Como tem sido hábito nas campanhas europeias, o Benfica vai ter pela frente um adversário inglês. Os bifes, como os portugueses carinhosamente lhes chamam, têm sido uma presença habitual do lote de “inimigos” dos encarnados, principalmente com Jorge Jesus ao leme.
Na verdade, desde que o técnico português comanda a equipa, o Benfica já defrontou 5 equipas inglesas: Everton / Liverpool (2009/2010); Manchester United / Chelsea (2011/2012); Newcastle / Chelsea (2012/2013).
Como sabemos, na próxima quarta-feira o Benfica de Jorge Jesus vai defrontar a 6ª equipa inglesa, neste caso o Tottenham. E, como é habito da imprensa e dos adeptos portugueses, fica presente a ideia de que o Benfica se dá bem com equipas da terra da Nossa Majestade. Mas será mesmo verdade?
Numa rápida análise aos 11 jogos disputados desde a temporada de 2009/2010, é possível verificar que o Benfica apresenta um saldo de 4 vitórias, 4 derrotas e 3 empates, tendo ainda um registo de 19 golos marcados e 15 sofridos. A conclusão é fácil de tirar: o equilíbrio impera.
Obviamente que face a um lote de equipas onde se incluem planteis extremamente poderosos como são o Manchester United ou o Chelsea, ter na globalidade dos resultados 4 vitórias e 4 derrotas não é, de fato, um mau registo. Mas… também não é bom.
O Benfica encontrou o Chelsea na final da Liga Europa em 2013 Fonte: Syrcro, Wikipedia
À imagem dos números, serve tudo isto para justificar aquilo que eu espero do jogo com os Spurs: equilíbrio. Vai ser uma eliminatória renhida, decidida nos detalhes. Até pelas recentes declarações de um lado e do outro se nota um equilíbrio de força, com ambas as equipas a evidenciarem ter um grande respeito mútuo. Respeito esse que, acredito, vai ser transportado para o relvado.
Para esta primeira mão, não me parece que o Benfica vá para White Hart Lane jogar ao ataque no seu habitual 4-4-2 de grande fluidez ofensiva. Pelo contrário, Jorge Jesus deverá optar por um 4-3-3 dinâmico e capaz de auferir estabilidade defensiva – bem necessária, face ao poder ofensivo dos homens da frente do Tottenham – e suficientemente forte para criar ocasiões de golo e dominar a partida.
No entanto, JJ já nos habituou a algumas surpresas, principalmente nos jogos “decisivos”. Não é portanto, de estranhar se o Benfica apostar num ataque feroz à defensiva dos Spurs, que é na ótica geral dos especialistas o ponto mais fraco do atual 5º classificado da Premiar League.
O que é certo é que no relvado vão estar duas grandes equipas recheadas de grandes jogadores. Até nisso se equiparam: Lloris, Luisão, Garay, Walker, Fernandinho, Dembelé, Sandro, Enzo, Gaitán, Adebayor e Soldado, juntos formariam um 11 de luxo para qualquer treinador.
Ao que parece, a chuva finalmente deu tréguas e o bom tempo veio para ficar. É garantido que os ingleses vão viajar em massa para Lisboa, prontinhos para esturricarem no característico sol português. Aconselho Jorge Jesus a meter “a carne toda no assador”, até porque este é um bife dos duros.
A Liga Europa é o fruto mais apetecido para os clubes que não são considerados ‘’grandes’’ nesta Liga ZON Sagres. O porquê? Muito simples, o encaixe financeiro permite que, em alguns casos, não se fique a dever salários e, noutros casos, se saldem dívidas antigas. Estes dois fatores são pilares fundamentais para uma equipa se consolidar nesta primeira divisão portuguesa. Mas há que não dar um passo maior do que as duas pernas juntas; veja-se o Paços de Ferreira: provavelmente, se tivesse estado apenas na Liga Europa e não na Liga dos Campeões não teria tantas dificuldades este ano.
Mas falemos da concorrência feroz para os lugares de acesso à segunda prova de maior dimensão futebolística da europa, a Liga Europa. Vou excluir os clubes ‘’não-grandes’’ da luta pelos lugares na Liga dos Campeões porque o clube mais próximo já dista de sete pontos para ocupar tais posições.
Portugal, esta época, coloca apenas dois clubes (via campeonato) na Liga Europa do próximo ano; contudo, temos na luta cinco equipas (até agora). O Estoril-Praia é a equipa em melhor posição, um 4º lugar, com nove pontos de avanço sobre os simples lugares de permanência. E para além dos números, posso afirmar que é a equipa que melhor futebol pratica de entre todos os emblemas que estão presentes nesta ‘’guerra’’. Marco Silva vem, já desde o ano passado, a desenvolver o que é, na melhor génese da palavra, uma equipa. Bom futebol, boas opções, humildade, e um fator muito importante: conhecer as limitações.
Marco Silva, treinador do Estoril Fonte: Zerozero.pt
No 5º lugar aparece o Nacional da Madeira, clube que todos os anos ambiciona os lugares europeus, mas que nem sempre os consegue. Manuel Machado chegou a ser criticado por não estar a cumprir os objetivos, mas agora que está quatro pontos acima do 5º lugar (que não dá acesso a competições europeias), as más-línguas parecem ter sucumbido às exibições nacionalistas – apesar de o Nacional estar neste momento a atravessar um mau momento, estando há quatro jogos sem vencer.
