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Cegueira futebolística

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raçaquerer
Perante a continuada acusação feita por sportinguistas e portistas de que o Benfica tem sido beneficiado pelas arbitragens, sinto a necessidade de, neste espaço, dar a minha opinião. Ela não é melhor nem pior do que a de ninguém, não é mais ou menos legítima em relação a outras. É apenas a minha opinião.

Quem tem estado, nas últimas semanas, atento a espaços de opinião desportiva, quer seja na internet ou na televisão, já terá certamente ouvido e interiorizado (tal é a insistência nesta ideia) que o facto de o Benfica ocupar o primeiro lugar se deve à atuação dos árbitros. Diz-se que se marcam penáltis inexistentes a favor do campeão nacional, insinua-se que em muitos jogos a equipa adversária acaba com 10 jogadores (sem que se perceba o que estas pessoas querem de facto dizer, porque depois acabam por não concretizar a acusação), fala-se de foras de jogo mal assinalados, enfim de erros que, dizem os “defensores da verdade desportiva”, mudariam o resultado final e que acabariam por levar sempre ao desfecho que mais lhe interessa: o Benfica perderia pontos.

Reduzem, de forma simples, o jogo a uma avaliação, que é tudo menos imparcial, da equipa de arbitragem. Assim, só posso concluir que não sabem ver futebol, ou ainda pior: não sabem apreciar e desfrutar ao jogo. Esquecem a dedicação dos jogadores, a sua qualidade técnica, a sua cultura tática. Ignoram tudo o que pode condicionar um jogo, como o público, as lesões, os castigos, as substituições.

Os adeptos: o verdadeiro "colo" do Benfica
Os adeptos: o verdadeiro “colo” do Benfica
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

O Benfica não ganha por causa dos árbitros, ganha porque tem sido melhor, mais consistente, mais maduro se quiserem. Ganha porque tem um treinador experiente, porque tem uma estrutura diretiva que defende os interesses do clube e não se rebaixa perante ninguém (por muito que isso incomode muita gente), porque tem jogadores talentosos e esforçados, porque tem, nos seus adeptos, uma força imensa e inesgotável que empurra a equipa para a frente. Estes sim, levam a equipa ao colo durante toda a época.

Escusam de balbuciar a meio da época o cada vez mal habitual “Entreguem já as faixas”. Isso demonstra não só que não acreditam nos vossos clubes mas também que não conseguem lidar com o facto de o Benfica estar na liderança desde a 5ª jornada e não dar, para vosso grande desgosto, sinais de quebra. É claro que, nesta temporada, assistimos a alguns lances em que o árbitro errou a favor do líder mas também outros houve em que os encarnados foram prejudicados. Quem for sincero, terá facilidade em reconhecer que erros a favor e contra atingem TODAS as equipas durante TODAS as épocas.

Os mesmos adeptos do FC Porto que fazem questão de vincar cada lance duvidoso desta temporada, em que dizem o Benfica foi beneficiado (talvez para disfarçar o nervosismo provocado pela irregularidade exibicional da sua equipa), são os mesmos que ignoram a maior vergonha de sempre do futebol português: o Apito Dourado. Bem podem dizer que é mentira. Nem vocês acreditam nisso.

Enquanto as insinuações feitas às arbitragens dos jogos do Benfica não passam disso mesmo (pois uma acusação mais fundamentada teria de ser baseada em provas, que não existem nem existirão porque na Luz se joga limpo ao contrário do que acontece noutras cidades), eu posso afirmar que o atual presidente dos dragões é um corrupto. Posso porque ouvi as gravações que demonstram claramente um aliciamento aos árbitros, aliciamento esse que o sistema judicial não teve a coragem de punir adequadamente.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

UFC 184: O começo da lenda de Ronda Rousey

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cabeçalho ufc

Ronda Rousey é especial, uma lenda viva, uma dificuldade para jornalistas que, luta após luta, se vêem em dificuldades para descrever a sua genialidade. Cat Zingano vinha sendo descrita como o primeiro grande desafio de Ronda, aquela que a testaria, a levaria ao limite. Ronda ultrapassou-a em 14 segundos. Nada mais há a dizer.

O UFC 184 era para ter como evento principal o combate entre o campeão de peso médio Chris Weidman e Vitor Belfort, no entanto o primeiro lesionou-se, o que levou a que Ronda Rousey e Cat Zingano assumissem o protagonismo. Este foi o primeiro evento da UFC cujo evento principal e co-evento principal tinham como protagonistas lutas femininas. Se questões se levantaram acerca da viabilidade de atribuir a maior responsabilidade ao sexo feminino, essas estão agora desfeitas. UFC 184 foi um sucesso e abriu portas para mais eventos protagonizados pelas divisões femininas de lutadores.

Tony Ferguson e Gleison Tibau abriram a noite no Staples Center, em Los Angeles, com um combate da divisão de pesos leves. Ferguson, vencedor da décima terceira temporada do The Ultimate Fighter, entrou com uma sequência de quatro vitórias e estatuto de favorito, apesar de Tibau ostentar um impressionante recorde de 33-10, com 16 vitórias na divisão. Ferguson, no entanto, confirmou o estatuto que lhe fora atribuído. Um gancho de direita aos dois minutos de combate deixou Tibau grogue, demonstrando-o com uma tentativa de derrube bastante disparatada, levando Ferguson a dominá-lo no chão, passar (facilmente) para as costas e finalizar com um mata-leão, aos dois minutos e 37 segundos da primeira ronda. Através desta vitória Ferguson aumenta a sua sequência de vitórias e o seu recorde para 5 e 18-3, respectivamente, e começa a fazer nome na divisão.

Após um bom começo de noite, Richard Walsh e Alan Jouban, ambos vindos de derrota e na sua terceira luta na UFC, tentaram rectificar o seu nome no octógono. Durante dois minutos trocaram algumas sequências e diversos pontapés, testando-se. Jouban, no entanto, após a esgrima, viu uma abertura no lado esquerdo da cabeça de Walsh e lançou uma cotovelada, que atordoou o seu adversário, finalizando com socos.

A terceira luta da noite viu uma luta com contornos semelhantes à anterior. Koscheck, um veterano da UFC, opôs-se a Ellenberger, número 11 do ranking de peso meio-médio, onde ambos procuraram redimir-se das três derrotas seguidas de que vinham. Ambos entraram bem, com boas trocas iniciais. Koscheck conseguiu uma projecção cedo, mas tudo o que conseguiu fazer foi encostar Ellenberger à rede e desferir algumas joelhadas e outras tantas pisadelas no pé, algo que se prolongou quase até ao final da ronda. Na segunda, Koscheck adoptou a mesma táctica, mas desta vez o árbitro separou-os por falta de acção. Imediatamente a seguir, Ellenberger encaixou um gancho de direita, que visivelmente afectou Koscheck. Talvez por isso este tenha tentado, pela terceira vez, uma projecção, que acabou na rede como todas as outras. No entanto, desta vez Ellenberger decidiu surpreender e apanhou o seu adversário numa guilhotina em pé, que rapidamente tentou ir para o chão para se soltar, apenas para acabar num estrangulamento na posição Norte-Sul e, eventualmente, desistir. Ellenberger vence por submissão e deixa Koscheck, com 37 anos e quatro derrotas seguidas, no fim da linha.

