A CRÓNICA: EXIBIÇÃO IRREPREENSÍVEL PRESENTEADA COM A FINAL
De volta ao Pavilhão da Luz, o SL Benfica recebeu o Sporting CP para mais um duelo a contar para as meias-finais da Divisão de Elite do Campeonato Nacional de Voleibol, e falamos da terceira ronda desta meia-final. Os encarnados levavam a vantagem por 2-0 no agregado.
Os leões, para baterem as águias e chegarem à final, precisariam de vencer este jogo, forçando o próximo, mas também esse o teriam de vencer para ir à “negra”. Já o SL Benfica, caso vencesse este terceiro encontro, chegaria à final.
Com apenas a vitória a faltar para conseguirem alcançar a fase seguinte, as águias entraram com tudo em jogo. Uma exibição irrepreensível neste primeiro set deu lugar a uma vitória por 25-15. O Sporting CP não esteve muito bem e não conseguiu parar a ofensiva encarnada, mas ainda havia muito jogo pela frente.
O segundo set já se tornou muito mais equilibrado, voltando àquilo que seria o esperado, dada a qualidade de ambas as equipas na quadra. Viu-se o que é realmente o voleibol no pavilhão da Luz. Com os leões a conseguirem sobrepor-se ao SL Benfica nos pontos iniciais, teve de surgir uma reação por parte dos visitados. Entre erros e ponto a ponto, a turma de Marcel Matz levou novamente a vitória no segundo set por um parcial de 25-17.
Se tivéssemos de caracterizar o terceiro set seria com a palavra determinação. Parte a parte, e com duas equipas a lutar pelo mesmo objetivo. O Sporting CP entrou, também ele, praticamente irrepreensível neste último set. Mas, com o passar do tempo, o cansaço também aparecia a jogo e tudo se foi esmorecendo.
Apesar de ter sido uma luta bastante renhida até final, o SL Benfica levou mesmo a meia-final a eito, ao vencer o último set por 25-20 e o jogo por 3-0. Os encarnados carimbaram, assim, a presença na final do Campeonato Nacional de Voleibol.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/Bola Na Rede
SL Benfica – Foi uma exibição praticamente sem defeitos das águias, do início ao fim. Apesar do terceiro set muito mais equilibrado, foi uma partida exímia das águias que arrecadaram a vitória com vista a final.
O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva/Bola Na Rede
Primeiro set do Sporting CP – Pareciam não ter entrado em jogo. Em contraste com a entrada do SL Benfica, o Sporting CP deixou bastante a desejar, principalmente, no primeiro set.
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
A formação de Marcel Matz foi irrepreensível ao longo do encontro. O bloco e o serviço das águias foram fundamentais para o decorrer do jogo e da vitória da equipa.
FORMAÇÃO E PONTUAÇÕES
André Lopes (7)
Japa (7)
Tiago Violas (7)
Theo Lopes (7)
Marc Honoré (7)
Peter Wolhfi (8)
Ivo Casas (7)
Rapha (7)
Afonso Guerreiro (6)
André Aleixo (7)
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
Não entraram da melhor forma no jogo, não foram a equipa que já habituaram, mas, uma subida do nível da exibição ao longo do segundo set e do terceiro, ainda fizeram com que houvesse esperança. Os erros da formação leonina custaram bastante caro, mas fica a nota do quão forte conseguiram ser ofensivamente.
A CRÓNICA: DEPOIS DA BONANÇA, CS MARÍTIMO VOLTA À TEMPESTADE
CS Marítimo e FC Famalicão subiram ao relvado do Estádio do Marítimo, no Funchal, para disputar a jornada 24 da Liga Portuguesa. Jornada essa que se avizinhava como (mais uma) autêntica final para ambas. De um lado, um Marítimo motivado pela vitória no dérbi; do outro, um Famalicão moralizado depois da boa exibição e empate perante o SC Braga.
Numa fase inicial da partida, as equipas encaixaram muito uma na outra, apesar de ter sido do Marítimo a primeira grande ocasião da partida aos oito minutos do primeiro tempo, por intermédio de Rodrigo Pinho, que não costuma falhar oportunidades como a que teve. Em contra-ataque, os “verde-rubros” lançavam o pânico na área famalicense, sobretudo pela velocidade de Milson. Porém, o Famalicão ia crescendo na partida e cada vez mais a posse de bola pertencia à formação vestida de azul-escuro. Tanto que, os famalicenses quase chegaram ao golo, à passagem da meia-hora de jogo, valendo ao Marítimo um guarda-redes que vale pontos para evitar, com uma palmada, o golo de Gil Dias.
Contudo, Amir não é o “super-homem” e não é capaz de chegar a todas as bolas, daí Ivo Rodrigues, perante tanta passividade defensiva “verde-rubra”, ter ativado o marcador no minuto seguinte à primeira defesa do iraniano.
Nem tempo para os adeptos do Famalicão tiveram para se sentarem (no sofá de casa, claro) houve e já estavam a festejar novamente. Um mau atraso de Milson, que até então estava a ser o melhor do Marítimo, isolou Anderson Oliveira, que não se fez rogado e com apenas Amir pela frente atirou a contar para o fundo das redes.
O jogo caminhava para o intervalo e o Marítimo encontrava-se de cabeça perdida por estar a perder por 2-0 em casa, até que Riccieli derrubou Joel Tagueu dentro da grande área. Ao contrário do que aconteceu na Choupana, foi Rodrigo Pinho a assumir a responsabilidade da grande penalidade. No entanto, o desfecho foi o mesmo: bola para a bancada.
Ao intervalo, o Marítimo era uma equipa, psicologicamente, fragilizada. Estar a perder 2-0 em casa não é fácil, ainda por mais, na situação em que os madeirenses se encontram na tabela classificativa.
A segundo parte começou “quentinha” e não demorou muito até se festejar novo tento no “Caldeirão”, novamente para o Famalicão. Bis de Ivo Rodrigues, que mais uma vez sem grande pressão dos homens mais recuados dos “leões da Madeira”, chutou de fora de área para as redes à guarda de Amir Abedzadeh.
Caro leitor, não estou certo do que Julio Velázquez disse aos jogadores no balneário, mas com certeza que não coincidiu em nada com o que a equipa produziu na segunda metade da partida. Uma equipa sem animo, sem garra, contrapondo totalmente com os homens de Vila Nova de Famalicão, que não davam uma bola por perdida. Amor à camisola! Era aquilo que se pedia ao “maior das ilhas”.
Já sem muito a dizer sobre o jogo, o Famalicão fazia o quarto golo, através de Anderson Oliveira, que à imagem de Ivo Rodrigues, também bisou. Julio Velázquez estava boquiaberto com o que via. Nenhum, repito, nenhum(!) futebolista do Marítimo está, neste momento, em condições de dar qualquer tipo de garantias à formação do Almirante Reis, sendo este um dos piores jogos, em termos de produção, da formação insular.
Ivo Rodrigues – Marcou dois dos quatro golos do Famalicão. Um deles até bem bonito. Com os golos e com o conforto no jogo, os pormenores técnicos foram aparecendo. O que saltou, também, à vista foi o espírito e a tomada de decisão deste jogador que há seis meses andava “perdido” na Bélgica. Demonstrou raça, querer e ambição. Demonstrou aos adeptos da FC Famalicão que está aqui para dar tudo pela equipa. Confirma um amor de perdição, autenticamente. Está em “ponto rebuçado” para os próximos desafios dos famalicenses.
