Todos nós temos as nossas preferências, seja na comida, no que vestimos, cores partidárias ou futebolísticas. Temos o direito e a liberdade de escolher o que gostamos e, por isso, temos também o dever de aceitar os gostos dos outros.
E no que toca ao Sporting CP, nas últimas semanas tivemos muita gente a criticar o gosto de quem desenhou e aprovou o design do novo equipamento leonino. No entanto, também houve muita gente que gostou. É o que nos distingue como uma sociedade e um clube democrático. Todos temos o direito às nossas preferências.
Quanto à nova camisola, muitos foram os argumentos contra. Ou eram as listas que não deveriam ter aquele apontamento com linhas brancas, que efectivamente dão a sensação de que as listas são mais finas, ou porque a cor verde não corresponde ao “pantone” Sporting CP. As mangas brancas também não foram do agrado de muitos, assim como a parte de trás do equipamento. Houve ainda quem criticasse a fonte usada no design dos números nas camisolas. Os motivos foram muitos.
Eu devo dizer que sou dos que não gostou nada, assim como não gostei das listas “esborratadas” da camisola com que fomos campeões. E, no entanto, ganhámos. O que me leva a pensar que tanta discórdia e maldizer até nos esteja a trazer sorte.
Senão vejamos: no início da última época, começamos por criticar os nomes que iam surgindo como contratações certas do Sporting CP. Era Feddal, era Porro, Adán, eram só jogadores que nunca ninguém (quase) tinha ouvido falar, o que até levou a uma intervenção tipo “sketch humorístico” de um humorista afecto a um dos nossos rivais. Confesso que agora acho mais piada do que quando o ouvi pela primeira vez.
Feddal foi uma das mais agradáveis surpresas de 2020/2021, no Sporting CP Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede
Depois, quando se apresentavam os jogadores, era porque vinham mal vestidos (sempre uma questão de guarda-roupa), ou porque eram velhos e vinham já para gozar a reforma. E a verdade é que todos esses jogadores foram extremamente importantes na conquista deste campeonato. Foi ou não uma bênção?
Criticamos o valor que pagamos por um jovem treinador que nem isso era ainda, e que tinha feito carreira num dos nossos maiores rivais. Jovem que colocou o Sporting CP a jogar como já não se via há anos. Um mister com discurso agregador e assertivo que conseguiu lançar jovens da academia tornando-os campeões e futuras mais valias desportivas e financeiras. Criticar foi o melhor que poderíamos ter feito.
Ainda criticamos o Paulinho, pelo valor que tivemos que pagar e colocando em causa o seu valor desportivo. Assumo aqui que sempre gostei dele, e me desiludiu o seu rendimento no Sporting CP. A verdade é que foi ele a marcar o golo que nos consagrou como campeões. Mais uma bênção lançada pelas críticas.
Portanto, a ver como está a começar esta época, pode ser um bom pronúncio para mais uma época vitoriosa. Que essa camisola venha pelo menos abençoada.
Mas a verdade é que não deveríamos ser tão atritos a alterar um pouco o visual do nosso equipamento, até porque originalmente a equipa leonina vestia com uma camisola metade verde e metade branca. Duas listas ao alto, portanto. E não foi isso que fez com que o Sporting CP deixasse de ser um grande clube. Desculpem, enorme clube.
— Sporting Clube de Portugal 🏆 (@Sporting_CP) July 1, 2021
Vamos então continuar a criticar que já vimos que nos dá sorte, mas respeitando quem tem uma opinião e visão diferente da nossa.
Eu, por exemplo, que não gosto mesmo nada (acho que já disse) desta nova camisola, daqui a umas semanas já me habituei. E se começarmos a ganhar, então já nem vou reparar nas mangas brancas, ou nas linhas que rasuram as lindas listas verdes das nossas vestes sagradas e abençoadas.
Seja com este equipamento, com o Stromp, ou o alternativo, temos é que continuar a ganhar e a apoiar o Sporting CP!
O Campeonato da Europa é sempre uma competição que serve de palco para os jogadores se mostrarem noutro contexto que não o das equipas que representam, e o Euro 2020 não foi diferente.
