Início Site Página 10997

Cerveja e Luz

cab desportos motorizados

Há quem diga que o cão é o melhor amigo do homem. Neste momento, Neuville e a Hyundai não concordam. Para o belga e a sua equipa, a melhor companhia do homem é a cerveja.

Neuville terminou em terceiro o rali do México, mas foi complicado confirmar este pódio. O motor do i20 WRC estava sobreaquecido e não estava a funcionar. Por incrível que pareça, o belga usou Corona – uma marca mexicana – para conseguir chegar ao parque fechado final, e assim garantir o terceiro lugar ganho em prova. Foi o primeiro pódio dos coreanos, que, assim, dão mais um passo em frente no seu desenvolvimento.

Quanto à frente da corrida, voltou tudo ao normal. Ogier venceu e Latvala ficou em segundo. O domínio da Volkswagem é cada vez mais evidente e não me parece que este ano, em condições normais, alguém os bata.

O momento em que Nicolas Gilsoul (co-piloto do belga) tenta arrefecer os “ânimos” do motor.  Fonte: Autosport.pt
O momento em que Nicolas Gilsoul (co-piloto do belga) tenta arrefecer os “ânimos” do motor.
Fonte: Autosport.pt

Mas não foi só no México que se disputaram ralis no passado fim de semana. Em Guimarães, tivemos a segunda prova do nacional de ralis, que valeu a segunda vitória a Pedro Meireles. O vimaranense ganhou por três décimos de segundo (!) a prova, organizada pelo Targa Clube, batendo na última especial Ricardo Moura. O tricampeão nacional, no final da prova, assumiu a culpa pelo erro que lhe custou a vitória. Antes de partir para a estrada desta última PEC, disputada de noite, não ligou a calandra para obter mais luz.

É preciso dar também o mérito ao vencedor, pois acreditou sempre nas suas capacidades e conseguiu recuperar os 3s1 que tinha de desvantagem para o açoriano. Uma verdadeira mostra de valor do vimaranense, que, reconheço, está a obrigar-me a pensar sempre que falo dele e das suas capacidades.

É ainda importante falar de João Barros, de José Pedro Fontes e da Suzuki. Barros ficou em terceiro na prova e, não fossem problemas na direção assistida do seu Fiesta R5, poderia ter estado a discutir a vitória. Fontes estreou o Porsche com que vai correr nas provas de asfalto e mostrou as suas mais valias até ter problemas na caixa de velocidades do carro, numa altura em que liderava a prova.

Por fim, falo da Suzuki. A filial espanhola desta marca veio a Guimarães para o início da Copa Suzuki com os seus dois Swift S1600. Era muito bom que em Portugal houvesse algo do género.

Sporting vs FC Porto: antevisão dentro e fora das quatro linhas

0

milnovezeroseis

Caro leitor,

O futebol é um desporto íntegro. Isto é, tem a capacidade de reunir uma panóplia relativamente grande e distinta de vivências importantes – o companheirismo, a paixão, o gosto, mas, também, e infelizmente, o ódio. Neste contexto surge, igualmente, o fenómeno das rivalidades, do qual tenho uma opinião vincada. A meu ver, a rivalidade saudável apimenta, beneficamente, o futebol. Como em tudo na vida, o consenso integral à volta do futebol é irrisório. Portanto, apoiemos cada um o seu respectivo clube e mandemos as tradicionais “bocas”, desde que tudo isto seja feito com base no respeito.

Ora, tudo isto para introduzir o grande jogo que avizinha, o Sporting–FC Porto. A rivalidade entre os clubes é histórica e sofreu um acréscimo na recente época, devido quer à polémica da Taça da Liga, quer aos incidentes do jogo da primeira volta, no Dragão. Fora das quatro linhas espera-se que os ânimos sejam exaltados. Mas, fora do plano de jogo, não estará em prova apenas o fénomeno da rivalidade. O Movimento Basta, apresentado na quarta-feira em Alvalade, tem a primeira iniciativa marcada para as 14h30 de Domingo, precisamente no dia do Sporting-FC Porto. Este é um movimento que parte de dentro do universo sportinguista e que se reveste de toda a pertinência, numa altura em que o Sporting se vê, uma vez mais, fustigado pelas arbitragens.