Apesar da vitória, Holly Holm (à esquerda) não correspondeu às expectativas e mostrou que ainda tem muito trabalho pela frente se quiser chegar ao topo da divisão Fonte: UFC
Apesar da vitória, Holly Holm (Esq.) não correspondeu às expectativas e mostrou que ainda tem muito trabalho pela frente se quiser chegar ao topo da divisão
Fonte: UFC

A estreia de Holly Holm deu-se na quarta luta da noite, contra uma reconhecidamente dura Raquel Pennington. A expectativa em torno de Holm, antiga campeã mundial de boxe e detentora de vistosos K.O’s em organizações de MMA independentes, era elevada, chegando mesmo a dizer-se que poderia vir a ser uma forte candidata ao título detido por Ronda Rousey. Todos esperavam um knockout rápido e devastador de Holm devido à sua grande habilidade de striking. De facto, Holm mostrou ter bastante qualidade nesse e noutros prismas, mas a ida do combate a decisão do júri deixou fãs e adeptos com um gosto amargo. Holm nunca se mostrou marcadamente superior a Pennington, que, com um recorde de lutas de 5-5 na altura do combate, não estava propriamente na elite da divisão feminina de Bantamweight.

Aliás, foi Pennington quem mais perigo criou e mais perto esteve de vencer no decorrer do combate, ao desferir uma direita que levou Holm ao chão. Infelizmente para Pennington, esta não se conseguiu superiorizar a Holm, que ganhou pontos através de vários strikes bem-sucedidos, nas primeiras duas rondas. A antiga campeã de boxe acabou por ser a vencedora por decisão dividida, mostrando que ainda está a passos largos da qualidade que promete ter.

O último combate da noite prometia ser o duelo de uma vida para ambas as lutadoras. Esta premissa levanta, agora, muitas questões. Ronda venceu a sua teoricamente mais forte adversária até então em apenas 14 segundos, através de uma chave de braço, numa posição improvável. Cat Zingano procurou levar a luta até Ronda, chegando mesmo a conseguir a projecção, mas o trabalho de Ronda no chão provou ser, mais uma vez, letal. Ronda tem agora nove vitórias por chave de braço em 11 lutas profissionais. Todas têm conhecimento desta sua arma, mas todas caem na mesma armadilha.

Ronda Rousey prepara a chave de braço que lhe deu a vitória sob Cat Zingano Fonte: UFC
Ronda Rousey prepara a chave de braço que lhe deu a vitória sobre Cat Zingano
Fonte: UFC

Dana White brincou, há cerca de duas semanas, ao dizer que Ronda teria de começar a lutar contra homens caso dominasse Cat Zingano. E agora, Dana? Por esta altura, que mais há para Ronda? Quem mais? Bethe Correia e “Cyborg” Justino são possibilidades, mas a primeira não mostra ter qualidade evidente necessária para destronar Rousey, e a segunda está noutra companhia e apresenta grandes dificuldades em perder peso até chegar à divisão de Rousey. Miesha Tate tem sido apontada como uma possível candidata por ter sido aquela que mais tempo durou numa luta contra Rousey, sendo a única a levá-la para além da primeira ronda. A aura de invencibilidade de Ronda é tal que se equacionam adversários consoante o tempo que aguentam contra ela no octógono… Por esta altura, Ronda Rousey está no patamar de grandes como Anderson Silva, Jon Jones, Fedor Emelianenko. É uma lenda. É a melhor. É, literalmente, a mulher mais poderosa do mundo.

Resultados do cartaz principal:

Ronda Rousey derrotou Cat Zingano via submissão (chave de braço) na primeira ronda (0:14)
Holly Holm derrotou Raquel Pennington via decisão dividida (29-28, 28-29, 30-27)
Jake Ellenberger derrotou Josh Koscheck via submissão (estrangulamento em posição norte-sul) na segunda ronda (4:20)
Alan Jouban derrotou Rich Walsh via knockout (cotovelada e socos) na primeira ronda (2:19)
Tony Ferguson derrotou Gleison Tibau via submissão (Mata-leão) na primeira ronda (2:37)

Foto de Capa: UFC

O Passado Também Chuta: Jorge Mendonça

o passado tambem chuta

No fim da década de 50 do século passado chegaram a Espanha dois génios de fala portuguesa. Um deles foi o célebre guarda-redes Carlos Gomes e o outro foi um jogador que apareceu no Braga e era natural de Angola (Luanda). Chamava-se Jorge Mendonça. Sendo quase um imberbe, o Deportivo da Corunha incorpora-o para jogar na difícil e guerreira segunda divisão espanhola.

No fim da época, o poderoso Atlético de Madrid contrata-o para deliciar os adeptos no velho Metropolitano. O futebol espanhol era poderosíssimo: contava com o Real Madrid que devorava a Taça da Europa e o Barcelona de Kubala e Luís Suárez não era menos assustador. O poder da Liga Espanhola não diferia muito do poder atual. Hoje, o Atlético de Madrid também está presente no triunvirato dos clubes poderosos da velha Espanha. As estrelas eram tantas ou tão poucas como agora e a Europa tremia tanto como treme hoje.

Jorge Mendonça chega a uma equipa onde brilhavam jogadores como o extremo-esquerdo Collar – grande rival e sombra de Paco Gento –, o central argentino Griffa, o lateral Calleja, ou, mais tarde, o pulmão Abelardo. Os dérbis por excelência jogavam-se em Madrid e entre os grandes da Capital. Jorge Mendonça fez-se rapidamente como o terror da defesa do Real Madrid. Era um avançado com muita figura e estilo; era um virtuoso da bola. Em Portugal, conta-se uma anedota que aconteceu num rife-rafe entre o Benfica e o Braga, nos tempos do grande Eusébio. Alguém ligado ao Benfica falou da excelência do Pantera Negra. Teve imediatamente resposta de Braga: “Grande é o Jorge Mendonça!” E era, e foi e deveria ser uma das grandes figuras referenciadas no futebol português. Antes do Futre, Figo, Rui Costa, Paulo Sousa ou do supersónico Ronaldo existiu um senhor que triunfou em Espanha e na Europa. Acontece que temos, muitas vezes, uma memória vesga.

Mendonça foi uma figura do Atlético de Madrid Fonte: colchonero.com
Mendonça foi uma figura do Atlético de Madrid
Fonte: colchonero.com

Triunfou como triunfam os grandes: ganhou várias Taças de Espanha com o Atlético de Madrid, outra com o Barcelona e triunfou na Europa ao vencer com o Atlético de Madrid a sua primeira Taça das Taças. Maradona triunfou em Itália e na Europa ganhando dois campeonatos italianos e uma Taça da UEFA com o Nápoles. Mendonça, além dos troféus mencionados, foi também campeão da Liga Espanhola com o seu “Atleti”. Outra das suas façanhas inscreve-se dentro da grande rivalidade. O Real Madrid da época levava oito anos sem sair derrotado do seu Estádio. Jogar em Chamartin era sinónimo de derrota. Chegou então o Atlético de Madrid de Jorge Mendonça. O Real Madrid perdeu e um dos fuzileiros que determinou a vitória Atlética chamava-se Jorge Mendonça.