Abaixo do 5º lugar, aparecem três equipas, todas com 30 pontos e a quatro do Nacional. Temos um Sporting de Braga que mudou recentemente de treinador e cujos jogadores parecem estar a assimilar os novos conteúdos implantados por Jorge Paixão. O resultado disso foi visível na vitória frente ao adversário direto Nacional, que colocou os bracarenses mais perto dos lugares europeus. A deslocação à Briosa na próxima jornada é fundamental para o Braga, porque em caso de derrota pode perder o 6º lugar e passar para 9º, já para não falar de que as distâncias pontuais para os lugares europeus ficam quase irrecuperáveis.
Jorge Paixão, treinador do Braga Fonte: Bragatv.pt
Ainda na luta aparece o Marítimo, que nos últimos seis jogos conseguiu obter 13 pontos, o que lhe permitiu chegar mais perto do seu vizinho Nacional. Esta boa série maritimista fica marcada de forma negativa pela derrota com o lanterna vermelha Paços de Ferreira; a vitória contra os castores colocaria o Marítimo a apenas um ponto da Europa. O ‘’tudo ou nada’’ da equipa de Pedro Martins joga-se este sábado no Estoril. Bom jogo em perspetiva.
Na 8º posição mas também com os 30 pontos de Marítimo e Braga aparece o Vitória de Guimarães. É um objetivo assumido dos vimaranenses marcar presença na Liga Europa, até porque a eliminação precoce da Taça da Liga e da Taça de Portugal (que é detentor) deixou desagradados os sócios e simpatizantes do clube. Rui Vitória tem tido uma época de altos e baixos sem ainda ter conseguido sair por cima dos acontecimentos. Nesta altura o Guimarães leva três jogos sem ganhar e perdeu diante do Marítimo na última jornada, tendo sido ultrapassado pelo mesmo. Na próxima jornada, o Paços é o adversário do Vitória, que pode deixar traçado o seu caminho rumo apenas à manutenção ou então rumo aos lugares europeus.
Eu e você, leitor, podemos concluir que a concorrência é feroz e que as últimas oito jornadas vão ser extremamente interessantes de acompanhar para ver quem entrará na Liga Europa para a próxima temporada.
Rio Ave e Braga: um deles marcará presença na final da Taça de Portugal e ficará com um lugar na Liga Europa Fonte: Magic0braga.blogspot.com
Apenas um último ponto: Braga e Rio Ave ainda estão na Taça de Portugal e o vencedor da eliminatória das meias finais (a duas mãos) ficará com um dos lugares na Liga Europa atribuídos por esta competição. Isto porque Porto e Benfica, os outros dois em prova, estão encaminhados para se apurarem para a Liga dos Campeões.
Dramático de Cascais x Modicus
Sp. Braga/AAUM x Benfica
Leões de Porto Salvo x Arsenal Parada
Unidos Pinheirense x Fundão
Na sexta-feira passada, dia 7, decorreu o sorteio dos quartos-de-final da Taça de Portugal de Futsal. Antes de analisar os ditos jogos, é importante referir uma regra que, a meu ver, é muito bem aplicada: as equipas de escalão inferior, neste caso Arsenal Parada e Unidos Pinheirense, têm o direito de jogar os encontros em casa. Assim sendo, apesar de no sorteio o nome dos Leões de Porto Salvo aparecer primeiro, é o Arsenal que joga no seu reduto.
Feita esta análise, está na hora de nos focarmos nos 4 jogos que temos pela frente. Eu acho que é indiscutível afirmar que o jogo grande desta ronda irá decorrer em Braga entre o 2º classificado (Benfica) e o 3º ( Sp. Braga). Apesar da recente vitória expressiva do Benfica no último confronto entre ambos (6-1), é de prever um jogo muito equilibrado, onde a incerteza no marcador irá pairar até ao apito final do árbitro.
Na Maia, Arsenal Parada e LPS discutem uma das 4 vagas para as meias-finais. Neste jogo, é de esperar que os Leões imponham o seu futsal mais experiente e se façam valer das suas individualidades. Mas o Arsenal, proveniente do 3º escalão, promete lutar e dar tudo em campo para tentar continuar a sua campanha de sonho.
Foto representativa do Arsenal Parada, a equipa em destaque na prova Fonte: Pedromiguel19.blogspot.pt
Em Cascais, outro jogo digno de toda a nossa atenção. Dramático e Modicus, respetivamente 9º e 11º no campeonato nacional, enfrentam-se numa batalha que se prevê dura. Esta época ainda só se defrontaram na 1ª ronda da Liga Sport Zone, tendo o jogo terminado com um parcial de 6-0 favorável ao Modicus de Sandim. Mas as circunstâncias são diferentes e, neste caso, a turma de Cascais promete lutar pelo apuramento e continuar a alimentar o sonho de chegar ao jogo decisivo.