O Movimento Basta terá a sua primeira iniciativa no Domingo, dia do Clássico Sporting- FC Porto Fonte: ASF
O Movimento Basta terá a sua primeira iniciativa no Domingo, dia do Clássico Sporting- FC Porto
Fonte: ASF

Se fora dos relvados a partida terá grandes aliciantes, o jogo jogado terá, à priori, ainda mais. Em campo defrontar-se-ão o segundo e terceiro classificados do Campeonato, separados apenas por dois pontos de diferença. Por conseguinte, o clássico de Domingo será fulcral para o Sporting. Aliás, arriscaria dizer que este Sporting-Porto é o jogo da época para o clube de Alvalade. Jogar-se-á o futuro dos comandados de Leonardo Jardim no que toca ao lugar a atingir. Caso o Sporting ganhe, o segundo lugar torna-se uma realidade plausível e o título permanecerá como uma esperança, ainda que remota. Por outro lado, uma derrota da equipa de Leonardo Jardim representará a perda do segundo lugar, que, lembre-se, dá acesso directo à milionária Liga dos Campeões. A hipótese de ainda alcançar o Benfica no topo da classificação cai, também, por terra.

Sem Maurício, devido a acumulação de amarelos, Dier será o mais natural substituto do argentino no eixo da defesa. Na frente de ataque, curiosidade para ver quem alinhará como ponta de lança – se Slimani, se Fredy Montero. Com o colombiano em baixo de forma, o talismã argelino assume-se como a opção mais viável. Com efeito, o Sporting jogará, no Domingo, uma cartada importante daquilo que será o futuro leonino no Campeonato. Se é verdade que os aliciantes extra-jogo serão alguns, é dentro do relvado que se disputarão os três pontos. E esses são para ganhar.

O casaco da vitória!

opinioesnaomarcamgolos

Freud dizia que quando os portistas falam mal de Paulo Fonseca se fica a saber mais sobre eles do que sobre Paulo. E aqui encontramos o elemento comum entre Paulo e Sigmund: ambos não percebem nada de futebol.

OK, fui injusto. Freud até dava uns toques na bola… Quanto a Paulo Fonseca, a incógnita mantém-se. Luís Castro sentou-se na cadeira e, em dois jogos, mostrou que é diferente. O jogo com o Arouca não me surpreendeu muito, mas contra o Nápoles a história foi outra. Vi uma equipa a praticar um futebol bastante agradável, pelo menos nas circunstâncias que conhecemos. O Nápoles é uma equipa forte, actualmente em terceiro lugar na Liga italiana e tem o segundo melhor ataque, com 52 golos marcados. Argumentos mais do que suficientes para constituírem um grande desafio a uma equipa que mudou de treinador há uma semana.

O Porto jogou bem, com decisões rápidas e inesperadas, passes ao primeiro toque que baralhavam as posições defensivas dos napolitanos, mas aquilo que me surpreendeu mais foi a saída de jogo. Aquela fase no futebol em que a equipa mal ganha a posse tem de se posicionar, ocupar espaços e progredir com a bola para, a seguir, criar oportunidades de finalização, sabem? Esta fase específica foi executada, a maior parte das vezes, com uma rapidez muito superior àquela a que Paulo Fonseca nos havia habituado. Fernando voltou a encontrar a solidão a que está tão bem acostumado, Defour regressou ao departamento de esforço e entregas (com Paulo Fonseca nem pizzas entregava), e a equipa pareceu encontrar aquele ânimo de que tanto precisava.

Mas admito que é precoce falar já de uma boa mudança. As falhas defensivas continuam a existir; Jackson insiste em provar a teoria do “8 ou 80”, pois ou se move muito e vai buscar jogo mais atrás ou fica pouco móvel na área; Quaresma exagera um pouquinho na sua magia (mas é titular indiscutível); e Varela parece parado no tempo (dificilmente conseguia completar um cruzamento de jeito). O Nápoles explorava muito bem as alas contrárias à progressão da bola, visto que a flutuação dos jogadores azuis e brancos chegava a ser um pouco exagerada, e Callejón só não fez mais estragos porque encontrou Alex-Sandro-é-craque-e-ponto-final. A verdade é que o Porto dominou, podia e devia ter ganho por mais, e mostrou que ainda há esperança para a equipa.

O Porto ganhou vantagem na eliminatória da Liga Europa antes do clássico de Domingo  Fonte: Zero Zero
O Porto ganhou vantagem na eliminatória da Liga Europa antes do clássico de Domingo
Fonte: Zero Zero

No entanto, foi um jogo para a Liga Europa… Veremos se este domingo a atitude se mantém. O meu vaticínio é simples e moderado, se bem que roça o emocional: o Porto ganha e ganha bem. Em Portugal não há um único jogador como Defour, Fernando, Jackson, Quaresma, Mangala, Alex Sandro e, no futuro, Herrera e Carlos Eduardo. Se serão eles a fazer a diferença e a garantir a vitória frente a um Sporting de qualidade e com um treinador super competente? Não. O que vai fazer diferença é ser o Porto. Um Porto que no espaço de meia época conseguiu o pior registo na Champions e um dos piores a nível nacional, mas que em menos de uma semana não parece minimamente preocupado com quem vai à frente ou atrás. Porque, como disse Luís Castro, a vitória assenta-nos bem. E eu acrescento que, se a vitória é o casaco mais bonito da loja, então façam o favor de tirar as mãos porque a etiqueta tem um “D” de Dragão. Sempre teve.