Passividade defensiva do CS Marítimo – Tem sido recorrente nos jogos do Marítimo, a passividade defensiva ser considerada o “fora de jogo”, mas nesta partida nada correu bem. Nem defesa, nem ataque. Eu diria que o Marítimo apenas esteve 20 minutos em campo. Os primeiros vinte. Foi onde se viu o Marítimo jogar futebol. A partir de então, os jogadores perderam completamente as estribeiras. Foi um desastre defensivo.
ANÁLISE TÁTICA – CS MARÍTIMO
No seu segundo jogo no comando das operações “verde-rubras”, Julio Velázquez fez, tal como frente ao CD Nacional, alinhar um 4-4-2, promovendo duas alterações face ao jogo transato. Edgar Costa, por acumulação de amarelos, e Jorge Correa, por lesão.
Assim, o técnico espanhol do Marítimo enviou para o terreno de jogo Amir “Seguro” Abedzadeh na baliza, com uma defesa a quatro à sua frente: Claúdio Winck na direita, Zainadine e Leo Andrade ao centro e Marcelo Hermes na esquerda. Um duplo pivot, composto por Jean Irmer e Bambock, foram as escolhas para o meio-campo defensivo, ao passo que Rafik Guitane e Milson estiveram responsáveis pelos corredores ofensivos, ainda que Rafik estivesse com funções interiores. No ataque permaneceram Joel Tagueu e Rodrigo “Matador” Pinho, que não estiveram tão eficazes como é de costume.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Amir Abedzadeh (4)
Claúdio Winck (3)
Zainadine (3)
Leo Andrade (3)
Marcelo Hermes (3)
Bambock (2)
Jean Irmer (4)
Rafik Guitane (2)
Milson (4)
Rodrigo Pinho (3)
Joel Tagueu (3)
SUBS UTILIZADOS
Alipour (2)
Fumu Tamuzo (2)
Rúben Macedo (-)
Sassá (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO
A realizar o seu segundo jogo no novo clube esteve também Ivo Vieira, treinador madeirense do FC Famalicão que regressou assim à ilha que o viu nascer para roubar pontos a um clube que bem conhece. Para o jogo frente aos “verde-rubros”, Ivo Vieira optou por apostar num 4-3-3. Um quarteto defensivo composto por Diogo Figueiras, Babic, Riccieli e Rúben Vinagre. No meio-campo, Gustavo Assunção era a tabela giratória do Famalicão, ao passo que Pêpê e Ugarte foram os homens com papel de ligação. No ataque, Ivo Rodrigues e Gil Dias estiveram bem abertos nos corredores, com Anderson na grande área.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Luiz Júnior (4)
Diogo Figueiras (5)
Srdan Babic (5)
Riccieli (6)
Rúben Vinagre (7)
Gustavo Assunção (6)
Manuel Ugarte (7)
Pêpê Rodrigues (6)
Gil Dias (7)
Ivo Rodrigues (8)
Anderson Oliveira (7)
SUBS UTILIZADOS
Fer Venezuela (3)
Heri Tavares (3)
Kraev (-)
Diogo Queirós (-)
Robert (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
CS Marítimo
BnR: O Marítimo entrou bem, mas depois foi a perder 2-0 para o intervalo. O que disse aos jogadores?
Julio Velázquez: Na primeira parte tivemos três ou quatro oportunidades claras para poder marcar. Não o fizemos e depois tivemos situações que temos de mudar. Ajustamos situação de um para um, para limitar o tempo de posse de bola do adversário. E sobretudo a nível defensivo, defendemos com um bloco médio. Alteramos distâncias entre linhas, tentamos juntas as linhas, mas na segunda parte foi difícil. Já estava difícil por estarmos a perder por dois e ainda aparecem os golos que aparecem, ainda mais difícil se tornou. Tentamos melhorar certos aspetos que têm de ser mudados, mas o futebol é assim. Temos de refletir e corrigir. Temos de ser mais agressivos e mudar situações que não podem acontecer. Vai ser uma luta, uma luta difícil, mas como disse no dia da minha apresentação, não tenho dúvidas nenhumas que esta equipa vai ficar na Primeira Liga.
FC FAMALICÃO
BnR:Foi na raça. Vontade e ambição, foram esses os antídotos para consumar esta vitória?
Ivo Vieira: Sem a determinação, sem o empenho nada se consegue. Eu acho que isso faz parte do ADN daqueles que querem vencer. Eu tento incutir isso na minha equipa, é verdade que a equipa é jovem e precisa de ganhar alguma maturação a esse nível, mas compensou com aquilo que foi a qualidade de jogo e a tomada de decisão. Estes jovens se conseguirem crescer vão ser muito alavancados no futuro dos mesmos, embora tenham que ter consciência que precisam de ser mais competitivos, mais concentrados, dar mais ao jogo para poderem crescer e no futuro puder serem rentáveis na estratégia do Famalicão, que é lançá-los. Mas têm que estar consciente que têm de lutar pelo Famalicão para conseguirem algum futuro.
A CRÓNICA: POUCAS OPORTUNIDADES, COM O BOAVISTA A OFERECER 45 MINUTOS DE AVANÇO
Boavista FC e Farense SC, 16.º e 18.º da classificação, defrontaram-se no final da tarde de domingo, num jogo extremamente importante para as contas da manutenção. Ambas equipas partiam com uma necessidade extrema de pontuar, com os boavisteiros em melhor forma, duas vitórias nos últimos cinco, enquanto que os algarvios se encontravam numa maré negativa de resultados, sem conseguir conquistar os três pontos há cinco jogos.
O encontro começou de forma animada, com o SC Farense a sair bem dos balneários. Logo ao segundo minuto, num boa jogada de combinação no ataque depois de um perda de bola de Devenish. Ryan Gauld já na área é derrubado por Javi García, e Hugo Miguel aponta prontamente para a marca de grande penalidade. É o próprio médio que assume as despesas do penalti, mas o seu remate é travado por uma grande defesa de Leo Jardim.
O Boavista até reagiu bem ao golo, mas sem grande materializações em termos de chegadas à área. Eram os algarvios que criavam mais perigo, principalmente pelo lado direito. Foi aí que Tomás Tavares, aos 7′, com muito espaço, coloca em Bilel dentro da área que cruza para Pedro Henrique. O avançado tinha tudo para abrir o marcador, mas cabeceia à figura do guarda-redes adversário.
O SC Farense continuou a dominar o jogo, tanto com bola com sem ela, e aos 13 minutos Ryan Gauld volta a obrigar Leo Jardim a uma excelente defesa depois de um belo remate de fora da área. No canto que se seguiu, o central Mancha, depois de um primeiro toque por parte de Licá, ficou numa posição extremamente privilegiada para cabecear para o fundo da baliza, mas falha de forma flagrante. Os boavisteiros pareciam algo apáticos a defender, principalmente no seu meio-campo.
O controlo do SC Farense deu frutos ao minuto 25, com Licá a abrir no marcador no Estádio do Bessa. Uma nova boa jogada dos forasteiros, com passe do guarda-redes Beto a começá-la, Tomás Tavares a levar a equipa para a frente com a bola dominada, Bilel a cruzar, e com o extremo português a conseguir a finalização, depois da bola lhe cair aos pés num ressalto. Estava feito o primeiro da partida.
A equipa visitante continuou a dominar nos minutos que se seguiram, e as panteras só começaram a deixar a sua marca no jogo a partir dos 30′. Mesmo com mais bola e maior entendimento entre os médios boavisteiros, faltava chegada à área, e acabou a primeira parte sem grande oportunidade.
