ATLETISMO

A Figura do Ano – Masculina

Fonte: IAAF

Karsten Warholm – O queniano Joshua Cheptegei (campeão mundial de Crosse, campeão mundial dos 10.000 metros e vencedor dos 5.000 na final da Diamond League) seria também um justo vencedor, mas a temporada excepcional de Karsten Warholm é impossível de ignorar. O norueguês não perdeu uma única das 16 provas em que competiu em 2019, mostrando uma invencibilidade fora do comum. Warholm começou a temporada a tornar-se campeão europeu dos 400 metros em pista coberta, antes de se focar na sua prova predileta: os 400 metros barreiras.

Aí enfrentou a concorrência mais dura da história – Rai Benjamin e Abderrahman Samba são 3.º de sempre igualados – não perdendo qualquer prova, correndo mesmo o 2.º tempo mais rápido da história em Zurique (46.92), prova onde venceu a final da Diamond League. Nos Mundiais de Doha bateu os seus rivais diretos para renovar o título mundial, coroando com chave de ouro um ano inesquecível.

A Figura do Ano – Feminina

Fonte: Doha 2019

Dalilah Muhammad – Foi um ano fantástico no atletismo feminino com muitas atletas a alcançarem performances de elevado nível, mas seria injusto não dar o título de atleta do ano a Dalilah Muhammad. Tal como no masculino, os 400 barreiras estiveram em grande destaque no feminino e muito disso se deve a duas norte-americanas. Num ano em que se sabia que iria rebentar a bomba Sydney McLaughlin (USA), recém-saída do desporto universitária, a jovem norte-americana não desiludiu absolutamente nada, mas enfrentou uma enorme Dalilah Muhammad, que provou que está aqui para ficar.

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A atleta, que é a atual campeão olímpica, não fez por menos e bateu o recorde mundial da disciplina por duas vezes em 2019. A primeira foi a 28 de julho para conquistar o título norte-americano em 52.20, destruindo um recorde mundial que durava há 16 anos. Mais tarde, em Doha, melhorou esse recorde mundial, conquistando o seu 1.º título mundial em 52.16 segundos. No final dos campeonatos ainda fez parte da estafeta finalista dos 4×400 femininos que também foi Ouro em Doha.

O Momento do Ano

Salwa Eid Naser bate Shaunae Miller-Uibo na final dos 400 metros de Doha – Muitos argumentarão que o feito de Kipchoge em Viena poderia ser o momento do ano no atletismo, mas quem nos acompanha sabe dos sentimentos mistos que temos em relação ao evento Breaking2 (e similares), não desfazendo os méritos. No que diz respeito ao atletismo propriamente dito, o maior choque do ano aconteceu a 3 de outubro, quando a jovem, de 21 anos, Salwa Eid Naser (nascida na Nigéria, mas a representar o Bahrein) bateu a grande favorita Shaunae Miiller-Uibo nos 400 metros de Doha. As duas formam já uma das grandes rivalidades da atualidade, mas Miller-Uibo entrava em Doha com estatuto de clara favorita, depois de ter dominado o ano atlético nos 400 metros (marca do ano antes de Doha) e 200 metros (marca do ano), tendo abdicado dos 200 devido a incompatibilidade de dobrar distâncias em Doha.

A atleta das Bahamas apostou na sua prova mais forte e correu mesmo o 6.º melhor tempo da história num enorme recorde pessoal (48.37), mas nada faria prever que Naser iria correr em 48.14 segundos, o 3.º tempo mais rápido da história e o mais rápido desde o recorde mundial de 1985! E de pensar que as duas marcas à sua frente são altamente questionadas quanto à sua legalidade, pertencentes a Marita Koch e Jarmila Kratochvílová, duas atletas com elevadas suspeitas de doping… há quem diga que o recorde até já é de Naser!

Pedro Pires