P.S.: Apesar de tudo, e brincadeiras entre Freud e Fonseca à parte, é mais do que justo que se agradeça a Paulo Fonseca por ter dado tudo ao nosso Futebol Clube do Porto. Não acredito que seja fácil treinar esta equipa. A ele e à equipa técnica que o seguiu, muito obrigado pela entrega! Um trabalho não deixa de ser um trabalho só porque não conseguimos concretizar certos objectivos. Espero vê-lo no futuro com mais sucesso do que aquele que conseguiu no Dragão e que encontre rapidamente o caminho para as vitórias, apenas não se meta no caminho do Porto. Se quer vestir o casaco, vá a outra loja!

Tudo ou nada

0

Em Espanha, tal como em grande parte das ligas europeias, começa agora a fase do tudo ou nada. Digam o que disserem, a fase final da época é provavelmente o ciclo mais importante no conjunto de jogos que compõem um campeonato de futebol. Na verdade, a linha que separa o tudo do nada é, de facto, muito ténue, ficando quase sempre marcada por jogos muito específicos.

Como é óbvio, um dos jogos que têm uma capacidade extra de definir toda uma época é o Real Madrid–Barcelona. O maior clássico do mundo está para breve, muito breve, aliás. Contudo, antes da realização dessa partida (29ª jornada), o Real Madrid terá de se deslocar ao terreno do Malága, o Barcelona terá de receber, em casa, o Osasuna, e o Atlético Madrid terá de defrontar o Espanyol, no Vicente Calderón.

No fundo, a 28ª jornada da Liga BVVA pode perfeitamente ser uma das mais decisivas de todo o campeonato, e são vários os fatores que o explicam:

Com quatro pontos de vantagem sobre o Barcelona e três sobre o Atlético Madrid, o Real Madrid vai fazer tudo para, no mínimo, manter a diferença pontual sobre os rivais. A ideia de entrar no clássico com a possibilidade de perder o jogo e mesmo assim permanecer à frente do Barcelona na tabela classificativa agrada a qualquer merengue. No entanto, perspetivam-se grandes dificuldades para o Real Madrid no La Rosaleda. O Málaga, apesar de estar a realizar uma época com resultados negativos, é sempre uma formação difícil de bater, principalmente jogando em casa – e, atenção, o Real Madrid tem perdido imensos pontos na Andalucía. É um jogo de campeões, não tenham dúvidas.

Na época passada, o Real Madrid perdeu no La Rosaleda por 3-2 Fonte: Periodistasanonimos.com
Na época passada, o Real Madrid perdeu no La Rosaleda por 3-2
Fonte: Periodistasanonimos.com

O Barcelona, por seu turno, está obrigado a ganhar todos os jogos da liga, caso queira ser campeão. Os já referidos quatro pontos de atraso para o Real Madrid não concedem nenhuma margem de manobra, e os catalães estão proibidos de vacilarem. O jogo no Camp Nou frente ao Osasuna pode ser o tónico necessário para restaurar os níveis de confiança perdidos nos últimos jogos. Porém, e apesar de a vitória do Barcelona ser o resultado esperado, os homens de Tata Martino já mostraram que esta época são capazes de surpreender… pela negativa;

Por último, o Atlético Madrid continua a intrometer-se – e de que maneira – entre os dois colossos espanhóis. Diego Costa e os restantes companheiros têm a oportunidade de, em caso de vitória, exercer uma pressão extra no clássico. Se ganhar o jogo do próximo sábado frente ao Espanyol, o Atlético entra na 29ª jornada sabendo que poderá recuperar terreno sobre o Real Madrid, aumentar a distância sobre o Barcelona ou, quem sabe, ambas as coisas. O que é certo é que o próximo jogo é uma oportunidade de ouro para o Atlético Madrid “atacar” os rivais. Todavia, é sabido que os colchoneros têm facilitado nos momentos mais decisivos. Este é, logicamente, o momento certo para inverter a tendência.

Infelizmente teremos de esperar até domingo à tarde para perceber quem ficará mais perto da linha da meta. Independentemente dos resultados, o que é certo é que o tudo e nada está mesmo ao virar da esquina. Acelerem, rapazes!

Portugal Open e outros primos

0

cab ténis

A Lagos Sport anunciou há cerca de uma semana atrás a realização do Portugal Open 2014. MUITOS PARABÉNS. Confesso, nunca pensei ser possível nas condições anunciadas conseguir ainda levar a cabo a 25ª edição do Portugal Open.

Obviamente que todos temos a ganhar. Obviamente que estou mais do que feliz com esta decisão. No entanto, nada melhor do que aproveitar um ano que se quer de ventos de mudança para levar a cabo algumas alterações, tais como as que enunciei numa Carta Aberta a João Lagos há semanas atrás, aqui, no Bola na Rede.

