Em tempo de festejos e com 52 mil nas bancadas para uma última saudação ao campeão nacional, o resultado do encontro de hoje seria sempre um mero registo para registo futuro. Foi a euforia típica de um campeonato mais do que desejado e merecido, sem tantas alterações no onze inicial como seria de prever. Entre alguns jogadores sem ritmo – Cardozo – e outros sem ritmo nem vontade – Djuricic – a primeira parte passou-se em velocidade cruzeiro. Entre cânticos a saudarem o regresso do campeão, ondas mexicanas e cabelos pintados de encarnado, até foi o Setúbal a criar mais perigo junto da baliza de Paulo Lopes, chamado a campo pela primeira vez no campeonato. Uma medalha para o careca, que a merece, pois claro. Com a pressão a roçar o zero e o divertimento e folia lá bem em cima, o Benfica deixava-se levar no espírito da coisa. Passes mal feitos, ritmo baixo e o nulo ao intervalo não era mais do que a perfeita representação do cumprir de calendário que por ali ia andando.
No regresso para o segundo tempo da festa, e porque havia que cumprir os mínimos olímpicos, a troca de Djuricic (que desilusão, a época do sérvio…) por Lima trouxe alguma vivacidade e energia ao ataque. O Benfica começou a pressionar mais alto e colocou-se em vantagem no marcador aos 57 minutos. Primeiro golo de um português no campeonato, após uma interessante combinação entre André Gomes e Lima, com o primeiro a finalizar diante de Kieszek. Enquanto nas bancadas se festejava e o sol dava bonita cor ao cair do pano, a equipa visitante continuou na procura de um golo que pudesse manchar a alegria encarnada. Numa grande penalidade indiscutível cometida por Maxi Pereira, Rafael Martins restabeleceu a igualdade e eis o primeiro golo sofrido em casa na segunda volta para o campeonato.
Com a partida a arrastar-se até final, Enzo Pérez, que foi a jogo para os últimos 25 minutos, teve nos pés a possibilidade de fazer o 2-1 mas desperdiçou clamorosamente. Cardozo não fez melhor, Lima tão pouco e assim o Benfica fechou a festa com uma exibição de fraca qualidade, não condizente com a bonita festa, mas aceitável dado o contexto em que o encontro se jogou. Nos próximos 15 dias, o Benfica tem possibilidade de levantar três troféus e assim marcar uma época inesquecível no futebol português. Avassalador, justo e bem jogado. Assim foi o campeonato 2013/14 do campeão nacional.
Um escusado empate que não ofuscou uma enorme festa Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica
A Figura
André Gomes – Entre a pouca velocidade e o clima de festa, o português aproveitou para se estrear a marcar e deixar mais alguns pormenores de grande qualidade.
O Fora-de-Jogo
Djuricic – Mais uma oportunidade para o sérvio, mais uma desilusão. Djuricic é, de longe, o elemento com menor rendimento nesta época.
Foi no Estádio José Arcanjo que o FC Porto perdeu pela sétima vez esta temporada para a Liga. Diante do Olhanense, que mais não é do que o último classificado, Luís Castro surpreendeu ao dar a titularidade a Tozé (no lugar habitual de Quaresma) e ao recuperar Carlos Eduardo para o meio-campo portista.
Num relvado indigno desse nome, o FC Porto até entrou relativamente afoito, tendo uma ou outra jogada interessante cuja conclusão nunca foi a melhor, como a protagonizada por Herrera aos 7’. Porém, há coisas que figurarão indelevelmente no álbum 2013/2014: mais uma vez, mais uma falha defensiva, mais um golo sofrido. No fundo, pouco importam os protagonistas activos; por mais mérito que o Olhanense – e, neste caso, Kroldrup, o central dinamarquês que até já andou por Udinese e Fiorentina – possa ter, o que é aberrante é a forma como a equipa do FC Porto ficou a observar, muito calmamente, a transformação de um livre aparentemente inócuo num golo. Com alguma felicidade, é certo, o Olhanense fazia o 1-0 ao minuto 14.
Se o FC Porto tinha começado melhor, a partir daí o panorama mudou. Perante este Dragão amorfo e cheio de vontade de que a época termine (a única vontade, de facto), o Olhanense até parece melhor equipa. Foi isso que foi transparecendo à medida que os minutos corriam, enquanto Femi deixava a cabeça de Ricardo (de novo, lateral-esquerdo improvisado) em água ou quando Rui Duarte chegava junto à entrada da área e rematava com muito perigo (25’) ou ainda quando também Lucas visava com relativo alarme a baliza de Fabiano (43’).
Herrera foi dos que mais procurou remar contra a maré Fonte: esportes.br.msn.com
Antes disso, já Luis Castro tinha retirado Carlos Eduardo (esteve em campo?) para dar ao jogo Juan Quintero, exactamente no mesmo minuto em que Jackson rematou por cima depois de instantes decisivos perdidos na tomada de decisão (36’). Nesta fase, o principal problema da equipa tem pouco a ver com um ou outro elemento; num diagnóstico geral, falta compromisso, espírito guerreiro e abnegação. E só isso justifica que, por exemplo, Tozé – um elemento tão acarinhado por uma franja de adeptos portistas e em relação ao qual há muito se exigia uma oportunidade – tenha sido uma verdadeira nulidade. Neste contexto, qualquer novo corpo que se integre nesta equipa (?) é engolido e consumido pela falta de motivação, de confiança e de vontade. Numa palavra, pela tristeza.