Depois de nove anos a representar o Atlético deu com os ossos no Barcelona. Esteve dois anos e ganhou uma Taça de Espanha. No entanto, talvez por se sentir no fim ou porque se sentia predisposto para outras causas (religiosas), forçou a saída da cidade Condal e aterrou em Maiorca. Na bela ilha do Mediterrâneo, dedicou-se mais à causa de repartir Bíblias do que a jogar. Para seu azar (neste caso divino), enquanto distribuía Bíblias a domicílio tropeçou e caiu pelas escadas. Lesionou-se nos ligamentos. No ano posterior, quando entrou a década dos 70 do século passado, retirou-se do futebol. Foi um grande que em Portugal parece que não existiu.

Foto de Capa: colchonero.com

Estudar e jogar é possível nos Estados Unidos

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A competição universitária de basquetebol da NCAA tem crescido de popularidade em todo o mundo. O canal  ESPN América foi um dos principais  responsáveis pela sua divulgação, até ter deixado de transmitir para a  Europa, por razões económicas. Atualmente, são as plataformas  Livestream que permitem seguir a prova. Outra razão para tal destaque tem a ver com o aumento do número de jogadores de todos os continentes que optam pelo sonho americano.

Na Europa, a grande maioria  dos jovens talentos não consegue garantir contratos significativos porque as  equipas perderam os sponsors e têm muito menos financiamento. Sem futuro, a melhor oportunidade para progredirem  é na NCAA, onde conseguem não só garantir educação gratuita, como continuam a fazer o que mais gostam  que é jogar basquetebol.

Segundo Hawkins, autor do livro  “The New Plantation: Black Athletes, College Sports, and Predominantly”, os jovens atletas estrangeiros trazem para a competição norte americana uma nova mentalidade:

Eles trazem  ética ao trabalho. Não foram contagiados pelo sistema da American Athletic Union (AAU ), ficam  gratos pela educação adquirida e por terem oportunidade de  jogar basquetebol. Os atletas estrangeiros entendem o valor e a importância da  educação. Têm um nível de maturidade que não vejo nos nossos atletas“.

Em todas as Conferências tem aumentado o número de atletas estrangeiros, muitos deles internacionais. Quando o conceituado técnico John Calipari chegou a Kentucky (2009-2010), na Southeastern Conference (SEC), apenas 6  universidades tinham atletas estrangeiros, num total de 10 internacionais. Em 2013-2014, a realidade era outra e 12 das 14 equipas já tinham estrangeiros totalizando 27 internacionais. Atualmente, dezoito países diferentes estão representados na SEC, mais da metade são da  Europa. Há também jogadores das Bahamas, Venezuela e Austrália.

Não é de estranhar que alguns desses jovens com mais talento apareçam com regularidade no draft da NBA. Na lista de  2013, cinco jogadores estrangeiros que jogaram basquetebol universitário foram escolhidos na primeira ronda.

Europa ensina melhor

1 março
O jovem Kobe Bryant

“Acho  que os jogadores europeus são mais habilidosos“, disse Bryant à ESPN. “Na Europa ensinam bem o jogo aos jovens que são mais habilidosos. É algo que nós  americanos realmente temos de corrigir. Para isso, temos de nos livrar da cultura da AAU, que é gananciosa e horrívelÉ estúpido, mas é verdade, os nossos jovens são só grandes e pouco sabem fazer. Não conhecem os fundamentos do jogo“, disse ele.

Os jovens devem aprender a jogar em todas as posições, vejam como jogam os irmãos Gasol. Porque razão é que 90 por cento do plantel dos Spurs é constituído por jogadores europeus ?”.

Bryant, que cresceu na Itália, nunca jogou nas Competições da AAU. Provavelmente, se o tivesse feito seria outro jogador .

Eu, provavelmente, não seria capaz de driblar e lançar com a esquerda e de ter  bom jogo de pernas”, disse Bryant.”

As Associações Americanas

O  basquetebol Universitário está dividido em três associações nacionais : NCAA, NAIA e NJCAA. A NCAA não é só Duke, North Carolina ou  Kentucky , onde os nossos atletas não têm lugar. Há centenas de escolas onde podem jogar

O número de bolsas de estudo é limitado e depende da Divisão a que pertence a escola. Assim:

 Competição Numero equipas Bolsas Masculinas por Universidade
NCAA D1 348 13
NCAA D2 302 10
NCAA D3 425 0
NAIA D1 116 11
NAIA D2 123 6
NJCAA 435 15

 

Na NCAA, teoricamente, os  jogadores são estudantes e amadores, mas a realidade é bem diversa e os escândalos são uma constante.

O debate relativamente ao pagamento aos atletas está novamente lançado e a divergência é grande entre os que  defendem que só devem alinhar atletas estudantes amadores e os quem aceitam que a prova se transforme numa liga menor com pagamentos aos jogadores. Claro que quem tem sucesso segue para a NBA ou para a Europa. O pior são os outros: a maioria fica sem opções , sem educação e sem emprego.

Não seguiram os pioneiros

No passado recente, João Santos (Nevada Reno  NCAA D1) em 2001, Seco Camara (George Washington NCAA D1) em 1999, Carlos Andrade (Queens NCAA D2) em 2003 e João Paulo Coelho (Miami  NCAA D1) em 2003, foram os pioneiros e mostraram  aos jogadores nacionais que existia, cruzando o oceano , um mundo novo chamado NCAA .

2 março
Pena foi que tivéssemos nessa altura perdido a oportunidade de enviar também o gigante Armando Mota (2.10m) que certamente teria feito uma carreira bem diferente no basquetebol nacional

As  anteriores experiências foram bem sucedidas  e seria  suposto que, depois destes atletas terem aberto o caminho, outros fizessem a sua formação académica e desportiva na gigantesca competição norte-americana. Infelizmente, tal não se sucedeu. Os nossos jovens talentos optaram por ficar em casa: uns no CAR, outros a disputarem um campeonato sem o mínimo de interesse de Sub-20 e alguns a jogarem alguns minutos nas divisões seniores  inferiores .

Não se entende a opção, já que todos  sabemos que entre nós, é muito complicado estudar numa Universidade e participar  num  desporto de elite mais ou menos profissional .

Por outro lado, ao  contrário dos nossos vizinhos espanhóis nunca conseguimos criar competições secundárias de qualidade. As agora denominadas Ligas de Ouro e Ligas de Prata permitiram aos espanhóis mais jovens competirem de forma ativa .

Em Portugal, as  competições criadas primam pelo amadorismo o que traz  consequências nefastas para a modalidade.Continuamos com o escalão de Sub-20 que não faz qualquer sentido. O  nível formativo nos clubes é baixo e os resultados dos CARs não são visíveis . Não conseguimos formar jogadores de elite . Na atualidade os melhores continuam a ser os “trintões”  (João Santos, Marçal, Minhava e companhia).

Nesta  altura de crise, aparece como uma  boa alternativa para os nossos atletas: a NCAA, uma prova que respeita e consegue a compatibilidade entre os estudos e o desporto.