É a hora de o Portugal Open mudar de paradigma, tal como o país mudou, de se afirmar como um torneio de topo no calendário mundial e trazer até si, sem grande esforço, os melhores do mundo, embora seja “apenas” um ATP 250/WTA Premier.

João Lagos conseguiu mexer-se bem e a tempo de garantir as bodas de prata do seu torneio. Mérito inteiramente do pai do ténis em Portugal, que não só dentro das instâncias e dos patrocinadores portugueses conseguiu obter as garantias necessárias, como junto do ATP e da WTA conseguiu aumentar o prazo de confirmação, prova do seu crédito junto das duas instituições mais importantes do ténis mundial.

No entanto, e num artigo que se quer de comemoração, e porque sobre o Portugal Open já tudo disse o que tinha a dizer, acho importante lembrar outro promotor de torneios internacionais que Portugal tem.

Nuno Marques em acção do Vale do Lobo Grand Champions – O ténis português também tinha espaço Fonte: 3.bp.blogspot.com
Nuno Marques em acção do Vale do Lobo Grand Champions – O ténis português também tinha espaço
Fonte: Premier Sports

Pedro Frazão é o dono da Premier Sports, uma empresa de promoção desportiva que levou a cabo durante 10 anos o Vale do Lobo Grand Champions, um torneio de ex-tenistas profissionais que trouxe até Portugal jogadores como Bjorn Borg, John McEnroe e Guillermo Villas, entre outros, e que permitiu a “putos” como eu, do alto dos meus 15, 16 anos na época, ver estes tenistas em court.

O Portugal Open é sem dúvida a bandeira do ténis português, mas dúvido que haja melhor promoção do ténis do que aquela semana no Algarve com as ex-glórias em campo, a jogar e a rir, que provocam enormes gargalhadas nas bancadas.

Falar do Grand Champions do Vale do Lobo é para mim falar de cinco personalidades: Mansour Bahrami, o excêntrico tenista iraniano, o mágico do ténis e o rei dos encontros de pares. Henri Leconte, o “maluco” tenista francês que foi um dos escudeiros de uma Taça Davis pelo seu país e que coloca em campo tudo aquilo que é a magia do ténis. Fernando Meligeni, “o fininho” brasileiro, que era garante de uma tarde bem passada e um dos mais humildes tenistas com quem contactei. Hugo Ribeiro, o press officer do torneio e para com quem tenho uma dívida de gratidão eterna, mas que colocava toda a máquina a funcionar e garantia o bom funcionamento da tríade jogadores-imprensa-fãs, tornando o Vale do Lobo um torneio familiar e informal. E claro, Pedro Frazão, por ter construído um evento de topo, dirigido não só a estrangeiros mas também com espaço para os portugueses, um evento bom para empresas e para famílias.

Vale do Lobo Grand Champions, volta, o ténis em Portugal precisa de ti!

Tottenham 1-3 Benfica: Bifes? Peanuts!

camisolasberrantes

Há noites que não se esquecem. Um primeiro beijo. Uma estúpida bebedeira. Uma boa “conversa” de cama. A morte de um familiar próximo. O adeus a um amigo que segue para o estrangeiro. Um fantástico jogo de futebol. Hoje vivemos e respirámos um desses. Um desses jogos que, de tão fantásticos, superam mesmo o conceito de “noite” e alongam-se no tempo de forma incomensurável.

Um pouco como o jogo que o Benfica levou para Inglaterra. A bem ou a mal, Jorge Jesus pegou mais uma vez neste plantel e espremeu-o de tal forma que o tornou infinito e pau para toda a obra. Aliás, as surpresas ao início foram prova disso mesmo: Oblak permaneceu na baliza, Sílvio deixou mais uma vez no banco um antigo e recorrente europeu André Almeida, Rúben Amorim preencheu o meio em detrimento de Enzo Pérez, Sulejmani deu descanso ao mágico Gaitán e Cardozo voltou à titularidade para se juntar a Rodrigo no ataque.

Começa a partida e começam também os cânticos dos Diabos Vermelhos e No Name Boys, que só se renderiam ao silêncio aquando do apito final. Um apoio de outro mundo. Benfiquistas à Benfica. E um Benfica que ameaçava não se render à casa cheia dos Spurs, que ainda andavam mal do estômago depois dos quatro golos encaixados no fim-de-semana contra o Chelsea. Adebayor, no entanto, vinha a jogo para dar trabalho a Luisão e Garay, coisa que felizmente só aconteceu nos primeiros minutos. Porque mal o Tottenham tirou o pé do acelerador foi tempo de o meio-campo encarnado rodar bola, puxar os ingleses para a frente e, com muito jeitinho, abrir espaço nas costas. E, coincidência ou não, aos 29 minutos, um lutador Rúben Amorim pega na redondinha, leva árbitro e dois adversários à frente e inventa – literalmente – um passe que é três quartos de golo. Rodrigo, com uma arrancada à Bolt, deixa o pobrezinho Naughton para trás e, da esquerda para o meio, faz um remate a fugir ao guarda-redes da casa. Sem espinhas.

