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Académica OAF 3-0 FC Penafiel: Coimbra foi uma lição para os penafidelenses

A CRÓNICA: 11 CONTRA 11 E NO FIM VENCEU QUEM FOI (MUITO) MELHOR, A ACADÉMICA OAF

Abertura da jornada 24 em Coimbra, na já famosa noite de quinta-feira coimbrã, e vitória expressiva, esclarecedora e justa da melhor equipa em campo. Individual e coletivamente, houve mais e melhor Académica do que Penafiel e o resultado só peca por escasso. Assim, os da casa colocam fim a uma série de dois jogos sem vencer, enquanto os forasteiros igualam a pior série da época (oito jogos sem vencer) e averbam a maior derrota da temporada.

Primeiros quinze minutos pautados por um equilíbrio a todos os níveis, com oportunidades, pouco claras, a surgirem em ambas as áreas. O primeiro quarto de hora não fazia antever o que se seguiria na restante primeira parte. A Académica tomou as rédeas do jogo e não as deu sequer a experimentar aos forasteiros.

Aos 23 minutos, Chaby atirou em arco à junção dos ferros superior e direito da baliza à guarda de Luís Ribeiro. Primeiro aviso. Nove minutos volvidos e surge o segundo aviso, na forma de um castigo máximo, após falta sobre Mike Moura. Perdulário, o veterano Zé Castro rematou fraco e sem nexo pela relva e viu o guardião visitante não só defender mas agarrar a bola. No entanto, haviam sido entregues os dois avisos. À terceira, foi de vez. Traquina, lançado em profundidade, encarou Luís Ribeiro, endossou a bola para a sua direita para servir Leandro e este rematou para o golo, com a trajetória da bola a não ser intercetada por nenhum dos dois penafidelenses que tentaram travar a sua marcha até às redes.

A segunda parte iniciou-se com um Penafiel bem-intencionado e disposto a mudar (sempre o primeiro passo), mas com uma Académica mais perigosa do que o seu visitante. No entanto, a intenção precedeu, de facto, a ação e os forasteiros criaram perigo – e que perigo! – aos 53 minutos. Na sequência de um canto, Jeferson fez estremecer a trave da baliza defendida por Mika.

Aos 65 minutos, num dos poucos momentos de perfume futebolístico da segunda parte, João Mendes serpenteou pela defensiva adversária e, dentro da área penafidelense, desferiu um remate rasteiro que bateu Luís Ribeiro pela segunda vez. Um quarto de hora volvido e novo golo para os da casa, novo golo para João Mendes. Bola bombeada para a área penafidelense na sequência de um livre, mau alívio da defensiva alvirrubra e remate certeiro do “16” da Briosa. Até ao final, só deu Briosa, que criou mais um par de situações de perigo, valendo ao Penafiel Luís Ribeiro, guardião que merecia outro resultado. No entanto, foi mesmo com um 3-0 que se encerrou a partida.

A FIGURA

Fonte: Académica OAF

João Mendes – Excelente exibição do médio/avançado da Académica, coroada com dois golos. Mas não valeu apenas pelos tentos. João Mendes correu, jogou, fez jogar, ajudou a dar perfume ao futebol academista e auxiliou no (grande) dinamismo ofensivo apresentado pela Briosa. Apesar de exibições de grande nível de Traquina, Chaby, Osei, Dias, entre outros, conseguiu sobressair e ser a figura do encontro. 

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Penafiel

FC Penafiel – Péssima exibição alvirrubra, sem que haja a possibilidade de apontar individualidades. Falhou todo o coletivo penafidelense, com extensão ao banco. Exceção feita aos primeiros minutos da partida e aos primeiros instantes do segundo tempo, nos quais o Penafiel traçou um esboço de futebol, os visitantes não conseguiram nunca impor-se, nem travar o ímpeto dos da casa. Foi muito pouco Penafiel para muita Académica.

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF

Não abdicou do seu habitual 4-4-2 clássico (três linhas) o timoneiro academista. Quer a atacar, quer a defender, Barnes Osei e João Mendes formaram a linha mais avançada do sistema da Académica. Ricardo Dias, com funções mais defensivas e de equilíbrio, e Leandro, nas lides mais ofensivas, constituíram o eixo da linha intermediária. Traquina e Chaby alinharam pelas alas esquerda e direita, respetivamente. No entanto e como já é hábito, procuraram várias vezes os terrenos interiores, abrindo alas para os laterais Moura e Moura – Mike pela direita e Francisco pela esquerda.

Apesar de o desenho ser o mesmo e as dinâmicas as habituais, a Briosa apresentou-se mais volátil do que tem sido costume e os seus futebolistas aparentaram ter mais alegria e perfume no seu jogo, durante o primeiro tempo. Na segunda metade, também por crescendo do Penafiel, os academistas preteriram o dinamismo pela segurança, o perfume ofensivo pela gestão defensiva. Ainda assim, fizeram dois golos. 

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Mika (5)

Mike (6)

Arghus (6)

Zé Castro (6)

Francisco Moura (6)

Chaby (7)

Ricardo Dias (8)

Leandro (7)

Traquina (8)

João Mendes (9)

Osei (8)

SUBS UTILIZADOS

Brito (5)

Djousse (-)

Ki (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

A teoria indicava um 4-1-4-1, a prática não o permitiu muitas vezes. Foi raro ver Ronaldo sozinho na frente de ataque, sendo comum Schons acompanhar o seu colega na manutenção da linha mais adiantada. Em particular, na pressão (na forma tentada) à construção academista, com o sistema de Miguel Leal a transmudar-se para um 4-4-2.

Quando a Académica transpunha essa pressão, Ronaldo ficava, de facto, na frente com a singela companhia dos centrais da casa, sendo o penafidelense com o menor compromisso defensivo (por indicação de Miguel Leal). No momento de construção (face pouco visível da exibição penafidelense), a turma visitante mantinha duas linhas muito recuadas e afastadas da linha da frente, onde três ou quatro homens trabalhavam em busca de espaço para atacar a profundidade. Quando o encontravam, um dos jogadores mais recuados procura a supressão de linhas com um passe vertical. Foi uma solução que nunca o chegou a ser, utilizada muitas vezes (talvez demasiadas) por um Penafiel que, percebia-se, não acreditava ter capacidade para elaborar uma construção mais complexa.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (6)

Coronas (4)

Felipe Macedo (4)

Jeferson (5)

Paulo Henrique (4)

Rafa Sousa (5)

Ludovic (4)

Romeu Ribeiro (4)

Alan Schons (4)

Gleison (4)

Ronaldo (5)

SUBS UTILIZADOS

Miguel T. (4)

Kalika (4)

Capela (4)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Penafiel

Bola na Rede: O FC Penafiel tinha, até hoje, sete derrotas: seis pela margem mínima e uma por 2-0, na primeira jornada do campeonato. Hoje, sofreu a pior derrota da época. Considera que foi também a pior exibição do Penafiel na temporada?