O pior que pode acontecer a um jogador que passe pelo basquetebol universitário é que  fique durante quatro anos e, mesmo que não tenha sucesso no basquetebol, consiga acabar uma carreira universitária e tenha um diploma que lhe possibilite entrar no mercado de trabalho

Na atualidade, a realidade nacional no setor masculino continua bastante conservadora, ao contrário do setor feminino onde se assiste a uma fuga maciça de talentos .

Quanto a atletas nacionais a jogarem presentemente nos Estados Unidos, conseguimos localizar os seguintes:

Daniel Relvão Mountain Mission High School
Ruben Silva South Dakota State NCAA D1
Óscar Pedroso Chaminade NCAA D2
Cândido Sá San Jacinto College Central NJCAA
Luís Câmara 22FT Academy Prep School
Gonçalo Stringfellow Northwood University (FL) Junior Varsity Team/NAIA
Tiago  Mascarenhas IMG Academy High School

 

O facto dos nossos escalões de formação  não conseguirem bons resultados nas competições da FIBA e, obviamente,  não  disputarem a Divisão A de nenhum Campeonato Europeu, é demonstrativo do nível do basquetebol masculino e também impede que os “scourters“ das Universidades avaliem os atletas.

Gigante de Coimbra vive sonho americano

3 março
Daniel Relvão, a maior esperança do basquetebol nacional, atua nos EUA

O jovem  gigante Daniel Relvão, 2.08 m , a atuar  na  Mountain Mission,  High School, nos EUA , é o atleta em que se deposita maior esperança no basquetebol nacional. Com pouco tempo de prática – 2 anos apenas – o jovem de Coimbra, que anteriormente praticava natação, tem tido uma evolução acelerada e é hoje figura de destaque na competição escolar local .

Internacional Sub 18 , Divisão B, o extremo-poste alinhou no  passado Verão em representação de Portugal em todos os nove encontros com médias de 8.2 pontos,  5.2 ressaltos e 3 desarmes de lançamento.

O jovem está referenciado no  High School , ocupando o lugar 385 no ranking do site 247 Sports , com direito a duas estrelas.

4 março

A posição é modesta mas já lhe garantiu uma bolsa de estudo para a época de 2015-16, em Valparaíso. É o primeiro atleta de Mountaineers Mission a receber  tal distinção da 1 Divisão  da NCAA.

As opiniões dos Scouters e o filme não enganam :

Relvão tem  um bom lançamento e domina alguns dos fundamentos do jogo, mas necessita de ser mais agressivo, o que acontecerá quando ficar mais familiarizado com o seu corpo e quando ganhar mais experiência. Vai ter de  trabalhar muito para melhorar a  compreensão do jogo e a tomada de decisões. Na defesa é preguiçoso e toma opções erradas. Ganha bem posições interiores mas tem de melhorar o jogo a poste baixo. Com apenas uma época nos Estados Unidos tem feito grandes progressos. Tem boa mobilidade e sabe jogar com as duas mãos.

Parece bem encaminhada a aventura americana deste jovem português, que começa claramente a justificar o convite para ingressar nas competições escolares, feito pelos responsáveis da NBA, aquando da realização em Almada, no passado verão, do “Basketball Without Borders” e a merecer a atenção do selecionador nacional.

FC Porto 3-0 Sporting: Santa Aliança perfeita

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Depois de um jogo destes – em que é por demais evidente o destaque de Cristian Tello, que fez os três golos -, o mais fácil seria dar todos os louvores da vitória portista ao extremo espanhol. Contudo, e como tive o prazer de assistir ao clássico desta noite em pleno Estádio do Dragão, permita-me, caro leitor, que destaque uma exibição que para mim foi maior do que todas as outras – falo de Jackson Martinez. As assistências para os dois primeiros golos portistas poderiam ser motivo suficiente para este destaque ao avançado colombiano; mas, mais do que esses dois momentos, a exibição de Jackson teve diversos momentos de luxo que nos fazem perceber o porquê de ser atualmente um dos melhores avançados do futebol europeu.

Mas vamos por partes: o jogo desta noite era completamente determinante para FC Porto e Sporting. Por um lado, tínhamos uma equipa portista que havia visto, na véspera, o Benfica “despachar” o Estoril Praia com um cabaz dos antigas. Por essa razão, e para manter intactas as esperanças em ainda chegar ao título, a vitória era o único resultado possível para a equipa de Lopetegui. Do lado leonino – e depois de uma eliminação precoce da Liga Europa, frente ao Wolfsburgo -, o jogo desta noite podia funcionar como um verdadeiro catalisador para que a época sportinguista tivesse ainda motivos para sorrir esta época. Por isso, não foi de estranhar, ao contrário do que já se viu noutros clássicos esta temporada, a postura ofensiva de ambas as equipas. A primeira meia hora da partida foi um verdadeiro “jogo de sombras” no meio campo, com o Sporting a levar a melhor nos primeiros duelos nessa zona do terreno. Durante os primeiros 30 minutos, William, Adrien Silva e João Mário foram conseguindo superiorizar-se ao trio portista composto por Casemiro, Herrera e Evandro, que tiveram inúmeras dificuldades para construir jogo ofensivo.

Nesse primeiro terço da partida, apenas dois remates perigosos de Jackson e Herrera foram as exceções ao duelo tático que FC Porto e Sporting protagonizam. Contudo, e como acontece frequentemente em clássicos, um momento de génio fez pender de forma decisiva os pratos da balança. Com uma disputa de bola ganha por Herrera no meio campo, um domínio de peito e um passe de calcanhar de Jackson Martinez que permitiu isolar Cristian Tello, o FC Porto conseguiu chegar à vantagem no marcador. O golo do extremo espanhol acabou por alterar de forma decisiva a partida, levando a que o jogo se tenha tornado mais intenso e agitado. A vantagem no marcador fez o FC Porto crescer na partida até ao final do primeiro tempo – aproximando-se diversas vezes com perigo da baliza de Rui Patrício -, sendo que o Sporting acabou por acusar bastante o golo sofrido, nunca conseguindo reagir à desvantagem.

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Uma noite para Tello jamais esquecer
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

A segunda parte começou como havia terminado a primeira: com o FC Porto completamente por cima do Sporting. A equipa de Marco Silva entrou completamente irreconhecível, com os setores muito afastados entre si e com o trio ofensivo sem bola e sem ideias para criar perigo junto da baliza de Fabiano Freitas. Ao contrário do que havia acontecido no primeiro tempo, em que a equipa de Lopetegui havia entrado apática, o segundo tempo portista foi de uma classe como há já algum tempo não se via no Estádio do Dragão. Por isso, não foi de estranhar o acumular de situações perigosas junto da baliza de Rui Patrício, que acabou por ser o menor culpado do completo desacerto defensivo da equipa leonina.

O segundo golo portista acabou por surgir com toda a naturalidade e com um desenho em tudo semelhante ao do primeiro tento azul e branco. Após ter feito o passe que isolou o extremo espanhol no lance do primeiro golo, a aliança Jackson/Tello voltou a funcionar de forma perfeita, com o colombiano a fazer um passe que rasgou a defesa leonina e que permitiu a Tello voltar a encarar Rui Patrício. Tal como havia acontecido no primeiro tempo, o espanhol ganhou o duelo ao português e o FC Porto dava assim a estocada decisiva no clássico.

