Com Rui Vitória finalmente afastado do comando técnico do SL Benfica, há que continuar a olhar para dentro do excelente plantel que está à disposição e a ver os problemas que existem. Um deles foi – e continua a ser – Jonas. Sim, o avançado brasileiro, que já escreveu história na Luz e que, sempre que entra, dá um ligeiro clique ao futebol dos “encarnados”. O “Pistolas” veio de uma época fantástica, enquanto esta ruma, até então, num extremo oposto. Também é uma desilusão no SL Benfica perante aquilo a que habituou os adeptos.

O problema começa no início da temporada e temos de puxar a fita para trás. Jonas tem culpa, mas ele não teve controlo de muita coisa. O clube e especialmente a equipa sentiram isso. Em agosto falou-se da renovação do contrato, ao mesmo tempo que havia uma proposta tentadora das Arábias, um possível regresso ao Brasil e uma lesão complicada na coluna, que se veio a revelar mais tarde como sendo muito comprometedora para a carreira do jogador. Só começou a jogar esta temporada, aos poucos, no final de setembro, como explicamos mais à frente no texto.

Os contornos desta novela foram conhecidos. Foi um (des)amor que durou quase todo o Verão e coincidiu com o arranque de 2018/19. Jonas queria sair porque recebia menos do que alguns jogadores que tinham acabado de chegar ao clube, e voltou atrás na decisão (onde é que já vimos este filme?), dizendo que queria acabar a carreira no Benfica. Nesta altura, os “encarnados” lutavam pelo acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, o primeiro objetivo da temporada que decorre.

Mal aqui a direção do SL Benfica, que reduziu a grandeza que diz ter na preocupação com um ativo. Muita expetativa se criou, muitos avanços e recuos foram especulados pela Comunicação Social. Há que pensar que um momento como este pode voltar a surgir e o SL Benfica tem de contar com o facto de haver todo um mundo sem Jonas no futuro, tal como se deve pensar que há mais vida para além de Jorge Jesus no comando técnico. É fácil colocar todo o peso numa vedeta, mas sabe-se que Jonas é conflituoso por natureza, tem “sangue quente” e demonstra-o em campo nalguns pormenores.

Jonas continua a encantar, mas pede-se mais na época de “Reconquista”
Fonte: SL Benfica

Escrutinando alguns dados para perceber se Jonas realmente está a criar impacto esta época. Em campo, fazendo um longo parêntesis, não me parece tanto como antes. Não passa de um clique – a equipa reage bem, mas, na frente, a criação de vários tipos de oportunidades não surge. Em Portimão vimos isso, especialmente na segunda parte, quando Rui Vitória tinha colocado mais homens no ataque. Jonas, por tudo o que já deu ao SL Benfica, infelizmente não tem passado de uma linha que fica bem escrever. Há classe, está lá (agora, quase) tudo. O futebol “encarnado” não se pode reduzir à bola para a frente e a cruzamentos nas alas, especialmente quando o avançado é Jonas, sozinho.

O Benfica já disputou 31 jogos esta temporada, mas Jonas só participou em 16 partidas, onde marcou nove golos. Regressou aos relvados em dois momentos.

O primeiro, em casa. frente ao Desportivo das Aves (foi lançado para jogar 18 minutos, SLB venceu por 2-0) e fora, diante do GD Chaves, que terminou 2-2, onde jogou os últimos dez minutos “no desespero”. Em ambos os jogos não marcou. Seguiu-se o jogo na Grécia, frente ao AEK, para a Champions, onde supostamente foi poupado para jogar com o FC Porto. Não alinhou em nenhuma dessas partidas.

Golos só surgiram no segundo momento, frente ao Sertanense, para a Taça de Portugal. Jonas fez o terceiro golo, o jogo já estava resolvido. Depois, duas derrotas: 0-2 contra a Belenenses SAD, 1-3 contra o Moreirense FC (marcou o golo “encarnado”).

Entre estes jogos, decorria a fase de grupos da Liga dos Campeões, mas surgiu tarde demais: contra o Ajax, na Luz (marcou o golo do 1-1) e frente ao FC Bayern, em Munique (no 5-1 que ditou o longo início do fim de Rui Vitória).

O melhor momento foi ainda antes e depois da espiral criada após volte-face sobre o despedimento de Rui Vitória. Um golo no reduto do CD Tondela (vitória por 1-3), em casa contra o FC Arouca para a Taça de Portugal (triunfo por 2-1), CD Feirense (golos só surgiram na 2ª parte, 4-0), nas vitórias forasteiras por 0-1 contra Vitória de Setúbal e CS Marítimo e, por fim, goleada na Luz frente ao SC Braga por 6-2 (Jonas marca quando a vitória gorda já estava consumada).

Frente ao Desportivo das Aves para a Taça da Liga e na última jornada frente ao Portimonense SC Jonas não marcou. Nas últimas cinco partidas, o brasileiro nunca jogou durante os 90 minutos. Entrava a meio do jogo, era substituído, ou, no caso da última partida, expulso. Nos últimos meses, o SL Benfica vive uma “desinspiração” ofensiva, talvez nunca antes vista. Não se pode olhar apenas para os números. No meio desta estatística, os dados podem ser animadores e contradizer a argumentação desta texto, mas o que o SL Benfica tem demonstrado em campo pode criar estas dúvidas em torno de Jonas – e não só. Deixei os links de cada rescaldo feito pela equipa BnR em jeito de revisão sobre o que aconteceu nesses jogos (alguns títulos deixam pistas).

Não esquecer também opções falhadas como Ferreyra e Castillo, de que tanto já falamos aqui, e ainda a de Tyronne Ebuehi, que logicamente não escolheu estar gravemente lesionado numa altura destas. O jovem nigeriano, por aquilo que mostrou no Mundial da Rússia, iria ser a opção para render André Almeida, lateral direito, uma das irritações dos benfiquistas. Deixo essa conversa para “futuras guerras”, porque também há o estranho caso de Corchia.

Bruno Lage só terá tempo para recuperar o ânimo dos jogadores para os próximos encontros dos “encarnados”, e isto não acontecerá de um dia para o outro. Vai demorar algum tempo, até porque foram anunciadas mexidas, e não só. Jogadores podem entrar, mas o mais provável é saírem, e uma das quatro frentes em que o SL Benfica está inserido pode cair, ou ser um sucesso. No final de janeiro há final four da Taça da Liga, que começa com o FC Porto – que continua a vencer jogos – e pode acabar com jogo diante do Sporting CP ou do SC Braga.

Ainda sobre Jonas, porque não tentar arriscar meter Castillo e/ou Ferreyra no jogo com o Rio Ave FC? Tendo em conta que Seferovic mostra ser o mais esforçado, e havendo mais avançados, vai o SL Benfica continuar a jogar com o brasileiro sozinho na frente? Chatices, mas Jonas precisa de ter a noção de que a fasquia baixou. Pode continuar-se a colocar o “Pistolas” como um dos melhores, e bem, mas, no presente momento, está longe do seu melhor. Parece complicado ser um bom avançado em Portugal.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

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