Em todas as edições existem jogadores que se destacam e conseguem mostrar capacidades que para muitos eram desconhecidas, valendo uma oportunidade para serem observados e, por vezes, mudarem de clube para maiores ambições.
Uma revelação não tem de ser, exclusivamente, um jogador jovem e por isso mesmo a seleção dos jogadores para esta lista não se prendeu com esse critério, tendo sido escolhidos jogadores que eram menos conhecidos pelo adepto de Futebol comum e que aproveitaram para se mostrar num nível superior com uma maior visibilidade.
Muitos poderiam ser os jogadores que se mostraram verdadeiros líderes em campo, sendo capazes de guiar as equipas durante o Euro 2020, mas estes foram os cinco que se revelaram e mostraram capazes de dar muito mais do que estávamos habituados a ver.
O SL Benfica é neste momento uma casa a arder, adquirindo a expressão “Inferno da Luz” um novo e indesejado significado. Entretanto, as fugas de gás que vão acentuando a intensidade do incêndio parecem ocorrer em catadupa. Uma dessas fugas de gás surgiu na forma de uma fuga de informação privada de Filip Krovinovic.
Em conversa informal com um “amigo” (chamemos-lhe assim por conveniência vocabular), Filip Krovinovic desabafou sobre a delicada situação desportiva em que se vê inserido no SL Benfica. No áudio que tem circulado pela Internet e não só, ouve-se o médio croata a revelar ao interlocutor do outro lado da chamada que Jorge Jesus não lhe havia dado qualquer minuto de jogo na partida de pré-época frente ao SC Covilhã.
Audivelmente melindrado pela situação, o jogador de 25 anos insulta o treinador das águias de forma leviana. A punição foi imediata e o croata foi afastado dos trabalhos do plantel. Verdade seja dita, parece que antes já não estava propriamente dentro dos mesmos. Talvez importe perguntar: “a punição justifica-se ou trata-se de uma reação exagerada perante uma situação normal?”.
Antes de responder, deixo apenas a nota de que o “amigo” de Krovinovic teve uma atitude absolutamente reprovável segundo qualquer padrão moral e, acima de tudo, segundo qualquer código de amizade. No entanto, o áudio é agora público e as consequências para o médio dos encarnados já se fizeram sentir.
Mas, justifica-se a punição? Sim e não. Isto é, do ponto de vista da gestão externa do grupo (ou seja, a gestão de dentro para fora) é compreensível que se puna o futebolista, visando assim dar um sinal de que estão bem estabelecidas no grupo de trabalho as hierarquias de autoridade.
Krovinovic foi afastado da pré-época do Benfica e alvo de um processo disciplinar devido a um áudio em que chamou “filho da p***” a Jorge Jesus, apurou o @Record_Portugalpic.twitter.com/d8mHl9HK40
Ao castigar o jogador, o SL Benfica mostra que atitudes que possam ser nocivas para o grupo de trabalho serão alvo de escrutínio e sanção, transmitindo uma mensagem para fora (mas também para dentro) centrada na imposição de respeito para com quem, dentro do grupo, goza de mais autoridade.
Jesus, como treinador, tem mais autoridade do que os jogadores sob a sua alçada e, ao ser desrespeitado, será protegido e o desrespeitador será punido – é, no fundo, esta a mensagem. Por outro lado, numa visão meramente interna da gestão do grupo, muito provavelmente não se justificava tão dura sanção.
Haveria, natural e necessariamente, uma conversa entre treinador e jogador (eventualmente com a presença do restante grupo de trabalho), mas tudo seria sanado, acredito eu. Em condições normais, a expressão do seu descontentamento – ainda que com um insulto nada agradável – não seria suficiente para que o jogador fosse alvo de consequências desta magnitude e este continuaria, acredito eu mais uma vez, a trabalhar junto do grupo.
O problema é que as condições que circundam o caso não são normais. A conversa, idealizada por Krovinovic como privada, tornou-se pública num ato de má-fé e gerou uma onda de reações e de pressões externas que acentuaram a necessidade de haver uma reação dura da parte da estrutura e da equipa técnica encarnadas.