Finalmente, o líder da Série A da II Divisão, Unidos Pinheirense, recebe a formação do Fundão. À semelhança do jogo anterior, a formação primodivisionária parte como favorita para esta eliminatória, mas o Unidos já eliminou uma equipa do escalão principal, a Académica, e pretende repetir mais uma vez essa façanha, embora encontre pela frente um Fundão que se encontra atualmente no 6º lugar da tabela e tem uma equipa repleta de jogadores de qualidade.
Prevejo 4 jogos de extrema qualidade numa eliminatória disputada no fim-de-semana de 29 de Março. Se tivesse que apostar, apostaria em Benfica, Dramático, LPS e Fundão para se apurarem mas, como nada no desporto é linear, resta-nos esperar pela disputa destes jogos para depois, aí sim, analisar as prestações das 8 formações ainda em prova.
“Comprava o Pedro só para o pôr a jogar no meu quintal”. A frase, mais palavra menos palavra, é de Quinito, a ‘velha raposa’ do futebol nacional que treinou Pedro Barbosa no Vitória Guimarães. Sei bem que este jogador não vai ficar na História do futebol mundial. Mas foi alguém que aprendi a admirar, em virtude do seu estilo de jogo, da sua forma de estar no desporto e da grande dedicação com que sempre serviu o Sporting. É o meu único ídolo. Chegou a Alvalade para substituir Figo, no Verão de 1995, e a primeira imagem que tenho dele é uma assistência que fez num Portugal-Arménia. Seguiram-se outras recordações ainda melhores: o golo ao Boavista aos 27 segundos, as obras de arte nas Antas e nos Barreiros, o espectacular bis ao Leiria e muitos, muitos passes e jogadas estonteantes. A fantástica época de 03/04 que realizou, exibindo-se quase aos 34 anos com o requinte de um predestinado, e o facto de ter sido capitão nos dois títulos que vi o Sporting ganhar também contribuíram bastante para que Pedro Barbosa conquistasse para sempre um espaço na minha memória.
Aprendi a adorar a sua grande técnica (vi poucos jogadores em Portugal superiores a ele neste capítulo) e a quase indiferença com que deixava os adversários para trás. As suas simulações e fintas de corpo eram alvo da minha imitação na escola, ainda que na maioria das vezes não passassem de tentativas frustradas de copiar o meu ídolo. Nos intervalos das aulas, tentava pausar o jogo e fazer passes cirúrgicos, fintar alguém em passo de caracol, inventar um lance de magia a partir do nada. Raramente resultava, porque o talento não é coisa que se imite. Contudo, a simples ideia de estar, pensava eu, a reproduzir os movimentos do 8 do Sporting já era motivo de grande satisfação pessoal. E às vezes lá arrancava uma jogada mais bem conseguida, a que os meus colegas, talvez mais por solidariedade do que por encontrarem realmente semelhanças, reagiam com um “ganda Barbosa!”.
Li algures que este jogador foi protagonista de alguns dos “nós mais ordinários” do futebol recente, o que é uma expressão certeira. Nela se percebem tanto a classe e eficácia deste artista como o ligeiro rasto de humilhação que os seus dribles deixavam para trás. De uma forma simples e natural, sem grandes floreados e a um ritmo sincopado, Barbosa abria a enciclopédia e recordava-nos a todos, com a graciosidade de sempre e uma certa desfaçatez, que o futebol é realmente um jogo simples. Não era manifestamente um jogador “operário”, o que talvez explique o cepticismo de alguns adeptos relativamente a ele. Mas a bola agradecia cada toque seu. A lentidão que por vezes apresentava em campo valeu-lhe alcunhas como “pastelão” ou “Pedro Vagarosa”, para além do surgimento de histórias que davam conta de uma alegada perdição por croissants. No entanto, o ex-capitão do Sporting é a prova de que os futebolistas não se medem aos sprints e que a genialidade permite um ou outro abuso alimentar: Barbosa jogava melhor parado do que muitos a correr.
“Barbosa, com Schmeichel e Rui Jorge, festeja em Vidal Pinheiro o tão ambicionado título de 99/00”
Umas vezes empolgava-se e mantinha um nível assombroso ao longo de todo o jogo, e aí o seu génio revelava-se demasiado grande para o periférico futebol português. Noutros jogos, contudo, a sua arte aparecia de forma mais esporádica, o que acabou por motivar críticas à sua irregularidade, ao facto de se alhear dos jogos, de “só jogar para o contrato”, etc. No futebol, como na vida, as pessoas querem resultados e não poesia. Querem velocidade, fintas e golos, e não inteligência, visão de jogo e capacidade de liderança. Neste desporto a 100 à hora, em que cada vez mais se exigem esforços sobre-humanos aos jogadores, nem sempre há lugar ou paciência para um pensador, para um estratega implacável. Muitos esquecem-se de que por detrás de cada Messi há um Xavi, por detrás de cada artista há um cérebro. Com as devidas distâncias, Barbosa era esse cérebro, sem no entanto abdicar do seu estilo fantasista que fazia um adepto passar, em escassos segundos, dos insultos hardcore às juras de amor eterno a ele dirigidas.