Miguel Leal: Foi das piores, com certeza. Defensivamente, costumamos ser mais coesos, mais organizados, e hoje um jogador da Académica fintava dois ou três jogadores e isso não é norma. Portanto, algo não esteve bem. Vamos ver o que podemos melhorar para o próximo jogo.

 

Académica OAF

Bola na Rede: A Académica entrou para este jogo a 15 pontas da manutenção matemática e a 15 pontos da subida. A dez jornadas do fim, a cabeça da Académica está a olhar para baixo, para cima ou não está nem para aí virada?

João Carlos Pereira: A cabeça da Académica está virada para o próximo jogo, porque não faz sentido de outra forma. Neste momento, já estamos a preparar o jogo, já estamos a delinear estratégias. Os nossos jogadores sentem que estamos a crescer enquanto equipa, temos tido um bom desempenho e é continuar.

A pequenez do nosso Portugal

Portugal não tem, neste momento, qualquer equipa em prova nas competições europeias, algo que constitui um negativo marco histórico. Importa perceber a razão, mas, mais do que isso, importa, e de forma urgente, encontrar soluções para o oceano de pobreza que impera no futebol português.

Todos conseguem entender que o campeonato português está ferido de qualidade e de competitividade. Como já proferiu várias vezes ao longo desta época Vítor Oliveira, treinador do Gil Vicente FC, o campeonato português é nivelado por baixo e as equipas grandes não têm jogadores tão bons como tinham há algumas temporadas. Se todos pensarem bem, entenderão e concordarão com isto, quanto mais não seja por constatar o óbvio: hoje em dia, uma equipa turca consegue golear uma equipa portuguesa da mesma forma que uma equipa ucraniana, que teve uma pausa de Inverno de cerca de dois meses, consegue ter mais intensidade de jogo que o atual campeão nacional português.

Preocupante? Sem dúvida. Mas mais do que nos preocuparmos em arranjar uma solução, é imperativo perceber o porquê de todos estes passos atrás que o futebol português tem dado época após época. É usual quando temos jogos (alguns recentes) como um FC Porto – Liverpool FC ou um Sporting CP – Real Madrid CF escutamos os treinadores das equipas portuguesas queixarem-se da diferença de orçamento e de poderio face a esse tipo de equipas.

Os milhões de portugueses não são nada comparados com os camiões de dinheiro que esses clubes têm. Contudo, se olharmos à realidade do nosso campeonato, estes milhões portugueses são um absurdo face a todos os outros clubes. Apetece dizer inclusivamente que um ordenado mediano de um jogador do SL Benfica ou do FC Porto paga uma época inteira a um clube pequeno. Sim, é assim tão grande a disparidade orçamental entre três clubes (independentemente do Sporting CP não viver um momento bom) e todos os outros da Primeira Liga.

Porém, se um desses treinadores vier exatamente com o mesmo discurso de enfatizar a diferença de poderio económico, é visto como um treinador fraco que está a arranjar desculpas para resultados que não consegue obter. É por aí que começa. Numa junção terrível de falta de cultura desportiva com uma diferença absurda no que diz respeito às tesourarias dos clubes, em que a repartição (ou falta dela) dos direitos televisivos tem uma percentagem fundamental na agudização desta situação. A partir do momento em que em Portugal o mais importante é a clubite e não o jogo, colocamo-nos imediatamente a anos luz de países verdadeiramente ricos no respeito e na igualdade.

O campeonato português está efetivamente nivelado por baixo. As equipas pequenas em geral, com incomparavelmente menos recursos, têm mantido uma base muito mais sólida do que há alguns anos. Hoje, contrata-se melhor e potencia-se também melhor a chamada “prata da casa” com clubes como o Rio Ave FC a liderarem os nacionais nos escalões de sub19 ou sub23. O facto da formação em Portugal estar mais nivelada, com alguns clubes a terem melhores infraestruturas para a formação do jovem jogador, com redes de recrutamento melhor delineadas, aliadas à indispensável competência de quem treina e de quem joga, contribui fortemente para uma consolidação maior destes clubes a nível de futebol sénior.

Mesmo que o clube grande vença, há um equilíbrio muito maior no jogo e hoje não é tão fácil prever um vencedor de forma “garantida” antes da realização do mesmo e isso não pode nem deve ser só atribuído à inquestionável falta de capacidade do clube grande. Há um mérito grande a atribuir aos outros clubes que se preparam, que têm capacidade e sabem jogar.

Rio Ave tem tido uma temporada brutal na formação
Fonte: Rio Ave FC

O problema do clube grande português na Europa é que não quer jogar em Portugal. Faço um paralelismo básico a outra modalidade: o atletismo. Quem está ligado a este desporto sabe que num campeonato nacional é 95% certo que uma corrida é “tática”, ou seja, colocada em bases lentas, em que o único objetivo é a medalha e não o tempo feito. Contudo, ao adotar este nível de mentalidade, não têm depois capacidade para competir verdadeiramente em campeonatos da Europa ou do Mundo porque não se querem dar ao nível de exigência que deveriam por cá.

No futebol é igual. SL Benfica e FC Porto, essencialmente, preparam a época com vista a serem campeões nacionais e não têm a visão, o projeto de competir a nível europeu. E, ao contrário do que muita gente diz, há condições para uma equipa portuguesa ser candidata a um troféu europeu. O facto é que o mais importante para esses clubes é verem se são maiores do que o rival, o que insere sempre uma guerra sem qualquer sentido na busca pela “verdade desportiva” que são, ironicamente, esses mesmos clubes a transformá-la numa grande mentira chamada futebol português.

Portugal é dos escassos países que não adotou a centralização dos direitos televisivos e os resultados estão à vista. Com a qualidade natural do treinador português, não tenho dúvidas que o campeonato em Portugal seria muito mais forte e competitiva em todos os sentidos se todos os clubes pudessem ter a possibilidade de investir em melhores jogadores, em melhoramentos nos seus estádios (relvados e campos de treino por exemplo) e em parcerias estratégicas ou patrocínios que viriam ajudar a credibilizar o nosso campeonato. Gostamos muito de dizer que “Em Inglaterra é que é!”, mas muito pouco fazemos para nos tornarmos um bocadinho como eles. Começa na mentalidade, passa pelo projeto e termina dentro de campo. Somos, a todos os níveis, um exemplo a não seguir.

Os mais clubistas dirão que Vitória SC e SC Braga também tiveram participação europeia e não foram longe. Num esforço de memória, podemos recordar que o Vitória SC estava inserido num grupo duríssimo (Arsenal FC, Eintracht Frankfurt e Standard de Liége), em que fez grandes exibições, surpreendendo a Europa do futebol, tendo perdido (ou até empatado) por detalhes. O SC Braga acabou por ser eliminado pelo Rangers FC no passado dia 27 de fevereiro.