O 2-0 foi um duro golpe para o Sporting, até porque, quando o golo surgiu, Marco Silva preparava-se para lançar Slimani e Capel no jogo. As substituições mantiveram-se mas o objetivo que se pretendia com as mesmas não foi conseguido. Do lado portista, a entrada de Quaresma para o lugar de Brahimi deu estabilidade ao jogo ofensivo dos dragões, que nunca mais deixaram de controlar a partida a seu bel-prazer. Com a gestão do resultado, o FC Porto foi conseguindo estar cada vez mais à vontade no clássico. Com Herrera e Evandro a secarem completamente o meio campo sportinguista e com Jackson Martinez a banalizar os centrais sportinguistas, a última meia hora portista teve rasgos de génio que, somente por mera infelicidade e eficácia, não levaram a um resultado completamente histórico esta noite.

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O Dragão engalanou-se para assistir um clássico português
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Ainda assim, no meio do domínio portista, ainda houve tempo para que Tello escrevesse o seu terceiro capítulo dourado neste jogo. Desta vez, o passe não foi de Jackson, mas sim de Herrera. Contudo, o resultado foi o mesmo: Tello isolado perante um desemparado Patrício que se limitou a ir buscar a bola pela terceira vez ao fundo das suas redes.

Numa noite em que Tello e Jackson foram as figuras maiores do clássico, o FC Porto conseguiu um resultado importantíssimo para a sua luta pelo título. Faltam 11 batalhas e só com a atitude desta noite será possível sonhar até ao último minuto deste campeonato. O futuro não será fácil mas, pelo que se viu neste clássico, penso que é óbvio que os adeptos portistas saíram do Dragão com confiança reforçada no futuro desta equipa. Uma equipa que tem crescido de forma sustentada e que se apresenta na fase decisiva da época no seu melhor momento. Agora, resta continuar a mostrar isso em campo. Só assim poderemos sonhar.

 

A Figura
Jackson/Tello – A santa aliança entre colombiano e espanhol decidiu o clássico. Relativamente ao avançado colombiano, a assistência para o primeiro golo portista é um momento de génio só possível pela capacidade enorme de Jackson e que ilustra bem o momento que o ponta de lança portista vive. Para Tello, este clássico foi um verdadeiro jogo de sonho, com o hat-trick a Rui Patrício a ser decisivo para a vitória portista.

O Fora-de-Jogo
Montero – A nacionalidade até é a mesma de Jackson Martinez, mas a exibição de Montero foi uma completa nulidade comparativamente à do seu adversário de setor. O avançado leonino nunca conseguiu criar perigo para a defesa contrária e não foi de estranhar ter sido substituído por Slimani. Exibição medíocre do colombiano.

Foto de capa: Página de Facebook de Tello

FC Porto 3-0 Sporting: Quando se deixa a ideia de jogo, deixa-se tudo

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O Sporting de Marco Silva ainda não tinha perdido qualquer clássico. Empatou por duas vezes com o Benfica, sendo que numa merecia claramente a vitória, também empatou em Alvalade com o Porto e ganhou no Dragão, a contar para a Taça de Portugal. Hoje perdeu e muitíssimo bem. Por um lado, porque o Porto é hoje melhor equipa do que era quando defrontou os leões nas duas vezes anteriores, mas sobretudo porque o Sporting se descaracterizou em relação àquilo que havia sido até aqui. Uma comparação feita com o encontro a contar para a Taça é perfeitamente elucidativa.

Nesse jogo, a equipa leonina apresentou-se pressionante como foi sempre, principalmente na primeira volta. Hoje, esperou pelo erro, que nos primeiros 10/15 minutos até apareceu algumas vezes. Foi, aliás, a única altura em que o Sporting pareceu melhor do que o seu rival. Mas sempre mais por demérito da equipa da casa do que por mérito do visitante. Ao não pressionar alto, o Sporting deixa de explorar a maior fragilidade do Porto: a (in)capacidade de sair desde trás, devido à falta de qualidade para tal dos seus centrais e do seu trinco (Casemiro). Lopetegui terá agradecido. Seria curioso entender se Marco Silva assim optou devido ao maior desgaste do jogo de quinta-feira ou se por entender realmente que este seria o melhor caminho.

A partir do ponto em que o Sporting abdica da pressão sujeita-se automaticamente a passar a maior parte do tempo sem bola porque o Porto é um conjunto que privilegia a posse e, se não for forçado a isso, não divide o controlo do jogo com o seu adversário. Aí, ao ter pouca bola, a equipa de Marco Silva joga o único jogo que faz com que a defesa do Porto pareça muito boa. A linha defensiva de Lopetegui não cometeu erros porque não defendeu muito. Mais uma vez, o Sporting optou mal na abordagem ao jogo. E esta opção é ainda mais grave porque vai contra o que a equipa tem sido ao longo do ano. Montero, por exemplo, é menos um num jogo em que a equipa tem pouca bola. O colombiano é um belíssimo jogador mas só num contexto de ataque continuado em que a sua participação seja solicitada o mais possível. Assim, zero.

Pelo contrário, o Porto teve o mérito de saber pressionar, reagir bem à perda e manter a sua ideia de jogo durante os 90′, seja qual fosse a situação do jogo. Aqui, o maior problema ofensivo da equipa: estancando William com uma marcação mais próxima, Adrien é perfeitamente incapaz de se mostrar como uma opção para a saída desde trás. O médio luso-francês faz, aliás, uma das piores exibições individuais de que há memória nesta época. Na primeira parte, faz uma acção individual com sucesso. Em todas as outras esteve mal. To-das. E se no primeiro tempo Tobias Figueiredo foi mostrando personalidade de central de equipa grande, ao sair a jogar várias vezes com qualidade quando pressionado, no segundo, com o nervosismo de alguns erros, essa saída tornou-se inviável e mais nenhuma apareceu. Não deixa de ser revelador que um central de 20 anos seja o principal responsável pela primeira saída de jogo de uma equipa como o Sporting no Estádio do Dragão. A propósito, sobre esta insistência do jovem central a sair a jogar sem procurar o despejo da bola longa sem critério, um vídeo de Thierry Henry e Carragher a discutir este mesmo assunto, mas com outro interveniente. Para mim, Tobias tem o primeiro requisito para ser central de equipa grande. Pensa como tal.

De resto, o Porto fez o Sporting sofrer naquele que continua a ser o seu ponto mais fraco – o controlo da profundidade. Já há uns tempos escrevi sobre isso. O que mudou entre Novembro e o dia de hoje foi que a equipa deixou de defender tão alto e passou a haver menos profundidade para cobrir. Mas quando há continua a cobrir-se muito mal. Lopetegui, talvez consciente disso mesmo, fez Jackson recuar mais do que o normal e atraiu assim a defesa leonina para terrenos mais altos, que depois proporcionassem à velocidade e verticalidade de Tello o espaço necessário para marcar. Se era essa a ideia, e parece-me que sim, resultou em cheio.

O treinador espanhol mantém-se assim na luta pelo título e ao Sporting restará apenas segurar o 3º lugar e procurar vencer a Taça de Portugal.