Posto isto, não sou capaz de dar uma resposta que não seja híbrida, considerando que talvez não fosse preciso aplicar tão duro castigo a Filip Krovinovic, mas compreendendo que quiçá essa aplicação tenha sido a única forma de manter a estabilidade da relação treinador-jogadores.
A música de um lutador na WWE é absolutamente essencial para a apresentação de um personagem – idealmente, é a representação perfeita das características que tornam esse lutador único.
Há imensas músicas que podiam estar aqui, mas estas são aqueles que, para além de serem muito boas, também mesclam na perfeição com os lutadores e personagens que representam.
Nota: As músicas não estão por nenhuma ordem em particular.
Numa altura que já se jogam as finais da NBA, pelo caminho, e mais concretamente, nas finais de conferência ficaram duas equipas que demonstraram ao longo de todo o percurso argumentos para estarem neste momento nas finais. Falamos dos Atlanta Hawks e dos Los Angeles Clippers, as duas equipas derrotadas nas respetivas finais de conferência.
O QUE SÃO OS ESPORTS? SERÃO REALMENTE UM DESPORTO?
O dicionário de Oxford define desporto como “uma atividade física ou mental realizada por prazer, geralmente feita num determinado espaço e de acordo com certas regras”.
De acordo com esta definição, eSports enquadram-se como desporto. É uma prática que requer esforço mental, com a prática de determinadas regras num determinado local, físico ou virtual.
O conceito de “eSports” é recente, porém o ato de jogar competitivamente surgiu na década de 70, nas Olimpíadas Intergaláticas de Spacewar, uma competição disputada entre estudantes da Universidade de Stamford, cujo prémio foi um ano de assinatura da revista Rolling Stone.
A CORRIDA: UM QUASE DOMÍNIO DA JAGUAR NA E-PRIX DE NOVA IORQUE
Na segunda corrida de E-Prix de Nova Iorque, Sam Bird (Jaguar) foi o vencedor, com uma boa distância dos rivais. O homem da Virgin, Nick Cassidy, desta feita não deixou fugir o pódio, com o campeão em título António Félix da Costa (DS Techeetah) ficou no último degrau em terceiro, com ambos a aproveitar os problemas mecânicos de Mitch Evans (Jaguar) no final da corrida.
Após garantir os dois primeiros lugares da grelha na qualificação os homens da Jaguar confirmaram a velocidade prometida durante a corrida. Tirando as eventuais batalhas com Nick Cassidy, que os seguiu sempre de perto, a dupla britânica teve a corrida sob controlo.
*That* heartbreaking moment for the championship leader as @edomortara and @JakeDennis19 collide 😩
— ABB FIA Formula E World Championship (@FIAFormulaE) July 11, 2021
Mais atrás, António Félix da Costa teve de batalhar ao longo de toda a corrida com os Porsches de Andre Lotterer e de Pascal Wehrlein, após qualificar-se em sétimo. Contudo, uma boa estratégia da parte da DS, permitiu ultrapassar uma Porsche demasiado reticente em utilizar ordens de equipa para favorecer o resultado coletivo.
O piloto português, por outro lado, era o foco principal da DS, após Jean Éric Vergne não arrancar, devido a problemas no seu monolugar durante a volta de instalação. Já os homens da Porsche, terminaram em quarto (Wehrlein) e quinto (Lotterer), um dos resultados mais consistentes da equipa alemã.
Alexander Sims e o seu Mahindra ainda fizeram o que podiam para acompanhar os homens da frente, tendo a certo ponto batalhado com Félix da Costa, no entanto, o ritmo foi caindo, e o piloto britânico acabou por liderar um segundo pelotão.
— ABB FIA Formula E World Championship (@FIAFormulaE) July 11, 2021
Na sétima posição terminou Norman Nato, que após começar em 10.º e executar uma corrida com “peças a mais” no seu Venturi, conseguiu chegar ao sétimo lugar. Contudo, próximo de si, está um dos homens que realizou uma excelente corrida, em Robin Frinjs. O homem da Virgin começou em 21.º lugar, e confirmou a velocidade do carro, ao chegar aos pontos, na oitava posição.