SC Braga foi “apenas” o clube que melhor representou o país na Europa esta temporada, com exibições excelentes e resultados ótimos, tendo sido afastado por uma equipa que, na fase de grupos recorde-se, defrontou o FC Porto tendo empatado no Estádio do Dragão e vencido na Escócia. Importa dizer também que por muito que SC Braga e Vitória SC tenham por tendência recursos superiores aos restantes clubes da Primeira Liga, não se aproximam minimamente dos três grandes, nem que eles estejam em crise. O fosso é realmente grande e o mais importante para as pessoas que comentam, que opinam e que debatem, é falar de tudo…menos de futebol.

Enquanto tivermos a mentalidade do “ganhar justifica os meios” nunca seremos um país desenvolvido e muito menos um país competitivo. É uma vergonha o país que tem a seleção campeã da Europa, que tem a melhor escola de treinadores do mundo e que tem o melhor jogador do mundo tenha um campeonato tão fraco e tão desprovido de justiça.

Em vez de se lamentarem com a falsa questão de Portugal ser um país geograficamente pequeno (o que não tem rigorosamente nada a ver com a realidade que atravessamos), concentrem-se no vosso dever e naquilo para o qual são pagos: melhorar o futebol português. Não queremos futebol à terça-feira à noite, queremos sábados e domingos de famílias nos estádios. Não queremos criar crises sempre que um clube pequeno ganha a um grande, queremos realçar a qualidade de quem ganha. Não queremos fazer uma separação entre grandes e pequenos, queremos respeito e igualdade por todos os clubes. Queremos algum futebol, por favor.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

As 7 equipas sensação na Europa

A temporada 2019/2020 na Europa já vai a mais de meio gás e faltam pouco mais de dez jogos em todos os campeonatos. Alguns já estão praticamente decididos, como o francês e o inglês, com o Paris Saint-Germain e o Liverpool FC quase campeões, e outros estão ainda longe de serem decididos. Em Espanha, poucos pontos separam o Barcelona e o Real Madrid, na Alemanha ainda há um lote de equipas com aspirações de terminar no primeiro posto e em Itália há uma luta a três entre a Juventus FC, a SS Lazio e o FC Inter. Em Portugal, a luta promete ser até à última jornada, com apenas um ponto a separar os candidatos FC Porto e SL Benfica.

Em todas as ligas da Europa, há equipas que estão a surpreender e estão bem acima daquilo que se expectava antes da temporada começar. Algumas delas chegam mesmo a disputar o título com os principais candidatos. Vem daí ver quais são.

Será o fim da gratidão?

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Será o fim da gratidão? No próximo mês de Abril, o universo portista irá deparar-se com uma das burocracias oriundas do estado democrático, ou seja, com a realização de eleições para eleger quem comandará os destinos dos azuis e brancos nos próximos 4 anos. No entanto, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos ou até mesmo décadas, este período merecerá mais interesse por parte da massa associativa dos dragões, já que não se perspetivará como uma luta a solo, ou seja, o atual líder, Jorge Nuno Pinto da Costa, contará com concorrência, que desde já promete estar atenta ao que não tem corrido tão bem durante os anos mais recente, sob a mão do carismático presidente.

Na última década, o FC Porto tem vivido uma instabilidade, que ainda não tinha sido vista no reinado de Pinto de Costa de uma forma tão assertiva e contestada. Vários são os motivos que tem levado os adeptos a começarem a questionar a sua liderança, a começar pela perda da hegemonia do futebol nacional, na qual tem havido uma clara supremacia do SL Benfica, a perda de competitividade da equipa de futebol, o descalabro dos vários relatórios de contas, a incapacidade de segurar os maiores ativos do clube, a saída de vários jogadores em fim de contrato, assim como a ligação indireta de algumas personalidades menos bem cotadas pelos sócios na atividade corrente do emblema da invicta.

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Desta forma, estes são alguns dos motivos que têm deixado o mundo portista descontente com o presente que vive o FC Porto, que não é mentira nenhuma que vive uma situação no limite e que a qualquer momento pode descambar. Por conseguinte, é cada vez maior a voz critica à direção, que fez crescer o clube para outro panorama do futebol não só nacional, como europeu. Contudo parece estar a esgotar do crédito que gozava há alguns anos atrás e que agora os problemas terão de ser discutidos. Com isto, foi com alguma naturalidade, mas também com surpresa, que apareceram já candidatos, sendo eles José Fernando Rio, Nuno Lobo e Martins Soares, além da candidatura habitual de Pinto de Costa.

Pinto da Costa: A sua candidatura já é encarada com uma formalidade e algo natural. Contudo, ao contrário de outros tempos, a sua efetivação já não é vista de forma unânime ou o caminho para a estabilidade do emblema nortenho. Não é mentira nenhuma em afirmar que Pinto da Costa enfrentará as eleições mais contestadas, desde que assumiu os destinos do FC Porto. Será com alguma naturalidade que continuará à frente da presidência dos azuis e brancos e tem como principal bandeira da sua candidatura a construção de uma academia para a formação, que já é algo que tem vindo a prometer/desejar há algum tempo. Porém, não são esperadas grandes alterações no modelo de gestão, nem na estrutura, por isso será sempre vista como uma candidatura de continuidade.

José Fernando Rio: O jurista e comentador pode-se dizer que teve a coragem de dar voz à massa critica de Pinto da Costa e dar um sinal que nem todos concordam com o que se está a passar no clube e que tanto o presente como o futuro são uma preocupação para muitos. Na primeira declaração em que comunicou a sua intenção em entrar na corrida à presidência, o candidato afirmou logo que o seu objetivo primordial é discutir e levantar questões que todos os adeptos gostariam de ver respondidas. Naturalmente, também salientou o enorme respeito a Pinto da Costa e a todo o seu trajeto, mas reafirmou que isso não pode validar que tudo o que faça não possa ter as devidas consequências. Por outro lado, apoia e defende que o FC Porto deve passar por uma modernização e uma renovação, para que assim possa continuar competitivo em todas as modalidades que compõem a esfera “Porto” e continuar a elevar o seu nome no mundo do desporto.

Martins Soares: O médico para os adeptos mais jovens, pode ser alguém desconhecido, mas para quem já acompanha o FC Porto há mais tempo deve-se recordar certamente do seu nome , já que foi o único, até aqui, que teve a ousadia de rivalizar contra Pinto da Costa, em anteriores atos eletivos. Numa dessas tentativas até conseguiu uma percentagem assinalável, obtendo 22,4%, uma vitória que o mesmo considera, já que a conseguiu no auge do atual líder.

