já estavam a ter muitas dificuldades para chegar à baliza de Marchesín.

Aos 34’ o Moreirense FC aproveitou uma perda de bola pelos avançados portistas e lançou um contra-ataque muito perigoso, com Rafael Martins a lançar para o golo apenas parado por uma grande defesa de Marche para canto. Após o canto batido, Uribe cortou de novo para canto. Neste, numa jogada de laboratório, Ferraresi isolou-se na área portista e marcou golo ao minuto 37.

Até ao apito para o descanso, o FC Porto continuou a pressionar a saída de bola do adversário, sem conseguir chegar com perigo real à baliza de Pasinato.

Os segundos 45′ começaram com uma grande oportunidade para os dragões – Taremi na cara de Pasinato não foi conseguiu finalizar para dentro da baliza. O FC Porto entrou com grande intensidade para o jogo e, desta vez, foi Sérgio Oliveira com um livre lateral que criou perigo, mas Pasinato voltou a voar e impediu o golo da igualdade dos azuis e brancos.

De novo o perigo por parte dos dragões, desta vez o poste foi inimigo dos portistas, numa jogada de insistência Mbemba cruza para o centro da área e Marega acerta na barra. No contra-ataque tantas vezes utilizado pelo Moreirense, Pepe corta a bola com a mão punido com cartão amarelo, que o impede de jogar no próximo jogo.

O domínio do FC Porto era claro, no entanto a defesa do Moreirense FC ia conseguindo anular todas as tentativas dos dragões, que com as substituições feitas jogava com uma grande densidade ofensiva.

Aos 76’, após um passe falhado de Pepe, Uribe escorrega, André Luis recebe a bola, finta o guarda-redes do FC Porto, mas Uribe compensa o erro anterior e corta a bola quase em cima da linha do golo.

Os dez minutos finais da partida foram marcados por uma grande avalanche ofensiva dos dragões. Aos 86’ foi marcada uma grande penalidade para os visitantes com Rosic a chegar tarde ao lance que acabou por derrubar Toni Martinez. Na conversão dos 11 metros, Taremi finaliza para dentro das redes, empatando o jogo perto do fim.

Com a chegada aos 90’, o árbitro Hugo Miguel concedeu mais cinco minutos de compensação, e aos 93’ Toni Martinez marcou com um grande cabeceamento, mas o VAR negou o golo por fora de jogo do avançado espanhol.

Com o marcador a assinar o empate por um golo, o FC Porto vê o Sporting a fugir na pontuação e o bicampeonato mais longe.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Mateus Pasinato – O guarda-redes do Moreirense FC foi um muro perante todas as investidas dos dragões, impedindo, no início dos segundos 45′, que os portistas chegassem mais cedo ao golo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

A equipa do FC Porto – Os portistas mostraram uma grande incapacidade de criar perigo à defesa bem orientada dos discípulos de Vasco Seabra, os ataques portistas eram sempre bem anulados pelos defesas do Moreirense FC.

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

A jogar num 4-4-2, desde cedo foi evidente que Vasco Seabra preparou o jogo com a intenção de atacar as costas dos defesas portistas com muitos passes longos para os espaços entre os defesas.

Rafael Martins e Soares como homens da frente teriam como missão procurar espaços e aproveitar os erros da equipa portista.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (8)

Ferraresi (7)

Rosic (6)

Abdoulaye (6)

Abdu (6)

Walterson (6)

Fábio Pacheco (6)

David Simão (6)

Matheus Yan (6)

Rafael Martins (7)

Filipe Soares (7)

SUBS UTILIZADOS

Alex Soares (5)

Franco (5)

D’Alberto (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Com o habitual 4-4-2, Sérgio Conceição optou, desde cedo, numa pressão alta na saída de bola do Moreirense, com Nanu e Manafá sempre muito subidos na defesa, o jogo do azuis e branco passou pela abertura nas alas para conseguir chegar à baliza.