O holandês era perseguido na linha final por Alex Lynn da Mahindra em nono, e pelo vencedor da corrida de sábado, Max Guenther (BMW) que mostrou mais uma vez ser rapidíssimo no circuito nova-iorquino, ao chegar ao último lugar dos pontos após começar na 23.ª posição do E-Prix.
Um dos homens de destaque de fora do Top 10, teria de ser Mitch Evans, que a par de Sam Bird, realizou uma corrida notável, que prometia dobradinha da Jaguar. No entanto, nas últimas voltas, começou a notar-se um problema com a suspensão do monolugar, que na última volta, se desfez por completo, e na reta da meta, numa tentativa desesperada de arrastar o carro para os pontos, o britânico apenas conseguiu um desapontante 13.º lugar na linha, com uma suspensão completamente destruída.
RACE HIGHLIGHTS!
60 seconds of the best action from Round 10 in Brooklyn 🇺🇸
Who had the best race? Let us know in the comments 👍
— ABB FIA Formula E World Championship (@FIAFormulaE) July 11, 2021
Nas contas do campeonato E-Prix, continua tudo em aberto, com destaque para a liderança de Sam Bird, que aproveita as duas más corridas de Mortara, e o segundo lugar do campeão em título, António Félix da Costa, que se encontra agora a apenas cinco pontos da liderança.
No entanto, nada está garantido, neste momento, apenas 22 pontos dividem o primeiro lugar do campeonato e o 11.º. Este tipo de margem pontual pode ser destruída facilmente em apenas duas corridas.
Do lado dos construtores, a luta é a três, com cinco pontos a separar a primeira classificada Virgin (146), segunda DS Techeetah (144) e Jaguar (141). Ambos campeonatos prometem ficar em aberto até à última corrida, e honestamente, não há nada mais Fórmula E do que isso.
— ABB FIA Formula E World Championship (@FIAFormulaE) July 11, 2021
PILOTO DO DIA:
Fonte: Fórmula E
António Félix da Costa – Durante grande parte da prova não pareceu que António Félix da Costa fosse capaz de se desembaraçar dos Porsche, no entanto, o campeão em título foi além disso, e juntou-se à luta pelos lugares cimeiros.
Aproveitou os problemas de Mitch Evans para subir ao pódio, e nas últimas voltas, pressionou ao máximo o rookie Nick Cassidy, que se defendeu de forma notável. Mais uma boa corrida do português, que “do nada”, volta a estar na linha da frente da luta pelo campeonato, a apenas cinco pontos da liderança.
DESILUSÃO DO DIA:
Unfortunately, we find ourselves in the same position as yesterday, which means no points for the team.
— Mercedes-EQ Formula E Team (@MercedesEQFE) July 11, 2021
Mercedes-EQ Formula E Team – A Mercedes não gostou da visita às Américas, e muito menos da “Grande Maçã”. Tanto Nyck de Vries como Stoffel Vandoorne não conseguiram extrair nada de performance dos monolugares.
Nem um ponto em ambas as corridas, e apenas oito como equipa nas duas anteriores. Para aquela que pareceu a equipa mais forte na primeira metade do campeonato, esta abrupta queda de forma levanta muitos pontos de interrogação.
51 jogos, 142 golos. Chegou ao fim o Euro 2020 (vencido brilhantemente pela Itália) e com particular destaque para o facto de ter sido a edição com mais golos de sempre.
Uns mais fáceis, outros mais difíceis. Uns mais previsíveis, outros completamente surpreendentes. Uns de “encostar”, outros de pura qualidade técnica. Uns em que sobressaiu a genialidade individual, outros em que o coletivo imperou na hora de visar a baliza contrária. Golos de todas as formas e feitios!
Rúben Vinagre é oficialmente reforço do Sporting CP. O lateral-esquerdo de 22 anos, regressa a uma casa que bem conhece, pois completou o seu processo de formação na Academia, em Alcochete. Chega por empréstimo, com opção de compra – fala-se em 10 milhões de euros – proveniente dos ingleses do Wolverhampton FC.
