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Rui Patrício | A carreira de um homem discreto

Ricardo Conceição · 3 min

Rui Patrício
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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O tempo veio dar-lhe razão e Rui Patrício acabou por se tornar uma das mais destacadas figuras do clube e da seleção nacional

No início de dezembro, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) organizou e na minha opinião muito justamente, uma homenagem a Rui Patrício na Cidade do Futebol em Oeiras.

Patrício foi, sem dúvida, o guarda-redes mais decisivo e titularíssimo do Sporting e da seleção nacional da última década. É o guarda-redes mais internacional por Portugal com 108 internacionalizações.

Mas para melhor olharmos para a fantástica carreira de Rui Patrício temos de recuar a 19 de Novembro de 2006 quando o então treinador do Sporting, Paulo Bento decidiu apostar num jovem de 18 anos num jogo importante nos Barreiros. Os leões viriam a vencer por 1-0 diante do Marítimo e Patrício acabou por defender uma grande penalidade que mudou a sua carreira.

Porém, o mérito de Paulo Bento na ascensão da carreira de Rui Patrício não se ficou pela estreia. Como o guarda-redes salientou na homenagem e agradeceu, foi a insistência e paciência que ele teve com ele. Diante dos erros normais de um jovem guardião que estava a começar a carreira, Paulo Bento nunca o deixou cair, manteve-o na baliza leonina contra muitas vozes discordantes.

O tempo veio dar-lhe razão e Rui Patrício acabou por se tornar uma das mais destacadas figuras do clube e da seleção nacional com a confiança que Bento lhe deu naquele período complicado do início da sua carreira.

Depois seguiu-se uma década de ouro de Rui Patrício no clube e na seleção, incluindo a épica participação no Euro 2016. No torneio teve um papel essencial com algumas defesas inacreditáveis, nomeadamente na final com a França contribuiu para a nossa maior conquista até ao momento de um título a nível internacional de seleções.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

No entanto, neste “conto de fadas” surgiu uma mancha em 2018 com a invasão de gente fanática à Academia do Sporting que provocou a separação entre o guardião e o seu clube de uma vida. Ao contrário de muitos na altura eu não o vou julgar, Fez o que considerava melhor para ele e para sua família e isso não podemos contestar.

Depois da sua saída de Alvalade, passou por vários clubes medianos da Europa como o Wolverhampton de Inglaterra, a Roma e a Atalanta de Itália, mas não mais conseguiu atingir o brilhantismo alcançado de leão ao peito.

Essa conturbada saída acabou por criar-lhe demasiados anticorpos devido ao clima que se vive atualmente no nosso futebol, que não lhe permititram terminar a carreira onde justamente a tinha começado, no Sporting.

Chegou-se a falar a determinada altura principalmente depois da saída de Antonio Adán do regresso de Patrício, mas acabou por não se concretizar exatamente por esses anticorpos.

Rui Patrício
Fonte: Lara Carriço / Bola na Rede

Na globalidade da sua carreira, Rui Patrício deixa um legado de respeito, educação e honestidade, valores que rareiam no futebol atual.

Talvez tenha faltado um pouco o reconhecimento internacional ao guarda-redes jogando num clube internacional de ponta, mas não deixou de ter uma carreira extraordinária.

Mas vale a pena refletir porque isso nunca aconteceu. Na minha opinião, é porque é uma pessoa demasiado discreta que nunca se pôs em bicos de pés e raramente deu muitas entrevistas, ao contrário de outros que fazem o que for preciso para ganharem notoriedade.

O guarda-redes da seleção nacional portuguesa pode não ter tido a carreira fulgurante que se adivinhava, mas ganhou o mais importante, o coração dos portugueses.

Ricardo Conceição

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