Tal como, José Fernando Rio, Martins Soares não desvaloriza tudo de bom que Pinto da Costa tem feito ao longo dos últimos 30 anos, mas em paralelo com o seu rival não fecha os olhos às obscuridades que tem marcado os últimos anos de gestão que se tem visto no FC Porto e pretende discutir até ao “dia D” esses atos de gestão mais duvidosos e que parecem não estar a levar o emblema nortenho para o rumo certo. Numa entrevista mais recente, pediu para se criar uma lista única, já que com o cenário corrente só levará à vitória da lista favorita, isto é, de Pinto da Costa. Além disso, afirma ainda que não percebeu bem a intenção de José Fernando Rio e que está à espera de que o candidato esclareça ainda alguns pontos sobre as suas motivações para o futuro do FC Porto.

Nuno Lobo: Por fim, o empresário que afirmou que será candidato às eleições de Abril, caso Pinto da Costa não faça certas modificações na lista que lhe agradem. O também professor de História, tal como os outros adversários, afirma que não está a lutar contra o atual presidente, mas sim a favor do FC Porto. Ainda não há um programa definido da sua lista, mas já expressou o desejo de contribuir para um debate e ideias, que possam ajudar o FC Porto a crescer no futuro. De realçar ainda que Nuno Lobo foi um dos membros da claque “Dragões Azuis”, que mais tarde deu lugar aos “Super Dragões”.

Fábio Silva tem sido a aposta de bandeira dos azuis e brancos, na formação
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Em jeito de conclusão, a candidatura de Pinto da Costa deverá ganhar, no entanto não se espera um valor tão consensual como nas últimas, já que a contestação tem vindo a crescer, bem como o atual panorama desportivo e financeiro. Por isso mesmo, as candidaturas de José Fernando Rio, de Nuno Lobo e de Martim Soares não são uma oposição direta ao atual presidente, mas sim à atual gestão e procuram esclarecer algumas obscuridades que têm acontecido no seu modelo de gestão. Por tudo isto, este ato eleitoral será um dos mais interessantes de seguir, desde que Pinto da Costa subiu ao lugar mais solene da estrutura do FC Porto.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Rúben Amorim de verde e branco: Desnorte ou sucesso?

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Rúben Amorim é o nome mais falado nos últimos dias, no Futebol português. O sucessor de Jorge Silas prepara-se para mudar da cidade minhota até Alvalade, numa transação que está a gerar muita controvérsia no universo leonino. Mas afinal o que podemos esperar de Rúben Amorim?

Chegou à equipa principal do SC Braga em meados de Dezembro e desde logo causou um grande impacto na equipa bracarense, depois de substituir Ricardo Sá Pinto no comando técnico. Conta com 13 jogos oficiais, dos quais dez vitórias, um empate e duas derrotas. Somando a estas estatísticas venceu a edição deste ano da Taça da Liga, eliminando Sporting CP nas meias finais e vencendo o FC Porto na final. Conseguiu também o feito inédito de vencer os três grandes por cinco vezes, no espaço de um mês.

Desde que iniciou o seu percurso na equipa de futebol sénior destacou-se pelo sistema tático apresentado, jogando maioritariamente com três centrais, em 3x4x3. As dinâmicas ofensivas criadas e a organização tática têm sido a sua imagem de marca no comando técnico dos minhotos. Deixa assim a equipa na 3.º posição do campeonato com quatro pontos de vantagem sobre o Sporting CP, que ocupa o 4.º lugar.

O jovem treinador de 35 anos prepara-se para ser o quarto treinador escolhido por Frederico Varandas para a presente época e ainda só estamos em Março. A troca constante de equipa técnica no mandato deste Conselho Diretivo tem sido preocupante, não havendo memória de algo semelhante no mundo verde e branco.

Rúben Amorim
Jovem treinador conquistou Taça da Liga no início de 2020
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Depois de inúmeras vezes o presidente leonino ter referido que a atual temporada foi planeada com um ano de antecedência e que o Sporting CP estava pronto para lutar pelo título, prepara-se para realizar a pior época da história do clube, depois do desaire em Famalicão ter igualado o maior número de derrotas numa só temporada (15).

Ainda desconhecidos os valores que envolvem esta transferência, muito se tem falado sobre a possibilidade de o Sporting CP pagar a cláusula de rescisão no valor de dez milhões de euros ou incluir jogadores na operação, baixando o valor da mesma. Ainda que os sinais dados por Rúben Amorim tenham sido positivos, a sua valorização num curto espaço de tempo poderá tornar-se num caso de estudo, uma vez que a confirmar-se o pagamento da cláusula, tornar-se-á no segundo treinador mais caro da história (atrás do português André Villas-Boas), com apenas dois meses de experiência no principal escalão de Futebol profissional.

Acerca do benfiquismo assumido pelo próprio Rúben Amorim, sinceramente não acho que isso possa ser um problema. Qualquer treinador, ainda por cima no início da sua carreira, quer sempre ganhar, independentemente das cores que represente.

Assume um grande risco em mudar-se já para Alvalade, encontrando um clube dividido e com muitos problemas internos. Depois da boa impressão deixada, poderia optar por dar continuidade ao bom trabalho que estava a realizar e consolidar o projeto em Braga. Na minha opinião, esta mudança poderá significar uma de duas coisas sobre o jovem treinador: coragem por assumir um projeto de risco ou deslumbramento/sobrevalorização das suas capacidades por pensar que está preparado para este desafio. O tempo nos dará a resposta!

Jorge Silas, na sua última conferência de imprensa, referiu que “Rúben Amorim vai precisar muito da ajuda de todos” e que “o Sporting tem de começar a pensar já na próxima época”. Esta movimentação significa que Rúben Amorim será a cara da equipa na próxima temporada. Ainda sem o nível três e quatro de treinador, que lhe permitiria ter um papel mais ativo, será momento de arriscar novamente num treinador com estas qualificações, depois da experiência com Silas? Não significa que a não obtenção do nível seja sinal de incompetência, mas…

A atual gestão do Sporting CP deixa-me bastante preocupado, as constantes mudanças representam claramente a falta de planeamento e ideias desta direção. Trocas atrás de trocas, desculpas atrás de desculpas, maus resultados consecutivos, será que este desnorte até Braga irá ser finalmente um caso de sucesso?

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

CPR: O dilúvio de Fafe e Felgueiras

Armindo Araújo estreia-se da melhor forma

O Campeonato de Portugal de Ralis arrancou para as estradas de Portugal e a combinação Armindo Araújo – The Racing Factory produziu a primeira vitória do campeonato. Araújo, que foi navegado por Luís Ramalho, estreou um novo Skoda Fabia R5 Evo, depois de ter estado dois anos no Team Hyundai Portugal. Num rali em que as condições meteorológicas recordaram o rali dos Açores, Araújo foi soberano perante os seus adversários, terminando a mais de um minuto.

Bruno Magalhães chegou à primeira prova com um novo navegador, Carlos Magalhães, e um Hyundai i20 R5 atualizado. O piloto do Team Hyundai Portugal queixou-se, no sábado de manhã, de falta de tração, mas quando as nuvens abriram-se e o nevoeiro desceu, os Magalhães travaram uma grande luta com Ricardo Teodósio e José Teixeira, conseguindo arrecadar a segunda posição na última prova especial do rali.