No ataque, Taremi, Marega, Otávio e Corona procuraram sempre encontrar espaço nas costas dos defesas, os dois médios alas optaram por procurar em diversas ocasiões o jogo interior, contudo, sem efeito, devido ao pouco espaço existente entre os médios e os defesas adversários. Os dois avançados raramente tiveram hipóteses de criar perigo.

Com os segundos 45′, os dragões trouxeram para campo uma grande intensidade atacante. As substituições mostraram isso mesmo, a procura pelo golo foi o lema. Com a entrada de jogadores que pudessem desequilibrar como Díaz e Conceição, a equipa tentou sempre entrar na área do adversário e criar perigo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

Nanu (5)

Mbemba (6)

Pepe (6)

Manafá (5)

Sérgio Oliveira (6)

Uribe (7)

Otávio (6)

Tecatito Corona (6)

Marega (5)

Taremi (6)

SUBS UTILIZADOS

Luis Díaz (6)

Toni Martinez (6)

Francisco Conceição (6)

Fábio Vieira (6)

Grujic (6)

SL Benfica 2-1 CD Santa Clara: O banco mexeu com o sistema

A CRÓNICA: «UMA EQUIPA. DOIS SISTEMAS», SERÁ QUE FUNCIONA ALGUM?

Não sou de envolver política no desporto (apesar de estar bem enraizada no mesmo), mas as declarações de Jorge Jesus fez-me lembrar o slogan que se aplica à China (“Um país. Dois sistemas”). O caso do SL Benfica a situação é muito semelhante, contudo, ao invés de ser um sistema económico era um sistema tática. A dúvida da antevisão (a dos três centrais) foi desfeita e também a surpresa de Daniel Ramos era revelada – como se de um chocolate de uma marca da qual todos conhecem… não posso fazer publicidade.

“Uma equipa. Dois sistemas” passou inevitavelmente a ser o slogan encarnado. Também é inegável que o Santa Clara viajou de uma ilha. Ora as evidências estão em cima da mesa e a comparação de hoje, infelizmente política, olharemos para a China e para Taiwan. O jogo estava muito morno e sem nada a acontecer, além do atrevimento açoriano. Faltava algo ao jogo… claro está! Um golo.

Depois de nada ter sido feito para que o Benfica pudesse chegar sequer com perigo à baliza de Marco, houve um golo encarnado. Ninguém conseguiu travar Everton cruzou e foi Carlos Jr. a faturar… na própria baliza. 1-0 aos 26 minutos. O sistema podia nem funcionar em jogo jogado, mas a verdade é que os encarnados iam vencendo. Enfim, coincidências. Não fosse o falhanço inacreditável de Seferovic o resultado podia ser outro, mas manteve-se o resultado ao intervalo.

Na segunda parte, os açorianos tinham entrado mais interventivos e com vontade de esclarecer o resultado que ia permanecendo. Aos 60 minutos, a formação encarnada quase ia dando frutos para… o Santa Clara. Rafael Ramos ia marcando um golaço se não fosse Helton Leite. Porém, o guarda-redes brasileiro do Benfica não teve grandes hipóteses. A insistência deu frutos para os açorianos que fizessem o golo, aos 62 minutos. Lincoln teve bem no corte, Cryzan cruzou atrasado e Anderson Carvalho empatou. Um sistema a colapsar? Continuemos…

Na primeira vez em que realmente tudo correu bem com o trabalho dos laterais, Rafa progrediu bem no terreno e passou a Diogo Gonçalves. O lateral encarnado acompanhou a subida e fez um belo passe atrasado para Chiquinho encostar para a baliza. O sistema pode até não ser muito produtivo, mas era eficaz. Um jogo que contou pelo resultado e não pela exibição. O SL Benfica está a dez pontos do líder da Primeira Liga, Sporting CP, e os açorianos ficam com muitas dificuldades para chegar aos tão ambicionados lugares europeus.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Lincoln – Teve uma tarefa complicada aquela que foi confiada ao número dez dos açorianos e esteve ao nível daquilo que foi pedido. O facto de ter de variar de posição em grande parte do jogo trouxe muitos benefícios para si e para a própria equipa. Aliás, é ele quem tem a insistência para o golo solitário do Santa Clara. Foi peça importante para muitas ações que os açorianos tiveram ofensivamente.