Um colocadíssimo primeiro golo  Fonte:
Um colocadíssimo primeiro golo
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica (Isabel Cutileiro)

Ainda antes de acabar a primeira parte, o extremo esquerdo Eriksen puxa de um cruzamento que só Garay consegue travar e está dado o mote para aquele que seria o restante jogo: Benfica contra Eriksen (com a ajuda lá pelo meio de Lennon, na direita, e Kane, ao meio). Apito do árbitro e um primeiro tempo com um conjunto encarnado cheio de simplicidade e disciplina, trunfos que valiam (e justificavam) o adiantamento no marcador num jogo que o Tottenham queria claramente ganhar…mas não sabia como.

Pontapé na bola e vamos aos últimos 45 minutos. O Benfica precisava de muita cabeça e de muito auto-controlo para poder voltar a Lisboa dono e senhor desta eliminatória…e foi exactamente isso que faltou logo três minutos depois de se retomar a partida. Sem se perceber muito bem como, Luisão deixa em jogo Adebayor que sozinho e em excelente posição atira, da forma mais infantil e incrédula de sempre, o esférico para as ervas daninhas ao lado da baliza do jovem Oblak. “Mais dessas”, pedi eu aqui em casa, isto depois de atirar um copo à parede por causa da paragem cerebral do nosso capitão. Mas o Girafa quis redimir-se. Nem dez minutos depois, Rúben Amorim – que jogo enorme do português – roubou a bola a um distraído Kane e atirou para a defesa da noite. Não contente voltou a agarrar na bola, cobrou o canto para o Glorioso e Luisão fez o dois a zero com uma gloriosa cabeçada. Não fossem os festejos encarnados nas bancadas e ouvir-se-ia o ranger de dentes de Sherwood, homem que promete mudanças para o ano vindouro…arriscando-se a ser ele mesmo a maior de todas. Faltava o último prego no caixão.

O capitão Luisão assinou um bis  Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica (Isabel Cutileiro)
O capitão Luisão assinou um bis
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica (Isabel Cutileiro)

Mas não. Porque o Benfica é assim. E porque benfiquista que é benfiquista tem de sofrer até ao fim. Depois de uma enorme arrancada pelo lado esquerdo, um inconformado Eriksen é rasteirado por um apagado Sílvio. Livre perigoso para os ingleses e um golo teleguiado. Oblak talvez pudesse ter feito mais, mas a concretização é de facto notável. O Tottenham reduzia a desvantagem numa altura em que o Benfica tinha o jogo controlado. Peito cheio de Eriksen, o único que, cheio de coração, não parou de remar contra a maré. Mas maré que é maré leva tudo consigo. E assim foi este Benfica, que não quis voltar nervoso a casa. Crédito para Jorge Jesus que tira os dois jogadores mais desaparecidos da noite, Sulejmani e Cardozo, dando espaço a Gaitán e Enzo, dois “desbloqueadores” natos. Ou vai ou racha!

E era para rachar mesmo. Rodrigo ia fazendo o terceiro depois de um erro enorme do guarda-redes Lloris e é o recém-entrado Gaitán – de prever, certo? – que minutos depois arranca a falta ao tal pobre Naughton. Conversão e Garay a atirar de cabeça para a defesa do guardião da casa, quando na recarga surge um Luisão ponta-de-lança com uma “pastilha” enorme que ainda vai à barra, mas que acaba nas redes dos Spurs.

Hora de apanhar o avião. E o resto é conversa. Ou peanuts.

 

A(s) Figura(s)
Luisão e Rúben Amorim – Hoje quebro as regras e elejo dois senhores do futebol encarnado. Dois que já cá andam há muito, muito tempo. Um deles merece mais. E prova-o todas as vezes que pisa o relvado. Se Luisão foi enorme, Amorim foi genial. Ela por ela. Taco a taco. E por isso um pódio repartido.

O Fora-de-Jogo
Tottenham – Perdoem-me a falta de criatividade na escolha, mas ou é o Benfica que merece estar na Champions ou é este Tottenham que não merece sequer estar numa competição além-Inglaterra. Please come back, Villas-Boas?