A Figura

Jackson Martínez – Bem sei que Tello faz três golos, mas Jackson é quem desbloqueia todo o encontro. Fantástico como consegue ser um ponta-de-lança fixo e um avançado móvel assim necessite o contexto. A primeira assistência é magistral e a segunda não deixa de ser muito boa. Hoje, o melhor jogador a actuar em Portugal.

O Fora de Jogo 

Estratégia de Marco Silva – O Sporting, em Guimarães, já tinha passado um dia muito mau. Acontece a todas as equipas. Mas hoje, pela primeira vez, esqueceu aquilo que tem sido o seu fio condutor e o modelo por que se tem regido. E quando assim é… não sobra nada.

Foto de Capa: FPF

Recordar é Viver: FC Porto vs Sporting

recordar é viver

Hoje é dia de FC Porto vs Sporting, um dos grandes clássicos do futebol português. A partida de mais logo à noite terá sempre importância nas contas do título, ainda para mais quando já nos encontramos numa fase adiantada da prova. Sendo assim, e porque já houve muitos outros desafios entre estas duas formações em alturas decisivas dos campeonatos, optei por seleccionar dois clássicos que fizeram mossa em termos classificativos, com o relançamento da luta pelo título ou atraso na luta pelo mesmo.

1993/94: FC Porto 2-0 Sporting – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo 

27.ª ronda, Primavera de 1994, Campeonato Nacional completamente ao rubro. Benfica e Sporting lutavam palmo a palmo pela liderança, com o FC Porto praticamente fora da luta pelo título. Na jornada anterior o Benfica havia perdido frente ao Salgueiros, o que possibilitou a colagem do Sporting em termos pontuais, depois de uma soberba exibição defronte do Boavista e que culminou com uma vitória por 3-1.

Mas este clássico nas Antas era muito especial, tinha tudo para ser explosivo (como veio a ser): Bobby Robson, incompreensivelmente despedido por Sousa Cintra em Dezembro de 93, depois de uma goleada sofrida em Salzburgo, orientava agora o FC Porto, que também havia prescindido dos serviços de Tomislav Ivic a abrir o ano civil. Portanto, era notório todo um clima de desforra por parte dos dragões em defesa do seu técnico, bastante carismático. Já os leões, orientados por Carlos Queiroz, viam nesta temporada a hipótese soberana de recuperarem um título nacional que já lhes fugia desde 1982. E para isso muito contava a excelência do plantel do conjunto de Alvalade, que contava nas suas fileiras de jogadores jogadores como Valcx, Paulo Sousa, Figo, Balakov, Capucho, Pacheco, Juskowiak, Iordanov, entre outros.

Este clássico foi mesmo uma bomba-relógio. O Sporting, com maiores obrigações na altura, não resistiu à pressão, e mesmo com o apoio de milhares de adeptos em pleno Estádio das Antas viria a sair derrotado por 2-0. Mas em abono da verdade também há que dizer que o árbitro Carlos Valente foi tudo menos competente neste desafio. Numa partida marcada por imensos casos e por várias agressões de parte a parte, acabou por expulsar 3 jogadores do Sporting (sim, o Sporting acabou a jogar com 8!), de seu nome Juskowiak, Vujacic e Peixe. Mesmo sem criar muitas oportunidades a equipa da casa viria a triunfar com dois golos no segundo tempo, obtidos por Drulovic e por Vinha, respectivamente. E depois, bem…depois muitos já sabem aquilo que aconteceu. Naquele que foi um dos campeonatos mais famosos de sempre, o Benfica acabaria por praticamente definir a história da prova no celebérrimo 3-6 de Alvalade. E ironia das ironias, Bobby Robson conduziria o seu FC Porto a um 2º lugar na tabela, ultrapassando um Sporting que terminaria a época em perfeita agonia.

2006/07: FC Porto 0-1 Sporting – Primeira Liga Portuguesa

Resumo do Jogo

17 de Março de 2007, noite de sábado, Estádio do Dragão, 22.º jornada. O FC Porto de Jesualdo Ferreira era líder do campeonato, mas tinha à perna um Benfica de Fernando Santos que atravessava o melhor período da temporada, isto em vésperas de um sensacional Benfica vs FC Porto na Luz, em jogo decisivo para as contas do título. Já o Sporting, embora ainda lutando pelo primeiro lugar, entrava para este desafio como que desacreditado e com poucas hipóteses de lograr uma vitória, até por aquilo que ia sendo veiculado na comunicação social. Porém, a verdade é que os leões venceriam a partida por um golo de diferença, no jogo que marcou o início de um fantástico final de temporada por parte do conjunto orientado por um jovem Paulo Bento, e que culminaria com um segundo lugar final a apenas um ponto da formação azul-e-branca e com a conquista da Taça de Portugal.

Em relação ao jogo, muito equilíbrio, oportunidades de golo para ambas as equipas, grande personalidade do Sporting. De facto, não era expectável que tal acontecesse, fruto de um início de 2.ª volta titubeante por parte da equipa lisboeta. Mas com um grande sentido colectivo aliado à irreverência dos então jovens João Moutinho, Miguel Veloso e Nani, o Sporting triunfaria mesmo com o golo a ser obtido através de um remate soberbo de Rodrigo Tello, na transformação de um livre directo. Bola ao ângulo, Helton completamente batido, enorme alegria nas hostes sportinguistas. Como sempre, o futebol a mostrar o porquê de ser um desporto fantástico: a equipa que estava na mó de baixo a fazer uma gracinha e a relançar ainda mais o campeonato.

De referir que esta foi a última vitória do Sporting, em jogos a contar para a liga, no Estádio do Dragão. Portanto, já lá vão uns duradouros 8 anos. Veremos se o jejum se manterá ou se a malapata será quebrada.

P.S. : Atentem no resumo do clássico de 1993/1994, por volta dos 10 segundos do vídeo. A coreografia das claques sportinguistas, uma equipa de cada vez a entrar em campo. Complicado um adepto de futebol não se arrepiar ao ver/relembrar como era o ambiente nos estádios portuguesas naquela altura.

 Foto de Capa: Contra-Ataque

Jogadores Que Admiro #32 – Krassimir Balakov

jogadoresqueadmiro

Não seria justo dizer que o Krassimir Balakov foi o meu primeiro ídolo no Sporting, uma vez que esse espaço foi preenchido pelo Fernando Gomes, que, apesar de ser um símbolo vivo do FC Porto, soube, com grande profissionalismo, finalizar a sua carreira em Alvalade com grandes exibições e muitos golos, ficando naturalmente na retina a sua contribuição decisiva para a fantástica campanha leonina na Taça UEFA 1990/91, apenas travada nas meias-finais, diante do então super-poderoso Inter de Milão de Zenga, Brehme, Bergomi, Matthäus ou Klinsmann.

Essa eliminatória, aliás, pareceu quebrar um ciclo para mim, porque ao mesmo tempo que Fernando Gomes entrava nos meses finais da sua carreira (retirar-se-ia poucos meses depois), começava a despontar em Alvalade o internacional búlgaro que o Sporting havia recrutado a meio dessa temporada de 1990/91 ao Etar Tarnovo, o mágico Krassimir Balakov.