O FORA DE JOGO
Seferovic SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Haris Seferovic – Com as oportunidades claras (porque também foram poucas aquelas que o Benfica criou), tinha de ter saído com os dois golos das oportunidades que teve. Deslumbrou-se do facto de ter marcado um grande golo a jornada passada? Foi um jogador sem grande reação e participou pouco nos processos da equipa. Parece ser um jogador que varia entre o “goleador” e o “vacilo man“.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus não tinha descortinado qual podia ser a tática inicial dos encarnados, mas ao que parece o técnico português quis continuar a aposta nos três centrais. O Benfica apresentou um 3-5-2, o que já começa a ser um novo normal por parte da equipa. Apenas de registar duas alterações no onze inicial em relação à última partida: a entrada de Julian Weigl e de Everton e as consequentes saídas de Gabriel e Adel Taarabt.

Dificuldades dos comandados de Jorge Jesus em conseguir com que os processos ofensivos fossem concretizados. A culpa podia, e devia, ser atribuída aos dois lados, visto que parecia que nada saía bem ao SL Benfica e os açorianos vinham com a lição bem estudada. Pouco jogo interior foi feito por parte das águias que exploravam muito mais as laterais.

As dificuldades continuaram a existir na segunda parte, mas o relaxar dos açorianos na partida levou a que mais vezes os laterais conseguissem ter espaço para cruzar. Foi pelo lado de Diogo Gonçalves que o golo da vitória encarnada, um dos pouco movimentos que resultou com os laterais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (6)

Lucas Veríssimo (5)

Jan Vertonghen (5)

Nicolas Otamendi (5)

Alex Grimaldo (5)

Diogo Gonçalves (5)

Julian Weigl (5)

Pizzi (6)

Everton (6)

Rafa Silva (5)

Haris Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Chiquinho (7)

Darwin Nuñéz (5)

Gilberto (5)

Pedrinho (-)

Luca Waldschmidt (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Os açorianos vieram à capital para jogar igual a si próprios, tal como Daniel Ramos já tinha dito na antevisão à partida. A verdade é que o 4-3-3 do Santa Clara voltou a ser a aposta por parte do técnico da formação de São Miguel. João Afonso acabou por ocupar o lugar no centro da defesa depois de Fábio Cardoso não conseguir prestar contributo à sua equipa devido à acumulação de amarelos.

Apesar de existir uma grande vontade de vontade de manter a imagem natural do Santa Clara, Daniel Ramos prometeu uns pequenos pormenores. Quando se defendia a formação dos Açores trocavam de posições Allano e Lincoln. O número sete ficava responsável pelo lado esquerdo da defesa na ajuda ao lateral Mansur, enquanto que o número dez ajudava na pressão à construção dos encarnados. Nesta situação em específico, o Santa Clara ficava num 5-2-3 enquanto que em ações defensivas o mesmo 4-3-3.

Lincoln e Allano deram uma dupla interessante principalmente a nível atacante em que o Lincoln baixava e arrastava o último central do lado esquerdo e Allano aparecia totalmente sozinho no mesmo lado. Na segunda parte, os açorianos pressionaram mais alto no campo e conseguiram recuperar muitas bolas em zona subida do terreno, uma delas até conseguiu concretizá-la em golo. O relaxar defensivo levou a que sofressem o segundo golo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco (5)

Rafael Ramos (6)

João Afonso (5)

Mikel Villanueva (5)

Mansur (5)

Hide Morita (6)

Anderson Carvalho (6)

Lincoln (7)

Allano (6)

Cryzan (5)

Carlos Jr. (4)

SUBS UTILIZADOS

Rui Costa (5)

Costinha (5)

Jean Patric (-)

Ukra (-)

Nené (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus. 