FC Porto 1-0 Nápoles: Afinal existe Defour… E equipa!

atodososdesportistas

1ª parte: O jogo começou com sentido único: baliza do Nápoles! Um Porto que começou com o “novo habitual” 1-4-(1+2)-3 a todo o gás e que subjugou completamente um Nápoles que procurou excessivamente o jogo directo, tanto no ponta-de-lança fortíssimo Higuaín, como no extremo que faz da rapidez a sua arma, Callejón (em ambos os casos, quase sempre os centrais e Alex Sandro levaram a melhor). Com uma pressão muito alta assim que perdiam a bola, os dragões não permitiram nunca que os napolitanos respirassem e assim obrigavam a sucessivos erros e perdas de bola. Aos 10 minutos de jogo, Quaresma e Varela trocaram de flancos e demorou apenas um minuto a ser traduzida a superioridade azul-e-branca em remates: Jackson Martinez obriga Reina à defesa da noite com um voo brilhante para o seu lado esquerdo, após uma jogada brilhante de Carlos Eduardo (que me fez lembrar Deco neste jogo!).  Primeiros 15 minutos – mais Porto, já tinha 6 cantos (!).

Aos 19 minutos, erro crasso da equipa de arbitragem: golo mal (muito mal!) anulado a Carlos Eduardo, que não só iria pôr justiça no resultado, como era mais do que merecido (e às vezes estes lances definem eliminatórias… Esperemos que não!). Podia dizer-se que o árbitro pensou que foi mão, mas o auxiliar levantou a bandeirola e o árbitro fez-lhe sinal. Foi um erro enorme, um golo limpo invalidado.

Nota também para o fact0 de este “novo Porto” procurar sempre sair a jogar numa primeira fase com Fernando, recuando este para pegar na bola, e depois encontra sempre uma “solução de passe 2-1”, desdobrando com isto as marcações e encontrando espaços para libertar a bola num dos colegas mais ofensivos.

Quaresma fez mais um bom jogo  Fonte: Zero Zero
Quaresma fez mais um bom jogo
Fonte: Zero Zero

O primeiro sinal de perigo por parte dos italianos em toda a primeira parte ocorreu apenas ao minuto 26 (!), num contra-ataque conduzido por Callejón. Estavam passados 30 minutos e o “sinal mais” continuava para os azuis-e-brancos. Aos 38 minutos, o Porto (naturalmente, devido ao cansaço) baixou as linhas e os últimos 7 minutos do primeiro tempo foram com mais posse de bola no Nápoles.  Mas no cômputo geral, muito mais Porto no primeiro tempo.

Na segunda parte, o jogo começou com aqueles que foram dos 10 minutos mais loucos a que assisti em toda a minha vida num jogo de futebol: aos 46′, Reina volta a defender brilhantemente um remate “do meio da rua” feito por Fernando; aos 49′, Quaresma remata forte, mas ao lado; 52′, Helton “imita” Reina e por duas vezes salva o Porto: primeiro um remate de Higuain para canto numa jogada em que Hamsik “rasgou” a defesa portista com um passe do meio-campo e depois na marcação desse mesmo canto, num cabeceamento exemplar de Albiol; 55′, Mangala inventa e é quase golo dos italianos; 56′, resposta portista, com o central Britos a tirar o “pão da boca” a Jackson. Estes primeiros 10 minutos terminaram com o (mais que merecido) golo do Porto! Na sequência do canto cedido por Britos, a defensiva napolitana aliviou a primeira bola de forma deficiente e Cha Cha Cha aproveitou a confusão para fugir à marcação de Albiol e, de pé esquerdo (e quente!), fuzilar a baliza de Reina.

Depois do golo e deste início em sufoco de ambas as equipas, só voltamos a ver perigo… 10 minutos depois (!), quando Helton saiu de forma fantástica e tirou a bola do isolado Higuain (que parte em posição muito duvidosa), num minuto onde o miúdo Quintero rendeu o enorme Carlos Eduardo.

Defour, a figura do jogo Fonte: Zerozero.pt
Defour, a figura do jogo
Fonte: Zerozero.pt

Ao aperceber-se de que o Porto necessitava de mais poder de choque para furar a teia defensiva napolitana, Luís Castro fez entrar Ghilas e tirou Varela (escolha arrojada, porém acertada) e o Porto voltou a assumir o controlo. Do minuto 70 ao minuto 81, o jogo baixou drasticamente de ritmo e assistimos a situações de ligeiro perigo para ambos os lados, embora nenhuma digna de registo. O jogo estava “mastigado” até uma jogada inacreditável acontecer: bola no ferro por parte de Quintero numa grande jogada colectiva: Quaresma, pela direita, dá no centro a Quintero, que por sua vez abre na esquerda onde Jackson serve Ghilas (num momento de troca posicional) e este se embrulha com Albiol, que se vira rápido e “corta” contra Quintero, levando a bola ao poste. Incrível! Este foi o tónico que voltaria a tornar este jogo em algo de extraordinário. O Nápoles respondeu aos 82′, quando Maicon cortou praticamente em cima da linha o golo certo aos italianos; 85′, Quintero, numa zona favorável ao seu pé esquerdo, rematou com força mas sem colocação às mãos de Reina; 87’, saiu Defour e entrou Herrera (tinha de referi-lo!); 92’ (de tão boa memória para o Porto…), quase golo do Nápoles! Zapata falhou o remate depois de um cruzamento a meia altura; 93′, final do jogo! Que grande partida, que grande Porto!

Figura: Defour
Poderia escolher Carlos Eduardo, Fernando ou até mesmo Quaresma, pela entrega, mas parece que finalmente Defour acordou com este novo treinador e começou a jogar futebol a sério! O seu trabalho invisível foi (paradoxalmente) notório e apresentou-se como o maior operário a nível de disponibilidade no meio-campo azul e branco!

Fora-de-jogo: Mangala.
Quase todos os lances de perigo nasceram de desconcentrações ou perdas de bolas infantis do francês. Há que melhorar!

É um clássico gaúcho, che!

0

brasileirao

Estamos no Rio Grande do Sul. Mas esta é uma terra diferente das restantes do Brasil. É o Estado mais a sul de Terras de Vera Cruz. Aqui o clima é frio. As pessoas comem carne de churrasco até no pequeno-almoço. Tomam o famoso chimarrão (não, o chimarrão não é nenhuma carne, mas sim uma folha de chá) e ainda têm a mania de tratar os outros por che! Talvez uma mera coincidência de quem está tão perto das pampas. Hoje é dia do clássico entre Grêmio e Internacional. E a cidade de Porto Alegre vai parar.

– “Que é isso? Camisa azul? Não, não. Azul não pode ser! Veste antes esta vermelha.”

– “Corrigindo os testes com caneta vermelha? Ah, larga isso! Toma esta caneta azul.”

É isto que os adeptos de uma e outra equipa poderão ouvir dos mais fanáticos. E ninguém escapa a estes comentários quando se faz tão escandalosa ignomínia. O Grêmio é tricolor. Azul, preto e branco. O Inter joga com o tradicional vermelho e branco. Tricolor e Colorado. O clássico do sul. Este é o GreNal!

GreNal, um clássico de super-heróis Fonte: zerohora.clicrbs.com.br
GreNal, um clássico de super-heróis
Fonte: zerohora.clicrbs.com.br

Ambos os emblemas têm um grande historial. O Grêmio já foi duas vezes campeão brasileiro e tem quatro Copas do Brasil. O Inter é tricampeão mas só tem uma copa do Brasil. Em termos internacionais equivalem-se. Duas Libertadores para cada um e um mundial de clubes também. Em termos de Estaduais há vantagem para o Colorado: são 42, enquanto os rivais gremistas têm 36. Só que existe um título que os gremistas gostariam de não ter. E esse título ninguém quer: campeão da Segunda Divisão por uma vez, em 2005. O Internacional nunca desceu de divisão.

Ah, e a célebre frase do “clássico é clássico e vice-versa” foi proferida por Mário Jardel em vésperas de um GreNal. O passado conta pouco para cada jogo, de facto. Ambos os clubes têm história. Os dois contribuem para que o Rio Grande do Sul e o Brasil fiquem cada vez mais alegres.

Saca perde pela quarta vez contra Kelly Slater

0

cab Surf

Ok, nada correu como desejado.Pois é, o surfista português Tiago “Saca” Pires saiu derrotado do confronto com o rei Kelly Slater. Depois de uma vitória suada frente ao Sul-africano Jordy Smith, no round 2, Saca não conseguiu repetir a proeza com o Master norte-americano. Com ondas a rondar um metro, Tiago Pires liderou a primeira metade do heat, mas Slater virou o resultado aos 16 minutos com uma onda que lhe valeu um 9,07, passando diretamente para primeiro.

Enquanto isso, Saca andava meio perdido dentro de água, o que fez com que Kelly tivesse tempo ainda de fazer um 7,50, totalizando assim um score de 16,57 em 20 pontos possíveis. De lembrar ainda que esta foi a pontuação mais alta do dia. O surfista português terminou a bateria em situação de combinação, querendo isto dizer que necessitaria de substituir as suas duas melhores ondas, que lhe deram um score total de 8,67. Deste modo, Tiago permitiu o apuramento ao quarto round ao seu colega Kelly Slater. “The portuguese Tiger” acabou a prova na décima terceira posição e com uma vontade maior de chegar longe na próxima etapa mundial, que se vai realizar em Margaret River, na Austrália.

surf
Saca a caminho de mais um heat
Fonte: Diário Digital

Tal como Kelly Slater, também Taj Burrow, Gabriel Medina, Adriano de Sousa, Josh Kerr, Joel Parkinson, Miguel Pupo, Nat Young, CJ Hobgood, Fred Patachia e Mitch Crews passaram ao round 4. No meio de tantos surfistas, a grande surpresa, e que começa já a ser habitual, foi Gabriel Medina. O prodígio brasileiro de 20 anos derrotou duas vezes o campeão mundial, Mick Fanning: no round 4 e nos quartos-de-final. A seguir veio Taj Burrow; o surfista australiano que para muitos é considerado um dos melhores surfistas de sempre foi também derrotado por Medina. Três décimas de diferença foram o suficiente para permitir que Gabriel Medina passasse à grande final. Aqui iria encontrar outro australiano, Joel Parkinson. Parko, que se consagrou campeão mundial no ano de 2012, também saiu derrotado. Tal como dizem os brasileiros, Medina estava “irado” e, depois de um heat bastante competitivo entre os dois atletas, Gabriel conseguiu o primeiro título do world tour, com uma distância mínima, de seis décimas. Ainda assim, Joel teve a pontuação mais alta da final, numa onda que lhe valeu nove pontos.

Fonte: carvemag.com
Medina a festejar o seu primeiro triunfo do ano
Fonte: carvemag.com

No final de contas, Medina eliminou o atual campeão mundial e o ex-campeão mundial, ambos australianos que surfam com muita frequência no pico de Kirra point, onda onde se realizou o evento. Com este resultado, o brasileiro encontra-se na primeira posição do ranking mundial.

Bife mal passado

0

paixaovermelha

Como tem sido hábito nas campanhas europeias, o Benfica vai ter pela frente um adversário inglês. Os bifes, como os portugueses carinhosamente lhes chamam, têm sido uma presença habitual do lote de “inimigos” dos encarnados, principalmente com Jorge Jesus ao leme.

Na verdade, desde que o técnico português comanda a equipa, o Benfica já defrontou 5 equipas inglesas: Everton / Liverpool (2009/2010); Manchester United / Chelsea (2011/2012); Newcastle / Chelsea (2012/2013).

Como sabemos, na próxima quarta-feira o Benfica de Jorge Jesus vai defrontar a 6ª equipa inglesa, neste caso o Tottenham. E, como é habito da imprensa e dos adeptos portugueses, fica presente a ideia de que o Benfica se dá bem com equipas da terra da Nossa Majestade. Mas será mesmo verdade?

Numa rápida análise aos 11 jogos disputados desde a temporada de 2009/2010, é possível verificar que o Benfica apresenta um saldo de 4 vitórias, 4 derrotas e 3 empates, tendo ainda um registo de 19 golos marcados e 15 sofridos. A conclusão é fácil de tirar: o equilíbrio impera.

Obviamente que face a um lote de equipas onde se incluem planteis extremamente poderosos como são o Manchester United ou o Chelsea, ter na globalidade dos resultados 4 vitórias e 4 derrotas não é, de fato, um mau registo. Mas… também não é bom.

Benfica encontrou o Chelsea na final da Liga Europa em 2013 Fonte: Syrcro, Wikipedia
O Benfica encontrou o Chelsea na final da Liga Europa em 2013
Fonte: Syrcro, Wikipedia

À imagem dos números, serve tudo isto para justificar aquilo que eu espero do jogo com os Spurs: equilíbrio. Vai ser uma eliminatória renhida, decidida nos detalhes. Até pelas recentes declarações de um lado e do outro se nota um equilíbrio de força, com ambas as equipas a evidenciarem ter um grande respeito mútuo. Respeito esse que, acredito, vai ser transportado para o relvado.

Para esta primeira mão, não me parece que o Benfica vá para White Hart Lane jogar ao ataque no seu habitual 4-4-2 de grande fluidez ofensiva. Pelo contrário, Jorge Jesus deverá optar por um 4-3-3 dinâmico e capaz de auferir estabilidade defensiva – bem necessária, face ao poder ofensivo dos homens da frente do Tottenham – e suficientemente forte para criar ocasiões de golo e dominar a partida.

No entanto, JJ já nos habituou a algumas surpresas, principalmente nos jogos “decisivos”. Não é portanto, de estranhar se o Benfica apostar num ataque feroz à defensiva dos Spurs, que é na ótica geral dos especialistas o ponto mais fraco do atual 5º classificado da Premiar League.

O que é certo é que no relvado vão estar duas grandes equipas recheadas de grandes jogadores. Até nisso se equiparam:  Lloris, Luisão, Garay, Walker, Fernandinho, Dembelé, Sandro, Enzo, Gaitán, Adebayor e Soldado, juntos formariam um 11 de luxo para qualquer treinador.

Ao que parece, a chuva finalmente deu tréguas e o bom tempo veio para ficar. É garantido que os ingleses vão viajar em massa para Lisboa, prontinhos para esturricarem no característico sol português. Aconselho Jorge Jesus a meter “a carne toda no assador”, até porque este é um bife dos duros.