Se pensarmos um pouco, aliás, vemos que há poucos exemplos de futebolistas que, como Barbosa, conjuguem uma técnica apuradíssima com uma inteligência superior dentro de campo. O caso mais famoso talvez seja Zinedine Zidane, facto que levou alguns fãs do eterno 8 do Sporting a definirem o seu ídolo como “o Zidane português” (não seria antes Zidane o “Pedro Barbosa francês”? Afinal, o português até é mais velho…). A sua carreira internacional, porém, não foi tão consistente quanto podia, em parte devido ao facto de ter atingido o auge em plena “geração de ouro” e de ter tido a fortíssima concorrência de jogadores como Figo, Futre, Paneira, Sérgio Conceição, Capucho ou Simão. Ainda assim, marcou presença no Euro 96 e no Mundial 2002. Tive a felicidade de assistir em Alvalade ao seu melhor jogo pela Selecção, frente ao Chipre (6-0), em que um dos dois golos com que brindou a plateia foi de levantar o estádio.
A frase que mais vezes ouvi adeptos rivais dizerem quando ficam a saber da minha admiração por Barbosa é “se ele era assim tão bom, por que é que nunca saiu de Portugal?”. Estranho estes critérios que não impedem a consagração de monstros como Eusébio ou Pelé, mas que já são obstáculo quando se trata de outro jogador. No programa “A Noite do Futrebol”, co-apresentado por Paulo Futre, Barbosa admitiu ter tido várias propostas do estrangeiro, mas nunca quis abandonar um clube onde sempre foi bem tratado. Por cá, construiu uma aura de grande capitão e foi decisivo para a evolução de jovens como Quaresma, Viana ou Ronaldo. Numa visita recente a Portugal, Peter Schmeichel disse “it’s particularly nice to see Beto, Vidigal… and Mr. Barbosa”. O facto de a liderança e clareza de discurso de Barbosa terem cativado um dos melhores guarda-redes de sempre, ao ponto de este chamar “senhor” a um ex-colega de equipa, é muito revelador.
No mesmo programa que atrás mencionei, Futre referiu-se a Barbosa como alguém que “ganhava o jogo sozinho, [o que fazia] era arte pura”. Quando, há uns anos, Cristiano Ronaldo alinhava pelos juvenis do Sporting, perguntaram-lhe numa entrevista quais eram os jogadores do plantel principal que mais admirava, tendo o agora melhor do mundo escolhido “João Pinto e Pedro Barbosa, porque são dois grandes profissionais de futebol”. É significativo que Futre, jogador extraordinário, tenha convidado Barbosa para o seu programa; já o facto de Ronaldo admirar o meu jogador favorito mostra bem que idolatrar Pedro Barbosa é tudo menos descabido – o melhor futebolista português de sempre também o faz, e isso é mais uma prova de como ele soube sempre escolher os exemplos certos.
“Aos 15 anos, Cristiano Ronaldo deu a conhecer numa entrevista a sua admiração por Pedro Barbosa” Fonte: sportingautentico.blogspot.com
Não é comum ouvirmos um adepto rival afirmar que um dos seus jogadores preferidos de sempre jogava no nosso clube. Porém, foi precisamente isso que me disse um portista que conheci quando estava em Erasmus. Barbosa nunca foi um jogador consensual mas, da mesma forma que não era apreciado por todos os Sportinguistas, a sua enorme qualidade extravasava o Sporting e contagiava adeptos rivais. E foi também esta eterna controvérsia, tão característica dos génios, que sempre me fascinou.
Barbosa retirou-se em 2005, depois de um campeonato roubado nos últimos minutos e de uma final europeia cruelmente perdida em casa. Recordarei para sempre a sua imagem a passar ao lado da taça. O capitão, mais do que todos, merecia erguê-la e não ter de circundá-la de rosto fechado e cabeça baixa. Pedro Gomes, comentador desportivo e antiga glória do Sporting, referiu na altura que Barbosa quase nunca jogou a nº10, posição onde poderia ter rendido ainda mais. Concordo. A jogar nas costas dos avançados, sem grandes preocupações defensivas e numa zona em que a velocidade é menos determinante, as qualidades do eterno capitão tê-lo-iam projectado para um nível de excelência que nas alas podia por vezes não aparecer. Seja como for, amado por uns e incompreendido por outros, Pedro Barbosa entrou na História do Sporting e do desporto nacional enquanto um dos melhores futebolistas da sua geração. No meu caso, ficar-lhe-ei eternamente grato por me ter mostrado que o futebol também pode ser arte, de tal forma que senti a necessidade de comprar a camisola com o seu nome e número na última época em que representou o Sporting. Nove anos depois do abandono de Pedro Barbosa, os relvados portugueses ainda choram pelo seu regresso. Muito tempo passará até que apareça alguém semelhante.
O assumir do comando técnico do plantel portista por parte de Luís Castro é uma situação que continua a não ser totalmente clara. Vozes ecoaram dizendo que Marco Silva iria ser o novo treinador após a saída de Paulo Fonseca, mas até ao momento é o ex-treinador da equipa B que parece ser mesmo o escolhido para acabar a época. Só importa saber o quão interino é, afinal, este treinador.
O Porto ganhou bem ao Arouca, sim, mas estamos a falar de um jogo em casa contra o 13º classificado da Liga, a apenas 3 pontos do último lugar. Para o adepto comum, a conta é fácil: 4 golos (bis de Quaresma e grande golo de Carlos Eduardo), Fernando sozinho a trinco e o triângulo invertido (com Defour e Carlos Eduardo mais avançados no terreno), e (muitos) mais minutos para Juan Quintero, o menino bonito do Dragão.