É certo que, nos tempos que correm, a palavra “mágico” é usada de forma excessiva para classificar alguns jogadores que, apesar de talentosos, certamente não mereciam essa distinção. Mas esse, na verdade, jamais foi o caso do “Bala”, jogador que, durante os anos em que envergou a camisola verde-e-branca, foi sucessivamente o melhor jogador do Sporting e isso num período onde nomes como Stan Valckx, Paulo Sousa ou Figo passaram por Alvalade.

Dos melhores que já passaram por Alvalade Fonte: Facebook Oficial de Balakov
Dos melhores que já passaram por Alvalade
Fonte: Facebook Oficial de Balakov

Ao todo, em quatro épocas e meia em Lisboa, entre Dezembro de 1990 e Junho de 1995, Krassimir Balakov somou 156 jogos e 60 golos pelo Sporting, sendo que estas seis dezenas de tentos não podem ser apenas avaliadas pelo aspecto quantitativo, mas, também, pelo qualitativo. Afinal, quase todos os tentos do internacional búlgaro eram dotados de nota artística, ou não tivesse ele um pé esquerdo capaz de colocar a bola onde queria e de onde queria.

As bolas paradas, então, eram a sua especialidade, sendo que um livre directo à entrada da área levava quase sempre o público de Alvalade à expectativa de um golo iminente. E se esse livre fosse descaído para o lado direito e à medida da canhota do “Bala”, dificilmente se enganariam.

Ainda assim, é óbvio que o estatuto de lenda que certamente Krassimir Balakov sempre conservará entre os sportinguistas está longe de se dever apenas ao dom que o búlgaro tinha para as bolas paradas. Este, afinal, transpirava classe em todos os seus movimentos, jogando como um “dez” puro, daqueles que o futebol moderno tenta “assassinar” mas que, de quando em vez, ainda vão aparecendo por aqui e por ali (confio muito em ti, Bernardo Silva).

Falamos de um jogador com uma superior visão de jogo e uma condução de bola soberba, quase “maradonesca”, que tantas vezes redundou em jogadas fantásticas e golos de antologia, como um, no Bonfim, em que fintou meia equipa do Vitória de Setúbal (guarda-redes incluído), para depois atirar para a baliza deserta. Depois, graças ao seu pé esquerdo fabuloso, era igualmente um mestre do drible e de fantásticos passes de curta, média e longa distância.

Infelizmente nunca atingiu o patamar de reconhecimento que merecia, muito por culpa da opção de carreira que tomou quando abandonou o Sporting, aos 29 anos, e transferiu-se para o Estugarda, emblema com algum peso no futebol alemão, mas curto para o talento de um jogador que certamente merecia palco mais grandioso para o epílogo da sua carreira.

Certo é que, no Sporting, em 32 anos de vida, jamais vi melhor com a verde-e-branca vestida.

Foto de capa: Facebook Oficial de Balakov

Benfica 6-0 Estoril: O aniversariante é que ofereceu um presente

Terceiro Anel

No dia em que completa o seu 111.º aniversário, a equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica decidiu presentear os seus adeptos com uma exibição de altíssimo nível, mormente na primeira parte, que acabou por dizimar um Estoril irreconhecível e que viu assim ainda mais aumentada a sua crise, sofrendo a quinta derrota consecutiva.

Numa partida marcada pelo regresso de Nico Gaitán, o mago do campeão nacional, os comandados de Jorge Jesus tinham a noção de que um triunfo frente aos canarinhos seria importantíssimo, em virtude do FC Porto vs Sporting de amanhã. Frente a um Estoril que se viu privado de Yohan Tavares e de Rúben Ferreira, habituais titulares no eixo defensivo da formação de José Couceiro, as águias desde logo mostraram que fariam desta partida um autêntico passeio. Com um futebol total, condimentado com inúmeras jogadas de classe, o Benfica ia fazendo a cabeça em água aos jogadores estorilistas. Foi o regresso do estilo “rolo compressor” das equipas orientadas por Jorge Jesus, para gáudio dos 46 mil espectadores presentes no Estádio da Luz, que proporcionaram um grande ambiente no estádio. Logo aos 11 minutos Jonas enviou uma bola ao ferro da baliza de Kieszek, após uma excelente jogada colectiva dos encarnados.

Esse foi claramente o prenúncio daquilo que viria a seguir. Sem tirar o pé do acelerador, o futebol da equipa da casa era irresistível. E depois…o massacre total: 17 minutos de jogo, golo de Luisão fruto de um potente e colocado cabeceamento; 26 minutos, golo de Salvio depois de um excelente passe de Lima; 33 minutos, excelente golo de Pizzi após um remate colocado; 35 minutos, jogada simplesmente sensacional com conclusão de Jonas, já depois de Gaitán e Maxi Pereira darem um festival de futebol envolvente em plena grande área do Estoril. O Benfica ia para os balneários a vencer por 4-0, mas acima com a consciência de ter rubricado uma primeira parte de excelência.

Em 11 jogos na Luz para o campeonato…10 vitórias para o Benfica Fonte: facebook do Sport Lisboa e Benfica
Em 11 jogos na Luz para o campeonato…10 vitórias para o Benfica
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Na etapa complementar, o previsível. A equipa da Luz surgiu menos explosiva, a preferir trocas de bola com segurança, a gerir o jogo com a maior tranquilidade possível. Já o Estoril surgiu no segundo tempo com uma maior vontade de diminuir o tremendo desequilíbrio, mas nem por isso deu para atenuar as evidentes e graves fragilidade do conjunto da Linha. E a situação ainda piorou mais para o Estoril quando o Benfica obteve o quinto golo, por volta dos 56 minutos, na marcação de uma grande penalidade bem executada por Lima. Contudo, e num jogo tão calmo, houve lugar para uma expulsão: Anderson Esiti foi admoestado com um segundo cartão amarelo aos 69 minutos, por cortar um lance de ataque do Benfica com a mão, embora se pedisse maior bom senso a João Capela, árbitro do desafio, que mesmo num jogo completamente decidido optou por contribuir para que o calvário do Estoril ainda se tornasse maior.

Até ao final da contenda, nada de extraordinário. O Benfica sentia-se como peixe na água no jogo, o público benfiquista não parava de cantar, mais uma etapa rumo ao tão desejado bicampeonato estava prestes a ser ultrapassada. Porém, ainda houve tempo para mais um golo, o segundo da conta pessoa de Jonas, que se limitou a encostar para a baliza depois de uma defesa de Kieszek a remate de Ola John.

Resultado final, um esclarecedor 6-0 que vinca bem a enorme superioridade dos pupilos de Jorge Jesus. De facto, que sábado para o campeão nacional, em dia de aniversário. Foi o clube aniversariante que decidiu vestir o fato de gala e assim presentear a sua massa adepta com aquela que foi, muito provavelmente, a melhor exibição da temporada. E que tónico vencer assim quando se entra na recta final do campeonato. Quanto ao Estoril, José Couceiro tem a vida muito dificultada. Não que pareça que a permanência do Estoril esteja em perigo no escalão maior do futebol português, mas depois de duas épocas soberbas…é estranho ver um Estoril tão banal e frágil como aquele que se tem visto.