De facto, com a excepção de Herrera, que – melhor ou pior – foi sempre dos que mais se deu ao jogo, o meio-campo nunca carburou e os homens da frente raramente decidiram bem. O FC Porto jamais assentou o seu jogo, porque, nesta fase, nem sequer tem uma ideia do que isso seja. Mas pior: nunca soube filtrar o jogo adversário e anular as rápidas transições ofensivas dos algarvios, quase sempre comandadas por Rui Duarte, Lucas e Femi.
No reatar da partida, Luís Castrou tentou dar alguma imprevisibilidade e irreverência à frente de ataque portista, com a saída de Tozé para a entrada do jovem Kayembe, um dos bons valores da equipa B. É certo que o jogo ficou um pouco mais rápido e interessante mas a produção ofensiva do FC Porto continuou a pautar-se por um redondo zero – o pouco que se criava era, invariavelmente, desperdiçado, muitas vezes de forma indecorosa. Assim aconteceu com Varela ao minuto 58 e com Herrera ao 66, exactamente o mesmo em que Dionisi dilatou a vantagem da equipa algarvia depois de Jander (belíssimo lateral-esquerdo) ter passado de mota por Maicon e ter servido o italiano no centro da área.
Vendo o barco a afundar-se e a equipa perfeitamente desencontrada, o técnico portista – hoje aparentemente muito mais resignado do que em qualquer momento anterior – fez sair Varela e lançou Licá. O ex-Estoril pouco impacto teve no jogo – seria até surpreendente, pelo que já se disse, que fosse de outra forma – mas foi já consigo em campo que o FC Porto reduziu a desvantagem no momento menos triste da tarde: na sequência de uma bola rechaçada de canto, Herrera encheu o pé e assinou um golo de belo efeito ao minuto 82. Numa aparente manifestação de fé mas sem verdadeira crença, Castro fez adiantar e fixar Maicon na área do Olhanense – o certo é que o FC Porto nem capacidade para jogar um futebol rudimentar como é o clássico “chuveirinho” para área manifestou.
Ricardo, mais uma vez adaptado a lateral, sentiu dificuldades Fonte: Getty Images
O resultado final e a vitória assentam bem à turma comandada por Giuseppe Galderisi – quanto mais não seja, porque foi o único conjunto de jogadores que demonstrou vontade em ganhar a partida (tendo ainda razão de queixa de Cosme Machado, já que ficou um penalty por assinalar sobre Dionisi, ao minuto 56’). Nesta altura do campeonato, o FC Porto já desistiu de si próprio. Não há qualquer tipo de convicção a cada jogada ou um pequeno pingo de solidariedade entre os jogadores, que estão hoje desligados do jogo e, mais grave, da camisola que envergam. E se há pequenas excepções, elas são engolidas pela ausência de fibra e de crer da maioria – assim o FC Porto agonia e (sobre)vive neste penoso final de temporada.
A Figura
Hector Herrera – o mexicano foi o elemento mais esclarecido do meio-campo. Mesmo num péssimo relvado, demonstrou alguns pormenores técnicos de qualidade e foi dos poucos que manteve um nível aceitável ao longo da partida. Se bastava isto para ser considerado o menos mau, ainda rubricou o único momento digno da camisola e do símbolo que enverga, com um golo de grande categoria.
O Fora-de-Jogo
Carlos Eduardo – podia ser Danilo. Ou Maicon. Ou Tozé. Ou quiçá outro qualquer. Nesta fase, e a cada jogo, fica cada vez mais difícil escolher a figura negativa, porque quanto mais se bate mais o fundo desce… Escolho, porém, Carlos Eduardo, por uma simples razão: dizem que foi titular mas acho que ninguém o viu em campo.
Apesar das compras milionárias de jogadores como Gonzalo Higuaín (40 milhões) e Carlos Tevez (15 milhões), o melhor marcador da Serie A italiana é, a três jornadas do fim, o jovem avançado do Torino Ciro Immobile, que leva 21 golos na competição, um a mais do que Luca Toni, dois a mais do que Carlos Tévez e quatro a mais que Gonzalo Higuaín.
Immobile completou 24 anos em Fevereiro deste ano e tem o seu passe dividido entre os dois clubes de Torino, a Juventus e o Torino. A fantástica época que o avançado está a realizar ajudou o Torino não só a evitar a despromoção, mas a ocupar um fantástico sexto lugar a três jornadas do fim, lutando assim por um possivel apuramento para a Liga Europa do próximo ano.
A Juventus comprou Immobile após recomendação de Ciro Ferrara em 2008 pela modesta quantia de 80 mil euros, ainda o jogador tinha 18 anos e actuava no Sorrento. De 2009 a 2012, Immobile completou a sua formação na vecchia signora mas disputou apenas três partidas no campeonato italiano pela equipa principal, tendo feito a sua estreia na Serie A e na Liga dos Campeões em 2009.
Immobile é a estrela de um Torino que ainda sonha com a Europa Fonte: zimbio.com
A falta de minutos de Immobile pela equipa levou a sucessivos empréstimos. Em 2010/2011 foi emprestado ao recém-relegado Siena, onde fez apenas 4 jogos, apontando 1 golo. A falta de jogos na primeira metade da época levou-o a novo empréstimo, mas desta vez ao Grosseto, onde apontou 1 golo em 16 presenças. Na época seguinte, Immobile foi novamente emprestado a um clube da Serie B, desta vez o Pescara, sendo a peça mais importante na subida do clube ao escalão principal do futebol italiano, apontando uns fantásticos 28 golos em 37 jogos. As exibições de Immobile não passaram despercebidas e o Génova assegurou a co-propriedade do passe do jogador, pagando 4 milhões à Juventus e garantindo o serviço do artilheiro mor da segunda divisão do futebol italiano para a época de 2012/2013.
A primeira época de Immobile como titular na Serie A foi então ao serviço do Génova, onde marcou 5 golos e disputou 33 partidas. Não foi muito, mas foi o suficiente para a Juventus comprar a metade do passe do jogador que tinha vendido anteriormente por 2,75 milhões de euros, para a vender exactamente pelo mesmo valor ao Torino.
Immobile na sua estreia pela squadra azzurra, este ano, num amigável contra a Espanha Fonte: zimbio.com
Chegamos então à época em que nos encontramos, onde Immobile leva 31 partidas na Serie A e 21 tentos apontados, estando a ser o melhor avançado do campeonato e tendo neste momento provavelmente, merecidamente e esperançosamente, um lugar nos 23 convocados de Cesare Prandelli, podendo até ser o avançado titular da selecção italiana devido às muitas dores de cabeça que Balotelli insiste em causar.
No final da época a Juventus terá de tomar uma decisão: comprar o resto do passe de Immobile ao Torino ou vender o jogador em conjunto com o rival da cidade, sendo que pretendentes não faltam, com o Dortmund e o Atlético de Madrid na linha da frente pela aquisição do passe do jogador, avaliado em cerca de 25 milhões de euros.
Um bom Mundial poderá ainda inflaccionar o valor do jogador, que recentemente expressou interesse em jogar na Europa ao serviço do Torino. O que quer que ele decida, certo é que se a Juventus decidir vender a sua metade do passe de Immobile estará a cometer um grande erro, principalmente depois da exibição patética dos seus avançados no conjunto das duas mãos das meias-finais da Liga Europa contra o Benfica.
“Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre.” Não encontrei melhor forma de começar esta crónica senão com esta citação retirada de um dos maiores poetas portugueses de sempre, Fernando Pessoa. E nesta frase podemos, em poucas palavras, sentir aquilo que foi a época azul e branca. Com apenas dois jogos para disputar e sem nada para vencer, resta ao FC Porto o consolo de poder vencer duas partidas para tentar fazer aquilo que em raras vezes fez este ano: cumprir a sua obrigação de ganhar todas as partidas.
Dez meses depois do início da pré-época, com um treinador novo, com jogadores novos, com uma nova face no plantel, é fácil olhar para trás e dizer que as soluções foram erradas e que tudo deve mudar. Fui um crítico severo em diversas ocasiões desta temporada, mas noutras ocasiões alertei para a leviandade com que, na minha opinião, certos comentários e análises foram feitos pela nação portista.
Esta tem sido uma época impensável para aquilo que é a história recente portista. Os mais otimistas acreditam que não há “duas sem três” e que, depois dos títulos encarnados em 2005 e 2010, 2014/2015 será uma temporada de mudança e de retoma azul e branca. Os mais pessimistas fazem de crónicas de jornal e programas televisivos espaços para puras dissertações sobre o fim de ciclo portista. Bom, como já disse em outros textos aqui no Bola na Rede, acredito que qualquer um dos cenários é possível. Isto, claro, dependendo das decisões que se tomarem nas próximas semanas.
Escrevi na última semana que o FC Porto teria de olhar para dentro e provocar uma “revolução inteligente”. Isto porque não acredito em mudanças radicais ou que a melhor solução seja mandar embora os 23 ou 24 jogadores do plantel para trazer outros tantos, como se as fórmulas mágicas resultassem dessa forma no futebol.
Paulo Fonseca esteve aquém das expectativas Fonte: goal.com
Há por isso questões pertinentes que surgem perante os responsáveis portistas, sejam eles quais forem. Isto porque tem sido badalado que Antero Henrique, homem forte do futebol portista, pode estar de malas feitas para fora do Dragão nos próximos tempos. Os optimistas dizem que este é o primeiro passo para um novo ciclo na equipa portista; enquanto que para os pessimistas este é apenas mais um argumento para defender que algo não vai bem nas hostes portistas. Bom, não sou um profundo conhecedor dos meandros do clube, e portanto não sei se os recentes ataques à moradia de Antero Henrique são o primeiro sinal de que o seu tempo já acabou no clube. Acredito, por isso, que quem tenha orquestrado esses ataques cobardes de facto saiba que Antero é um dos principais responsáveis pelo que se passou.
Com a chegada de Alexandre Pinto da Costa, muito tempo tem sido utilizado para questionar se uma “luta pelo poder” não está a chegar em força aos corredores do Dragão. Neste triângulo entre Antero, Pinto da Costa e o seu filho, veremos se os três protagonistas se mantêm, sob o risco do mau ambiente se manter, ou se por outro lado alguém sai, sendo que Antero Henrique parece ser o elo mais fraco desta equação.
Relativamente ao treinador, tem sido vários os nomes apontados: desde Marco Silva a Fernando Santos, passando por Pellegrini, Michel ou Mano Mezezes, são vários os candidatos a comandarem a equipa dentro de dois meses. Na minha modesta opinião, creio que por enquanto chega de apostas em treinadores com pouca experiência de equipas grandes, pois o atual momento portista assim o exige. Com uma época a roçar o medíocre, a equipa vê-se obrigada a disputar em Agosto um play-off para conseguir alcançar um dos grandes objetivos da temporada em termos desportivos e financeiros: a fase de grupos Liga dos Campeões. Com uma época fantástica por parte do Benfica, na época desportiva terá que estar ao leme um treinador sem receios de colocar uma equipa em sentido e com a difícil tarefa de devolver a esperança aos adeptos portistas. O nome continua por desvendar, mas, ao que tudo indica, Pinto da Costa já terá o nome do técnico na cabeça. Depois de Vítor Pereira e Paulo Fonseca, algo me diz que o presidente não voltará a cometer riscos e acabará por abrir os cordões à bolsa para ir buscar um treinador experiente.
Pinto da Costa e Antero, se ficar, terão de operar uma “revolução inteligente” Fonte: ZeroZero
No que diz respeito aos jogadores, essa parece ser a equação mais difícil de ser resolvida. Há muitos jogadores ainda com um contrato prolongado e, em virtude da fraca prestação desta temporada, não é preciso ser adivinho para perceber que não será fácil encontrar uma solução no mercado para estes jogadores. Depois, os activos verdadeiramente relevantes para a equipa, como Mangala, Fernando e Jackson Martinez, desvalorizaram-se esta temporada, o que provoca um enorme problema para um clube que nos tem habituado a ser exigente na hora de negociar. A conjuntura económica não tem dado tréguas aos clubes e é fácil prever que o FC Porto terá de vender uma ou duas jóias da sua coroa. Após uma época onde a qualidade raramente se viu, só alguma venda por valores elevados permitirá, depois, reforçar um plantel que poucas vezes provou estar à altura do desafio.
Por tudo isto, e porque estamos em ano de Mundial, a situação não se avizinha fácil. Há vários jogadores que partirão rumo ao Brasil sem saberem se voltarão ao Olival; há outros que acabarão por ser vendidos, permitindo ao FC Porto fazer um bom encaixe; e outros tantos que acabarão por continuar a vestir a camisola portista por falta de capacidade de colocar em todos os “erros de casting” deste ano num sítio bem longe do Dragão. Depois de um tri-campeonato tirado a ferros, a estrutura terá de colocar as guerras de poder de lado e fazer aquilo que raramente fez este ano: a sua obrigação. Falo da necessidade de dotar a equipa de qualidade e de quantidade, de dotar a equipa de um treinador competente, seja português ou não, e principalmente de dotar a equipa de um espírito que raramente se viu este ano: o espírito portista. A dois meses de um novo começo, para estes protagonistas basta fazer uma coisa: a sua obrigação. Acho que não é pedir muito.
Com uma fase de grupos bem mediana e sem nenhum clube se apresentando de forma espetacular – muito pelo contrário -, clubes importantes nos seus respectivos cenários nacionais, como Flamengo, Botafogo, Universidad de Chile, Newells Old Boys ou Peñarol, nem sequer passaram para o mata-mata.
Tudo se levava para o óbvio: os maiores ganhando aos menores e assim por diante, mas como estamos falando de futebol as coisas mudam. Os clubes ditos como “pequenos” bateram de frente com as grandes forças do continente e não se amedrontaram: os “pequenos” derrubaram os “gigantes”. Um bom exemplo disso foi o confronto entre Nacional (PAR) e Vélez (ARG). O Vélez, clube da melhor campanha na fase de grupos, foi eliminado pelo pior da fase de grupos – o clube paraguaio venceu o confronto agregado por 3-2 (1-0 / 2-2). Outra grande zebra foi a queda do atual campeão da Copa, o Atlético Mineiro (BRA) de Ronaldinho Gaúcho e companhia, que foi eliminado pelo bom time do Nacional de Medellín (COL), com um agregado de 2-1 (1-0 / 1-1). Este jogo foi este marcado por uma polêmica: o gol do time colombiano no final do jogo, que definiu a classificação, foi irregular, mas isso não tira os méritos do Nacional na sua classificação e o péssimo desempenho do atual campeão. O San Lorenzo (ARG), famoso time do Papa Francisco, também aprontou para o tradicional clube do Grêmio (BRA), empatando a partida no agregado de 1-1 (1-0 / 1-0) e ganhando nos pênaltis por 4-2.
O San Lorenzo eliminou o Grêmio nos penalties Fonte: lancenet.com.br
Fora esses jogos, não destaco nenhuma outra zebra, mas ressalto o grande esforço do Cruzeiro (BRA), atual campeão do campeonato brasileiro, para passar o Cerro Porteño (PAR). Outra equipe que posso destacar é a equipe do Bolívar (BOL), que vem se mostrando muito aguerrida na competição e que pode dar trabalho aos seus adversários.
Os confrontos das quartas de final ficaram assim:
Nacional (PAR)
Arsenal (ARG)
Nacional (COL)
Defensor (URU)
San Lorenzo (ARG)
Cruzeiro (BRA)
Lanús (ARG)
Bolívar (BOL)
Do modo como as coisas andam, fica muito difícil prever algo para as quartas de final.
Vejo o Cruzeiro como grande favorito, não só no duelo com o San Lorenzo, mas também à conquista do título. A equipe brasileira tem seu elenco muito bem reforçado e também não tem nenhum grande adversário pela frente, caso passe às próximas fases.
O confronto que destaco é o Lanús-Bolívar. Acho é uma eliminatória com um desfecho muito difícil de prever: ambas equipes mostram um futebol bem aguerrido e batalham muito dentro de campo. Outro fator de igualdade entre ambas as equipes é o facto de ambas as equipas serem muito fortes em casa. Se tivesse que apostar numa classificação, apostaria na do Bolívar.
O Bolivar ultrapassou o Club León e pode chegar às semi-finais Fonte: globoesporte.globo.com
O Nacional-Arsenal também é difícil de prever: o Nacional vem de uma grande classificação – eliminou um dos favoritos a conquista do titulo, o Vélez Sarsfield – e o Arsenal – tem como técnico o ex-jogador Martin Palermo – mostra um futebol um tanto quanto irregular. Apostaria na classificação do Nacional.
E, por último, mas não menos importante, o Nacional de Medellín-Defensor. Aqui eu vejo um pouco de vantagem para o time colombiano, o Nacional, que eliminou o atual campeão da competição e mostra um bom futebol desde a fase de grupos. O Defensor é um time que joga um futebol típico do Uruguai – muita garra, mas muito pouca qualidade técnica. Apostaria numa classificação do Nacional.
Texto de Mateus Andrade, redactor externo brasileiro
O SATA Rallye Açores afigura-se cada vez mais como uma prova de topo a nível europeu e mesmo a nível mundial. O rali, que se disputa na ilha de São Miguel, é cada vez mais reconhecido como uma prova de excelência e tem ganho a olhos vistos um lugar de destaque no mundo dos ralis, sendo que muitos dizem que esta é uma versão melhorada da prova da Nova Zelândia.
A edição de 2014 da prova açoriana vai para a estrada nos próximos dias 15 a 17 de maio, e, apesar de ainda não ter saído a lista de inscritos – o Autosport fala em 55 –, já se vai sabendo que muitos dos principais nomes do Europeu vão estar presentes, o que está a causar muito interesse. Um bom exemplo disso é o facto de os hotéis da ilha já estarem praticamente cheios para a altura. Se me permitem um desabafo mais regional, só não vem mais gente porque as viagens de barco entre as ilhas apenas começam na semana seguinte.
As paisagens fazem deste um rali especial Fonte: www.satarallyeacores.com
Na apresentação ao público, feita na passada terça-feira, foram apresentadas várias novidades. A mais importante é que a prova se mantém no ERC (campeonato europeu de ralis) pelo menos até 2016. A nível promocional dos Açores no estrangeiro – um dos grandes objetivos da prova – também foram anunciadas as transmissões em direto na Eurosport das duas passagens pelas Sete Cidades e pela Tronqueira, assim como a transmissão em direto no site do ERC das duas passagens pelo troço das Feteiras. Também os canais portugueses, especificamente RTP Açores, RTP 2 e RTP Internacional, irão transmitir algumas especiais.
Os canais nacionais e o canal internacional da RTP irão transmitir as especiais que vão estar disponíveis também na Eurosport. O canal público açoriano irá transmitir igualmente todas as da Eurosport, assim como a super especial Grupo Marques, que este ano foi revista e aumentada, incrementando assim a sua espetacularidade. Estas transmissões serão muito importantes para dar a conhecer a região, assim o tempo ajude.
A nova máquina de Moura ainda em Inglaterra Fonte: Autosport
Quanto a pilotos, a principal novidade vai para Ricardo Moura, atual campeão nacional e açoriano de ralis, que vai passar a contar desde esta prova com um Ford Fiesta R5. Moura passa assim a ser o terceiro piloto com este novo carro em Portugal, esperando que este ainda lhe dê as condições de chegar ao título, num campeonato que está a ser dominado por Pedro Meireles, com três vitórias em outros tantos ralis. Com este novo carro, o açoriano vai tentar melhorar o terceiro posto alcançado o ano passado.
Esta edição ganha um novo slogan – “For the Braves” – pois esta é uma prova difícil, havendo alguns troços em que o mínimo erro pode ditar um acidente grave. O SATA Rallye Açores é assim cada vez mais uma prova de destaque mundial, seja pelos seus fantásticos troços, seja pelas paisagens que acompanham estes mesmos troços.
Moraes, Alexandre Batista, José Carlos e Hilário. A meu ver, depois da célebre linha avançada dos cinco violinos, esta linha da defesa foi a mais célebre linha que teve o Sporting Clube de Portugal. Todos eles «Magriços», conformaram a defesa mais temida do futebol português dos anos 60. Além disso, Moraes, no tempo em que jogava a extremo-esquerdo, foi o autor do celebérrimo golo olímpico que deu ao Sporting a Taças das Taças. Poderia, portanto, dedicar a vários destes defesas leoninos esta crónica. Alexandre Batista, por exemplo, era um defesa-central fino, elegante, com uma técnica excelente na linha dos grandes centrais portugueses como Francisco Ferreira, Germano ou mais tarde o Humberto Coelho – poderia ser, portanto, a estrela desta crónica. José Carlos era um excelente quarto-defesa, ainda que talvez o mais normal deste quarteto defensivo. No entanto, o Sporting Clube de Portugal tinha um defesa-esquerdo que superava tudo e todos, que se chamava Hilário Rosário da Conceição.
O Sporting encontrou-o e foi buscá-lo no final da década dos 50 ao Sporting de Lourenço Marques. No princípio da seguinte década, o seu clube pretendeu utilizá-lo, sem êxito, para que o mítico Eusébio assinasse pelo Sporting. Era, tal como Coluna, considerado um jogador com peso. Mal chegou, apropriou-se do lugar e foi convocado de imediato pela seleção. Sendo lateral-esquerdo, era um jogador que não era propriamente exímio com o pé esquerdo; no entanto, tinha um grande poder de concentração e um enorme sentido do corte. Sendo contemporâneo do benfiquista Fernando Cruz, o seu lugar fixo na seleção nacional era inquestionável. Foi repetidamente campeão nacional com o seu clube, vencedor de Taças de Portugal e vencedor da Taças da Taças, ainda que uma grave lesão o tenha impedido de jogar a final.
Lesionado, beija a Taça das Taças Fonte: sportingvintage.blogspot.com
Temos de remarcar bem que este excelente Sporting teve a pouca fortuna de conviver com o melhor Benfica de todos os tempos e com a linha avançada mais temível que floresceu em Portugal. Muitas vezes, os famosos duelos entre os dois grandes rivais do futebol português, eram publicitados por adeptos ou comentaristas como o jogo da melhor defesa contra o melhor ataque. O Benfica-Sporting era, e a meu ver ainda é, o verdadeiro duelo do Campeonato. Qualquer amante do futebol festeja a evidente recuperação do Sporting porque sentar-se nas bancadas da Luz ou de Alvalade durante um dérbi é uma sensação única.
No entanto, Hilário atingiu o zénite da sua carreira ao serviço da seleção que disputou o Mundial de Inglaterra. Foi titular indiscutível e considerado o magriço mais regular durante o Mundial. O reconhecimento internacional ficou patente e posteriormente chegou a formar parte de uma Seleção de Europa, seguindo a senda do Travassos. Era um atleta aplicado e essa condição levou-o a representar o Sporting durante quinze épocas. Este mito do futebol sportinguista, para adaptar-se a jogar com botas, de que passar pelo basquetebol para adaptar-se primeiro a algum tipo de calçado. Tal como tantos outros, a sua escola de futebol era o ar livre, descalço. No entanto, nada disso impediu que Hilário fosse o que foi: um jogador com um rigor tático invejável.
Com a conquista, há cerca de duas semanas, do Campeonato Nacional por parte do Benfica, facilmente se cai na falácia de pensar que a principal competição de clubes em Portugal teve um termo, que deixou de interessar. A juntar a esta realidade advém o facto de, para as hostes leoninas, estar, também, tudo decidido – o 2º lugar já não foge, assim como a entrada directa na Liga dos Milhões. É inexequível refutar que tudo o que atrás foi dito é a mais pura das verdades – é o real -, mas, a meu ver, as duas jornadas que restam jogar, assim como o tempo que ainda vai até ao início do Mundial do Brasil, ainda trazem alguns aliciantes para o Sporting Clube de Portugal.
Em primeira instância surge o facto de o clube do leão ainda defrontar dois emblemas do top five da presente edição do Campeonato. Estoril e Nacional realizaram um campeonato exímio, com destaque óbvio para a equipa de Marco Silva, que se afirmou como uma certeza do futebol português. Um nome e uma equipa definitivamente a ter em conta. Se atendermos ao facto de que, na primeira volta, quer contra o Nacional,de Manuel Machado, quer contra o Estoril, o Sporting não conseguiu alcançar os 3 pontos (empate a zero na Amoreira e em Alvalade, no jogo que representou o cume da obra-prima de Manuel Mota), levar de vencidas ambas as equipas ganha um significado especial.
Na primeira volta, Estoril e Nacional representaram duas pedras no sapato do leão Fonte: zerozero.pt
De seguida, importa dizer também que a alguma “folga” com que o Sporting pode encarar os dois jogos que se avizinham – apesar de a vitória ter de ser um objectivo, é inegável que o Sporting, à partida, entrará em campo sem nervosismos – benefeciaalguns jogadores menos utilizados e de valores em possível ascenção na equipa B. Jogadores como Iuri Medeiros, Ricardo Esgaio ou até Wilson Eduardo podem aproveitar da melhor forma os jogos com Estoril e Nacional para mostrar serviço. Quem sabe se futuras boas exibições de Medeiros, Esgaio ou Dramé (em evidência nos bês) não abrem caminho a uma integração na equipa principal já na próxima temporada.
Por fim, mas não menos fulcral, as partidas com canarinhos e insulares servirão indubitavelmente para “pôr a limpo” que jogadores leoninos poderão marcar presença no Campeonato do Mundo, que se aproxima. Do lado português estão na calha Rui Patrício (uma certeza), Cédric Soares (uma possibilidade relativamente forte), Adrien Silva (uma possibilidade em que Paulo Bento teima em não apostar), William Carvalho (uma forte possibilidade), André Martins (uma fraca possibilidade) e Carlos Mané (uma possibilidade, também, e que tem vindo a ser notícia precisamente devido a uma possível eleição para os 23). Do restante plantel leonino restam Marcos Rojo (uma certeza, ao serviço da selecção das pampas) e Islam Slimani, que marcará certamente presença na equipa da Argélia.
Quando Mark Clattenburg apitou para o final da partida, Portugal e o Mundo voltaram a eclodir. Não foi apenas um jogo que se ganhou, não foi sequer apenas uma eliminatória ou até o facto de o Benfica ter alcançado, pela segunda vez consecutiva, uma final europeia – da grandeza e da capacidade do meu clube de coração nunca duvidei eu nem qualquer adepto que se assuma verdadeiro. O que se alcançou foi a glória de uma batalha que nos colocou tudo como nos foi retirado indevidamente no ano passado. Contra uma Europa cada mais desacreditada, com a força da qualidade e não da quantidade, com o querer de fazer justiça, o Benfica gelou Turim e o 4º anel voltou a acenar. Os heróis de Turim não tiveram menos do que mereceram: uma recepção apoteótica.
Nas imediações do Aeroporto Militar de Figo Maduro, a massa benfiquista começou a reunir-se logo por volta da meia-noite. Aos poucos foram chegando, de cachecol ao peito ou de bandeira na mão, mas carregando as cores que não os deixavam mentir: vinham abrir espaço para “deixar passar o maior de Portugal”. As horas que se esperaram, bem mais tranquilas do que os minutos que sucederam a expulsão do motor Enzo, fizeram-se de festa, de cânticos e de alegria sem fim. Ainda assim, estavam todos cientes de que a taça ainda morava em Turim e não na Luz, embora a morada já fosse conhecida dos encarnados. O fumo de uma ou outra tocha que se acendia enquanto o autocarro ainda fugia de vista não podiam, de forma alguma, fazer prever o inferno que ali se iria instalar quando a comitiva benfiquista se encontrasse enfim com a multidão.
A festa encarnada no Aeroporto Militar de Figo Maduro
E o inferno aconteceu. Por volta das quatro horas da madrugada, o autocarro encarnado abraçou os adeptos, em êxtase. As cerca de duas a quatro mil pessoas foram incansáveis e, abrindo caminho, acompanharam o autocarro enquanto as forças policiais permitiram. O que ali se viveu foi inexplicável, alcançável apenas por quem seja capaz de sentir assim. Não se confunda o leitor, ou não confunda o leitor a essência daquilo que escrevo. Estou lúcido, como qualquer benfiquista que tenha acompanhado o descalabro final da época passada, e sei, melhor do que nunca, que os festejos devem ser guardados para depois das conquistas. O que aqui estou a ressalvar é a unicidade, a magia e a magistralidade do fenómeno benfiquista. Quando um jogador faz 10 temporadas ao serviço do Benfica e é capitão da equipa e ainda é surpreendido pela massa adepta, pouco fica por dizer. “Nossa Senhora”, não conteve Luisão.
Estamos de novo a 90 minutos de conquistar as taças que vêm com um ano de atraso, com um extra: a Taça da Liga. Depois do indiscutivelmente merecido campeonato, Leiria, Jamor e Turim têm de ser epicentros de pelo menos mais três sismos vermelhos. Que haja terra para tanto tremor.
Quando André Villas-Boas decidiu emigrar e deixar para trás a ‘cadeira de sonho’, os então pupilos do jovem técnico encontraram-se nos olhares e nas angústias e questionaram-se: “se depois de nos ter guiado e ajudado a ganhar tudo, ele nos deixa, que vamos ficar nós aqui a fazer?”. Da inquietação à acção, Falcao partiu para Madrid para ajudar à construção deste, hoje, super-Atleti, e outros, por entre desconforto e declarações menos próprias, desceram de rendimento ou acabaram por sair, com, aqui ou acolá, pequenas excepções.
Se para Vítor Pereira, a herança, per si, já era estrondosamente pesada, mais ficou com a saída do colombiano e perante a ausência de uma verdadeira alternativa. Nessa época, o FC Porto viveu com Kléber ou Hulk, primeiro, e com Janko, depois, como ‘9’. Por diferentes motivos, nenhuma das soluções era uma verdadeira garantia, ainda para mais quando o portista se habituara ao voo e à classe de El Tigre.
Percebendo-o, o Dragão atravessou o Atlântico e fez um périplo até à cidade de Chiapas, no México, buscando a sua nova galinha dos ovos de ouro. Vindo do Jaguares e com nome de estrela pop, Jackson Martinez aterrou no Porto com a promessa de ter a camisola ‘9’ à sua espera – aquela que fora de Gomes, Domingos, Lisandro ou … Falcão. E com um enorme selo de garantia, daqueles simbólicos mas impagáveis: a companhia de Pinto da Costa, num enorme depositar de confiança e expectativas.
E Jackson não desiludiu. Numa altura em que tanto se critica o colombiano, é bom ter memória: Cha Cha Cha, como lhe chamam, no primeiro jogo que fez com a camisola azul-e-branca já estava a marcar e a dar títulos ao FC Porto (1-0 contra a Académica, Supertaça 2012); depois disso – e na época de estreia no futebol europeu, não esquecer! – foi o rei dos marcadores no campeonato (26 golos), com a melhor média (0.87 golos/jogo), e ainda facturou 3 vezes em 8 jogos na Champions. Mais do que isso, ajudou, de forma incontestável (30 presenças em 30 jornadas, 2685 minutos em 2700 possíveis) a equipa a revalidar o ceptro de campeão nacional e, ao todo, em 43 jogos, facturou 31 vezes. Nada mau para um rookie…
Faça sol ou chuva, Jackson é a referência do ataque portista Fonte: A Bola
E, ainda que vivamos numa ditadura dos números, o futebol continua a ser bem mais do que isso. Jackson é o protótipo do ponta-de-lança moderno: forte e imponente fisicamente, com poder de choque, é perito em recuar e dar apoio central ao jogo da equipa, endossando depois para as laterais, permitindo a exploração da largura de jogo do colectivo. Mais do que isso, tem grande qualidade técnica (é incrível, principalmente, a forma como recepciona a bola, tornando-a desde logo jogável em óptimas condições), é relativamente rápido e tem boa impulsão, à qual alia um jogo aéreo bem interessante. Apesar da sua densidade corporal, sabe cair nos flancos e, mais importante para um ‘9’, posicionar-se na área. Junta à sua enorme eficácia um dom natural para assinar golos e jogadas recheadas de ‘nota artística’, como o tento diante do Sporting, no Dragão, na época passada.
Numa altura em que tanto (ou quase tudo) se coloca em causa no FC Porto, o colombiano não está imune às críticas. É até natural que assim seja, tamanha é a incredulidade portista com a falta de qualidade e personalidade que o Dragão passeou por tantos e tantos campos esta época. De facto, o penalty falhado (e a forma como o falhou) diante do Benfica, no último Domingo, levou a um explodir de frustração sobre Jackson, que, em abono de verdade, é exagerado e injusto – é certo que o actual ‘9’ do FC Porto, por vezes, diz o que pensa e não pensa no que diz, tal como claro é que o rendimento do colombiano desceu uns furos este ano, em comparação com a temporada transacta. Ainda assim, tendo isso como um dado óbvio, parece-me indesmentível que, como outros, Jackson foi muito vítima da forma como o FC Porto (não) jogou, da maneira como a equipa e o modo de jogar foram pensados principalmente por Paulo Fonseca, deixando não raras vezes Cha Cha Cha como uma verdadeira ilha (ou com um Lucho inadaptado como companheiro).
O golo diante do Sporting: um dos momentos mais altos de Jackson ao serviço do FC Porto Fonte: www.jornalacores9.net
O desgaste emocional – para além do físico – que muitos jogadores do plantel deste FC Porto foram acumulando ao longo destes meses – agravado de forma evidente após a derrota e consequente eliminação da Liga Europa às mãos do Sevilha –, com evidentes repercussões ao nível da performance dentro das quatro linhas, não deve nem pode servir como uma enorme pala para avaliar e julgar determinados jogadores que, num passado recente, já tanta qualidade demonstraram e tantos títulos assinaram. Como é o caso de Jackson.
Porque se assim for, lá terei de recorrer aos números novamente. É que, apesar de tudo, Jackson só depende de si para ser novamente o melhor marcador do campeonato (para já, 19 golos em 28 jogos), detém, de novo, a melhor média golos/jogos e, ao todo, já festejou 28 vezes em 49 jogos em toda esta sofrível temporada. E não foi com este FC Porto que o conseguiu; foi apesar deste FC Porto.
Tivesse eu a possibilidade e o atrevimento de mandar um pouco que fosse e Jackson seria o meu ponta-de-lança. E, com 27 anos, sê-lo-ia por muitos e bons anos. Até já não poder ou não saber mais dançar o Cha Cha Cha perante os centrais adversários. Se tal não for realisticamente possível, que vá ser feliz num destes tubarõ€s que por aí agora pululam. Porque qualidade para isso não lhe falta. Jackson é top. E eu sou fã.