Vinagre foi emprestado ao FC Famalicão e no curto espaço de tempo que esteve ao serviço da equipa portuguesa, ganhou destaque e fez um conjunto de boas exibições que chamaram a atenção do scouting leonino – e não só – sendo um nome já falado várias vezes e há imenso tempo para reforçar o lado esquerdo.
📢 LATERAL SEGURO
🔸 O lateral-esquerdo Rúben Vinagre 🇵🇹 já é jogador do #SportingCP, avança a Imprensa lusa
🔸 Empréstimo do Wolverhampton de uma época com opção de compra de €10M
Resta perceber como vai Rúben Amorim arrumar a casa, pois conta ainda com nomes como Matheus Reis, Antunes, e sem falar da possível saída de Nuno Mendes. Ainda assim, o Sporting CP fica neste momento com as alas bem recheadas de qualidade e aposta no curto, mas também no médio e longo prazo.
Apesar de no FC Famalicão ter atuado em sistemas diferentes, as qualidades de Rúben Vinagre ao serviço de Rúben Amorim podem ser potenciadas, mas também melhorar as suas debilidades. É um jogador muito ofensivo e que se destaca precisamente por essa sua capacidade. É bom tecnicamente, forte no drible e na progressão, acabando por revelar uma boa capacidade física e atlética que lhe permitem muitas vezes esconder a bola do seu adversário. Sendo ágil e rápido, acaba por ser forte no 1vs1 e encaixar na perfeição na liberdade que os alas leoninos acabam por ter, onde também revela boa capacidade de passe e cruzamento, procurando intervir sempre no último terço.
Vinagre é um jogador de trabalho e de equipa, e por isso acaba por cumprir onde é menos forte e esconder um pouco as suas debilidades defensivas. Como disse poderá melhorar isso com a presença de Rúben Amorim – o Sporting CP fez um trabalho fantástico no processo defensivo na época transata, tanto na coordenação da linha defensiva como também na tarefa dos médios a dar cobertura.
É um jogador muito cobiçado e demonstra o bom trabalho que o Sporting CP tem vindo a realizar no mercado. É interessante e tem um potencial para continuar a ser um dos grandes destaques do nosso campeonato e faz um claro upgrade à posição de ala esquerdo.
O mítico Wembley foi o palco da grande final do Euro 2020. Com clara maioria britânica nas bancadas, Itália e Inglaterra perfaziam um confronto inédito numa final desta competição. A seleção transalpina vinha de 33 (!) jogos sem perder, enquanto que os ingleses procuravam levantar o primeiro troféu em 55 anos. A jogar diante dos seus adeptos, era a grande oportunidade para a Inglaterra conquistar pela primeira vez o Campeonato da Europa. Do lado italiano, e apesar da grande campanha, adivinhava-se uma missão espinhosa pela frente…
O jogo não podia ter começado melhor para a Inglaterra. Estavam jogados apenas dois minutos quando, numa transição rápida, Harry Kane progrediu no terreno, entregando a bola a Trippier, que cruzou com precisão para Luke Shaw, que, num remate de primeira ao segundo poste, abriu o marcador.
O golo madrugador da seleção da casa deixou a Itália mais nervosa, pelo que a Inglaterra se mostrou mais confiante e tranquila. A equipa de Gareth Southgate demonstrou grande capacidade de pressão na primeira fase de construção da seleção transalpina, o que impossibilitou a Itália de criar grande perigo.
Federico Chiesa, um dos mais corajosos da Azzurra, irrompeu pela direita à passagem dos 34 minutos, aguentando a carga dos adversários, e rematou ao lado da baliza de Pickford, numa jogada individual que conferiu um dos raros momentos de inspiração italiana.
Apesar da pouca objetividade e consequente criatividade do conjunto italiano, Verratti e Bonucci tentaram a sorte ainda antes do intervalo, mas o remate do médio do Paris Saint-Germain foi bloqueado e a tentativa do defensor da Juventus saiu por cima.