CD Santa Clara

BnR: O Allano ficou responsável de ajudar mais no lado direito enquanto que o Lincoln ficava na frente com Carlos Jr e Cryzan. Era este o pequeno pormenor defensivo que falava na antevisão e se esta mudança também tinha uma ideia ofensiva estudado nesta alteração?

Daniel Ramos: Sim, embora já o tenhamos feito ao longo do campeonato. É preciso perceber que há nuances defensivas que nos permitem ficar equilibrados. Há diferença entre defender com uma linha de cinco e outra de defender com quatro e estando com os laterais projetados. Com este sistema do SL Benfica que apresentou hoje [com os três centrais] decidimos arriscar com este sistema tático. Já há bastante tempo atrás temos feito isto com equipas que têm apostado com três defesas e com constroem desta forma. Foi muito mérito nosso a forma como contrariámos o Benfica. Eu nunca vi o Benfica a atrasar tanto a bola para trás como vi durante este jogo. Por isso, tivemos muito mérito e houve essa articulação [entre o médio e o extremo], mas também defendemos o corredor esquerdo, com o Rafael Ramos, Morita e o Anderson, e direto da mesma forma. Já fizemos durante muitas vezes durante este campeonato isto e tivemos grande qualidade.

Tribuna VIP: Ripa na Rapaqueca, Sporting!

Ontem foi dia de jogo, muito importante, para o Sporting Clube de Portugal, e confesso que me senti acompanhado do saudoso Leão Jorge Perestrelo.

No primeiro toque na bola ouvi a sua voz inconfundível a gritar “Ripa na Rapaqueca, Sporting!”. Não faço a menor ideia do que quer dizer, mas “Ripa na Rapa” é poderoso e faz qualquer pessoa sentir-se invencível!  

E, ao minuto 13, Porro correu e centrou para a grande área, Paulinho desviou de cabeça mas Pote chegou atrasado! 

À táctica de Carvalhal, de colocar os seus três avançados a pressionar em cima dos três defesas centrais do Sporting, o Sporting respondia com um contra-ataque rápido e muito focado na capacidade individual dos seus atletas.

Com as linhas próximas, para conquistar rapidamente a bola aos atletas do Sporting e não deixar espaço, nem tempo, para estes saírem em ataque organizado, o SC Braga foi assumindo o controlo do jogo. Ao minuto 14, Abel Ruiz, isolado frente ao guarda-redes, fintou Adán, mas o lance foi rápido demais e perdeu-se.

Ao minuto 10, Gonçalo Inácio levou o primeiro amarelo. Agarrou pelas costas um jogador do Braga e Artur Soares Dias não hesitou. Ao minuto 17, em lance similar, Artur Soares Dias replicou o cartão, deixando o Sporting com menos um jogador. Até àquele momento o Sporting tinha no total duas faltas, dois cartões amarelos e o respectivo vermelho. Ainda na semana passada ouvi Vítor Pereira a referir-se a Soares Dias como um árbitro que está mais “maduro”… Confesso que até concordo, pois tudo naquele profissional da arbitragem demonstra que de “verde” não tem nada!

Nesse momento Ruben Amorim batia palmas e eu dizia “está ganho!”.

E o resto da primeira parte foi um assistir do recital por parte de Adán e Coates. Do alto dos seus 1,96m, o “patrão” Coates cortava tudo, de cabeça e com os pés. “Aqui não passarás!”, parecia dizer Coates aos atletas do Braga. E Adán, primeiro ao minuto 37, fez uma grande defesa a um cabeceamento de Fransérgio e, logo no minuto seguinte, parou um remate perigoso de Galeno ao 1.º poste. 

Uma palavra de destaque também para Pote. Que todo-o-terreno incrível! Esteve em todo o lado. Em 63 minutos de jogo correu 7,6 km! 

Do lado do Braga sou um admirador confesso de Galeno e Abel Ruiz. São claramente jogadores diferenciados. Fransérgio trabalha muito, sendo um verdadeiro pulmão da equipa.

Apito! Intervalo. E agora?

Como ia o Sporting reagir ao facto de ter menos um jogador? Na primeira parte a solução foi baixar o Nuno Mendes para manter a linha de três defesas. Tudo o resto permaneceu “inalterável”. 

E o Braga? Como ia reagir ao facto de ter mais um atleta, mas não conseguir transformar isso numa vantagem no marcador? 

Rúben Amorim disse “presente” e fez duas alterações. Nuno Santos e Paulinho deram lugar a Matheus Nunes e Luís Neto.

A linha de três defesas estava novamente completa, com mais um defesa central. Nuno Mendes passou ao lugar onde iniciou o encontro. Pote foi assumir um papel mais “livre” e mais avançado. Matheus Nunes foi lançado para criar desequilíbrios nas alas, numa aposta clara de reforço no contra-ataque.

Carlos Carvalhal decidiu apostar na táctica “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e nada fez.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ao minuto 61 voltei a ouvir as palavras de Jorge Perestrelo, mas agora na voz de António Salvador: “Essa até eu marco com a minha barriguinha!”. Galeno tentou o golo, com um bom cabeceamento, mas Adán fez uma defesa sensacional.

Ao minuto 63 a nação Verde e Branca estremeceu, Pote saia do jogo… “O Pote não”, ouvíamos os “deuses” gritarem! Sim, saiu entrando Tiago Tomás. E João Mário também, entrando Matheus Reis.

Nesse momento recordei as palavras de Rúben Amorim: “Não vou mudar. Se acredito numa coisa, vou continuar até ao fim”! É isso mesmo, Rúben, pensei eu, carácter e personalidade! Adoro! Onde tu fores eu vou, Mister!

Numa 2.ª parte de pior qualidade, Coates e Adán continuavam imperiais.

Ao minuto 67 Carvalhal demonstrou que estava a assistir ao jogo. Castro e Gaitán saem, para entrar Al Musrati e André Horta, para os mesmos lugares. Ainda bem que Al Musrati só entrou quase aos 70 minutos. Que jogador! André Horta entrou com uma “agressividade” que, confesso, até a mim me assustou, e eu estava a assistir pela TV. 

E aos 78 minutos voltou a tentar “mexer” no jogo. Ricardo Horta e Sequeira foram os eleitos para sair, com Piazon e Borja a entrarem, exactamente, para os mesmos lugares. A intenção era, novamente, refrescar os atletas em campo.

E que resultado teve esse “refrescar”. Passados dois minutos, Porro marca uma falta, desmarca Matheus Nunes, este aparece isolado e, com um remate cruzado, fez o 0-1!

Parecia um “déjà vu”!  Pedreira, Braga – Sporting, mesma baliza, mesmo lado, livre/desmarcação, remate cruzado, golo, vitória. Mas, se da primeira vez foi Porro que marcou, desta deu a marcar a Matheus Nunes. E se da primeira vez foi Gonçalo Inácio que fez um excelente passe para Porro, desta vez, tendo sido expulso ao minuto 17, dizem que foi a sua “alma” que entrou no Matheus, desferindo aquele remate fatal.

E o grande Jorge Perestrelo voltou a fazer-se ouvir na minha sala! A sua voz pujante, marcante e apaixonada, gritava, como o tinha feito em 2005, na meia-final da Taça UEFA contra o AZ Alkmaar, no golo de Miguel Garcia, “Golo, golo, golo, (…), golo… Eu te amo, eu te amo, Sporting, eu te amo, Sporting… Que bonito é…

E a partir daí o relevante foram as duas substituições. Aos 83 minutos Galeno deu o lugar a Rui Fonte. Um regresso aos relvados, após uma lesão grave, que saúdo. E aos 90 minutos a entrada de Plata para o lugar do lesionado Nuno Mendes.

Cinco minutos de compensação e apito final!

Aquelas palavras de Jorge Perestrelo não me saíam da cabeça! E nunca irão sair, pois, ainda hoje, choro quando as ouço, como também choro de saber que aquelas palavras apaixonadas foram o seu último relato, o seu último golo, pois partiu no dia seguinte! Ao Jorge Perestrelo dedico esta vitória, pois este Amor incondicional é eterno!

Nota do autor: No final do jogo um grupo de Leões (e uma Leoa) foram até à porta da casa da minha companheira, onde eu estava, e começaram a gritar Sporting, Sporting, Sporting! Eram vizinhos. Já nos tínhamos visto de passagem mas nunca tínhamos conversado. Fui à porta e acedi ao seu convite para tomarmos um café. “Nós sabíamos que estava aqui pois vimos o seu carro!”. Maravilha! O meu velhinho de 20 anos afinal dá nas vistas! Que felicidade ia naquela casa! E foram momentos onde a alegria e a boa disposição reinou! Eles merecem, Vocês merecem, Nós merecemos! Por muito que estes dirigentes do Sporting (e seus comentadores) ainda não tenham percebido, somos todos Sportinguistas!

Texto da autoria de Bruno de Carvalho,
antigo Presidente do Sporting Clube de Portugal

Estará a evolução tática do futebol a “tapar” o aparecimento de jogadores criativos?

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Há umas semanas, Pablo Aimar proferiu algumas palavras bastante importantes para muitos profissionais de futebol, principalmente os que trabalham com jovens, poderem refletir e repensar a forma como desenvolvem jovens talentos: “Não gosto que digam que não existem jogadores criativos, sobretudo depois de fazerem 800 treinos automatizados. É muito provável que não haja jogadores criativos se tudo for automático e se dissermos a um miúdo de 15 anos que sabe driblar para não o fazer se perder a bola duas ou três vezes. Nessa idade vão perdê-la duas, três, cinco ou dez vezes. Compreendo a preocupação com o jogo posicional, atacar os espaços. Mas acredito que os treinadores têm de ter em conta essa suposta ou real falta de criatividade. Muitas vezes as defesas são desbloqueadas por um criativo, um drible ou passe que inventa algo diferente quando tudo é monótono”. Perante esta declaração, uma questão se levanta: estará a evolução tática do futebol e o gosto pelo jogo posicional a tapar a evolução e o aparecimento de jogadores jovens criativos?

A minha resposta é sim. Penso que os treinadores, principalmente os de formação, nos últimos anos, têm restringido a criatividade de vários jogadores mais “arrogantes e irreverentes”, subjugando-os a muito trabalho “estratégico” e também defensivo, e isto tem-se revelado na falta de aparecimento de jovens jogadores criativos e na estagnação de vários belos jogadores no futebol europeu, como é o exemplo de João Félix. Logo, o problema não me parece ser só na formação, mas também no futebol sénior, em que se premeia muito mais o trabalho sem bola do que aquilo que um “mágico” jogador pode fazer com bola.

Um interessante tema que se também tem abordado muito entre os românticos do futebol é a falta de um típico “número 10”, como o próprio Pablo Aimar, Riquelme e o mítico Maradona. Além de ser um tema bastante importante, é claramente um facto inegável. O número 10 como o conhecíamos, irreverente, mágico, inteligente, que nos faz sorrir e levantar-nos do sofá ou da cadeira do estádio, que valha a pena o preço do bilhete, seja ele qual for. A realidade é que posso contar pelos dedos das mãos os jogadores que me entusiasmam realmente ver jogar e isso explica muito o estado rotineiro e aborrecido em que entrou o futebol, o que se reflete na qualidade dos jogos e dos espetáculos. Nas últimas épocas, quantos jogos podemos dizer que foram lendários? Quantos jogos nos prenderam ao ecrã durante os 90 minutos? A verdade é que, tirando os adeptos dos estádios, pouco mais resta ao espetáculo.

É importante começar a valorizar e priorizar o talento natural e a irreverência dos jogadores. Caso contrário, o futebol vai-se tornar num jogo de estratégia em que a preparação do jogo será a parte mais importante do espetáculo, o que afastará muita gente das bancadas e dos relvados, principalmente os mais jovens.