Bruno Magalhães teve dificuldades quando o tempo esteve ‘seco’, mas com o piorar das condições, o piloto melhorou a prestação
Fonte: Team Hyundai Portugal

Terceira posição para os campeões em título de ralis, Ricardo Teodósio e José Teixeira. A dupla do Team Vito Skoda viu a chuva e as condições meteorológicas como o seu maior problema. Com isso, Teodósio admitiu ter dificuldades em atacar com o Skoda Fabia R5 Evo. Apesar disso, tiveram uma luta bastante interessante com Magalhães, mas claro, não começaram a defesa do título da forma que queriam.

Ricardo Teodósio e José Teixeira não começaram bem a sua defesa do título
Fonte: Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

Quem nunca esteve na luta por nada foram José Pedro Fontes e Inês Ponte. A dupla do Citroen C3 R5 da Citroen Vodafone Team passou o rali todo na quarta posição do CPR, não tendo ritmo para se chegar à frente, mas também não se distraindo e deixando a posição para Miguel Correia e Pedro Alves (Skoda Fabia R5)

Apesar de ninguém disputar o quarto lugar, a história do quinto lugar do CPR foi diferente. Miguel Correia e Pedro Alves (Skoda Fabia R5) deram um toque e, apesar de terem de recuperar tempo, conseguiram, no fim do rali, passar por Manuel Castro e Ricardo Cunha, que este ano voltam ao Skoda Fabia R5, depois de alguns anos com o Hyundai i20R5. Esta mudança parece ter dato certo para Castro, e que se lembra das exibições do piloto com o Skoda Fabia S2000, pode ficar contente com esta estreia.

Daniel Nunes regressa com força

Daniel Nunes regressou em excelente forma e confirmou o seu favoritismo para o campeonato das duas rodas motrizes
Fonte: Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting

Nas duas rodas motrizes, Daniel Nunes regressou à competição após um acidente grave em 2019. Navegado por Nuno Mota Ribeiro, no seu fiel Peugeot 208 R2 amarelo, Nunes venceu a classe sem problemas. Segunda posição para a dupla dos Açores, Ruben e Estevão Rodrigues, que também em Peugeot 208 R2, tiveram um bom início de campeonato e do novo Challange R2 & You.

Sporting CP 23-27 FC Porto: “Dragões” seguem invencíveis

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A CRÓNICA: JOGO DE CHAMPIONS NO CAMPEONATO NACIONAL

23 vitórias e um empate em 24 jogos. Eram estes os números de ambas as equipas no Campeonato Nacional, em que FC Porto e Sporting CP partilhavam a liderança da competição. Na primeira volta, o resultado tinha sido um empate no Dragão Arena, portanto hoje seria um jogo decisivo para alguma das equipas se assumir como líder isolado do Campeonato.

O ambiente no Pavilhão João Rocha estava incrível e o FC Porto abriu o marcador logo na primeira jogada da partida. O ritmo inicial da partida foi elevado e o Sporting CP adiantou-se no marcador e aos seis minutos já vencia 6-2. Esta má entrada na partida do FC Porto, principalmente em termos ofensivos, levou o treinador Magnus Andersson a pedir time-out logo aos seis minutos na partida e apostou imediatamente na sua principal arma: o 7×6.

O FC Porto melhorou a sua performance ofensiva, conseguindo começar a encontrar superioridade do lado direito do seu ataque, ao mesmo tempo que o Sporting começou a ter mais dificuldades ofensivamente.

A meio da primeira parte, o FC Porto já tinha restabelecido o empate no marcador e até passar para a frente do marcador aos dezasseis minutos, já que nos últimos dez minutos o parcial era de 2-7. Até ao intervalo, o jogo continuou equilibrado com ambos os guarda-redes, Alfredo Quintana e Manuel Gaspar, a fazerem intervenções decisivas, até que nos últimos minutos os visitantes superiorizaram-se relativamente e conseguiram ir para o descanso a vencer 12-14.

No começo da segunda parte, a defesa portista continuava muito agressiva, dificultando ao máximo o trabalho ao Sporting, enquanto que em termos ofensivos conseguia continuar a ganhar vantagem e encontrar os espaços para finalizar. Até que aos 40 minutos os “Leões” conseguiram empatar a partida a 16, “empurrados” por uma série de defesas impressionantes de Manuel Gaspar.

Chegamos a uma altura em que o placard marcava 17-17 (41 minutos) e que marcou o desenvolvimento do resto da partida: Durante três minutos não houve qualquer golo, desperdiçando, ambas as equipas, inúmeras oportunidades para assumir o marcador, até que o FC Porto conseguiu finalmente marcar e a partir daí assumiu o controlo total da partida, conseguindo um parcial de 6-9 até ao final da partida. O resultado foi 23-27 e o FC Porto terminou a Fase Regular com dois pontos de vantagem do segundo lugar.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Diogo Branquinho – Muito do jogo do FC Porto está dependente dos seus pontas, pois estes têm inúmeras intervenções ao longo da partida. O ponta esquerdo parece ter trazido a boa forma do Europeu e hoje marcou 9 golos sendo decisivo para esta importante vitória do FC Porto.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Marko Vujin – Lento, sem ritmo, má tomada de decisão e completamente desajustado das dinâmicas da equipa.

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

O Sporting começou a partida com a lição bem estudada: transições ofensivas rápidas para não ter de enfrentar a forte defensiva portista. Até conseguiu, no início da partida, parar o 7×6 do FC Porto. No entanto, com o desenrolar da partida a consistência defensiva foi diminuindo, o que levou a menos transições ofensivas e mais dificuldades para marcar golo.

SETE INICIAL + PONTUAÇÕES

Matevz Skok (6)

Arnaud Bingo (5)

Nemanja Mledanovic (5)

Tiago Rocha (5)

Frankis Carol (7)

Valentin Ghionea (6)

Marko Vujin (4)

SUBS UTILIZADOS + PONTUAÇÕES

Edmilson Araujo (5)

Gonçalo Vieira (5)

Carlos Ruesga (6)

Aljosa Cudic (5)

Carlos Carneiro (4)

Manuel Gaspar (7)

Luís Frade (5)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

7×6 e consistência defensiva. Parece fácil, mas não é. O FC Porto está a ter um ano incrível, quer nacional, quer internacionalmente e parece cada vez mais difícil de vencer. Se os jogadores conseguirem manter-se afastados de lesões e se a presença quer dos internacionais no Europeu e da equipa na Champions League, muito dificilmente o título escapará aos portistas.