Com um único remate na primeira parte, a Inglaterra, muito consistente defensivamente, partiu para o descanso em vantagem. A equipa de Roberto Mancini teve mais posse de bola, mais remates e completou quase o dobro dos passes, estatísticas essas que se provaram infrutíferas, dado que a Inglaterra conseguiu dominar o primeiro tempo.
No regresso dos balneários, a primeira oportunidade de golo saiu dos pés de Insigne logo nos primeiros minutos, através de um livre direto à entrada da área britânica. Tal como na primeira parte, o virtuoso italiano não conseguiu transformar o livre direto em golo.
A Inglaterra entrou pressionante, assim como no primeiro tempo. Por sua vez, a congénere italiana mostrou-se errática na primeira fase de construção. Mancini percebeu isso e abdicou de Immobile, fazendo entrar Berardi. Por sua vez, Cristante rendeu Barella. Com as substituições, a Azzurra mostrou-se mais destemida e começou a criar mais lances flagrantes, beneficiando da criatividade de Insigne e da irreverência de Chiesa, os dois elementos mais influentes do setor ofensivo.
A Itália circulava a bola no meio-campo inglês e chegou mesmo à igualdade. Num golo iniciado pelos recém-entrados, Berardi cobrou um pontapé de canto e Cristante desviou para o segundo poste – Chiellini tentou ganhar o lance, com a bola a sobrar para Verratti, que cabeceou ao poste. Depois de tanta confusão, a bola sobrou para Bonucci, que não perdoou e empatou a partida quando estavam decorridos 67 minutos.
A seleção italiana conseguiu sempre pressionar na primeira zona de construção da Inglaterra e controlou o meio-campo na segunda parte. Berardi podia ter dado a vantagem à Itália aos 73 minutos, após um grande lançamento de Chiellini, mas não teve pontaria suficiente.
A Itália mostrou-se mais versátil, jogando tanto por fora como por dentro, melhorando o seu jogo interior na 2.ª parte, em que foi claramente dominante. Ainda assim, o encontro chegou empatado a uma bola ao fim dos 90 minutos e, já no prolongamento, Roberto Mancini voltou ao esquema inicial, fazendo entrar Belotti para o centro do ataque.
Aos 96 minutos, a Inglaterra teve a sua principal oportunidade em todo o prolongamento, com um remate à entrada da área de Kalvin Phillips. O criativo Grealish entrou e a Inglaterra conseguiu equilibrar e controlar melhor o jogo, face à perda da capacidade de pressão da Itália.
Já a Itália teve, ao passar do 103.º minuto, a sua melhor chance para desfazer a igualdade, com Bernardeschi a não conseguir desviar um cruzamento de Emerson Palmieri, que foi defendido por Pickford. Na recarga, Belotti atirou para fora.
Bernardeschi voltaria a tentar a sua sorte minutos depois, através de um livre direto que Pickford não agarrou à primeira. A Inglaterra também só conseguiu criar algum perigo na sequência de bolas paradas. Com as equipas muito cautelosas, a arriscar cada vez menos, a partida chegou ao fim e seguiu-se o desempate por grandes penalidades.
Na lotaria dos penáltis, Andrea Belotti foi o primeiro a falhar, com Pickford a fazer a primeira defesa. No entanto, Rashford e Sancho não conseguiram converter as suas penalidades, o que deixou a responsabilidade do título com Jorginho.
O médio ítalo-brasileiro não conseguiu bater o guardião inglês, assim como Saka não conseguiu marcar a Donnarumma, que defendeu e deu o título europeu à Itália em pleno Wembley. A seleção transalpina conquista a competição pela segunda vez, depois de já a ter vencido em 1968.
Por sua vez, continua o jejum de títulos da Inglaterra, que não vence um troféu desde 1966, quando venceu o Campeonato do Mundo. A seleção inglesa jamais conquistou o Campeonato da Europa, mesmo já tendo jogado a edição de 1996 em casa, para além de ter realizado seis dos sete jogos neste Euro 2020 em Wembley, uma clara vantagem face aos adversários que não conseguiu aproveitar.