Poder-se-ia dizer que a solução Luís Castro resolveu muitos problemas do Porto. Desde logo, de forma mais directa, solucionou e facilitou a saída de Paulo Fonseca. Por outro lado Luis Castro é um homem com passado em outros escalões no clube, tendo tido a oportunidade de treinar jogadores como Quintero, Reyes, Ricardo, Kelvin e Herrera, entre muitos outros jovens que têm jogado na B desde o início da época, que podem ser importantes para a equipa A. Fora isto, são poucas as garantias que este treinador português dá ao clube, e a sua escolha não deixa de evidenciar uma clara falta de gestão de crise que previsse a saída de Paulo Fonseca.
Quaresma esteve bem no jogo contra o Arouca e soube dar o apoio a Luís Castro Fonte: Mais Futebol
É suposto aceitar que uma equipa a mais de meio da época passe a ser treinada pelo treinador da equipa B? Da mesma forma que jogadores treinam e jogam na B para chegar a A, também um treinador pode fazê-lo? No Porto parece que sim, pelo menos nesta época em que tudo acontece. Luís Castro pode até conhecer muitos dos jogadores do plantel, pode conhecer o clube como a palma da sua mão, mas nunca vai deixar de ser o treinador da B, até porque aos olhos dos adeptos e jogadores sempre foi essa a sua condição e, por muito bom que até possa ser, estará sempre etiquetado dessa forma.
Na generalidade dos media, o nome de Marco Silva (uma escolha que eu nunca defendi) foi confirmado como novo treinador do Porto, fazendo querer que Luís Castro iria fazer apenas meia dúzia de treinos e um jogo. Mas a cada dia que passa e a cada competição que vai sendo preparada ou jogada, é Luís Castro que ganha terreno no clube. Independentemente de se gostar ou não, estar constantemente a alterar de equipa técnica em nada ajuda a preparação, a motivação e o ambiente entre jogadores, daí que o “interino” seja aparentemente significado de “até-ao-fim-da-época”.
O jogo de Quinta-Feira contra o Nápoles tem uma importância extrema para a época 2013/2014 do Porto. Com o campeonato de parte (pretender alcança-lo é uma ilusão), é esta a (pequena) grande competição em que o Porto se deve focar. O terceiro classificado da Serie A é uma equipa bastante forte. Na semana passada bateu a Roma em casa por 1-0 e conta com grandes nomes como Higuaín, Callejón e Hamsik. Mais do que um difícil adversário, o Nápoles é um desafio ao que este Porto pode fazer. Nunca faltou qualidade ao plantel portista; o que faltou foi regularidade e motivação, e quem sabe se este não é aquele que torna uma época vergonhosa numa época semi-aceitável.
A actualidade portista é marcada por três sentimentos: um de felicidade relativamente à saída tardia de Paulo Fonseca; outro de desgosto quanto à época miserável do clube (estar a 9 pontos do Benfica e perder o campeonato na última jornada em casa são factores indesculpáveis); e por fim o de perplexidade quanto à estranha escolha do novo treinador. Luís Castro pôs o Porto B em primeiro na Segunda Liga e é um portista de vários anos no clube, mas os adeptos queriam mais, um maior nome, um histórico do clube. O Porto anseia uma lufada de ar fresco que tarda em acontecer.
À partida para esta época, o Mónaco era apontado como o único clube que podia evitar um passeio do PSG na Liga Francesa. Contudo, era evidente que, apesar do enorme investimento efectuado no último defeso, os monegascos ainda não tinham a capacidade de lutar lado a lado com os parisienses. Posto isto, o segundo lugar provisório do emblema do Principado é um excelente indicador do que a equipa pode vir a fazer nos próximos anos. A fórmula do sucesso tem sido uma conjugação eficaz da experiência de elementos como Ricardo Carvalho – temporada bastante regular – e Abidal com a irreverência de jovens como Kurzawa, Germain e o próprio James, que tem jogado a um nível fantástico na segunda metade da temporada.
Dmitry Rybolovlev comprou o AS Mónaco em 2011, quando o clube estava na última posição da Ligue 2. Os monegascos conseguiram evitar a descida de divisão e, na época seguinte, alcançaram a promoção à Ligue 1, já com Ranieri ao leme. O bilionário russo cumpriu o que prometeu e, em apenas ano e meio, recolocou a equipa no lugar a que pertence. Para esta temporada, havia bastante curiosidade para perceber o que o Mónaco poderia fazer. O investimento de mais de 150 milhões de euros em jogadores como Falcao, James, Moutinho, Kondogbia ou Toulalan deu automaticamente aos monegascos o estatuto de grande rival do PSG na luta pelo título, mas faltava passar da teoria à prática.
Contratar uma série de jogadores de grande nível não é sinónimo de sucesso imediato, até porque é necessário colocar as individualidades ao serviço do colectivo. O Mónaco está a ser bem-sucedido nessa tarefa e a temporada está a corresponder às expectativas iniciais. E o mais surpreendente é que, de todos os reforços sonantes contratados, apenas James está a justificar o investimento. Depois de uma fase de adaptação complicada, o colombiano assumiu a batuta da equipa e está a mostrar toda a sua qualidade. Neste momento, já leva 6 golos e 9 assistências, números que provavelmente serão melhorados até final da época. Infelizmente, tendo em conta que é devido a uma grave lesão, o seu compatriota Falcao já não poderá dar o seu contributo aos monegascos. Embora não estivesse a realizar uma temporada deslumbrante – 9 golos marcados, alguns deles de penalty -, é uma baixa de peso para Ranieri, atenuada pela aquisição de Berbatov, boa solução para o imediato. Em relação a João Moutinho, está a desiludir na sua primeira experiência no estrangeiro. O médio português tem sido titular indiscutível, mas não está a ter o impacto que se esperava. Ainda no meio-campo, Toulalan está a ser importante devido à experiência que acrescenta, enquanto Kondogbia, apesar do enorme talento, está a ter pouca influência na equipa.
João Moutinho, James e Falcao são nomes sonantes na equipa do AS Monaco
Num ano em que o Mónaco investiu muitos milhões de euros, poder-se-ia pensar que os jovens veriam o seu espaço na equipa reduzir-se. Contudo, a verdade é que esta está a ser a temporada de afirmação para muitos talentos do clube. Na defesa actua a grande revelação do campeonato francês: Layvin Kurzawa, lateral-esquerdo de 21 anos que se destaca essencialmente no apoio ao ataque (já leva 5 golos, alguns deles decisivos) mas que é igualmente competente nas tarefas defensivas (excelente na antecipação). Do meio-campo para a frente as opções à disposição de Ranieri permitem que haja bastante rotação na equipa. Rivière, avançado móvel e com boa capacidade de finalização, foi um dos destaques da primeira metade da temporada, formando uma dupla muito perigosa com Falcao. Com a lesão do colombiano, Valère Germain e Anthony Martial – tem apenas 18 anos e é uma das maiores promessas do futebol francês – apareceram em bom plano e mostraram que o futuro do Mónaco tem tudo para ser risonho. Ainda há Lucas Ocampos e Ferreira-Carrasco, dois alas desequilibradores que, apesar de não serem titulares, têm bastante potencial.
Depois de ter estado na Ligue 2 na última época, o Mónaco irá, muito provavelmente, terminar no segundo lugar da Ligue 1 (tem 7 pontos de vantagem para o Lille), garantindo o acesso directo à Liga dos Campeões. Para a próxima temporada, apesar de o PSG ser um adversário temível, o título tem de ser o objectivo. Com alguns reforços cirúrgicos, como um lateral-direito e um central de categoria (Carvalho e Abidal não duram para sempre), e uma época mais bem conseguida por parte de jogadores como Moutinho e Kondogbia, Ranieri pode construir uma equipa fortíssima e dar seguimento ao bom trabalho que tem sido feito. No Principado do Mónaco há um projecto com pernas para andar.
É certo que a selecção alemã é uma das principais candidatas a vencer o Mundial 2014, mas, apesar de apresentar uma qualidade acima da média em (quase) todas as posições, é no centro do ataque que reside ainda a maior dúvida. Reus? Gómez? Klose? Veremos.
O que se espera é que Joachim Löw aposte numa fórmula que Guardiola tem experimentado no Bayern München e com a qual nem se tem dado mal: o famoso ‘falso nove’. A hipótese de ver Reus, Götze e Müller a trocarem de posição várias vezes durante o decorrer da partida é mais do que forte.
Perante esta qualidade na rotação do ataque, têm de ficar de fora avançados fixos como o experiente Miroslav Klose, Mario Gómez (que não disputou qualquer jogo na fase de qualificação) e ainda outros jogadores alemães que fazem parte do lote de melhores marcadores da Bundesliga mas que não têm hipóteses de fazer parte do 11, como Pierre-Michel Lasogga (Hamburger SV), André Hahn (FC Augsburg) e Stefan Kiessling (Bayer Leverkusen).
Aos 35 anos, esta é uma oportunidade de ouro para Klose se tornar o melhor marcador da história dos Mundiais Fonte: Eurosport
Ainda assim, falta falar ainda de mais cartas com hipóteses de entrar neste baralho. André Schürrle marcou quatro golos em seis jogos na fase de qualificação e a boa temporada do jogador do Chelsea pode garantir, pelo menos, um lugar certo nos convocados germânicos.
Apesar de não ter marcado nenhum golo nas cinco presenças dos jogos do Grupo C, Podolski, que também joga na Premier League, no Arsenal, tem muitas hipóteses de ter o seu lugar seguro – não pela sua qualidade futebolística, que parece ter decrescido nos últimos anos, mas sim pelo peso que tem dentro do balneário alemão.
Quem também não se dará nada mal na posição é o jovem Julian Draxler, o diamante do Schalke 04. É certo que esta não é a sua posição preferida, mas isso é algo que, tal como acontece com outros jogadores, pode fazer com que se abram espaços noutros sectores, não só pela sua velocidade, mas também pela sua imprevisibilidade e rotatividade.
Posto tudo isto, como se vai apresentar então a Alemanha? Sempre optará pelo avançado falso, com Mario Götze, Thomas Müller, Marco Reus, André Schürrle e ainda Julian Draxler? Irá optar antes pela experiência e pelo peso de jogadores como Miroslav Klose ou Mário Gómez? Ou surpreenderá, levando Lasogga e/ou Kiessling para ocupar a vaga?
Ronnie O’Sullivan é o embaixador do snooker no Eurosport. Imaginem lá a bomba que caiu em minha casa quando soube desta maravilhosa parceria! A partir de dia 25 de março será emitido “The Ronnie O’Sullivan Show”. Soa bastante bem, hum?
Uma grande salva de palmas para o Eurosport, que consegue diminuir assim a ponte entre o desporto e os jogadores de mais alto nível e a Europa e o resto do mundo. A série de meia hora contará com cinco episódios. Vamos poder assistir e perceber como “Rocket” vive o snooker, ver táticas, entrevistas com os mais variados nomes que constam no ranking e ouvir a sua opinião sobre a temporada.
O programa promete tanto dar ao snooker como aos seus fãs uma oportunidade de descobrir o que motiva Ronnie, quais são os jogadores que o inspiram, como é que produziu as famosas vitórias (a minha explicação é talento, principalmente, mas também os genes de outro planeta), e muito mais. Vou roer as unhas até dia 25.
O jogador de 37 anos afirmou: “estou realmente entusiasmado com este novo desenvolvimento na minha carreira e com a oportunidade de trabalhar com o Eurosport, que está a fazer de tudo para gerar interesse internacional no snooker”.
Arnaud Simon, o Diretor de conteúdos do Grupo Eurosport, disse: “Queremos trabalhar com os melhores especialistas em cada desporto. O Ronnie é snooker para milhões de fãs de toda a Europa. É o jogador que veem como a estrela do jogo e temos trabalhado arduamente para criar esta oportunidade com ele, produzir uma série exclusiva de programas para o nosso público apaixonado.”
Isto não fica por aqui. Como embaixador, O’Sullivan tem o papel de contribuir com um blog em eurosport.com durante o Campeonato de Mundo de 2014! O Eurosport Portugal vai reunir os melhores posts e partilhá-los em português. São novidades magníficas, e espero que a Federação Portuguesa de Bilhar comece verdadeiramente a ouvir as necessidades dos jogadores em território luso e que faça um esforço para conceber o que lhe compete: divulgar o desporto em Portugal e investir nele! Continuamos sem júris de mesa e condições nos torneios oficiais.
Contribuindo ainda para a minha felicidade, ontem começou o Haikou World Open, que tem como palco a cidade de Haikou, na Ilha Hainan, no Sul da China. O prize money está avaliado em £478,000 (€573,265.40), mais £53,000 (€63,557.60) do que a época passada.
Conferência de imprensa do Haikou World Open Fonte: Fotografia de Tai Chengzhe
Dos encontros já disputados, ainda não houve grandes surpresas, além de Stephen Maguire, que perdeu contra Thepchaiya Un-Nooh, um jogador de 28 anos proveniente da Tailândia.
Até dia 16, ainda muita coisa pode acontecer, e eu estou sempre à espera de uma grande reviravolta no marcador. Desde que Judd Trump não saia prejudicado, obviamente.
Luís Castro teve um bom início naquele que foi o seu primeiro jogo enquanto treinador principal do Porto. Após a previsível saída de Paulo Fonseca, cabe agora ao ex-mister da equipa B pegar nas rédeas e fazer o sprint final do campeonato.
A vitória de ontem frente ao Arouca fica para a história como a primeira do ciclo Luís Castro. Porém, o verdadeiro desafio começa agora. Sem querer faltar ao respeito ao Arouca, em termos de qualidade a equipa arouquense não se compara com que aí vem no calendário do Porto. Como tal, a dificuldade vai aumentar e a pressão começa a instalar-se.
O jogo com o Arouca deve ser visto como um aumento de confiança. Para além de regressar às vitórias, que escapavam ao Porto há demasiado tempo, foi uma vitória folgada. Marcar quatro golos, com um penalty falhado, dá moral e aumenta a crença nos jogadores e nos adeptos. Mesmo assim, o Porto voltou a sofrer e já vai longe o tempo das “folhas limpas” consecutivas.
O jogo de ontem foi o primeiro de Luís Castro enquanto treinador principal do Porto Fonte: Mais Futebol
Na conferência de imprensa, Luís Castro afirmou que, embora tenha gostado da exibição da equipa, a forma como estiveram em campo não foi “linear”. De facto, notaram-se algumas diferenças, mas o estilo de jogo mantém-se semelhante. Isto não é propriamente mau – o Porto é uma equipa que está programada para jogar em 4x3x3, seja com duplo pivot ou apenas com Fernando mais recuado, e nenhum outro sistema iria beneficiar o Porto. A maior diferença pode mesmo ter sido os ares de mudança. Já tinha dito no passado que, nos últimos tempos, existia uma aura negativa à volta de Paulo Fonseca. Com Luís Castro é um novo começo.
Posto isto, o verdadeiro teste de Castro começa já esta semana. O Porto vai receber os italianos do Nápoles em jogo da Liga Europa a meio da semana e depois vai a Alvalade jogar o segundo lugar com o Sporting. Na semana a seguir, novo confronto com o Nápoles. A equipa napolitana é um sério obstáculo na Liga Europa. Como o Porto, foi uma equipa que ficou em terceiro lugar no seu grupo da Champions League. Porém, a sua história é bem diferente. Enquanto o Porto apenas venceu um jogo (frente ao Áustria de Viena), fazendo um total de 5 pontos, o Nápoles foi a equipa com mais azar dos terceiros classificados da Liga dos Campeões – com 12 (!) pontos conquistados, ficou de fora devido à diferença de golos. Na Liga Europa, os italianos são uma das equipas favoritas e certamente uma dor de cabeça enorme para o recém-chegado Luís Castro.
O Nápoles é o próximo adversário do Porto na Liga Europa Fonte: Record
Segue-se, então, o Sporting de Leonardo Jardim. Em Alvalade vai estar em causa o segundo lugar da classificação e o possível acesso directo à Liga dos Campeões. Sem jogo a meio da semana, o Sporting tem mais tempo para se preparar e para descansar. No jogo de Alvalade, tanto Sporting como Porto vão tentar levar a melhor sobre o rival. Ambas as equipas têm demasiado a perder em caso de derrota, uma vez que o segundo lugar dá direito à entrada directa na Champions League, o que significa um bom encaixe financeiro.
O calendário destas duas semanas não é fácil. Os jogos que se seguem vão ser decisivos e podem ditar o pouco que resta da época. Se com o Arouca Luís Castro se deu bem, é seguro dizer que neste momento de necessidade a aposta num treinador da equipa B é uma jogada muito arriscada. Luís Castro tem, no entanto, uma estrelinha da sorte. O Porto B lidera a Segunda Liga. Após a saída do treinador teve um primeiro deslize perante o Chaves. Se este “desaire” se deve à falta do treinador é pura especulação; no entanto, a Segunda Liga e o Porto B são um desafio muito diferente da Primeira Liga e da Liga Europa. Luís Castro foi chamado ao palco principal. Está na hora de mostrar o talento que possui, até porque o seu verdadeiro desafio começa agora.
P.S.: Penso que deveríamos ver o cargo de Luís Castro como uma oportunidade. Surgiram há relativamente pouco tempo notícias que avançavam nomes como Jorge Jesus ou André Villas-Boas para a próxima época no comando do Porto. Por que não, caso Luís Castro se mostre competente e adequado ao lugar, manter o treinador actual? É apenas uma questão que exponho. No Porto todos recebem as mesmas oportunidades. Devem, no entanto, mostrar que as merecem.
Pois é, parece que este vosso amigo acertou nas suas previsões para a final four da Taça de Portugal. O CAB Madeira é o vencedor da Taça de Portugal desta temporada, ao derrotar o Vagos na final por 73-66.
Mas comecemos pelas meias finais. Ontem, no jogo de abertura, o CAB derrotou os C.U.S por 89-75. Foi um jogo muito emotivo, apesar da diferença de 14 pontos no final. A equipa madeirense foi uma justa vencedora da partida, tendo estado, a partir de meio do terceiro tempo, sempre na frente do marcador. Taj Williams foi eleita a melhor jogadora da partida, tendo marcado 29 pontos, ganhado 12 ressaltos, feito cinco assistências e dois roubos de bola. Sempre bom recordar que esta atleta, de 43 anos, esteve durante 13 temporadas na WNBA, a principal liga americana de basket feminino. Do lado da equipa açoriana, Jhasmyn Player foi a mais inconformada com o resultado.
No outro encontro das meias finais, o Vagos bateu o Boa Viagem. A equipa aveirense ganhou por apenas cinco pontos, 67-62. Apesar do resultado mais próximo, este foi um jogo muito menos disputado do que o da primeira meia final, sendo que apenas no último quarto a equipa do Vagos passou para a frente, tendo entrado neste tempo a dois pontos das açorianas. A melhor jogadora do encontro pertenceu à equipa derrotada, tendo sido eleita Eetisha Riddle, ao marcar 22 pontos, conseguir 11 ressaltos, tendo feito duas assistências, dois roubos de bola e ainda um desarme de lançamento.
Jogadoras do CAB festejam Fonte: Facebook do CAB Madeira
Este domingo disputou-se, então, a final. A equipa da casa, tal como tinha previsto, saiu vencedora, ao derrotar o Vagos por 73-66. As madeirenses entraram muito melhor na partida e, no fim do primeiro quarto, venciam por 27-11. As aveirenses responderam no segundo tempo e conseguiram reduzir para oito pontos de diferença, 36-28, resultado com que chegaram ao intervalo. Depois deste, o CAB voltou a aumentar a diferença a seu favor e entrou para o quarto final a ganhar por 12 pontos, 55-43. Neste último tempo, as madeirenses tiveram sempre o jogo controlado, obtendo assim a sua sexta Taça de Portugal. A MVP do encontro foi novamente a norte americana Taj Williams.
Sobre este fim de semana é importante ainda destacar a excelente organização por parte do CAB Madeira e da Associação de Basquetebol da Madeira. O pavilhão do CAB contou com muito público nos três jogos, principalmente na final. É importante ainda falar na transmissão televisiva. Os jogos apenas foram transmitidos nos dois canais regionais da RTP, algo muito negativo a meu ver, pois todos os portugueses merecem ver estas partidas.