SETE INICIAL + PONTUAÇÕES

Alfredo Quintana (7)

Diogo Branquinho (9)

André Gomes (6)

Miguel Martins (6)

Djibril Mbengue (5)

António Areia (6)

Alexis Borges (6)

SUBS UTILIZADOS + PONTUAÇÕES

Victor Iturriza (6)

Rui Silva (7)

Daymaro Salina (6)

Miguel Alves (6)

Fábio Magalhães (6)

Foto de Capa: Andebol Portugal

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Tottenham Hotspur FC 1-1 (2-3 g.p.) Norwich City FC: O duelo em que os guarda-redes foram decisivos

O Norwich eliminou o Tottenham nos penáltis e seguiu em frente na Taça de Inglaterra. Os guarda-redes revelaram-se deicsivos. O conjunto do alemão Daniel Farke aguentou uma pressão imensa durante o prolongamento e levou o jogo para a decisão através da marca dos 11 metros. Tim Krul, como é habitual, defendeu os penáltis que garantiram a vitória dos “Cannaries”.

José Mourinho em sete ocasiões nunca tinha perdido com o Norwich e desta vez era favorito para passar aos quartos-de-final da FA Cup, tendo em conta que jogava em casa contra o último classificado do campeonato inglês.

O Tottenham esteve melhor até marcar o golo inaugural e depois procurou defender o resultado, como já aconteceu várias vezes esta época. Acabaram por sofrer após erro do guardião Michel Vorm e a partir daí dominaram a partida, contudo, não foram felizes e acabariam por perder após 120 minutos jogados.

Os primeiros dez minutos não tiveram qualquer oportunidade de golo e foram bem estudados por ambas as equipas, apesar do Tottenham assumir o controlo do jogo. O primeiro lance de perigo foi um remate de Lo Celso, seguido de uma combinação entre Bergwijn e Lucas Moura, resultando numa defesa monstruosa de Tim Krul.

O primeiro golo da partida viria a surgir dois minutos após a primeira chance, através de uma bola parada. Lo Celso despejou um livre indireto na área e Vertonghen, adaptado a defesa esquerdo, apareceu livre de marcação, introduzindo a bola dentro da baliza com uma cabeçada forte sem hipótese para o guarda-redes do Norwich.

A equipa orientada por José Mourinho continuou com boas investidas, desorientando a defesa contrária. Lo Celso conseguiu fazer a diferença, demonstrando qualidade, critério e capacidade de organizar e criar.

Os “Canaries” apenas conseguiram reagir aos 31 minutos com um passe de Vrancic a rasgar a defesa dos Spurs, encontrando Rupp que tirou o adversário do caminho, contudo, não teve capacidade de atirar ao alvo. Dois minutos depois, Vorm foi obrigado a fazer defesas a remates de Buendía e Rupp, a segunda largando o esférico e quase metendo água.

O Norwich aproveitou o fôlego e continuou a insistir, conseguindo desbloquear sem problemas a linha defensiva contrária. Eric Dier intercetou com o corpo um remate que levava muito perigo.

O Tottenham fechou a primeira parte com a última oportunidade, com uma recuperação de bola na área da equipa visitante e Lucas Moura desperdiçou um golo, rematando contra Tim Krul.

O Norwich foi a equipa que entrou melhor na segunda parte, continuando o bom momento de forma do final do primeiro tempo. O Tottenham defendia o resultado, como era esperado. Gedson Fernandes foi o primeiro substituto a entrar na partida e quase fez golo com um remate à entrada da área.

O jogo continuava com insistências por parte dos visitantes, embora sem grande perigo, e o Tottenham procurava responder através do contra-ataque, já com Erik Lamela em campo.

Na primeira grande oportunidade dos “Yellows” neste tempo concretizaram o golo do empate, com um remate do recém-entrado Kenny McLean, que resultou num erro tremendo do guardião da equipa londrina, a largar a bola e a deixar Drmic com espaço para fazer golo na recarga. O empate estava feito aos 79 minutos da partida.

O conjunto de José Mourinho acordou depois do golo sofrido e procurou a vitória nos minutos finais, aumentando a intensidade e subindo todas as linhas. Godfrey cortou in extremis uma bola de Serge Aurier que ia direta para a baliza aos 86 minutos, depois de uma jogada criteriosa da equipa da casa.

Findados os três minutos de compensação, o tempo regulamentar terminou empatado e a decisão ia para o prolongamento. A primeira parte deste não contou com grandes chances, à exceção de um remate perigoso de Gedson Fernandes.

No início do segundo tempo, Lo Celso continuava incansável a provar a aposta de José Mourinho, obrigando Tim Krul a entrar novamente em ação. Os Spurs continuavam a carregar e a merecer a vitória, no entanto, o conjunto de Daniel Farke elevou-se psicologicamente e sofreu para arrancar um empate ao fim de 120 minutos.

O Norwich venceria a partida nos penáltis por 3-2, sem precisar de bater o último penálti, depois dos falhanços de Lamela, Parrott e Gedson. Tim Krul foi o herói com duas grandes penalidades defendidas.

A FIGURA

Fonte: Norwich City FC

Tim Krul – O guarda-redes holandês já nos tem habituado a estas coisas e provou mais uma vez ser um especialista no que toca à defesa de grandes penalidades. Depois de uma exibição consistente, com várias travadas de remates perigosos, Krul defendeu dois dos três penáltis falhados pelos Spurs e assegurou a passagem à próxima fase da FA Cup.

O FORA DE JOGO

Fonte: Tottenham Hotspurs FC

Michel Vorm – Mesmo tendo defendido o primeiro penálti do Norwich, ao longo dos 120 minutos demonstrou estar inseguro e foi o responsável pelo golo sofrido. O Tottenham tinha o jogo aparentemente controlado, mesmo que a vantagem fosse insuficiente, no entanto, o guarda-redes holandês teve impacto pela negativa, ao contrário do compatriota da equipa adversária, e largou a bola que resultou no empate dos visitantes.

ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR

José Mourinho alinhou num tradicional 4-3-3, apesar de não contar com um ponta-de-lança fixo. A equipa fez algumas alterações de acordo com as escolhas habituais. Na baliza, jogou Michel Vorm, que costuma atuar nesta competição com regularidade. A linha defensiva teve surpresas e foi composta por Aurier na direita, Vertonghen adaptado a lateral esquerdo e com Eric Dier e Davinson Sánchez a compor a dupla de centrais.  Harry Winks e Oliver Skipp fizeram duplo pivot no meio-campo, sendo que o médio inglês de 19 anos surpreendeu e demonstrou ser opção futura. O criterioso Lo Celso atuou como número 10, realizando trocas posicionais com os elementos do corredor direito. Lucas Moura ocupou esse mesmo corredor e Steven Bergwijn o esquerdo. Dele Alli jogou com falso 9. Gedson Fernandes, Erik Lamela, Ndombélé e Troy Parrott foram os suplentes utilizados pelo Special One e o médio português mexeu com a partida e demonstrou momentos de qualidade.