Jesualdo Ferreira claramente não gostou do que viu nos primeiros 45′, e não só fez uma mudança de jogador logo ao intervalo como de sistema também. Entrou Show para o lugar de Hamache, e o Boavista cresceu a passos largos. Apesar de não conseguir nenhuma oportunidade nos primeiros 15 minutos da segunda metade, não deixou o Farense controlar a partida como havia feito até ao momento.
O primeiro lance de grande perigo para a baliza defendida por Beto aconteceu aos 59′. Um livre numa zona perigosa de Sauer embate com força na barreira, e a bola fica nos pés de Alberth Elis, que fica num um para um com o guarda-redes. Mas a experiência do internacional português fê-lo ganhar o duelo, antecipando o lado para onde o avançado iria chutar.
Apenas dois minutos depois, aos 61′, o Farense tem um lance em que a bola simplesmente não quis entrar. Javi Garcia entrega a bola de forma displicente com um passe falhado, que deixa o Farense numa boa posição para atacar a baliza de Leo Jardim. Bilel pica bem para a desmarcação de Gauld, o escocês remata para a barra, a bola cai para os pés de Licá, que volta a acertar no poste.
Apesar do Boavista continuar a ser a equipa que mais procurava ter bola e chegar à baliza adversária, os médios do SC Farense faziam um bom trabalho na cobertura do espaço no miolo, obrigando as panteras a bascular o jogo por fora. Neste sentido, Ricardo Mangas foi um dos destaques da segunda metade, a conseguir subir muito mais no corredor esquerdo, e a acrescentar bastante qualidade ao ataque boavisteiro.
A falta de definição ofensiva marcou a segunda metade, num jogo que não viu grandes oportunidades para golo. O Boavista FC bem tentou nos últimos minutos, mas não foi capaz de inverter o rumo da partida. Já com a equipa muito balançada no ataque, foi Leo Jardim a impedir que o marcador se dilatasse, com duas boas defesas já na compensação. O SC Farense acabou por garantir uma vitória muito importante de forma justa, e sai assim do último lugar na tabela.
A FIGURA
Foto: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Leo Jardim – o guarda-redes manteve o Boavista FC em jogo, com inúmeras defesas ao longo dos 90 minutos. Defendeu um penalti e fez outra parada a Pedro Henrique numa primeira parte em que as panteras não apareceram, e manteve o marcador em 0-1 no final da partida com duas defesas de grande qualidade para lá dos 90′.
O FORA DE JOGO
Foto: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Hamache – o lateral francês foi incapaz de levar a cabo aquilo que o treinador lhe havia pedido. Tinha um papel misto: por um lado acrescentar um homem ao meio-campo a atacar, e depois fechar a ala esquerda a defender. Contudo, na troca entre posições e na indecisão acerca do seu posicionamento, não foi feliz em nenhum dos momentos.
ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC
O Boavista FC alinhou num sistema por vezes difícil de descortinar. Um 4-3-3 de início, com Hamache a fazer o papel de médio interior esquerdo, Paulinho na meia-direita e Angel Gomes e Sauer a fazer o papel de extremos. Os quatro jogadores, no momento com bola, tinham muita liberdade para trocar de posição.
Ainda assim, à medida que o jogo foi evoluindo, Hamache ia descaindo para o lugar de ala-esquerdo, com Mangas a fechar mais por dentro. Esta dinâmica estava a causar alguma confusão, e a indecisão do posicionamento a adoptar por parte do francês era clara. E no momento ofensivo, faltava alguém mais próximo de Elis, ou alguém que fizesse os movimentos de rotura a partir de trás.
Jesualdo Ferreira identificou estes problemas, e resolveu-os ao intervalo. Tirou Hamache e trouxe Show ao jogo, mudando o sistema para um 4-2-3-1 mais declarado. Gomes foi para a sua posição de eleição, a 10, Sauer mudou-se para a esquerda e Paulinho abriu na direita. O jogo do Boavista melhorou muito, com maior cobertura na ala esquerda no momento defensivo, e melhor encaixe ofensivo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Leo Jardim (8)
Reggie Cannon (5)
Adil Rami (5)
Devenish (5)
Ricardo Mangas (6)
Javi Garcia (4)
Paulinho (5)
Hamache (4)
Gustavo Sauer (6)
Angel Gomes (6)
Alberth Elis (4)
SUBS UTILIZADAS
Show (6)
Nathan (5)
Benguché (4)
ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE
Jorge Costa fez alinhar o SC Farense num 4-2-3-1. Com bola, Amine e Lucca estavam encarregues pela primeira fase de construção, e Ryan Gauld juntava-se mais ao trio da frente. Dentro do duplo-pivot, era o francês que progredia mais com bola, o que provocava um maior caudal ofensivo pelo lado direito, e Lucca um bocadinho mais recuado.
Dentro desta dinâmica, o escocês descaía também mais no lado direito, que causou muitos problemas ao Boavista FC. A partir dessa posição, Guald podia fletir para o meio a conduzir sempre com o seu pé esquerdo, que acrescenta um “perfume” diferenciado ao futebol do SC Farense.
Com o jogo inclinado mais para o lado direito, abria-se espaço para os dois homens na esquerda, Licá e Abner. São dois jogadores que atacam melhor a profundidade, com Licá a fazer boas diagonais para entrar na área onde podia finalizar.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Beto (6)
Tomás Tavares (6)
César Martins (6)
Eduardo Mancha (6)
Abner (5)
Amine Oudrhiri (7)
Jonathan Lucca (6)
Ryan Gauld (6)
Bilel Aouacheria (5)
Licá (6)
Pedro Henrique (5)
SUBS UTILIZADAS
Djalma (5)
Mansilla (-)
Isidoro (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Boavista FC
BnR: Na primeira parte a equipa estava um bocado presa naquela troca em sistemas a atacar e a defender, e não estava conseguir preencher o espaço onde Gauld estava a atuar precisamente porque o Hamache estava a descair na ala. Foi isso que tentou alterar com a entrada de Show na segunda parte?
Jesualdo Ferreira: O que aconteceu na primeira parte foi que não tivemos uma atitude agressiva, muito por razões de natureza mental. O Farense fez o seu jogo normal, com os laterais subidos e um meio-campo bem preenchido. Não conseguimos dominar os espaços. A ideia do Hamache era pô-lo no meio-campo também por causa do remate dele, não resultou, mas a culpa também não foi dele. Quando mudamos para o duplo-pivot, o Farense já estava por cima da partida e não fomos capazes de ser melhores que o adversário.
SC Farense
BnR: A equipa foi capaz de dominar a partida com bola na primeira parte, com o Amine e o Gauld em destaque. Mas na segunda metade o Farense acabou por jogar maioritariamente no contra-ataque. Foi mais estratégia para aproveitar o balanço ofensivo do adversário, ou foi mais o Boavista a não deixar o Farense ter bola?
Jorge Costa: Acho que essencialmente tem a ver com a nossa situação atual, a nossa posição na tabela. Entramos muito bem, com quatro grandes oportunidades na primeira parte. Claro que também não jogamos sozinhos, e o Boavista entrou bem na segunda parte. Fomos recuando também pela importância dos três pontos. Mas no geral concordo com a sua análise, que conseguimos dominar o jogo ao longo dos 90 minutos.