A Figura:

Primeira parte do Benfica – Na primeira metade do desafio o Benfica foi demolidor, soberbo, irresistível. Com o melhor futebol de que há memória neste campeonato, o campeão nacional não deu a mínima hipótese. A jogada do quarto golo é qualquer coisa de memorável.

O Fora-de-jogo:

Falta de bom senso de João Capela – Quando o marcador marca 5-0 para o Benfica, quando o jogo é na Luz, quando o Estoril está moribundo, manda a lucidez que não se expulse um jogador por algo que não seja grave. Anderson Esiti acabou expulso numa situação em que se justificava uma maior percepção do jogo por parte do árbitro lisboeta.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Arbitragens e os pontos nos i’s

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

A probabilidade do erro

As arbitragens são o tema deste texto. É bom avisar porque assim podem preparar-se para a revolta, para a indignação e para os aborrecimentos que o mesmo possa causar. É, tem que ser, é preciso falar das arbitragens, dado que temos assistido a demasiados erros e não distribuídos de forma minimamente equitativa.

Se pensarmos nos erros de arbitragem como um acontecimento de uma experiência aleatória, em que a probabilidade de beneficiar uma equipa ou outra é de 50% (já que as duas partem em pé de igualdade), então, com o repetir da experiência, a tendência é que, ao fim de muito tempo, o erro de arbitragem se divida para todas as equipas num número aproximado de prejuízo e benefício. Esta estatística “manhosa”, no entanto, não pode ser completamente aplicada ao futebol pois há diversos factores que influenciam a probabilidade de um árbitro errar mais em beneficio de uma equipa do que de outra:

– A equipa que ataca mais está mais próxima da área e, portanto, mais susceptível à dúvida do penalty;

– A equipa da casa conta com mais apoio e, por isso, é também maior a pressão sobre o juiz do jogo com o objectivo de esta ser favorecida;

– O ambiente que se vive no futebol, designadamente a pressão dos adeptos e a “política” de alguma comunicação social;

– O estatuto que cada equipa detém.

Entre outros, estes factores são as condicionantes a que um árbitro está sujeito na sua carreira, sendo que, em função da sua maior ou menor competência, se deixará (ou não) influenciar por tais circunstâncias, e, portanto, os seus erros (menos erros são sinónimo de mais competência, claro) irão cair, de forma natural e aleatória, para uma e outra equipa.

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O FC Porto tem-se deparado com vários obstáculos nesta época
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

As arbitragens desta época

Esta época as arbitragens têm sido particularmente favoráveis ao Benfica. Não entrando em suposições nem em esquemas maquiavélicos, penso que os factores enumerados acima têm um grande peso para que isso aconteça. Não é fácil arbitrar uma equipa que tem mais adeptos do que qualquer outra nem que apresenta uma comunicação social geralmente simpática – o que permite que passe incólume (ou então com pouca referência) grande parte destes erros.

Quando o Porto ganhou vários campeonatos seguidos, foi vítima de perseguição pela imprensa e por outros clubes, em especial pelo Benfica – designadamente com as constantes referências à verdade desportiva, especialmente vindas do paladino da transparência Luís Filipe Vieira, por forma a desviar a atenção dos resultados menos conseguidos. Neste momento, nada acontece; é um passeio para o Benfica, não há realmente consequências a nível de imagem para o clube das Luz – simplesmente ganha. Ganha porque sim, e não por causa dos penalties, dos jogadores emprestados (e até vendidos a outros clubes) que não jogam, dos foras-de-jogo, dos livres… ganha! É o único clube em Portugal que se dá ao luxo de ganhar menos bem e de bradar, de “peito feito”, que ganhou muito bem.

Este ano já assistimos a muitos lances duvidosos. Para não ser demasiado exaustivo, a título de exemplo, posso lembrar-me do Boavista-Benfica (golo mal anulado aos axadrezados), do Nacional-Benfica (golo mal anulado ao Nacional), do Benfica-Gil Vicente (vitória por 1-0 com um golo de Gaitán precedido de fora de jogo), ou do Moreirense-Benfica (canto que dá o golo do empate é inexistente, sendo originado por uma simulação de Salvio). Mas há mais; ficam apenas alguns. Aliás, se for preciso, mais tarde, farei referência a outros. São lances que decidem jogos mas que, como envolvem as águias, passam incólumes ou com um simples “errar é humano”.

A eterna desculpa da arbitragem

Um clube que perde não pode estar bem. Tem que fazer mais, tem que descobrir onde errou e tentar emendar os seus erros. Desde o processo Apito Dourado – que culminou com a retirada de 6 pontos ao Porto –, rapidamente se encontrou o porquê dos males dos nossos adversários, em especial de quem ficava constantemente em 2º lugar: a arbitragem. Não só o presente era falseado como o futuro também o seria e especialmente o passado já o era. A aritmética é simples: dá-se um número de anos (quase aleatório) e acrescenta-se que “aquilo era uma grande roubalheira”.

Esquecem-se é das grandes conquistas internacionais; esquecem-se dos sete campeonatos que o Porto ganhou desde o referido processo; ou esquecem-se mesmo que os dragões continuam a ser a equipa que melhores prestações apresenta na Liga dos Campeões – mas tudo isso não interessa nada. Também optam por não recordar os seus roubos de igreja, as suas polémicas com arbitragens e os seus raptos de jogadores; enfim, atiram pedras e têm telhados de vidro. Não se pode ser ingénuo ao ponto de pensar que a hegemonia portista foi devido a uma qualquer teoria da conspiração, da mesma forma que não acredito que épocas como a deste ano continuem sempre a acontecer. Por isso, temos toda a legitimidade para nos queixarmos – afinal, um clube que luta pela transparência e verdade desportiva como o Benfica de Vieira faz, tem de deixar os outros queixarem-se e expressarem a sua revolta!

antas
Igreja da Antas, no Porto. Para simbolizar “roubos” de tempos mais silenciosos de revolta

Mais recentemente, Bruno de Carvalho escreveu na sua página do Facebook que Luís Filipe Vieira propôs uma aliança para alternarem a vitória nos campeonatos. Ninguém se revoltou, ninguém ligou. Das duas, uma: ou Bruno de Carvalho (já) tem pouca credibilidade ou continua-se a assobiar para o lado quando o assunto não é Porto. Como seria essa aliança? O que significa alternarem os campeonatos? Enfim, a nossa imprensa sempre tão pro-Sul parece que não querer saber…

Para o futuro

Termino reiterando o que disse na minha última crónica: o Porto está muito calado, muito calmo. Não pode ser assim para sempre; há muitas forças opostas e opositoras do nosso clube para simplesmente “deixarmos andar”. É preciso encontrar uma estratégia de comunicação que demonstre que estamos atentos e que, como sempre, nunca nos deixamos dominar por ninguém neste país. Cada vez mais é preciso ser guerreiro porque os tempos de acalmia no futebol português só acontecem em campeonatos como o de 2014/2015, em que o clube que é mais beneficiado (e vai na frente) é o Benfica – tudo tranquilo, ‘no pasa nada’.

Foto de capa: guimaraesdigital.com