ONZE INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

Michel Vorm – 5

Serge Aurier – 6

Eric Dier – 7

Davinson Sánchez – 6

Jan Vertonghen – 7

Oliver Skipp – 8

Harry Winks – 6

Giovanni Lo Celso – 8

Lucas Moura – 6

Steven Bergwijn – 6

Dele Alli – 5

Gedson Fernandes – 8

Erik Lamela – 7

Tanguy Ndombélé – 6

Troy Parrott – 5

ANÁLISE TÁTICA – NORWICH CITY

Daniel Farke optou por um 4-2-3-1 com os alas a procurarem o interior para combinar com os homens da frente. O experiente Tim Krul foi o guardião titular. A linha defensiva foi a mais utilizada, com Max Aarons, Grant Hanley, Ben Godfrey e Jamal Lewis. A dupla do meio-campo foi Trybull e Mario Vrancic. Todd Cantwell e Emiliano Buendía eram os alas que realizavam movimentos interiores. Rupp jogou nas costas do avançado Josip Drmic. Kenny McLean, Adam Idah, Alexander Tettey e Marco Stiepermann foram os suplentes utilizados pelo técnico alemão.

ONZE INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

 Tim Krul – 8

Max Aarons – 7

Grant Hanley – 7

Bem Godfrey – 8

Jamal Lewis – 7

Tom Trybull – 6

Mario Vrancic – 5

Todd Cantwell – 6

Emiliano Buendía – 6

Lukas Rupp – 6

Josip Drmic – 7

Kenny McLean – 7

Adam Idah – 6

Alexander Tettey – 5

Marco Stiepermann – 6

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Carta Aberta ao Sporting Clube de Portugal

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Desde o primeiro momento em que obtive contacto direto com o presente projeto, o jornal Bola na Rede, já escrevi, por uma ou duas vezes, uma espécie de desabafo em forma de súplica para que não volte a acontecer mais do mesmo no Sporting. Ataca-nos a inexperiência, a ignomínia e o dirigismo saloio e volta tudo ao (a)normal. E porquê? Porque estamos sob as asas de um clube a gritar decadência, abate e, na melhor das hipóteses, completa renovação nos diversos setores de labuta de modo a que se erga e que volte a ser o que outrora foi. Alguém depositou e entranhou esta pandemia no clube, portanto tratemos de fazer uma rusga em torno do responsável!

Os acontecimentos em torno do clube começam a adquirir um caráter que possui tanto de indiscritível como de absurdo. Existem mesmo coisas (a única maneira que encontrei para designar) que só acontecem no meu clube. Um exemplo ilustrativo constitui a posse de quarenta e não sei quantos presidentes. É verdadeiramente incrível a “viscondice” e a bajulação ao poder que os aficionados encerram em si. O facto traduz-se nada mais, nada menos, na luta (já antiga) entre a traça e a roupa: os dirigentes rompem a vestimenta do clube e obrigam-no a remendar-se simultaneamente.

A época encetou com o desastre da Supertaça Cândido de Oliveira. (O leitor que não espere uma análise meiga e perdulária da minha parte, portanto cá vai). Objetivamente e de modo sucinto, o 5-0 evidencia as sucessivas hecatombes que iriam sobrevoar Lisboa e remontar ao terramoto de 1755. No Estádio do Algarve, o leque de desculpas diminuiu drasticamente: o Lex, o E-Toupeira, os vouchers, o Zé Veiga, os bilhetes de Mário Centeno, o som do very-light. “Isso eram peanuts”. Quem desculpou a derrota dessa ou de outra forma semelhante, grita desonestidade intelectual. Perdemos porque fomos e somos inferiores em larga escala e em todos os contextos. A estrutura montada até aí, bem como as estratégias delineadas ruíram e poucas pontas estavam efetivamente presas…

(Pelo meio, aquela sensacional reviravolta invertida diante do FC Famalicão…)

O comboio do Sporting parou no apeadeiro de Alverca. Na competição em que tinha sido consagrado vencedor no ano transato, saiu pela porta pequena na primeira eliminatória. E aqui? Quais foram as desculpas perante tamanha humilhação? Observei, perplexo, comentários como “a equipa titular não jogou”, “devia ter jogado na máxima força” ou “o Alverca é candidato à subida” (o meu preferido, sem sombra de dúvidas). Esfreguei os olhos, bocejei e lavei a cara com água gélida. Mas não era um pesadelo… A eliminação aconteceu! E perante ela, vejo o esgrimir de argumentos nulos do ponto de vista da solidez. Nem um golo marcado? Um 2-0 sem qualquer tipo de contenda? A obrigação do clube de Alvalade era a passagem à próxima eliminatória, independentemente do onze que se registasse! Imaginem se tivesse jogado o Mantorras…

(Em Tondela, o leão foi um gato. Em Barcelos, um felino ainda mais manso e meigo do qual não me lembro do nome nem sei se existe.)

Sporting
A época leonina tem sido para esquecer
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

As competições europeias, surpreendentemente, consistiam em exibições menos más e detentoras de algum ímpeto e pujança, embora a passagem aos 16/avos pudesse ser feita na primeira posição do grupo: inadmissível o desastre na Áustria diante do Lask Linz (3-0) e a atitude que o Sporting adotou na partida, marcada pela agoniante passividade e pela atitude satisfatória com o mínimo.

(A receção ao FC Porto e ao SL Benfica foi efetuada com um tremendo insucesso. No total, a turma leonina confiscou zero pontos. “Mas bateu o pé”, “mas jogou de igual forma e, em diversos momentos do jogo, foi superior aos rivais”. Mas perdeu!) *
*Nota: O jogo decorrido na Pedreira, diante do SC Braga, não merece comentários da minha parte, nem acho que mereça de qualquer adepto.

Ora, fora das três principais competições nacionais, restava uma resposta positiva na Europa: em Alvalade, na primeira mão, diante do Istanbul Basaksehir, a formação verde e branca pintou, possivelmente, a melhor exibição da época até à data e o golo sofrido caracteriza, por um lado, o esforço dispensado e que se traduziu inglório e, por outro lado, a importância que era atracar na Turquia com o registo limpo. Lá, na passada quinta-feira, decorreu mais uma réplica do sismo da Supertaça – prevísivel – e o Sporting CP caiu com estrondo. Não sou bruxo nem possuo poderes vaticinadores de coisa nenhuma, mas conheço o meu clube: o bafio da eliminação estava ali quando, ao intervalo, a eliminatória se encontrava empatada. O tento leonino iludiu os mais distraídos e o golo turco, ao cair do pano, demonstrou o fenómeno do “acontecer Sporting”.