Após a vitória em Tondela, Rúben Amorim, na conferência de imprensa, disse o seguinte, relativamente aos jogos ganhos já perto do fim: “Podemos prometer o mesmo de sempre: muito trabalho. Vamos encarar os jogos com esta intensidade, com esta forma de estar, sabendo que, aproximando-se o fim, cada vez vai ser mais difícil. Vamos prometer também alguns problemas de coração, algumas dores de cabeça, mas se Deus quiser que venha felicidade no fim dos jogos. Vamos levar as coisas com muito coração, muita vontade, muito rigor. No fim de cada jogo que venha uma alegria, como tem acontecido.”.
Interessante, Rúben. Admito que, por ser sportinguista, já tive muitos problemas de coração e dores de cabeça. Tive problemas e dores quando perdemos a final da Taça UEFA, na nossa casa, em 2004; quando, em 2005, o Luisão marcou aquele golo de cabeça na Luz; quando levámos 12-1 do FC Bayern Munchen, nas duas mãos dos oitavos da Liga dos Campeões; quando ficámos em 7.º lugar na Liga, em 2012/13; quando o Bryan Ruiz falhou aquele lance, que nem preciso de especificar. Nesses e em muitos mais momentos semelhantes, tive bastantes e diversificados problemas.
Agora, os “problemas” que tu nos dás, a mim e a milhões de sportinguistas, não são nada. No máximo dos máximos, são uns calafrios. Se isto que nos dás são “problemas”, então começo a achar que sou masoquista.
Contra o Gil Vicente FC, os leões estiveram a perder até aos 82 minutos quando Sporar empatou o jogo, que acabaria com vitória leonina Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Percebo que aches que estas vitórias conseguidas a ferros no fim do jogo nos dão “problemas de coração”, visto que, perto de 40% dos nossos golos no campeonato são no último quarto de hora e, para além disso, seis desses golos são já em tempo de compensação, mas discordo. Neste ano, pelo menos, tenho de discordar.
Por estranho que possa parecer, estou descansado. Talvez por me parecer que, desse lado (equipa técnica e jogadores), estão pessoas que querem tanto “isto” como nós, por isso sinto que vamos ser felizes. Era o que faltava ao nosso Sporting CP, pessoas que se enchessem de vontade e de orgulho por representar o Sporting Clube de Portugal.
De leão ao peito, estão muitos “leõezinhos” que nasceram e passaram a sua vida a sonhar com a sua estreia na equipa sénior e que dão a vida para defender o símbolo que todos amamos. Esta atitude é tudo e só com atitude é que o talento e os resultados aparecerão. E que bem que eles têm aparecido. Quem trabalha é sempre recompensado, por isso é que esta “estrelinha” não é sorte, é, como já foi dito várias vezes, pura e simplesmente trabalho.
O importante, daqui em diante, é nunca perder esta vontade, este rigor e este orgulho de envergar a verde e branca. Só dessa forma é que, como tu tão bem disseste Rúben, pode vir “a alegria, como tem acontecido”. Que todos os teus problemas acabem com festejos de todos nós.
Posto isto, Rúben, agradeço que te preocupes com a nossa saúde, mas não é necessário, porque, comparado com o que já passámos, com estes “problemas” aguentamos nós bem.
O Celtic Park foi o palco de mais um grande dérbi da “Old Firm” entre o Celtic FC e o Rangers FC, o maior da Escócia e um dos mais antigos do mundo. Numa altura do campeonato em que as contas já estão feitas e o título entregue à formação comandada por Steven Gerrard, jogou-se para cumprir calendário, mas também pela defesa do orgulho de ambos os lados, pois um dérbi é sempre um dérbi.
Posto isto, denotou-se um grande equilíbrio nos minutos iniciais da partida, com pouco a separar as equipas, até que a formação da casa que se colocou na frente do marcador à passagem do minuto 23’, por intermédio de Mohamed Elyounoussi. Após o golo, o Celtic foi crescendo na partida, mostrando mais argumentos que o adversário, mas o empate acabou mesmo por chegar ainda antes do intervalo, ao minuto 38’, pela cabeça de Alfredo Morelos.
No segundo tempo, o Celtic voltou a mostrar-se uns furos acima do seu oponente, estando sempre mais perto do golo, apesar de demonstrar alguma falta de eficácia. Já o Rangers recolheu-se no seu meio-campo, tentado surpreender com contra-ataques, mas foram poucos os momentos em que conseguiu chegar efetivamente perto da baliza adversária. Com os segundos 45 minutos a registarem uma queda de intensidade, o resultado não mais se alterou até ao término do encontro.
Com este resultado, o Rangers mantém a vantagem de 20 pontos para o Celtic na tabela classificativa, e está a um encontro de registar uma época sem derrotas no principal campeonato da Escócia.
Alfredo Morelos – O avançado colombiano voltou a ser decisivo para o Rangers FC, depois de apontar o golo que resgatou um ponto neste encontro e mantém viva a esperança da sua equipa terminar o campeonato sem qualquer derrota.
Eficácia do Celtic FC – Os celts foram a equipa mais assertiva ao longo do encontro, dispondo de algumas boas oportunidades para marcar, mas a sua linha ofensiva este em dia mau e nem Odsonne Édouard, o melhor marcador do campeonato, conseguiu quebrar o enguiço.
ANÁLISE TÁTICA – CELTIC FC
A formação da casa apresentou-se num dispositivo tático de 4-2-3-1. Ao longo do encontro foram a equipa com maior domínio da posse de bola, bem como a mais perigosa no momento ofensivo, tendo disposto de algumas ocasiões para marcar. Sempre com as linhas subidas e com uma boa circulação da bola perto da grande área adversária, o Celtic FC conseguiu impor um certo domínio na partida, mas acusaram alguma falta de eficácia.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Bain (6)
Kenny (7)
Welsh (7)
Ajer (6)
Laxalt (7)
Brown (6)
McGregor (7)
Christie (7)
Turnbull (7)
Elyounoussi (7)
Edouard (7)
SUBS UTILIZADOS
Forrest (6)
Rogic (-)
Soro (-)
Griffiths (-)
ANÁLISE TÁTICA – RANGERS FC
A formação comandada por Steven Gerrard organizou-se para este encontro num sistema tático em 4-3-3, apresentando alguma rotatividade no onze inicial depois de já ter assegurado o título de campeão escocês. “Stevie G” apostou claramente num estilo de jogo baseado na contenção defensiva para sair em contra-ataque e ataques rápidos, na tentativa de surpreender o adversário, que se colocou em campo sempre com as linhas muito subidas. As bolas paradas mostraram ser também elas determinantes para a formação forasteira.
Primeira Liga, Jornada 24: domingo, 20h, 21 de março de 2021
ANTEVISÃO: CADA VEZ MAIS EQUILIBRADO, CADA VEZ MAIS CLÁSSICO
SC Braga e SL Benfica têm encontro escaldante marcado para as 20 horas de hoje. A Primavera costuma trazer consigo paixões e romantismo, mas este último não deverá figurar numa partida em que tanto está em jogo, com um grande interesse comum a sobrepor-se a tudo o resto: a entrada direta na Liga dos Campeões.
O FC Porto já venceu nesta jornada 24 e alcançou os 54 pontos. Arsenalistas e benfiquistas somam 50 e 48, respetivamente, e vão procurar não deixar fugir os dragões na corrida pelo segundo posto. As estatísticas que podem ajudar a deslindar o que potencialmente ocorrerá no relvado do Municipal de Braga são muitas, naquele que é já um clássico do futebol português, com um elenco de dez desses dados reunidos já, já aqui abaixo.
10 DADOS RÁPIDOS
As “águias” venceram 65% dos 149 confrontos diretos (97 vitórias).
11 das 14 vitórias arsenalistas sobre o SL Benfica para a Liga Portuguesa foram na casa bracarense.
Apesar do domínio benfiquista no histórico de confrontos, o resultado mais habitual entre os clubes nas partidas no Minho é um empate sem golos.
O SC Braga venceu os últimos três encontros com as “águias”, todos por um golo de diferença, ainda que por três resultados distintos – 0-1; 2-3; 2-1. É a maior sequência de vitórias dos minhotos sobre os de Lisboa (nunca haviam vencido mais do que duas partidas em sequência).
No ano civil de 2021 e a nível interno, o SC Braga só perdeu por três vezes, nunca em casa, e duas delas foram frente ao líder Sporting CP – 2-0 em Alvalade, para a Liga e 1-0 na final da Taça da Liga. Também o Paços Ferreira FC bateu os de Braga, por 2-0, na Capital do Móvel.
Para a Primeira Liga, SL Benfica vem de cinco jogos sem sofrer e SC Braga de nove partidas a marcar.
Em 2021, em partidas para a Primeira Liga, os vermelhos do Minho somaram 26 pontos em 36 possíveis, enquanto os encarnados de Lisboa conquistaram 21.
Em casa, para a Primeira Liga, o SC Braga soma nove triunfos em 11 jogos, além de um empate a duas bolas com o FC Porto e de uma derrota por 1-0 ante o CD Santa Clara, logo na Jornada 2.
Fora de portas, para a Primeira Liga, os comandados de Jorge Jesus venceram menos de metade das partidas (cinco em onze) e obtiveram apenas uma vitória nas últimas seis deslocações.
10. Última partida dos minhotos em casa e última deslocação dos lisboetas, para a Primeira Liga Portuguesa, terminaram da mesma forma: vitória por 3-0 dos primeiros sobre o rival Vitória SC e vitória por 3-0 dos últimos sobre o B-SAD.
Lucas Piazón (SC Braga) – O médio brasileiro de propensão ofensiva chegou aos arsenalistas apenas este ano civil, mas é já um habitué do onze inicial desenhado por Carlos Carvalhal. A sua preponderância no fluir do jogo bracarense é enorme e tem-se refletido nos seus números: cinco golos e cinco assistências desde a estreia pelos minhotos a 16 de janeiro deste ano.
Carlos Silva/ Bola na Rede
Haris Seferovic (SL Benfica) – O nem sempre bem-amado avançado suíço aproveitou a ausência de Darwin Núnez para se assumir como titular, fruto do seu conhecido esforço na frente de ataque, a que tem somado golos – por vezes a dobrar – nas mais recentes partidas das “águias”, alguns deles de soberana importância. O “14” dos encarnados marcou mesmo em quatro dos últimos cinco jogos em que fez os 90 minutos, num total de seis golos.
XI´S PROVÁVEIS
SC Braga: Matheus; Ricardo Esgaio, Tormena, Bruno Rodrigues, Borja, Galeno; Fransérgio, Al Musrati, Lucas Piazón; Ricardo Horta, Abel Ruiz.
Treinador: Carlos Carvalhal
“Não nos adaptamos a eles, procuramos fazer o nosso jogo e que a nossa matriz tenha mais capacidade que a dos adversários. Neste jogo, o adversário pode obrigar-nos aqui e ali a jogar um futebol diferente, mas preparámo-nos bem para o jogo, sabemos o que o Benfica pode fazer e o Benfica também sabe o que nós vamos fazer”
“Acreditamos que temos muita qualidade e estamos muito confiantes, e a subida dessa confiança tem que ver com os últimos resultados. Temos vindo a melhorar de jogo para jogo. Temos de demonstrar isso em Braga (…)”
A CRÓNICA: UM SPORTING CP MAIS CONSISTENTE CARIMBA MAIS TRÊS PONTOS
Este duelo começou vivo. Ainda que com argumentos diferentes, tanto Sporting CP como Vitória SC entraram bem na partida. Os leões estavam a dominar e, ao contrário dos últimos duelos, entraram incisivo e com o pé no acelerador desde o apito inicial. Aos 15 minutos, e face ao ímpeto verde e branco, houve aviso de João Mário, mas Bruno Varela respondeu à altura do remate e defendeu a primeira oportunidade flagrante da noite.
O Sporting estava a ter mais posse de bola, a ter mais agressividade, intensidade e sobretudo vontade. Estava a ser um jogo de sentido único. A equipa de Rúben Amorim estava a ter bastante fluxo ofensivo e a impor o seu jogo no meio-campo mais avançado. Uma exibição até à altura sem espinhas e que fez com que se chegasse festejar golo em Alvalade por volta dos 26 minutos de jogo. Ainda assim, a equipa de João Henriques pôde respirar de alívio. O lance acabou por ser invalidado depois de análise do VAR pelo facto de a bola ter saído. Apesar de não ter valido, destaque para a grande jogada de envolvimento dos leões.
Já o Vitória SC ia mostrando sérias dificuldades para ligar o seu jogo e criar perigo. Uma tendência que se inverteu à passagem do minuto 30. Dois lances de perigo na baliza verde e branca em que a bola bateu no ferro. Apesar deste “acordar” vimaranense, os leões voltam a afundar a bola para o fundo das redes. E desta vez valeu. Não logo, é verdade, mas valeu. O lance foi novamente anulado, mas posteriormente foi dado o golo a Gonçalo Inácio que carimbou assim de cabeça o primeiro golo dos leões que manteve o resultado intacto até ao intervalo.
O regresso dos balneários trouxe um Sporting menos intenso, veloz e agressivo. O que permitiu a que o Vitória conseguisse ter maior caudal ofensivo. Aos 52′, Óscar Estupiñán ameaça Adán. O colombiano apareceu bem nas costas da defesa leonina depois de assistência de Marcus Edwards, fez o remate, mas este saiu ao lado. Depois deste aviso, o conjunto de Rúben Amorim voltou a equilibrar um pouco as contas daquilo que estava a ser esta segunda parte. O Sporting tentou tomar novamente as rédeas da partida, mas desta vez sem velocidade e verticalidade. Teve uma posse de bola de maior contenção e sobretudo de paciência. Mas mais na fase final, o Vitória continuava a dar o ar da sua graça nesta segunda parte. Ainda que não fosse um domínio perigoso, os Conquistadores iam criando cada vez mais desequilíbrios. O que, ao mesmo tempo, ia dando a sensação de que poderia surgir, a qualquer momento, um dissabor aos de verde e branco. Sobretudo depois da apatia verificada nos minutos finais. Mas nada se alterou. O Sporting arrecada mais três pontos numa conquista construída sobretudo na primeira parte.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
João Palhinha – Tem sido a âncora desta equipa do Sporting. Palhinha é inevitavelmente sinónimo de qualidade e estabilidade. É como que uma “tampa” no centro do terreno leonino. E hoje foi mais uma vez importante nessa vertente. Para além disso, tem evoluído muito a níveis ofensivos e tornar-se um jogador ainda mais completo.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
André André – Não foi um jogo ao nível daquilo que nos tem habituado. Faltou mais “André André” neste meio-campo do Vitória. Qualidade ninguém a nega, mas hoje ela esteve um pouco mais esmorecida. E a sua equipa sentiu também um pouco esta exibição mais apagada do médio.
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
Fora as ausências já esperadas, a grande novidade no onze inicial dos leões foi mesmo Daniel Bragança: o jogador que impingiu novas dinâmicas neste Sporting: Daniel Bragança jogou pelo meio, enquanto João Mário atuou mais pelo lado esquerdo. Apesar disto, o trio composto por estes dois jogadores e por Pedro Gonçalves, esteve em trocas constantes. Uma dinâmica que estava a resultar e a dificultar a tarefa aos Conquistadores num jogo em que, ao mesmo tempo, Tiago Tomás conseguiu ganhar várias bolas na frente e conseguiu também entender-se às mil maravilhas com Pote.
Na segunda parte, o Sporting baixou um pouco o ritmo. Inclusive, os vimaranenses começaram a ter mais bola e chegaram até a ameaçar a baliza de Adán. Depois desse ascendente do Vitória, os leões voltaram a ter mais posse. Mas uma posse bem diferente daquela que se viu no primeiro tempo. Houve menos velocidade, menos verticalidade, mas ainda assim, estava a ser uma posse eficaz: os leões estavam a conseguir atrair os jogadores vitorianos para um corredor, para depois, de seguida, e com bastante eficiência, conseguirem virar o flanco de jogo e tentarem gerar desequilíbrios. Já nos minutos finais, o Sporting baixou substancialmente o seu rendimento e acabou por jogar mais com o coração do que com a cabeça. Isto num momento em que o Vitória ia crescendo na fase final de jogo.
11 INICIAIS E PONTUAÇÕES
Adán (6)
Feddal (6)
Palhinha (8)
Neto (6)
João Mário (6)
Tiago Tomás (6)
Pedro Porro (5)
Pedro Gonçalves (5)
Gonçalo Inácio (7)
Daniel Bragança (6)
SUBS UTILIZADOS
Tabata (5)
Paulinho (5)
Matheus Reis (-)
Dário Essugo (-)
ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC
João Henriques também não pôde contar com Mumin e Suliman. Em relação às novidades, destaque para a estreia do menino de 18 anos – o central André Amaro. O Vitória SC apresentou um bloco muito subido e a querer condicionar o portador da bola logo na primeira fase de construção (aquela que tem sido, na minha opinião, uma das maiores lacunas neste Sporting que tem tido exibições mais apagadas nos últimos jogos). Os vimaranenses jogaram com três defesas, com Rúben Lameiras a fazer a ala esquerda. Na frente, o Vitória SC tentava explorar (ainda que poucas vezes) a velocidade de Edwards e o físico de Óscar Estupiñán. Ainda assim, o conjunto de João Henriques ia mostrando imensas dificuldades para construir desde trás e chegar à frente com perigo na primeira parte. A pressão alta do Sporting estava a surtir efeito. No segundo tempo, o Vitória esteve melhor, mas ainda assim, não conseguiu contrariar a desvantagem.
11 INICIAIS E PONTUAÇÕES
Bruno Varela (6)
Marcus Edwards (5)
André André (4)
Rochinha (5)
Falaye Sacko (5)
Pepelu (5)
Lameiras (5)
Mikel (6)
Oscar Estupiñán (5)
Jorge Fernandes (6)
Amaro (6)
SUBS UTILIZADOS
Bruno Duarte (5)
André Almeida (6)
Ricardo Quaresma (-)
Miguel Luís (-)
Noah (-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Sporting CP
BnR: Volto a pegar no que falou há pouco sobre os três médios. Peço-lhe uma análise à dinâmica de hoje em que o Bragança foi muito importante no jogo interior e às trocas posicionais que iam surgindo. Pergunto ainda se sente que este pode ser o “ar fresco” de que o Sporting estava a precisar tendo em conta os últimos jogos da equipa.
Rúben Amorim: É uma questão de mudar de referências. Depende de jogo para jogo. Podemos fazer duas semanas assim e depois ter que voltar ao que fazíamos. Temos de observar o adversário e também jogar com aquilo que os jogadores nos dão e também com aqueles que estão disponíveis. E vamos gerindo por aí.
A lufada de ar fresco é um pouco subjetivo. O Vitória que normalmente defende com uma linha de quatro, hoje meteu uma linha de cinco a pensar nos nossos três da frente. Ao tirar de lá um, é normal. Não inventámos nada. Mas como é diferente, e eles estavam à espera de outra coisa, criámos dificuldades. Mas agora temos jogado sempre com três na frentes, às vezes com um falso nove, e temos ganho os jogos.
Vitória SC
BnR: Claro que a derrota ocorre por erros conjuntos e não individuais. Ainda assim, pergunto-lhe se não acha que hoje faltou um André André nos seus dias, como nos tem habituado, para tentar assumir um pouco mais o controle no meio-campo?
João Henriques: Hoje, pela primeira vez, o André André e o Pepelu estiveram sozinhos os dois apenas. Lá está, são as adaptações necessárias e que tivemos de fazer. O André André vem de uma sequência de jogos muito boa. Como capitão, esteve como devia estar: a ajudar a equipa. O André hoje não teve num nível exibicional extraordinário, mas também não esteve aquém daquilo que era esperado. Principalmente tendo em conta as dificuldades que sabíamos que íamos atravessar. Todos nós temos de melhorar, porque quando o coletivo é forte as individualidades começam a sobressair.
A CRÓNICA: DRAGÕES CONSEGUIRAM ULTRAPASSAR MURALHA ALGARVIA
Portimonense SC e FC Porto encontraram-se pela 39.ª vez, a dez jornadas do fim do campeonato, numa partida com uma carga elevada de importância para os dois clubes, apesar das diferenças entre ambos na tabela de classificação. Os dragões conseguiram manter a série de vitórias frente aos algarvios, somando assim o 13.º triunfo consecutivo e mantendo seguro o segundo lugar. O familiar onze inicial em 4-4-2 de Conceição tremeu ao intervalo, mas não arredou pé e somou mais três pontos num jogo que foi verdadeiramente polarizado.
Uma primeira parte muito murcha de ambas as equipas com o vento a ser provavelmente o elo mais interventivo. Koki Anzai ainda ameaçou a baliza de Marchesín após desatenção do setor defensivo azul e branco, mas foi caso único na primeira meia hora. O FC Porto dominou na posse de bola e instalou-se no meio campo dos aurinegros, mas o Portimonense SC apresentou-se muito sólido e atento quando foram chamados a intervir cá atrás.
Sentiu-se um FC Porto muito nervoso após as sucessivas tentativas falhadas para transpor a muralha de cinco homens do Portimonense SC. Faltava profundidade, largura e alguém que pudesse desequilibrar ofensivamente. Porém, o setor defensivo da equipa de Portimão deu uma verdadeira aula de como estancar o caudal atacante do FC Porto, mas só até sofrerem o 0-1.
Um golo às três pancadas e que reflete a vontade e a insistência dos visitantes para se superiorizarem no marcador. Faltou agressividade e intensidade, num primeiro momento, em Boa Morte para travar Corona na faixa lateral e, depois, num segundo momento e já na pequena área, um deslize de Lucas Possignolo marcando na própria baliza após tentativas falhadas de Sérgio Oliveira e Marega.
O início da segunda metade foi mais apelativo do que na primeira parte, muito por culpa do maior atrevimento do Portimonense SC no processo ofensivo, mas também do maior espaço que os dragões deram para jogar. Beto encarregou-se de criar oportunidades para a equipa da casa e apanhou o FC Porto várias vezes em contrapé, ainda que tenha falhado na hora da concretização.
Apesar do 0-1 do FC Porto, sentia-se que o jogo estava em aberto e que a equipa de Paulo Sérgio ainda tinha uma palavra a dizer na partida. E a palavra acabaria por ser dita. Minuto 64, passe para a desmarcação de Fali Candé e de frente a baliza prefere deixar em Beto que remata contra Marchesín. Na recarga após a defesa do guardião portista, Candé, sozinho e de frente para a baliza cabeceia para o golo do empate.
E se o jogo esteve murcho nos primeiros 45 minutos, na segunda parte foi totalmente o oposto em todos os sentidos. Após falta sofrida no meio campo ofensiva dos dragões, Sérgio Oliveira assumiu, como habitualmente, o papel de marcar o pontapé de livre. Do pé direito do centrocampista português saiu um verdadeiro golaço que fez o 1-2 para o FC Porto (minuto 67). Reações quentes ao golo por parte de Sérgio Conceição e Paulo Sérgio que lhes valeu a expulsão e acabou por despoletar momentos de tensão no túnel do Portimonense SC.
Após a temperatura ter subido no Algarve, o jogo, dentro das quatros linhas, acabou por resfriar. Sentia-se um Portimonense SC mais combalido e com menos confiança para recuperar o empate, oferecendo aos Dragões o leme da partida que através de Toni Martínez e Sérgio Oliveira ainda ameaçaram a baliza de Samuel Portugal. Terminada a partida, o FC Porto soma a 16ª vitória no campeonato e aguarda por um deslize do Sporting CP, mas também por uma perda de pontos do SC Braga e SL Benfica que defrontar-se-ão ainda nesta jornada.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Sérgio Oliveira – Mais uma grande exibição para o médio português. Foi o homem que mais fez jogar, principalmente na primeira parte através dos passes longos pelo ar. Na segunda parte, tira as medidas à baliza e consegue mais um grande golo através da execução de um pontapé de livre. Cada vez mais crescido o 27 do FC Porto.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Mehdi Taremi – Esteve praticamente desaparecido em todo o jogo, aparecendo apenas numa situação de perigo do FC Porto em que poderia ter feito muito melhor. O iraniano segue para o sétimo encontro sem faturar e pode-se dizer que não está a viver o melhor dos momentos na equipa portista.
ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC
Os aurinegros entraram em campo com uma linha de cinco defesas e quatro médios, sendo que um deles, Aylton Boa Morte, aparecia por vezes em terrenos mais ofensivos. Beto era homem só na frente de ataque do Portimonense SC e a falta de um parceiro ofensivo acusou na estratégia de jogo após sofrerem o 1-2. Pedro Sá era responsável por ser o médio mais recuado e ajudar a equipa a travar as paradas ofensivas do FC Porto de forma a evitar golos sofridos.
Apesar da adoção de uma postura totalmente recuada nos primeiros 45 minutos do encontro, após o intervalo assistimos a outra versão do Portimonense SC que optou por jogar com maior profundidade e mais ofensivamente. Acabou por lhes valer um golo e não fosse também a infelicidade de Samuel Portugal no lance do golo de Sérgio Oliveira o resultado poderia ser outro. Após o 1-2 o Portimonense SC não se conseguiu levantar e reagir ao resultado e acabou por perder totalmente a organização e a estratégia delineada no intervalo da partida.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Samuel (6)
Fahd Moufi (6)
Maurício Antônio (7)
Willyan (6)
Lucas Possignolo (6)
Fali Candé (7)
Dener (7)
Pedro Sá (6)
Koki Anzai (6)
Aylton Boa Morte (6)
Beto (6)
SUBS UTILIZADAS
Luquinha (6)
Anderson Oliveira (6)
Fabrício (6)
Jafar Salmani (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
O FC Porto teve sérias dificuldade em conseguir colocar em prática a filosofia de jogo habitual e na primeira metade houve uma grande escassez de profundidade e desequilíbrio no processo ofensivo. Isto porque depois de se depararem com a linha de cinco defesas do Portimonense SC, deu-se uma sucessão de tentativas falhadas de colocar a bola pelo ar na frente de ataque portista.
O FC Porto, apesar de ter sempre assumido o controlo da partida, acabou por acumular algum nervosismo, mas o autogolo de Possignolo, que reflete o decurso da primeira parte, veio acalmar a equipa portista e refrescar os ânimos para o intervalo. No início da segunda parte o FC Porto subestimou o Portimonense SC e perdeu o foco na partida, principalmente no setor ofensivo, acabando por conceder um golo. A tirada de Sérgio Oliveira no pontapé de livre veio gelar o Algarve e deu mais confiança aos dragões, que seguraram a partida até ao fim do encontro.
Tarde de Sábado, no Estádio de S. Miguel, abriu portas para a 24.ª Jornada onde se defrontam CD Santa Clara e o CD Tondela. Ao contrário do que aconteceu nas últimas duas jornadas, devido à situação epidemiológica do concelho de Ponta Delgada, não pude haver público na bancada. Nas duas últimas partidas, em casa, o clube açoriano conseguiu arrecadar seis pontos na tabela classificativa assegurando, assim, o sétimo lugar na tabela. Por outro lado o Tondela, nos últimos dois jogos, não conseguiu conquistar nenhum ponto ficando assim, em 12º.
A primeira parte da partida ficou marcada pela falta de oportunidades de golo. Viu-se um jogo muito partido e centralizado a meio campo no primeiro quarto de hora. Apesar disso, a equipa da casa conseguia chegar com maior facilidade à baliza e a destacar-se não só na percentagem de posse de bola como na melhor exibição. A grande surpresa desta primeira parte seria, sem dúvida, a inauguração do marcador antes do cair do pano. Numa tentativa de corte falhada de Rafael Ramos, João Pedro aproveita a oportunidade e cruza para Mário González que dá origem ao golo da vantagem. Num jogo em que dificilmente o Tondela chegava à baliza de Marco Pereira, os bravos açorianos vão para intervalo com um sentimento agridoce.
Numa segunda parte que parecia manter-se calma e com o Santa Clara a destacar-se acabou por se tornar um festival de cartões vermelhos. Numa tentativa de corte, Fábio Cardoso, que mais cedo na partida tinha visto um amarelo, acaba por atingir na perna o adversário e vê o segundo amarelo e, consequentemente, o vermelho levando a sua expulsão. Para além do capitão da equipa açoriana, Allano é expulso por um comentário feito ao árbitro.
Tondela recuou no campo desnecessariamente, e acaba por oferecer o golo do empate, através dum auto golo de Tavares, aos bravos Açorianos. Terminando assim, uma emocionante partida.
Carlos Júnior – O Bravo Açoriano foi dos que acreditou no empate do Santa Clara e foi bafejado pela sorte no final ao estar presente no lance do jogo do empate.
O FORA DE JOGO
Fonte: CD Tondela
Yohan Tavares – Jogo desastrado do central beirão. Cometeu inúmeras falhas, mostrou algumas dificuldades nos duelos e acabou por comprometer a sua equipa.
ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA
A equipa de Daniel Ramos apresentou-se com o esquema tático em 4-2-1-3. O Santa Clara a jogar com um duplo pivot defensivo e Lincoln mais solto na frente. Na frente três homens muito móveis que deambularam constantemente entre posições. Apesar das expulsões a equipa manteve-se segura.
ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES
Marco (4)
Rafael Ramos (4)
Mikel Villanueva (5)
Fábio Cardoso (4)
Mansur (5)
Allano (5)
Lincoln (Ukra 79’) (5)
Carlos Jr. (6)
Hide (4)
Anderson Carvalho (Costinha 66’) (5)
Rui Costa (Cryzan 66’) (4)
SUBS UTILIZADOS
Cryzan (Rui Costa 66’) (4)
Costinha (Anderson Carvalho 66’)(4)
Ukra (Lincoln 79’) (3)
ANÁLISE TÁTICA – CD TONDELA
O Mister Beirão, Pako Ayestáran, apresentou-se também com o esquema tático 4-2-1-3. O Tondela jogo com um duplo pivot defensivo no meio campo, aproveitando a velocidade dos homens da frente para aturar na profundidade. Após as expulsões, a equipa beirã teve a tendência para se encostar em demasia atrás e, este erro, acabou por dar origem ao golo do empate.
ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES
Trigueira (4)
Jaquité (3)
João Pedro (Jaume Grau 81’) (4)
Jhon Murrillo (Barbosa 90+2’) (4)
Mario Gonzalez (5)
Olabe (Salvador Agra 81’) (3)
Tiago (3)
Filipe Ferreira (4)
Yohan Tavares (2)
Mohamed Khacef (Enzo Martinez 76’) (3)
Ricardo Alves (4)
SUBS UTILIZADOS
Enzo Martinez ( Mohamed khacef 76’) (3)
Jaume Grau (João Pedro 81’) (3)
Salvador Agra (Olabe 81’) (3)
BnR NA CONFERÊNCIA
CD SANTA CLARA
BnR: Qual a análise que faz da partida?
Daniel Ramos: Começámos a partida com o Santa Clara a dominar e um Tondela a tentar controlar a tentar entrar em contra-ataque. Fomos uma equipa dinâmica mas não tão rápidos como queríamos, a equipa pecou ao não escolher o melhor corredor. Tivemos bem no jogo e com algumas oportunidades e possibilidade de chegar à vantagem. Sabíamos que o Tondela queria a vantagem e o golo tornou a tarefa mais difícil. A Equipa tentou manter-se na sua essência. Como equipa e com uma ideia de jogo boa.
Os momentos de expulsão, quase de seguida, levou-nos ao tapete mas levantamo-nos cedo. Mas somos uma família, é um por todos e todos por um. Fomos equipa com olhos para a baliza. Era justo o empate. Havia uma equipa a querer ganhar que era o Santa Clara e uma a querer pontuar, o Tondela.
CD TONDELA
BnR: Qual era a motivação para esta partida?
Pako Ayestáran: Sabíamos que o santa era uma equipa muito forte e a vitória podia ser possível através de transições. Na segunda parte, tivemos mais oportunidades mas não foi possível. Mesmo ao jogarmos com mais dois jogadores, por trezes minutos, não conseguimos aproveitar essa oportunidade.
Gonçalo Ramos confirma ser, pela segunda temporada consecutiva, um símbolo da possível mudança de paradigma que acaba por nunca se concretizar. Com a lesão de Rafael Leão e a consequente chamada em sua substituição para o Europeu sub-21, terá oportunidades para brilhar o que ainda não brilhou durante a temporada – onde foi ostracizado e quase ignorado, passando mais minutos na bancada da equipa principal do que a completá-los pela equipa B (ou por outra equipa), como seria desejável.
O rendimento no Europeu sub-21 servirá como diagnóstico na avaliação da temporada 2020/21: caso repita as façanhas do Europeu de sub-19, onde foi o melhor marcador, tornar-se-á num dos argumentos primordiais na contestação aJorge Jesus – o papel secundário num ataque recheado de boas valias será visto como natural, por uns, e final prova quanto à normalidade do seu talento por aqueles que ainda esperam de Darwin a explosão que demora em acontecer.
Já muito depois do brilharete na Arménia, onde marcou quatro golos na campanha portuguesa até à final perdida com a Espanha, Gonçalo estreia-se na equipa principal dos encarnados numa vitória por 4-0 frente ao CD Aves, no tal jogo em que bisou em seis minutos. As soluções que oferecia (e oferece) dentro de campo ao nível do posicionamento, fruto de uma etapa formativa onde deambulou por todas as zonas de ataque, foram pólvora na definição do bode expiatório responsável pela segunda volta catastrófica.
Afirmava-se que Gonçalo Ramos poderia ter sido o João Félix da temporada, criando efeito semelhante no rendimento geral da equipa se introduzido oportunamente no lugar de Chiquinho, a solução encontrada por Bruno Lage depois de gritar desesperadamente por Luca Waldschmidt. Era com grandes expectativas, portanto, que se olhava para a época 2020-21 e para Jorge Jesus como potenciais fatores capitais no desenvolvimento sénior do prodígio. No entanto, foram esperanças em vão.
Esquecendo as naturais apetências do técnico português para ignorar a formação (há poucas exceções como Gelson Martins ou Reinier), a aposta em Gonçalo ficou sempre para segundo plano em detrimento de Seferovic ou Darwin.
Gonçalo Ramos reclama por mais oportunidades na equipa principal. Fonte: Diogo Cardoso/ Bola na Rede
As dispensas de Jota, Florentino ou Tomás Tavares – companheiro da geração de 2001, onde se incluem os nomes de Tiago Araújo, Úmaro Embaló, João Ferreira ou Gonçalo Inácio, do Sporting CP – já o previam, sinais significativos do futuro a curto prazo quanto ao aproveitamento dos talentos do Benfica Campus.
Em março, os minutos de utilização são escassos e as notícias de um possível descontentamento acumulam-se. Afirma-se sobretudo uma intenção do jogador em consolidar tempo de jogo, em qualquer que seja a equipa – Gonçalo quer é jogar, acumular minutos nas pernas e dar continuidade à sua evolução.
Ao serviço da equipa B, conta com oito golos em seis jogos – por hoje, o lote de melhores marcadores (Abubakari do Casa Pia AC, Cassiano do FC Vizela e Bouldini da Académica OAF) contam dez com um mínimo de 20 jogos. Cedo se percebeu a urgência de outro contexto competitivo, oportunidade que surge em janeiro com a iminente e apetecível troca com Rodrigo Pinho (curiosamente, um empréstimo ao CS Marítimo foi também equacionado para João Félix), situação onde sairiam todos a ganhar.
O SL Benfica, que veria chegar aos seus quadros um real concorrente às duas únicas soluções viáveis aos olhos de Jesus; e para Gonçalo, que teria a primeira chance de real crescimento longe do Seixal, ajudando um CS Marítimo periclitante na Primeira Liga a alcançar resultados mais satisfatórios.
Com a permanência no plantel, nada mudou e foram-se sucedendo as chamadas à equipa principal que, na maioria das vezes, significariam contributo zero. O mal de uns é a sorte de outros – Rafael Leão, elemento importante na época positiva do AC Milan, lesiona-se e abre espaço a Gonçalo, que verá o Europeu como oportunidade de justificar outra importância e desafiar a avaliação de Jesus.
As circunstâncias de uma hipotética titularidade são difíceis dado o lote de concorrentes. Francisco Trincão, Francisco Conceição, Tiago Tomás ou Danny Mota formam o leque disponível na enxaqueca de Rui Jorge. Sabemos todos que, escolhendo Gonçalo como um dos dois da frente e, considerado o hipotético sucesso deste, um atestado de incompetência será passado a Jorge Jesus e ao modelo de gestão de ativos encarnados.