A FIGURA
José Mourinho: “Mr. Bonucci e o Mr. Chiellini podem ir a Harvard dar aulas de como ser um zagueiro. Simplesmente fantástico.” pic.twitter.com/FCXsQ34mxs
— Curiosidades Europa (@CuriosidadesEU) July 6, 2021
“Muralha” italiana – Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini são duas instituições do futebol italiano e mundial. Na final de hoje, ficou mais uma vez reiterado esse estatuto. Imperiais, os dois defesas da Juventus mostraram que a idade é só mesmo um número. Bonucci juntou a grande exibição com um golo importantíssimo, num jogo em que o ambiente estava claramente desfavorável aos italianos. Ainda estão aí para as curvas.
O FORA DE JOGO
Football can be so cruel.
But for your personality. For your character. For your bravery…
Juventude inglesa – Em contraste com a experiência e veterania italiana, a excessiva juventude inglesa foi fatal para o concretizar do sonho inglês. Rashford, Sancho e Saka, todos eles ainda bastante jovens, tremeram na lotaria das grandes penalidades. Mais do que irreverência, velocidade e explosão, é preciso muita tarimba para enfrentar estes momentos de forma confiante e foi algo que faltou a alguns jogadores ingleses.
ANÁLISE TÁTICA – ITÁLIA
A seleção italiana apresentou-se no seu tradicional 4-3-3, com o habitual trio de meio-campo composto por Jorginho, Verratti e Barella. Na primeira parte, apesar de superior a nível estatístico, a equipa de Roberto Mancini não se conseguiu impor diante da Inglaterra, que conteve a Azzurra, e marcou no único remate que fez nos primeiros 45 minutos. Na segunda parte, o técnico italiano mostrou-se ousado, retirando o seu único avançado centro de campo para a entrada de Berardi, substituição que se veio a revelar decisiva, assim como a entrada de Cristante.
A Itália passou a ter a iniciativa do jogo, pressionando a saída de bola inglesa e circulando o esférico no meio-campo adversário. No entanto, e mesmo com uma nítida melhoria no seu jogo interior, faltou discernimento no último passe e, de certa forma, alguma pontaria. No prolongamento, a equipa transalpina foi perdendo gradualmente capacidade de pressão e tentou administrar a partida, sem criar grandes oportunidades para marcar.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Donnarumma (8)
Di Lorenzo (6)
Chiellini (8)
Bonucci (8)
Emerson (7)
Jorginho (7)
Verratti (7)
Barella (6)
Chiesa (8)
Insigne (7)
Immobile (6)
SUBS UTILIZADOS
Cristante (7)
Berardi (7)
Bernardeschi (6)
Belotti (6)
Locatelli (6)
Florenzi (-)
ANÁLISE TÁTICA – INGLATERRA
Southgate começou o jogo numa espécie de 3-4-2-1, com Mount e Sterling no apoio a Kane, e que, no momento defensivo, se tornava num 5-2-3. Durante todo o jogo, a Inglaterra nunca foi uma equipa perigosa, sendo refém de ações e rasgos individuais de alguns jogadores, nomeadamente o sempre inconformado Sterling. Mesmo na primeira parte, onde conseguiu conter as investidas italianas com uma pressão alta, só fez um remate à baliza… que resultou no golo de Shaw, logo aos dois minutos de jogo.
Com a entrada de Bukayo Saka na segunda parte, preterido neste jogo por Trippier, o técnico inglês abdicou do esquema de três defesas centrais e passou a jogar em 4-2-3-1 – alteração que fez com que a seleção italiana ganhasse total controlo da partida na segunda parte, resultando no empate.
Já no prolongamento, o jogo foi ficando repartido e, dado o cansaço dos jogadores, a partida foi se arrastando até ao final com uma igualdade, sem grande iniciativa por parte dos protagonistas – os ingleses só criaram perigo através de bolas paradas. No cômputo geral, e como foi apanágio da Inglaterra durante este Euro 2020, pedia-se muito mais a nível estratégico e exibicional.