Até aqui, o panorama desportivo. Agora o panorama estrutural e financeiro:

O mercado de transferências trouxe prendas envenenadas ao clube e dissabores futuros: Jésé, Bolasie, Fernando e Eduardo. No sentido inverso, Bas Dost viajou para Frankfurt, Thierry Correia acelerou para Valência, Raphinha para o Rennes e Bruno Fernandes, no mercado de inverno, para Manchester. (Note-se que a prioridade passava pela compra de um central, um médio (posição seis) e um avançado). O processo perfeito de managing de uma empresa dita grande e eclética. Frederico Varandas escusa de tentar adentrar no ramo da competência porque continuam a pairar sobre o clube as assombrações de Hugo Viana e Beto. A formação sempre foi o método de sobrevivência da instituição promotora de verdadeiras coqueluches e agora é atirada para uma valeta e despejada nos contentores da traição de valores mais altos. A direção presente vai necessitar de se aplicar para explicar e argumentar a favor da política de contratações atuais, quando possuía exemplos como Matheus Pereira, Daniel Bragança, Ryan Gauld, Domingos Bragança, etc.

Além desta súmula de problemas e do mar de incertezas, urge a discussão acerca da rescisão de Jorge Silas: portanto, a lógica é despachar um treinador sem qualquer tipo de matéria prima ou apetrecho para competir seja pelo que for e que fez o máximo que lhe foi possível durante a estadia em Alvalade. A não ser que a cúpula dirigente esteja a delinear um projeto sólido, alternativo e aliciante de preparação da época que se avizinha e não queira contar com o atual treinador por já ter destinado o lugar a outrem. Sublinho o termo aliciante, pelo facto de qualquer pessoa, no auge da sua sanidade mental e conhecedora da atualidade desportiva do clube, não querer – e muito bem – treinar o Sporting CP. Por acréscimo, as expectativas nem nos índices mínimos se situam, porque a estratégia continua sem existir, os fundos de meneio e a tarimba idem e o acesso à Champions League, competição de elevado prestígio, é a condição, tão necessária como suficiente, de trazer alguém que seja capaz de revolucionar toda esta pasmaceira.

Um último reparo: antes de estratégias, planos, projetos e parcerias, o grande desafio passa pela chegada à gruta onde a UNIÃO mora, lá ao longe…

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Olympique Lyonnais 1-5 Paris Saint-Germain FC: Goleada inesperada

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A CRÓNICA: GOLEADA DO PARIS SAINT-GERMAIN E UM JOGO DIFERENTE A PARTIR DA EXPULSÃO

O Paris Saint-Germain confirmou a presença na final da Taça de França ao golear no reduto do Olympique Lyonnais por 1-5, numa partida que ficou marcada pela expulsão de Marçal quando o encontro estava empatado. Ah, e claro, pelo genial hattrick de Kylian Mbappé!

Quanto ao jogo em si, era impossível ter pedido uma reta inicial mais frenética, com oportunidades flagrantes para os dois lados nos primeiros quinze minutos. Depois das ameaças…vieram os golos. Terrier inaugurou o marcador para grande festa dos adeptos da casa, festa essa que duraria pouco tempo, com Mbappé a responder logo de seguida na sequência de um pontapé de canto. Fiéis às suas identidades, Lyon e PSG continuaram a jogar de igual para igual e, até ao intervalo, ambas estiveram perto de passar para a frente do marcador: Terrier esteve perto de bisar, já Cavani atiraria uma bola ao poste.

No regresso dos balneários, o conjunto da casa até entrou melhor, mas seria a formação da capital a marcar. Marçal tocou na bola com o braço na grande área, viu o segundo amarelo e Neymar (desaparecido até então) tratou de converter o penálti em golo. Se a vida já estava difícil para os da casa, pior ficou quando Mbappé decidiu arrancar antes do meio-campo e fazer o terceiro. Já com um Lyon sem quaisquer aspirações, o jogo descambou e assumiu contornos de goleada, com Sarabia a fazer o quarto golo e Mbappé a assinar o hattrick no último lance do encontro. Os parisienses esperam agora pelo desfecho do jogo entre Saint-Étienne e Rennes.

A FIGURA

Fonte: Paris Saint-Germain

Kylian Mbappé – Com um hattrick no encontro, o avançado francês foi quem mais se destacou na reviravolta dos parisienses, tendo marcado dois dos três golos nas alturas mais cruciais da partida. O primeiro foi uma resposta imediata ao golo do Olympique Lyonnais e o segundo – num lance de pura genialidade do francês – terminou com qualquer aspiração que o adversário ainda pudesse ter na meia-final da taça de França.

O FORA DE JOGO

Fonte: Olympique Lyonnais

Marçal – A sua expulsão foi, inevitavelmente, o lance capital do encontro. Depois de ter deixado que Kurzawa ganhasse nas alturas no lance do empate, cometeu ainda o erro de levar o braço à bola à passagem da uma hora de jogo e deixar a sua equipa reduzida a dez até final. E o 1-1 viria a transformar-se num inacreditável 1-5 num curto espaço de tempo.

ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIQUE LYONNAIS

A troca de Traoré por Toko Ekambi foi a única alteração de Rudi Garcia para a receção ao Paris SG, numa tentativa de dar maior dinâmica ao corredor direito. E seria a partir de lá (e do próprio Ekambi na assistência) que surgiria o primeiro golo do encontro e também uma de várias oportunidades a ameaçar a baliza de Navas. A estratégia para a segunda parte seria certamente outra, mas a inferioridade numérica a partir do minuto 61 deitou tudo por terra e o jogo assumiria outros contornos.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Lopes (5)

Fernando Marçal (3)

Jason Denayer (5)

Marcelo (4)

Léo Dubois (5)

Bruno Guimarães (6)

Lucas Tousart (5)

Houssem Aouar (6)

Martin Terrier (7)

Karl Toko-Ekambi (6)

Moussa Dembélé (6)

SUBS UTILIZADOS

Rafael (5)

Joachim Andersen (5)

Jean Lucas (-)

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN

Thomas Tuchel decidiu fazer quatro alterações em relação ao “onze” que goleou o Dijon, duas no setor defensivo (com as entradas de Kurzawa e Meunier) e duas no meio-campo (Paredes no lugar de Kouassi e Neymar no de Di Maria). A jogar em 4-4-2, o conjunto da capital entrou a ameaçar a baliza de Anthony Lopes e teve a capacidade de saber responder ao golo inaugurador do adversário. Apesar da entrada cinzenta na segunda parte, os homens de Tuchel partiram para cima do adversário na última meia hora devido à superioridade numérica e construíram, assim, um caminho algo inesperado para a golada

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Keylor Navas (6)

Layvin Kurzawa (7)

Thilo Kehrer (6)

Marquinhos (6)

Thomas Meunier (5)

Pablo Sarabia (7)

Idrissa Gueye (5)

Leandro Paredes (6)

Neymar (5)

Kylian Mbappé (9)

Edinson Cavani (6)

SUBS UTILIZADOS

Marco Verratti (6)

Mauro Icardi (5)

Juan Bernat (5)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão